Wednesday, September 23, 2026

 

TÉCNICAS AVANÇADAS DE MASTIGAÇÃO

Lino Stanchich

AO COMEÇAR A PRATICAR a mastigação consciente, confrontar-se-á com os seus próprios hábitos. A tendência é engolir depois da vigésima mastigação. Quando isso acontecer, resista e pare conscientemente de mastigar durante alguns segundos; depois, empurre o alimento para a frente com a língua e recomece o processo. Ao chegar à marca de 50 a 80 mastigações, provavelmente terá produzido muita saliva, especialmente se levou à boca uma grande porção de alimento. Engula, mas, da próxima vez, leve à boca uma porção menor. Depois de mastigar 150 vezes, a maioria das pessoas percebe que pode continuar indefinidamente, porque os reflexos se tornam automáticos.

Para obter melhores resultados, aplique à mastigação um movimento em espiral. No início, isso pode parecer estranho, já que a maioria das pessoas mastiga imprimindo à mandíbula um movimento meramente ascendente e descendente. Pode treinar a mastigação em espiral, conduzindo o alimento com a língua ora para o lado direito, ora para o lado esquerdo da boca.

Uma técnica adicional que tenho considerado poderosa consiste em manter os olhos semicerrados ou fechados enquanto repito mentalmente alguma frase. Visualizo aquilo que gostaria que se concretizasse na minha vida. Esta técnica regista a frase no meu inconsciente, contribuindo para que os meus sonhos e desejos se tornem realidade.

Às vezes, tenho a sensação de estar a mastigar com o corpo inteiro 1 e sinto um calor benéfico propagar-se por todos os órgãos e sistemas. É então que experimento o instante supremo do ato de comer. Isso costuma acontecer quando alcanço a marca de 200 mastigações. Tal experiência é mais bem descrita como uma extraordinária sensação de bem-estar e júbilo, acompanhada por uma espécie de vibração que percorre todo o corpo e o deixa inebriado. Depois de experimentar tal sensação, poderá muito bem tornar-se um «viciado» na mastigação consciente, simplesmente devido ao revigoramento que ela proporciona. A essa sensação chamo «Potência Entusiástica do Corpo».

A Potência Entusiástica do Corpo manifesta-se também noutras situações. Os amantes, por exemplo, são tomados por esta energia quando estão próximos um do outro. Outros deixam-se invadir pelo mesmo sentimento quando estão a cantar, a dançar ou a atuar. E experimentará a mesma sensação em breve, ao praticar a mastigação consciente.

Depois de uma refeição, deveríamos sentir-nos energizados, alegres, enlevados, como se flutuássemos no ar, e agradecidos por tudo o que nos foi dado, especialmente pelo alimento que acabámos de desfrutar. Estou convencido de que mastigar aumenta a presença de endorfinas no cérebro e no corpo. O otimismo passa a governar-nos. É como se estivéssemos apaixonados ou profundamente inspirados. Mastigar é um exercício que nos incute um profundo respeito pelo nosso corpo e por toda a Natureza.

QUE VELOCIDADE IMPRIMIR À MASTIGAÇÃO?

Se estou a comer sozinho, mastigo muito bem. Posso comer ainda melhor na companhia de bons mastigadores. Se, por outro lado, como ao lado de pessoas que não querem ou não podem mastigar muito, isso afeta-me consideravelmente. Não há como negar que somos influenciados tanto pelo ambiente como pelos indivíduos que nos rodeiam. Com o objetivo de extrair o máximo do seu alimento, escolha um lugar que inspire paz e companhias que o estimulem a mastigar.

Durante toda a minha vida, as minhas glândulas têm estado hiperativas. Se comer na minha companhia, perceberá que, embora eu mastigue mais do que a maioria das pessoas, frequentemente sou o primeiro a terminar. Tal aparente contradição deve-se ao ritmo acelerado com que mastigo o meu alimento 2. Tenho consciência disso e tento reduzir a velocidade, pois, quanto mais depressa mastigamos, mais hiperativos nos tornamos. A boa notícia é que podemos mudar os nossos padrões energéticos, alterando a velocidade da nossa mastigação.

