Tuesday, May 5, 2026

 


A SAÚDE,

ESSA DESCONHECIDA
gérard Wenker, 2019

https://alertevotrecorpsvousparle.blogspot.com/2019/04/la-sante-cette-inconnue.html

A experiência de vida sóbria de Luigi Cornaro (1464–1566)

Veneza sec. XV-XVI

Iª PARTE

resumo

O texto defende uma visão crítica sobre a forma como encaramos a saúde e a medicina moderna.

A ideia central é que a verdadeira saúde não se sente — quando estamos mesmo saudáveis, não temos dores nem consciência do corpo. Pelo contrário, a dor e o desconforto são sinais importantes de alerta, mecanismos naturais de proteção que indicam que algo não está bem.

O autor usa o exemplo de Luigi Cornaro para mostrar que a moderação (sobriedade), especialmente na alimentação, pode levar a uma vida longa e saudável. Defende um estilo de vida simples, equilibrado e disciplinado.

Ao longo do texto, critica-se fortemente:

  • o uso excessivo de medicamentos para “calar” sintomas em vez de compreender as causas;
  • a influência da publicidade e do marketing, que apresentam produtos e tratamentos como inofensivos e benéficos;
  • a ilusão de controlo sobre a saúde, quando na realidade muitas doenças se desenvolvem silenciosamente.

A mensagem final é que devemos:

  • ouvir o nosso corpo;
  • questionar o que nos é apresentado como verdade;
  • procurar compreender em vez de apenas acreditar;
  • aceitar que saúde e doença são opostos complementares, segundo a ideia da dialética (inspirada no Tao).

Em resumo: o texto apela a mais consciência, responsabilidade pessoal e espírito crítico na forma como lidamos com a saúde.

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texto

Se sobreviver a este fim do mundo anunciado, conserve um pouco de bom senso para não morrer de uma apoplexia fulminante com o nariz no prato.

«Um terço dos alimentos que ingerimos serve para nos alimentar;
os outros dois terços servem para alimentar… os médicos!»

Luigi Cornaro (1464–1566), nobre veneziano que viveu até aos 102 anos, escreveu quatro discursos sobre a vida sóbria: o primeiro aos 85 anos, o segundo aos 86, o terceiro aos 91 e o quarto aos 95.

O seu grande e simplíssimo princípio era o seguinte:
Da Sobriedade depende a Longevidade!

Na época de Luigi Cornaro, as ideias relativas à saúde, à nutrição e à longevidade eram bastante confusas; o mérito de Cornaro, que conseguiu prolongar a sua existência recorrendo apenas a meios inspirados pela Natureza e pela Temperança, é ainda maior. Este veneziano, graças a um regime dos mais simples mas muito rigoroso, e à exemplar perseverança com que o seguiu, conseguiu viver até uma idade muito avançada. Ao mesmo tempo que colheu os benefícios do seu comportamento, deixou à posteridade um exemplo muito instrutivo.

Até cerca dos quarenta anos, levara uma vida bastante dissoluta (desregrada), sofrendo constantemente de cólicas, dores nos membros e febres. Acabou por ficar tão debilitado que os médicos lhe disseram que não teria mais do que dois meses de vida. Deixaram de lhe prescrever medicamentos e aconselharam-lhe apenas um regime alimentar severo.

Seguiu o conselho e, ao fim de alguns dias, começou a melhorar. Um ano depois, não só estava completamente curado como se sentia melhor do que nunca. Decidiu então reduzir ainda mais a quantidade de alimentos, consumindo apenas o estritamente necessário para sobreviver.

Durante sessenta anos, ingeriu diariamente apenas 384 gramas de alimentos sólidos e 428 gramas de bebidas. Além disso, evitava sobreaquecimento e emoções demasiado intensas. Graças a este regime constante e equilibrado, manteve o corpo e o espírito num estado de estabilidade tal que nada o perturbava.

A saúde, essa desconhecida

Como saber se estou de boa saúde?
Como saber se estou doente?
Como saber o dia da minha morte?

É impossível responder a estas questões…
Mas claro que existe uma resposta.

Primeiro sinal de boa saúde:

Nenhum sinal. Absolutamente nenhum.
Nenhuma sensação de ter um corpo, nenhuma percepção de o ocupar.

