AS ETAPAS DE MUDANÇA EM MACROBIÓTICA
Artigo de Agnès Pérez ©
resumo
A macrobiótica é um processo de mudança que envolve o corpo, as emoções e a
consciência. Essa mudança exige disciplina, paciência e fé,
especialmente no início.
O processo acontece em 3 etapas principais:
- 1ª etapa (10 dias): fase
mais difícil, exige rigor na alimentação.
- 2ª etapa (até 40 dias): surgem
sintomas de adaptação (cansaço, irritação, dores), pois o corpo está a
desintoxicar.
- 3ª etapa (até 8 meses): o corpo
estabiliza e adapta-se, mas ainda é preciso cuidado com a alimentação.
Ao longo do tempo, o sangue e o corpo renovam-se, o que melhora:
- a saúde física
- o equilíbrio emocional
- a clareza mental
No final, a macrobiótica não é só dieta — é uma forma de aumentar a
consciência e melhorar a forma como vivemos.
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texto
As etapas de
mudança ou evolução pessoal precisam de fé e força de vontade.
A mudança de
consciência é um processo que se vai fazendo durante a passagem por todas as
nossas vidas, que envolve momentos de sucesso social e outros momentos difíceis
que também fazem parte do sucesso, pois de cada conflito surgem aprendizagens
valiosas. As dificuldades aumentam a nossa maturidade e estas etapas da mudança
em que surgem os conflitos no fundo são as que contêm mais poder criativo.
As nossas mudanças podem vir
condicionadas pelo exterior através de circunstâncias que não pedimos ou
procurámos conscientemente, mas que fazem parte da história planetária. Ou
podem surgir como resultado de circunstâncias de vários tipos que a vida nos traz.
ALGUMAS
REFLEXÕES PESSOAIS:
Penso e
acredito que encarnamos a fim de superar os limites que se interpõem no nosso
caminho para a libertação. Há em mim um sentido de dever cármico que me dá
confiança suficiente para sentir que tudo é superável. Que tudo, tanto o que
vem de condicionamentos de outras pessoas como o referente ao que é atraído
pela minha aprendizagem "álmica", faz parte de uma bela evolução,
seja qual for o seu resultado nesta vida.
Quando comecei
a praticar macrobiótica, começaram a dar-se mudanças internas a uma velocidade
vertiginosa. Senti-me a mudar a cada minuto. Não só a nível físico, mas também
havia uma grande comoção emocional. Olhava-me ao espelho e de uma semana para a
outra, a minha expressão e o meu corpo tinham mudado. Isto assustava-me, por um
lado. Eram tantos os apegos e tão grandes as resistência que inclusive por
vezes lutava contra algo inerente à própria vida, que é a mudança.
Que
ingenuidade lutar contra o que a vida nos traz! A vida traz-nos sempre, sempre
o que necessitamos para nos curar profundamente e elevar-nos. Com o passar do
tempo aprendi a abraçar o que vem como parte de uma aprendizagem de vida muito
valiosa, a deixar ir o que estagna a minha evolução ou vai pelo seu próprio pé,
e a fluir com os acontecimentos, a largar a necessidade contínua de controlo.
As mudanças continuam e continuarão como a própria vida e nunca irão parar. Há
tanta coisa que nem se deve nem se pode ter sob controlo …
Mesmo sabendo que uma parte
das nossas mudanças pode ser imprevisível, há processos que foram estudados
observando o processo de milhares de pessoas e que são reconfortantes de ler.
Quando se começa a praticar a macrobiótica, é conveniente que se conheçam as
etapas de mudança pelas quais vamos passar. E saber que é realmente benéfico
passar os primeiros estádios de desengajamento de certos hábitos e alimentos.
AS ETAPAS
DE MUDANÇA NA MACROBIÓTICA
De um ponto de
vista puramente biológico, as células do nosso corpo encontram-se num estado de
constante renovação. Quando se começa a alimentar com alimentos de mais
qualidade, a regeneração produz-se de maneira natural. E qualquer mudança, seja
social, emocional ou biológica, produzirá, sem dúvida, alguma agitação neste
processo. Quer se pratique ou não macrobiótica, o conhecimento destas três
etapas ou estádios pelas quais o sangue passa ajuda a explicar porque se
precisa de ser mais preciso e disciplinado quando se inicia a prática, e poderá
permitir-se ser mais flexível e tolerante no futuro.
