Thursday, October 15, 2026

 

5 RECEITAS PARA UM MENU COMPLETO DE OUTONO

Macrosano — Isabel

https://macrosano.com/5-recetas-para-un-menu-completo-de-otono/

Já estamos no outono. É altura de começar a aquecer o organismo, eliminar o excesso de humidade que se possa ter acumulado durante o verão devido ao consumo de alimentos frios e tonificar os órgãos associados a esta estação: os pulmões e o intestino grosso.

Deixo-te uma seleção das minhas receitas favoritas para esta estação.

Desejo que as desfrutes e que fluas com a sua energia…

SOPA RECONFORTANTE

Volta a apetecer começar a refeição com um caldo, uma sopa ou um creme bem quentinho.

Hoje preparei esta sopa e, como gostei tanto dela e me proporcionou tanto conforto, resolvi partilhá-la contigo, para que também possas desfrutar desta receita.

Ingredientes

  • 1 cebola nova
  • 3 cenouras pequenas
  • ½ batata-doce
  • 5 rodelas de gengibre
  • 2 folhas de couve kale
  • Sal
  • Azeite
  • 1,5 litros de água

Preparação

  1. Corta os legumes em pedaços médios.
  2. Aquece um pouco de azeite numa panela e começa por saltear a cebola com uma pitada de sal, durante cerca de 5 minutos. Mexe frequentemente para evitar que escureça.
  3. Passados alguns minutos, acrescenta as cenouras e a batata-doce, junta outra pitada de sal e deixa saltear durante mais dois minutos.
  4. Adiciona as rodelas de gengibre e a água.
  5. Tapa a panela e deixa levantar fervura. Quando começar a ferver, reduz o lume e deixa cozinhar em lume médio até os legumes ficarem tenros.
  6. Retifica o sal.
  7. Corta as folhas de couve kale em pedaços pequenos, junta-as à sopa, mistura bem e desliga o lume.
  8. Está pronta a servir!

Cozinha-a com amor… e desfruta!

ARROZ INTEGRAL COM BRÓCOLOS — A NUTRIR A ENERGIA DOS PULMÕES

Os pulmões e o intestino grosso são os órgãos associados ao outono e estão relacionados com o elemento Metal.

Esta é a altura de os ajudar a manterem-se fortes.

O cereal associado a esta estação é o arroz integral. Os brócolos, cuja forma se assemelha à dos nossos alvéolos pulmonares, contêm um antioxidante que pode contribuir para diminuir a inflamação nas zonas afetadas dos pulmões.

O elemento Metal caracteriza-se, entre outras coisas, pela ordem e pela limpeza. Por isso, seria conveniente que os nossos pratos também refletissem estas qualidades durante esta estação.

O prato que hoje te proponho é simples: arroz integral previamente cozinhado, salteado com um pouco de alho — excelente expetorante, tradicionalmente utilizado em problemas respiratórios, como constipações, tosse, bronquite ou pneumonia —, acompanhado de brócolos ligeiramente salteados com curcuma e pimenta-preta.

Uma combinação excelente para a saúde pulmonar.

Ingredientes

  • Arroz integral cozido
  • Raminhos de brócolos
  • 1 ou 2 dentes de alho
  • 6 a 8 rodelas de curcuma fresca
  • Pimenta-preta
  • Levedura nutricional

Preparação

  1. Podes cozinhar o arroz na altura. Eu costumo cozê-lo utilizando duas partes de água para uma de arroz. Também podes aproveitar arroz que já tenhas cozinhado.
  2. Gosto de cozer arroz para vários dias e guardá-lo no frigorífico. Este simples processo de arrefecimento favorece a transformação de parte do amido em amido resistente, que atua como prebiótico.
  3. Para preparar o arroz, pica finamente os dentes de alho e salteia-os muito ligeiramente numa frigideira larga, com um pouco de azeite.
  4. Antes de o alho começar a alourar, junta o arroz e mistura bem. Reserva.
  5. Para preparar os brócolos, utiliza outro wok ou uma frigideira larga.
  6. Aquece o recipiente e acrescenta um fio de azeite. Junta, ao mesmo tempo, a curcuma, os raminhos de brócolos, um pouco de pimenta-preta e sal.
  7. Cozinha em lume forte, mexendo continuamente, durante 2 a 3 minutos.
  8. Saberás que estão prontos quando os brócolos adquirirem uma cor verde-viva. Pretende-se que fiquem al dente.
  9. Desliga o lume e polvilha com uma colher de sopa de levedura nutricional.

