Saturday, April 25, 2026

 

COMO PRODUZIR LIBERDADE E FELICIDADE

APENAS ATRAVÉS DA ALIMENTAÇÃO

Autor: George Ohsawa - Divulgado por Rui Rato

Explicarei um deles, que é muito fácil de praticar. Depois disso, poderás aplicar o yin e o yang em qualquer domínio, se os compreenderes verdadeiramente. É melhor falares primeiro sobre isto com os teus pais, com os teus irmãos e irmãs e com os teus amigos.

Assim, a tua compreensão aprofundar-se-á cada vez mais.

E descobrirás que o mundo da felicidade e da liberdade é infinito, à medida que continuares a falar sobre isto à tua volta, a um número de pessoas em constante crescimento.

Comecemos então por estudar bem como distinguir o yin e o yang.

CAPÍTULO XV: COMO PRODUZIR LIBERDADE E FELICIDADE APENAS ATRAVÉS DA ALIMENTAÇÃO

Neste mundo, tudo o que tem um começo tem, absolutamente, um fim, e tudo o que tem uma frente tem um verso. Aquele que ignora isto é infeliz, doente, um escravo…

Porque é que as pessoas não compreendem que tudo o que tem um começo tem um fim, e que tudo o que tem uma frente tem um dorso?

Porque o começo e o fim, a frente e o dorso, são completamente contrários e não se assemelham em nada.

Por exemplo, o nascimento é o começo da morte, e a morte é o começo do nascimento. São completamente diferentes um do outro. O nascimento é sinónimo de alegria, e, pelo contrário, a morte é sinónimo de tristeza. Ganho e perda são frente e dorso.

A vantagem de possuir a bomba atómica inclui o medo de que outros países roubem o seu segredo e a fabriquem.

Existe, portanto, o princípio do começo e do fim, e o da frente e do dorso.

Mas afirmo que não existe começo nem fim nestes princípios, nem frente nem dorso. Essa é a verdade. As coisas têm sempre um começo e um fim, uma frente e um dorso.

Se o começo é yang, o fim será certamente yin. Se a frente é yang, sem dúvida o dorso será yin. Isto é absoluto. Se conheces esta verdade, podes preparar o teu futuro. Consequentemente, podes evitar a infelicidade e a tristeza e construir a tua felicidade.

Então, como distinguir o yin e o yang?

Tudo o que é escuro, triste e frio pertence à categoria do yin, e, pelo contrário, tudo o que é claro, luminoso, alegre, jovial e quente pertence à categoria do yang.

Antes de mais, podes tentar aplicar este critério de distinção yin-yang a todas as cores. Existem sete cores. Quais são as cores yang? Todos conseguem responder: são o vermelho, o laranja, o amarelo e o castanho; todos sentem que são quentes e claras. Do mesmo modo, sentimos que o violeta, o índigo e o azul são cores yin. Esta impressão é universal. A beringela, a batata, os rebentos de bambu, a uva, o figo são violetas. São certamente yin. Se comeres demasiado destes alimentos, tornar-te-ás yin. Se duvidas disto, basta experimentares. Se durante dois ou três meses dermos estes alimentos todos os dias a um doente com tuberculose, ele tornar-se-á yin, tossirá cada vez mais, cuspirá muito sangue e, por fim, morrerá. O que é violeta é extremamente yin.

Pelo contrário, se dermos alimentos de cor vermelha, castanha ou amarela — por exemplo, carne, peixe, cenouras, ovos, cebolas, etc. — a uma criança pequena dia após dia, ela tornar-se-á certamente demasiado yang: estará sempre apressada, impaciente, exaltada; lutará frequentemente com os seus irmãos, irmãs e amigos e discutirá muitas vezes com os pais.

Se tivermos consumido estes alimentos yang desde a infância, várias doenças poderão surgir mais tarde: sarampo, escarlatina, doenças do fígado, epilepsia, loucura, ou então poderemos cometer crimes como homicídio, violência, agressões, etc.

Em suma, a vida ou o destino de um homem é determinado pelos alimentos que formam a particularidade da sua constituição e, consequentemente, o seu carácter. Mas, infelizmente, não tenho tempo para vos explicar isto em detalhe. Espero, portanto, que confirmes por ti próprio a relação existente entre a alimentação e a vida, sem acreditares cegamente nas minhas simples palavras.

Não é apenas pela cor que podemos distinguir o yin e o yang nos alimentos. Isso seria demasiado simples. Na realidade, devemos ter em conta muitos outros critérios. Antes de mais, devemos conhecer a quantidade de água. Um alimento que contém muita água é yin. Em geral, aquele que é yang por natureza absorve muitos líquidos ou alimentos que os contêm (chá, café, álcool, chocolate, frutas). Mas se continuar a beber e a alimentar-se assim durante anos, acabará por se tornar yin. Se aquele que é yin bebe muito, terá sempre lágrimas nos olhos, transpirará facilmente, urinará frequentemente, salivará muito e, por fim, perderá a sua vitalidade e energia, adoecendo facilmente com doenças como problemas cardíacos, doenças renais e diabetes.

É extremamente importante prestar verdadeira atenção à fruta. Se comes fruta todos os dias, ou se comes muita fruta num só dia, terás certamente doenças cardíacas. Ou os teus olhos enfraquecerão, os teus músculos e ossos tornar-se-ão menos robustos. Ou sofrerás de hérnias ou problemas de estômago. Tudo isto significa que, tristemente, terás de viver a vida de um fracassado. Na minha opinião, uma peça de fruta é pior do que um litro de água. A fruta é tão yin que yiniza o homem muito rapidamente.

No entanto, o açúcar é ainda mais nocivo do que a fruta. O seu efeito é tremendo. Se não conseguires desapegar-te de doces, bolos, rebuçados, chocolates, etc., terás de renunciar completamente à liberdade e à felicidade. Uma dentada de pastel equivale a uma grande quantidade de fruta. Se comes açúcar todos os dias, terás dores de estômago, dores no coração, dores nos olhos, dores nos rins e dores de dentes. Ou então terás hemorróidas. Tornar-te-ás doente, sofrerás de constipações e de tuberculose. O teu carácter tornar-se-á muito yin: serás tímido, cobarde, esquecido, pessimista e receoso do futuro. O mais embaraçoso será a perda da memória, da vontade e da paciência. E, no fim, tornar-te-ás um fracasso na vida

Devemos distinguir o yin e o yang do ponto de vista fisiológico, biológico, bioquímico, geográfico, económico, etc. Mas tudo isto é demasiado especializado para ti. É por isso que te dou o simples conselho de aprenderes o que é a macrobiótica. Se desejas tornar-te como Franklin, Lincoln, Watt ou Faraday, e viver uma vida mais feliz do que a deles, elimina antes de mais os seguintes alimentos e adopta este novo modo alimentar, nem que seja apenas durante um mês.

