Thursday, March 5, 2026

 


OS DESEJOS NÃO SÃO SIMPLES CAPRICHOS, SÃO

MENSAGENS BIOLÓGICAS

Patrícia Restrepo

https://patriciarestrepo.org/alimentacion/los-antojos-no-son-simples-caprichos-son-mensajes-biologicos/

 

Quando decidimos mudar para uma alimentação respeitosa, ecológica, macrobiótica, vegana ou vegetariana, e eliminamos da nossa alimentação diária produtos químicos, alimentos cárneos, açucarados ou derivados de laticínios, todo o sistema psicofísico entra num processo de transformação e o conteúdo acumulado é descarregado do organismo por diferentes vias, uma das quais pode ser os desejos.

Não devemos sentir nenhuma culpa quando temos desejos intensos por alimentos do passado, alimentos inadequados ou prejudiciais, pois os desejos são reações essencialmente biológicas. Os desejos podem ser nossos melhores amigos, pois vêem para nos dizer que algo na nossa alimentação ou no nosso estilo de vida não está em equilíbrio. Se soubermos interpretá-los com um pequeno ajuste, criaremos harmonia e prazer.

Não importa o quão forte seja a nossa disciplina, rigor ou força de vontade com a dieta, a inteligência somática do corpo, quando estamos a entrar em desequilíbrio, dá-nos um sinal através de desejos viscerais para comer certos alimentos. É contraproducente não atendermos a esses desejos inesperados. Isso não significa que devemos dar-lhes rédea solta, mas devemos investigar o significado desses anseios. Há três perguntas-chave:

·     O que querem dizer esses desejos?

·     Que carência temos a nível bioquímico ou na nossa vida?

·     O que está em desequilíbrio, a alimentação ou a nossa vida emocional?

Por detrás dos desejos pode haver uma longa e prejudicial relação com a comida e, precisamente, atender conscientemente a esses aparentes caprichos dá-nos uma oportunidade clara para nos reconciliarmos com ela.

Quando fazemos a mudança para uma alimentação natural e, no passado, os hábitos alimentares não só eram caóticos, como também estavam ligados a antigos estados emocionais, padrões que estão profundamente estabelecidos no inconsciente, esses desejos refletem pistas importantes. Por exemplo, se em pequenos éramos recompensados com doces açucarados, crescemos encontrando satisfação imediata em bolos, gelados e chocolate açucarado. Se as festas eram celebradas com grandes quantidades de carne e laticínios, supervalorizamos as proteínas animais, pensando que nelas encontraremos a força e as tornamos sagradas. Portanto, não são apenas desejos biológicos, mas também desejos espirituais supersticiosos.

Há dois aspetos fundamentais nos desejos, o primeiro vamos chamá-lo de

«ajustamentos de transição» e o segundo «desejos derivados de hábitos caóticos».

Desejos no período de transição:

Transição não significa 25 anos, a transição ocorre nos primeiros anos da mudança alimentar, quando as pessoas deixam de comer queijos, laticínios, iogurtes, açúcares simples, gelados açucarados, alimentos refinados, pastelaria, chocolates, frutas tropicais, enchidos, presunto, carnes, aves, ovos. E quando se começa a comer uma dieta equilibrada e natural, esses alimentos automaticamente vêem à tona.

Para poder eliminá-los, o corpo utiliza diferentes formas, às vezes com erupções cutâneas, mau humor, nas mulheres corrimento vaginal, fezes, às vezes com sonhos, até sonhamos com alimentos do passado. Cheiramos alimentos do passado e, nesses momentos, a inteligência do corpo fica muito grata por se livrar desses tóxicos que estiveram lá por anos, mas dependendo da natureza (consistência yang ou yin) do que acumulamos no corpo no passado, esses alimentos serão eliminados durante mais ou menos tempo, é importante para acelerar o processo de eliminação incorporar a atividade física.

Mas enquanto estamos a eliminar esses alimentos que vêem à superfície, eles estão muito presentes e uma parte do nosso corpo tem um forte desejo de consumi-los novamente, a «síndrome de abstinência» ou o que coloquialmente se chama «mono». Todo alimento que cria dependência e se acumula desordenadamente no corpo gera mono (desejo intenso).

Mas para eliminar de forma inteligente essas substâncias desequilibradoras, além da atividade física, é crucial entender o que cada uma significa, para dar um substituto que satisfaça e não prejudique ou perpetue a disfunção. Portanto, se uma pessoa em transição desejar comer carne ou alimentos à base de carne, vamos sugerir que coma proteína vegetal consistente, como tempeh refogado, seitan frito na frigideira ou assado, tofu frito, leguminosas como feijão pinto, soja preta ou azukis (os azukis têm menos gorduras do que os restantes legumes, e se o desejo por carne for muito forte, escolha outro legume com mais gordura).

Se a transição for feita diretamente de uma alimentação à base de carne para uma vegana, temos de aumentar o tempeh, o tofu e o seitan cozinhados com óleo. Se o desejo surgir por laticínios, que é o mais comum, porque os laticínios são os alimentos que criam mais dependência e são difíceis de erradicar da dieta. Mas é muito importante deixá-los devido aos graves e, por vezes, irreversíveis danos à saúde, pois obstruem o sistema linfático, enfraquecem os intestinos, obstruem as vias respiratórias, obstruem os seios paranasais, gerando alergias, sinusite, contribuem para a formação de muitos tipos de cancro, especialmente o cancro da mama. É um dos fatores subjacentes, juntamente com a gordura animal, da doença celíaca. O corpo descarrega-os na forma de mucosidades.

Para satisfazer o desejo por laticínios, vamos centrar-nos novamente em proteínas como o tempeh e, especialmente, em frutos secos e sementes, purés de frutos secos como tahin (puré de sésamo), puré de amêndoas, puré de amendoim, que devem ser cozidos para serem melhor digeridos. Na verdade, os purés de sementes e frutos secos têm as qualidades dos queijos vegetais e, embora não sejam o centro de uma dieta equilibrada, são substâncias transitórias que contribuem para um equilíbrio futuro e, de certa forma, são um passo em frente em relação aos laticínios.

