Saturday, June 13, 2026

 

MACROBIÓTICOS: ASSUMAM-SE!

Gérard Wenker

resumo

O autor defende que a macrobiótica é muito mais do que um regime alimentar: é uma filosofia de vida que promove saúde, bem-estar, paz, liberdade e consciência. Questiona por que razão este modo de vida continua a ser alvo de preconceitos e polémicas, apesar dos benefícios que lhe atribui.

Segundo o texto, a má reputação da macrobiótica resulta de desinformação, incompreensão e da atitude excessivamente dogmática de alguns adeptos. O autor argumenta que a macrobiótica tem sido historicamente ridicularizada e combatida por diferentes instituições, por representar uma alternativa aos sistemas dominantes nas áreas da saúde, da religião e da política.

O texto também refere que muitos praticantes ocultam as suas convicções e hábitos alimentares por receio de críticas ou discriminação social. Por fim, o autor apela aos macrobióticos para que assumam publicamente a sua prática e contribuam para a divulgação de um modo de vida que considera capaz de promover uma sociedade mais saudável, livre e pacífica.

Ideia central: a macrobiótica é apresentada como uma filosofia de vida benéfica que, na opinião do autor, continua injustamente marginalizada e incompreendida pela sociedade.

---------------------------

texto

O coming-out dos macrobióticos

A macrobiótica é uma arte de viver única, completa e fácil de aplicar, que corresponde em todos os aspetos às expectativas de um grande número de pessoas para quem os constrangimentos e as contradições da sociedade moderna se tornaram insuportáveis.

O objetivo deste artigo não é fazer a apologia da macrobiótica, mas antes questionar por que razão um modo de vida tão popular e universal é alvo de tantas polémicas.

Ser homossexual, sem-abrigo, deficiente ou alcoólico é menos discriminatório do que ser macrobiótico. A «macrofobia» manifesta-se particularmente em França, apesar deste país ter sido o berço e o principal local de implantação da nova macrobiótica de Ohsawa.

Quais são as razões? Como acontece frequentemente nestes casos, a principal causa é uma informação subjetiva, incompleta e parcial sobre um ensinamento que, à primeira vista, parece invulgar.

Uma aplicação demasiado dogmática de certas regras, bem como práticas desconhecidas e mal compreendidas pelo meio envolvente, terão certamente gerado desconfiança em relação a adeptos que, por vezes, exibiam com provocação e paixão o seu entusiasmo por este modo de vida.

Quando se sabe que este método, aplicado corretamente e com discernimento, permite:

  • evitar a maioria das doenças;
  • curar doenças degenerativas;
  • reforçar a força vital e o sistema imunitário;
  • manter a família saudável;
  • reduzir consideravelmente os custos com a saúde;
  • preservar o ambiente de forma duradoura;
  • resolver o problema da fome no mundo;
  • desenvolver o nível de consciência;
  • construir um mundo de paz;

… compreende-se melhor o impacto que a macrobiótica — este caminho para a saúde e para a paz, através da evolução biológica e espiritual — poderia ter se fosse adotada por milhões de pessoas ou se conseguisse implantar-se em vários países.

Perigosa para os Estados, subversiva para as igrejas e concorrente para a classe médica, a macrobiótica e as receitas de longevidade foram, ao longo dos tempos, atacadas, denegridas e ridicularizadas. No entanto, contra tudo e contra todos, apenas pela sua eficácia, esta doutrina continua a expandir-se à escala mundial, embora aparentemente de forma marginal. Na realidade, as aparências enganam. Sob o anonimato das comunicações pela internet, mais de 10 000 visitas por mês são atualmente registadas no nosso site «lamacrobiotique.com», provenientes de cerca de trinta países, demonstrando o interesse contínuo que este modo de vida continua a suscitar.

Todos conhecemos, dentro do movimento macrobiótico, nomes de celebridades do mundo do espetáculo que praticam a macrobiótica discretamente, algumas delas até com cozinheiro pessoal. No entanto, nunca vimos nem ouvimos uma personalidade admitir publicamente as suas práticas macrobióticas. Quando muito, para justificar a boa aparência ou a longevidade, dir-se-á vegetariana.

Assumir-se como macrobiótico, mesmo dentro da própria família, não é tarefa fácil. Com os amigos é ainda mais difícil e, com os colegas de trabalho, torna-se praticamente impossível. A gastronomia, a boa mesa festiva e os almoços de negócios ocupam um lugar muito importante nas nossas relações sociais e comunitárias. Trocar uma fondue, mexilhões com batatas fritas ou carne estufada por um prato de arroz integral com legumes exige muita abnegação ou, como frequentemente acontece, estar à beira da morte.

