Sunday, May 24, 2026

 MACROBIÓTICA!! SOCORRO ...

Esclarecimento

Gérard Wenker

https://macrobiotiquepourtous.blogspot.com/2007/09/macrobiotique-au-secours.html

resumo

O texto defende que a macrobiótica é frequentemente vista de forma errada como uma “cura milagrosa” para doenças graves e incuráveis. Muitas pessoas recorrem a ela apenas em situações desesperadas, esperando encontrar uma solução que a medicina convencional não conseguiu oferecer.

O autor critica essa visão e considera irresponsável prometer curas através de simples dietas ou consultas isoladas. Explica que a macrobiótica não é uma medicina nem uma terapia milagrosa, mas sim uma filosofia e arte de viver completa, baseada numa transformação profunda da alimentação, dos hábitos, da forma de pensar e do modo de vida.

Segundo ele, embora a macrobiótica possa ajudar na prevenção de doenças e até favorecer processos de recuperação em certos casos, isso exige:

  • compromisso sério e prolongado;
  • acompanhamento adequado;
  • apoio de centros especializados;
  • aprendizagem prática contínua.

O autor denuncia também práticas pouco éticas de alguns consultores que alimentam falsas esperanças sem oferecer apoio real aos doentes.

A mensagem central é que:

  • a macrobiótica não deve ser reduzida a um método de cura;
  • deve ser entendida como um caminho de vida baseado em equilíbrio, responsabilidade pessoal, saúde, liberdade e prevenção;
  • qualquer processo de cura depende sobretudo da compreensão e correção das causas profundas da doença.

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texto

“ - Deverias experimentar a macrobiótica...!”

é o que se diz a uma pessoa em fase terminal, abandonada pela medicina oficial e que ainda se agarra à vida com a energia do desespero.

 - “Coitada” ou “coitado”, conforme o caso, “talvez devesses procurar a macrobiótica; ouvi dizer que faz milagres...!”

é o que se diz a uma amiga ou a um amigo que sofre há anos de uma doença crónica e que já não aguenta mais.

A macrobiótica como última esperança. A panaceia universal capaz de curar tudo, o tratamento milagroso.

Quantos destes pacientes dispostos a tudo recebemos nós, até mesmo a aplicar princípios macrobióticos muito restritivos como último recurso...!!

E agora, numa altura em que este “método” está bem referenciado nos motores de busca da internet, bastando escrever a palavra “macrobiótica” no Google para descobrir o nosso site “lamacrobiotique”, não passa um único dia sem recebermos emails com pedidos de ajuda vindos do mundo inteiro. Apelos de socorro, por vezes dramáticos, pequenas mensagens ingénuas ou perguntas completamente fora de contexto, como estes exemplos:

1 -Podem dar-me receitas para a diabetes tipo 1?

A medicina tradicional fala em poliartrite. Têm conselhos ou ajuda macrobiótica para me dar?

2 -A minha mulher tem um tumor cerebral que está a tratar medicamente. Seria possível recomendarem-me um centro macrobiótico para a tratar?

3 -Tenho 23 anos, sofro alternadamente de anorexia e bulimia há 8 anos, estou desesperada e aconselharam-me a seguir um regime macrobiótico.

4 -Como curar o cancro da mama? Já me retiraram uma mama há 5 anos. É urgente, digam-me o que devo fazer.

5 -A macrobiótica é eficaz para a hepatite B?

6 -É possível eliminar manchas brancas na pele com a macrobiótica?

7 -Tenho 22 anos, peso 80 kg e quero seguir um regime alimentar.

8 -Gostaria de saber quais são os efeitos nocivos do protetor solar total no rosto.

9 -Tomo um medicamento XYZ há vários anos; será perigoso para a saúde? Devo deixá-lo?

Embora a macrobiótica não seja uma medicina nem uma terapêutica generalista, muitas pessoas pensam que sim e só se interessam por este ensinamento quando são atingidas por uma doença crónica incurável, esperando encontrar na macrobiótica a misteriosa fonte da juventude capaz de curar todas as doenças e prolongar a vida.

Será que a leitura de um livro ou de uma prescrição dietética, acompanhada de algumas restrições alimentares, pode realmente vencer onde todas as medicinas — suaves, agressivas, científicas, oficiais ou alternativas — falharam?!!! Pois bem, não, não e não. Vou desiludir mais do que uma pessoa, mas não funciona assim.