Se é moroso ou se sente prostrado, e se deseja revitalizar o seu metabolismo, acelere conscientemente o seu ritmo de mastigação. Caso queira tornar-se mais sereno ou desacelerar o seu metabolismo, reduza propositadamente a velocidade da sua mastigação. Pode compor o ambiente com música de fundo e iluminação. Luzes brilhantes e música animada tendem a aumentar a velocidade da mastigação, ao passo que luzes suaves e música tranquila tendem a criar um ritmo de mastigação mais calmo.

Lembre-se: a velocidade que imprime à mastigação afeta todo o seu corpo. Mastigue com consciência. Defina o padrão da sua mastigação de acordo com as suas necessidades, tendo sempre presente a importância de mastigar bem os alimentos. Reconheço que a disciplina de mastigar exige muita paciência. Uma vez, porém, comprovados os seus miraculosos resultados, ficamos convencidos de que vale a pena o esforço.

NOTAS

1 Cumpre referir aqui um inestimável ensinamento de Tomio Kikuchi: «Não são apenas os dentes que mastigam: é o corpo inteiro que o faz.» Para que os alimentos sejam completamente assimilados, é necessário deixar de lado o sedentarismo e movimentar o corpo diariamente. Portanto, essa sensação a que o autor faz menção («de estar a mastigar com o corpo inteiro») só encontra paralelo no mundo real se o indivíduo incorporar na sua rotina diária uma atividade física que proporcione a combustão completa dos alimentos.

2 Ainda segundo Tomio Kikuchi, a mastigação consciente deve considerar a seguinte relação entre o volume de cada bocado e a velocidade com que é mastigado: o volume ideal corresponde a 9 g de arroz integral cozido (o que equivale, mais ou menos, a 140 grãos), e a velocidade ideal corresponde a 140 movimentos por minuto. Este é o padrão, do qual é prudente não se afastar muito se o objetivo é beneficiar das vantagens da mastigação. O aspirante a mastigador ideal pode, no início, treinar com a ajuda de um relógio. Mas depressa prescindirá do instrumento, pois o bom hábito interiorizar-se-á como uma segunda natureza.

 

 

A PERDA DA CAPACIDADE REPRODUTIVA

Elena Corrales

https://www.elenacorrales.com/blogelenacorrales/la-perdida-de-la-capacidad-reproductora-i/ 

I

Hoje aprofundamos um fenómeno relativamente recente: cada vez mais casais jovens têm dificuldades em conceber de forma espontânea. Como consequência, o recurso a técnicas de reprodução assistida, como a inseminação artificial ou a fecundação in vitro, tornou-se uma realidade cada vez mais frequente.

Espanha é atualmente um dos países europeus com maior utilização de tratamentos de reprodução assistida. Estima-se que os problemas de fertilidade afetem aproximadamente 17% dos casais, o que significa que cerca de um milhão de pessoas necessitam de ajuda médica para poder ter filhos.

AS CAUSAS

Segundo os especialistas, quatro fatores principais podem interferir na capacidade reprodutiva feminina: o excesso de peso, o tabagismo, determinadas práticas contracetivas e a idade.

No entanto, muitas das mulheres que não conseguem engravidar de forma espontânea não são obesas, não fumam e procuram ativamente a conceção. Nestes casos, a explicação costuma centrar-se numa única variável: a idade.

Os dados demográficos mostram que a idade média da maternidade se atrasou de forma considerável. Em Espanha, as mulheres têm o primeiro filho por volta dos 32 anos e menos de 30% dos nascimentos correspondem a mães com menos de 30 anos.

