HIPOGLICEMIA
Drª AGNÈS PÉREZ
A hipoglicemia é um distúrbio em que o metabolismo
normal dos hidratos de carbono (glícidos) é afetado.
O pâncreas não funciona adequadamente e produz
insulina em excesso, o que gera um nível de glicemia (glucose no sangue) mais
baixo do que o normal.
Os valores normais de glicemia situam-se entre 70 e
110 mg/dl (miligramas por decilitro). Quando esses valores estão abaixo de
40–50 mg/dl, fala-se de hipoglicemia.
A função da insulina é regular os níveis de açúcar no
sangue. Quando a produção de insulina é excessiva, esta transporta a glucose
para as células e, dessa forma, a glicemia diminui.
Muitas vezes, a hipoglicemia é hereditária, mas,
devido a uma alimentação inadequada, cada vez mais pessoas adquirem esta
condição, chamada hipoglicemia funcional.
Afeta cerca de 70% das pessoas na sociedade moderna. A
hipoglicemia, embora não seja considerada uma doença, afeta bastante o nosso
comportamento e a saúde física e emocional.
QUAIS SÃO OS SINTOMAS?
Um muito típico, aqui e agora: sono depois de comer,
particularmente à tarde, após o almoço.
Outro sintoma são alterações emocionais intensas,
causadas pelas variações no nível de açúcar.
De um modo geral, afeta mais o sexo feminino do que o
masculino: “Amo-te profundamente e, dois minutos depois, não te quero ver
mais.”
Somos como um ioiô emocional: comemos chocolate e a
vida é maravilhosa; quando o nível baixa, a vida torna-se horrível.
O comportamento violento está ligado à hipoglicemia.
Os assassinos cometem crimes quando têm níveis de açúcar muito baixos — há
estudos sobre isso. Mais de 90% dos pacientes esquizofrénicos ou paranoicos são
hipoglicémicos. Quando a hipoglicemia melhora, a esquizofrenia ou paranoia
também melhora, assim como nos casos de artrite e alergias.
As alterações emocionais, tonturas, depressão ou a
necessidade de comer chocolate ou beber álcool para recuperar vêm da
necessidade de compensar a hipoglicemia.
Quando o nível de açúcar está muito baixo, surgem
frequentemente dores de cabeça, sensação de frio, ansiedade intensa por doces…
Se não conseguem deixar o açúcar, o café ou o álcool, é provável que sejam
hipoglicémicos/as.
A lista de sintomas da hipoglicemia é extensa.
Infelizmente, a classe médica nem sempre estabelece ligação entre eles. Muitas
pessoas com problemas psiquiátricos encaminhadas para psiquiatras são
hipoglicémicas, assim como pessoas com problemas imunológicos sem diagnóstico
claro.
Em geral, os problemas psicológicos e emocionais
associados à hipoglicemia são mais graves.
QUAL É A CAUSA?
Trabalhar muitas horas sem comer, com desgaste e
cansaço, pode provocar níveis baixos de açúcar. A sensação de estar sempre
exausto indica frequentemente hipoglicemia. Ao comer, há uma melhoria.
Dormir pouco ou passar uma noite sem dormir também
pode causar hipoglicemia, que melhora com descanso e um banho.
Trabalhos intensos, especialmente com computador e
elevada concentração, também contribuem. Este tipo de pressão baixa muito o
nível de açúcar.
Em alguns casos, é fácil de tratar: descansar, comer e
dormir.
Noutras pessoas, é mais difícil. A literatura médica
indica que a causa está nos ilhéus de Langerhans (do pâncreas), que absorvem
açúcares rápidos, provocando um aumento da glicemia e uma resposta excessiva de
insulina, levando a uma descida acentuada.
O açúcar contribui, mas não é a causa principal.
Segundo esta perspetiva, os produtos de origem animal (ovos, queijo curado,
frango, etc.) são os principais responsáveis, pois sobrecarregam o pâncreas.
O pâncreas regula o açúcar no sangue através de duas
hormonas:
- Insulina (baixa o açúcar)
- Glucagon (aumenta o açúcar)
Quando há equilíbrio entre ambas, o organismo funciona
bem.
Alimentos muito “yang” (especialmente gorduras
animais) contraem o pâncreas e aumentam a produção de insulina, reduzindo o
açúcar no sangue e levando ao desejo por alimentos doces.
Os alimentos “yin” também contribuem, sendo o álcool
um exemplo importante.
A falta de frescura na alimentação também é um fator:
é essencial consumir vegetais frescos e verdes diariamente.
Além do pâncreas, o fígado, as suprarrenais e os
intestinos também são afetados.
Outra causa apontada é uma vida sem “doçura”
emocional, levando à procura de compensação na alimentação.