Evitar a maioria das doenças praticando a arte de viver macrobiótica, sim, de acordo, isso não é uma utopia. Mas curar uma doença que por vezes se desenvolve há muitos anos, depois de o paciente ter seguido múltiplos tratamentos e ingerido todo o tipo de medicamentos, é algo completamente diferente. Não digo que seja impossível, mas exige um compromisso que vai muito além de um simples regime alimentar e da toma de alguns específicos macrobióticos.

Considero totalmente abusiva a imagem transmitida pela macrobiótica actual e, em certos casos, é até desonesto dar consultas e alimentar falsas esperanças. É por isso que aproveito a notoriedade do nosso site para publicar este esclarecimento.

Há 40 anos que sigo a via macrobiótica, depois de ter visto várias pessoas próximas de mim — incluindo a minha própria mulher morrer de cancro aos 36 anos, no dia 25 de Dezembro de 1968, após uma agonia de 40 dias.

Estudei os princípios que regem a macrobiótica durante 10 anos antes de dar a minha primeira verdadeira consulta, para vos dizer que conheço bem a questão. Essa experiência levou-me a estabelecer certas regras éticas que considero indispensáveis para a credibilidade da macrobiótica enquanto método de cuidados e preservação da saúde.

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Dar uma consulta macrobiótica acompanhada de orientações alimentares e, por vezes, de cuidados externos, convencer uma pessoa doente a submeter-se a regras de vida rigorosas, muitas vezes contra a opinião dos que a rodeiam, para depois a deixar regressar ao seu ambiente habitual, entregue a si própria, sem ajuda nem acompanhamento eficaz, é totalmente irresponsável. E, se além disso, se cobra dinheiro, trata-se de um abuso de confiança.

Pela minha parte, nunca consegui fazê-lo. É por isso que, antes de receber pessoas em consulta, procurei sempre criar previamente uma infraestrutura de acolhimento, reunida no que se convencionou chamar “um centro macrobiótico”.

Um centro macrobiótico inclui, no mínimo:

– uma loja de distribuição de produtos alimentares de qualidade e de específicos macrobióticos;

– um espaço equipado para dar aulas de cozinha;

– um gabinete de consultas;

e, sempre que possível, um dojo e um restaurante.

Além, naturalmente, das pessoas competentes indispensáveis ao bom funcionamento de um complexo deste tipo.Muitos países no mundo possuem pelo menos um centro destes. Em Itália existem mais de 100 “Punto Macrobiotico” organizados segundo este modelo. Na Suíça existem 2 e em França 3.

Após uma primeira consulta macrobiótica, os pacientes ficam frequentemente desorientados: todas as suas certezas acabam de ser postas em causa, bem como os seus hábitos alimentares, o seu modo de vida e até a sua forma de pensar. Esta revolução é difícil, ou mesmo impossível, de assumir sozinho, sobretudo se a pessoa estiver debilitada pela doença. Como preparar as refeições? Onde encontrar receitas? Como adquirir os específicos de nomes desconhecidos recomendados na consulta? Onde comprar os alimentos mais comuns? Em que comunidade encontrar ajuda, conselhos e encorajamento?

Para os principiantes, o caminho macrobiótico apresenta dificuldades quase intransponíveis quando se está isolado e longe de uma fonte de informação prática, daí a necessidade dos centros macrobióticos. Num centro deve encontrar-se absolutamente tudo o que é necessário para acompanhar os primeiros passos do novo adepto e, antes de mais, aulas de cozinha, específicos, bibliografia especializada e conselhos de pessoas mais experientes.

Só nesta condição — a existência de um centro macrobiótico próximo — é que as consultas podem ser úteis e eficazes para os pacientes.

Como podem perceber, a arte de viver macrobiótica exige uma aprendizagem individual longa e exigente. Reapropriar-se da própria vida e, por vezes, da própria morte, numa sociedade que decide tudo por nós, não é tarefa fácil. Libertar-se da segurança e do conforto oferecidos pelos seguros e pela medicina oficial, se ainda não se está doente, é heroísmo; se já se está gravemente doente, é desespero.

É dever dos professores e conselheiros macrobióticos fazer tudo o que estiver ao seu alcance para facilitar este percurso e não se limitarem a estabelecer um diagnóstico, dar conselhos e uma prescrição dietética sem fornecer ao paciente os meios práticos para os aplicar.

