Friday, April 10, 2026

 

HIPOGLICEMIA
Drª AGNÈS PÉREZ

A hipoglicemia é um distúrbio em que o metabolismo normal dos hidratos de carbono (glícidos) é afetado.

O pâncreas não funciona adequadamente e produz insulina em excesso, o que gera um nível de glicemia (glucose no sangue) mais baixo do que o normal.

Os valores normais de glicemia situam-se entre 70 e 110 mg/dl (miligramas por decilitro). Quando esses valores estão abaixo de 40–50 mg/dl, fala-se de hipoglicemia.

A função da insulina é regular os níveis de açúcar no sangue. Quando a produção de insulina é excessiva, esta transporta a glucose para as células e, dessa forma, a glicemia diminui.

Muitas vezes, a hipoglicemia é hereditária, mas, devido a uma alimentação inadequada, cada vez mais pessoas adquirem esta condição, chamada hipoglicemia funcional.

Afeta cerca de 70% das pessoas na sociedade moderna. A hipoglicemia, embora não seja considerada uma doença, afeta bastante o nosso comportamento e a saúde física e emocional.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

Um muito típico, aqui e agora: sono depois de comer, particularmente à tarde, após o almoço.

Outro sintoma são alterações emocionais intensas, causadas pelas variações no nível de açúcar.

De um modo geral, afeta mais o sexo feminino do que o masculino: “Amo-te profundamente e, dois minutos depois, não te quero ver mais.”

Somos como um ioiô emocional: comemos chocolate e a vida é maravilhosa; quando o nível baixa, a vida torna-se horrível.

O comportamento violento está ligado à hipoglicemia. Os assassinos cometem crimes quando têm níveis de açúcar muito baixos — há estudos sobre isso. Mais de 90% dos pacientes esquizofrénicos ou paranoicos são hipoglicémicos. Quando a hipoglicemia melhora, a esquizofrenia ou paranoia também melhora, assim como nos casos de artrite e alergias.

As alterações emocionais, tonturas, depressão ou a necessidade de comer chocolate ou beber álcool para recuperar vêm da necessidade de compensar a hipoglicemia.

Quando o nível de açúcar está muito baixo, surgem frequentemente dores de cabeça, sensação de frio, ansiedade intensa por doces… Se não conseguem deixar o açúcar, o café ou o álcool, é provável que sejam hipoglicémicos/as.

A lista de sintomas da hipoglicemia é extensa. Infelizmente, a classe médica nem sempre estabelece ligação entre eles. Muitas pessoas com problemas psiquiátricos encaminhadas para psiquiatras são hipoglicémicas, assim como pessoas com problemas imunológicos sem diagnóstico claro.

Em geral, os problemas psicológicos e emocionais associados à hipoglicemia são mais graves.

QUAL É A CAUSA?

Trabalhar muitas horas sem comer, com desgaste e cansaço, pode provocar níveis baixos de açúcar. A sensação de estar sempre exausto indica frequentemente hipoglicemia. Ao comer, há uma melhoria.

Dormir pouco ou passar uma noite sem dormir também pode causar hipoglicemia, que melhora com descanso e um banho.

Trabalhos intensos, especialmente com computador e elevada concentração, também contribuem. Este tipo de pressão baixa muito o nível de açúcar.

Em alguns casos, é fácil de tratar: descansar, comer e dormir.

Noutras pessoas, é mais difícil. A literatura médica indica que a causa está nos ilhéus de Langerhans (do pâncreas), que absorvem açúcares rápidos, provocando um aumento da glicemia e uma resposta excessiva de insulina, levando a uma descida acentuada.

O açúcar contribui, mas não é a causa principal. Segundo esta perspetiva, os produtos de origem animal (ovos, queijo curado, frango, etc.) são os principais responsáveis, pois sobrecarregam o pâncreas.

O pâncreas regula o açúcar no sangue através de duas hormonas:

  • Insulina (baixa o açúcar)
  • Glucagon (aumenta o açúcar)

Quando há equilíbrio entre ambas, o organismo funciona bem.

Alimentos muito “yang” (especialmente gorduras animais) contraem o pâncreas e aumentam a produção de insulina, reduzindo o açúcar no sangue e levando ao desejo por alimentos doces.

Os alimentos “yin” também contribuem, sendo o álcool um exemplo importante.

