PORQUÊ A MACROBIÓTICA
AS PROVAS EM
FAVOR DA MACROBIÓTICA
Gérard Wenker
https://macrobiotiquepourtous.blogspot.com/2006/05/pourquoi-la-macrobiotique.html
resumo
O texto
defende a macrobiótica como uma filosofia de vida e não apenas um regime
alimentar, argumentando que ela promove saúde, equilíbrio e longevidade. O
autor, praticante há 40 anos e agroquímico de formação, afirma nunca ter
sofrido carências nutricionais e considera infundadas as críticas dirigidas à
macrobiótica.
Os principais
pontos do texto são:
- A macrobiótica é
apresentada como uma das mais antigas tradições de saúde, com raízes na
Grécia antiga, no taoismo chinês e posteriormente desenvolvida por George
Ohsawa e Michio Kushi.
- O autor critica a enorme
contradição entre os diferentes regimes alimentares modernos e sustenta
que a macrobiótica oferece uma visão coerente baseada no equilíbrio entre
yin e yang.
- A alimentação macrobiótica
valoriza:
- cereais integrais,
- legumes,
- leguminosas,
- algas,
- pouca proteína animal,
- alimentos biológicos,
frescos e locais,
- mastigação lenta e
moderação alimentar.
- O texto rejeita alimentos
industrializados, açúcar refinado, estimulantes (café, álcool, cola),
excesso de carne e produtos lácteos.
- O autor defende que o
corpo humano foi biologicamente adaptado sobretudo ao consumo vegetal,
usando a estrutura dentária como argumento.
- A teoria yin-yang é
apresentada como a base explicativa da alimentação: alimentos crus, frutas
e açúcar seriam mais “yin” (expansão), enquanto sal, cozedura e carne
seriam mais “yang” (contração).
- O texto responde às
críticas de carências nutricionais (vitamina B12, vitamina C e cálcio),
afirmando que alimentos como algas, couves, cereais integrais e
fermentados fornecem esses nutrientes.
- Defende-se que a
macrobiótica só funciona correctamente quando seguida de forma completa e
equilibrada, sem excluir alimentos essenciais do sistema.
- O autor conclui que não
existe uma dieta universal perfeita, mas que a macrobiótica continua a
demonstrar eficácia prática ao longo de décadas, graças ao equilíbrio
alimentar e à compreensão das polaridades yin e yang.
As 7 regras
principais da macrobiótica destacadas no texto incluem:
1. compreender yin e yang;
2. consumir alimentos naturais e
biológicos;
3. respeitar os alimentos locais e
sazonais;
4. reduzir produtos animais;
5. seguir proporções específicas no
prato;
6. privilegiar alimentos cozinhados;
7. desenvolver compreensão própria em
vez de crença cega.
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texto
Estou farto de
ler e ouvir tantos disparates sobre a macrobiótica, vindos de pessoas
totalmente incompetentes na matéria. Pratico-a, tal como a minha família, há 40
anos. Tenho hoje 78 anos e nunca sofri da menor carência de vitaminas ou
oligoelementos.
Sendo
agroquímico de formação, posso afirmar que a composição dos menus macrobióticos
responde exatamente às reais necessidades nutricionais do ser humano. No seu
livro “Hipócrates Tinha Razão” (Trédaniel), o bioquímico Hubert Descamps
faz uma demonstração científica brilhante disso mesmo. Retomando ponto por
ponto as críticas relativas às supostas carências em proteínas, vitaminas e
oligoelementos da dieta macrobiótica, ele não deixa qualquer dúvida quanto à
validade das teses defendidas pela alimentação macrobiótica, confirmando em
cada caso, através de uma análise bioquímica precisa, a exatidão das
recomendações propostas pela doutrina macrobiótica.
