Tuesday, April 28, 2026

 

DIETA VEGETARIANA

E SAÚDE

Drª Elena Corrales

resumo

O texto discute se a dieta vegetariana é saudável e conclui que pode ser equilibrada, mas depende de vários fatores.

Em teoria, é possível obter todos os nutrientes a partir de alimentos vegetais, desde que haja conhecimento adequado sobre combinações alimentares, especialmente para garantir proteínas suficientes. No entanto, tanto dietas vegetarianas quanto omnivoras podem causar desequilíbrios se não forem bem planeadas.

A autora destaca que a alimentação deve ser individualizada, considerando fatores como genética, estado de saúde, sexo e nível de atividade. Além disso, diferencia os alimentos: os de origem animal são vistos como mais “construtores e aquecedores”, enquanto os vegetais seriam mais “refrescantes”.

Conclui-se que o ser humano é omnivoro, podendo ter uma alimentação predominantemente vegetariana, mas não necessariamente exclusiva. O mais importante não é eliminar ou incluir carne, mas sim alimentar-se de forma adequada às necessidades e com foco na saúde, evitando hábitos pouco saudáveis independentemente do tipo de dieta.

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texto

Para além das correntes que defendem não comer carne por respeito aos animais, hoje aprofundamos um tema que suscita muito interesse: se a dieta vegetariana é saudável.

Cada vez mais pessoas que vêm às minhas consultas, alunos, seguidores das redes ... perguntam-me sobre a dieta vegetariana: se é saudável, se tem carências ou se, pelo contrário, tem vantagens.

Os dietistas convencionais alertam para possíveis carências nutricionais e, por outro lado, muitas correntes filosófico-espirituais afirmam que uma dieta isenta de alimentos animais favorece a evolução espiritual e ao ter o corpo "limpo", sem entrar noutras considerações, tais como não sacrificar animais para nos alimentarmos.

De acordo com a composição química dos alimentos, podemos afirmar que no reino vegetal existem os mesmos nutrientes que no reino animal, pelo que seria possível alimentar-se exclusivamente com alimentos de qualidade vegetal, sem ter problemas de saúde.

Então, em termos teóricos, afirmaríamos que consumindo apenas alimentos vegetais podemos obter os nutrientes necessários para estarmos saudáveis, ainda que para isso devêssemos «ter uma informação precisa sobre como combinar os diferentes alimentos, para que não ocorram carências, sobretudo no que diz respeito às proteínas.

Da mesma forma, aqueles que "comem tudo" também deveriam saber o que é necessário ingerir regularmente para estar saudável, já que tanto um excesso de proteínas animais como um excesso de frutas podem alterar esse delicado equilíbrio a que chamamos saúde.

Quando pomos em prática conselhos nutricionais e queremos orientar uma pessoa concreta, devemos considerar alguns aspectos muito importantes, tais como a sua constituição (herança genética), a condição que têm nesse momento (deficiência ou excesso), o seu sexo e a actividade que realiza (física ou intelectual). Todos estes aspectos permitir-nos-ão saber se é apropriado ou não incluir alimentos de qualidade animal na sua dieta e durante quanto tempo.

Da mesma forma, devemos ter em conta que os alimentos, para além de terem nutrientes, têm energia, e que os de qualidade animal são construtores e aquecedores em oposição aos vegetais que são desintegradores e refrigeradores.

Tendo em conta todas estas considerações, para não pôr em perigo a saúde, a inclusão ou não de alimentos animais na dieta depende também: da herança genética que é determinada pelas últimas sete gerações de antepassados, da alimentação na vida intra-uterina, na primeira infância e na situação actual.

Os estudos de anatomia comparada do aparelho digestivo no reino animal permitem-nos afirmar que o ser humano é omnívoro, e embora a sua dieta deva ser basicamente vegetariana, não tem de o ser exclusivamente, como é o caso dos animais herbívoros.

Actualmente há muitas pessoas que se gabam de não comer carne como algo saudável e, no entanto, fumam, bem como comem enormes quantidades de pastelaria, doces e refrigerantes. É por isso que a questão não é a de comer carne ou não, mas de comer de acordo com as necessidades e dar sempre prioridade à saúde.