Felizmente — e importa dizê-lo alto e bom som — a macrobiótica não se reduz a um regime alimentar que, embora eficaz, é restritivo e austero, e pelo qual se tornou conhecida e, também é preciso reconhecê-lo, desacreditada por aqueles que tinham interesse nisso. Pelo contrário, a macrobiótica é, acima de tudo, a arte de viver a alegria, a felicidade e a paz em liberdade. Liberdade de escolha, liberdade de pensamento e liberdade de compreensão.

Felicidade – Saúde – Paz – Liberdade: eis as quatro palavras detestadas por todos os poderes. O poder clerical reclama a felicidade, o poder médico a saúde, o poder militar a paz e o poder político a liberdade: são os seus domínios reservados e cuidadosamente protegidos. Afinal, não se pode deixar que indivíduos ignorantes — homens, mulheres e crianças — decidam unilateralmente o seu próprio destino, o das suas famílias e o das suas comunidades.

É verdade que já não estamos no século XVII, quando todos aqueles que possuíam algum conhecimento sobre os segredos das plantas, receitas de saúde e longevidade eram perseguidos, condenados e, por vezes, queimados na fogueira. Hoje, a perseguição é mais subtil, mas continua igualmente eficaz: ridicularização e escárnio, desinformação, processos por exercício ilegal da medicina, acusações de sectarismo e alertas de nutricionistas sobre eventuais carências.

Ridicularizada ou demonizada, a macrobiótica inspira receio. E aqueles que, apesar de tudo, conseguem ultrapassar estes preconceitos acabam muitas vezes por esconder as suas práticas alimentares e o seu modo de vida, afastando-se da comunidade e isolando-se com a família.

É paradoxal que, no início do terceiro milénio, nos deparemos com:

  • uma sociedade minada pela violência;
  • indivíduos afetados por doenças degenerativas;
  • um ambiente cada vez mais insalubre;
  • elementos essenciais à vida, como a água e o ar, definitivamente poluídos;
  • uma ética moral e espiritual em franca degradação;

e que, apesar disso, um conceito global de preservação da saúde e do ambiente obrigue os adeptos desta arte de viver a esconder-se aos olhos da sociedade como se fossem párias.

Nos países anglo-saxónicos, pertencer a uma comunidade macrobiótica é motivo de orgulho. Em África, alguns chefes de Estado tentaram implementar a experiência macrobiótica para os seus povos, mas foram rapidamente travados pelas potências económicas dominantes: «Paguem primeiro os juros da vossa dívida antes de se preocuparem com a felicidade do vosso povo.»

Ter tido a oportunidade ou a sorte de conhecer a macrobiótica merece gratidão.

Por isso, macrobióticos curados, macrobióticos felizes, macrobióticos escondidos:

saiam da sombra, assumam-se publicamente,

por um mundo de paz, liberdade e saúde.

Gérard Wenker — novembro de 2003.

 

 


 

 


A importância da mastigação

resumo

O texto defende que a mastigação adequada é fundamental para a saúde física e mental. Segundo o autor, os alimentos são a base da renovação e cura do organismo, e a saliva desempenha um papel importante nesse processo, contendo substâncias que ajudam na digestão, na defesa contra microrganismos e na proteção do organismo.

A mastigação e a ensalivação são apresentadas como processos essenciais porque iniciam a digestão dos alimentos, facilitam a absorção de nutrientes e estimulam a produção de saliva. O texto cita estudos e teorias que atribuem à saliva propriedades benéficas, incluindo efeitos antibacterianos, analgésicos e de apoio ao sistema imunitário.

Entre as principais vantagens da mastigação destacam-se:

  • Melhora da digestão e da absorção dos nutrientes.
  • Redução da formação de gases e da flatulência.
  • Maior sensação de saciedade, ajudando no controlo do peso.
  • Diminuição da vontade de consumir doces.
  • Fortalecimento dos dentes e gengivas.
  • Promoção de maior paciência, disciplina e autocontrolo.
  • Melhoria da clareza mental, da criatividade e da capacidade de discernimento.
  • Redução do stress e das tensões.
  • Estímulo do sistema imunitário e das glândulas do organismo.
  • Possível contribuição para a longevidade e o rejuvenescimento.

O autor recomenda mastigar os alimentos muitas vezes (entre 50 e 100 mastigações por bocado, ou mais em alguns casos), defendendo que este hábito favorece a saúde global, aumenta a vitalidade e contribui para uma melhor qualidade de vida.

