Tuesday, September 8, 2026

                                                                   


 CALANDIVA 

                                                                                                                          Miguel Boieiro

Leitor amigo enviou-me o interessante texto “Las plantas medicinales olvidadas” da autoria de José Luís Berdonces, médico naturista e fitoterapeuta, considerado um dos principais especialistas espanhóis. O Dr. Berdonces, que leciona na Universidade de Barcelona, é autor de valiosas obras sobre fitoterapia, entre as quais, destacamos um volumoso dicionário ilustrado sobre mais de 1300 plantas com propriedades medicinais comprovadas.

No texto acima referido a minha atenção concentrou-se na parte que aborda o género Kalanchoe, abrangendo cerca de 170 espécies detendo singulares qualidades causadoras de admiração. Menciono, por exemplo, que o seu desenvolvimento vegetativo não necessita de sementes para a reprodução. De facto, nos bordos das folhas surgem botões adventícios que originam pequenas plântulas. Estes bolbilhos, providos de raízes, caules e folhas, ao caírem no solo, rapidamente dão lugar a novas plantas adultas. A curiosa particularidade ilustra bem a versatilidade do reino vegetal. Conta-se que o poeta Goethe ao observar as plantinhas que brotavam nos bordos da folhagem da planta-mãe, ficou de tal maneira fascinado que passou a referenciar o facto em alguns dos seus escritos.

Analisemos então a Kalanchoe pinnata, ou Bryophyllum pinnatum, pertencente à família das Crassulaceae,  talvez a kalanchoe mais conhecida, mormente como planta ornamental. Ela tem sido demoradamente estudada por especialistas da botânica e de outras áreas científicas mas, as investigações, devido à sua complexidade, não se encontram ainda concluídas. Julga-se que a planta é oriunda da África Tropical, sendo nativa na ilha de Madagáscar. Popularmente é conhecida por variados nomes: folha-da-fortuna, folha-do-ar, mãe-de-muitos, saião, coirama, bruxa, capim-tartaruga, silaba, folha-viva, sempreviva, calandiva (este último termo foi o escolhido para  título da presente croniqueta).

É uma herbácea perene que gosta de terrenos soltos bem drenados e muita luz mas, não se desenvolve face a temperaturas inferiores a 10 graus. Por ser uma espécie suculenta acumula água, não necessitando de regas frequentes.

Possui caule cilíndrico, oco e carnudo que nas regiões tropicais chega a ultrapassar 1 metro de altura. As folhas, de um verde escuro, são grossas e opostas, tendo margens dentadas donde brotam os tais propágulos. A inflorescência terminal fica disposta em panículas com bastantes flores hermafroditas pendentes, geralmente vermelhas.

Na composição química foram apurados ácidos orgânicos (málicos, oxálicos, cítricos e outros), flavonoides, glicosídeos, alcaloides, taninos, etc.

Os estudos clínicos comprovaram várias propriedades medicinais com efeitos analgésicos, anti-bacterianos, antibióticos, antissépticos, anti-alérgicos, anti-inflamatórios, anti-histamínicos …

Berdonces refere que a planta  é amplamente utilizada na medicina tradicional das diversas regiões tropicais para tratar dores de cabeça, resfriados, tosse, febres, asma, cicatrização de feridas e demais transtornos cutâneos. Em uso tópico aplicam-se cataplasmas ou suco das folhas para queimaduras, úlceras e dores musculares. Adverte contudo que, devido a alguns componentes algo tóxicos, não convém usar doses concentradas ou consumos contínuos para grávidas, doentes cardíacos e hepáticos, sem supervisão médica.

                                                                                     Setembro de 2026, Miguel Boieiro

Monday, September 7, 2026

 

NUTRIÇÃO PERFEITA

Só é possível encontrar a nutrição perfeita através da intuição. Do hemisfério cerebral direito. O hemisfério feminino. Mas também podemos apoiar-nos na clareza conceptual proporcionada pelo hemisfério esquerdo. Contudo, a intuição deve ser a influência principal.

Nas culturas tradicionais, os cereais são a base. Arroz, milho, milet ou quinoa. Cada cultura utiliza preferencialmente um deles ou uma mistura de vários. O famosíssimo gastroenterologista japonês Hiromi Shinya prepara todos os dias, para as suas refeições, uma mistura de cinco cereais, como explica no seu livro A Enzima Prodigiosa. Tratou os seus doentes com cancros do cólon e do reto através de cirurgia e, depois, com uma mudança permanente da alimentação. Os que a seguem têm 0% de recidiva do cancro. E limitou-se a aplicar aquilo que no Japão se aplica há mais de 3000 anos. A alimentação tradicional. Baseada em alimentos vegetais, arroz e peixe.

Talvez essa seja a alimentação perfeita. A melhor alimentação do mundo. A alimentação dos chineses e dos indianos é muito semelhante. Existem algumas variações, mas a base é a mesma. Arroz, alimentação predominantemente vegetal e muito pouca proteína animal. E actividade física.

Talvez os chineses tenham a alimentação perfeita. Ou os indianos tradicionais. E a alimentação dos esquimós também é perfeita. É basicamente de origem animal. Mas é perfeita. Basicamente peixe. Algumas renas. Algumas bagas e raízes. Também algas. Uma alimentação essencialmente rica em gordura animal. É perfeita.

São povos muito saudáveis. São cerca de 70 000. Há cerca de 30 000 no Canadá e outros vivem na Gronelândia e na Sibéria. Suportam temperaturas de 50 graus abaixo de zero. E fazem-no há séculos.

Temos a prova de que a sua alimentação é perfeita. Têm uma função perfeita. E uma saúde perfeita. Vivem pouco, talvez devido à quantidade de gordura que comem e à ferocidade do clima. Mas, durante o tempo que vivem, desfrutam de uma excelente saúde.

São conhecidos como inuítes (*). Acreditam na reencarnação. E acreditam que as crianças são as pessoas mais importantes, mais elevadas, porque acabaram de reencarnar. Acreditam em seres espirituais superiores, mas não lhes prestam culto. São um povo fantástico.

Não há cáries dentárias. Não há doenças degenerativas. Nem cancro do colo do útero. Nem esquizofrenia. Gozam de uma excelente saúde. Alimentam-se de acordo com a sua intuição. As suas crianças são bonitas. As suas mulheres são bonitas. Os homens são robustos e pacíficos. Possuem a beleza indescritível dos seres que vivem respeitando a ordem natural.