É típico, no início da mudança, que as pessoas comam puré de amendoim, ou tahin ou puré de amêndoas diretamente do pote, pois o corpo está a habituar-se a viver sem a caseína (proteína pegajosa e pesada dos laticínios), substituindo-a provisoriamente por estas novas gorduras.

Uma forma harmoniosa de compensar esta nova tendência do corpo é utilizar óleo na cozinha, porque o abuso destes purés de frutos secos pode levar a uma disfunção nas vias hepáticas.

O uso moderado de óleo na hora de cozinhar produz saciedade e satisfação orgânica.

Quando as pessoas deixam de consumir óleo por um longo período, correm o risco de comer demais porque instintivamente o corpo está à procura de gordura.

«Encontrar o ponto certo de óleo para cozinhar gera grande satisfação».

É claro que quando uma pessoa está a recuperar de uma disfunção importante através de uma dieta terapêutica, é fundamental seguir as instruções de um consultor em nutrição e, muitas vezes, o óleo é suprimido por um curto período de tempo. As bebidas vegetais, chamadas «leites», ajudam a desabituar-se emocionalmente dos laticínios (mas temos de dar-lhes o lugar que lhes corresponde), são líquidos brancos, que podem enriquecer a cozinha na hora de preparar sobremesas ou molhos.

Se os desejos viscerais são por alimentos açucarados, então vamos concentrar-nos em alimentos com um sabor que intensifique o doce. Os adoçantes são sempre reduções de outros alimentos, mas aqui vamos escolher aqueles que provêm de cereais integrais, polissacarídeos, como geleias/maltes de cereais que, no seu processo de redução, não perderam as vitaminas e conservam enzimas e parte dos nutrientes originais.

Como, por exemplo, geleia de arroz, cevada, quinoa, milho (com este último é importante fazer a diferença com o xarope de milho que vem camuflado em muitos dos bolos «naturais») são igualmente úteis na transição, alimentos cremosos doces, como pudins e cremes.

A transformação estável e duradoura para nos livrarmos dos açúcares simples é conseguida colocando mais ênfase nos vegetais doces (abóbora, repolho, cenoura, cebola, todos os tipos de couves, beterraba, etc.). Sei que quando fomos muito viciados em açúcar no passado, achamos os vegetais doces insípidos, mas quando as nossas papilas gustativas se limpam dessas substâncias viciantes, «deleitamo-nos e celebramos com o doce natural».

É importante compreender que muitas vezes esses desejos por doces ou chocolate também são o reflexo de uma vida com falta de doçura e afectividade. Esquecemo-nos «da carícia, do beijo, do abraço».

O outro aspeto fundamental dos desejos tem a ver com os nossos hábitos alimentares e estilo de vida. «Desejos derivados de hábitos caóticos». «Os nossos hábitos criam o nosso apetite».

É importante programarmos com antecedência o que vamos comer, como vamos comer e a que horas vamos comer.

O nosso sistema digestivo foi concebido para que comamos sentados, a hora da refeição é sagrada, comer conscientemente tem a ver com comer, mastigar e sentir o que comemos, as modernas refeições de negócios são, na realidade, uma forma de destruir o nosso sistema nervoso e o sistema digestivo. Nunca sabemos realmente qual é o nosso apetite se fazemos outra coisa enquanto comemos, como ler, ver televisão, estar em frente ao computador ou qualquer outro dispositivo eletrónico.

Comer regularmente, todos os dias à mesma hora, promove a saúde e a satisfação orgânica.

Como a nossa vida moderna é muito ativa, o planeamento tanto das compras

como da cozinha é indispensável. Se não nos programarmos, é possível que passemos muitas horas no trabalho e, quando sentirmos fome, acabemos por comer a primeira coisa que encontrarmos. Isso levar-nos-á diretamente à hipoglicemia e, no dia seguinte, começaremos a ter desejos pelo que comemos no dia anterior. Quando o açúcar baixa, cedemos ao desejo e isso torna-se o princípio do desequilíbrio que tem um final amargo e só encontra satisfação com açúcares simples.

Se não tivermos o açúcar estável, o nosso cérebro não funciona bem, perdemos o equilíbrio, ficamos irritáveis, com as mãos e os pés frios e o pâncreas, que é muito yang (pequeno, compacto), sofre!

O cérebro médio e o pâncreas são as partes mais compactas e yang do corpo, trabalham em conjunto, de modo que os alimentos mais yang afetam

esses órgãos porque geram pressão, assim todos os alimentos secos, salgados e compactos como ovos, frango, peru, avestruz, carnes, atum, assados, crocantes, bolachas, bolos de arroz, geram pressão e desequilibram o pâncreas, levando-nos a comer alimentos que relaxam, como gelados ou produtos açucarados, criando assim desejos por «cremosidade açucarada».

É necessário entender o mecanismo de contração-expansão (yin-yang) para compreender o porquê do desejo visceral por esses alimentos e, para aliviá-los, devemos primeiro suprimir a ingestão de alimentos extremamente secos e compactos e, temporariamente, consumir alimentos cremosos naturais, cremes de legumes e sobremesas cremosas naturais.

O desejo por alimentos duros e crocantes, por vegetais al dente, condimentados com molhos à base de sementes torradas. O crocante natural é uma textura que estimula o cérebro.

No diagnóstico oriental, pressionamos o centro da mão (que deve estar flexível e tonificada) e, se estiver dura, significa que a energia não flui no corpo, que os órgãos centrais estão muito tensos (o pâncreas tenso, o fígado em colapso, os rins estagnados) e, como a energia não flui, os pés e as mãos estão frios.

É importante não saltar refeições para manter o açúcar estável, caso contrário, vamos sentir desejos por açúcar simples. Porque tudo o que tensiona ou pressiona o pâncreas gera dependência em si mesmo e dependência por açúcares simples. O pâncreas fica tenso negativamente com os alimentos mencionados acima e por um estilo de vida frenético, conduzir rápido, levar tudo ao limite, fazer muitas coisas ao mesmo tempo, chegar aos compromissos apressando-se até ao último momento.  Estas atitudes criam hipoglicemia, irritabilidade e, por sua vez, criam

adição, adição quer dizer «agora».