Ideia principal: Mastigar lenta e cuidadosamente os alimentos é um hábito simples que pode melhorar a digestão, a nutrição, o bem-estar físico e mental, sendo considerado pelo autor uma das bases para a manutenção da saúde.

-------------------

texto

Os alimentos são a fonte da nossa energia vital, a origem do nosso sangue. Trinta biliões de células morrem e renascem por segundo. O que significa que a nossa possibilidade de auto-renovação e auto-cura é inacreditavelmente espantosa. A selecção adequada dos alimentos, bem como da sua preparação dependerá a nossa vitalidade psicossomática.

A mastigação e a ensalivação são as únicas actividades que podem ser reguladas pela nossa vontade própria. A saliva ou líquido divino como é designada em japonês (shin-eki), contém:

 (i) gamaglobuli­nas, que têm um papel fun­damental no con­trolo da leucemia, devido à sua capacidade de coagulação do sangue; 

(ii) o interferão, que con­trola as células cancerosas; 

(iii) a opiorfina, que os cientistas testaram in vivo em testes com ratos de laboratório, e descobriram que 1 grama do analgésico salivar natural (opiorfina) tinha o mesmo efeito que 3 gramas de morfina quando a dor era induzida por uma substância química. Quando a dor era «mecânica» (através do teste dos alfinetes), era necessária uma dose seis vezes maior de morfina do que a de opiorfina para tornar as cobaias insensíveis à dor; 

(iv) parotina, hormona que retarda o envelhecimento; 

(v) enzimas bactericidas, como a lisozima, que destrói as bactérias.

Há algum anos atrás, no laboratório de pes­quisas bioquímicas da Universidade de Tóquio, foram levadas a cabo experiências para determi­nar a acção enzimática da saliva sobre processos cancerígenos. Culturas de bactérias foram submetidas à acção de materiais reconheci­damente cancerígenos tanto de natureza orgânica, quanto inorgânica, ocorrente no meio natural ou não. Assim, sob o efeito dos materiais triptoano, aflatoxina e af-2, ocorreram transformações neo-plasmá­ticas degenerativas imprevisíveis na estru­tura das bactérias em experiência. Porém, ao adicionar-se saliva humana à cul­tura de bactérias uma determinada percenta­gem delas recuperou a normalidade de con­dições em apenas 30 segundos! Em pouco tempo a totalidade da cultura ficou regulari­zada.

De facto, a mastigação completa a ensalivação. A mastigação é a condição de garantia radical contra todas as doença, além de ser um dos principais meios de recupe­ração de afec­ções as mais diversas, inclusive o cancro.

VANTAGENS DA MASTIGAÇÃO:

(1) Melhora a Digestão

A mastigação produz saliva e a saliva (sal+iva) possui sal orgânico que evita a fermentação dos alimentos e a consequente formação de gases, com todas as consequenciais nefastas dai advindo. Quanto mais se mastigar mais facilitada será a digestão, ao mastigar estamos a fazer uma pré-digestão e sentiremos menor necessidade de beber líquidos que também atrasam e desconcentram a digestão. Há alguns anos atrás um americano chamado Flecthercomeçou a difundir a necessidade da mastigação. O número de curas foi tão elevado e difundiu-se de tal forma, que chegou até a haver campeonatos de fietcherização, nome popularizado que foi dado à mastigação. Depois, caiu no esquecimento.

O estadista inglês Gladstone obrigava os filhos a mastigar 36 vezes cada bocado. George Ohsawa costumava dizer que :”Devemos beber o sólido e mastigar o líquido.”

(2) Produz mais Resistência

Observando os animais, reparamos que os animais carnívoros geralmente devoram as suas presas rapidamente. Esses animais movimentam-se muito rapidamente, mas somente por distâncias curtas.  Esses animais não conseguem fazer nenhuma actividade que exija resistência prolongada. O animal selvagem mais rápido que se conhece é a chita, o qual pode atingir até 110 km por hora em distâncias relativamente pequenas, ao caçar animais vegetarianos, como antílopes, veados ou coelhos.  Mas se não conseguir agarrar a sua presa em pouco tempo, desiste da mesma. Os animais vegetarianos como os cavalos, búfalos, antílopes ou veados conseguem correr durante muito tempo a altas velocidades. Eles possuem força, porém também resistência.  Na qualidade de humanos, queremos quantidade e qualidade de energia.

(3) Promove Curas mais Rápidas

As pessoas que aprendem a cozinhar adequadamente, que se nutrem bem e que mastigam até os alimentos se tornarem líquidos, além de praticarem exercício físico diário são as que têm as melhores probabilidades de se recuperar mais rapidamente e mais completamente das suas doenças.  Em resumo, essas pessoas aprenderam a ter completa responsabilidade por si mesmo. Repetindo, a quantidade de esforço e consciência que colocamos em qualquer coisa que façamos será reflectida nos resultados obtidos.