É
incontestável que o regime macrobiótico, integrado numa certa arte de viver,
representa uma forma de excelência no que respeita à alimentação, saúde e
longevidade. Mas como encontrar o caminho no meio da proliferação atual de
regimes alimentares e porquê confiar neste… em vez de noutro? Os seus
promotores — inventores, doutores, oportunistas — apresentam todos as melhores
razões do mundo para o convencer de que o deles é, sem dúvida, o melhor do
mercado lucrativo das dietas.
Se escrevermos “regimes
alimentares” no Google, obtemos mais de 2 milhões de páginas em poucos
segundos, entre as quais:
Atkins – Adamo – Crononutrição – Dissociado – Dukan – Hollywood – Hiperproteico
– Hipercalórico – Instintoterapia – Jejum – Kousmine – Low-carb – Mayo –
Mediterrânico – Montignac – Emagrecimento – Seignalet – Sopa – SlimFast –
Vegetariano – Vegan – Weight Watchers, etc.
Coloca-se
então legitimamente a questão: porquê um regime em vez de outro, e porquê a
macrobiótica?
Antes de mais,
gostaria de insistir no facto de que a macrobiótica não é propriamente um
regime, mas sim uma arte de viver ou, mais exatamente, uma filosofia, da qual
uma das aplicações é de ordem alimentar.
O que é
desanimador nas teorias alimentares é que são todas absolutamente
contraditórias.
Uns afirmam
que devemos comer cru porque o nosso organismo foi concebido para isso… Outros
dizem que os alimentos crus acidificam o organismo e que devemos comer
cozinhado ligeiramente, ou mesmo bastante cozinhado, como na macrobiótica.
Alguns defendem o consumo de fruta entre as refeições; outros aconselham
começar a refeição pela fruta; outros ainda recomendam não comer fruta de todo,
como a macrobiótica. Há quem afirme que não se pode sobreviver sem carne pelo
menos três vezes por semana, enquanto os adeptos do vegetarianismo consideram
que eliminar todos os produtos animais é a melhor solução.
Uns
privilegiam os cereais, outros os legumes. Há quem adore especiarias e quem as
deteste.
A medicina
chinesa classifica os alimentos em quentes, frios, secos, húmidos ou picantes.
A macrobiótica classifica-os em yin e yang. Os adeptos dos lacticínios exaltam
a sua riqueza em cálcio; os seus opositores respondem que, embora contenham
cálcio, este não é assimilável pelo organismo adulto e que certos vegetais,
como as amêndoas, contêm ainda mais.
Para alguns, o
trigo deve continuar a ser a base da nossa alimentação; para outros, foi tão
modificado que deixou de ser digerível, devendo-se regressar a variedades
antigas, como a espelta.
Há quem diga
que devemos comer apenas cereais integrais, por serem os únicos capazes de
fornecer vitaminas e nutrientes suficientes; outros respondem que, demasiado
integrais, tornam-se pouco digestivos.
Uns dizem que
devemos comer o mais variado possível para garantir uma alimentação
equilibrada; outros defendem precisamente o contrário: comer sempre mais ou
menos as mesmas coisas, desde que se tenha escolhido corretamente o quê.
Os indianos comem arroz, lentilhas
e legumes todos os dias… e parecem estar bastante bem.
De tudo isto,
sobressaem ainda assim algumas constantes:
1.º Toda a gente concorda que não
devemos comer em excesso. Idealmente, deveríamos levantar-nos da mesa ainda com
um ligeiro apetite.
2.º Todos concordam também que devemos
consumir alimentos saudáveis — e saudável significa biológico. O mínimo, quando
se come, é não nos envenenarmos.
Saudável
significa igualmente evitar pratos preparados industrialmente, que por vezes
contêm mais aditivos do que ingredientes principais.
Saudável
significa fresco: evitar congelados, conservas e produtos irradiados.
3.º Limitar os açúcares rápidos e
eliminar, se possível, os açúcares refinados.
4.º Eliminar totalmente os excitantes:
café, cola, chá, álcool.
5.º Consumir frutas e legumes da
estação… mas de estações correspondentes à região climática onde vivemos.