Para sair destes vícios prejudiciais, recomenda-se:

1.  Caminhar todos os dias na natureza, parques, montanha ou praia durante 20 minutos. 20 é um número chave, representa o ciclo KI, uma hora tem três ciclos KI.

2.  Dedicar 20 minutos a cada refeição bem mastigada.

3.  Comer de forma equilibrada. Equilíbrio na macrobiótica não significa 50-50, significa 1/7, 1 parte yang x 7 partes yin.

O corpo precisa, para o seu funcionamento, de minerais, proteínas, hidratos de carbono, água e oxigénio.

Por uma parte de minerais, precisamos de 7 partes de proteína; por uma parte de proteínas, precisamos de 7 partes de hidratos de carbono; por uma parte de hidratos de carbono, precisamos de 7 partes de água; por uma parte de água, precisamos de 7 partes de oxigénio; yang é mineral, yin é oxigénio.

Os minerais completos vêem do sal marinho orgânico não refinado, do miso, das algas marinhas, do tamari, das ameixas umeboshi, dos pickles, de forma que, na hora de preparar uma refeição, o mais importante é saber como usamos os minerais, porque o desconhecimento desse princípio é o que mais destrói a saúde. Devemos usá-los com moderação e sempre cozinhados. Se não soubermos como usá-los, destruímos o equilíbrio, tensionamos os órgãos e temos desejos por açúcar ou derivados.

Na dieta moderna, são usados minerais simples, como o sal comercial, que é mais duro e não tem minerais. Quando comemos sal refinado, simples, isso nos leva a desejar proteína completa (carnes). Quando comemos proteína completa, sentimo-nos atraídos por hidratos de carbono simples, açúcar, arroz refinado, batatas.

Quando comemos açúcar simples, sentimo-nos mais atraídos por líquidos, água e álcool. Quando bebemos mais, respiramos mais rápido, superficialmente, e isso encurta a vida.

Quando comemos sal orgânico (sal grosso integral), sentimo-nos atraídos por proteínas simples, leguminosas e derivados; quando comemos proteínas simples, sentimo-nos mais atraídos por hidratos de carbono complexos, cereais integrais em grão.

Poderíamos concluir que por detrás de muitos desejos está a qualidade e a quantidade do sal. Comer alimentos salgados leva-nos a desejar mais óleo e mais açúcar, e cria adições, inclusive a adição às drogas e ao álcool provêm da pressão interna ou de alimentos salgados, carnes e alimentos secos muito yang.

O sal é indispensável na nossa dieta, mas deve ser orgânico e integral, para realçar o sabor natural dos alimentos.



Tuesday, March 3, 2026

 


DERIVADOS DE LA SOJA

Drª Elena Corrales

O valor nutricional deste humilde legume é extraordinário, tanto que tem o dobro das proteínas da carne, as gorduras que contém são insaturadas e é também rico em vitaminas e minerais. No entanto, a soja no seu estado natural é não comestível, indigesta e até tóxica.

Por isso, a tradição oriental submeteu a soja a múltiplas transformações, quase sempre com a ajuda de microrganismos, com o objetivo de obter produtos que, além de saborosos e fáceis de digerir, têm mais valor nutricional do que a soja original. Estamos a falar do miso, do tamari, do tempeh, do natto, etc.

O miso

É composto basicamente por soja, água, sal e é fermentado através do Aspergillus oryzae. No Oriente, existem tantas variedades de miso com diferentes sabores, texturas e aromas como nos queijos ou vinhos do Ocidente.

Na sua elaboração, muitas vezes são adicionados alguns cereais, como arroz ou cevada, dando origem a misos mais suaves e muito equilibrados nutricionalmente pela combinação cereal/leguminosa.

Para obter essa pasta de cor castanha que todos conhecemos, são necessários pelo menos 24 meses de fermentação anaeróbica, que é realizada em talhas (de madeira ou aço inox - RDT) onde se colocam os ingredientes e se deixa que o tempo, o sal e a pressão permitam a fermentação.

Embora seja um produto estranho à nossa cultura, devemos saber que as nossas condições climáticas de humidade, temperatura e latitude permitem que a soja seja cultivada e processada no nosso ambiente, sem qualquer problema. Neste momento, já existem empresas no nosso país que produzem miso e tamari.

Por ser um alimento naturalmente «curado» pelo sal, não necessita de refrigeração para a sua conservação. Pensemos que o miso, sendo um alimento tradicional, é muito mais antigo do que os frigoríficos modernos. Basta guardá-lo num local fresco depois de aberto. De qualquer forma, podemos guardá-lo no frigorífico sem qualquer problema.

O miso favorece a longevidade devido aos probióticos que contém e, como restaura as mucosas do aparelho digestivo, é adequado para melhorar a pele, as unhas e o cabelo, bem como para aumentar as defesas. Pelo seu teor em minerais, é indicado para o fortalecimento dos dentes e dos ossos, sendo de grande ajuda na osteoporose.

Além disso, como é rico em fibra, ajuda a normalizar o trânsito intestinal. Quanto ao seu teor de sal, que oscila entre 10 e 12 %, não tem efeito endurecedor das artérias, graças ao facto de ter sido vegetalizado durante a fermentação.

Graças ao seu teor de zybicolina, um fator de proteção descoberto no Japão em 1972, é especialmente indicado durante a radioterapia ou em condições de fuga radioativa.

É um alimento que não pode faltar na nossa casa e pode ser introduzido na alimentação dos bebés a partir do primeiro ano de vida. É o ingrediente fundamental das sopas de miso.

O tamari

Também conhecido como molho de soja, é um líquido Escuro, salgado, o seu sabor lembra o concentrado de carne que era comercializado nos anos 60. Além de ser usado para realçar o sabor dos alimentos, incluí-lo-emos na nossa dieta devido ao seu caráter redutor, ou seja, antioxidante. Tem as mesmas aplicações que o miso, do qual é primo irmão.