 

A MACROBIÓTICA CURA ?

resumo

A macrobiótica propõe que, ao mudar de uma alimentação com alimentos processados e extremos (yin/yang) para alimentos naturais, o corpo inicia um processo de “limpeza”. Durante essa fase, podem surgir sintomas como cansaço, dores, alterações digestivas, irritabilidade ou problemas de pele, que são interpretados como eliminação de toxinas.

Estes sintomas costumam ser leves e passageiros em pessoas saudáveis, mas podem ser mais intensos em quem tem doenças, podendo até reaparecer sintomas antigos antes de desaparecerem completamente. O corpo também pode eliminar resíduos de medicamentos e trazer memórias associadas a fases passadas da vida.

Com o tempo, acredita-se que o organismo recupera o equilíbrio e a saúde. Este processo de “cura” pode durar vários anos (cerca de 7 nas mulheres e 8–9 nos homens).

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texto

Ao passar de uma alimentação composta por extremos yin e yang, produtos refinados e congelados, para o consumo de alimentos mais centrados e no seu estado puro, pode acontecer sentirmos desejos repentinos de voltar a comer esses alimentos “antigos”, ou termos oscilações inexplicáveis que podem estar relacionadas com a eliminação de toxinas físicas, mentais ou emocionais desses alimentos extremos que deixámos de consumir. Algumas pessoas assustam-se ao vivenciar estes sintomas e chegam mesmo a questionar se estão a proceder correctamente.

É importante saber distinguir entre os sintomas decorrentes da eliminação de hábitos alimentares antigos e os sintomas provocados por outras causas ou por alguma deficiência. Embora uma dieta macrobiótica equilibrada e variada, adotada com uma atitude flexível e aberta, não provoque carências nutricionais — pelo contrário, ajuda a restabelecer a saúde e o equilíbrio do organismo —, em caso de dúvida, o melhor é fazer análises ao sangue para confirmar que está tudo bem e procurar apoio de pessoas que já passaram por este processo de mudança.

Segundo Michio Kushi, quando uma pessoa está em processo de “limpeza”, podem surgir os seguintes sintomas (um ou vários):

·      Cansaço

·      dores e mal-estar

·      febre, arrepios e tosse (que podem ser atenuados com algum remédio macrobiótico caseiro)

·      transpiração anormal e aumento da frequência urinária

·      problemas de pele e odor corporal desagradável

·      diarreia ou obstipação

·      diminuição do desejo sexual

·      interrupção temporária da menstruação

·      irritabilidade

·      insónias, queda de cabelo, sensação de frio ou ondas de calor…

Quando uma pessoa inicia a macrobiótica, pode não ter qualquer doença ou desequilíbrio diagnosticado; nesse caso, estes sintomas tendem a ser mais ligeiros e passam rapidamente.

Se uma pessoa tiver alguma doença física ou mental, à medida que começa a consumir alimentos naturais e não processados e a reduzir os extremos yin e yang, o organismo inicia um processo de recuperação. No entanto, antes do desaparecimento total das doenças, podem ocorrer diversas reações. Em alguns casos, os movimentos peristálticos podem parar durante alguns dias, porque os intestinos — que estavam dilatados — estão a recuperar o seu tamanho normal; pode surgir diarreia, pois o conteúdo intestinal estava estagnado e começa a ser eliminado; algumas pessoas sentem dores de cabeça, devido à contração dos nervos previamente expandidos; outras podem ter a sensação de que os dentes vão cair, porque as gengivas inchadas retraem; também pode acontecer a menstruação desaparecer temporariamente.

Em resumo, podem surgir vários tipos de reações, tanto mais intensas quanto mais debilitado estiver o organismo. Existem remédios macrobióticos caseiros para aliviar estas condições passageiras e ajudar na eliminação de toxinas acumuladas. Um professor ou consultor pode recomendar os mais adequados a cada caso.

Se a pessoa não tiver muitas queixas, surgirão poucas alterações, ou estas serão mais suaves. Gradualmente, as doenças vão desaparecendo.

Por outro lado, se a pessoa tiver consumido medicamentos como comprimidos para dormir ou tranquilizantes e começar a alimentar-se corretamente, o corpo começará a eliminá-los; durante esse processo, é provável que ocorram sonhos durante a noite. Se surgirem pesadelos, podem estar associados ao consumo anterior de alimentos de origem animal. Ao deixar de consumir carne, ovos e queijo e adotar a macrobiótica, os pesadelos tendem a desaparecer subitamente após uma ou duas semanas de eliminação ativa.

