Thursday, March 12, 2026

 


LOURO (Laurus nobilis)

As especiarias têm sido amplamente utilizadas pela cozinha e medicina tradicionais de vários povos: hindus, italianos, chineses, franceses, alemães, japoneses … para aromatizar, conservar, equilibrar receitas e preparar produtos medicinais.

Além do sabor e alegria, outros efeitos dão aos nossos pratos: umas activam a circulação sanguínea ou acendem o fogo digestivo, tornando os alimentos mais digestíveis; algumas esfriam e outros aquecem; outras dispersam a energia; outras secam ou hidratam; outras são adstringentes; muitas são picantes, boas para lutar contra o frio e a apatia. São raízes, sementes, cascas, ervas, frutos, folhas verdes, etc. Muitas delas beneficiam enormemente a saúde, têm actividade antioxidante, estimulam a digestão ou actuam como poderosos antissépticos, antimicrobianos, antimutagénicos e anticancerígenos.

Muitas são ideais para dispersar a qualidade pesada e os excessos de uma alimentação rica em proteína animal, mas contraproducentes num regime vegetariano ou vegano.

Como a quantidade afecta a qualidade – quanto maior a quantidade, menor a qualidade – também temos de ter o cuidado de não abusar delas, pois o seu uso constante pode debilitar e desequilibrar o organismo. Umas são boas no Verão, outras nas estações frias …  

O Louro faz parte das especiarias autóctones muito saudáveis e suaves (louro, tomilho, alecrim, açafrão, orégãos, …), que, sendo usadas com moderação, têm um efeito potenciador da digestão.

CURIOSIDADES

§  O Laurus nobilis é um arbusto ou ávore da família das Laureáceas típicas da região mediterrânica, tendo chegado a povoar densas florestas em todo o continente europeu, antes do arrefecimento global que se verificou há alguns milhares de anos – os loureiros de crescimento espontâneo que ainda hoje crescem na cordilheira da Arrábida, constituem uma relíquia desses tempos primitivos.

§  Os famosos grelhados madeirenses em pau de louro, dão um sabor especial à carne – provenientes de uma variedade afim de loureiro, o Laurus azorica, endémico da região macaronésia (Açores, Madeira e Canárias).

§  Além do laurus nobilis, existem outras espécies abundantes em Portugal: o Loureiro-rosa e o Loureiro-cerejo, altamente venenoso (é preciso não os confundir com o laurus nobilis, já que as suas folhas são parecidas … mas o odor que emana é bem diferente … muito cuidado!).

§  Considerado capaz de aumentar e manter a saúde e a felicidade, está envolvido em mistérios, superstições e premonições desde tempos muito antigos: na mitologia grego-romana da Grécia e Roma antigas, era consagrado a Apolo (deus olímpico) e Esculápio (deus da medicina e da cura). Também nestes tempos, a “coroa de louros” indicava um grande mérito, simbolizando a glória de quem a usava – era oferecida aos generais que voltavam vitoriosos das batalhas e era o prémio dado aos atletas vencedores das Olimpíadas.

§  Plínio, o Velho, naturalista da Roma antiga, indicava o louro para: paralisia, espasmos, ciática, dores de cabeça, catarro, infecções do aparelho auditivo e reumatismo.

§  Os beduínos do Norte de África utilizam as folhas de louro para reforçar o paladar do café.

PROPRIEDADES

§  O Louro é uma planta dióica – as flores masculinas e feminas estão em pés separados – e propaga-se facilmente quer por sementes quer por estacaria, não gostando de geadas.

§  As suas folhas contêm pró-vitamina A, vitaminas C, D e do complexo B, ferro, cálcio, potássio, magnésio, fósforo, tanino, óleo essencial, alguns alcalóides (que, em excesso, podem ser tóxicos). Os frutos possuem até 30% de ácidos gordos.

§  Tem propriedades antissépticas, anti-inflamatórias, estimulantes, antibacterianas, sedativas e sudoríficas.

§  Investigações modernas referem os seus efeitos benéficos na diabetes tipo 2 e colesterol – reduz os níveis de glicose e diminui os triglicéridos do sangue – e ainda em artrites, problemas respiratórios, doenças cardiovasculares, envelhecimento precoce e cancro (restringe o crescimento das células cancerígenas).

NA COZINHA

§  Na cozinha mediterrânica as folhas de louro são omnipresentes para aromatizar guisados, refogados e sopas.

§  Uma ou duas folhas adicionadas às batatas cozidas, às sopas, além de aumentar o sabor - muitas sopas podem ser “salvas” adicionando nos minutos finais uma folha de louro -, ajudam a prevenir gases e indigestões.

§  As folhas do louro devem ser usadas com moderação – a sua ingestão em quantidade é tóxica e podem causar dermatites de contacto em pessoas mais sensíveis.

§  Há quem recomende que não devemos utilizar a nervura central das folhas nos preparados culinários.

OUTRAS UTILIZAÇÕES

§  A cataplasma de folhas sobre o peito melhora a bronquite e a tosse.

§  “Manteiga de loureiro” – pasta feita do óleo extraído das bagas negras. Utilizado em fricções em pessoas e animais, abrandam as dores musculares. Entra também em fórmulas dermatológicas para a micose, psoríase e pediculose.

§  “Sabão de Alepo” – famoso sabão da cidade Alepo do Norte da Síria, destroçada pela guerra, era tradicionalmente fabricado com óleo das “azeitonas” do loureiro.

§  Na topiária – arte de fazer esculturas e formas artísticas com plantas na terra.

§  Ideal para fazer sebes, utilizadas na divisão de propriedades ou espaços, com a vantagem do seu odor repelir os insectos predadores.

§  A madeira do loureiro é duríssima e pode ser utilizada nos trabalhos de entalhar em marcenaria.

 

RECEITA – Chá de louro (da “Science Alert”)

§  Deitar 1 chávena de água fervente sobre 3g de folhas de louro

§  Deixar em infusão 10 a 15 minutos

§  Beber em jejum diariamente – interromper por 1 semana ao fim de 20 dias

BIBLIOGRAFIA

§  “As plantas nossas irmãs”, Volume 2 – Miguel Boieiro

§  “Ecodieta” – Drª Clara Castellotti

§  “Revitaliza-te!” – Dr. Jorge Pérez Calvo





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