Quando estas condições não estão reunidas, aconselho vivamente as pessoas gravemente doentes a não colocarem todas as suas esperanças de cura no método macrobiótico, e ao praticante que se abstenha de as encorajar nesse sentido.

A macrobiótica é, antes de mais, uma Arte de Viver completa, dirigida prioritariamente a todos aqueles que sentem um desejo incomensurável de liberdade e que, tal como os escravos dos séculos passados, estão dispostos a pagar o preço para a reconquistar.

Se, em certas condições, a prática macrobiótica apresenta efetivamente um grande poder de cura, isso exige antes de mais compreender e aceitar corrigir a causa dessas doenças. Só a partir daí poderá iniciar-se um processo de cura.

A internet é um meio fabuloso de divulgação para o movimento macrobiótico, que sempre sofreu, de forma endémica, da sua dispersão planetária e da falta de comunicação daí resultante. Saibamos aproveitar esta oportunidade para recomeçar sobre bases mais realistas. Em certos países de África e do Médio Oriente, a macrobiótica poderia ser uma verdadeira tábua de salvação para os povos, tanto ao nível da economia doméstica como nos domínios da nutrição e da prevenção das doenças.

Por isso, não limitemos esta maravilhosa herança de sabedoria a um simples método de cuidados, fonte de polémica e totalmente redutora do seu verdadeiro valor.

A macrobiótica deveria ser reconhecida pelo que realmente é: uma arte de viver completa, sobre a qual seria possível construir uma nova ordem mundial respeitadora da vida em todas as suas formas, num ambiente de paz e de saúde equitativa para todos.



 

“A MACRBIÓTICA PARA TODOS”

Gérard Wenker

(http://macrobiotiquepourtous.blogspot.com/2009/05/la-pratique-spirituelle-macrobiotique.html)

A PRÁTICA ESPIRITUAL MACROBIÓTICA

resumo

O texto de Gérard Wenker defende que a macrobiótica, entendida apenas como dieta alimentar, não é suficiente para garantir saúde nem evitar doenças degenerativas. O autor parte da constatação de que muitos praticantes antigos da macrobiótica desenvolveram cancro, osteoporose e outras doenças graves, apesar de seguirem os princípios alimentares macrobióticos durante décadas. Para ele, isso revela que a alimentação, embora importante, não basta para curar profundamente o ser humano.

Segundo Wenker, a prática macrobiótica moderna falhou porque ficou contaminada por uma visão materialista da existência. Ele critica a ideia dominante de que o ser humano é apenas um corpo físico determinado por genes, química e matéria. Considera que tanto a sociedade contemporânea como parte do movimento macrobiótico passaram a acreditar excessivamente em explicações materiais da vida (“somos o que comemos”, genética, biotecnologia, etc.), esquecendo a dimensão espiritual do ser humano.

O autor afirma que a verdadeira origem da macrobiótica é espiritual e remonta a antigas tradições orientais. Recorre ao Bhagavad-Gita, ao I-Ching e a pensadores chineses para sustentar a ideia de que o ser humano é essencialmente espiritual e que o corpo físico é apenas um “invólucro” moldado pela alimentação. Assim, a comida não seria a base última da vida humana, mas apenas um instrumento para permitir ao indivíduo cumprir o seu destino espiritual.

A partir desta visão, Wenker argumenta que mudar apenas a alimentação sem transformar emoções, pensamentos, atitudes e visão do mundo é inútil ou até prejudicial. Usa a metáfora bíblica do “vinho novo em barris velhos”: adotar uma dieta saudável mantendo mentalidades materialistas, emoções negativas e antigos hábitos psicológicos levaria inevitavelmente à doença. Para ele, a cura exige uma transformação integral da pessoa — espiritual, emocional, mental e ética.

O texto também contém uma crítica forte à sociedade capitalista e consumista, vista como promotora de excesso material, decadência moral e afastamento espiritual. Wenker entende que o movimento macrobiótico perdeu força porque muitos praticantes não fizeram uma verdadeira autorreflexão nem abandonaram os valores materialistas da sociedade moderna.

Na parte final, o autor reafirma a importância prática da macrobiótica: cozinhar segundo os princípios yin-yang, preparar os próprios alimentos, praticar autodiagnóstico e cultivar gratidão. Contudo, insiste que isso só terá verdadeiro efeito terapêutico se acompanhado de uma mudança profunda de consciência e de uma libertação das “ilusões do materialismo”.