Do ponto de vista médico, considera-se que um casal apresenta problemas de fertilidade quando, após um ano de relações sexuais sem proteção, não se conseguiu uma gravidez.

Recordo que, na minha geração, a perceção era completamente diferente. Ensinavam-nos que manter relações sexuais perto da ovulação praticamente garantia uma gravidez, ao ponto de muitas pessoas confiarem em métodos pouco eficazes como o conhecido «coito interrompido». A ideia geral era que a gravidez era algo quase inevitável quando não existiam medidas contracetivas.

A IDADE É REALMENTE O PROBLEMA?

Voltando à questão da idade, alguns estudos estatísticos indicam que cerca de 7% dos casais apresentam infertilidade aos 30 anos, percentagem que aumenta para 11% aos 35 anos.

No entanto, atribuir a dificuldade em conceber unicamente à idade pode revelar-se uma simplificação excessiva. Por detrás de muitos casos existem outros fatores que também influenciam a fertilidade: diminuição da reserva ovárica, síndrome dos ovários poliquísticos, alterações da tiroide, menopausa precoce, endometriose, doença inflamatória pélvica ou perturbações das trompas de Falópio, entre outros.

Por outras palavras, muitas mulheres que encontram dificuldades em conceber apresentam condições médicas concretas que afetam a sua saúde reprodutiva, independentemente da idade cronológica.

BIOLOGIA OU PRECONCEITOS?

De uma perspetiva biológica, a etapa fértil da mulher começa com a puberdade e termina com a menopausa. Se a menarca costuma ocorrer por volta dos 12 anos e a menopausa perto dos 50-55 anos, parece razoável pensar que uma mulher de 30 anos deveria encontrar-se ainda numa etapa de plena capacidade reprodutiva.

No entanto, durante anos utilizou-se no âmbito médico o termo «primípara idosa» para referir mulheres que têm o primeiro filho a partir de determinadas idades, uma expressão que hoje se revela claramente questionável e que reflete uma determinada visão cultural da maternidade.

Também é frequente ouvir dizer que a capacidade reprodutiva feminina começa a diminuir a partir dos 30 anos, enquanto a masculina se mantém durante muitas mais décadas. Esta afirmação costuma apoiar-se na ideia de que as mulheres nascem com uma reserva limitada de ovócitos, enquanto os homens produzem espermatozoides de forma contínua ao longo da vida.

Contudo, a realidade é mais complexa. A fertilidade masculina também pode ser afetada por numerosos fatores ambientais, metabólicos e relacionados com o estilo de vida. De facto, os especialistas observam cada vez com maior frequência alterações na qualidade seminal de homens jovens que fazem parte de casais com problemas de fertilidade.

Por isso, atribuir as dificuldades reprodutivas exclusivamente ao envelhecimento feminino pode impedir uma análise mais ampla e rigorosa das causas reais que estão por detrás deste fenómeno.

OLHANDO PARA ALÉM DA IDADE

Talvez tenha chegado o momento de nos perguntarmos se o adiamento da maternidade é a única explicação ou se existem outros fatores relacionados com a saúde, o estilo de vida e o ambiente que estão a afetar a fertilidade tanto das mulheres como dos homens.

Nos próximos artigos analisaremos algumas destas possíveis causas e aprofundaremos o papel que a alimentação moderna e outros fatores ambientais poderão desempenhar na perda da capacidade reprodutiva.

II

Hoje aprofundamos o aspeto da idade, distinguindo entre a idade cronológica e a idade biológica, que é a determinante em questões de saúde e de fertilidade.

Estima-se que aproximadamente 47% dos problemas de fertilidade tenham uma origem feminina. Embora este número deva ser interpretado dentro da complexidade que caracteriza a infertilidade, é interessante tê-lo em conta quando um casal enfrenta uma situação tão delicada como a dificuldade em conceber.