Não há lugar para vegetarianos no Alasca. Ou se vive ao estilo inuíte ou se perece. É a ordem natural. A mesma lei que rege nos trópicos rege o inuíte. Mas a alimentação muda. Porque o clima é diferente.

Por isso, não existe uma alimentação perfeita e padronizada. A alimentação perfeita de um inuíte é diferente da alimentação perfeita de um japonês rural ou de um habitante do deserto.

Mas, se o esquimó for levado a viver no Nordeste brasileiro e continuar a comer exatamente o mesmo que come no Alasca, em poucos meses sofrerá uma embolia e terá um acidente vascular cerebral ou uma trombose venosa profunda. Ou uma hipertensão arterial que poderá deixar-lhe sequelas neurológicas incapacitantes.

Algumas pessoas que gostam de comer proteína e gordura animal utilizam este argumento para se justificarem. Os esquimós comem muito peixe rico em ómega-3 e carne de rena. É carne de mamífero, é carne vermelha. E estão muito bem. Não têm colesterol elevado nem hipertensão. E procuram obter krill e alimentos típicos das regiões polares, com elevado teor de ácidos gordos essenciais ómega-3.

Mas adoecem em pouco tempo. Porque não é uma alimentação perfeita para alguém que vive numa zona temperada.

A alimentação perfeita é ditada pelo ambiente geográfico e pela tradição. Se for viver para o Alasca, fará muito bem em imitar a tradição dos inuítes e comer com eles os seus pratos tradicionais. E terá uma saúde perfeita e uma função perfeita. Mas terá de permanecer a viver lá, com 50 graus abaixo de zero, durante anos.

No Alasca, na Sibéria e na Gronelândia não crescem milho nem maçãs. Seria antinatural ir viver para a Sibéria e mandar vir maçãs da Europa ou da América para obter um aporte adequado de vitaminas C e A.

O passarinho acorda ao amanhecer e come aquilo que cresce na sua região. Num raio de algumas centenas de metros encontrará os produtos adequados à sua saúde e função. Come de acordo com a sua fisiologia particular e dentro da sua geografia específica.

Na minha opinião, a alimentação perfeita para o ser humano é aquela que se baseia nos cereais. Tem sido assim desde tempos imemoriais. Desde os relatos do Antigo Testamento até ao Popol Vuh, os cereais são apresentados como alimentos sagrados. Porque crescem nas regiões mais densamente povoadas do mundo.

Se alguém vive nessas regiões, a melhor opção será o milho, o trigo ou o arroz como base da alimentação, tal como fizeram as pessoas que aí viveram com sucesso e saúde durante séculos ou milénios.

Mas, se alguém for viver para um clima muito YIN, com temperaturas brutalmente frias, deverá comer uma alimentação muito YANG para aquecer o corpo e suportar essa situação extrema. Se levar consigo os seus cereais, não conseguirá resistir e ficará debilitado.

Por isso, na filosofia macrobiótica baseamo-nos no YIN e no YANG. É um critério desprezado pela ciência da nutrição e pela higiene. É um critério não valorizado pela chamada medicina alopática. Mas é fundamental na medicina tradicional chinesa.

Estes princípios são fundamentais no Ayurveda e nas medicinas tradicionais das comunidades indígenas, do Egito e de outras culturas ancestrais. Este critério filosófico é crucial para se poder encontrar a alimentação perfeita e a função perfeita.

Os animais aplicam-no intuitivamente. Quando um animal adoece, procura determinadas ervas ou determinadas plantas para se curar. E jejua. E espera que a doença se resolva, que as impurezas ou toxinas sejam eliminadas. E curam-se sozinhos. Autocura.

Às vezes morrem. Mas não têm medo. De qualquer forma, algum dia temos de morrer. É algo inevitável. Se não me puder curar, então morro em paz. E continuarei noutros níveis de existência. É algo que eu sinto.

Mas o ser humano tem o YIN e o YANG. Isso permite-lhe modificar a energia dos alimentos e a sua composição químico-física.

Por isso, pode viver em qualquer clima, a qualquer altitude e em qualquer região do mundo. A vantagem do ser humano em relação aos animais chama-se arte culinária. E, com esta arte, potencia a sua capacidade de adaptação às mudanças climáticas ou geográficas.

Portanto, o ser humano está capacitado para desfrutar de uma função melhor do que a do pássaro ou do búfalo. Tem o fogo. O sal. O óleo. As especiarias. E a tradição.

Mas esqueceu-se.

Agora não quer cozinhar. As mulheres não querem ocupar-se da alimentação da família como antes. Agora procura-se a igualdade. Todos a trabalhar no mundo masculino.

Então, a humanidade está a sofrer. Está a perder a sua saúde. Não obtém o alimento perfeito porque este não se pode comprar. O alimento superior é uma produção artística. Deve ser criado com amor. Como qualquer criação artística de elevadíssimo valor.

A cozinha quotidiana. E a sabedoria tradicional. A cozinha tradicional.

Que o teu alimento seja o teu medicamento. Disse-o Hipócrates. Um dos maiores e mais eminentes médicos que a humanidade conheceu.

A função perfeita requer uma nutrição perfeita. E a nutrição perfeita é algo subtil, especial. Algo único. Cada família é única e cada ser humano é único.

É necessário criar em casa o alimento superior, de elevada qualidade. É aí que está a fonte da saúde. No lar.

A origem etimológica da palavra lar é o lugar onde a família se reúne para se aquecer e alimentar. O fogo. A cozinha. Alquimia doméstica.

A nutrição é um assunto da família. Não das instituições. Nem das escolas. Nem é um assunto académico. Nem político. Pode teorizar-se e criar Escolas de Nutrição. Mas será algo sem alma. Sem vida. Sem valor para criar corpos perfeitos, com função perfeita e saúde perfeita.

Aplicando o critério transformador do YIN e do YANG, os povos da Ásia encontraram a sua forma tradicional e praticam-na ainda hoje. Assim conseguiram alcançar a saúde individual, a saúde familiar e a saúde nacional.

E não são nações perfeitas. Mas o seu nível de saúde e de função é muito superior ao do decadente Ocidente. Acidificado. Drogado. Lactificado. Afastado dos ciclos naturais. Indiferente às leis naturais.

O Oriente ocidentalizou-se no último século. Mas ainda se agarra à sua cultura e à sua cozinha tradicional. Embora a sua elevada qualidade biológica tenha diminuído devido ao contacto com o Ocidente, continua a ser incomparavelmente mais saudável e forte do que a civilização ocidental.