10.  Serve num prato, dispondo os alimentos de forma organizada, e acompanha com um pouco de legumes fermentados que tenhas em casa.

Eu utilizei um fermentado de couve-rábano, uma raiz que também nutre a energia dos pulmões.

GRÃO-DE-BICO COM FEIJÃO-VERDE

O outono já chegou…

Na horta, apanho o último feijão-verde da estação…

O clima está a mudar e continua a fazer calor… mas o corpo é sábio e sabe que está na altura de começar a aquecê-lo.

Preparo um estufado de grão-de-bico com aquilo que a terra hoje me oferece: feijão-verde, abóbora, pimento verde, louro…

Cuido de mim porque sei que manter-me centrada e bem nutrida é uma ferramenta indispensável para continuar a avançar no meio do turbilhão em que o planeta está mergulhado…

Desejo que também te nutra…

Ingredientes

  • 500 g de grão-de-bico cozido
  • ¼ de abóbora
  • 1 mão-cheia de feijão-verde
  • 1 pimento verde
  • 2 dentes de alho
  • 4 folhas de louro
  • 1 colher de chá de curcuma
  • 1 pitada de pimenta-preta
  • Azeite e sal

Preparação

  1. Para cozinhar o grão-de-bico, costumo deixá-lo de molho em água quente durante a noite.
  2. De manhã, rejeito a água da demolha e cozo-o em água limpa, juntamente com alga kombu, numa panela de pressão.
  3. Para preparar o estufado, corta o pimento em cubinhos pequenos e começa por refogá-lo numa panela com um pouco de azeite e uma pitada de sal.
  4. Corta o feijão-verde em pequenos pedaços, junta-o à panela e mexe.
  5. Corta a abóbora em cubinhos — não é necessário descascá-la — e acrescenta-a ao refogado.
  6. Junta também os dentes de alho finamente picados.
  7. Salteia os legumes durante cerca de 5 minutos, mexendo de vez em quando.
  8. Adiciona a curcuma e um pouco de pimenta-preta.
  9. Acrescenta o grão-de-bico, as folhas de louro e água suficiente para cobrir o estufado.

10.  Tapa a panela e deixa levantar fervura.

11.  Quando começar a ferver, reduz o lume e cozinha durante cerca de 20 minutos, até os legumes ficarem tenros.

12. Desliga o lume e deixa repousar alguns minutos antes de servir.

LEGUMES TENROS DA ESTAÇÃO — RECEITA PARA NUTRIR A ENERGIA DOS PULMÕES

Valoriza a simplicidade!

Por vezes, nas aulas, perguntam-me como preparar refeições simples e observo que, no meu dia a dia, aquilo que coloco no prato é realmente muito simples.

Há algumas semanas que tenho comido couve-flor, porque a horta está cheia delas.

O clima ameno deste inverno está a confundir as culturas e as crucíferas da primavera já se desenvolveram.

Preparar uma deliciosa couve-flor é realmente fácil: pode ser salteada, preparada em tempura, escaldada ou cozinhada como fiz ontem, nesta receita.

Acompanhei-a com arroz integral que já tinha cozido, gomásio preparado em casa e kimchi caseiro.

Este prato é muito interessante para nutrir a energia dos pulmões, pois o arroz integral e a couve-flor são dois alimentos que harmonizam este órgão.