No artigo anterior falávamos de como a idade da mulher costuma ser apresentada como uma das principais causas de esterilidade. No entanto, gostaria de partilhar uma reflexão que considero fundamental e que, além disso, é igualmente válida para homens e mulheres.

IDADE CRONOLÓGICA E IDADE BIOLÓGICA: DOIS CONCEITOS DIFERENTES

A idade cronológica é o tempo decorrido desde o nosso nascimento. É a idade que expressamos em anos e que tem uma grande importância do ponto de vista social e administrativo: determina a maioridade, a reforma ou o acesso a determinados direitos e obrigações.

No entanto, da perspetiva da saúde existe outro conceito muito mais relevante: a idade biológica.

A idade biológica reflete o estado funcional real dos nossos órgãos e sistemas em comparação com os padrões esperados para uma determinada idade. Por outras palavras, indica-nos como está realmente a envelhecer o nosso organismo.

Duas pessoas de 30 anos podem ter idades biológicas muito diferentes. Uma pode apresentar tecidos, uma capacidade metabólica e funções orgânicas próprias de alguém muito mais velho, enquanto outra pode manter parâmetros fisiológicos excelentes.

Por isso, quando falamos de fertilidade, talvez não devêssemos centrar-nos unicamente nos anos de idade, mas também no estado de saúde global do organismo.

A BIOELETRÓNICA DE VINCENT

Um dos métodos que historicamente têm sido utilizados para uma aproximação ao estudo do terreno biológico é a Bioeletrónica de Vincent, desenvolvida pelo hidrólogo francês Louis-Claude Vincent em 1948.

Entre os anos de 1999 e 2004, no Centro de Medicina Biológica Elena Corrales realizámos vários milhares de estudos baseados nesta abordagem. Através da análise de sangue, saliva e urina, eram avaliados parâmetros como:

  • O pH.
  • O potencial de oxidação-redução.
  • A concentração de eletrólitos.

Mediante cálculos específicos, estes dados permitiam avaliar o estado biológico geral do organismo.

Durante aqueles anos observámos como muitos pacientes apresentavam inicialmente indicadores compatíveis com um envelhecimento biológico significativamente superior à sua idade cronológica. Também pudemos verificar que, ao introduzir alterações dietéticas adaptadas a cada caso, esses parâmetros tendiam a melhorar progressivamente.

Foi uma etapa especialmente enriquecedora do ponto de vista clínico porque permitiu observar, de forma prática, como a alimentação influencia múltiplos fatores relacionados com o equilíbrio interno e a saúde.

Atualmente continuamos a avaliar aspetos como a oxidação celular ou a tendência para a acidose através de procedimentos indiretos e critérios clínicos globais.

FERTILIDADE E ENVELHECIMENTO FUNCIONAL

Quando um casal jovem consulta por problemas de fertilidade, costumamos assumir que o seu organismo funciona de acordo com a idade que consta no seu documento de identificação. No entanto, nem sempre é assim.

Em muitos casos encontramos pessoas de 28 ou 30 anos com alterações metabólicas, inflamatórias ou endócrinas que refletem uma deterioração funcional consideravelmente superior à esperada para a sua idade.

Desta perspetiva, a dificuldade em conceber não seria unicamente uma questão dos anos de idade, mas também do estado biológico em que se encontra o organismo.

A IMPORTÂNCIA DA ALIMENTAÇÃO

Sem retirar importância a outros fatores como o stress crónico, o tabagismo, os contaminantes ambientais ou a exposição a pesticidas, considero que a alimentação desempenha um papel fundamental na saúde reprodutiva.

A dieta moderna caracteriza-se por um elevado consumo de produtos ultraprocessados, excesso de açúcares refinados, gorduras de baixa qualidade e alimentos com reduzida densidade nutricional. Este padrão alimentar favorece desequilíbrios que podem afetar o funcionamento normal do organismo.

Com frequência observamos como muitas patologias relacionadas com a fertilidade aparecem acompanhadas de um estado geral de inflamação, oxidação celular e alterações metabólicas.