Em síntese, o artigo apresenta a doença como consequência não apenas da alimentação, mas sobretudo de uma desconexão espiritual e cultural. A macrobiótica é defendida menos como simples regime alimentar e mais como caminho espiritual de transformação global do ser humano.

Convém notar que várias afirmações do texto — especialmente sobre Atlântida, corpos astrais, origem espiritual das doenças ou possibilidade de cura universal através de transformação espiritual — pertencem ao campo filosófico e esotérico, não tendo validação científica estabelecida.

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texto

Nos últimos anos, vários membros bem conhecidos da comunidade macrobiótica morreram de cancro ou de doenças degenerativas. Actualmente muitos macrobióticos sofrem de doenças como a osteoporose e o cancro, mesmo depois de muitos anos de prática.

Estou certo de que muitos membros da comunidade macrobiótica e da medicina alternativa ficaram chocados e desagradavelmente surpreendidos ao saberem disto. No que me diz respeito, devo dizer que não me surpreenderam verdadeiramente. Durante as consultas de saúde macrobiótica, tive ocasião de constatar que por vezes alguns praticantes tinham contraído certas doenças, tais como o cancro, a poliartrite, a prostatite e mesmo doenças cardiovasculares, após mais de vinte anos de aplicação dos princípios da alimentação macrobiótica.

Tive inúmeras discussões com a comunidade macrobiótica para tentar compreender quais eram as razões pelas quais homens e mulheres que praticam o modo de vida macrobiótico, tal como é ensinado atualmente, sofrem de problemas de degenerescência.

Tenho igualmente reflectido sobre estas questões desde meados dos anos 1980, quando soube pela primeira vez que um amigo que praticava macrobiótica desde os anos 1960 tinha morrido de cancro do fígado. Eis as reflexões que gostaria de partilhar convosco.

Se excluirmos certos erros grosseiros devidos a um mal-entendido ou mesmo a uma total incapacidade de aplicar a "Dialética Universal", que permite introduzir flexibilidade e variedade nas orientações dietéticas. Por exemplo: comer os mesmos pratos durante todo o ano. Há ainda alguns casos inexplicáveis.

Não creio que seja inevitável que um ser humano venha a sofrer de uma doença degenerativa num determinado momento da sua vida, independentemente da forma como escolhe viver. No entanto, tenho a certeza de que este tipo de doença vai continuar a desenvolver-se devido ao estilo de vida que prevalece atualmente. O número de pessoas infelizes que sofrem deste tipo de doença é impressionante - literalmente centenas de milhões.

Aprendemos nos nossos estudos macrobióticos que o cancro é a fase terminal do processo de doença. Atualmente, 10 milhões de pessoas morrem de cancro todos os anos. Cabe-nos a nós compreender o que é que a prática macrobiótica tem em comum com o modo de vida da sociedade atual. A macrobiótica demonstrou infelizmente, ao longo dos seus 60 anos de atividade, que a alimentação não cura todas as doenças. Não estou a sugerir que a dieta macrobiótica seja errada e deva ser abandonada. Pelo contrário, creio que os princípios macrobióticos aplicados aos nossos hábitos alimentares quotidianos são plenamente justificados.

No entanto, para além de uma alimentação baseada nos princípios macrobióticos aplicados à preparação e elaboração da nossa alimentação quotidiana para se curar, é essencial mudar todos os aspectos da nossa vida, para além dos nossos hábitos alimentares. É preciso redefinir a nossa atitude, as nossas emoções, a nossa maneira de pensar, o nosso conhecimento da natureza humana, a nossa visão do mundo, as nossas relações com os nossos amigos e com a natureza, para citar apenas alguns.

Qual é a base comum da comunidade macrobiótica e da sociedade em geral, desde o início da macrobiótica moderna? É a noção de que o sistema materialista é o alicerce sobre o qual tudo é construído. Este é o sentimento geral que prevalece actualmente, independentemente da cor da pele, religião, sexo ou idade. Há muitos exemplos que apoiam esta ideia: "somos o que comemos", "impressão genética", "o átomo é a sede da matéria", "a teoria do big bang", "a origem genética do comportamento" e o facto de que a biotecnologia e a biónica vão inaugurar uma nova era sem envelhecimento, sem doenças, onde poderemos clonar o melhor da raça humana, etc., etc., até à náusea.