(4) Desenvolve mais Paciência e Auto-Controlo

Necessitamos de disciplina para mastigar adequadamente.  E se tivermos disciplina nas refeições, haverá também disciplina nas nossas vidas.  Também desenvolveremos maior paciência.  Quando estivermos impacientes, sentiremos também impaciência ao mastigar. Uma produz a outra.  Mais mastigação produz mais paciência; mais paciência produz mais mastigação. O prazer momentâneo ao ingerir alimentos nocivos desaparece rapidamente.  

(5) Reduz o Volume de Comida Desejada

Quanto mais se mastigar menos alimentos necessitaremos, porque conseguiremos extrair mais nutrição dos alimentos e nos saciaremos mais rápido. A mastigação é um dos melhores potencializadores nutricionais que existe.  Ao diminuir a quantidade de alimentos, o estômago diminuirá também ele de tamanho, conseguindo assim produzir sucos digestivos mais concentrados e uma melhor digestão. Quando a nossa saúde melhora, precisaremos de menores quantidades de alimentos, porque absorveremos mais nutrientes com menos alimentos.

Trinta e quatro milhões de americanos têm excesso de peso.  Se é uma dessas pessoas, a mastigação pode ajudá-lo a conseguir chegar a um peso ideal. Ao consumir alimentos saudáveis mastigados adequadamente o corpo se tornará mais firme e mais “enxuto”.  Há indivíduos que não perdem peso, qualquer que seja a dieta que adoptem.  Os resíduos dos alimentos parcialmente digeridos permanecem dentro do corpo. Depósitos de resíduos espessos criam um bloqueio no fluxo de energia.  Essa energia torna-se então estagnada.

Entretanto, ao mastigar adequadamente de maneira natural poderemos atingir o peso ideal. Até a celulite pode desaparecer.  Primeiro perde-se peso e depois a gordura ao redor dos órgãos internos. A energia e força vital começarão a fluir mais vigorosamente através de todo o organismo.

(6) Cria maior Discernimento e melhora a Saúde Mental

A palavra que a língua japonesa utiliza para “mastigação” significa “bom entendimento”.  Na Medicina oriental, o cérebro e o intestino delgado (área do “hara”) são conectados energeticamente.  A condição dos intestinos afecta a nossa maneira de pensar.  Se comermos menos e mastigarmos mais, o nosso pensamento tornar-se-á mais claro e o nosso cérebro funcionará melhor, especialmente se respirarmos profundamente enquanto comemos.  A maior parte do oxigénio que entra quando inspiramos vai para o nosso sistema nervoso e para o nosso cérebro. A digestão também precisa de bastante oxigénio, sendo assim, ao respirarmos profundamente não roubaremos oxigénio da digestão para o cérebro. A combinação de menos comida e mais oxigénio cria um fluxo maior de energia. Mais importante ainda, essa combinação de menos comida e mais oxigénio ajuda a transformar os alimentos em glicose, a qual fornece mais energia para o organismo. 

(7) Potencializa a Nutrição e Absorção

O amido contido nos hidratos de carbono só é adequadamente digerido pela acção da ptialina salivar que se encontra na saliva. O que significa que a digestão dos amidos faz-se principalmente na boca. Quem se alimenta de cereais integrais e não mastiga não absorve satisfatoriamente.

(8) Economiza

Quando se mastiga bem fica-se satisfeito com menos alimentos, e, portanto, gasta-se menos no supermercado.  Além disso, a saúde melhorará, reduzindo as despesas com médicos e remédios.  Os americanos gastam mais de 200 bilhões de dólares por ano com cuidados médicos.  Saiba que existe uma conexão entre os hábitos de alimentação e a saúde.

9) Reduz a Apetência por Doces

As pessoas que mastigam muito pouco constantemente sentem o desejo de doces a todas as refeições.  Aqueles que mastigam e ensalivam satisfatoriamente os hidratos de carbono complexos notam o sabor doce inerente a esses alimentos e conseguem diminuir a sua necessidade de doces e sobremesas.  É importante para as pessoas que sofrem de hipoglicemia ou diabetes e desordens relacionadas com o pâncreas e baço (os quais controlam o açúcar do sangue) mastigar bastante - 150 vezes ou mais.  Esses órgãos processam os açúcares.  Quanto mais mastigarmos, mais doces os alimentos nos parecerão.  O sabor adocicado dos alimentos, e reivindicar refeições sem tensões ou stress, colaborarão para diminuir a necessidade de apetência por doces.