Isto é particularmente notório nas pessoas com mais de 40 anos. O ocidental médio, geralmente, já envelheceu e consome permanentemente um ou vários medicamentos. Já está doente. Crónico.

Aos 60 anos, já é um peso para a família e para a nação. Gera muitas despesas médicas e problemas para o país. E conformam-se com a explicação «médica» de que isso é normal para «a sua idade».

Mas, no Oriente tradicional, os grandes mestres das artes tradicionais, aos 60 e 70 anos, possuem uma condição física e mental equivalente à de um ocidental de 30 anos.

Isso deve-se à diferente forma de alimentação. Uma baseia-se na proteína animal e a outra na proteína vegetal. Uma acidifica e a outra alcaliniza. Uma cria um meio propício para os vírus e a outra produz um ambiente saudável onde os vírus estão controlados.

É a magia da macrobiótica. Uma sabedoria que dá poder ao corpo e à mente. E às emoções. É a cura contra qualquer vírus ou bactéria que ultrapasse os «limites».

(*)- Os inuítes são povos indígenas do Ártico, tradicionalmente adaptados a algumas das regiões habitadas mais frias do planeta. Vivem sobretudo na Gronelândia, no norte do Canadá e no Alasca



Friday, September 4, 2026

 

A GRANDE SAÚDE

Dr. Martín Macedo

O segredo da Grande Saúde. Quanto vale? Um milhão? Mil milhões? Vale biliões.

O seu valor é infinito. É a procura do ser humano desde a origem das civilizações.

O segredo da eterna juventude. O segredo da força infinita. O Grial (*).

Muitos procuram ouro durante anos.

Consagram a vida à procura de ouro. Mas isto é mil vezes mais precioso do que o ouro. Porém, não é para todos. É apenas para aqueles que amadureceram. Para aqueles que compreenderam. Se eu falar disto àqueles que ainda não estão preparados, rir-se-ão. Troçarão. Ainda não compreenderam o significado profundo de «ser humano». Mas o leitor leu todo o livro e, talvez, alguma outra das minhas publicações. Por isso, merece ter acesso a este segredo. O segredo da Grande Saúde.

Essa é a minha missão: nascer, lutar e trabalhar para criar no meu corpo a Grande Saúde. E, depois, tornar-me alguém capaz de mostrar a milhões de seres humanos, homens e mulheres de todas as culturas, a beleza sublime da Grande Saúde. Esse propósito está claramente estabelecido no início do meu primeiro livro, O Regresso do Homem de Sal.

É uma missão difícil. Exige uma tenacidade digna de titãs. Mas, como nasci em novembro, sou tenaz. Todos os nativos de Escorpião são tenazes. E eu sou um dos mais destacados.

Tenacidade é aqui a palavra-chave. Se for capaz de uma tenacidade titânica, poderá alcançar a Grande Saúde. Se não for capaz de atingir esse nível de tenacidade, desistirá ao fim de algumas semanas ou meses.

É como escalar uma grande montanha. No início, tudo é entusiasmo e todos querem chegar ao cume e contemplar a vista panorâmica. Mas, ao fim de algumas horas, começam a cansar-se e mudam de ideias.

O que distingue os homens é a sua capacidade de persistirem, sem claudicarem, na perseguição dos seus sonhos. Existem aqueles que desistem antes de chegarem ao destino e aqueles que estão dispostos a morrer antes de desistirem.

Só os heróis conseguem chegar. E todos temos um herói no coração. Acontece apenas que ele decidiu dormir uma longa sesta. Como a Bela Adormecida. Então, terá de surgir um ciclone ou um terramoto para que o seu herói desperte. Entretanto, tudo é paz e amor. E o herói dorme.

Mas regressemos à conquista da Grande Saúde. Antes de mais, é necessário tomar uma decisão poderosa. Tomar a decisão de alcançar a Grande Saúde nesta vida. Não na próxima, mas nesta.

Está preparado para tomar essa decisão? Se está, aquilo que deve agora fazer é seguir escrupulosamente as minhas instruções, não questionar nada e cumprir tudo o que lhe estou a sugerir.

A minha meta é agora que o leitor consiga alcançar a Grande Saúde. Se alcançar a minha meta, serei o homem mais feliz do mundo. Não importa se vive em Samatra ou na costa ocidental da Gronelândia. A minha meta é que muitas pessoas possam experimentar a glória da Grande Saúde. E vou consegui-lo. Garanto-lhe. Porque consigo tudo aquilo a que me proponho.

A minha meta não é convencê-lo. A minha meta é ajudá-lo, se desejar ser ajudado. Se desejar ser orientado. Então, siga à risca as minhas recomendações. Não teorize, não analise. Limite-se a aplicar aquilo que lhe sugiro.

Confie. Abandone os receios. Abandone a necessidade de controlar tudo. Se fizer uma análise de cada passo que lhe sugiro, perderá muito tempo a «pensar». E a concretização da Grande Saúde exige ação. Muita ação.

Por isso, no exército, os soldados são instruídos a obedecer sem questionar. Porque, se cada ordem fosse debatida ou discutida, a ação poderosa dos exércitos não seria possível.

Certa vez, um jovem quis tornar-se um grande samurai, um grande mestre da espada japonesa, a katana. Foi, então, procurar o melhor mestre de esgrima do Japão. Pediu-lhe que lhe ensinasse a sua arte.

Mas o mestre disse-lhe que só o ensinaria se ele obedecesse às suas instruções sem questionar nem protestar. Apenas mediante esse acordo prévio aceitou treiná-lo, para fazer dele um grande samurai, um poderoso praticante da arte da espada samurai.

Ambos concordaram. Ambos estavam felizes. O aluno, pelo privilégio de aprender com o maior mestre do Japão e pela felicidade de poder ver o seu sonho concretizado. O mestre estava feliz por poder cumprir o seu destino, que consistia em formar grandes praticantes, grandes mestres que conservassem esta bela tradição. Porque sabia que não viveria para sempre.

Por isso, todo o grande mestre procura um sucessor. Um grande sucessor que alcance o seu nível de mestria ou que, se possível, o ultrapasse. Para o bem da sua arte. Para o desenvolvimento da sua arte.

Concordaram em começar quanto antes.

— Deves vir muito cedo, todos os dias, às cinco horas.

E começaram no dia seguinte.

— Quando começamos a praticar? — perguntou o aluno.

— Primeiro, tens de te exercitar. Tens de pegar naqueles dois baldes de madeira, prendê-los às extremidades daquela vara e trazer água do rio.