Entre elas encontramos:

  • Endometriose.
  • Síndrome dos ovários poliquísticos.
  • Diminuição da reserva ovárica.
  • Menopausa precoce.
  • Alterações da qualidade seminal.
  • Diminuição da mobilidade espermática.
  • Baixa contagem de espermatozoides.

Embora cada uma destas condições tenha causas complexas e multifatoriais, é difícil ignorar o papel que os hábitos de vida desempenham na sua evolução.

UMA VISÃO A PARTIR DA MEDICINA BIOLÓGICA

Da perspetiva da medicina biológica, a fertilidade não depende exclusivamente da função de um órgão concreto, mas do equilíbrio geral do organismo.

Por isso, quando um casal consulta por dificuldades reprodutivas, o objetivo principal não consiste unicamente em intervir sobre os ovários ou os testículos, mas em melhorar as condições internas que permitem que todos os sistemas do corpo funcionem de forma adequada.

A experiência clínica mostra que, quando se corrigem determinados desequilíbrios através de alterações nutricionais e hábitos saudáveis, costumam ocorrer melhorias significativas: ciclos menstruais mais regulares, redução da síndrome pré-menstrual, melhor qualidade seminal e uma sensação geral de maior bem-estar.

Em muitos casos, estas melhorias são acompanhadas de gravidezes espontâneas que não requerem técnicas de reprodução assistida.

UMA REFLEXÃO IMPORTANTE

Talvez a pergunta mais importante não seja unicamente porque nascem cada vez menos crianças, mas o que está a acontecer com o nosso estado de saúde global.

A fertilidade pode ser entendida como mais um indicador da vitalidade do organismo. Quando esta diminui, talvez convenha olhar para além da idade cronológica e perguntarmo-nos como vivemos, como nos alimentamos e que fatores ambientais estão a condicionar o nosso equilíbrio biológico.

Porque, em última análise, a capacidade reprodutiva não depende apenas da passagem do tempo, mas também da qualidade do terreno biológico sobre o qual a vida se desenvolve.

III

Durante décadas, a explicação mais repetida para justificar o aumento dos problemas de fertilidade tem sido o adiamento da idade da maternidade. No entanto, esta resposta revela-se insuficiente para explicar uma realidade cada vez mais evidente: homens e mulheres jovens, aparentemente saudáveis, apresentam dificuldades em conceber.

Se observarmos a evolução da nossa alimentação nos últimos cinquenta anos, surge uma pergunta inevitável: poderá a alimentação moderna estar a influenciar a perda progressiva da capacidade reprodutiva?

A FERTILIDADE COMO INDICADOR DE SAÚDE

A reprodução é uma das funções mais sofisticadas do organismo. Quando o corpo percebe que existem desequilíbrios importantes, costuma dar prioridade aos mecanismos de sobrevivência em detrimento dos reprodutivos.

Por este motivo, a fertilidade pode ser considerada um verdadeiro indicador do estado geral de saúde.

Um organismo inflamado, oxidado, mal nutrido ou submetido a stress metabólico terá mais dificuldades em produzir hormonas equilibradas, ovular corretamente ou gerar espermatozoides de qualidade.

DO ALIMENTO TRADICIONAL AO PRODUTO INDUSTRIAL

Até há apenas algumas décadas, a maior parte da alimentação baseava-se em produtos frescos e preparações caseiras. Em contrapartida, hoje uma parte importante da dieta provém de alimentos ultraprocessados.

Estes produtos costumam caracterizar-se por:

  • Excesso de açúcares refinados.
  • Farinhas muito refinadas.
  • Gorduras de baixa qualidade.
  • Aditivos e conservantes.
  • Défice de vitaminas, minerais e antioxidantes.

Paradoxalmente, vivemos numa época de abundância calórica, mas de crescente pobreza nutricional.