COMO TRATAR A HIPOGLICEMIA?
- Eliminar alimentos de origem animal e
extremos (durante 2–3 semanas)
- Caldo de vegetais doces (abóbora, cebola,
couve, cenoura, nabo)
- Sumo de maçã com kuzu (ocasionalmente)
- Comer algo quando houver irritabilidade ou
agressividade
- Consumir vegetais doces e escaldados
- Preferir sabores agridoce
- Comer melão cozido em compota
- Consumir massa (eleva o açúcar de forma
estável)
- Tomar duches quentes, especialmente à tarde
- Aplicar calor na zona do pâncreas e nos pés
- Manter um estilo de vida calmo e relaxado
- Praticar
contacto físico, massagens, shiatsu
Nas gerações mais jovens, há problemas graves de
hipoglicemia, associados a dificuldades de aprendizagem e falta de
concentração. Sem glucose no cérebro, torna-se difícil concentrar.
Para muitas pessoas, as soluções alimentares não são
suficientes. O mais importante é tomar consciência do problema e saber
identificá-lo.
Se estiverem numa “montanha-russa” emocional, é
importante perceber que isso pode estar relacionado com níveis baixos de açúcar
no sangue.
OS HIDRATOS DE CARBONO
Drª Elena Corrales
Quando se fala de hidratos de carbono, nem todos são
iguais. Uns prejudicam a saúde e outros permitem a sua recuperação. Descobre a
diferença.
Os hidratos de carbono
Também se chamam açúcares ou carboidratos. Existem
muitos tipos de açúcares: alguns chamados simples ou de absorção rápida, como a
lactose do leite, a frutose da fruta, a sacarose da beterraba… e outros
chamados complexos ou de absorção lenta, como os amidos e a fibra dos cereais,
das leguminosas e dos legumes.
A glucose é a moeda energética da célula. Quando a
glucose se combina com o oxigénio nas nossas células, permite obter a energia
necessária para todas as nossas necessidades vitais.
Os açúcares simples
Os açúcares simples fornecem energia instantânea, pois
não requerem digestão. Estão sobretudo presentes no leite e na fruta, e também
no açúcar que adicionamos aos alimentos. O arroz branco e as farinhas
refinadas, por estarem desprovidos de fibra, têm também uma velocidade de
digestão superior à dos alimentos integrais. Por isso, o pão branco, o arroz
branco e a massa branca podem ser considerados praticamente açúcares simples.
Devido à sua absorção muito rápida, transformam-se
também rapidamente em gordura. Um consumo predominante deste tipo de hidratos
de carbono é responsável por muitos tipos de obesidade, diabetes, problemas
cardiovasculares e alterações do comportamento como o stress, a ansiedade e a
depressão… Esta é a causa da elevada prevalência destes distúrbios nas
sociedades mais ricas. Devemos saber também que a fruta e o leite, sendo dois
alimentos perecíveis, são atualmente dos mais consumidos no lar.
Para o leitor menos familiarizado com temas de
nutrição, podemos comparar o comportamento dos açúcares rápidos com o
fogo-de-artifício. Quando o foguete é lançado, há um clarão intenso de luz
(energia) que se apaga de imediato. Quando consumimos doces, sentimos uma
euforia (energia) que depois dá lugar a uma quebra energética, que é a
hipoglicemia.
Os hidratos de carbono complexos
Por outro lado, os hidratos de carbono complexos,
também chamados açúcares lentos, precisam de ser digeridos para uma correta
absorção. Isto significa que a glucose chega às células de forma progressiva, e
não toda de uma vez, como acontece quando bebemos um sumo. Um exemplo
ilustrativo é observar como, nos doentes hospitalizados, quando lhes é
administrado um soro com glucose, o açúcar entra na corrente sanguínea “gota a
gota”.
Se analisarmos as recomendações nutricionais da OMS,
verificamos que a ingestão de açúcares simples deve ser, no máximo, de 10%.
Isto significa que o leite e a fruta não devem ser alimentos prioritários, e
que devemos distinguir entre alimentos refinados e integrais.
Metas nutricionais de nutrientes
De forma universal, o aporte de hidratos de carbono
complexos provém dos cereais integrais, das leguminosas e dos legumes. Na
macrobiótica, estes três grupos alimentares constituem a base da dieta.
Na dietética clássica, não se cumprem as recomendações
da OMS, pois enfatiza-se o consumo de frutas e produtos lácteos, e quando se
fala de cereais não se distingue entre os refinados e os integrais. Dos quatro
grupos clássicos de alimentos, dois são representados pelo leite, derivados
lácteos e frutas, e um pelos cereais refinados.