A mudança
fundamental ocorre no próprio sangue. Falando em geral, o sangue pode ser
subdividido em três componentes.
Em primeiro
lugar, o nosso sangue é constituído por plasma, que constitui 50% do seu
volume; o plasma é renovado de dez em dez dias.
Em segundo
lugar, aproximadamente 25% do volume do nosso sangue é constituído por glóbulos
vermelhos que, em média, são renovados a cada trinta ou quarenta dias.
Em terceiro lugar, os
restantes 25% do nosso sangue são constituídos por diversos tipos de glóbulos
brancos que podem levar entre dois a quatro meses a renovar-se, chegando por
vezes até aos oito meses. Portanto, em média, levamos oito meses a renovar completamente
o nosso sangue. Chegados a este ponto, será útil para se reflicta sobre o que
se comeu entre os últimos dez e quarenta dias, e mesmo durante os últimos oito
meses, pois este é o alimento a partir do qual o nosso sangue está actualmente
a ser produzido.
1ª ETAPA:
Renovação do Plasma
Como em
qualquer novo projecto que se escolha realizar, os primeiros minutos, horas e
dias são sempre os mais complicados. Nos primeiros dez dias está-se a renovar
50% do sangue, por isso é importante começar com uma base firme. Nesta altura
do processo, é preciso ser-se muito preciso e disciplinado.
Por outro
lado, é preciso lembrar que nesta fase da prática macrobiótica é quando se sabe
menos e se tem mais a aprender. Isto é um paradoxo frustrante. Por isso,
durante os primeiros dez dias deve-se praticar com precisão e não se permitir
comer os alimentos que se estava a comer antes e que se pretende eliminar da
dieta. Comer 90% dos alimentos recomendados, mas continuar a tomar leite com o
chá e uma barra de chocolate por dia é distração suficiente para que o
"velho" sangue (plasma) continue sendo muito parecido.
Apesar do desafio que supõe,
vale a pena que durante esses primeiros dez dias se mantenha a força de
vontade, tendo claro o propósito e seguindo quaisquer conselhos ou receitas com
a maior precisão possível. Procurar evitar a tentação de sair da linha traçada
durante esta fase inicial.
2ª ETAPA:
os glóbulos vermelhos (eritrócitos)
Os primeiros
dez dias exigirão, sem dúvida, que se faça algum reajustamento, já que o corpo
anseia voltar a tomar o antigo combustível e provavelmente sentir-se-á a falta
dos alimentos que têm um sabor e uma textura familiares. Depois disso, o ritmo
de mudança começará a abrandar. Durante esta segunda etapa, que dura cerca de
trinta dias, todos os glóbulos vermelhos do sangue serão renovados em função
dos alimentos que se está actualmente a ingerir.
Os dois
primeiros estádios requerem um período de aproximadamente quarenta dias.
É interessante
notar que muitas das religiões tradicionais prescrevem quarenta dias de jejum,
oração, meditação e reflexão. No final do período de quarenta dias, 75 por
cento do sangue terá sido renovado, proporcionando à nossa saúde uma firme base
biológica e, ao mesmo tempo, permitindo que se produza uma limpeza que vai mais
além do sangue.
Durante os
trinta dias da segunda etapa é mais provável haver alterações e que se sintam
os efeitos de uma descarga anormal ou violenta. É bastante habitual sofrer-se
de dores de cabeça, febre, distúrbios digestivos, desejos, suores nocturnos,
momentos de depressão e desânimo, irritabilidade e possivelmente sensações de
letargia (já que o corpo precisa de dormir mais ao empreender uma mudança
interna profunda).
Muitas pessoas abandonam a
prática macrobiótica durante estes primeiros trinta a quarenta dias. Se
tivessem um pouco mais de fé no processo e permitissem que a descarga
ocorresse, poderiam beneficiar enormemente com o trabalho profundo que se está
fazendo. Durante esta fase é fundamental ter fé no objectivo que se tenta
alcançar e ter paciência para ir superando os altos e baixos físicos e
emocionais que todos experimentamos.