A. EVITAR

1. Carne, ovos, frango, grandes quantidades de peixe, etc. (isto é, praticar o vegetarianismo).

2. Frutas, batatas, tomates, beringelas.

3. Doces.

4. Não consumir vinagre.

5. Beber o mínimo possível, de modo a não urinar mais de quatro vezes por dia.

B. MACROBIÓTICA ELEMENTAR

1. Como prato principal, comer arroz integral, trigo, millet, cevada e todos os outros cereais integrais. Trigo-sarraceno também.

2. Como acompanhamento: bardana, cenouras, abóbora, alho-francês, cebolas, gomásio.

3. Usar sal e óleo apenas como tempero (sal marinho e óleo de sésamo ou de colza).

4. Pode usar kombu e bonito (ou peixe pequeno) para caldo.

5. Mastigar cada garfada (cerca de 10 g) pelo menos trinta vezes. Se estiveres doente ou desejares tornar-te como Franklin ou Faraday, deves mastigar mais de cinquenta vezes.

6. A proporção dos acompanhamentos deve representar um quarto ou um quinto do prato principal.

Experimenta (A) e (B) apenas durante um mês. Não é difícil nem caro. Podes praticar isto em qualquer altura e em qualquer lugar. Se não fores capaz, terás de renunciar a uma vida feliz e livre.

RESULTADOS

Sentir-te-ás fresco, com memória lúcida, maior paciência, julgamento rápido, energia acrescida e eficiência no trabalho. Serás apreciado por todos e ganharás confiança e responsabilidade.

Continua, e compreenderás gradualmente a vida, a justiça, a liberdade, o amor, a paz, a verdade e Deus.

O FIM

 

 ·

"EU COMO DE TUDO E NADA ME FAZ MAL",

SERÁ QUE É VERDADE?

Rui Rato

24 de dezembro de 2016

A maioria das pessoas por desconhecimento do Princípio Único vive equivocada, e as consequências são na verdade muito graves para a sua fisiologia.

Um dos teoremas do principio único diz: QUANTO MAIOR A FACE, MUITO MAIOR O DORSO.

As pessoas que comem de tudo sem sentir nenhum sintoma que as faça mudar de rumo na realidade não são pessoas sortudas como a maioria pensa, muito pelo contrário, são muito azaradas.

Tais pessoas são muito Yang e como tal, a sua capacidade de acumular excessos, em particular de Yin é maior que uma pessoa muito Yin, mais fraca e sensível, que facilmente adoece.

Uma esponja seca,Yang, absorve muito mais água que uma esponja molhada.

Como são muito Yang, os sintomas doentios só se manifestação quando o problema já é muito grave, porque a natureza do Yang é a resistência.

O exemplo típico são a maioria dos doentes cancerosos, que até saber que têm cancro, praticamente não têm sintomas clínicos.

É POR ISSO QUE A SAÚDE DESCONTROLADA É MAIS PERIGOSA QUE A DOENÇA CONTROLADA.

Assim a causa principal das doenças, não são os vírus, a falta de nutrientes, a hereditariedade, ou o que quer que seja que o seu médico diga, mas o desconhecimento da ordem do universo e do principio único, que diz que QUANTO MAIOR A FRENTE, A SAÚDE DESCONTROLADA, MUITO MAIOR SERÁ O DORSO, A DOENÇA.

Assim e paradoxalmente, a saúde descontrolada é muito mais perigosa que a doença controlada.

Mas infelizmente não existe nem vai existir nenhum medicamento para tal doença, o que mostra que a medicina sintomática é muito miserável.

Estamos em plena época natalícia, época de festas, quem não conhece o principio único e não sabe que tudo o que tem uma face tem um dorso e que quanto maior a face muito maior o dorso, corre o risco ter uma festa natalícia maravilhosa e um péssimo dia seguinte.

Boas festas, respeitando a Ordem do Universo.

 

 

*A MEDICINA SEGUNDO O PRINCÍPIO ÚNICO*

*Tradução de Clim Yoshimi*

*(Extraído de "A medicina segundo o Princípio Único", livro que George Ohsawa escreveu na Índia em 1954, no qual explicava a quintessência (o que há de melhor) da medicina macrobiótica).*

 

Nascimento, vida e morte do homem, tudo isso depende da sua alimentação.

Aquele que se alimenta segundo a Ordem do Universo, vive são e feliz.

Pelo contrário, aquele que se afasta desta Ordem, torna-se doente e infeliz.

Portanto, há apenas uma forma de curar a doença: alimentação verdadeira, receitas equilibradas e maneira correta de se alimentar.

Por outras palavras, isto significa que se vive segundo a Justiça.

*NO ENTANTO, HÁ 350 000 ANOS (DESCOBERTA DO FOGO), NINGUÉM COMPREENDE ISTO.*

É absolutamente necessário possuir um discernimento são. Os doentes nunca têm um julgamento elevado.

É POR ISSO QUE É MUITO FÁCIL CURAR A DOENÇA, MAS QUASE IMPOSSÍVEL CURAR O DOENTE.

Não se deve curar a doença, mas apenas ensinar ao doente como curar-se.

E da mesma forma, o infeliz deve aprender a salvar-se a si próprio.

No entanto, o homem guiado por um discernimento sentimental ou por um discernimento social mais elevado, pretende estabelecer uma sociedade nova de onde será eliminada a causa da doença e da infelicidade.

E por vezes também a avidez incita o homem a ganhar a vida tratando os doentes.

Todos os doentes que "recuperam" a saúde através da medicina e dos medicamentos são semelhantes aos poliomielíticos que vivem num pulmão de aço.

Não podem prescindir dele durante toda a sua vida.

Quando se consulta um médico, ainda que seja apenas uma vez, deve-se sempre permanecer sob o seu controlo.

Dia após dia, teme-se morrer subitamente. l

É por isso que o homem se torna cada vez mais doente, proporcionalmente aos progressos da medicina social e do sistema de seguros de saúde.


*Em conclusão, basta praticar a macrobiótica da seguinte forma:*

·      *Arroz integral e legumes silvestres, na proporção de cinco para um.*

·      *Não se precisa de mais nada.*

·      *Mastiguem cem vezes cada garfada.*

·      *Beber pouco de forma a ter apenas três micções por dia.*

·      *É assim que se deve praticar a macrobiótica durante pelo menos três meses.*


Contudo, não se deve sobretudo esquecer que, durante este tempo, deve-se gastar energia física até à exaustão, todos os dias, eis o segredo do restabelecimento da Saúde, segundo a tradição oriental.

Se os doentes não querem morrer, só têm de adotar o meu método primitivo.