Então, o jovem obedeceu sem protestar e foi buscar água. Encheu os dois baldes, prendeu-os às extremidades da vara e subiu cerca de 150 metros até à residência do mestre.

— E agora, mestre, o que faço a seguir?

— Despeja a água no poço e vai buscar mais.

E foi buscar mais água.

Depois, perguntou:

— E começamos agora a praticar?

— Não, tens de ir buscar mais água. Durante toda a manhã, deves ir buscar e trazer água. Sem descansar. Passarás todo o dia de hoje a fazer isso.

No dia seguinte, aconteceu o mesmo. Ir buscar água e trazê-la. Uma e outra vez.

E passaram dois anos. Sempre o mesmo: subir e descer com baldes de água do rio. Era um trabalho aborrecido e doloroso, porque tinha de subir quase 150 metros por um terreno escarpado até ao local onde vivia o mestre. E tinha de ter cuidado para não escorregar no caminho de pedra que subia do rio até à casa.

O jovem começou a ficar impaciente.

«Há dois anos que me esforço para aprender a arte da espada e só transporto baldes de água. Ele está a troçar de mim.»

Foi, então, protestar junto do mestre:

— Combinámos que me ensinaria a dominar a arte da espada, para eu me tornar um grande samurai. E apenas tenho trazido água para o seu poço. Estou a perder tempo consigo.

O mestre respondeu-lhe:

— Estou a ensinar-te como combinámos. Confia em mim e lembra-te de que concordámos que não questionarias as minhas instruções.

O jovem aceitou e continuou a transportar água durante mais um ano.

Ao terceiro ano, o mestre disse-lhe:

— Agora vamos mudar de rotina. Vais caminhar sobre este tronco, que está apoiado em duas grandes rochas, como se fosse uma ponte. Transportas os baldes sobre os ombros e atravessas o tronco. Vais e vens. Sem descansar, durante oito horas.

E manteve-o assim durante dois anos. O jovem estava desesperado. Tinha passado cinco anos da sua vida a executar rotinas monótonas que nada tinham que ver com aquilo que viera aprender. Nem sequer uma única técnica de katana. Nem uma só vez.

Finalmente, ao fim de cinco anos, o mestre disse-lhe que pegasse numa espada de madeira e começasse um novo trabalho.

«Já não era sem tempo!», pensou o jovem aluno. «Perdi cinco anos da minha vida com este suposto mestre, que me roubou os melhores anos da minha juventude.»

O mestre recordou-lhe o compromisso que assumira de seguir as suas instruções sem protestar nem questionar. E disse-lhe:

— Pegarás na espada de madeira com ambas as mãos, levantá-la-ás acima da cabeça e desferirás, com todas as tuas forças, um golpe para a frente. Depois, voltas a levantar a espada e zás!, golpeias novamente para a frente.

E manteve-o assim durante um ano inteiro: levanta e zás!, levanta e zás!, até que o jovem deixou de aguentar e, numa manhã de sol, disse ao mestre que já não desejava continuar a aprender ao seu lado, porque nada aprendera sobre a arte dos samurais.

— Por isso, vou-me embora e nunca mais voltarei para junto de si. Enganou-me! Perdi seis anos da minha vida consigo!

Quando se estava a afastar, o mestre gritou-lhe:

— Agora és um lutador invencível. Transportar água do rio deu-te pernas fortes como as de um urso. Caminhar sobre o tronco carregando os baldes deu-te um equilíbrio incomparável e a precisão de um gato selvagem. E golpear em frente durante um ano, sem parar, deu-te braços e punhos fortes como o aço. Onde quer que vás, vencerás. És invencível. Obrigado por me obedeceres e por teres resistido. Agora és o melhor lutador de katana do Japão. Boa sorte!

Ao compreender a grande sabedoria do mestre, o jovem regressou e abraçou-o com os seus braços de campeão. E ambos choraram.

O jovem compreendeu. Só naquele momento compreendeu.

E tornou-se o maior espadachim do seu tempo.

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(*)- O Grial, geralmente chamado Santo Graal, é um objeto lendário da tradição medieval cristã e das histórias do rei Artur.

Nas versões mais conhecidas, seria o cálice utilizado por Jesus Cristo na Última Ceia e, posteriormente, por José de Arimateia para recolher o sangue de Cristo durante a crucificação. Contudo, esta associação surgiu progressivamente na literatura medieval e não está confirmada nos Evangelhos nem por provas históricas.

A lenda do Grial começou a desenvolver-se no século XII, sobretudo nos romances de cavalaria. Os cavaleiros da Távola Redonda — especialmente Perceval, Galahad e Lancelot — procuram-no através de uma jornada simultaneamente física e espiritual.

O Grial pode simbolizar:

  • a presença ou graça divina;
  • a purificação interior;
  • a sabedoria espiritual;
  • a cura e a renovação;
  • a união entre o humano e o divino;
  • a procura do verdadeiro Eu ou da plenitude.

Por isso, «procurar o Grial» passou também a significar procurar algo extremamente precioso e difícil de alcançar. Numa leitura espiritual, o Grial não tem necessariamente de ser um cálice material: pode representar a transformação da consciência e a descoberta do sagrado dentro de nós.

A palavra portuguesa mais tradicional é Graal, embora também se encontre frequentemente a forma Grial, sobretudo por influência do espanhol.

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SIGA AS INSTRUÇÕES COMO O JOVEM ESTUDANTE

Vamos começar quanto antes o nosso treino. Não deve protestar. Limite-se a seguir as instruções à risca. Vamos começar imediatamente o nosso trabalho vital — aquele que gera vitalidade. Deve seguir estas instruções como o jovem aprendiz da arte da espada.

Cada passo é importantíssimo. Neste plano, nada é supérfluo. Cada passo é absolutamente necessário. É a receita para criar a Grande Saúde.

E qualquer pessoa pode fazê-lo. É necessária apenas a vontade de alcançar esta Grande Saúde. Comecemos.