Olhando para trás, para os últimos vinte anos de ensino da macrobiótica e consequente prática, é claro para mim que os princípios e ideias macrobióticas não foram suficientemente bem compreendidos pela maioria dos professores. Existem obviamente boas razões para tal, sendo a principal delas o facto de a prática espiritual macrobiótica atualmente ensinada não estar claramente expressa nos princípios e ideias macrobióticos. O "Vivere Pavro" expresso por George Ohsawa na página 29 de "Macrobiotic Zen" tem sido pouco compreendido e raramente aplicado. No entanto, a frase é clara: Se não se tem a vontade de viver de forma simples e parcimoniosa, de acordo com o adágio "vivere parvo", que continua a ser a chave de ouro da saúde, não se pode nem se deve curar.

O coveiro da humanidade não é o cancro, mas a sociedade capitalista baseada no consumo excessivo de bens materiais produzidos pelos industriais para nossa felicidade e prazer.

A macrobiótica tem as suas origens na antiguidade, na cultura pré-histórica indiana que teve origem no Tibete. Este foi o período após a destruição da Atlântida pelo abuso de poder que levou a um dilúvio geral. O continente da Atlântida afundou-se no mar, formando o que é atualmente o Oceano Atlântico. A antiga cultura hindu era uma cultura espiritual muito elevada, e o único vestígio que temos da grandeza espiritual dessa cultura é o Bhagavad-Gita. Nos Upanishads do Bhagavad Gita está escrito: "De Brahman, que é o Ser, vem o éter, do éter vem o ar, o fogo; do fogo vem a água, da água vem a terra, da terra a vegetação, da vegetação o alimento e do alimento o corpo do homem. O corpo humano, composto pela essência do alimento, é o invólucro físico do Ser. Todas as criaturas nascem do alimento, vivem do alimento e, após a morte, regressam ao alimento. O alimento é a causa principal. Por conseguinte, é o remédio para todas as doenças do corpo.

Se examinarmos bem esta passagem, compreenderemos que o corpo humano não pode ser confundido com o próprio ser humano. O corpo físico que vemos com os nossos olhos físicos não é o ser humano, é o invólucro físico do ser humano. Esta passagem também mostra que o ser humano é uma manifestação do Ser, que É Brahman. Assim, a origem física do ser humano é totalmente espiritual.

Se continuarmos a estudar a antiga cultura chinesa, deparamo-nos com as palavras de um grande filósofo, Chuang Tze: "O céu deu-te uma forma, a terra emprestou-te um corpo, e tu continuas a balbuciar...".

Esta citação mostra claramente que o ser humano é um ser espiritual cuja forma nos foi dada pelo Tao, e cuja matéria nos foi fornecida pela terra através da alimentação. No I-Ching, O Livro das Transformações, um dos maiores livros antigos comparável à Bíblia, está escrito no capítulo chamado Ta Chuan/O Grande Comentário. "Os dois poderes fundamentais, na sua alternância e operação recíproca, servem para explicar todos os fenómenos do universo. Mas há algo que não pode ser explicado por esta interação, o "porquê" último. Esta profundidade última do CAMINHO é o espírito, o divino, o inexplorável, que deve ser adorado em silêncio. O luminoso é yang e o escuro é yin, ambos são "forças fundamentais". Esta passagem foi escrita há milhares de anos, por volta de 1800 a.C., e o ser humano continuou a evoluir, embora inconscientemente.

Cabe-nos agora entrar no mundo espiritual para descobrir e compreender a nossa verdadeira herança como seres espirituais. O ser humano é composto por um corpo astral, um corpo etérico e um corpo físico, e a realidade do corpo físico é que ele também é espiritual. O corpo físico que vemos com os nossos olhos físicos não é de facto o corpo físico em si, como explica a bela frase de Rudolf Steiner, a matéria física do nosso corpo que vemos com os nossos olhos físicos é uma expressão do reino mineral e vegetal que mostra que estamos na presença de um ser humano. Assim, a comida NÃO é a base da nossa existência física - é mais como uma paleta de cores ou notas para pintar ou escrever uma peça de música que usamos para moldar o nosso corpo físico e torná-lo um instrumento para cumprir as nossas tarefas na Terra, viver o nosso karma e cumprir o nosso destino.