10) Melhora o Sabor dos Alimentos

Qualquer alimento e em particular os hidratos de carbono, tornam-se mais doces quanto mais se mastiga.  As pessoas que adoptaram o hábito de mastigar, passaram a dar mais valor a refeições mais simples, satisfazendo-se com menos, ao mesmo tempo que absorvem melhor. Mastigar 50 a 100 vezes torna a comida deliciosa.  A mastigação revela o verdadeiro sabor dos alimentos, habilitando-nos a distinguir os alimentos bons e maus; os alimentos bons tornam-se mais saborosos à medida que mais mastigamos.

11) Elimina a Flatulência

Muita gente sofre de gases intestinais.  Há dois tipos de flatulência. Um tipo é inodoro e ocorre devido a uma mastigação inadequada e ao excesso de alimentos. Se mastigarmos os alimentos calmamente e em silêncio, de preferência com os olhos fechados, comeremos menos e reduzirá a flatulência.  A flatulência mal cheirosa acontece em pessoas que têm má digestão devido a uma dieta errada, combinação imprópria de alimentos, alimentos mal cozidos e mastigação inadequada.

12) Elimina o Stress e as Tensões

Muita gente carrega consigo muita tensão e stress. Quanto mais calmamente as refeições forem feitas, maior será a energia que entra no corpo. Quando a mastigação é praticada como uma forma de meditação, a refeição transforma-se em algo semelhante à oração, porém não do tipo religioso; passa a ser uma experiência vigorosa, com efeitos calmantes e curativos, que poderá desfrutar duas a três vezes por dia.

13) Elimina o Mau Hálito

Os odores do mau hálito provêm de diversos factores. A maioria das pessoas que tem mau hálito crónico come demais ou muito frequentemente.  Antes de acabar a digestão de uma refeição já começam outra.  Tomam lanches e “beliscam” entre as refeições.  Três refeições são suficientes se se comer correctamente.  Muitos satisfazem-se com apenas duas refeições por dia.  Lembre-se de que temos a opção de purificar ou putrefazer o nosso sistema digestivo.  Um sistema digestivo saudável geralmente traduz-se num corpo e mente saudáveis. Há um ditado que diz: bom hálito significa boa disposição.

14) Activa as Glândulas

Uma boa mastigação afectará o sistema endócrino glandular.  A mastigação activa todas as glândulas, desde a pituitária até a tiróide, o pâncreas, o baço e as gónadas.  Os órgãos sexuais tornam-se mais equilibrados.  A glândula que sofre a maior mudança é o timo, o qual produz as células-T necessárias para o bom funcionamento do sistema imunitário. De acordo com as pesquisas do American Medical Dictionary, a hormona parotina, o qual é excretada durante a mastigação, aumenta a produção das células-T.  A mastigação é essencial para pessoas com SIDA ou com qualquer outra doença degenerativa.

 (15) Alcaliniza o Organismo

Um corpo saudável é mais alcalino que ácido. A mastigação cria uma condição mais alcalina no corpo porque a saliva é alcalina e, ao misturar-se com os alimentos, alcaliniza os alimentos que ingerimos.  Até os hidratos de carbono podem criar uma condição ácida se não forem bem mastigados.  O pH da saliva é de 6,8 a 7,2. O pH normal do sangue varia dentro da pequena faixa de 7,35 a 7,45. Em comparação com a água, portanto, o sangue normal tem o pH levemente alcalino. Quando o pH do sangue está abaixo de 7,35 existe acidose; se o pH do sangue é superior a 7,45, existe alcalose. Quando a acidose é severa e o pH alcança valores abaixo de 6,85, em geral as funções celulares alteram-se de tal forma que sobrevém a morte celular; o distúrbio é irreversível. Do mesmo modo, nas alcaloses severas e persistentes, os valores de pH superiores a 7,95 são incompatíveis com a normalidade da função celular. O distúrbio é irreversível e, em geral, ocorre a morte celular.

    (16) Auxilia na Cura de Úlceras

  A mastigação aumenta a quantidade e a qualidade de saliva, a qual é um curativo para qualquer tecido, interno ou externo.  Frequentemente recomenda-se a pessoas com desordens estomacais ou digestivas que retenham uma ameixa umeboshi na boca para estimular a produção de saliva.  A saliva é um remédio natural e, quando ingerida, neutraliza o excesso de acidez no estômago e auxilia no alívio de úlceras.