Neste caso, a fermentação é aeróbica e é feita em grandes cubas. Também aqui atuam o tempo, que oscila entre 12 e 24 meses, e o sal. Durante o período de fermentação, as cubas são mexidas com grandes pás para oxigenar a mistura, a elaboração é semelhante à do miso, com um resultado líquido neste caso.

É altamente remineralizante, tonificante, fortalecedor do sistema nervoso e digestivo. A qualidade mais importante do tamari é um poderoso efeito redutor, mas com energia yang, aquecedora. Os restantes alimentos com caráter antioxidante são os vegetais e as frutas que têm energia yin refrescante; isto vai permitir-nos regular o equilíbrio oxidação/redução aplicando o yin e o yang, facto que é essencial no tratamento de qualquer patologia.

Devemos utilizá-lo sempre nos alimentos no final da cozedura, nunca à mesa. Devemos ser muito moderados no seu consumo, pois se abusarmos deste condimento podemos sentir desejos irreprimíveis por doces. Lembremo-nos de uma lei universal que diz: yang (tamari) atrai yin (doce).

O shoyu

É um derivado fermentado da soja ao qual tradicionalmente se adiciona trigo e é mais leve que o tamari. Tal como no miso, algumas variedades contêm apenas soja (tamari), água e sal, enquanto outras têm cereais adicionados (shoyu).

A combinação de cereais e leguminosas é sempre interessante do ponto de vista nutricional, mas é necessário ter em conta a composição destes preparados quando contêm trigo ou cevada, no caso dos celíacos.

Tanto o tamari como o shoyu são pasteurizados a 82 °C para travar a fermentação, porque, ao terem um teor de água superior ao do miso, são mais instáveis. Por isso, as propriedades terapêuticas do tamari em termos de enzimas e lactobacilos ficariam comprometidas em consequência da pasteurização. Atualmente, no nosso país, está a ser comercializado tamari não pasteurizado, pelo que estamos com sorte.

Os molhos de soja comerciais

São produzidos por fermentação química e contêm glutamato monossódico, xaropes artificiais, proteínas hidrolisadas, soda cáustica... e a fermentação química é feita em poucas horas. São o exemplo do «comestível» a descartar da nossa mesa.

 

Existem outros dois derivados fermentados da soja que são utilizados como alimentos, ao contrário do miso e do tamari, que são condimentos. 

O tempeh

É um alimento tradicional da Indonésia, onde é consumido diariamente. Há alguns anos, começou a ser consumido também no Ocidente.

Modo de preparação

Colocamos a soja de molho durante 10 a 12 horas, depois descartamos a água do molho e, sobre um pano estendido, esfregamos os grãos uns nos outros e observamos como a casca se solta facilmente.

Em seguida, espalhamos os grãos em uma camada fina sobre uma bandeja e polvilhamos por cima um fungo chamado Rhizopus oligosporus, o fermento. Podemos usar um coador para espalhar o fungo uniformemente. Deixamos a bandeja a 30 °C entre 24 e 48 horas. Nesse tempo, a soja fica coberta por um micélio branco que lembra o do queijo Camembert e forma uma espécie de «bolo» compacto. Já está pronto para cozinhar e comer.

Valor nutricional

O tempeh é muito interessante do ponto de vista nutricional, as suas propriedades nutritivas aumentam após a fermentação, porque esta destrói o efeito inibidor da tripsina, tornando-o mais digestível e permitindo aproveitar melhor as suas proteínas. Além disso, os hidratos de carbono são parcialmente hidrolisados, uma parte dos ácidos gordos das suas gorduras é libertada e também é destruída uma parte do ácido fítico que contém. O fungo durante a fermentação favorece a síntese de antioxidantes e substâncias antibióticas.

Quando o tempeh é produzido de forma tradicional, sintetizam-se vitaminas do grupo B e particularmente a B12, uma vez que quem colabora nesta síntese é uma bactéria que se encontra no ambiente, a Klebsiella pneumoniae.

No entanto, quando o tempeh é produzido em condições assépticas com o fungo puro, não há síntese de vitamina B12. Essas questões sutis, que são a «letra miúda» da informação, devem ser conhecidas para sabermos realmente o que os alimentos que comemos nos proporcionam.

O tempeh é uma excelente alternativa à carne, uma vez que a sua assimilação proteica líquida é semelhante à desta, mas o seu teor de gorduras isentas de colesterol é de 4 % contra 20 % da carne.

O sabor é um pouco particular, mas fácil de se habituar.

O natto

É outro produto fermentado derivado da soja, semelhante ao tempeh, só que a fermentação é produzida por um microrganismo diferente, uma bactéria chamada Bacillus subtilis. É um dos poucos produtos fermentados da soja em que não participam fungos nem leveduras.

Modo de elaboração

Para a sua preparação, selecionam-se os grãos de soja mais pequenos e de cor branca ou amarela. São cozidos no vapor e deixados arrefecer até atingirem aproximadamente 45 °C. Em seguida, adiciona-se a bactéria que produz a fermentação dos grãos.

Em seguida, são armazenados em câmaras de fermentação em determinadas condições de temperatura e humidade durante cerca de 20 horas. Depois, essa mistura é amadurecida em refrigeração durante mais 24 horas, após as quais se obtém uma espécie de pasta que é conhecida como natto. O resultado é um alimento viscoso com um odor e sabor característicos.

Valor nutricional

É rico em probióticos, como o resto dos fermentados tradicionais de soja, e contém vitaminas e enzimas, bem como aminoácidos essenciais, mas talvez a sua principal virtude seja um extrato do mesmo, chamado nattokinase, que, conforme mencionado em estudos científicos no seu país de origem, atua como um potente agente anticoagulante capaz de dissolver coágulos sanguíneos (trombos).

 

 

Os dois produtos sobre os quais escrevemos hoje não são fermentados, pelo que o seu interesse reside exclusivamente no seu valor nutricional.