O sabor picante é aquele que mais contribui para os pulmões, favorecendo a expulsão de muco. O kimchi, com o seu sabor picante — é preparado com cebola, alho e gengibre —, é ideal para esta função.

Espero que te inspire… e que desfrutes da receita!

Ingredientes

  • ½ ou 1 couve-flor, consoante o tamanho
  • 2 cenouras
  • 4 rodelas de curcuma fresca
  • Levedura nutricional
  • Sal e azeite

Preparação

  1. Comecei por colocar a couve-flor, separada em floretes, e as cenouras, cortadas pelo método de corte rolado, a cozer a vapor.
  2. Entretanto, coloquei o arroz noutra panela para também o aquecer a vapor.
  3. Por vezes, costumo saltear o arroz, mas, como ia saltear os legumes, apeteceu-me deixá-lo mais simples, sem qualquer tempero adicional.
  4. Para aquecer o arroz a vapor, podes utilizar os cestos ajustáveis que se vendem nas lojas de utensílios de cozinha e que se adaptam a panelas de diferentes tamanhos.
  5. A couve-flor ficou al dente em cerca de 7 minutos.
  6. Numa frigideira larga, aqueci o azeite e, quando estava quente, acrescentei a couve-flor, a curcuma e as cenouras, juntando também uma pitada de sal.
  7. Mantive os legumes em lume forte durante 5 minutos, mexendo de vez em quando.
  8. Para finalizar, acrescentei duas colheres de sopa de levedura nutricional, desliguei o lume e misturei bem.
  9. Para servir, coloquei o arroz já quente numa tigela, de modo a formar um pequeno monte.

10. Polvilhei-o com gomásio e sementes de papoila, para reforçar o teor de cálcio.

11. Dispûs os legumes ao lado e acrescentei uma colher de sopa de kimchi.

Em 15 minutos tinha a refeição preparada, incluindo a fotografia!

PUDIM DE MAÇÃ

Já chegou a altura de apanhar as maçãs e armazená-las para as utilizar ao longo do inverno.

Embora já estejamos no outono, a temperatura ainda nos faz lembrar o final do verão e talvez te apeteçam sobremesas e lanches ligeiramente frescos.

Aproveitando o facto de a maçã ser uma fruta da época, podes preparar um pudim original e desfrutar da compota com uma textura e um efeito mais refrescantes.

Acompanha os pudins com muesli caseiro e terás um lanche muito completo.

Ingredientes

  • 6 maçãs doces
  • 2 colheres de sopa de ágar-ágar por litro de compota
  • 1 pitada de sal
  • Geleia de arroz a gosto
  • 1 mão-cheia de passas de uva
  • ½ vagem de baunilha

Preparação

  1. Descasca as maçãs, retira-lhes o caroço e corta-as em pedaços médios.
  2. Coloca-as numa panela, juntamente com as passas, a vagem de baunilha aberta longitudinalmente e uma pitada de sal.
  3. Mexe para misturar os ingredientes.
  4. Acrescenta um pouco de água, até atingir cerca de um dedo de altura no fundo da panela, e leva ao lume.
  5. Quando a água começar a ferver, tapa a panela, reduz o lume e deixa cozinhar lentamente até as maçãs ficarem macias e se formar uma compota.
  6. Não te preocupes com a pequena quantidade de água. Graças ao sal, as maçãs libertarão os seus próprios sucos e cozinharão neles, ficando assim mais doces.
  7. Quando a compota estiver pronta, mede a quantidade obtida. Normalmente, rende cerca de um litro, mas isso depende da variedade de maçãs utilizada.
  8. Volta a colocar a compota na panela e acrescenta a quantidade correspondente de ágar-ágar. Calcula duas colheres de sopa por litro de compota.
  9. Acrescenta também a quantidade de geleia de arroz necessária. Eu utilizei apenas duas colheres de sopa.