De qualquer forma, devem esforçar-se a todo o custo por praticá-lo perfeitamente. *Na realidade, é só depois de o terem seguido seriamente durante três anos que obterão pela primeira vez a verdadeira saúde.*

(Se, apesar de tudo, não se restabelecem, é porque não estão qualificados para viver. Têm uma vontade fraca, são muito negligentes. Pois provavelmente, falta-lhes a compreensão. Não precisam de ir para o inferno depois da morte porque já lá estão).

Em seguida, se durante sete a nove anos, ensinarem aos outros a sua experiência, será a verdadeira aprendizagem para se tornarem homens livres.

Depois disso, o homem diverte-se tanto quanto lhe apetece, até à sua morte. Tal é a vida do homem livre.

 

- Divulgado por RUI RATO através do Fb.

Friday, April 24, 2026

   


                                                                       Ionia,

uma comunidade macrobiótica no Alasca

https://ionia.org/
por Florence Wenker, 2000

resumo

O texto descreve a comunidade macrobiótica de Ionia, no Alasca, fundada por várias famílias que, nos anos 80, decidiram abandonar a vida convencional para ir viver em comunidade segundo os princípios da macrobiótica.

Depois de passarem por vários locais nos Estados Unidos, instalaram-se na península de Kenai, onde vivem de forma quase autossuficiente. Praticam agricultura, seguem uma alimentação vegana e partilham recursos, rendimentos e decisões, num modelo semelhante a um kibbutz. Não há hierarquias formais e tudo é decidido em grupo através da discussão.

As crianças são educadas dentro da comunidade e crescem com os valores macrobióticos. O estilo de vida privilegia a saúde, o contacto com a natureza e a simplicidade, rejeitando a sociedade de consumo.

O texto defende que a macrobiótica só atinge o seu verdadeiro sentido quando vivida em comunidade. Segundo os membros de Ionia, o “espírito macrobiótico” nasce da convivência, da partilha e da proximidade entre as pessoas. Viver em conjunto é visto como essencial não só para o bem-estar individual, mas também como uma forma de transformação social mais ampla.

texto

Existe no Alasca uma comunidade macrobiótica chamada Ionia. Há cerca de 12 anos, várias famílias de estudantes deixaram a sua casa em Boston e decidiram aventurar-se a viver em comunidade. O seu percurso levou-os primeiro à Califórnia e, depois, pelos “acasos da vida”, acabaram por se reunir quatro famílias no Alasca, escolhendo o nome Ionia.

Eis a história desta pequena comunidade.

Porquê Ionia?

Ionia era o nome de uma região da Ásia Menor (actual Turquia), que incluía parte das ilhas do mar Egeu. Há 2500 anos, os habitantes de Ionia tiveram a revelação de que o universo não era o caos, mas que tinha uma ordem; que a doença não era causada por demónios ou deuses; que a natureza não era totalmente imprevisível, mas obedecia a leis. Porque é que estas ideias se desenvolveram ali e não nas grandes cidades da Índia, do Egipto, da China ou da América Central? A explicação é que essas grandes cidades eram centros de impérios, geralmente hostis a ideias novas. Mas em Ionia, pelo contrário, existia uma multiplicidade de ilhas que tornava impossível qualquer hegemonia. O isolamento dos habitantes deste arquipélago favorecia a diversidade de pensamento. Mercadores, viajantes e marinheiros da Ásia encontravam-se nos portos de Ionia para trocar mercadorias, histórias e ideias. Essas discussões levaram à crítica das tradições, dos preconceitos, dos discursos e dos deuses. Essas pessoas estavam dispostas a fazer experiências. E, uma vez iniciado o hábito de questionar, cada questão levava a uma outra… (Adaptado de Cosmos, de Carl Sagan)

Para nós, tudo começou com a leitura de uma mensagem na Internet que despertou a nossa curiosidade. Homens e mulheres macrobióticos decidiram viver juntos, com tudo o que isso implica em termos de desafios, sacrifícios e espírito de aventura.

Em 1983, vários estudantes partilhavam uma grande casa nos arredores de Boston e estudavam o modo de vida macrobiótico com Michio e Aveline Kushi. Foi o início de uma vida em comunidade que os levou sucessivamente à costa oeste dos Estados Unidos — Califórnia, estado de Washington — e, finalmente, ao Alasca. Durante este percurso, alguns abandonaram o grupo, ficando no fim quatro famílias que se reuniram em Anchorage, no Alasca.

Um ano depois, em 1987, Ted e Eliza, Barry e Cathy, Michael e Vicki, e Bill instalaram-se com os seus filhos na península de Kenai, num terreno de 42 hectares. Este local situa-se no paralelo 60 (aproximadamente à mesma latitude de Estocolmo). Ali, os dias variam de 4 a 5 horas em Dezembro até 22 horas em Junho, com mudanças diárias muito rápidas. A temperatura média varia entre cerca de -5°C no inverno e +16°C no verão.

O grupo passou um ano a viver em tipis e, no ano seguinte, começou a construir cabanas familiares em troncos. Um dos objectivos da comunidade é pôr em prática o modo de vida macrobiótico e educar os filhos fora dos circuitos habituais da sociedade. Todos os verões, regressam aos tipis para aproveitar melhor o curto verão do Alasca. Actualmente, Ionia conta com cerca de 40 membros, dos quais cerca de 30 são crianças e adolescentes, além de visitantes ocasionais.

Organização e modo de vida

A organização interna assemelha-se à de um kibbutz. As principais receitas e despesas são partilhadas; por exemplo, a comunidade possui apenas um veículo. Os recursos provêm sobretudo de um subsídio atribuído a todos os cidadãos americanos residentes no Alasca (cerca de 1.800 dólares por pessoa por ano). Isto permite-lhes viver quase em autarcia (de forma autossuficiente), mantendo independência financeira sem necessidade de trabalho remunerado — mesmo se é por vezes difícil e exija disciplina e contenção de gastos. Mas a luta contra a sociedade de consumo faz parte da sua filosofia.

A agricultura é uma actividade importante em Ionia e todos participam. O verão do Alasca permite cultivar diversos legumes de raiz: bardanas, cenouras, daikon, nabos, rutabagas e todas as variedades de couves. Estes legumes são colhidos no outono e armazenados para o inverno ou transformados em pickles (chucrute). No final do verão, colhem também bagas silvestres, que transformam em purés de fruta. Há dois anos, uma parte do terreno foi reservado para cultivar cereais, como trigo, cevada e aveia. O mar, muito próximo, oferece uma grande variedade de algas comestíveis e deliciosas. Os poucos produtos não disponíveis localmente são comprados na cidade vizinha ou enviados dos Estados Unidos. Todos os membros da comunidade seguem uma alimentação estritamente vegetaliana: não consomem peixe, ovos nem produtos lácteos.