A bebida de soja

É uma bebida refrescante de aspecto leitoso semelhante a uma orxata que muitas pessoas chamam, de forma inadequada, de «leite de soja». É uma bebida rica em proteínas, que combina bem com cereais. Fornece ácidos gordos polinsaturados e lecitina, além de uma proporção interessante de vitaminas e minerais. É pobre em hidratos de carbono e não contém lactose. Pode ser consumida sozinha ou utilizada na preparação de molhos e sobremesas.

Preparação

Utilizaremos 200 gramas de feijão de soja amarelo. Lavamo-lo em várias águas e escorremo-lo num coador. Deixamo-lo de molho em água filtrada ou engarrafada durante pelo menos 24 horas.

No dia seguinte, lavamo-lo novamente e trituramo-lo cru, adicionando aproximadamente meio litro de água. Podemos usar uma batedeira ou um picador de carne, procurando obter uma textura muito cremosa.

Se desejarmos uma bebida mais fina e menos amarga, convém descascar a soja antes de triturá-la. Para isso, espalhe a soja embebida numa camada fina sobre uma toalha e esfregue com outra por cima; as cascas irão soltar-se facilmente.

Em qualquer dos casos, colocamos aproximadamente um litro de água a ferver e, quando atingir o ponto de ebulição, adicionamos o puré. É importante mexer constantemente para evitar que grude no fundo da panela.

Mantemos a fervura em fogo médio durante 30 a 40 minutos. Dessa forma, o resultado será mais digestível, pois o fator antitripsina presente na soja crua é inativado. Durante a cozedura, irá formar-se espuma, tal como acontece com o leite de vaca; devemos removê-la e ter cuidado para que não se derrame.

Em seguida, deixamos arrefecer e filtramos o conteúdo colocando um coador coberto com uma gaze sobre o recipiente escolhido. O líquido filtrado é a bebida de soja; o resíduo sólido recebe o nome de okara.

Interesse deste alimento

Não se trata de um alimento integral, uma vez que apenas aproveitamos os nutrientes que passam para a água durante a cozedura; por isso, convém consumi-lo com moderação. Além disso, ao não ser fermentado com sal durante muito tempo, do ponto de vista energético mantém qualidades mais yin, com efeito refrescante.

Não desaconselhamos a bebida de soja, apenas lembramos que ela não deve se tornar um alimento de consumo diário como simples substituto do leite de vaca.

A sua popularização — favorecida em parte pela reconversão de algumas indústrias leiteiras para produtos alternativos — convida-nos a considerar também o seu efeito refrescante e o seu teor em fitoestrogénios. A questão não é substituir o leite pela bebida de soja, mas repensar toda a nossa alimentação. Se quisermos beneficiar da soja, pode ser mais interessante incorporar preparações tradicionais fermentadas, como o miso e o tamari.

O tofu ou «queijo» de soja

Da mesma forma que a partir do leite de vaca se obtém o queijo fresco, a partir da bebida de soja obtém-se o tofu, cuja textura lembra o requeijão. É rico em proteínas, baixo em gorduras, sem colesterol, branco, de sabor suave e praticamente sem cheiro. Em japonês, tofu significa «carne sem osso».

Preparação

Preparamos a bebida de soja como indicado anteriormente. Quando estiver pronta, fervemos durante cinco minutos e adicionamos nigari, que é o cloreto de magnésio obtido naturalmente da água do mar durante o processo de obtenção do sal marinho.

Formar-se-ão coágulos semelhantes a «nuvens», como no requeijão. Nesse momento, vertemos a mistura num coador coberto com uma gaze limpa. O coalho resultante pode ser prensado num molde para lhe dar forma (quadrada, retangular, etc.). Depois de arrefecer, adquire a consistência sólida característica do tofu.

Efeitos energéticos

Do ponto de vista energético, o tofu tem um efeito refrescante e dispersante. É conveniente ter isso em conta para moderar o seu consumo no inverno, ou quando nos sentimos fracos, sem energia ou decaídos.

Em determinados contextos macrobióticos, tem sido utilizado estrategicamente nos menus para suavizar tensões derivadas de dinâmicas muito estruturadas, aproveitando precisamente esse efeito relaxante e refrescante. O seu efeito refrescante é tão marcante que uma das suas aplicações tradicionais tem sido o uso tópico na forma de cataplasma para ajudar a baixar a febre.

O óleo de soja

Outro derivado não fermentado é o óleo de soja. Do ponto de vista alimentar, apresenta pouco interesse quando obtido através de processos industriais que utilizam solventes químicos e altas temperaturas. É um óleo muito insaturado e com um ponto de fumo baixo, o que limita a sua adequação para cozinhar em altas temperaturas.

CONCLUSÃO

Gostaria de partilhar informações rigorosas que nos permitam compreender melhor a soja e os seus diferentes derivados. Cada um ocupa um lugar diferente e deve ser integrado com critério numa alimentação consciente e equilibrada.

 

BIBLIOGRAFIA

·    https://www.elenacorrales.com/blogelenacorrales/category/alimentos/

 


Sunday, March 1, 2026

 


DIFERENÇA ENTRE CARNE E PEIXE

Drª Elena Corrales

Para os vegetarianos, a carne e o peixe são a mesma coisa: alimentos de origem animal.

Para os dietistas clássicos, ambos representam fontes de proteínas com ligeiras diferenças. Em termos nutricionais, o peixe é muito mais saudável do que a carne, pois deixa menos resíduos metabólicos e é uma fonte de ácidos gordos insaturados, ao contrário do excesso de purinas e gorduras saturadas da carne.

Embora ambos pertençam a grupos nutricionalmente equivalentes, do ponto de vista energético não o são.

Se nos aprofundarmos um pouco mais na energia dos alimentos, descobrimos que existe uma diferença fundamental. A carne que comemos, seja de aves ou de vaca, provém de animais de sangue quente, que energeticamente é yang. Enquanto que o peixe e o marisco são animais de sangue frio ou, por outras palavras, yin.