  1. Pegue numa folha em branco e escreva como título: «Propósitos», «Metas» ou «Os meus sonhos».
  2. Faça uma lista de 1 a 10. Como meta n.º 1, escreva: «Criar uma saúde excelente e poderosa». Na margem direita, escreva a data-limite que estabelece para a alcançar.
  3. Depois, faça o mesmo com as metas ou propósitos a partir do n.º 2, por ordem de prioridade. Pode escrever qualquer coisa, aquilo que desejar do fundo do coração: metas profissionais, afetivas ou económicas, viagens, cursos que queira concluir, retiros, ter um filho, escrever um livro ou plantar uma árvore. Seja o que for. E escreva a respetiva data-limite na margem direita.
  4. Todas as manhãs, sem nunca falhar, logo que se levantar, pegue na folha e leia-a em voz alta. Deve ouvir-se a si próprio. Não a leia em silêncio. As palavras devem sair da sua boca. É a palavra que impressiona o inconsciente. A primeira meta será a Grande Saúde. Pouco a pouco, o inconsciente começará a convencer-se de que está disposto a tudo para a alcançar. Então, começará a mobilizar as suas «influências» e todo o Universo se movimentará para o ajudar a alcançar a Grande Saúde. Mas deve ser muito persistente. Leia esse propósito com convicção e em voz audível, todas as manhãs. Sem nunca falhar. Verá o que acontece ao fim de um mês. Faça-o. Just do it.
  5. Este novo hábito de ler a sua folha de propósitos deve manter-se durante toda a vida. Mesmo no próprio dia da sua morte, deve ler a sua folha. Assim, quando nascer na nova dimensão, saberá com absoluta clareza quais são as suas prioridades. E deverá continuar aí a tentar concretizar os seus objetivos.
  6. Medite durante 30 minutos por dia. Não importa a técnica, o estilo ou o horário. Por experiência própria, sugiro-lhe que o faça de manhã cedo, depois de ler a sua folha de propósitos.
  7. Faça exercícios com valor terapêutico: ioga, aikido, tai chi ou ritmoprática — veja vídeos no YouTube, procurando por «ritmopráctica». Pratique diariamente durante uma hora ou mais. Todos os dias, sem nunca falhar. Depois, durante o dia, mantenha uma atividade física muito intensa: faça as compras a pé, desça e suba escadas, amasse o seu pão e limpe as janelas. À medida que for treinando, aumente a quantidade e a qualidade dos seus movimentos físicos. O corpo fortalece-se através da ação e somente através da ação. Verá que dormirá como um bebé. E tornar-se-á cada vez mais forte. Não importa a sua idade. Dê diariamente o máximo, de acordo com a sua capacidade.
  8. Comece a alimentar-se segundo a tradição macrobiótica — americana ou asiática. Siga uma alimentação composta por 80% de produtos de origem vegetal e 20% de produtos de origem animal — peixe magro. Em alternativa, pode seguir uma alimentação 100% vegetariana, recorrendo exclusivamente a proteínas vegetais. Isto é o ideal.
  9. Mastigue cada porção de alimento até a liquefazer completamente. Cerca de 100 vezes por cada porção, ou mais, se for capaz de o fazer. Se lhe parecer difícil, observe qualquer ruminante no campo e verá que todos os herbívoros mastigam pacientemente. É apenas uma questão de treino.
  10. Aprenda cozinha macrobiótica. Recomendo-lhe que tenha aulas com um cozinheiro ou uma cozinheira experiente na sua cidade ou no seu país. Se isso for impossível, oriente-se através de livros. Mas o verdadeiro êxito com este sistema de alimentação alcança-se quando se aprende com um especialista. Se não existirem locais de ensino no seu país, participe em seminários ou cursos no estrangeiro. Na minha opinião, a melhor cozinha macrobiótica do mundo é ensinada em São Paulo, no Brasil, na Escola Musso, do mestre Tomio Kikuchi. Procure «Escola Musso» no Facebook.
  11. Dedique diariamente pelo menos meia hora à leitura sobre macrobiótica, medicina oriental e desenvolvimento do poder interior. O nosso verdadeiro tesouro é invisível. É interior. Chama-se Sabedoria.
  12. Estabeleça como propósito servir a humanidade, da forma como sentir o chamamento para servir. Procure criar a maior força vital de que for capaz, tendo como objetivo servir mais e melhor. Utilize os seus talentos para os partilhar com o mundo. Foi para isso que lhe foram concedidos.
  13. Cultive a gratidão. Por tudo e por todos. Agradeça desde o momento em que se levanta até ao momento em que se deita. Agradeça não apenas o que é belo e formoso, agradável e prazeroso. Agradeça a doença, os problemas, os obstáculos, as injustiças, as crises e os descontrolos. Tudo foi feito para nos tornar fortes e experientes.
  14. Cultive o amor. Procure amar todas as formas de vida. Veja a divindade em tudo: em cada inseto, em cada vírus, em cada expressão de vida com que entrar em contacto. Ao amar as outras formas de vida, compreenderá que deve amar-se a si próprio com toda a sua alma. Porque é feito da mesma matéria de que são feitos os sonhos. O leitor é um sonho. Alguém teve de sonhar consigo para que aparecesse.
  15. Fortaleça a sua vontade. Estabeleça o objetivo de alcançar uma vontade de ferro. Assim, poderá conseguir tudo o que quiser na vida. Comece por coisas pequenas e vá aumentando gradualmente o nível de dificuldade. Como na universidade: em cada ano, o desafio é maior; em cada ano, é mais difícil. É assim que a força aumenta. É assim que a vontade cresce.
  16. Utilize apenas palavras positivas e amáveis, mesmo quando falar consigo próprio. Fale apenas de saúde, felicidade, amor, sucesso e bem-estar. Evite, tanto quanto possível, falar daquilo que não quer ou não deseja. Porque a palavra atrai por semelhança. Habitue-se a falar daquilo que deseja.
  17. Estude os fundamentos da física quântica. É apaixonante. E descobrirá que são os seus sentimentos que criam mais diretamente aquilo que deseja. Desenvolva a capacidade de sentir que aquilo que está a «pedir» já vem a caminho. Esta é a capacidade mais importante da vida: a fé que move montanhas. Sentir e saber, no seu coração, que aquilo que procura alcançar já existe e vem a caminho. Não importa quando. O importante é sentir que vem a caminho. Treine e fortaleça, através da prática, esta capacidade divina. Quanto mais poderosa for essa fé, essa certeza, mais rapidamente acontecerão os milagres.
  18. Continue estas práticas com todo o seu coração e todo o seu entusiasmo durante seis meses. Se descobrir que esta forma de viver lhe proporciona uma imensa felicidade, continue durante três anos. E, depois, durante sete anos. Ao fim desse tempo, terá alcançado a Grande Saúde. Então, venha visitar-me e eu abraçá-lo-ei. E choraremos juntos. E toda a humanidade celebrará. E este mundo será um pouco mais belo graças a si. Terá embelezado a criação. Agradeço-lhe antecipadamente. E já o celebro no meu coração. Ficarei à sua espera. Obrigado.