A falta de frescura na alimentação também é um fator: é essencial consumir vegetais frescos e verdes diariamente.

Além do pâncreas, o fígado, as suprarrenais e os intestinos também são afetados.

Outra causa apontada é uma vida sem “doçura” emocional, levando à procura de compensação na alimentação.

COMO TRATAR A HIPOGLICEMIA?

  • Eliminar alimentos de origem animal e extremos (durante 2–3 semanas)
  • Caldo de vegetais doces (abóbora, cebola, couve, cenoura, nabo)
  • Sumo de maçã com kuzu (ocasionalmente)
  • Comer algo quando houver irritabilidade ou agressividade
  • Consumir vegetais doces e escaldados
  • Preferir sabores agridoce
  • Comer melão cozido em compota
  • Consumir massa (eleva o açúcar de forma estável)
  • Tomar duches quentes, especialmente à tarde
  • Aplicar calor na zona do pâncreas e nos pés
  • Manter um estilo de vida calmo e relaxado
  • Praticar contacto físico, massagens, shiatsu

Nas gerações mais jovens, há problemas graves de hipoglicemia, associados a dificuldades de aprendizagem e falta de concentração. Sem glucose no cérebro, torna-se difícil concentrar.

Para muitas pessoas, as soluções alimentares não são suficientes. O mais importante é tomar consciência do problema e saber identificá-lo.

Se estiverem numa “montanha-russa” emocional, é importante perceber que isso pode estar relacionado com níveis baixos de açúcar no sangue.

 

OS HIDRATOS DE CARBONO
Drª Elena Corrales

Quando se fala de hidratos de carbono, nem todos são iguais. Uns prejudicam a saúde e outros permitem a sua recuperação. Descobre a diferença.

Os hidratos de carbono

Também se chamam açúcares ou carboidratos. Existem muitos tipos de açúcares: alguns chamados simples ou de absorção rápida, como a lactose do leite, a frutose da fruta, a sacarose da beterraba… e outros chamados complexos ou de absorção lenta, como os amidos e a fibra dos cereais, das leguminosas e dos legumes.

A glucose é a moeda energética da célula. Quando a glucose se combina com o oxigénio nas nossas células, permite obter a energia necessária para todas as nossas necessidades vitais.

Os açúcares simples

Os açúcares simples fornecem energia instantânea, pois não requerem digestão. Estão sobretudo presentes no leite e na fruta, e também no açúcar que adicionamos aos alimentos. O arroz branco e as farinhas refinadas, por estarem desprovidos de fibra, têm também uma velocidade de digestão superior à dos alimentos integrais. Por isso, o pão branco, o arroz branco e a massa branca podem ser considerados praticamente açúcares simples.

Devido à sua absorção muito rápida, transformam-se também rapidamente em gordura. Um consumo predominante deste tipo de hidratos de carbono é responsável por muitos tipos de obesidade, diabetes, problemas cardiovasculares e alterações do comportamento como o stress, a ansiedade e a depressão… Esta é a causa da elevada prevalência destes distúrbios nas sociedades mais ricas. Devemos saber também que a fruta e o leite, sendo dois alimentos perecíveis, são atualmente dos mais consumidos no lar.

Para o leitor menos familiarizado com temas de nutrição, podemos comparar o comportamento dos açúcares rápidos com o fogo-de-artifício. Quando o foguete é lançado, há um clarão intenso de luz (energia) que se apaga de imediato. Quando consumimos doces, sentimos uma euforia (energia) que depois dá lugar a uma quebra energética, que é a hipoglicemia.

Os hidratos de carbono complexos

Por outro lado, os hidratos de carbono complexos, também chamados açúcares lentos, precisam de ser digeridos para uma correta absorção. Isto significa que a glucose chega às células de forma progressiva, e não toda de uma vez, como acontece quando bebemos um sumo. Um exemplo ilustrativo é observar como, nos doentes hospitalizados, quando lhes é administrado um soro com glucose, o açúcar entra na corrente sanguínea “gota a gota”.

Se analisarmos as recomendações nutricionais da OMS, verificamos que a ingestão de açúcares simples deve ser, no máximo, de 10%. Isto significa que o leite e a fruta não devem ser alimentos prioritários, e que devemos distinguir entre alimentos refinados e integrais.