 (17) Cria Dentes e Gengivas mais Fortes

A mastigação estimula o fluxo do sangue e dá energia para os dentes e gengivas, uma vez que os usamos mais. Reduz a ansiedade por alimentos não saudáveis. Se mastigarmos bem alimentos saudáveis, aos poucos descobriremos que a ansiedade por alimentos não saudáveis diminuirá.  Quando começamos a mastigar realmente bem, o desejo por alimentos animais, incluindo peixe, fruta, sobremesas, diminui na proporção que aumenta a mastigação.

 (18) Desenvolve a Criatividade

Ao mastigar mais comemos menos e comer menos estimula um fluxo mais vigoroso de energia através do organismo. Uma alimentação em excesso provoca estagnação do corpo, da mente e dos canais criativos. A inspiração tem as suas raízes na palavra “respiração”.  O oxigénio consegue fluir com maior facilidade num corpo livre de estagnação e gordura excessiva. A criatividade em todos os níveis aumenta quando estamos sincronizados com a Natureza, através de um estilo consciente de vida.

 (19) Proove o Rejuvenescimento

A mastigação tem efeitos rejuvenescedores.  Os indivíduos da comunidade Hunza dos Himalaias são conhecidos pela sua longevidade e prática da mastigação.  O Dr. Tomozaburo Ogata, professor da Escola de Medicina da Universidade de Tóquio, conduziu uma extensa pesquisa a respeito do rejuvenescimento.  Essa pesquisa é mencionada no livro Natural Immunity, de Noboru Muramoto. Noboru Muramoto diz que o Dr. Ogata descobriu que a mastigação revitaliza o corpo porque activa as glândulas parótidas, localizadas em cada lado das mandíbulas, abaixo dos ouvidos.  Quanto mais mastigarmos, mais activas as glândulas se tornam, produzindo a hormona parotina.  Se se mastigar poucas vezes, a hormona é engolida e destruída no estômago.  Mastigando bem faz com que a hormona parotina seja absorvido pelo sistema linfático.  A hormona renova as células, afectando o sistema endócrino glandular e rejuvenescendo o corpo inteiro. O Dr. Ogata extraiu a hormona parotina da saliva da vaca e injectou-a em alguns pacientes; em poucos meses esses pacientes tinham uma aparência de dez anos mais jovens.  Mas, com o tempo, os efeitos rejuvenescedores diminuíram porque a hormona era apropriada para vacas e não para seres humanos. Cada um de nós pode mastigar bem e produzir as suas próprias hormonas rejuvenescedoras.

 (20) Cria maior Vitalidade e Vigor Sexual

É natural e lógico que qualquer coisa que aumente a nossa energia e melhore a nossa saúde também melhorará os nossos órgãos sexuais e a nossa vida sexual. Impotência, infertilidade, falta de orgasmo são primariamente resultados da energia bloqueada e nutrição inadequada.

 (21) Melhora as Condições de todos os Órgãos

Uma das razões pelas quais a mastigação é importante é porque fará com que coma menos.  Como consequência terá um fígado mais saudável.  Este é o primeiro passo para a longevidade e uma saúde melhor.  Não existe saúde sem um bom fígado e não existe um bom fígado sem uma boa mastigação.

 (22) Aumenta a Eficiência na Vida

”Parece que quanto mais mastigo mais tempo tenho! Completo as minhas tarefas com maior rapidez e eficiência.  O relógio passou a ser meu aliado” - Jane Quincanno.

Publicada por Sara Rato


 

Friday, June 12, 2026

 

A FARINHA É VICIANTE?

resumo

O artigo defende que a farinha, especialmente quando consumida regularmente sob a forma de pão, bolachas e produtos de pastelaria, pode criar comportamentos semelhantes aos da dependência. Segundo a autora, isso deve-se tanto ao prazer associado ao seu consumo como à activação dos circuitos cerebrais da recompensa (dopamina).

Distingue-se entre:

  • Farinhas refinadas, consideradas mais prejudiciais, por contribuírem para a desmineralização do organismo e para desequilíbrios nos níveis de açúcar no sangue.
  • Farinhas integrais biológicas, que são mais saudáveis, mas que, segundo a autora, também podem provocar muco, inchaço, gases, sensação de peso corporal e acumulação de gordura quando consumidas em excesso.

O texto sugere que o desejo por produtos feitos com farinha pode estar relacionado com substâncias produzidas durante a digestão do glúten e dos lacticínios (exorfinas), que teriam um efeito semelhante ao dos opióides no organismo.