 

 

A EFICÁCIA DA MACROBIÓTICA

Dr. Martín Macedo

A macrobiótica é a forma biológica de os seres humanos se alimentarem. Não é vegetariana nem carnívora, nem vegana, nem naturista. É simplesmente a compreensão de que o alimento é o meio para alcançar uma grande (macro) vida (biótica). A macrobiótica, tal como foi concebida pelo seu fundador, Georges Ohsawa, é uma via para uma vida grandiosa, poderosa, cheia de vida, cheia de força, cheia de coragem, cheia de paixão e cheia de felicidade. É um ideal. É uma utopia. É a entrada no Reino dos Céus na Terra.

A filosofia da macrobiótica parte do princípio de que o alimento tem um poder tão grande que é capaz de criar um tipo de vida assim magnífica. Utiliza meios simples: alimentos naturais bem preparados, mastigação cuidadosa e consciente, trabalho físico quotidiano, meditação, gratidão, desenvolvimento da compreensão e objetivos muito precisos, de absoluta clareza. É um caminho que recorre a estas disciplinas simples e procura levá-las a um nível de mestria.

Para ser um mestre da macrobiótica, é necessário estudá-la e praticá-la persistentemente durante muitos anos. E fazê-lo com toda a vontade, com o propósito claro de criar a experiência de uma vida grandiosa. É um sonho. Um belo sonho. Tão belo que desperta uma vontade inabalável de praticar e praticar, dia e noite, ano após ano, década após década, até atingir a mestria.

A mim, cativou-me há 32 anos. E amo-a com toda a minha alma. E agradeço aos professores e mestres que me fizeram vislumbrar o seu misterioso poder. Pode curar quase tudo. Na verdade, creio que nada consegue resistir ao seu poder. A única doença que a macrobiótica não consegue curar é a arrogância. Ou a negação obstinada da possibilidade da saúde ou da cura.

O arrogante diz: é impossível. Não há cura. Foi o médico que o disse. Não está cientificamente comprovado ou as provas não são conclusivas. A prática da macrobiótica dá-nos um imenso poder fisiológico. E um enorme poder mental e emocional. E desperta uma gratidão que nos faz chorar de felicidade. É belíssima. É a mais bela pérola do Oriente. E decidi casar-me com ela. E, a cada dia, amo-a mais.

Agora, estou a partilhá-la com muitas pessoas de muitos países. Todos os que a experimentam com uma boa compreensão melhoram, sem exceção. E apaixonam-se por ela. Ficam-lhe gratos para sempre. Porque a macrobiótica é uma força. É encher-se de força. De coragem. De convicção. De segurança. É como ter um seguro contra todas as doenças. É uma sensação de empoderamento que nos faz sentir eternamente jovens.

Mas apenas atingem tal nível de sucesso aqueles que a praticaram durante anos. Contudo, alguns dos que conheci conseguiram-no em poucos meses. São os alunos «estrela». Conheci muitos destes alunos «estrela». Em poucos meses, curam-se a si próprios. E começam a incentivar os irmãos, o companheiro ou a companheira, os amigos e os conhecidos, e todos começam a segui-los. E todos melhoram.

Começam a dar conferências e a convencer com o seu vigor e entusiasmo eloquentes. Com o seu carisma e brilhantismo. E todos querem começar quanto antes. São alunos que, em pouco tempo, conseguem despertar um amor e um entusiasmo irresistíveis. E centenas de pessoas começam a praticar e a sentir-se melhor, mais felizes, gerando-se uma bola de neve imparável.

Abrem-se restaurantes macrobióticos, lojas de alimentos e acampamentos de verão e de inverno. E enchem-se de entusiastas provenientes dos cinco continentes. É a força macrobiótica. É uma grande força. É como uma bomba atómica. É uma força divina e bendita, que cura e dá felicidade à humanidade.

Mas estas explosões ocorrem esporadicamente. Porque, por detrás delas, tem de existir uma pessoa. Apenas uma. Uma pessoa que tenha conseguido praticá-la e compreendê-la profundamente. Sem uma compreensão poderosa e sem uma prática profunda, a macrobiótica parece algo pobre, sem vida, triste, limitado, rígido e medíocre.

A magia dos líderes. Ohsawa dizia que bastava que uma única pessoa compreendesse profundamente a macrobiótica para gerar este tipo de onda gigantesca. Um excelente praticante, com uma compreensão poderosa, gera dez mil praticantes. A magia do exemplo. O exemplo comove milhares de pessoas.

Mas o mais importante é compreender. Sem compreensão, a macrobiótica é apenas uma triste dieta de alimentos naturais. E não é uma dieta. É uma via para a força infinita. Para a felicidade infinita. Para a divindade que espera pacientemente para germinar no nosso corpo.

O alimento como fonte de energia sem limites. Função perfeita. Saúde perfeita. Se um vírus nos derrota, não temos nem saúde perfeita nem função perfeita. O vírus, a bactéria, o verme e o gorila são feitos da mesma matéria que nós. Energia e informação. Tudo é feito da mesma matéria. Pacotes de energia inteligente. Antes da era quântica, chamavam-lhes átomos. Agora sabe-se que os átomos são pacotes de energia inteligente.

A vida é isso: energia e inteligência. Energia e amor. Mais energia significa mais saúde. Mais função. Mais alegria. Mais felicidade. Mais confiança. Mais beleza. A morte é a diminuição da vida até a um ponto-limite. A doença é uma diminuição da vida. Uma diminuição da função. Menos energia. Menos coragem. Medo. Desamparo. Tristeza. Dor. Angústia. Miséria. Fealdade. Cansaço crónico.

Yin e Yang. Os dois caminhos. Um aumenta a vida, a energia, a função, a beleza, a alegria e o amor. O outro diminui-os, apaga-os e degrada-os. Entramos num elevador. Conforme o botão em que carregarmos, o elevador subirá ou descerá. Aumentará ou diminuirá a distância em relação ao piso.

Quem compreende a macrobiótica aumenta a sua vida, a sua energia, a sua força, a sua paixão e o seu amor até limites indescritíveis. Só quem o experimenta pode saber em que consiste esta espécie de glória. E, se a doença for a causa que nos leva a praticar a macrobiótica, estaremos eternamente gratos à doença.