Metas nutricionais de nutrientes

De forma universal, o aporte de hidratos de carbono complexos provém dos cereais integrais, das leguminosas e dos legumes. Na macrobiótica, estes três grupos alimentares constituem a base da dieta.

Na dietética clássica, não se cumprem as recomendações da OMS, pois enfatiza-se o consumo de frutas e produtos lácteos, e quando se fala de cereais não se distingue entre os refinados e os integrais. Dos quatro grupos clássicos de alimentos, dois são representados pelo leite, derivados lácteos e frutas, e um pelos cereais refinados.

 

Thursday, April 9, 2026

 


RÚCULA

·  É fonte de antioxidantes e, como as couves, compartilha as propriedades anti-tumurais das demais crucíferas (brócolos em particular).

·       É digestiva, antiescorbútica, carminativa, ajuda a expulsar os gases intestinais e é afrodisíaca.

·     Também contém: vitamina C – utilizava-se tradicionalmente para curar o escorbuto -, cálcio em abundância e o dobro do ferro dos espinafres, o que, em conjunto com o ácido fólico, fazem dela um alimento medicinal muito importante para a anemia e menstruações abundantes.

·       É anti-hemorrágica e útil para a formação dos ossos e para conservar a sua força.

·       É útil nas primeiras fases da gravidez, prevenindo danos neurológicas no feto.

·      Muito rica em vitamina A, Plínio aconselhava-a para reforçar a vista. E, nestes tempos, também era recomendada em caso de astenia, debilidade, fadiga, úlceras e ardor de estômago.

·       Na Primavera, é indicada para depurar o fígado – e, sendo diurética, ajuda a descarregar os excessos de gordura e proteína animal consumidos no Inverno, reduzindo o colesterol.

·       É muito contractiva (yang) e aquece o corpo.

·    Não é indicada para crianças pequenas e as pessoas irritáveis devem consumi-la misturada com outros tipos de salada.

A rúcula selvagem é muitíssimo mais rica em minerais que a rúcula cultivada.


AUTORES CONSULTADOS:

·       Clara Castellotti.

 

 

CUIDAR DA DOENÇA DA ALMA

PARA CURAR AS DOENÇAS DO CORPO

GÉRARD WENKER

resumo

O autor descreve a sua experiência de quase 50 anos a estudar a alimentação e a macrobiótica, motivado também pela morte da sua esposa. Defende que a alimentação industrial moderna é altamente prejudicial e que os interesses das grandes multinacionais dominam o sistema alimentar, colocando o lucro acima da saúde.

Apesar do aumento da oferta de produtos biológicos, considera que a qualidade é difícil de garantir e que encontrar bons alimentos se tornou mais complicado. Afirma que muitos problemas de saúde atuais (como obesidade, cancro e diabetes) estão diretamente ligados à alimentação industrial.

A sua principal recomendação é simples:

consumir apenas alimentos naturais, preparados por nós próprios e de origem conhecida, evitando produtos industriais, mesmo os rotulados como biológicos.

O texto vai além da alimentação e apresenta a macrobiótica como um modo de vida baseado em três dimensões:

  • espiritual
  • energética (yin e yang)
  • física

Segundo o autor, a verdadeira cura não vem apenas da comida, mas da transformação interior e da compreensão das leis da vida. A doença e a saúde são vistas como consequência das escolhas pessoais.

Conclui que a macrobiótica é uma prática antiga que promove liberdade individual, mas que continua a ser contestada porque desafia o sistema dominante.

ideias principais do texto

  • A alimentação industrial moderna é prejudicial à saúde e está ligada a várias doenças graves.
  • As grandes multinacionais controlam o sistema alimentar e priorizam o lucro em vez da saúde.
  • Mesmo com mais produtos biológicos disponíveis, a qualidade nem sempre é garantida.
  • Tornou-se difícil encontrar alimentos verdadeiramente saudáveis.
  • A solução proposta: consumir apenas alimentos naturais, preparados por nós e de origem conhecida.
  • A macrobiótica é mais do que uma dieta — é um modo de vida.
  • Baseia-se em três dimensões: espiritual, energética (yin/yang) e física.
  • A verdadeira cura vem da transformação interior, não apenas da alimentação.
  • A saúde e a doença dependem das escolhas pessoais.
  • A macrobiótica promove liberdade individual, o que a torna contestada pelo sistema dominante.

texto

Estudo a evolução da alimentação mundial há quase 50 anos. Primeiro por razões profissionais, com estudos de agronomia e biologia agrícola; e posteriormente – após a morte da minha esposa, falecida de cancro do estômago aos 36 anos – através de uma abordagem médica, dietética e, por fim, macrobiótica. Foi aliás nessa época, em 1969, revoltado com os perigos da alimentação proveniente da indústria agroalimentar, que comecei a perceber na agricultura produtivista – e no silêncio total do corpo médico sobre este assunto – e me tornei um fervoroso defensor da revolução biológica lançada por G. Ohsawa nos anos 50.