Durante o processo de cura, o corpo e a mente podem “regredir” a fases anteriores da vida. Por exemplo, uma pessoa com 30 anos que pratica macrobiótica há algum tempo pode sentir sintomas como dores no peito, tosse ligeira ou febre baixa. Isto pode estar relacionado com uma doença passada (por exemplo, uma pneumonia aos 20 anos) que o organismo está finalmente a resolver. Muitas vezes, quando os sintomas desaparecem, pensamos que a doença também desapareceu completamente — mas pode não ser o caso. Assim, a doença reaparece temporariamente para ser definitivamente curada.

Simultaneamente, podem surgir recordações dessa fase da vida. À medida que o corpo se rejuvenesce e liberta memórias antigas, a mente acompanha esse processo.

Com o tempo, este processo pode recuar ainda mais nas memórias, até à infância e mesmo ao período pré-natal. Quando se atinge esse ponto, considera-se que ocorreu uma transformação profunda — uma espécie de renovação completa do organismo.

Este período de cura progressiva dura, em geral, cerca de 7 anos nas mulheres e 8 a 9 anos nos homens, podendo ser mais prolongado em pessoas com doenças mais graves.

 

Monday, April 27, 2026

 

O CEREAL DA PRIMAVERA E DO FÍGADO:
A CEVADA

Clara Castellotti

resumo:

A cevada é um cereal antigo, leve e desintoxicante, especialmente associado à primavera e à saúde do fígado. Ajuda a reduzir o colesterol, regula o açúcar no sangue, promove a saciedade (sendo útil em dietas de emagrecimento) e pode contribuir para a prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de cancro.

É rica em fibras, vitaminas do grupo B e minerais essenciais, tendo também propriedades anti-inflamatórias, digestivas e remineralizantes. Pode beneficiar problemas como gastrite, obstipação, afeções respiratórias e fraqueza geral.

Apesar dos seus benefícios, contém glúten (em menor quantidade), sendo inadequada para celíacos. Deve ser demolhada antes de cozinhar e tem um tempo de cozedura relativamente longo.

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texto

Depura o fígado e favorece a drenagem hepática: é o cereal mais refrescante e desintoxicante; a sua energia é leve e ascendente, por isso na Medicina Tradicional Chinesa (MTC) está associada ao sistema fígado/vesícula biliar e à primavera.

A cevada é um dos cereais mais antigos; segundo os historiadores, é o antepassado de muitos cereais modernos. Os dados disponíveis indicam que no Oriente já se consumia cevada selvagem há cerca de 60.000 anos. Recentemente foi descoberta na cevada uma substância, o “tocotrienol”, capaz de inibir a formação de colesterol mau no fígado.

Estimula a produção de leite materno e contém fitoestrogénios (lignanos) com propriedades preventivas face a certos tumores, como o da mama.

Segundo a FDA, as fibras solúveis presentes na cevada, os beta-glucanos, reduzem o risco de doenças coronárias, o colesterol e o risco de diabetes tipo 2, enquanto as fibras insolúveis ajudam a prevenir o cancro do cólon.

Mantém a sensação de saciedade durante muito tempo, sendo indicada em dietas de emagrecimento.

No Ayurveda, está indicada para equilibrar os doshas Pitta e Kapha, cujo excesso provoca, respetivamente, perturbações do fígado e acumulação de muco no sistema respiratório.

Originária da Ásia e de África, foi utilizada pelos egípcios, gregos e romanos, mas por ser pobre em glúten e, portanto, pouco adequada à panificação, perdeu importância com a chegada do trigo à alimentação humana.

Muito energética e nutritiva, era o alimento base dos gladiadores, a quem se chamava “Hordearii”, ou seja, “comedores de cevada”.

Mantém a sensação de saciedade durante muito tempo, sendo indicada em dietas de emagrecimento.

Destaca-se pelo seu conteúdo em fibra e minerais como cálcio, fósforo, ferro, potássio e magnésio, bem como vitaminas do grupo B (B1, B2, B3, B5, B6) e vitamina PP. Uma chávena de cevada cozida fornece cerca de 37% das necessidades diárias de ferro, mais de 100% da fibra recomendada, 61% de magnésio, 24% de zinco, 46% de cobre, 90% de manganês e até 70% de selénio, sendo um cereal muito indicado para retardar os sinais de envelhecimento e prevenir tumores.