Assim, a carne é muito mais yang do que o peixe. Desde a antiguidade que a Igreja Católica tem consciência da diferença entre a carne e o peixe. Quando recomenda a abstinência de carne durante a Quaresma, é porque o efeito da carne é aquecedor e estimula o desejo sexual.

Esta é a origem de expressões como relações carnais, concupiscência da carne ou pecados da carne. A recomendação de comer peixe às sextas-feiras da Quaresma baseia-se no facto de o peixe, sendo um animal de sangue-frio, não ser tão estimulante e facilitar a abstinência. Assim, consoante a condição de saúde da pessoa, o peixe ou a carne serão mais adequados na sua dieta.


Monday, January 26, 2026

 

TRABALHAR DURO ...

PELA SAÚDE

Todos queremos o melhor. Merecemos o melhor e sabemos que o podemos ter.

Quando desejamos algo com suficiente força alcançamo-lo e se acreditarmos com todas as nossas forças interiores que podemos realizar o nosso sonho, realizá-lo-emos. A força da nossa mente é imensa. Deveríamos maravilhar-nos com os grandes recursos físicos e espirituais que possuímos pelo simples facto de existirmos. A força superior que nos concedeu a vida foi grandemente generosa ao dotar-nos de tão extraordinárias capacidades.

Quando tomamos consciência de todos os “presentes” que recebemos, sentimos uma profunda gratidão que até pareceria pouco sensato “pedir” mais. Porquê pedir, mendigar mais, se estamos dotados com capacidades de sobra, físicas, mentais e espirituais para alcançarmos tudo o que verdadeiramente desejamos? Sabe-se que a criatividade humana é infinita. Se podemos pensar, podemos criar, podemos imaginar. Que computador é capaz de produzir imagens com a velocidade e o sentido do belo que a nossa mente possui? Não deveríamos pedir, mas pôr a funcionar as nossas imensas potencialidades.

Muitas pessoas desejam curar-se das suas moléstias crónicas e recuperar a energia exuberante que tinham quando eram mais jovens. Outros desejam apaixonadamente sentir-se realmente bem, estar esplêndidos, formosos e felizes. Acaso existe maior vitória que a saúde na sua mais elevada dimensão? Uma grande saúde implica uma vontade fervorosa e um entusiasmo espontâneo que não vacila perante os contratempos decorrentes da vida. Porém este tipo de saúde não está à venda. Não é objecto comercial. É a divindade que palpita nas profundidades da alma. Nascemos com esse dom. Tal é a bondade do criador.

O dr. Chopra disse que a saúde é o estado normal da vida, sempre e quando não “interfiramos” com o seu fluxo. Estou totalmente de acordo com este grande médico. Entendo como interferência, toda aquela acção que debilita a torrente vital para nós. Muitos hábitos debilitam estupidamente este capital precioso.

Para obter a cura só devemos pôr em acção o nosso potencial interior.

O potencial aí está, só o devemos usar. As ferramentas estão prontas a ser utilizadas e criar assim maravilhas na nossa vida. Porém em vez de as utilizar, pedimos “ajuda” ... não queremos realizar o esforço de as pôr em acção. Podemos fazer exercícios físicos, melhorar a nossa maneira de nos alimentarmos, respirar com sabedoria ou visualizar criativamente. O poder das palavras é enorme. Devemos empregar a arte de selecionar as palavras que multiplicam a nossa determinação e poder interior.

Podemos empregar o nosso tremendo potencial, mas não o fazemos a fundo, porque requer esforço ... trabalho. Não queremos trabalhar duro. Concebemos às vezes o trabalho como um esforço para obter o nosso sustento. Há um trabalho profissional e outro trabalho vital. Trabalhar vitalmente não nos dá dinheiro ... directamente, mas é no meu entendimento o único caminho para a grande saúde. Se tentamos esforçar-nos seriamente para nos curar ou para melhorar a nossa saúde e não conseguimos, só há um caminho. É trabalhar mais duro, até o conseguir. Se um estudante dedica um semestre preparando um exame e a seguir chumba, que opções tem? Abandonar os estudos ou redobrar os esforços até que a solidez dos seus conhecimentos lhe permitam passar no exame?

O fracasso só se transforma em êxito com trabalho.  O Criador é justo. Deu-nos todas as ferramentas, mas deixa-nos a nós próprios poder fazer o trabalho de criar e realizar. Mas às vezes temos a ousadia de lhe pedir ajuda, para fazer o trabalho por nós ou queremos que outros o façam em troca de dinheiro. A ajuda é necessária, mas o esforço principal devemos ser nós a fazê-lo. Ponhamos em acção, concentremos o nosso poder interior e alcancemos quanto antes a grande saúde, a grande felicidade e realização da nossa vida.

Não esqueçamos que temos poder de sobra para o alcançar, graças a Deus !!!!!

               IN= "O Reghresso do Homem de Sal" - Dr. Martín Macedo, 2008, Uruguay.




Thursday, October 9, 2025

 

A TERCEIRA IDADE

É suposto ser a etapa mais curta, mas a mais perigosa.

ALIMENTAÇÃO: AS NECESSIDADES ESPECÍFICAS DOS IDOSOS

Os idosos têm necessidades nutricionais específicas.

Devem manter-se atentos para evitar carências.

QUAIS OS ALIMENTOS A PRIVILEGIAR E OS RISCOS ASSOCIADOS À IDADE?

O regime alimentar dos idosos deve ser simultaneamente variado e adaptado.

Certos alimentos são particularmente importantes.

AS NECESSIDADES ENERGÉTICAS

Contrariamente à crença popular, não se deve comer menos à medida que envelhecemos.

Embora a atividade física seja frequentemente reduzida nos idosos, um rendimento metabólico menos bom necessita de necessidades energéticas mais elevadas equivalentes às dos adultos.

Devido às alterações fisiológicas associadas à idade, mas também devido a alterações do estatuto social (rendimentos insuficientes, isolamento, dependência), o risco de desnutrição proteico-calórica aumenta nas pessoas idosas, nomeadamente nas pessoas hospitalizadas ou em instituições.