Se o inverno for a causa da primavera, agradecerei com todo o meu coração a chegada de cada inverno. Em vez de amaldiçoar o frio. Em vez de me queixar do frio. Em vez de me atormentar a pensar: «Isto ainda agora começou. Oxalá passe depressa…»

Se o vírus nos derrota, é porque está a utilizar uma energia e uma informação mais poderosas do que as nossas. Se o vírus nos derrota, é porque é mais forte do que nós. Se o vírus nos derrota, é porque compreende a macrobiótica mais profundamente do que nós. Porque a macrobiótica é a arte de aumentar a energia vital pessoal até níveis sublimes.

E qualquer criatura pode fazê-lo. Pode fazê-lo um passarinho, pode fazê-lo uma mosca, pode fazê-lo um golfinho. Ou pode fazê-lo o vírus do HPV. Todos podem ascender na escala da energia. Se o vírus o consegue, se o passarinho o consegue, você também pode consegui-lo.

O vírus vem desafiá-lo. Se tiver a sua energia muito elevada, a sua função em níveis de excelência e uma saúde avassaladora, ambos se divertirão durante algum tempo e depois ficarão amigos. Mas, se a sua energia e a sua função estiverem a diminuir, o vírus fá-lo-á passar um mau bocado.

Mas não tem o propósito de o matar. Tem, sim, a missão divina de o obrigar a aumentar a sua função, a aumentar a sua força, a aumentar a sua compreensão e a aumentar o seu poder de autodefesa imunitária. Vem dizer-lhe aquilo que você não quer ouvir: que está em declínio; que está a enfraquecer; que está a perder a sua beleza, a sua força e a sua magia; que se está a aproximar, pouco a pouco, do ponto sem retorno.

E, inconscientemente, você sabe-o. E sabe que tem de fazer mudanças. Mas adia-as porque agora está «muito ocupado». A viver a vida que não quer viver. Você quer outra coisa. Quer uma grande vida. Uma vida cheia de força. Cheia de paixão. Cheia de triunfos. Como a vida dos grandes vencedores.

Eles têm uma grande saúde. A energia ilimitada da divindade. São estrelas. E as estrelas brilham com a sua energia sem limites. Eles conseguiram-no, muitas vezes sem saberem como. Foram abençoados pela genética. Ou tiveram pais sábios que os treinaram para serem estrelas desde a infância.

Mas nem todos têm essa sorte. Com a macrobiótica, porém, podemos acender a estrela. Porque a estrela é apenas um núcleo de energia explosiva. E podemos acender essa energia. A macrobiótica pode fazê-lo. Mas é necessário conhecê-la profundamente e estudá-la.

Se deseja conhecê-la, posso dar-lhe algumas pistas. Porque acendi esse fogo há muitos anos. E desejo partilhar o meu segredo. O segredo da grande saúde.

 

Thursday, September 3, 2026

 

RECUPERAR A FORÇA DE AUTOCURA

Dr. Martín Macedo

Trata-se da educação vital. A fonte da grande saúde. Esta grande saúde implica coragem, autoconfiança e fortalecimento das capacidades funcionais. Das capacidades vitais. Mais vida. Mais função. Mais imunidade. Em vez de enfraquecer os vírus, ocupa-se de fortalecer as pessoas. Mas não através da injeção de substâncias artificiais. E sim ensinando a viver. Ensinando a criar corpos fortes e resistentes. Ensinando a amar a cultura física. A amar a vida e a saúde como pilares de uma existência grandiosa e com significado.


A promoção da saúde deveria basear-se na educação vital. Mas isto acontecerá no futuro, quando se consolidar uma humanidade espiritualmente mais elevada. Ainda estamos numa etapa espiritualmente muito atrasada. Predomina a barbárie. A insensibilidade. A maior parte das pessoas alimenta-se à base de proteínas provenientes de milhões de animais sacrificados desnecessariamente. Fígados, rins, estômagos, corações, intestinos «recheados», língua (em vinagrete), sonhos de miolos (de bovino).

Enquanto nos basearmos nestas fontes de alimentação, o nosso pensamento continuará a ser «bárbaro» e espiritualmente atrasado. Os nossos esforços para nos «elevarmos» através da oração e da meditação serão neutralizados por este tipo de hábitos próprios deste fim de era.

Porque há 500 anos não era assim. As pessoas alimentavam-se com mais proteínas vegetais simplesmente porque não existia a tecnologia alimentar que temos hoje, que permite que todos os habitantes de uma nação se alimentem com um frango ao almoço e outro ao jantar. E, aos fins de semana, a clássica e amistosa «reunião de amigos», onde a quantidade de carne, lacticínios e vísceras se multiplica por 5 ou por 10. Dependendo da resistência individual.

Depois, na segunda-feira de manhã, no trabalho, há a inevitável conversa sobre a quantidade que comemos, as sobremesas, toda a bebida e como nos divertimos com os «amigos».

Há 5 séculos ou 10 séculos isto não era possível. Porque os alimentos eram obtidos através de técnicas artesanais. Tanto na atividade agrícola como na criação de animais. Com exceção da realeza. A corte, os de «sangue azul», podiam dar-se ao luxo de comer carne e pão branco em todas as refeições. E sobremesas com açúcar, que custava, na Idade Média, algo como 50 dólares por meio quilo. E era necessário esperar que as caravanas de camelos trouxessem os pães de açúcar de cana da Arábia.

A hemofilia e a diabetes eram as doenças da nobreza europeia e asiática. E a gota e os enfartes.

Na Antiguidade houve períodos em que alguns grupos humanos podiam comer muita carne, tal como hoje faz qualquer cidadão de classe média na maior parte das cidades do mundo.

Quando o Império Romano chegou ao seu apogeu, começaram as festas, os bailes e os luxos. A vida de «ricos». A riqueza obtida à força de chicote e espada em todos os cantos do império.

E assim começou o declínio do Império Romano. Festas faustosas com grandes quantidades de comida e bebida. Muitos animais diferentes e muito vinho. Pato, borrego, faisão, peixe, galinha, ovos, bovinos e as suas vísceras. Em grandes quantidades.

E depois o «vomitorium». Para esvaziar o estômago e voltar a desfrutar dos abundantes manjares de origem animal.

A história relata-o muito claramente. Quando começaram este tipo de festas, começou o declínio de Roma. Começou o declínio da saúde dos romanos. O declínio da grande força e ambição que os levou a criar o maior império da história da humanidade. O império mais extenso no tempo. Aquele que mais durou.