O estado de saúde é um estado natural estável, comparável a um corpo a flutuar entre duas águas.

Primeiros sinais de doença:

A dor. Leve ou insuportável.

  • Ai… cuidado, dói = PERIGO
  • Ui… cuidado, queima = Perigo
  • Atenção: sabe mal, é amargo, ácido = Perigo
  • Atenção: cheira muito mal = Perigo
  • Atenção: tudo roda, tenho vertigens = Perigo

Sinto-me bem, flutuo no éter, estou feliz, em plenitude, sem preocupações, sem dor, sem emoções, sem medo… mas então… como saber de onde vem o perigo?

A dor, o medo, o desespero — são precisamente aquilo que protege a vida, a sua vida, a sua saúde.

Esteja atento: o seu corpo fala consigo.

“Alô… aqui a companhia dos órgãos associados.”

  • Dói-me a barriga.
  • Que dor de cabeça!
  • A garganta… dói ao engolir!
  • As costas… será uma ciática?

Silêncio, tenho de ir trabalhar… Tome lá uns comprimidos.

Pum… pum… dois ou três golpes químicos: comprimidos verdes, rosas, brancos — tão bonitos e “inofensivos”, dizem eles…

E pronto… tudo resolvido… tudo voltou ao normal.

Espelho… continuo bonita hoje?
Estou a perder cabelo!
Que são estas borbulhas?
Olheiras?!

Não quero ver isto.
Onde está a maquilhagem?

Pronto, resolvido — posso sair e manter as aparências. Vê? Eu disse… já não há problemas, nem dor.

Bem… não tenho muito bom aspeto e já estou cansada ao acordar… mas vamos ser positivos.

Um grande copo de sumo de laranja para engolir as cápsulas de vitaminas recomendadas na televisão — não mentem, é controlado, não é?

Alguns anos depois…


Consulta de rotina no médico.

“Lamento informar que tem um tumor maligno, tipo cancro.”

Como é possível, doutor? Eu sentia-me tão bem, não tinha dores, tomo vitaminas e como 5 frutas e legumes por dia!

“Não se preocupe, trata-se bem com quimioterapia e radioterapia. Há alguns efeitos secundários, mas temos medicamentos para os aliviar.”

Pronto, acabou, estou salva.

Infelizmente, o tratamento não resultou — será necessário recomeçar.

Porquê? Tudo estava bem…

“Porque vou morrer, doutor? Disse-me que eu…”


Compreende agora que a arte da publicidade é fazer-nos confundir ilusões com realidade?

Esconde-se o lado negativo — o perigo, as desvantagens — e mostram-se apenas os aspetos agradáveis e benéficos. Sim… até na medicina.

O marketing industrial percebeu isto perfeitamente e usa-o a seu favor.

Pensa que tem escolha? Não tem.

  • Não, não há perigo nenhum.
  • Não… É muito bom para a saúde.
  • Não, este medicamento não tem efeitos secundários.
  • Perigoso? Não, não foi cientificamente provado que seja perigoso.
  • A eficácia deste produto foi comprovada cientificamente.

Bombardeamento publicitário.

MENTIRA… MENTIRA…
Falsa verdade… desinformação.

Em todos os domínios.

Eu demonstro-vos e provo-o neste blogue destinado a crentes cépticos (científicos ou não), aos incuráveis, aos profissionais da cortina de fumo, aos indignados, àqueles que estão fartos de serem enganados.

Uma única palavra de ordem:
recupere a sua liberdade.
Não acreditar — compreender.

E mais: confio-vos as chaves da saúde e da longevidade.

Como cuidar e tratar com respeito o seu corpo tão precioso.

Para compreender bem estes estados, é necessário recorrer a uma disciplina pouco conhecida no Ocidente:

A dialética do Tao

Todo o fenómeno tem duas faces — é a primeira das leis Dialécticas.

Quanto maior a face, maior o dorso — segunda lei.

É o preço a pagar para que a vida se possa desenvolver.

Vida–morte; Saúde–doença; Dia–noite; Quente–frio; Felicidade–infelicidade; Homem–mulher.

Todos são opostos e complementares.

Nenhum pode existir sem o outro. Experimente, se duvida.




CONTINUA ...

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