10.  Cozinha a compota durante mais 8 minutos.

11.  Humedece as formas onde vais preparar os pudins e distribui a compota por elas.

12.  Deixa arrefecer antes de desenformar.

13.  Para servir, coloca o pudim num prato e acompanha-o com um pouco de muesli caseiro ou de um muesli de compra sem açúcares refinados.

14.  Polvilha com um pouco de canela.



Wednesday, October 14, 2026

 

CINCO ERROS NA COZINHA PREJUDICIAIS PARA A SAÚDE

Drª Helena Corrales

https://www.elenacorrales.com/blogelenacorrales/author/admin/

RESUMO/ COMENTÁRIOS -

A qualidade da alimentação não depende apenas dos alimentos que escolhemos, mas também da forma como os preparamos. Os métodos de confeção podem preservar ou reduzir o valor nutricional dos alimentos e influenciar a nossa saúde.

A autora identifica cinco erros frequentes na cozinha:

1. Cozer demasiado os legumes: As cozeduras prolongadas, com muita água, favorecem a perda de vitaminas e minerais. Devemos privilegiar cozeduras curtas, a vapor ou com pouca água, sempre que adequadas ao alimento.

2. Beber café ou chá imediatamente após as refeições: Os taninos e outros polifenóis (1) podem dificultar a absorção do ferro de origem vegetal. É preferível consumir estas bebidas entre as refeições e combinar as leguminosas com alimentos ricos em vitamina C.

3. Consumir carne diariamente: O consumo excessivo de carne, sobretudo vermelha e processada, pode reduzir a diversidade alimentar. Devemos alternar as fontes de proteína, incluindo leguminosas, peixe, ovos, frutos oleaginosos e sementes.

4. Aquecer excessivamente os óleos e queimar os alimentos: As temperaturas elevadas favorecem a degradação dos óleos e a formação de substâncias indesejáveis, como a acrilamida (2). É preferível cozinhar a temperaturas moderadas e evitar alimentos queimados.

5. Abusar dos alimentos fumados: Estes produtos podem conter muito sal e substâncias potencialmente cancerígenas resultantes da fumagem. O seu consumo deve ser ocasional.

Conclusão

Cozinhar é uma parte fundamental de uma alimentação saudável. Escolher, lavar, cortar, combinar e confecionar os alimentos são gestos que influenciam a sua qualidade nutricional.

A autora defende o regresso a uma cozinha simples, variada e equilibrada, respeitando os alimentos e evitando processos culinários excessivos.

Ideia central: A saúde não depende apenas daquilo que comemos, mas também da maneira como cozinhamos.

Perspetiva macrobiótica

O artigo aproxima-se dos princípios da macrobiótica moderna, que valorizam os alimentos naturais, sazonais, pouco processados e preparados de forma equilibrada.

Importa, adaptar os métodos de confeção à natureza dos alimentos, à estação do ano e às necessidades individuais. As cozeduras longas, como o nishime, também podem ter lugar numa alimentação saudável.

Síntese: Uma boa cozinha não é necessariamente complicada. O essencial é escolher bons ingredientes, diversificar os métodos de confeção e cozinhar com simplicidade, moderação e atenção.

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TEXTO -

Introdução - Quando falamos de alimentação e saúde, costumamos pensar nos alimentos que devemos consumir e naqueles que deveríamos evitar. Também nos preocupamos com as quantidades e, cada vez mais, com a qualidade e a origem daquilo que colocamos na nossa mesa.

Mas há algo de que, por vezes, nos esquecemos: tão importante como escolher bem os alimentos é saber prepará-los corretamente.

A forma de cozinhar pode permitir-nos conservar melhor os seus nutrientes ou, pelo contrário, provocar a perda de uma parte deles. Existem também determinadas combinações e formas de preparação que, quando se tornam habituais, podem não ser as mais adequadas para a nossa saúde.

Por isso, hoje quero falar-te de cinco erros muito frequentes na cozinha que podemos evitar facilmente.