Desde essa época heróica dos pioneiros da Agricultura Biológica e da preservação da natureza, muita água poluída correu debaixo das pontes. O verde deixou de ser apenas uma cor para se tornar, na Europa, a dos partidos políticos ecológicos. A Alimentação Biológica tornou-se uma questão económica, visando 10% de quota de mercado. A Macrobiótica tornou-se conhecida por todos, bem ou mal, na maioria dos países do mundo. Muitos cientistas interessaram-se pelas poluições exponenciais da sociedade industrial moderna e deram o alarme, com provas, sobre as consequências dramáticas previsíveis a curto prazo (aquecimento global, subida dos oceanos, etc.). Poder-se-ia então pensar que tudo ia bem, agora que o mundo inteiro estava consciente da situação preocupante em que se encontra a humanidade. Os principais líderes políticos deveriam tomar rapidamente medidas adequadas para travar a degradação do nosso ambiente vital.

Pois bem… enganaramm-se: tudo não passou de ilusão e desinformação. Os lóbis das multinacionais – petrolíferas, farmacêuticas, químicas e agroalimentares – dominam o jogo e continuam tranquilamente a sua expansão e o controlo dos recursos naturais do planeta. No estado actual, nada, absolutamente nada, pode verdadeiramente modificar a extraordinária expansão do modelo económico capitalista, baseado no lucro e na lei do mais forte. Tudo está bloqueado, particularmente no que diz respeito ao sector alimentar. Além disso, para completar o cenário, surgiram novos predadores ainda mais perigosos: aqueles que patenteiam o ser vivo para o vender, os comerciantes de sementes e os biogeneticistas.

Já não é necessário falar da multitude de aditivos químicos que poluem toda a alimentação industrial. Será preciso ainda recordar em que condições abomináveis são criados os animais, em verdadeiras fábricas de produção de proteína animal viva? E, para completar, não esqueçamos as radiações ionizantes a que são sujeitos os vegetais para os conservar indefinidamente e impedir qualquer tentativa de reprodução natural. Se nos limitarmos ao sector alimentar, a situação agrava-se de dia para dia, à medida que avançam a ciência e as biotecnologias (OGM).

Nestas condições, é quase milagroso que ainda haja seres humanos que consigam viver normalmente, sem desenvolver doenças crónicas mortais. Mas não se tranquilizem: isto não durará muito mais tempo, talvez apenas uma geração (30 anos), antes que três quartos da população mundial desapareçam.

Quando comecei na macrobiótica, ainda era possível encontrar alimentos aceitáveis nas lojas e nos mercados – felizmente, pois nessa altura a produção biológica era quase inexistente e havia apenas cinco lojas “bio-macro” entre França, Bélgica e Suíça.

Passaram 40 anos: hoje, prateleiras inteiras de alimentos biológicos estão disponíveis nos supermercados, mas a maioria das pequenas mercearias macrobióticas desapareceu, engolida pelo “monstro” do lucro a qualquer preço. Os produtos específicos da macrobiótica podem ser comprados na internet, mas é preciso ter computador. Paradoxo: maior escolha e maior difusão tornaram o abastecimento mais complicado, sobretudo para quem se preocupa com a qualidade.

Dispersos por inúmeros sites, encontrar produtos de qualidade – biológicos ou não – tornou-se um verdadeiro percurso de obstáculos, exigindo conhecimentos específicos em agricultura, bioquímica e genética.

Perante tais dificuldades, seríamos tentados a baixar os braços: ir à loja mais próxima, encher o carrinho e pagar, pensando que os produtos são controlados e não nos podem verdadeiramente fazer mal.