Educação e decisões

Nenhuma das cerca de 30 crianças e adolescentes frequentou o sistema escolar convencional; todos foram educados dentro da comunidade. Quando alguns saem temporariamente para estudar fora, o ideal macrobiótico já está profundamente enraizado neles e o seu futuro traçado - desejam perpetuar o sonho comunitário.

Não existe nenhuma organização hierárquica em Ionia. Tal como na Antiguidade, há cerca de 2.500 anos, as decisões são sempre tomadas em debates comunitários. As discussões são o verdadeiro pivot da vida da comunidade, abrangendo desde a agricultura até aos problemas relacionais e familiares. Para eles, o pensamento é tão importante como a alimentação, e partilhar ideias é tão essencial como partilhar refeições. Tudo é analisado e nessas reuniões, tanto os grandes projectos como os pequenos detalhes do quotidiano. Para eles, a progressão da macrobiótica, acreditam, não depende apenas do ensino, mas da partilha diária. Numa comunidade, os pensamentos, as emoções devem ser minuciosamente estudadas.

Saúde e filosofia

Segundo Eliza, é difícil não estar de boa saúde no Alasca: o ar é perfeitamente puro, as actividades ao ar livre são abundantes e a alimentação é saudável e deliciosa e as tentações de ir fora ao café ou ao restaurante é impossível. Os raros casos de pequenos acidentes são tratados no hospital mais próximo, cujos médicos respeitaram sempre o modo de vida da comunidade. Aprender a macrobiótica é apenas o primeiro passo; integrá-la na vida é o segundo. Depois, naturalmente, surge a criação de uma família macrobiótica. Vários o fizeram, mas parar aí é insuficiente — as comunidades macrobióticas são uma etapa necessária para continuar a implantar o nosso sonho no mundo inteiro. Pequenos grupos ou famílias, isolados e disseminados pelo mundo, não têm nem energia nem força suficientes para perpetuar o movimento. Só podemos esperar que outros sigam o exemplo de Ionia. Viver juntos é o próximo passo a dar. Se nos recusarmos a fazê-lo — por medo, desconfiança, indiferença ou egoísmo — a macrobiótica deixará de nos fazer bem e poderá até tornar-se o nosso pior inimigo.

Algo se perde completamente quando a macrobiótica é praticada isoladamente: perde-se o espírito macrobiótico. Esse espírito não pode ser ensinado — deve ser sentido e vivido. Para que possa continuar a expandir-se, todos os macrobióticos deverão fazer a experiência de viver em conjunto, partilhar os alimentos, o dinheiro, o trabalho, e se possível viver fora dos circuitos habituais.  O planeta oferece muitos lugares onde se pode viver com muito pouco dinheiro; basta querer fazê-lo: pôr em comum os bens e os rendimentos, encontrar uma terra cultivável, construir ou contentar-se com o que já existe; viver em conjunto, comer em conjunto e falar, trocar ideias, comunicar todos os dias diretamente, sem o intermédio de um computador. Como Cathy e Eliza diziam muito justamente, este é o caminho para relançar o movimento macrobiótico. Esperemos que, na Europa, alguns sigam este exemplo.

Demos a palavra a Cathy e Eliza para terminar:

A doença é a civilização e o cancro é o medicamento! Pode muito bem existir um “medicamento” macrobiótico para o cancro que não é nem o arroz cozido na panela de pressão nem o arroz tostado e depois cozido. O remédio macrobiótico para o cancro é um modo de vida macrobiótico comunitário. Talvez nós, macrobióticos, tenhamos tanta necessidade dos outros como um homem tem de uma mulher. Um macrobiótico sozinho tende a ficar estagnado com os seus sonhos e projetos; a sua solidão impede qualquer florescimento. Num casal macrobiótico há dois polos que geram um movimento perpétuo de energia, mas essa energia permanece no interior, não irradia. Uma comunidade macrobiótica, com homens, mulheres e crianças, acrescenta esse terceiro ponto necessário para a criação de uma espiral. Essa espiral de energia macrobiótica gera um espírito macrobiótico que é a expressão de “um grão, dez mil grãos”. O espírito macrobiótico existirá então por si mesmo, para além das nossas personalidades. Quando esse espírito está presente, sintomas como o cancro, a bulimia e a angústia desaparecem. A solução para o movimento macrobiótico é o encontro com o outro.

Todos os nossos estados de alma são importantes e necessários para a comunidade: a frustração de alguns em relação à macrobiótica moderna, a sua raiva perante aqueles que morreram ou ficaram doentes ao tentando acomodar-se a essa macrobiótica solitária, os esforços de alguns professores para tornar a macrobiótica acessível a toda a gente: todas estas atitudes devem ser levadas em conta. No entanto, os macrobióticos só podem utilizar estes diferentes componentes se estiverem próximos uns dos outros, de forma a influenciarem-se mutuamente. Esta aproximação não pode ser feita através de um computador, de um fax, de uma carta ou do telefone; não se podem compreender as mudanças que acontecem em nós ao ler mensagens na Internet, nem experimentar a vida de uma comunidade ao ler relatos. A comunidade macrobiótica precisa de uma proximidade física entre os seus membros, que permita trocas diretas e palpáveis. Nós somos os grãos; trocar entre nós é “mastigar”, e o resultado desta alquimia é a suavidade de viver o modo de vida macrobiótico. A vida em conjunto é uma terapia não só para o cancro, mas para a própria civilização.

Infelizmente, a experiência ensinou-nos que podemos aniquilar qualquer coisa pelo pensamento conceptual, incluindo o sonho macrobiótico. Ao fazer acreditar que a macrobiótica é apenas “o Bem”, tornamo-la dualista e matamo-la. Mas, apesar de tudo, o sonho continuará a sustentar e a alimentar a macrobiótica, até que, um dia, o tempo nos dê energia suficiente para nos tornarmos espírito universal.

http://www.ionia.org


Florence Wenker - junho de 2000

Community

Food

Environment

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Partnerships

 

 









Thursday, April 23, 2026

 


DO CAOS AO TAO

VISÃO DO FUTURO

Gérard Wenker, 2017

https://macrobiotiquemonde.blogspot. com/2017/10/du-chaos-au-tao.html

 

É a evolução da situação planetária e dos acontecimentos mais marcantes que poderão ocorrer ao longo do século XXI que proponho agora à vossa sagacidade. A partir deste momento, projeto-me convosco nesse futuro próximo, tão cheio de interrogações e apreensão.

resumo

O texto imagina o mundo em 2036 como um cenário de crise profunda e quase colapso global. A sociedade enfrenta catástrofes climáticas extremas, escassez de energia e água, colapso económico e aumento da violência. As instituições públicas degradaram-se e funcionam apenas no mínimo.