É importante despistar precocemente qualquer risco de desnutrição. Para o efeito, existem grelhas de avaliação nutricional rápidas utilizadas por médicos e nutricionistas.

AS NECESSIDADES EM PROTEÍNAS

São pelo menos equivalentes às dos adultos, ou mesmo superiores, uma vez que o metabolismo das proteínas nos idosos favorece a perda de massa muscular.

A sarcopénia é a perda progressiva e generalizada de massa, força e função muscular que ocorre durante o envelhecimento, devido a uma redução da massa magra.

Não é inevitável e é mesmo possível recuperar a massa muscular mesmo numa idade avançada, combinando a atividade física com uma ingestão adequada de proteínas.

AS NECESSIDADES EM CÁLCIO

São superiores às dos adultos, porque o metabolismo do cálcio é alterado pelo envelhecimento.

A osteoporose, definida pela associação de uma baixa massa óssea e uma deterioração da arquitetura óssea, tem como consequência uma fragilidade óssea acrescida que pode levar a fracturas.

AS NECESSIDADES EM MICRONUTRIENTES

Os idosos estão expostos a um risco elevado de carência de micronutrientes devido às alterações fisiológicas e a certas patologias associadas ao envelhecimento. É frequente verificarem-se carências de vitaminas do grupo B e de antioxidantes.

NECESSIDADES EM LÍPIDOS

No que diz respeito aos lípidos, sabemos que os níveis de colesterol já não estão correlacionados com o ateroma após os 65 ou 70 anos de idade. Isto significa que o consumo de gorduras pode ser mais flexível e adaptado ao gosto dos idosos.

RISCOS ESPECÍFICOS

Os idosos devem estar particularmente atentos a uma série de problemas relacionados com a alimentação. Devem prestar especial atenção:

* Ao risco de desidratação;

* Aos problemas de obstipação

* Ao aparecimento de diabetes não insulino-dependente;

* Às dietas restritivas em caso de excesso de peso, uma vez que podem ser fonte de monotonia alimentar e, consequentemente, de anorexia. Na doença de Alzheimer, observa-se com muita frequência uma perda de peso progressiva, que pode conduzir a um estado caquético. A perda de peso pode ser um dos primeiros sinais da doença e preceder a demência.

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Existem diferentes formas de velhice e de “pessoas idosas”.

Há aquelas que se deixam envelhecer e há aquelas que se mantêm activas e dinâmicas.

Estas últimas poderão dar-se ao luxo de se permitirem um pouco mais de desvios, porque “consomem” mais. Mas há uma constante em todas elas: a passagem do tempo deixa a sua marca, cujas principais características são:

·      A maior parte diminui de peso, as mais velhas tornam-se secas e as mais raras, que permanecem gordas, escolheram a sua própria forma de desaparecer. Terão problemas com o metabolismo, e como a circulação e os vasos sanguíneos já não estão no seu melhor, esta será certamente uma das razões do seu desaparecimento.

·      A renovação celular abranda e todos os tecidos sofrem. Os órgãos e os vasos sanguíneos perdem a sua flexibilidade e os grandes vasos, como a aorta, por exemplo, perdem progressivamente a sua elasticidade e ficam carregados de sais de cálcio e de colesterol. Poder-se-á dizer que o estado de velhice corresponde ao estado destes vasos.  Quanto mais lenta se torna a circulação, mais difícil é, e mais “velha” é a pessoa. E quase se poderia dizer que a hipertensão é um remédio para o envelhecimento, mantendo um fluxo sanguíneo suficiente e rápido. Mas, tranquilizo-vos desde já, continua a ser uma doença que não aconselho a ninguém, mas que infelizmente se encontra em muitos idosos.

·      As glândulas endócrinas também envelhecem e as secreções são menos abundantes, mas não inexistentes. A tiroide, a hipófise, os testículos, os ovários e as supra-renais começam a diminuir por volta dos cinquenta anos. Mas também aqui há grandes diferenças, porque a sexualidade, por exemplo, desaparece muito cedo nalgumas pessoas, enquanto noutras, e penso que na maioria, a sexualidade pode continuar até uma idade avançada.

·      Os gânglios linfáticos, o baço e a medula espinal diminuem a sua actividade e produzem cada vez menos glóbulos brancos.

·      Há também uma redução das reservas de cálcio no esqueleto, pelo que os ossos se tornam naturalmente mais frágeis. Isto explica a frequência das fracturas do colo do fémur e dos colapsos da coluna vertebral. Será, portanto, necessário garantir uma ingestão de cálcio assimilável para remediar esta constatação inevitável.

·      O aparelho digestivo também abranda a sua atividade e todas as secreções diminuem, pelo que o poder digestivo dminui.

·      E depois há os sinais visíveis: a pele torna-se seca e rugosa, os cabelos caem e ficam brancos. É o resultado de uma má circulação e de um funcionamento mais lento das glândulas endócrinas.

·      Tudo isto leva a reacções mais lentas do organismo. Por exemplo, deixamos de assistir a grandes reacções de eliminação, como acontece nos jovens com uma febre de 40º. Em vez disso, surgem doenças crónicas, longas e difíceis de curar, e todo o tipo de problemas menores devido ao abrandamento do metabolismo e da circulação.

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A ALIMENTAÇÃO:

·      Tem de ser ajustada em função do estado fisiológico do indivíduo. Aos 60 anos, não se come da mesma forma que aos 90. Regra geral, procurar-se-ão os alimentos que aceleram a circulação sanguínea, que não geram demasiados resíduos nos vasos sanguíneos (gorduras animais ricas em colesterol, gorduras cozinhadas) e evitar-se-ão OS alimentos que exijam muito esforço digestivo.

·      Os idosos devem evitar comer em excesso. Também se poderia dizer que toda a gente deve evitar comer em excesso, mas os idosos já não conseguem assimilar ou eliminar, pelo que comer em excesso se torna ainda mais prejudicial para eles. O mesmo se aplica às mudanças bruscas de alimentação. O seu organismo já não se adapta tão rapidamente e, se houver mudanças urgentes, estas terão de ser feitas lentamente para que o organismo tenha tempo de se adaptar.