Mudamos a nossa alimentação para nos dar um invólucro adequado à nossa vida espiritual e para cumprirmos o nosso destino na Terra.

No entanto, se fizermos uma alimentação macrobiótica sem dedicarmos tempo e esforço para compreendermos quem somos espiritualmente, não só é uma perda de tempo, como também nos trará o oposto daquilo que procuramos: doença e infelicidade.

Na Bíblia diz-se que não se deve pôr vinho novo em pipas velhas, porque, ao fazê-lo, as pipas velhas serão destruídas e o vinho novo perder-se-á, ou o vinho novo será danificado pelas pipas velhas. O contrário seria colocar vinho velho em barris novos. É claro que ninguém sonharia em comprar um barril novo para colocar vinho mau. Imaginemos que o nosso corpo, o nosso invólucro físico, é o barril e a nossa vida espiritual é o vinho. Quando mudamos a nossa alimentação, adoptando o estilo de vida e a prática macrobiótica, criamos um novo barril. No entanto, se continuarmos a verter vinho velho sob a forma das nossas ideias habituais, dos nossos velhos conceitos (emoções, sentimentos, atitudes, etc.), os mesmos que nos foram inoculados pela cultura materialista em que vivemos, então estamos a colocar no nosso novo invólucro físico (o nosso corpo) as mesmas forças destrutivas que se expressam na sociedade materialista moderna.

Assim, não é surpreendente que as pessoas que praticam o estilo de vida macrobiótico tenham desenvolvido doenças degenerativas. Isto é de esperar, desde que consideremos os conceitos e ideias da ciência moderna como válidos em relação à nossa vida espiritual - ou seja, compreender o mundo humano, animal e vegetal e a sua origem.

Há quarenta anos atrás, eu tinha esperança que as ideias e práticas macrobióticas encontrassem uma grande audiência no mundo. Fui ingénuo o suficiente para pensar que a ciência médica moderna não hesitaria em confirmar a verdade da macrobiótica como uma base sólida para o desenvolvimento de um corpo e alma saudáveis e, por extensão, uma sociedade saudável, uma política saudável, uma educação saudável, uma agricultura saudável e uma economia saudável.

Infelizmente, o espírito da nossa cultura ocidental decadente, decadente e árida provou que ninguém lhe pode resistir, nem mesmo a macrobiótica. E o espírito do nosso decrépito mundo ocidental é o materialismo. O que é que eu quero dizer com materialismo? O materialismo é a noção grotesca de que tudo o que existe é: o que podemos contar, medir, pesar e que a vida é feita de átomos e moléculas que funcionam de acordo com as leis da física e da química.

O materialismo insiste, entre outras coisas, que a totalidade do ser humano é o corpo físico. Isto dá origem a ideias tão estúpidas como "comida e medicina", a "base química das emoções" e a "base genética da vida". Estes conceitos são ilusórios e completamente erróneos.

Assim, o movimento macrobiótico desapareceu e autodestruiu-se porque os macrobióticos, na sua maioria, não mudaram o seu estado de espírito; não praticaram qualquer autorreflexão e o resultado é que foram contaminados pelo espírito materialista. O resultado é que foram contaminados pelo espírito materialista e, consequentemente, sofreram das mesmas doenças degenerativas que afectam a maioria das pessoas nesta sociedade.

Além disso, nos últimos 50 anos, a atração crescente da população pelo materialismo levou-a a fechar o seu coração e cada vez menos pessoas foram atraídas para o modo de vida macrobiótico, tendo o lugar sido ocupado pelos grossistas de suplementos alimentares, vitaminas e oligoelementos, produtos fitoterapêuticos, antioxidantes, spirulina, ímanes, alimentos de soja, etc. etc.

Se aplicarmos a nossa compreensão do yin e do yang e a teoria das cinco transformações à arte de cozinhar, se prepararmos as nossas próprias refeições, se estivermos gratos pela comida, se praticarmos o autodiagnóstico para fazer funcionar os princípios, se fizermos isso E MUDARMOS a nossa forma de pensar para nos libertarmos das ilusões do materialismo, então podemos curar-nos de qualquer sintoma, de qualquer doença, degenerativa ou não.

Não nos podemos livrar da doença de forma alguma - o facto é que os nossos corpos estão sujeitos às forças da doença e estaremos sujeitos a essas forças enquanto tivermos um corpo físico. No entanto, as forças de cura estão disponíveis para nós porque somos seres espirituais. Espero que tenha compreendido que, enquanto pensarmos e agirmos "materialmente", nunca seremos capazes de nos curar.