Erro. Grave erro. Graças às técnicas sofisticadas da indústria agroalimentar para produzir sempre mais ao menor custo, os produtos mais comuns e essenciais à vida tornaram-se o principal factor de mortalidade (obesidade, cancro, doenças cardíacas, diabetes, etc.).

Assim, para obter produtos de qualidade tornou-se não apenas necessário, mas vital. Então… biológico ou não – integral ou refinado – regional ou importado – comércio justo ou exploração – sem açúcar ou com açúcar integral – sal branco ou sal cinzento… A estas questões, há apenas uma resposta, segundo a minha experiência:

Nunca cozinhe nem consuma alimentos que não tenha preparado você mesmo e cuja origem desconheça. Não compre alimentos que tenham sofrido uma ou várias transformações industriais, mesmo que sejam certificados como biológicos.

Regressamos assim às bases da macrobiótica e da natureza: cereais, legumes, algas, leguminosas, sementes e frutos. O resto depende apenas da habilidade de quem cozinha.

  • Na situação actual de confusão e dúvida, não há outro meio para manter ou recuperar a saúde.
  • Não há outra abordagem para ter uma vida feliz e cheia de aventuras.
  • Não há outro caminho mais eficaz para começar a ver luz numa vida sombria e desesperada.

A macrobiótica existe há pelo menos 3000 anos (ver o meu livro “A Sua Vida em Refém”). A sua prática foi sempre arriscada, combatida por todas as autoridades: igreja, Estado e actualmente até pela ciência e pela medicina. Como se vê, nada mudou realmente: apesar da democracia e da liberdade de pensamento, a macrobiótica continua a meter medo… aos outros.

Mas porquê tanto combate e incompreensão em relação a um modo de vida natural tão simples e económico, que preserva a saúde física e mental dos homens preservando o seu ambiente ecológico ?

A Arte de Viver Macrobiótica dá demasiada liberdade ao indivíduo, permitindo-lhe decidir a sua própria vida: doença, saúde, infelicidade, felicidade, longevidade, serenidade e mortalidade são, na realidade, escolhas pessoais que nos foram retiradas para melhor nos manipular.

Antigamente, apenas a numerologia e, mais tarde, a Igreja, isto é, Deus, puderam decidir a longevidade da vida humana na Terra; pode compreender-se que a macrobiótica, que fornecia ao indivíduo as “receitas” dessa liberdade, tenha sido tão combatida. Actualmente, são as corporações médicas que assumiram o controlo e que proíbem qualquer intrusão no seu território exclusivo.

Imaginemos uma população sem doenças, que já não consome medicamentos e não paga seguros abusivos…! O “Big Brother” nunca o permitiria, mas tudo muda: com o tempo, o yang torna-se yin e o yin torna-se yang, então quem sabe…!

Para quem tem pressa e quer realmente mudar, a Dieta Macrobiótica Padrão ou a “dieta n.º 7” não são suficientes. A Arte de Viver Macrobiótica, como sistema completo, compreende três aspectos ou 3 dimensões diferentes, que são indissociáveis:

  1. Espiritual – o reconhecimento das leis da Ordem do universo
  2. Metafísica – a dialética energética universal
  3. Física – biológica, fisiológica e materialista

Infelizmente, a macrobiótica é na maioria das vezes reduzida a um simples regime alimentar correspondente a uma patologia ou a um desequilíbrio orgânico (ponto 3.º). É assim que é conhecida pelo grande público e é assim que é comercializada, por vezes a preços bastante elevados.

Se estamos doentes, infelizes e desesperados, devemos antes de tudo procurar a causa na nossa própria vida. Se admitirmos que violamos certas leis universais (e não vou ser eu que vos vou dizer quais) e que somos, portanto, responsáveis pelas nossas doenças e pela nossa própria infelicidade; daremos o passo mais importante rumo à cura definitiva.

Isto é para o 1.º ponto.

Podemos comprar, preparar e consumir os melhores produtos do mundo, de acordo com as recomendações macrobióticas; se não formos capazes de discernir a diferença energética entre yin e yang e de a aplicar — na vossa alimentação diária, nos vossos comportamentos e no diagnóstico das doenças — os nossos esforços, a nossa abnegação e, por vezes, até as nossas frustrações serão estéreis ou pouco eficazes.
Eis quanto ao 2.º ponto.  