É rica em propriedades curativas: remineraliza os ossos, previne afeções pulmonares e cardiovasculares e, devido à sua ação anti-inflamatória (contém mucilagem que suaviza as mucosas), é particularmente indicada em casos de gastrite, colite e cistite.

Emoliente e refrescante, a cevada é útil em casos de obstipação, regula as funções respiratórias e melhora afeções bronquiais e estados febris.

É um tónico geral e nervoso, reconstituinte e muito energético. Por conter muito amido, é absorvida lentamente, permitindo ao organismo aproveitar a sua energia de forma gradual; assim, ajuda a estabilizar os níveis de açúcar no sangue, sendo útil em casos de diabetes, hipoglicemia, tonturas por falta de açúcar, fraqueza, etc. O seu índice glicémico é 35, sendo considerado baixo.

Devido à sua forte ação anti-inflamatória, a água de cozedura da cevada pode ser usada externamente na pele irritada, nos olhos inflamados ou em gargarejos em caso de dor de garganta, entre outros.

Remédio já utilizado por Hipócrates, sendo ainda hoje conhecida a decocção de cevada como “tisana de Hipócrates”.

Na primavera, pode ser benéfico fazer cerca de dez dias de dieta n.º 7 à base de cevada.

Contém glúten, ainda que em pequena quantidade (5–8%), sendo por isso proibida para celíacos.

COMO SE COZINHA

A cevada é um cereal duro, mais do que o arroz.

Deve ser demolhada durante a noite e, de preferência, cozinhada na panela de pressão durante cerca de 1 hora. Em alternativa, pode cozinhar-se meia hora na panela de pressão e depois terminar a cozedura num tacho durante cerca de mais 1 hora. Caso não tenha panela de pressão, pode ser cozinhada num tacho durante mais de 1 hora.

VÍDEO-RECEITAS NOS MEUS GRUPOS DE FACEBOOK: ECODIETA E “QUE O ALIMENTO SEJA O TEU MEDICAMENTO”

 

 

 

 

TEMPEROS E VINAGRETES SABOROSOS E EQUILIBRADOS
COM OS 5 SABORES

Macrosano

Isabel

resumo

O texto explica como tornar temperos e vinagretes mais saborosos e equilibrados ao usar os 5 sabores: doce, salgado, ácido, amargo e picante.

A ideia principal é que combinar estes sabores melhora o sabor dos pratos, aumenta a sensação de saciedade e ajuda a evitar desejos depois das refeições. Além disso, segundo a macrobiótica e a medicina tradicional chinesa, cada sabor está associado a diferentes órgãos e contribui para o equilíbrio do organismo.

O texto destaca que o sabor doce deve predominar, sendo complementado por pequenas quantidades dos outros sabores para criar harmonia.

Também dá exemplos de ingredientes para cada sabor (como concentrado de maçã para o doce, gengibre para o picante, miso para o salgado, limão para o ácido e tahini para o amargo) e ensina que basta combinar pelo menos um de cada categoria para obter um tempero equilibrado.

Por fim, sugere uma receita simples de vinagrete cremoso de limão como exemplo prático.

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texto

Ainda continuas a preparar os teus temperos com azeite, vinagre e sal? Sabias que, se incluíres os 5 sabores nos teus temperos, eles ficarão muito mais saborosos?

E sabias que, se utilizares os 5 sabores na preparação dos teus pratos e molhos, te sentirás muito mais satisfeito/a depois da refeição?

A procura do equilíbrio, conjugando o sabor salgado, ácido, doce, amargo e picante, é um aspeto importante e muito valorizado na prática da cozinha macrobiótica. A medicina tradicional chinesa também o tem em consideração ao conceber pratos que equilibram, nutrem e satisfazem.

Quando utilizamos os 5 sabores, harmoniosamente combinados, nos nossos pratos, reduzimos os desejos típicos após as refeições. Isto acontece porque o nosso paladar, e ainda mais importante, o nosso cérebro, se sentem satisfeitos.

Quando, ao preparar uma refeição, predomina por exemplo o sabor salgado, estamos a criar um desejo de consumir doces que equilibrem a qualidade energética (yang) do sal — e conseguimos isso com alimentos doces, ricos em açúcares, que energeticamente são muito mais yin. O mesmo acontecerá se utilizarmos o picante em excesso ou, pelo contrário, se quase não usarmos sal.