Excessos de todos os tipos. Excessos com a comida e a bebida. Excessos sexuais escandalosos. E assim começou o declínio. O enfraquecimento. O desmoronamento.

Depois da ascensão vem a queda. E a queda ocorre sempre quando, ao chegar ao «topo», começam os festejos excessivos. Ocorre quando se ignora que a base da grandeza, do sucesso e da majestade está numa saúde majestosa, numa vitalidade infinita e num corpo temperado pela sobriedade e pelo treino rigoroso.

Quando os romanos estavam em plena expansão, os soldados levavam 30 quilos de trigo torrado num saco como base da sua alimentação. Cada soldado levava essa ração. Iam a pé ou a cavalo. E assim viajavam durante semanas inteiras até ao seu destino, até ao local da batalha. E, se encontrassem algum alimento na região, algumas frutas ou alguma carne, acrescentavam-no à sua base de trigo torrado. Demolhavam-no e comiam-no assim. Pré-cozido.

Algo semelhante faziam os soldados do Vietcong. Levavam arroz integral torrado como ração básica. Se conseguiam outras coisas, consumiam-nas. Mas, se não houvesse nada, tinham o seu alimento básico. Arroz integral torrado. Demolhavam-no durante alguns minutos e pronto.

Uma base de cereais. É muito mais fisiológica do que uma base de proteínas animais.

Mas, quando os romanos chegaram ao topo e se tornaram ricos e poderosos, começaram a alimentar-se à base de proteína animal. E tornaram-se mais cruéis e déspotas do que nunca.

Se observarmos a história das civilizações, verificaremos que existe uma relação entre a brutalidade, a crueldade, a insensibilidade e o consumo de partes ou vísceras de animais. Os povos vegetarianos ou semivegetarianos sempre foram mais sensíveis ao espiritual. E mais respeitadores da vida. Em todas as suas formas.

O homem civilizado, sobretudo no Ocidente, alimenta-se com abundante proteína animal, proveniente de corpos, músculos ou vísceras de diversos animais. Também «miudezas de frango». Fígado, rim e outras vísceras.

Na China, alguns cozinheiros «bárbaros» utilizam pulmões de cabra ou de cão para fazer uma deliciosa sopa de tofu. E também fritam insetos panados em farinha de arroz. E as pessoas compram-nos como petisco durante um passeio com as crianças.

A barbárie está por toda a parte. E a barbárie começa com a ignorância da relação existente entre o consumo de derivados animais e a lucidez da inteligência.

Não se pode ter um espírito elevado mantendo uma dieta com «elevado teor de derivados de partes de animais ou das suas vísceras». Ou «elevo» o pensamento espiritual ou «elevo» o teor de proteína animal.

Por isso, no budismo e noutras disciplinas religiosas ensinam-se o jejum e a abstinência frequente de derivados animais. No budismo mais tradicional, a recomendação do vegetarianismo é crucial. É um dos pilares do budismo. Mais do que o «pensamento» budista.

O pilar é a prática…… do budismo.

Quem se alimenta à maneira «romana» não pode ser um bom budista, ainda que estude com todas as suas forças os textos, recite os sutras ao amanhecer e pratique todas as disciplinas tradicionais.

De facto, quem se alimenta à maneira da antiga Roma opulenta não se interessa minimamente nem pelo budismo nem pelo desenvolvimento espiritual.

Por isso, do ponto de vista espiritual, neste momento e na maior parte das nações do mundo, estamos ao mesmo nível que os bárbaros romanos. Abusando da comida de origem animal e da bebida. Abusando de tudo aquilo que nos dá prazer físico até à saciedade.

Somos como bárbaros com «brinquedos» tecnológicos. Somos «bárbaros» diplomados. Somos «bárbaros» ricos e poderosos. Bárbaros com telemóveis de última geração.

Mas esse estilo de vida destrói rapidamente a saúde. Ao chegar aos 40 anos, a maior parte das pessoas já tem pelo menos uma doença crónica «incurável». E a incidência de cancro, diabetes e hipertensão aumenta cada vez mais. E isto está a acontecer em idades cada vez mais precoces.

Nunca se viram tantas crianças a receber quimioterapia como actualmente. As pessoas com cerca de 60 anos dizem-nos: «Na minha infância nunca vi uma criança “carequinha” com cancro. Agora, no meu bairro, vejo cada vez mais crianças sem cabelo, a receber quimioterapia.»


Os tempos mudaram. Estamos a perder a força de autocura. Porque escolhemos viver de uma forma antinatural. Antibiológica.

Estamos a cometer o mesmo erro que os romanos. Não vamos ao vomitorium, mas comemos proteína animal em excesso. E consideramo-lo uma prática de elevado estatuto social.

E, quando alguém melhora a sua posição económica, aumentam as reuniões sociais e as festas. Celebrando a «subida» do salário ou o cargo mais importante na empresa. Como agora entra mais dinheiro, compramos mais comida e mais bebida. E começamos a entrar em declínio.

Tal como os romanos. Tal como Napoleão. Tal como os czares russos.

Há centenas de anos que cometemos o mesmo erro. Não compreendemos nem queremos compreender que a base da «ascensão» é uma saúde de ferro. Não há ascensão sem um corpo forte e resistente. Cheio de sonhos, cheio de entusiasmo, cheio de fé, cheio de vitalidade.

Se estudarmos a vida das pessoas famosas, encontraremos o mesmo processo. Sobem e, imediatamente, começam com luxos, festas e prazeres escandalosos. E, pouco tempo depois, a queda, o escândalo e até a morte.

O nosso corpo é uma imensa dádiva do Criador. Tem uma imensa capacidade de adaptação. Foi aperfeiçoado ao longo de milhares e milhares de gerações. É incrivelmente resistente. É prodigioso.

Mas tem um limite. E estamos a chegar ao limite da sua resistência.

Mas alguns especialistas continuam a insistir na «necessidade» de ingerir proteínas animais todos os dias. Sobretudo as crianças. E assim o ciclo da ignorância repete-se a cada nova geração.

Mas existem algumas culturas que, durante milénios, se têm dedicado a temperar e fortalecer os nossos magníficos corpos. E fazem-no ainda hoje. E podemos imitá-las e aprender com elas.

São os povos da Ásia. Os asiáticos tradicionais temperam os seus corpos com esmero, plenamente conscientes da relação entre uma saúde de ferro e a «ascensão» social e económica.

Como o fazem?

Através da disciplina.

E fazem-no hoje.

E fá-lo-ão amanhã……

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                                                                      CALANDIVA                                                             ...