1. Cozer os legumes durante demasiado tempo e com água em excesso - Um dos erros mais habituais é pensar que, quanto mais tempo cozinharmos um legume, mais fácil será a sua digestão e, consequentemente, mais saudável será.

Mas nem sempre é assim.

Quando cozemos os legumes durante muito tempo e utilizamos água em abundância, parte das suas vitaminas hidrossolúveis, especialmente a vitamina C e algumas vitaminas do complexo B, passa para a água da cozedura. Também se podem perder alguns minerais.

Por isso, é preferível cozinhar os legumes apenas durante o tempo necessário e utilizando pouca água.

A cozedura a vapor é uma boa opção, mas também podemos saltear ligeiramente os legumes ou optar por cozeduras rápidas que permitam preservar a sua textura, o sabor e uma boa parte dos seus nutrientes.

E, se utilizarmos água para os cozer, não temos necessariamente de a deitar fora: podemos aproveitá-la para preparar uma sopa, um creme ou um caldo.

Um legume não precisa de ficar desfeito para estar bem cozinhado. Muitas vezes, uma cozedura breve é suficiente.

2. Terminar sistematicamente as refeições com um café ou um chá - Para muitas pessoas, uma refeição só termina quando chega aquele café ou chá.

No entanto, se quisermos favorecer o aproveitamento do ferro presente nos alimentos, este não é o melhor hábito.

O café e o chá contêm polifenóis, entre os quais taninos, que podem dificultar a absorção do ferro não-heme (3), especialmente o que provém dos alimentos de origem vegetal.

Isto é particularmente importante quando a refeição inclui alimentos ricos em ferro, como as leguminosas.

Podemos desfrutar ocasionalmente do nosso café ou chá, mas é preferível não transformar o seu consumo imediato após as refeições num hábito sistemático.

Há ainda outro pequeno pormenor que podemos ter em consideração: a vitamina C favorece a absorção do ferro de origem vegetal. Por isso, acompanhar lentilhas, grão-de-bico ou feijão com alimentos ricos em vitamina C, como a couve ou os brócolos, pode ser uma boa combinação.

Não se trata de eliminar completamente o café ou o chá, mas de saber quando os consumir e fazê-lo sempre de forma ocasional.

3. Comer carne todos os dias e torná-la o elemento central de cada refeição - A carne pode fazer parte de uma alimentação saudável, mas não precisamos de a consumir todos os dias nem em todas as refeições.

Uma alimentação excessivamente centrada na carne, especialmente quando existe um consumo elevado de carne vermelha e processada, pode afastar da nossa mesa outros alimentos muito interessantes, como as leguminosas, os cereais integrais, os legumes, os frutos oleaginosos, as sementes e o peixe.

No que diz respeito à saúde óssea, durante muito tempo afirmou-se que um consumo elevado de proteínas animais poderia favorecer uma maior perda de cálcio devido à acidose que provocaria.

A questão é mais complexa e não podemos afirmar simplesmente que comer carne provoca osteoporose. A saúde dos ossos depende de muitos fatores, entre os quais a ingestão de cálcio, vitamina D e proteínas, o exercício físico, a exposição solar e outros aspetos do estilo de vida.

Por isso, mais do que recear um alimento específico, o importante é evitar que a carne reduza a variedade da nossa alimentação.

Alternar as fontes de proteína e dar também protagonismo às leguminosas, ao peixe, aos ovos, aos frutos oleaginosos e às sementes ajuda-nos a conseguir uma alimentação mais equilibrada e variada.

4. Aquecer demasiado o óleo e queimar os alimentos - Fritar não tem de ser necessariamente uma má forma de cozinhar. O problema surge quando elevamos demasiado a temperatura.

Quando o óleo começa a deitar fumo, é um sinal claro de que está a aquecer excessivamente. A temperaturas elevadas e durante períodos prolongados, os óleos podem deteriorar-se e formar produtos de oxidação cujo consumo não é desejável.