Quanto ao 3.º ponto: é conhecido por todos, pelo menos no que diz respeito aos alimentos, aos regimes e às doenças: peso – forma – cor – sabor – composição química – zona climática – meio ambiente – modo de produção – conservação – preparação – receitas de cozinha – confecção – órgãos doentes – desequilíbrios patológicos – doenças – cuidados de saúde externos – n.º 7 – regime “não-não” (não como isto, não coma aquilo…)… etc.

Podemos concluir que a Arte de Viver Macrobiótica, desde Platão até Georges Ohsawa, é uma aplicação espiritual a um modo de vida prático e, como Ohsawa escreveu:

«O objetivo da macrobiótica é curar a doença da alma, algo que a cura física não pode fazer. Só depois de um trabalho sobre a alma é que somos capazes de absorver os alimentos adequados. É a alma que cura a doença. Não é a macrobiótica que cura, mas sim a compreensão da filosofia dialética. Não é o arroz ou o gomásio que curam, mas o nosso espírito, que nos dá a vontade. Depois, a cura chega em poucos dias.»

Gérard Wenker

Novembro de 2005



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DESINTOXICAÇÃO DOS ÓRGÃOS HEPÁTICOS NA PRIMAVERA
Patrícia Restrepo

https://patriciarestrepo.org/alimentacion/desintoxica-tus-organos-hepaticos-en-primavera/

RESUMO

Limpeza do fígado na Primavera

O texto explica que, segundo a medicina tradicional chinesa e a macrobiótica, a Primavera é uma altura propícia para “desintoxicar” o fígado, porque nesta estação há um aumento da energia vital e aceleração dos processos naturais no corpo e na natureza.

Afirma-se que o fígado é um órgão muito ligado às emoções, especialmente à raiva e irritabilidade, e que uma alimentação pesada (rica em proteínas animais, gorduras, açúcar, álcool e alimentos processados) pode provocar desequilíbrios emocionais, hormonais e problemas hepáticos.

Defende-se que muitas queixas físicas — como cansaço, dores de cabeça, problemas menstruais, alergias, inchaço, irritabilidade, problemas digestivos ou articulares — podem estar relacionadas com um fígado sobrecarregado.

Para melhorar a saúde hepática

Alimentação:

  • Predomínio de legumes verdes (cerca de 60%)
  • Alimentos ligeiramente ácidos e fermentados
  • Cereais integrais, leguminosas e pequenas quantidades de algas
  • Fruta ácida como maçã, ameixa ou tangerina
  • Pequenas quantidades de vegetais crus

Estilo de vida:

  • Comer moderadamente e mastigar bem
  • Fazer jejum diário de 12 horas
  • Jantar leve e cedo
  • Praticar alongamentos, respiração e meditação (como o “Sorriso Interior”)
  • Contemplar a natureza para reduzir o stress

Remédios naturais sugeridos:

  • Kvass de beterraba
  • Salada agridoce com aipo e maçã
  • Caldo depurativo de legumes
  • Daikon com limão em jejum para a vesícula

A ideia central é que a verdadeira melhoria da saúde não depende de “remédios milagrosos”, mas sim de mudanças profundas na alimentação, nos hábitos e na consciência emocional.

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TEXTO

A limpeza do fígado na primavera está ligada à expressão popular bem conhecida por todos: «na primavera o sangue altera-se».

Quer saber a razão?

Durante o equinócio da primavera, os raios solares incidem perpendicularmente sobre o equador terrestre, o que provoca uma distribuição quase equitativa de luz e escuridão em todo o planeta. Este equilíbrio entre o dia e a noite é a origem do nome «equinócio», que vem do latim aequinoctium e significa «noite igual».

Durante o equinócio, a Terra encontra-se numa posição em que a luz solar se distribui de forma uniforme por todo o planeta, produzindo-se também um fenómeno conhecido como «anulação da inclinação».

Ao estar a Terra mais próxima do Sol na primavera, todos os processos se aceleram: os animais acasalam, a seiva sobe rapidamente até às extremidades dos ramos e caules, dando origem aos rebentos verdes das plantas e à abundância de flores que em breve se transformarão em frutos.

Segundo a sabedoria da Medicina Clássica Chinesa, este movimento energético no organismo humano manifesta-se subindo pelo lado direito desde a planta do pé, empurrando de certa forma o fígado para cima. O fígado passa a ter uma posição mais elevada no abdómen e também uma temperatura mais alta.