Para além de satisfazer o paladar, os 5 sabores têm também uma influência energética nos diferentes órgãos, ajudando a estimulá-los e a tonificá-los quando usados de forma adequada.

O sabor doce é conhecido por tonificar os órgãos associados ao elemento terra: estômago, baço e pâncreas. O picante nutre os órgãos do elemento metal: intestino grosso e pulmão. O salgado está ligado ao elemento água, tonificando assim os rins e a bexiga. O ácido está especialmente indicado na Primavera e nutre o elemento madeira, beneficiando o fígado e a vesícula biliar. Por fim, o amargo ajuda a estimular o intestino delgado e o coração, órgãos relacionados com o elemento fogo.

De todos estes sabores, o doce é o que deve ter maior presença nas nossas refeições. Não é por acaso que é o sabor que mais nos relaxa; no entanto, pequenos toques dos restantes sabores ajudam a criar pratos equilibrados e harmoniosos e a manter o organismo em perfeito equilíbrio.

Não sabes como incorporar os 5 sabores nos teus temperos?
É muito simples… dá uma vista de olhos à lista de ingredientes abaixo e tenta utilizar pelo menos um de cada sabor nas tuas receitas. Com a prática, serás capaz de criar temperos deliciosos e equilibrados… vais ver a diferença!

1. SABOR DOCE:

Uma das melhores opções para dar doçura aos teus temperos é o concentrado de maçã; por ser líquido, liga perfeitamente nos vinagretes, sem necessidade de aquecer ou triturar.

Também podes optar por malte de cereais, que costuma ser mais leve. Embora não se incorpore tão facilmente como o concentrado, basta mexer um pouco mais. O sabor doce é mais suave.

Frutos secos como damascos secos ou passas são igualmente uma boa opção. Podes usá-los picadinhos e deixá-los hidratar no vinagrete ou, se fores triturar o tempero, adicioná-los desde o início.

2. SABOR PICANTE:

Aqui o rei é o gengibre. O seu sabor agrada a quase todos, mas deve ser usado com moderação, pois é intenso.

Uma das melhores formas de o incorporar é extraindo o seu sumo. Sim, é possível! Apesar do aspeto seco, tem bastante líquido no interior.

Basta ralar uma pequena quantidade (idealmente com um ralador cerâmico) e espremer com as mãos — vais surpreender-te com a quantidade de sumo.

A mostarda também é uma boa opção, devendo ser usada em pequenas quantidades e de preferência biológica e de qualidade.

Um toque de pimenta preta moída na hora também ajuda.

Se não te importares com a textura, experimenta ralar um pouco de rabanete ou nabo daikon diretamente sobre o tempero.

3. SABOR SALGADO:

Aqui tens muitas opções: tamari, shoyu e miso são muito usados. O miso de arroz, em particular, é prático, menos salgado e dá cremosidade.

Também podes usar gomásio (sementes de sésamo com sal) ou vinagre de umeboshi. Este último permite incorporar dois sabores ao mesmo tempo: ácido e salgado.

E claro, podes usar sal — embora seja preferível optar pelas alternativas anteriores, onde o sal já está integrado e muitas vezes fermentado.

Se usares sal, mistura bem o tempero para o dissolver. Podes fazê-lo num frasco de vidro, agitando energicamente. Depois, podes guardar a preparação durante vários dias.

4. SABOR ÁCIDO:

Sumo de limão, vinagre de umeboshi, vinagre de arroz, raspa de laranja ou limão… há muitas opções.

O chucrute é também excelente: podes adicioná-lo diretamente à salada ou picá-lo e misturá-lo no vinagrete.

5. SABOR AMARGO:

Os citrinos são uma forma prática de introduzir este sabor, pois além da acidez trazem um ligeiro amargor.

A pasta de sésamo (tahini) também tem um toque amargo e ajuda a ligar o tempero, criando uma textura mais cremosa.

Depois de preparados, os temperos podem ser usados durante vários dias. Guarda-os num frasco de vidro e agita bem antes de usar.

E para começares, aqui fica um dos meus preferidos:

TEMPERO CREMOSO DE LIMÃO

·      2 colheres de sopa de creme branco de amêndoa

·      2 colheres de sopa de concentrado de maçã

·      Raspa de 1 limão

·      Shoyu q.b.