Por isso, quando cozinhamos, devemos evitar que o óleo comece a deitar fumo e procurar utilizar uma temperatura moderada e adequada ao alimento.

Também devemos prestar atenção ao próprio alimento.

Quando tostamos, assamos no forno ou fritamos alimentos ricos em amido — como as batatas, o pão ou determinados produtos à base de cereais — a temperaturas muito elevadas, pode formar-se acrilamida, especialmente quando adquirem uma cor muito escura.

Por isso, é preferível que os alimentos fiquem dourados, em vez de queimados.

Este pequeno gesto de retirar um alimento do lume antes de ficar demasiado tostado pode parecer insignificante, mas faz parte daqueles pequenos cuidados quotidianos que, em conjunto, contribuem para proteger a nossa saúde.

5. Abusar dos alimentos fumados - O sabor de um bom alimento fumado pode ser delicioso e, além disso, a fumagem é uma técnica tradicional utilizada há séculos para conservar os alimentos.

O problema não está em consumi-los ocasionalmente, mas sim em abusar deles.

Muitos produtos fumados contêm quantidades importantes de sal e, dependendo da forma como o processo foi realizado, durante a fumagem podem formar-se substâncias como os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP)(4), alguns dos quais estão associados a um maior risco de cancro.

Por isso, não é aconselhável que os alimentos fumados façam parte habitual da nossa alimentação.

Podemos apreciá-los de vez em quando, mas procurando que a nossa alimentação quotidiana se baseie fundamentalmente em alimentos frescos, variados e pouco processados, preparados de forma simples.

COZINHAR TAMBÉM É ALIMENTAR-NOS

Por vezes, pensamos que cuidar da nossa saúde consiste apenas em comprar bons alimentos.

Mas esse cuidado começa muito antes de nos sentarmos à mesa.

Escolher, lavar, cortar, combinar e cozinhar também fazem parte da nossa maneira de nos alimentarmos.

A cozinha é o lugar onde transformamos os alimentos e onde, através dos nossos hábitos quotidianos, podemos favorecer ou prejudicar a conservação das suas qualidades.

Não precisamos de nos tornar especialistas nem de viver constantemente preocupados com todos os pormenores.

Basta recuperar algo que as nossas avós conheciam muito bem: cozinhar com simplicidade, respeitar os alimentos e não os submeter desnecessariamente a processos excessivos.

Porque, afinal, cuidar da nossa saúde também consiste nessas pequenas decisões que repetimos todos os dias.

A saúde não se constrói apenas no consultório médico. Também se cultiva na nossa própria cozinha.

 

COMENTÁRIOS E NOTAS COMPLEMENTARES (IA)

Cozedura dos legumes e perspetiva macrobiótica

A recomendação de Elena Corrales está, em termos gerais, de acordo com os princípios da macrobiótica moderna, que valorizam a diversidade dos métodos de confeção.

Contudo, convém distinguir:

  • Legumes verdes: beneficiam frequentemente de cozeduras curtas, a vapor, escaldados ou salteados.
  • Legumes de raiz: podem beneficiar de cozeduras mais prolongadas, especialmente no outono e no inverno.
  • Nishime: a cozedura lenta, com pouca água e recipiente tapado, constitui uma técnica tradicional macrobiótica.
  • Leguminosas: exigem uma cozedura suficiente para melhorar a digestibilidade e reduzir compostos indesejáveis.

Não existe, portanto, um único tempo de cozedura ideal para todos os vegetais.

Chá, café e absorção do ferro

Esta observação é particularmente importante numa alimentação predominantemente vegetal.

Os taninos e outros polifenóis presentes no chá preto, chá verde e café podem diminuir a absorção do ferro não-heme.

O mesmo princípio aplica-se, embora em graus diferentes, a algumas bebidas utilizadas na alimentação macrobiótica, incluindo o chá kukicha e o bancha.

Sugestão prática: quando existe deficiência de ferro ou risco de anemia, pode ser útil deixar um intervalo de cerca de uma a duas horas entre as refeições principais e o consumo destas bebidas.