Ou seja, é o órgão com a temperatura mais elevada do corpo. Quando é nutrido com alimentos que o sobrecarregam e aquecem, provoca uma subida da “temperatura emocional”, associada à raiva, agressividade, irritação, teimosia e resmungos. É por isso que popularmente se diz de alguém muito zangado: «este vai deitar o fígado pela boca».

Mulher com as mãos sobre o fígado com dor

Os alimentos densos — numa alimentação baseada em proteína animal como ovos, queijos, enchidos, gorduras concentradas, carnes vermelhas — assim como alimentos salgados, desidratados, crocantes, duros, açúcares, álcool e gorduras de má qualidade, dão origem não só a desequilíbrios emocionais e hormonais, mas também à disfunção hepática.

O fígado e a vesícula em desequilíbrio são a causa subjacente de múltiplas disfunções que, na maioria dos casos, a visão reducionista alopática ignora, pois muitas vezes limita-se a tratar o sintoma. Na medicina oriental — e concretamente numa consulta macrobiótica qualificada — sabe-se que existem vários distúrbios, agudos ou crónicos, que aparentemente não têm relação com o fígado, mas que ao desintoxicar estes órgãos se resolvem quase como por magia.

Já sabes: tudo está interligado e a macrobiótica compreende e aplica isso com sabedoria. Daí o facto de tantas pessoas recuperarem apenas com ajustes apropriados na alimentação. Neste caso específico, a limpeza do fígado na primavera com uma alimentação adequada é crucial.

Estas queixas e disfunções estão direta e invisivelmente relacionadas com a intoxicação dos órgãos hepáticos.

Relação de disfunções com o fígado

  • Desconfortos pré-menstruais
  • Desequilíbrios hormonais
  • Inchaço abdominal
  • Pressão arterial elevada
  • Hemorragias e irregularidades menstruais
  • Manchas castanhas no rosto
  • Coagulação sanguínea que pode originar trombos
  • Inchaço nas pernas e tornozelos
  • Comichão na pele
  • Náuseas e tonturas
  • Dores na “boca do estômago”
  • Fezes de cor clara
  • Cansaço constante
  • Infeções recorrentes
  • Problemas de visão
  • Alguns tipos de anemia
  • Obesidade
  • Facilidade em fazer nódoas negras
  • Caráter agressivo e irritabilidade
  • Astenia primaveril
  • Dores articulares
  • Cefaleias e dores de cabeça em geral
  • Dor nos ombros ou “ombro congelado”
  • Pele seca
  • Apatia
  • Dificuldade na tomada de decisões
  • Fibromialgia
  • Artrite e desconfortos articulares
  • Alergias
  • E inúmeros síndromes relacionados com um fígado debilitado ou uma vesícula com “lama” ou cálculos.

A limpeza do fígado na primavera, que permite desintoxicá-lo, passa também por práticas de nutrição, remédios caseiros e estilo de vida.

Já sabes: não sou grande adepta de remédios milagrosos que nos impedem de assumir responsabilidade pela nossa saúde e pela nossa vida. É fácil “curar” — e isso pode ser conseguido temporariamente — mas isso não significa “sanar”.

A verdadeira recuperação acontece quando tomamos consciência dos nossos pensamentos, dos nossos programas inconscientes, dos nossos hábitos alimentares e do nosso estilo de vida, produzindo-se uma transformação profunda e integral, e não apenas uma solução ou dieta temporária.

Alimentação para cultivar a saúde hepática

Foca-se no consumo de alimentos com efeito refrescante:

  • Cerca de 60% baseados em legumes verdes da época
  • Alimentos com ligeiro sabor ácido
  • Fermentados
  • Cereais como espelta, trigo antigo, kamut, bulgur, cuscuz, cevada, aveia em grão inteiro e massas derivadas
  • Leguminosas como lentilhas em todas as formas e ervilhas frescas ou secas
  • Pequena quantidade de algas como wakame
  • Pequenos frutos vermelhos e ácidos
  • Tangerinas
  • Ameixas e ameixas fermentadas
  • Maçã ácida
  • Vinagres como vinagre de sidra natural ou vinagre de arroz
  • Pequena quantidade de vegetais crus e frescos como germinados, endívias, pepino, escarola, urtiga e dente-de-leão

Estilo de vida

  • Comer porções moderadas
  • Mastigar o dobro
  • Começar com caldos depurativos
  • Fazer diariamente um jejum de 12 horas
  • Tomar o pequeno-almoço cedo
  • Fazer ao almoço uma refeição completa
  • Jantar leve, à base de legumes ou cremes de legumes, por volta das 19h — lembra-te: «de grandes ceias estão as sepulturas cheias».