Leia o meu artigo escrito em setembro de 2007: Cura macrobiótica:

http://macrobiotiquepourtous.blogspot.com/2007/09/la-gurison-macrobiotique.html

Gérard Wenker - 4 de maio de 2009




 

AS SETE CONDIÇÕES DA SAÚDE

1.ª condição:

Vitalidade – Nunca estar cansado

Iª PARTE

“A saúde não é um estado da matéria, mas sim da mente”

(Mary Baker Eddy).

resumo

O texto defende que a saúde não é apenas a ausência de doença nem algo medido exclusivamente por análises clínicas. A saúde é vista como um estado global — físico, mental e emocional — que reflete a capacidade de adaptação às mudanças da vida com equilíbrio e pouca tensão.

Segundo Georges Ohsawa, existem sete condições para uma boa saúde, sendo a primeira: 1. Vitalidade – nunca estar cansado

A verdadeira saúde começa pela ausência de fadiga crónica. O cansaço constante é apresentado como um dos sinais mais comuns de desequilíbrio.

Principais ideias:

  • O cansaço é associado a hábitos de vida inadequados, sobretudo ao consumo de comida industrializada, pobre em nutrientes, e ao afastamento de hábitos naturais.
  • Muitas pessoas vivem com uma energia artificial e passageira, estimulada por café, açúcar e excitantes, que cria dependência e não representa energia vital genuína.
  • O texto atribui a fadiga principalmente à chamada “acidez orgânica”, entendida como um desequilíbrio interno do corpo.

Consequências atribuídas à fadiga/acidez:

O texto descreve uma progressão de problemas:

1. Perda de energia

2. Irritabilidade e sensibilidade

3. Mucos e congestão

4. Inflamação

5. Endurecimento dos tecidos

6. Ulceração

7. Degeneração e doença grave

São citados vários autores e médicos que defendem a ideia de que o excesso de acidez estaria na origem de muitas doenças.

Caminho proposto:

Para recuperar a vitalidade, o texto recomenda:

  • alimentação equilibrada e “inteligente”;
  • hábitos de vida saudáveis;
  • respeito pelo meio ambiente;
  • maior ligação e responsabilidade pessoal pelo próprio bem-estar.

Dimensão mental e emocional:

A vitalidade não é apenas física. Uma pessoa saudável seria alguém que:

  • se adapta rapidamente aos imprevistos;
  • encara dificuldades de forma positiva;
  • assume responsabilidade pela sua vida;
  • mantém energia física e mental para concluir projetos.

Sinais de falta de vitalidade:

O texto associa a perda de saúde a:

  • cansaço permanente;
  • pessimismo e queixas constantes;
  • dificuldade de adaptação;
  • dores de cabeça, problemas digestivos, olhos vermelhos, queda de cabelo, necessidade frequente de dormir ou bocejar.

Ideia central:

A saúde é apresentada como um equilíbrio global entre corpo, mente e estilo de vida, sendo a vitalidade e a capacidade de adaptação o primeiro sinal de verdadeiro bem-estar.

Nota importante: o texto reflete uma visão de saúde ligada à filosofia natural/macrobiota de Ohsawa.

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texto

Para avaliar o nosso estado de saúde não devemos utilizar exclusivamente os resultados das análises clínicas que obviamente reflectem uma parte da nossa condição biológica de forma parcial.

A saúde não é ausência de doença, é a capacidade de nos adaptarmos às mudanças com o mínimo de tensão e com a maior integridade possível, é o reflexo holístico da condição a cada momento.

Ao examinarmo-nos sem complacência com base nestes parâmetros, podemos situar o nível da nossa doença, que é também o reflexo exacto do nosso grau de ignorância das leis universais.

Segundo Georges Ohsawa,

existem 7 condições para ter boa saúde:

1.ª — Vitalidade, nunca estar cansado

A primeira condição é não ter fadiga ou cansaço.

Actualmente a queixa mais generalizada é “o cansaço”. E uma das razões principais deste cansaço é a quantidade de comida lixo ou comida desvitalizada que se ingere, que é simultaneamente um reflexo da desconexão com a vida. Se as pessoas cultivassem hábitos de vida saudáveis, não escolheriam comida lixo, pois os hábitos criam o apetite.