6.º Ter muito cuidado com a qualidade
dos óleos. Sendo alimentos de base, devem obrigatoriamente ser de primeira
prensagem a frio. Se só puder comprar um alimento biológico, que seja esse.
7.º Comer calmamente, e não “a correr”,
de pé, a atravessar a casa para sair logo a seguir… e mastigar bem. A digestão
começa na boca; a saliva é o primeiro suco digestivo. Além disso, mastigar
corretamente cada garfada leva tempo (cerca de trinta mastigações por bocado),
e parece que o cérebro só sente saciedade ao fim de cerca de vinte minutos.
Assim, se mastigarmos bem, acabaremos por comer muito menos.
8.º Também parece evidente que a
alimentação, como afirmavam os chineses e já dizia Hipócrates — “Que o teu
alimento seja o teu medicamento” — é uma das chaves da saúde. Claro que existem
outros fatores, como o stress ou a poluição.
Como podemos
pensar manter-nos saudáveis se só introduzimos venenos no organismo? A
alimentação é o combustível do corpo. No entanto, é isso que a maioria de nós
faz.
“Já mereci
este cafezinho” ou “esta pastelaria”… Mas não temos tempo para cozinhar bem nem
dinheiro para comer tudo biológico. A verdade é que já não temos meios para
comer outra coisa que não biológica. Não podemos permitir-nos continuar assim,
nem pela nossa saúde nem pelo respeito pelo planeta.
9.º Existe também quase unanimidade
quanto à necessidade de reduzir o consumo de carne e subprodutos animais, por
respeito às populações que passam fome, aos animais, ao planeta e à nossa
própria saúde.
10.º Por fim, é evidente que não existe
uma dieta perfeita para toda a gente. Se existisse, já se saberia.
Cada pessoa
deve experimentar e descobrir o que lhe faz bem. Ninguém pode decidir isso no
lugar de outro.
Ouvir
conselhos é útil, mas ainda é preciso formar a própria opinião. Para isso,
devemos aprender a ouvir o nosso corpo — algo que já quase não sabemos fazer.
Examinemos agora os princípios básicos da macrobiótica
Antes de mais,
as raízes da macrobiótica mergulham as suas origens na civilização grega, no
Ocidente, e no taoismo chinês, no Extremo Oriente. Isto faz dela, sem
contestação possível, a mais antiga técnica de saúde e anti-envelhecimento
através da alimentação (cerca de 2500 anos). Ao longo dos milénios, a
macrobiótica foi-se enriquecendo com a experiência dos alquimistas, médicos e
do bom senso popular.
Durante o
Renascimento, apesar da oposição violenta da Igreja, a macrobiótica tornou-se
um dos pilares da medicina, atingindo o auge no século XVIII com o famoso
médico alemão Christoph Wilhelm Hufeland.
Totalmente
reformulada pelo japonês George Ohsawa na década de 1950, integrando-lhe toda a
ciência do Extremo Oriente, ganhou então notoriedade através de curas
espetaculares. Michio Kushi, nos Estados Unidos, deu-lhe legitimidade
internacional através de uma abordagem mais pragmática e numerosos seminários.
Os 10 pontos consensuais da maioria dos regimes, que descrevemos
acima, correspondem ponto por ponto às recomendações habitualmente aconselhadas
na macrobiótica.
O prato
macrobiótico recomendado para iniciantes, compõe-se de alimentos e grupos
alimentares seguintes:
- Cereais integrais: 40%
- Leguminosas:
10%
- Legumes:
25%
- Algas: 5%
- Proteínas:
10%
- Sopas: 10%
Estas
proporções não são fruto do acaso: são o exacto reflexo da evolução biológica
do ser humano ao longo de milhares de anos.