Para reduzir a vontade de consumir farinhas, a autora recomenda:

  • Consumir mais cereais integrais em grão (quinoa, trigo-sarraceno, milho-miúdo, arroz integral).
  • Garantir uma ingestão adequada de proteínas provenientes de leguminosas, frutos secos e derivados como o tempeh.
  • Incluir fontes de ómega 3, como linhaça, nozes, avelãs e amêndoas.
  • Privilegiar alimentos integrais, frescos, sazonais e pouco processados.

O artigo inclui ainda várias receitas macrobióticas para substituir produtos feitos com farinha no pequeno-almoço e nos lanches.

Nota: Algumas afirmações do artigo, como a ideia de que as farinhas são inerentemente viciantes ou que promovem directamente a proliferação de vírus e fungos, não são consensuais na comunidade científica e devem ser interpretadas como perspectivas da abordagem macrobiótica, e não como factos científicos estabelecidos.

-----------------------

texto 

Sim, a farinha pode ser viciante.

Muitas vezes, durante a fase de reajuste através da macrobiótica e, em alguns casos, mesmo posteriormente, eliminamos ou reduzimos consideravelmente o consumo de farinhas ou de cereais moídos. Existem várias razões para isso, que um organismo limpo consegue perceber quando os consome em maior quantidade do que a conveniente.

Há pouco tempo, dei um workshop de panificação sem glúten e fiz alguns testes nas semanas anteriores para aperfeiçoar as receitas. Depois de comer parte do que tinha sido preparado com farinhas integrais, biológicas e sem glúten, voltei a compreender, mais uma vez, a coerência das indicações que damos na macrobiótica.

Vou explicar porquê.

Em primeiro lugar, devemos distinguir as farinhas refinadas, cujo consumo desmineraliza o organismo e acaba por desequilibrar os níveis de açúcar no sangue, além de provocar todos os sintomas descritos abaixo, das farinhas integrais biológicas, que são muito mais saudáveis, embora também possam causar:

  • Produção de muco.
  • Sensação de obstrução das fossas nasais ou dos seios perinasais.
  • Sensação de bloqueio.
  • Peso ou densidade corporal.
  • Inchaço.
  • Flatulência ou gases.
  • Acumulação de tecido adiposo e gordura corporal.
  • Uma energia vibracional mais baixa do que a dos cereais integrais em grão.
  • Desmineralização devido à oxidação do cereal moído.

Estas sensações e efeitos incluem tanto as farinhas com glúten como as sem glúten, embora as farinhas que contêm glúten possam aumentar a intensidade dos sintomas em pessoas intolerantes, sobretudo a farinha de trigo, que é actualmente uma das mais adulteradas.

Mas porque é que apetece tanto comer pão, bolachas ou outros produtos de padaria?

Eliminar as farinhas durante algum tempo mostra-nos frequentemente o quão viciantes elas podem tornar-se. Além de o pão e os produtos de panificação serem alimentos consumidos desde tempos ancestrais e fazerem parte das nossas memórias afectivas, a sua textura produz uma agradável sensação de prazer que cria vontade constante de continuar a consumi-los. Isto acontece devido à activação das vias dopaminérgicas (produtoras de dopamina), envolvidas no circuito cerebral da recompensa, especialmente quando estes alimentos estão combinados com açúcar ou lacticínios, que também contêm componentes comprovadamente viciantes.

Esses componentes são péptidos opióides chamados exorfinas, que podem ser produzidos durante a digestão tanto do glúten do trigo (rico em mucina) como da α-caseína (proteína presente no leite de vaca), apresentando uma actividade semelhante à da morfina.

O nosso organismo necessita de uma certa quantidade de hidratos de carbono complexos presentes nos cereais integrais, leguminosas, legumes doces ou fruta para manter uma energia estável e com o mínimo de oscilações ao longo do dia. Assim, em vez de obter essa energia através das farinhas, que congestionam o organismo e, ao produzirem muco, favorecem a proliferação de vírus, candidíase, fungos, entre outros, podemos reduzir a vontade de consumir farinhas através de algumas estratégias.

Começar o dia com um pequeno-almoço à base de cereais integrais em grão, sob a forma de cremes, tortas ou até bolos, é uma excelente opção.

----------------------------

Aqui ficam três receitas que certamente irá apreciar ao pequeno-almoço:

CREME DE QUINOA COM CEBOLA

Ingredientes

  • 500 g de cebolas
  • 1 copo de quinoa
  • Uma pitada de sal marinho
  • 1 copo de bebida de arroz

Preparação

Corte as cebolas em meias-luas finas e coloque-as numa panela de pressão juntamente com a quinoa previamente lavada e 5 copos de água. Cozinhe sob pressão durante 35 minutos. Adicione a bebida de arroz e cozinhe mais 10 minutos.