Muitas pessoas têm uma relativa energia, uma energia muito rápida, como a fornecida pelo papel queimado, fogo rápido, convertido imediatamente em fumo, porque nem sequer deixa cinzas. Mas esta energia resulta da ingestão de café, açúcar e outros estimulantes. Na realidade é uma energia efémera, que nos torna dependentes de substâncias excitantes e estimulantes. Não a podemos chamar de energia vital.

A razão principal deste cansaço é a acidez orgânica. Quando o organismo entra neste estado de fadiga, podem gerar-se 7 consequências negativas no corpo, que se classificariam assim:

·      Perda de energia

·      Sensibilidade e irritação

·      Mucos e congestão

·      Inflamação

·  Endurecimento dos tecidos moles (induração, incluindo lúpus, doença de Lyme, fibromialgia, endurecimento das artérias, placas)

·      Ulceração

·   Degeneração (cancro, doenças coronárias, infarto, sida, esclerose múltipla, diabetes), até chegar finalmente à morte.

Não foi só Georges Oshawa que descreveu a acidez como o princípio da doença e da fadiga crónica, outros médicos e profissionais da saúde contemporâneos o ratificam. Por exemplo:

·      O Dr. Theodore A. Baroody escreveu no seu livro Alcaline or die “(Alcalinizar-se ou morrer): “Na realidade, não importa os nomes de muitas doenças, o que importa é que todas elas provêm da mesma raiz causada por muitos resíduos ácidos no corpo”.

·   Por outro lado, o Dr. Robert O. Young disse: “O excesso de acidez do corpo é a causa e todas as doenças degenerativas. Se ocorrer uma perturbação do equilíbrio e um corpo começa a produzir e a armazenar mais acidez e resíduos tóxicos dos que é capaz de eliminar, a seguir as doenças vão-se manifestar”.

·  O Dr. George W. Crille, de Cleveland, um dos cirurgiões mais conhecidos e respeitados do mundo, declarou abertamente: “Todas as chamadas mortes naturais não são mais que o ponto final de um processo de saturação devido à acidez no corpo”.

· Para sair desta fadiga crónica é necessário alcalinizar-se através de uma nutrição inteligente e um estilo de vida que respeite o meio ambiente. mquando uma pessoa diz: “Isto parece-me muito difícil”, é sinal que o seu sangue esá muito ácido.

É ter uma capacidade de adaptação tal que se consiga responder instantaneamente a todas as circunstâncias imprevistas, abordá-las com um espírito positivo, como uma aventura proposta pela vida, e resolvê-las, qualquer que seja a dificuldade.

Um organismo saudável é um organismo que vibra de energia e vitalidade, sempre disposto a aceitar novos desafios a nível físico, emocional e social. Ter vitalidade significa também ter energia para realizar aquilo que é necessário no nosso dia a dia sem estarmos sempre a queixar-nos de cansaço.

Claro que é normal sentir exaustão quando trabalhamos muitas horas seguidas ou despendemos grande esforço físico ou mental ou não dormimos... Mas, se estivermos numa condição relativamente saudável, devemos recuperar rapidamente após descansar um pouco, dormir uma boa noite de sono ou comer uma refeição retemperada.

Estar sempre cansado, com falta de vitalidade

Fisicamente e mentalmente, queixar-se constantemente dos contratempos da vida, atribuindo a culpa aos outros. Procurar sempre responsáveis. Recusar os problemas e pagar a um especialista para os resolver. Não se adaptar a novas situações, dispersar-se, não levar os projetos até ao fim. Ser pessimista. Levantar-se cansado, ter enxaquecas, perder cabelo, sangrar das gengivas e ter os olhos vermelhos, fazer sestas, bocejar constantemente. Problemas digestivos e intestinais. Não cozinhar para si próprio.

FONTES CONSULTADAS

·      - “Macrobiótica. O livro da grande vida” – Patrícia Restrepo.

·      - “Mente sã. Corpo são” – Francisco Varatojo

·      -  https://macrobiotiquemonde.blogspot.com/2017/09/rebus-dialectique.html

 

(CONTINUA)


 

 

  MACROBIÓTICA!! SOCORRO ... Esclarecimento Gérard Wenker https://macrobiotiquepourtous.blogspot.com/2007/09/macrobiotique-au-secours....