A água potável tornou-se rara e cara, a energia escassa, e muitas pessoas morreram devido às condições extremas. A agricultura foi forçada a adaptar-se, abandonando práticas intensivas.

A nível global, o mundo divide-se em três blocos: países ultraliberais em crise, países que adotaram alternativas económicas e países autossuficientes. Os principais problemas incluem clima, energia, economia, saúde, violência e demografia.

A população mundial está a diminuir drasticamente devido à esterilidade, doenças e mortalidade elevada, contrariando previsões anteriores de crescimento.

O sistema económico baseado no consumo entrou em colapso, levando a uma recessão prolongada, sobretudo nos países mais industrializados.

O autor prevê um futuro ainda mais sombrio: possível extinção da humanidade, caos social, desastres naturais, e surgimento de tecnologias como clonagem e humanos “aumentados”.

Como resposta, propõe a macrobiótica como forma de sobrevivência, destacando a sua simplicidade, autossuficiência e adaptação a cenários de escassez.

No final, sugere que após o colapso poderá surgir uma nova sociedade mais equilibrada, composta por sobreviventes capazes de viver em harmonia com a natureza, reconstruindo o mundo com novos valores.

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texto

 

É a evolução da situação planetária e dos acontecimentos mais marcantes que poderão ocorrer ao longo do século XXI que proponho agora à vossa sagacidade. A partir deste momento, projeto-me convosco nesse futuro próximo, tão cheio de interrogações e apreensão.

Para dar um pouco de sabor a este relato, faremos com que comece em 2036, ou seja, 30 anos (o equivalente a uma geração) depois de eu ter escrito estas linhas. Se ainda cá estiver… terei então 102 anos (a idade de Lima Ohsawa aquando da sua morte), o que me parece bastante improvável, apesar das receitas de longevidade que aplico desde os 35 anos. Os meus filhos terão entre 60 e 80 anos, e os meus netos entre 30 e 50 anos. Cucu..., façam-me deem-me um sinal e esperaremos, por vós, pela vossa geração e pelas seguintes… que eu enganei-me.

As leis e os teoremas da dialética universal são infalíveis; basta interpretá-los corretamente para prever, nas suas grandes linhas, a médio e longo prazo, os principais acontecimentos suscetíveis de modificar profundamente a sociedade humana actual e até a evolução biológica do Homem.

Associo-me aqui às previsões dialéticas de Georges Ohsawa e Michio Kushi relativamente a este próximo século. Dessas previsões (de 1950 a 1980) resultava:

1. Um aumento da violência suscetível de desestabilizar as democracias

2. O desenvolvimento de doenças degenerativas e mentais

3. Perturbações climáticas

4. O fim do império do ouro americano (EUA)

5. Um possível desaparecimento da espécie humana

Em marcha e boa viagem para «POLARIS»

Do Caos ao Tao

Janeiro de 2036: 7 horas da manhã.

Estou diante do ecrã plasma do meu velho computador, um MacMax G7 modificado — que data dos anos de 2016, para quem tiver interesse. É Inverno, 15 de fevereiro, neva há vários dias, um forte vento glacial modifica constantemente a paisagem, enchendo depressões e formando enormes montes de neve. A minha pequena aldeia está completamente isolada há cerca de dez dias, pois já há alguns anos que as estradas secundárias deixaram de ser limpas e mantidas. Os serviços públicos e privados estão por todo o lado à deriva e asseguram apenas o mínimo das tarefas que lhes estavam atribuídas nos anos de abundância.

Como todas as manhãs — antes que as falhas intermitentes de eletricidade ocorram — informo-me sobre as notícias importantes do planeta através de ligações RSS que selecionam as últimas informações em sites previamente escolhidos e as mostram no ecrã.

Lá fora uns simpáticos –10 °C, cá dentro uns menos agradáveis +15 °C; há vários anos que as poupanças de energia são drásticas. No interior das casas passou-se dos 21 °C recomendados para os 15 °C obrigatórios. As caldeiras estão seladas, tal como as facturas… agora é sempre menos serviço por cada vez mais dinheiro.

Enquanto aguardo o carregamento das últimas notícias do mundo — e quando digo últimas, são as mais recentes, mas talvez também “as derradeiras das derradeiras” — como tudo está a correr mal por todo o lado, dizia eu então que, entretanto, vou preparar, supremo prazer, um café… de cereais, que na linguagem macrobiótica se chama yannoh; não desperta, mas aquece.

 

Bebendo a minha bebida preferida bem quente, em pequenos goles, enquanto vejo as notícias a passar no ecrã, sinto a vida regressar ao meu corpo gelado por uma noite sem aquecimento.

Como provavelmente não estão a par da situação, faço-vos um breve resumo do estado atual do mundo, tal como o percepciono a partir do meu local de residência na Suíça, no centro dos 30 Estados Associados da Europa.

Qualificativos que podem resumir o estado do planeta do ponto de vista geopolítico e bio ecológico, neste ano de 2036:

Diagnóstico vital reservado – mantido em vida artificial – funções vitais gravemente alteradas – quase em reanimação – política de salve-se quem puder, cada um por si – anarquia e isolacionismo.

Mais concretamente: aqui na Europa, nos últimos 20 anos, houve 6 verões de canícula - +40 °C durante 50 dias seguidos e 8 invernos quase polares, entre –15 °C e –20 °C durante 3 meses com ventos muito fortes. No resto do mundo, inundações, tsunamis e furacões de categoria extrema (vento de 350 Km/h), cada um mais catastrófico que os outros, tornaram-se incontáveis.

Como a energia se tornou rara e cara, há menos aquecimento, menos ar condicionado e menos meios para enfrentar temperaturas extremas. Escusado será dizer, que nestas condições, a maioria das pessoas frágeis ou mal adaptadas morreu, vítimas destas terríveis amplitudes térmicas.

Outro ponto crítico é o abastecimento de água doce, do ponto de vista quantitativo e qualitativo. Paradoxalmente, apesar das inundações frequentes, a água tornou-se um bem alimentar raro e caro.

Em termos gerais, distingamos 3 utilizações:

1. Água potável para consumo

2. Água para a indústria, a química, o arrefecimento das centrais, etc.

3. Água de irrigação para a agricultura

A água potável para consumo humano é a mais rara: encontra-se quase unicamente engarrafada e o preço de 1 litro de água é equivalente ao preço de 1 litro de gasolina (cerca de 5 € ou 10 bitcoins por dia).