A estrutura dos dentes reflecte a ordem do universo. Temos
32 dentes que correspondem às 32 vértebras da coluna vertebral. O que faz um
total de 64, que é o número dos hexagramas do I-King que é o livro tradicional
de cosmologia prática. Os nossos dentes, aqueles que nascem depois dos dentes
de leite, reflectem a história biológica do ser humano e os tipos de alimentos
mais adequados para consumir.
Em 32 dentes,
temos:
- 20 molares que servem para
triturar os cereais;
- 8
incisivos mais apropriados para cortar os legumes;
- 4 caninos
que servem para comer carne.
Assim, 28 dos
nossos dentes, os molares e os incisivos são especializados para o consumo dos vegetais.
Ao passo que os caninos servem para os
produtos animais. Sendo relação de 7 para 1. É por esta razão que a nossa
alimentação deveria ser composta por cinco partes de cereais integrais em grão,
de duas partes de legumes e de uma parte de produtos de origem animal.
A história
biológica do ser humano é o resultado de uma alimentação essencialmente baseada
em cereais, à qual eram acrescentados legumes como complemento. Como se pode
ver pela estrutura dos nossos dentes, os alimentos de origem animal representam
apenas uma pequena parte da alimentação. Na verdade, foram utilizados sobretudo
durante períodos extremamente frios e épocas glaciares, por exemplo.
Mas então…
perguntar-me-ão vocês: porque não comer os alimentos crus?
A confecção
dos alimentos é precisamente aquilo que diferencia o homem do macaco ou da
vaca. Para que um macaco, de quem descendemos, se tornasse “Homo sapiens”,
foram necessários dois acontecimentos simultâneos: 1.º a confeção dos
alimentos; 2.º a salga;
e o tempo.
Para
compreender isto, é necessário recorrer à dialética taoísta, também chamada
“yin-yangologia” na macrobiótica.
A totalidade
dos fenómenos universais, todas as ações e todas as matérias estão submetidas a
duas forças polares opostas e complementares (polaridade), designadas
simbolicamente por yin e yang. Como sabe, na macrobiótica, todos os alimentos
podem ser classificados em duas categorias: yin e yang.
O yang
representa a força de contração/retracção.
O yin
representa a força de expansão/dilatação.
Quando
consumimos alimentos do tipo yin, ficamos sujeitos à ação da força de expansão
e dilatação (yinização).
Quando
consumimos alimentos do tipo yang, acontece o inverso: é a força de contração
que produz os seus efeitos (yangização).
São yin: o
frio, os vegetais, os alimentos crus, as frutas, os legumes, a água, as
gorduras, o açúcar, o álcool, etc.
São yang: o
calor, a confeção/cozedura, o sal, a carne, a pressão, as sementes, etc.
Compreendeu
agora um dos grandes segredos do Universo, a chave do conhecimento.
A cozedura, o
assado, o grelhado e o sal permitem modificar a polaridade original dos
alimentos e tornar yang produtos que eram inicialmente yin.
Os grandes
símios (gorilas) vivem num ambiente muito yin: a floresta húmida, ao abrigo do
sol abrasador. Alimentam-se de grandes quantidades de vegetais crus — folhas,
rebentos jovens e frutos. A sua constituição é, portanto, yin: cabeça grande,
ventre enorme, digestão lenta, pouca atividade e longos períodos de repouso.
O homem é,
portanto, um grande símio que se adaptou ao seu meio. Depois de sair da
floresta (certamente por necessidade) para se aventurar na planície africana,
teve de mudar completamente a sua alimentação para sobreviver: passou a comer
sementes, vegetais secos e até, por vezes, carne crua ou grelhada durante os
grandes incêndios da savana. Ao longo dos milénios, este grande símio foi-se
yangizando (tornando-se mais yang) e transformou-se no nosso antepassado comum,
o Homo erectus: mais pequeno, mais magro, mais rápido, mais ativo e com
um cérebro mais compacto.
Se quiser
seguir o caminho inverso da evolução, coma alimentos crus, coma fruta, coma
rebentos e voltará a tornar-se um macaco. Bem, está certo, serão necessários
alguns milhares de anos, mas a Natureza tem todo o tempo do mundo. Sem esquecer
que yin — expansão — é a vida, e yang — contração — é a morte.