·      Se uma pessoa idosa quiser limpar o seu organismo, deve optar pelas mono-dietas em vez de jejuar, porque as carências tornaram-se insuportáveis. E uma mono-dieta será mais suave, porque tudo deve ser feito com suavidade.

·      As farinhas têm tendência a favorecer a hemogliase, ou seja, a espessar o sangue e, por conseguinte, a reduzir a velocidade da circulação sanguínea. Exatamente o que não se quer numa pessoa idosa que já sofre de hemogliase. Em conclusão, portanto, e sobretudo para os sedentários, reduzir ao máximo o consumo de todos os farináceos, açúcares, leguminosas e gorduras animais. Ter cuidado com a carne e os ovos (ricos em colesterol). Adaptação difícil a todos os estimulantes (álcool, café, etc.).  Aumentar pelo contrário, o consumo de legumes crus. Comer o menos possível, mas de tudo.

·      Para além da alimentação, é absolutamente indispensável manter uma actividade física o mais tempo possível (desporto, jardinagem, horta, limpar a casa, passeios, caminhadas, etc.). Tal como é imperativo manter uma actividade cerebral. E simplesmente uma atividade porque pode ser útil em qualquer idade, criar e cultivar o otimismo.

ALIMENTOS ACONSELHADOS:

·      Batatas, farinha moía a 75%, todos os cereais e castanhas, mas já vimos que não é preciso muito destes alimentos.

·      A carne deve ser branca e grelhada, e não como refeição da noite. Ovos, mas não demasiados (2 por semana, cozidos ou crus). Um pouco de leguminosas, ervilhas, lentilhas,.

·      Um pouco de manteiga crua, azeite, óleo de amendoim, óleo de colza, óleo de noz, óleo de milho, óleo de sementes de abóbora, óleo de gérmen de trigo. Algumas azeitonas, avelãs, nozes, amêndoas.

·      Praticamente todos os legumes. Privilegiar: cenouras, alcachofras, espinafres, feijão verde, saladas verdes, salsa, alho, cebolas, tomates. Comer fruta da época e bem madura. Privilegiar as frutas não ácidas.

·      A água de nascente é a melhor bebida. Também se pode beber sumos de fruta. Não é necessário privar-se de um pouco de bebidas fermentadas, como a cerveja, o vinho e a sidra, sempre em quantidades muito pequenas.

ALIMENTOS DESACONSELHADOS:

·      As farinhas integrais devem ser evitadas, pois o poder digestivo é reduzido e o intestino seria afetado. Os flocos de aveia são muito quentes. Eliminar o açúcar branco.

·      Em caso de excesso de peso, eliminar: Pão - Massas - Pastelaria - Batatas.

·      Ovos cozidos/escalfados. Eliminar o mais possível a carne de porco (demasiado gorda), a banha, o fígado, os miolos, os pães doces, a caça, a lagosta, o caviar e todas as gorduras cozinhadas, animais e outras, e os caldos gordos em geral.

·      Comer feijões e ervilhas secos apenas raramente.

·      Evitar a azeda e o ruibarbo, que são ácidos e descalcificantes.

·      É importante saber que os legumes brancos são pobres em princípios mineralizantes, pelo que não os deve consumir muito. Por exemplo, nabos, beterrabas, salsifis, aipos, etc.

·      Não exagere na ingestão de fruta ácida, especialmente fruta não madura, como limões, laranjas, groselhas, ameixas e tomates.

·      Bebidas a excluir:  café, as chamadas bebidas tónicas, como a Coca-Cola, e todas as bebidas alcoólics destiladas e água da torneira.

·      O carrinho de compras ideal para o novo cidadão sénior, sem esquecer as señoritas:

Verde - orgânico - natural - regional - sem alimentos industriais - só de primeira escolha - Legumes biológicos frescos - sementes germinadas - fruta biológica sazonal e do país - Legumes biológicos congelados preparados de vez em quando para desenrrascar. - Água de nascente em garrafas de 8 litros (se as puder transportar) - Sumo de maçã - sumo de cenoura Biotta - chá komboutcha - chá de 3 anos (kukicha, bancha) - vinho biológico - cerveja biológica. - Leite de arroz em pacotes de 1 litro - margarina - queijo de cabra ou de ovelha - leite de soja - iogurte de ovelha ou de soja - tahini ou manteiga de sésamo - Miso. - Peixe 1 ou 2 vezes por semana - carne 1 vez por mês - tofu – tempeh - Arroz - quinoa - polenta - cuscuz - millet - trigo sarraceno – massas - Leguminosas - lentilhas - feijão - feijocas - grão-de-bico - ervilhas - feijão azuki - Óleos biológicos de primeira pressão: girassol - sésamo - colza - oliva – noz - Sal marinho integral - algas marinhas - vinagre de sidra - molho de soja (Tamari) - Pão integral biológico - castanhas embaladas em vácuo.

Proporção média de uma alimentação equilibrada:

·      Cereais: 30/40% - Legumes: 25% - algas marinhas: 5% - Fruta: 5% - Leguminosas: 10% - Carnes, peixe, queijo: 10/15%.

 

Bom... é preciso cozinhar correctamente: nada de natas, manteiga, molhos, álcool, em suma, é melhor tirar um curso de cozinha dietética se nunca cozinhou antes.

Tomei a liberdade de escrever estes artigos como testemunho, porque pratico esta arte de viver melhor, seguramente há mais de 40 anos. Tenho 84 anos e gozo de uma saúde maravilhosa, sem nenhuma doença de velhice, com uma mente alerta e curiosa, um olhar atento, ouvidos atentos, com todo o meu cabelo e ainda sem um único cabelo branco ou grisalho.

Viver mais tempo é muito bom, mas é preciso amar a vida.

Sejam loucos ou sábios, experimentem, a vida é uma grande aventura.

  OS DESEJOS NÃO SÃO SIMPLES CAPRICHOS, SÃO MENSAGENS BIOLÓGICAS Patrícia Restrepo https://patriciarestrepo.org/alimentacion/los-antoj...