A inclusão de salsa fresca, couve, brócolos ou algumas gotas de limão pode ajudar a melhorar a absorção do ferro vegetal.

Proteínas animais e saúde óssea

É importante destacar o equilíbrio da abordagem apresentada pela autora.

A antiga hipótese segundo a qual as proteínas animais provocariam necessariamente perda de cálcio e osteoporose não é sustentada de forma tão simples pela investigação atual.

Na realidade, uma ingestão adequada de proteínas é importante para preservar a massa muscular e a saúde óssea, especialmente nas pessoas idosas.

Numa alimentação macrobiótica moderna, as proteínas podem provir de diversas fontes, como feijão azuki, grão-de-bico, lentilhas, tofu, tempeh, peixe e ovos, conforme as necessidades individuais.

Óleos, frituras e acrilamida

O artigo distingue corretamente dois problemas diferentes: a degradação dos óleos pelo calor e a formação de acrilamida em determinados alimentos ricos em amido.

Na cozinha quotidiana, é aconselhável:

  • Evitar o aparecimento de fumo durante o aquecimento do azeite ou de outros óleos.
  • Não reutilizar repetidamente óleos de fritura.
  • Preferir alimentos dourados a alimentos muito escurecidos.
  • Privilegiar cozeduras suaves, estufados, sopas e preparações a vapor.

O azeite virgem extra é uma opção adequada para muitas preparações culinárias, desde que não seja excessivamente aquecido.

Alimentos fumados, fermentados e salgados

Importa não confundir três processos alimentares distintos:

Fumagem: utiliza fumo para conferir sabor e ajudar a conservar os alimentos. Pode originar determinados contaminantes, dependendo do processo.

Fermentação: utiliza microrganismos para transformar os alimentos. É o caso do miso, tempeh, natto, chucrute e kimchi.

Salga: utiliza sal como agente de conservação.

Na alimentação macrobiótica, muitos alimentos fermentados são valorizados pelas suas características culinárias e nutricionais. Contudo, alguns contêm quantidades elevadas de sódio.

Em pessoas com hipertensão arterial, é especialmente importante moderar o consumo de miso, tamari, umeboshi e picles muito salgados.

REFLEXÃO FINAL: A IMPORTÂNCIA DA TÉCNICA CULINÁRIA

O artigo de Elena Corrales recorda-nos um princípio importante da tradição macrobiótica: a qualidade da alimentação não depende exclusivamente dos ingredientes.

A escolha dos utensílios, a quantidade de água, a intensidade do lume, o tempo de cozedura, os temperos e a combinação dos alimentos também influenciam o resultado final.

A perspetiva energética yin-yang da macrobiótica acrescenta uma interpretação tradicional destes processos, mas não deve ser confundida com mecanismos nutricionais.

A principal mensagem do artigo é simples e útil:

Não basta escolher alimentos de qualidade. É igualmente importante saber prepará-los, respeitando as suas características e evitando excessos.

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NOTAS:

(1)- Polifenóis: Compostos naturais presentes nos vegetais, frutas, chá e café, muitos com ação antioxidante. Alguns podem dificultar a absorção do ferro.

(2)- Acrilamida: Substância potencialmente cancerígena que se forma quando alimentos ricos em amido (batatas, pão, cereais) são fritos, assados ou tostados a temperaturas elevadas.

(3)- Ferro não-heme: Tipo de ferro presente sobretudo nos alimentos vegetais (leguminosas, cereais integrais e verduras). É menos facilmente absorvido pelo organismo do que o ferro heme, presente na carne e no peixe. A vitamina C favorece a sua absorção.

(4)- HAP (Hidrocarbonetos Aromáticos Policíclicos): Grupo de substâncias químicas formadas durante a combustão incompleta de materiais orgânicos. Podem estar presentes em alimentos fumados, grelhados ou queimados. Alguns são cancerígenos.




 

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