A água da torneira, embora racionada em certas regiões, serve apenas para a nossa higiene pessoal e mesmo assim, recomenda-se não tomar banhos com mais de 5 minutos, tal é a quantidade de produtos bactericidas que contém. É melhor contentarmo-nos com um duche rápido de 5 minutos seguido de uma secagem enérgica e completa, caso contrário há que ter cuidado com eczemas e outras doenças de pele.

A água das reservas naturais, lagos, rios e lençóis freáticos, tornou-se escassa e poluída devido às inundações. Nos sítios onde abunda, está sempre poluída e é ainda explorada prioritariamente pela indústria.

Os agricultores, depois de terem sofrido múltiplos acidentes meteorológicos, tiveram de se adaptar, finalmente… a cultivar espécies regionais mais bem adaptadas e, sobretudo, destinadas prioritariamente à alimentação humana. Nas nossas regiões, o cultivo de milho destinado ao gado — muito exigente em água — é proibido, tal como, evidentemente, o cultivo do tabaco e da beterraba sacarina.

Neste ano de 2036, a relação das forças político-económicas mundiais repartem-se em 3 grupos:

1. O bloco das nações totalmente empenhadas na economia ultraliberal que continuam o seu caminho predador, ainda mais porque as fatias do bolo se tornaram mais pequenas.

E.A.E. (os 30 Estados Associados da Europa) + China – Índia – Estados Unidos – Inglaterra – Austrália – Canadá – África do Sul – Israel – Coreia – Taiwan – Japão, entre as mais importantes.

2. O grupo dos altermundialistas:

América do Sul – África – Rússia – Ucrânia – Mongólia – Indonésia – Irão – Iraque – Turquia.

3. O clã da recusa representado pelos ultra-independentes autárquicos:
Composto por um mosaico de pequenos países que decidiram desenrascar-se sozinhos com os seus próprios recursos.
Alasca independente – Afeganistão – Butão – Coreia do Norte – Cabo Verde – Costa Rica – Gronelândia – Madagáscar – Malásia – Mongólia – Líbano – Islândia – Tailândia – Vietname.

 

Além disso, existe uma multidão de ilhas e arquipélagos isolados nos oceanos, abandonados à sua sorte, que só agora começam a aperceber-se da sua sorte, enfim… pelo menos aquelas que ainda não desapareceram nas águas, provocadas pela subida irreversível dos oceanos (120 cm desde o ano 2000).

Para não me perder na abundância de informações que inundam os meios de comunicação, elaborei uma lista dos temas mais importantes que preocupam os governos – para aqueles que ainda se ocupam disso – e aos quais tentam, em vão, há mais de 50 anos encontrar soluções.

1. Ecologia e climatologia: água – aquecimento – poluição – desflorestação – inundações.

2. Energia: esgotamento dos recursos – energias renováveis – restrições de energia.

3. Economia: deslocalizações – greves – desemprego – juros da dívida – corrupção.

4. Social: pobreza – marginalização – terceiro povo – terceiro mundo.

5. Saúde: doenças – custos – seguros – pandemias – obesidade – esterilidade.

6. Violência: guerras – crimes – incivilidades – pedofilia – gangues.

7. Alimentação: “fast food” – OGM – indústria agroalimentar.

8. Demografia: crescimento e decréscimo – pirâmide etária – envelhecimento.

As pessoas são alimentadas pela indústria agroalimentar, que não se interessa pela saúde, e são tratadas pela indústria farmacêutica, que não se interessa pela alimentação

Examinemos a situação mundial, neste início do ano de 2036.

Em primeiro lugar, aquilo que mais me toca: o desenvolvimento do movimento macrobiótico no mundo.

Boa notícia: quanto pior a sociedade está, mais a arte de viver macrobiótica se generaliza entre as populações do globo. E… como de costume, os mesmos grupos de interesses de sempre (meios económicosclasses médicasigrejas) tentam, por todos os meios, travar a sua expansão, que se tornou agora inevitável. Por sorte, a ausência total de coordenação e de concertação, que durante muito tempo foi uma desvantagem do movimento macrobiótico, transformou-se numa vantagem. Neste ano de 2036, os praticantes deste modo de vida não estão mais organizados do que em 1980; continua a não existir qualquer direção central. Assim, os habituais mecanismos de pressão e de controlo sobre eventuais responsáveis revelam-se inexistentes. Uma grande disseminação e, em última análise, a multiplicação de pequenos grupos independentes por todo o planeta constituem, portanto, uma proteção inesperada.

PARA SOBREVIVER, MACROBIÓTICOS DE TODOS OS PAÍSES, NÃO VOS UNAIS, QUE EM BREVE O MUNDO VOS PERTENCERÁ.

Quem diria…

A macrobiota acabou, pouco a pouco, por se inserir no quotidiano das populações por necessidade, como o único refúgio de sobrevivência perante a total incapacidade dos sistemas políticos de resolver os problemas que assolam a humanidade há décadas — problemas esses que muitas personalidades científicas, políticas e humanistas denunciam com veemência desde o início do século XXI.

Veremos mais adiante que uma ameaça inesperada paira sobre a comunidade macrobiótica mundial.

Mas, por agora, os governos têm de enfrentar múltiplos problemas com urgência. Já é tarde demais para encontrar soluções eficazes e rápidas, e o caos espalha-se por todo o lado, pouco a pouco, como as metástases de um cancro.

Entre essas dificuldades insolúveis, encontramos, por ordem de importância:

A climatologia.

O mais importante desses problemas está ligado às alterações climáticas em todo o planeta, consequência das poluições industriais do século XX. Como era de esperar, todas as previsões ecológicas e climáticas dos anos 2000 concretizaram-se… e ainda pior do que o previsto!

Enquanto as nações jogavam “Monopólio” com certificados de poluição e ainda encontravam formas de contornar as leis de proteção ambiental enquanto lucravam — o cúmulo do cinismo —, a poluição atmosférica atingia um nível tóxico irreversível.

Aquecimento médio do planeta de 4 a 6 °C – diminuição da camada de ozono – desflorestações massivas – desaparecimento dos glaciares – derretimento do gelo dos polos e das banquisas árticas e antárticas. Data histórica: a Gronelândia voltou a ficar verde em 2032!! Mas o nível dos oceanos subiu 4 metros.

Acompanhado de consequências catastróficas em cadeia:

- Ondas de calor – secas – inundações – furacões — tufões.

- Desaparecimento de numerosas espécies animais e vegetais.

- Fome devido à ausência de precipitação em vastas regiões.

- Desabamentos nos vales de montanha, devido ao degelo do permafrost.Parte superior do formulário

- Elevação de mais de 4 metros do nível dos oceanos.

Parte inferior do formulário

 

- Deslocação de populações na ordem das centenas de milhões.

- Invasão de certas espécies de insetos: mosquitos — carraças — moscas.