3ª ETAPA:
glóbulos brancos
Durante a
terceira fase de mudança, pode-se relaxar um pouco e navegar em “piloto
automático”. Por esta altura já se dominará as bases da macrobiótica e ter-se-á
deixado para trás os estádios mais intensos de descarga de toxinas. Quanto mais
actividade física se fizer durante a segunda etapa, mais rapidamente ocorrerá a
eliminação e mais rapidamente se resolverá.
Na terceira etapa, as
mudanças ocorrem mais lentamente. Agora, 75% do sangue foi fabricado com base
nos novos alimentos e menus macrobióticos e pode-se permitir-se um pouco mais
de relaxamento; pode-se começar a incorporar mais variedade nas receitas. Neste
estádio continua a ser vital lembrar que o sangue ainda não está totalmente
renovado. Portanto, não se deve comer alimentos extremamente Yin ou Yang, tais
como açúcar, produtos lácteos ou carnes. É muito melhor esperar oito meses, até
que 100% do sangue esteja elaborado a partir de alimentos adequados antes de
provar os alimentos que se estava habituado a comer. Então poderá realmente
sentir qual é o seu efeito e, ao mesmo tempo, ser-se-á capaz de eliminá-los e
descarregá-los rapidamente.
A MELHORIA
DA CONSCIÊNCIA.
Para mim,
praticar macrobiótica é algo mais do que ser-se selectivo com o que se come
para se alimentar. Também nos devemos preocupar onde e como se produzem os
alimentos que comemos, como se preparam e que qualidade se quer que o sangue
tenha. Além do vigor físico e da estabilidade e flexibilidade física e
emocional, a macrobiótica oferece outros benefícios como a clareza mental, a
visão e a fé no que se diz e se faz. Sem dúvida, existe uma ligação entre o que
comemos e o nível de consciência que demonstramos.
É fácil
comprovar que todos nós temos uma conexão muito real com o mundo que nos rodeia
e com a nossa forma de o experimentamos. Extraímos o alimento do nosso meio
ambiente; o alimento, por sua vez, transforma-se em sangue que nutre e
fortalece os nossos órgãos internos. Uma vez que o nosso sangue foi
transformado (durante os três estádios antes mencionados que ocorrem ao longo
de um período de oito meses), pode empreender a tarefa de regeneração os nossos
órgãos internos. As mudanças profundas desta natureza podem requerer um período
entre oito meses a dois anos.
Entre estas mudanças
incluem-se um melhor funcionamento do coração, dos pulmões, dos rins, do fígado
e do aparelho digestivo, e o fortalecimento dos sistemas límbico, reprodutor e
imunitário. Todas estas mudanças também se vão filtrando gradualmente até ao
nosso sistema nervoso. A nível prático, o sistema nervoso é o que nos permite
reagir às mudanças que se produzem no nosso envolvimento; a sua função é
responder rápida e eficazmente às novas exigências e tarefas, mas também olhar
mais além das pressões imediatas até às novas possibilidades que se abrem
diante de nós.
O VÍNCULO
ENTRE O ALIMENTO E A CONSCIÊNCIA.
Nesta etapa,
um novo aspecto do nosso ser é activado. Este nível tem muitos nomes; podemos
falar da nossa consciência, da nossa vontade ou (como Ohsawa lhe chamou) do
nosso julgamento. Nos seus primeiros trabalhos, George Ohsawa estava muito
preocupado com o que ele chamava de: desenvolvimento do nosso julgamento.
Raramente escrevia sobre temas de saúde, cozinha, ou alimentação; estes temas
aparecem com muito mais frequência nas suas obras posteriores.
Em última análise, o
verdadeiro propósito da macrobiótica é elevar a consciência de nós próprios,
começando pelas nossas células individuais e continuando pelo nosso sangue para
culminar na compreensão e valorização do mundo que nos rodeia. Por esta razão,
muitos dos primeiros autores e praticantes da macrobiótica olhavam para além da
saúde individual e concentravam-se nas múltiplas implicações e consequências da
saúde mundial, que consideravam o fundamento da verdadeira paz mundial.
BIBLIOGRAFIA DA AUTORA DO
ARTIGO:
· Antonio Areal, Curso de
Formação.
· Jon Sandifer, Macrobiótica.
· Michio Kushi, A saúde
através da Macrobiótica.
· Francisco Varatojo. Curso
de formação.