A obesidade também está associada
aos fenómenos de yinização (tornar-se mais yin): comer em excesso, excesso de
líquidos, excesso de gordura, excesso de açúcar, etc., e pouca atividade
física. Agora já sabe o que lhe resta fazer para evitar este processo mórbido.
Navegue entre o yin e o yang,
encontre o justo equilíbrio mais adequado à sua constituição e à sua condição:
essa é a chave da saúde duradoura.
Mas não é
obrigado a acreditar em mim; a verdadeira prova é a experimentação. Foi por
isso que G. Ohsawa chamou ao seu livro mais célebre “O Zen Macrobiótico”,
porque o zen concentra-se exclusivamente na experiência e não se preocupa com
interpretações.
Os detratores,
paradoxalmente, muitas vezes membros da classe médica, fazem várias críticas ao
regime macrobiótico:
·
Uma carência
em vitamina B12, em vitamina C e em cálcio:
o
A afirmação segundo
a qual a carne é a única fonte de vitamina B12 é falsa.
o
A necessidade
diária do ser humano é de 1 micrograma (um milionésimo de grama).
o
O fígado de
vaca, é verdade, sendo o alimento mais rico em B12, contém entre 10 e 20 mg por
100 g.
o
As algas nori
contêm entre 13 e 29 microgramas por 100 g.
o
Também contêm
B12 o gérmen de trigo, a farinha integral fresca, todos os produtos
lactofermentados, chucrute, miso, tamari, natto, etc., bem como os ovos, o
salmão e as algas hijiki. É até aceite pela bioquímica que o ser humano é capaz
de sintetizar vitamina B12 ao nível dos intestinos (bactérias lácticas
vegetais).
No meio
médico, deu-se a entender que uma carência de B12 nos vegetarianos e
macrobióticos provocaria, a longo prazo, um défice cognitivo (intelectual). É
possível, mas então expliquem-me porque é que os hindus vegetarianos fornecem
alguns dos melhores informáticos do mundo.
Vitamina C — necessidade diária: 30 mg. A
laranja, tão apreciada pelos desportistas e vegetarianos, contém 49 mg/100 g. A
maçã contém 5 mg/100 g. Os brócolos e a couve-galega contêm 118 mg/100 g.
As algas contêm entre 15 e 20 mg/100 g. A avelã contém 7,5 mg/100 g.
Quanto ao
cálcio (Ca), a necessidade
de manutenção é de 1 a 1,5 g por dia. Encontra-se muito cálcio nas folhas de
couve (100 mg/100 g), nos brócolos (150 mg/100 g), bem como em todos os legumes
verdes. As algas contêm 1.400 mg por 100 g. Os cereais contêm cerca de 50
mg/100 g.
Como pode ver,
as acusações dietéticas feitas contra a macrobiótica não resistem a uma análise
objetiva.
Apenas uma pequena observação sobre certas carências que podem surgir após
alguns anos de uma macrobiótica mal compreendida, em pessoas que praticam uma
alimentação seletiva — “não gosto de algas”, “não gosto de couves”, “não gosto
de pickles”, etc. Como pode verificar acima, estes alimentos são essenciais
para o equilíbrio nutricional da dieta macrobiótica. A alimentação macrobiótica
é perfeita do ponto de vista dietético, desde que não se rejeite nem se
acrescente nada, mas sim se adapte.
Resumindo:
A macrobiótica
é, de longe, o sistema de saúde mais antigo que existe, tendo-se desenvolvido
de forma ininterrupta desde Platão até aos nossos dias.
Resulta de uma
longa tradição e do bom senso popular.
Os seus
princípios assentam em leis universais ancestrais.
É o reflexo da
evolução biológica do ser humano.
Nunca foi
influenciada pelos poderes nem pela economia, uma vez que é gratuita.