·      Mistura o creme de amêndoa com o concentrado de maçã e um pouco de água quente até obteres uma consistência cremosa.

·      Junta a raspa de limão e mistura bem.

·      Prova e adiciona algumas gotas de shoyu a gosto.

 

 

 

 

Sunday, April 26, 2026

 


As algas marinhas comestíveis
Dra. Elena Corrales
https://www.elenacorrales.com/blogelenacorrales/tag/algas/

resumo

As algas marinhas comestíveis, conhecidas como “legumes do mar”, são alimentos antigos e muito nutritivos, consumidos por várias culturas ao longo da história. Destacam-se pela sua elevada densidade nutricional, sendo ricas em minerais, vitaminas, proteínas, fibra e gorduras saudáveis.

Têm diversos benefícios para a saúde: ajudam a equilibrar o pH, estimulam o metabolismo, contribuem para a desintoxicação do organismo, possuem propriedades antioxidantes e podem ajudar a regular o colesterol e a glicemia. Apesar do seu teor de iodo, o consumo moderado é considerado seguro e pode até ajudar a equilibrar a função da tiroide.

Quanto à possível contaminação, as algas apresentam riscos semelhantes aos do peixe e marisco, sendo geralmente seguras quando provenientes de fontes certificadas.

Existem vários tipos de algas (como arame, hiziki, nori, kombu, wakame, entre outras), todas com propriedades específicas, mas em geral úteis para remineralizar o organismo e promover o bem-estar.

Conclusão:
As algas são um superalimento versátil e saudável que pode ser facilmente integrado na alimentação diária.

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texto

As algas marinhas, conhecidas como os «legumes do mar», têm sido uma parte fundamental da alimentação das comunidades costeiras em todo o mundo. Embora a sua popularidade tenha crescido no Ocidente graças à culinária japonesa, culturas dos cinco continentes incorporam estes vegetais marinhos na sua dieta desde tempos remotos.

Aspetos evolutivos

As algas são organismos primitivos e dos vegetais mais antigos na escala evolutiva. Ao contrário das plantas terrestres, não possuem estruturas diferenciadas como raiz, caule ou folhas, o que as torna únicas. Este carácter primitivo também as torna alimentos excecionalmente saudáveis, já que os vegetais mais afastados dos humanos em termos evolutivos tendem a ser mais adequados e benéficos para a nossa alimentação.

Aspetos nutricionais

As algas destacam-se pela sua elevada densidade nutricional e pela capacidade de fornecer elementos essenciais:

  • Minerais: Crescem na água do mar, que contém todos os minerais da tabela periódica. São ideais para remineralizar o organismo em casos como queda de cabelo, osteoporose, gravidez ou crescimento infantil.
  • Proteínas: Contêm proteínas de alta qualidade e de fácil assimilação.
  • Hidratos de carbono: Baixos em calorias e ricos em fibra.
  • Gorduras saudáveis: Principalmente ácidos gordos polinsaturados, benéficos para o coração.
  • Vitaminas e oligoelementos: Ricas em vitaminas A, B, C, D e E, além de iodo, ferro e cálcio.

Aspetos medicinais

As algas não são apenas um alimento nutritivo, mas também possuem propriedades medicinais:

1. Alcalinizantes: Ajudam a equilibrar o pH corporal.

2. Estimulantes metabólicos: Promovem o metabolismo, melhoram a circulação e ajudam a eliminar líquidos e purinas.

3. Desintoxicantes: Graças ao ácido algínico, eliminam metais pesados (arsénio, mercúrio, chumbo) e elementos radioativos do organismo, formando alginatos insolúveis que são excretados naturalmente.

4. Propriedades antioxidantes e antitumorais: Contêm fucanos e ácido fucínico, que atuam como antioxidantes, anticoagulantes e agentes antitumorais.

5. Redução do colesterol e da glicose: Favorecem a saúde cardiovascular e o controlo da glicemia.

O iodo nas algas

O consumo de algas gera debate em relação ao iodo, mas a preocupação é, em grande parte, infundada. Embora sejam ricas neste mineral, parte do iodo encontra-se em formas não biodisponíveis. Além disso, os desequilíbrios da tiroide dependem de múltiplos factores para além do consumo de iodo.