Pode triturar a mistura para obter uma textura mais fina e cremosa e temperar com um pouco de gomasio ou sementes tostadas.

TORTAS DE TRIGO-SARRACENO COM PATÊ VEGAN

Ingredientes

  • 1 copo de trigo-sarraceno cozido em 3 copos de água com uma pitada de sal marinho
  • Óleo de sésamo

Preparação

Triture o trigo-sarraceno cozido e forme pequenas tortas achatando a massa sobre papel vegetal. Pincele com algumas gotas de óleo.

Aqueça uma frigideira, coloque uma torta, cozinhe durante alguns minutos, vire-a e retire-a.

BOLO DE MILLET AROMATIZADO COM LIMÃO

Ingredientes

  • Raspa e sumo de 2 limões pequenos
  • 1 chávena de milho-miúdo
  • 2 pitadas de sal marinho
  • ¾ de chávena de cuscuz integral
  • 1 colher de café de baunilha em pó
  • ½ chávena de amêndoas
  • Óleo de sésamo
  • ¾ de chávena de melaço de milho
  • ¾ de chávena de passas

Preparação

Este é um bolo muito consistente, adequado para o Inverno, que pode ser servido como bolo ou como pudim, acompanhado por um molho de limão ou de clementina.

Para cozer o milho-miúdo, coloque 3 chávenas de água e uma pitada de sal num tacho e leve a ferver. Lave o cereal e adicione-o à água. Tape, reduza o lume e cozinhe durante 30 minutos.

Para preparar o cuscuz, coloque 1 chávena de água e uma pitada de sal ao lume. Quando ferver, adicione o cuscuz, tape e desligue o lume. Deixe repousar até absorver a água. Junte o sumo e a raspa de limão, bem como a baunilha.

Pique grosseiramente as amêndoas. Unte uma forma com óleo de sésamo e pré-aqueça o forno.

Quando o milho-miúdo estiver cozido, misture o melaço, tape novamente e deixe cozinhar mais 5 minutos. Misture depois o milho-miúdo, o cuscuz e as amêndoas.

Coloque a preparação na forma e leve ao forno durante 45 minutos, na parte inferior do forno. Deixe arrefecer antes de desenformar.

A meio da manhã, em vez de comer uma sanduíche, pode optar por bolinhos de arroz, pão de arroz kayu ou pedaços de sushi.

PÃO DE ARROZ KAYU

Ingredientes

  • ¾ de chávena de farinha de arroz integral
  • 2 chávenas de arroz integral cozido e macio
  • ¼ de colher de chá de sal marinho
  • Óleo de sésamo

Preparação

Misture a farinha com o sal e adicione o arroz. Forme uma bola de massa e amasse bem, acrescentando um pouco de farinha sempre que necessário para evitar que cole.

Se o arroz estiver suficientemente macio, não será necessário adicionar água.

Unte um tabuleiro de forno com óleo e polvilhe com um pouco de farinha. Coloque a massa no tabuleiro e faça um corte longitudinal com a ponta de uma faca. Cubra com um pano húmido e deixe repousar entre 8 e 10 horas (opcional, mas melhora o resultado final). Depois, leve ao forno.

Ao almoço, procure também incluir uma porção de cereal integral combinada com outros alimentos, formando uma refeição equilibrada.

Lembre-se de consumir uma quantidade adequada de proteínas provenientes de frutos secos, leguminosas e derivados, como o tempeh.

Se seguir uma alimentação vegetariana ou vegana e não ingerir proteínas suficientes para a sua actividade física ou constituição, poderá sentir mais vontade de consumir doces ou hidratos de carbono sob a forma de farinhas (bolachas, bolos, pão, etc.).

O ácido alfa-linolénico (ómega 3) melhora a comunicação neuronal, optimizando a concentração de dopamina e serotonina. Se não consome peixe, pode encontrá-lo nas sementes de linhaça, no óleo de linhaça, nas nozes, avelãs e amêndoas.

Este suplemento alimentar demonstrou poder ajudar em processos de recuperação de dependência do tabaco ou de drogas.

E, acima de tudo, alimente-se com alimentos integrais, simples e de proximidade, tal como a natureza os oferece: frescos, sazonais, equilibrados em refeições completas e bem confeccionados, de acordo com as suas necessidades, o clima e a estação do ano em que vive.

© Artigo escrito por Agnès Pérez.

 

  MACROBIÓTICOS: ASSUMAM-SE! Gérard Wenker resumo O autor defende que a macrobiótica é muito mais do que um regime alimentar: é uma fi...