Adapta-se a
cada pessoa e a cada caso, consoante a sua constituição e condição.
Recentemente,
mais precisamente desde os anos 1950, foram-lhe integrados princípios oriundos
da filosofia do Extremo Oriente, como a classificação energética dos alimentos
segundo as suas polaridades yin e yang.
A derradeira
prova da macrobiótica é que nenhum dos regimes acima mencionados demonstrou
verdadeiramente a sua eficácia a longo prazo, enquanto milhares de pessoas em
todo o mundo praticam a macrobiótica de Ohsawa, de forma ininterrupta, há mais
de 50 anos.
Citemos as 7
principais regras da macrobiótica.
- Aprender a reconhecer o
jogo permanente das duas forças antagonistas e complementares, yin e yang.
Utilizá-las como guia para compreender o funcionamento da vida na
natureza, no nosso corpo, nos nossos comportamentos e em todos os
fenómenos que nos rodeiam.
- Com o objetivo de
respeitar as polaridades harmoniosas da natureza, aconselha-se a não
utilizar produtos alimentares que contenham aditivos químicos e a dar
prioridade a alimentos provenientes de agricultura biológica, artesanal e
regional, que tenham sofrido o mínimo de transformação possível.
- Consumir frutas e legumes
provenientes da mesma zona climática onde se vive, respeitando o ciclo
biológico natural de crescimento correspondente a cada vegetal. Introduzir
regularmente na alimentação legumes silvestres/selvagens locais.
- O consumo de produtos de
origem animal deve ser restringido tanto quanto possível e obedecer aos
três critérios seguintes:
- Comer espécies que não
fogem.
- Comer as espécies
biologicamente mais afastadas de nós.
- Não consumir subprodutos
animais provenientes de roubo ou de exploração abusiva.
Elimine
totalmente os produtos lácteos: estes produtos não foram concebidos para o
consumo humano e, além disso, apresentam níveis elevados de herbicidas,
antibióticos e hormonas de crescimento. No plano psíquico, os produtos lácteos
mantêm-nos num estado infantil. (O leite é para o vitelo e o mel permite às
abelhas alimentarem-se durante o inverno.)
- Composição do prato
macrobiótico padrão de base num clima temperado:
o
Sopa: 10 %
o
Cereais: 40 %
o
Leguminosas:
10 %
o
Legumes: 25 %
o
Algas: 5 %
o
Proteínas: 10
%
- 95 % da ração alimentar
diária deve ser cozinhada — 80 % na estação quente. (Adicionar
regularmente salsa aos cereais.)
- “Non credo” — não
acreditar, mas compreender, para chegar a uma convicção através da própria
reflexão. Crença, fé e superstição são, na realidade, sinónimos de
ignorância.
“Vivere parvo”
— saber contentar-se com o essencial, sem desperdiçar os dons da vida. Ser
grato por tudo o que se recebeu.
************************
Muitas vezes,
em fóruns ou em encontros entre professores de macrobiótica, é apresentada a
proposta de tornar a macrobiótica mais simples e mais acessível a todos —
eliminando precisamente aquilo que constitui a sua força, a sua notoriedade e o
que a distingue de todas as outras terapêuticas: refiro-me à classificação
yin-yológica dos fenómenos universais, a ciência do yin e do yang.
Se não
introduzir a compreensão yin-yológica (yin/yang) na alimentação, o regime
macrobiótico não passa de mais uma dieta entre dezenas de outras. Antes de mais
nada, antes de procurar curar-se de uma doença grave, antes de compor o seu
primeiro menu, antes de cozinhar o seu primeiro prato macrobiótico, antes de
preparar gomásio, estude e compreenda a yin-yologia, a ciência do yin e do
yang. Só então perceberá a superioridade da doutrina macrobiótica em relação a
todas as outras, e tornar-se-á o seu próprio médico, liberto de todas as
dependências ligadas à medicina sintomática.