Em culturas onde as algas fazem parte da alimentação diária, não se observam taxas mais elevadas de hipertiroidismo do que noutros locais. Pelo contrário, a experiência clínica sugere que as algas, enquanto alimento equilibrador, podem ajudar a normalizar a função tiroideia em casos de hiper ou hipofunção. O importante é saber em que quantidade e com que frequência devem ser consumidas.
Não devemos ter receio de as incluir nos nossos menus, pois são alimentos tradicionais, e esse aspeto é determinante na introdução de novos alimentos na dieta.

A contaminação das algas marinhas

Uma questão frequente é se as algas estão contaminadas pelos tóxicos presentes na água do mar. Convém clarificar: no mar, na terra e no ar existem zonas mais poluídas onde evitaríamos cultivar ou recolher alimentos. Não colheríamos, por exemplo, uma planta medicinal à beira de uma autoestrada.

Os mares são, em geral, pouco ou nada poluídos, com exceção de áreas específicas bem conhecidas. Quando conhecemos a origem das algas que consumimos, contamos com certificações e garantias das empresas que as cultivam e comercializam.

Existem estudos que mostram a presença de tóxicos nas algas, mas não em maior quantidade do que nos peixes gordos. Em termos de contaminação, os vegetais apresentam níveis inferiores aos dos animais, pois estes acumulam substâncias ao longo da cadeia alimentar. Assim, consumir algas implica riscos semelhantes aos do consumo de peixe ou marisco.

Breve percurso pelas algas comestíveis tradicionais

ARAME (Eisenia arborea)

Vivem em mares temperados com temperaturas inferiores a 20 °C e são semelhantes às hiziki, mas mais tenras. Podem atingir até dois metros e meio de comprimento. Podem ser consumidas cozidas, simples ou com cogumelos shiitake e/ou cebola. Combinam bem com cereais.
São ricas em ferro e cálcio, com baixo teor de sódio. Têm efeitos benéficos no coração, na circulação e em alterações hormonais femininas.

HIZIKI (Cystophyllum fusiforme)

São das algas mais “yang”, formando talos até 30 cm e encontradas a mais de 40 metros de profundidade.

Contêm cerca de 34% de minerais e até 14 vezes mais cálcio do que o leite de vaca, sendo altamente assimilável. Ajudam a reduzir o colesterol, são ricas em ferro e indicadas em osteoporose, gravidez e queda de cabelo. Previnem cáries e o aparecimento de cabelos brancos.

NORI (Porphyra tenera)

São as folhas usadas em sushi e bolas de arroz, também utilizadas como condimento.

Ricas em vitamina A, proteínas e vitamina B12, são excelentes para a pele e mucosas.

KOMBU (Laminaria japonica)

Muito conhecidas, podem atingir até 10 metros. São ricas em minerais e ideais para caldos.

Destacam-se pelo teor de iodo e são úteis para fortalecer a mucosa intestinal, regular a tensão arterial e apoiar a função tiroideia.

WAKAME (Undaria pinnatifida)

Vivem em mares temperados, crescendo no outono e sendo colhidas na primavera.
Ricas em cálcio e vitaminas do grupo B, ativam a circulação e ajudam a equilibrar o sistema nervoso.

DULSE (Palmaria palmata)

Alga vermelha com talos até 30 cm. Rica em ferro e proteínas.
Indicada para problemas gástricos, intestinais e anemias.

AGAR-AGAR (Gelidium ou Gracilaria)

Obtido de várias algas vermelhas. Rico em fibra, aumenta o volume das fezes e facilita a evacuação, sendo útil em casos de hemorroidas.

COCHAYUYO (Durvillaea antarctica)

Alga dos mares subantárticos, podendo atingir 15 metros. Tradicional no Chile.

Rica em minerais, iodo e magnésio. Ajuda a combater a obstipação, reduzir o colesterol e revitalizar o organismo.

Conclusão

As algas marinhas comestíveis são um superalimento versátil e rico em benefícios, tanto nutricionais como medicinais. A sua inclusão na dieta pode ajudar a remineralizar o organismo, equilibrar funções metabólicas e promover o bem-estar geral. Podem ser usadas em caldos, saladas, guisados ou até sobremesas.

Atreve-te a experimentar estas joias do mar e aproveita os seus benefícios únicos!

Nota: Em botânica, “talo” refere-se ao conjunto equivalente a raiz, caule e folhas nas plantas mais primitivas — é a estrutura característica das algas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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