- Aparecimento, nas antigas zonas temperadas, de numerosas doenças tropicais.

- Aumento explosivo dos cancros da pele.

A produção de energia:

Nada de realmente novo. A energia nuclear continua a ser a principal opção, mas as centrais obsoletas são cada vez mais numerosas, com riscos acrescidos de acidentes graves em instalações do tipo RBMK (como Chernobyl, de 24 de abril de 1986) ou, entre Viena e Praga, a central de Temelín e os seus 2 reatores VVER de 1.000 megawatts, que explodiu em 2028, no ano do seu desmantelamento, causando a morte de 300.000 pessoas e uma nova irradiação de metade da Europa.

Isto não impediu que o projeto experimental ITER culminasse na construção da primeira central de fusão nuclear em Cadarache, França.

O petróleo: ainda existe, mas em conta-gotas e a 300 dólares o barril. O preço da gasolina na bomba é de 10 euros por litro, mas a totalidade dos veículos automóveis possui agora motores híbridos eletricidade/gasolina ou a hidrogénio, para aqueles que ainda têm meios para isso. Para os outros, é o “sistema D” (improviso): motores antigos adaptados, combustível de óleo vegetal — carvão vegetal e até carbureto.

Tal como aconteceu no passado com o petróleo, são muitas vezes as mesmas poderosas companhias multinacionais que se apoderaram das energias renováveis, sem preocupação ecológica, mas com o único objetivo do lucro. É assim que alguns planaltos de montanha e zonas costeiras ficaram cobertos por milhares de aerogeradores com mais de 50 metros de altura, cujo ruído é tal que não permite a existência de qualquer habitação num raio de 30 km. Assim é que agora dá lucro.

O mesmo acontece com a energia solar: qualquer superfície plana bem exposta — telhados, bancadas de estádios, terrenos agrícolas… Sim, os agricultores encontraram uma nova fonte de rendimento, alugam os seus campos a empresas que instalam hectares (searas) de painéis solares.

A demografia é a saúde das populações.

Ao contrário de todas as previsões do FUNAP (Fundo das Nações Unidas para as Populações), a população mundial está em plena diminuição. Dos 6 mil milhões de indivíduos no ano 2000, passando pelos 10 mil milhões previstos para 2040 e uma projeção de 20 mil milhões para o fim do século, o último recenseamento de 2035 indica menos de 5 mil milhões. O quê…? Deve haver um erro, como é possível?

Explicação:
A primeira causa não prevista pelos institutos de prospetiva demográfica é a esterilidade: a esterilidade masculina atinge 80% e a feminina 60% em todos os países industrializados, incluindo Índia e China.

Uma segunda causa emergiu nos últimos anos: o aumento da mortalidade neonatal e infantil, que atinge o nível dramático de 50%, devido à explosão de doenças genéticas degenerativas.

Acrescenta-se a este quadro o aumento da maioria das chamadas doenças da civilização, que geram invalidez e mortalidade precoce: obesidade – doenças cardiovasculares – cancros – Alzheimer – osteoporose – SARS – e a terrível gripe das aves, que causou mais de 1 mil milhão de mortes em 2012.

O “boom” dos idosos dos anos 2000/2020 desapareceu rapidamente, uma vez extintas as gerações nascidas entre 1900 e 1945. As gerações do pós-guerra, enfraquecidas por uma alimentação industrial desnaturalizada e por um excesso de sedentarismo, já não permitem manter uma longevidade suficiente sem a intervenção massiva de certas medicinas de ponta extremamente caras, reservadas a uma minoria com grandes meios financeiros.

A economia

Não se pode dissociar a economia da demografia e do social. Se a economia vai tão mal, é em grande parte devido à regressão rápida da demografia mundial. Este sistema económico baseado exclusivamente no crescimento contínuo do consumo de bens — que já tinha atingido a saturação nos anos 2010 — é o principal responsável pelo caos atual. A diminuição drástica dos consumidores potenciais deu-lhe o golpe final.

A recessão instalou-se nos países do grupo 1. Nestes países, que tinham defendido a economia liberal, dando prioridade ao lucro a qualquer custo e sendo os principais responsáveis pela devastação do planeta, a situação inverteu-se: são agora eles que sofrem os efeitos de uma recessão cada vez mais grave. Nestas sociedades hiperindustrializadas, o menor problema é suficiente para bloquear toda a máquina, e as catástrofes sucedem-se até ao colapso final.

Para os países dos grupos 2 e 3, a situação é muito melhor: tendo antecipado esta crise desde o início do milénio, prepararam-se e já estão em contração há cerca de dez anos. Quanto aos últimos grupos, vivendo praticamente em autossuficiência há muito tempo e bem adaptados ao seu ambiente, nada os pode atingir, nem sequer os imprevistos climáticos.

As minhas previsões para o fim do século:

- A raça humana terá desaparecido ou estará em vias de desaparecer. Ponto final.

Caso contrário: Violência e caos por toda a parte, numa última luta pela sobrevivência.

- Desastres climáticos e geológicos cada vez mais frequentes.

- Revoltas e pilhagens dos centros urbanos.

- Cisão entre uma raça humana degenerada e futuros ciborgues.

- Clonagem animal como última alternativa ao desaparecimento da maioria das espécies animais.

- Clonagem humana como último recurso perante a esterilidade da raça humana.

Procriação em útero artificial.

Emergência de uma população de ciborgues ou de homens “aumentados”.
Pesquisa e até caça, para seleção com vista à clonagem, de homens e mulheres “macrobióticos” que tenham conservado uma herança genética intacta.

Qualquer que seja a forma de revolta ou de medidas de salvamento consideradas, elas só podem estar condenadas ao fracasso e ser de curta duração, pois o modelo de sociedade baseado neste sistema económico concorrencial ultraliberal, cada vez mais consumidor de energia, nunca será viável a longo prazo, nem que seja pelo esgotamento rápido de todos os recursos naturais do planeta.

Esta fase transitória será obrigatoriamente caótica e perigosa e durará provavelmente cerca de dez anos, o tempo necessário para que as principais reservas energéticas e alimentares se esgotem. Mas os momentos mais perigosos serão os primeiros meses, principalmente nas cidades, onde prevalecerá a lei do mais forte. Saques, destruições, incêndios, assassinatos, devassidão serão comuns e o perigo estará presente em cada esquina.

Este colapso final pode acontecer a qualquer momento, tal é a fragilidade do sistema sofisticado que permite a esta sociedade funcionar sem demasiadas perturbações. Alguns acidentes climáticos ou geológicos graves, um acidente nuclear civil ou militar, seguido inevitavelmente de uma quebra bolsista e de uma crise económica, podem ser o elemento desencadeador — o efeito dominó que leva ao fim abrupto desta civilização.