Exercício de alongamento do meridiano do fígado

Práticas simples para recuperar, tonificar, manter e cuidar do fígado

O Sorriso Interior

Como sabemos, o fígado é um órgão muito emocional — é como a nossa central elétrica das emoções. Existe uma prática taoísta chamada Sorriso Interior: uma meditação em que percorremos os órgãos internos, sorrindo para cada um deles até funcionarem como uma só equipa, promovendo saúde e boa energia.

Com esta meditação alcança-se equilíbrio interno, serenidade e profunda equanimidade. Quando sorrimos, o cérebro interpreta que sentimos satisfação e emite vibrações positivas que se propagam pelo corpo.

Segundo os taoístas, a prática do Sorriso Interior é muito eficaz para evitar ou neutralizar o stress, eliminar a raiva e o enfado.

Olhar para o horizonte

Olhar para o horizonte até desfocar a visão, contemplar uma árvore, a montanha ou o pôr-do-sol até os olhos lacrimejarem ajuda a libertar a tensão do fígado, pois a visão e os olhos estão diretamente relacionados com este órgão.

Alongamentos

Realizar alongamentos laterais e rotações da anca também ajuda a libertar a tensão hepática.

Respiração e leitura

Inspirar elevando os braços e, ao expirar, pronunciar o som “shhhhh”. Ler em voz alta prosa ou poesia rítmica ajuda a eliminar o stress acumulado no fígado.

RECEITAS DEPURATIVAS PARA

A LIMPEZA DO FÍGADO

Kvass de beterraba

Na antiga Rússia utilizava-se este fermentado prebiótico para depurar o fígado e favorecer a digestão.

Ingredientes:

  • 1 beterraba média cortada em pedaços grandes
  • Um pedaço de gengibre em rodelas
  • 1 colher de sopa de sal marinho
  • 1 limão
  • 1 litro de água
  • Um pano ou gaze

Preparação:
Colocar a beterraba, o gengibre e o sal num frasco de vidro com tampa.
Adicionar a água, cobrir com a gaze ou pano e deixar num local escuro até fermentar.

Coar e transferir para outro recipiente de vidro hermético.
Servir com um pouco de limão.

Salada agridoce

Ingredientes:

  • 2 talos de aipo
  • 2 maçãs verdes
  • 1 pepino
  • 1 molho de rúcula
  • Um punhado de tâmaras

Molho:

  • 1 iogurte de soja
  • 4 colheres de sopa de sementes de sésamo torradas
  • Um pouco de concentrado de maçã
  • Endro
  • Sumo de 1 limão
  • Sal

Preparação:
Cortar a maçã, o aipo e o pepino em cubos.
Juntar a rúcula e o sal.
Cortar as tâmaras e adicionar.

Para o molho: picar o endro e misturar com o iogurte de soja, o sésamo, o concentrado de maçã, o sumo de limão e o endro.

Caldo depurativo

Ingredientes:

  • 1 talo de aipo
  • 2 alhos-franceses
  • 2 rabanetes
  • Um pedaço de nabo
  • Salsa
  • Vinagre de arroz
  • Sal
  • 2 ameixas umeboshi
  • Um molho de coentros
  • 1 molho de cebolinho

Preparação:
Cortar os legumes.
Adicionar 1 litro de água e cozer até o nabo estar macio.
Juntar as ameixas umeboshi bem picadas e cozer mais 5 minutos.
Servir com coentros e cebolinho.

Remédio para eliminar cálculos na vesícula

(Primeiro é necessário modificar a alimentação, fazer jejum de 12 horas e eliminar todas as gorduras animais.)

Ingredientes:

  • 2 cm de daikon
  • Sumo de ½ limão

Preparação:
Ralar o daikon finamente.
Adicionar o sumo de limão.
Comer em jejum durante um período máximo de 10 dias.

Complementar este tratamento com compressas de gengibre sobre a zona do fígado.

 

 

 

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