Algumas recomendações de sobrevivência para indivíduos, famílias e grupos macrobióticos

A primeira regra de sobrevivência é não sair de casa sob qualquer pretexto, não falar com desconhecidos, não participar em manifestações — em resumo, não chamar a atenção, ser o mais discreto possível.

Para respeitar esta regra, é preciso prever água e alimentos, se possível para vários meses. Há naturalmente uma grande diferença entre viver em meio urbano ou no campo; sobreviver no campo é mais fácil, mas certamente não seremos os únicos a perceber isso.

Em caso de situação extrema e de escassez total — sem fogão, placas de cozinha ou micro-ondas — sem água corrente — sem eletricidade — sem refrigeração ou congelação — sem aquecimento, nada de nada — será aí que se verá “o pedreiro encostado à parede”, e a eficácia do sistema macrobiótico “viver com pouco” em plena ação.

É necessário, no mínimo:

um fogareiro de campismo de duas bocas, algumas garrafas de gás de reserva e madeira, no caso de estar no campo.

Para famílias macrobióticas: água — miso e tamari — algas — leguminosas (lentilhas, azukis, grão-de-bico) — cereais em grão — massas integrais — legumes selvagens — ameixas umeboshi — chá de três anos e yannoh.

Este é o mínimo estrito; cada um pode fazer mais reservas, mas lembrando que se trata de sobreviver durante um período relativamente longo. Estes produtos conservam-se durante vários anos se necessário. O essencial adicional será obter água e legumes frescos, sendo que a “tábua de salvação” macrobiótica serão os legumes selvagens (urtiga, quenopódio, dente-de-leão, tussilagem, bardana, cavalinha, tanchagem, consolda, etc.). No inverno, mesmo debaixo da neve (morugem-branca, folhas de morangueiro) e durante todo o ano os pickles de sal de longa duração (chucrute).

O problema da água

É difícil armazenar água suficiente para uma família durante vários meses.
Água sempre haverá, mas provavelmente poluída e não potável.

Reservas possíveis: depósito da sanita — depósito do esquentador — rio — fonte — lago — neve — gelo — água da chuva, etc.

Métodos para tornar a água potável

- Deixar decantar no mínimo 1 hora (24 horas se possível) — filtrar com um pano.

- Ferver durante 10 minutos, deixar arrefecer e agitar para oxigenar, ou encher uma garrafa até 2/3 e agitar vigorosamente.

Outros métodos sem ferver: Após decantação e filtragem, adicionar uma gota de lixívia por litro de água (ou 1 gota de lixívia concentrada para 5 litros). Se não cheirar a cloro, adicionar mais uma gota. Misturar bem e deixar atuar 1 hora. Se o gosto for demasiado forte, adicionar carvão, cinzas de madeira ou pó de dente.

Método ainda mais simples: Após decantação e filtragem, colocar um pedaço de argila verde do tamanho de uma noz por litro de água, deixar dissolver 10 minutos, mexer bem e repousar mais 10 minutos. Menos eficaz que a fervura, mas cerca de 90% ativo.

Sabe-se que, seguindo os princípios macrobióticos, a quantidade de líquidos necessária à vida é muito reduzida — menos de 1 litro por dia — desde que não se consumam produtos animais.

A arte de viver macrobiótica permitiu a muitas pessoas adaptar-se a uma sociedade de abundância que terminou por volta de 2000, escapando às chamadas doenças da civilização e do consumo excessivo. Agora estamos no cenário oposto: uma sociedade de escassez em declínio, à qual é preciso adaptar-se rapidamente sob pena de desaparecer.

Felizmente, a macrobiótica ensinou a viver com pouco, sem desperdício, respeitando as leis da Ordem do Universo. Quem tiver assimilado estes princípios não terá dificuldade em sobreviver a este período de transição e terá o privilégio extraordinário de participar na construção da próxima sociedade humana da nova idade de ouro.

Emergência de uma nova raça de seres humanos biologicamente melhorados e espiritualmente evoluídos, oriunda das comunidades macrobióticas e espirituais que sobreviveram ao mundo antigo.

Fiquemos por aqui nestas previsões sombrias e entremos nesta nova idade de ouro da humanidade.

Pouco a pouco a calma regressará; a maioria das pessoas que violaram a Ordem do Universo — doentes ou com saúde frágil, violentas ou com julgamento alterado — terá desaparecido. É provável que apenas cerca de 10% da população mundial sobreviva e consiga adaptar-se às novas condições climáticas, ambientais e sociais.

Desde os anos 1950, os macrobióticos prepararam-se para esta eventualidade, vivendo à margem de uma sociedade de consumo então florescente. Oitenta anos de afastamento, sarcasmo, dúvidas e experiências incertas — por vezes mortais para alguns pioneiros, aventureiros do extremo. Agora o mundo terá de ser reconstruído totalmente sobre novas bases de saúde, paz e respeito pelas leis universais. Embora existam muitas filosofias e movimentos espirituais com objetivos semelhantes, nenhum é suficientemente completo para ser aplicado de imediato. Apenas a arte de viver macrobiótica estabeleceu regras alimentares capazes de restaurar e preservar a integridade biológica do ser humano. Apenas os praticantes macrobióticos as aplicaram, testaram e adaptaram a novos ambientes. Só os macrobióticos de todo o mundo têm uma experiência prática que se provou ao longo de várias gerações.

Primeiro passo no novo mundo

Parabéns, você sobreviveu a todos os perigos do fim desta sociedade. Foi promovido a “Elohim” do novo mundo — que responsabilidade, mas também que liberdade e desafio: reconstruir tudo, reinventar tudo para a nova idade de ouro da humanidade.

Quanto à ecologia planetária, não perca tempo a desmantelar o mundo antigo. Não toque em nada, deixe a natureza agir. Em mil anos, grande parte das construções humanas terá desaparecido, tal como a maioria das imensas cidades antigas de pedra da Antiguidade.

No que diz respeito à poluição, o mesmo se aplica: a capacidade de regeneração biológica natural é extraordinária, desde que as fontes de poluição industrial sejam definitivamente interrompidas. Não será necessário mais do que um século para o grande químico da Natureza eliminar ou neutralizar esses resíduos tóxicos, deixados como herança por 2000 anos de homocentrismo forçado.

Agora é indispensável concentrar todas as energias nas fases essenciais do “recomeço”. Para isso, existe um modelo prático e funcional que deve servir de exemplo: “a comunidade IONIA no Alasca”, que se desenvolveu com base nos fundamentos filosóficos da arte de viver macrobiótica, ao longo de 70 anos.

VER: o próximo post deste blog (IONIA).

 

Gérard Wenker – Ano 2000–2016 – Suíça

Boa viagem ao futuro…!!!!!!!!


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