O resultado é que existem cada vez mais pessoas com excesso de peso ou alterações metabólicas que, a nível celular, apresentam défices importantes de nutrientes essenciais para a função reprodutiva.

O PROBLEMA DA INFLAMAÇÃO CRÓNICA

A inflamação é uma resposta natural do organismo perante uma agressão. O problema surge quando se transforma num estado permanente.

Numerosos hábitos modernos favorecem a inflamação de baixo grau:

  • Consumo excessivo de açúcar.
  • Excesso de alimentos processados.
  • Má qualidade do sono.
  • Sedentarismo.
  • Stress continuado.

São cada vez mais frequentes patologias associadas a processos inflamatórios, como a endometriose, a síndrome dos ovários poliquísticos ou determinadas alterações endócrinas que podem dificultar a fertilidade.

No caso masculino, a inflamação também pode afetar a qualidade seminal, reduzindo a mobilidade e a capacidade fecundante dos espermatozoides.

O PAPEL DA OXIDAÇÃO CELULAR

Outro fator estreitamente relacionado com a fertilidade é o stress oxidativo.

O nosso organismo produz radicais livres de forma natural, mas necessita de antioxidantes para manter o equilíbrio. Quando a produção de radicais livres ultrapassa a capacidade neutralizadora do organismo, produz-se um dano progressivo nos tecidos.

Os ovócitos e os espermatozoides são especialmente sensíveis à oxidação.

Fatores como:

  • O tabaco.
  • A poluição ambiental.
  • Os pesticidas.
  • O álcool.
  • Uma alimentação pobre em alimentos não processados, como cereais integrais, leguminosas, hortaliças e frutas.

podem aumentar significativamente o stress oxidativo e comprometer a qualidade reprodutiva.

DEFICIÊNCIAS NUTRICIONAIS SILENCIOSAS

Para produzir hormonas sexuais, ovular corretamente ou produzir espermatozoides saudáveis, o organismo necessita de nutrientes específicos.

Entre os mais importantes destacam-se:

  • Zinco.
  • Selénio.
  • Magnésio.
  • Ferro.
  • Ómega 3.
  • Vitaminas A, D, E e do grupo B.

Estes nutrientes estão ausentes nos alimentos refinados e processados.

Muitas pessoas apresentam défices ligeiros que não produzem sintomas evidentes, mas que podem afetar o funcionamento ótimo do sistema reprodutor.

Este fenómeno é especialmente frequente em dietas baseadas em produtos industriais, refeições rápidas e alimentos com baixa densidade nutricional.

O QUE ACONTECE COM OS HOMENS?

Quando se fala de infertilidade, tradicionalmente a atenção tem-se centrado na mulher. No entanto, diversos estudos mostram uma diminuição progressiva da qualidade seminal em numerosos países ocidentais.

São cada vez mais habituais diagnósticos como:

  • Baixa contagem de espermatozoides.
  • Diminuição da mobilidade espermática.
  • Alterações morfológicas.
  • Fragmentação do ADN espermático.

Embora as causas sejam múltiplas, os hábitos alimentares e o estilo de vida parecem desempenhar um papel importante.

A fertilidade é um projeto de casal e merece uma visão integral que contemple tanto a saúde feminina como a masculina.

RECUPERAR O TERRENO BIOLÓGICO

Na medicina biológica, a pergunta não é unicamente por que razão um casal não consegue uma gravidez, mas que condições internas deixaram de favorecer a reprodução.

A minha experiência clínica demonstra que, quando se melhora a alimentação, se corrigem défices nutricionais e se diminuem os fatores inflamatórios, muitas pessoas experimentam alterações significativas na sua saúde geral:

  • Menstruações mais regulares.
  • Menos dor menstrual.
  • Melhor equilíbrio hormonal.
  • Maior energia.
  • Melhor qualidade seminal.

Em muitos casos, estas melhorias são acompanhadas de gravidezes espontâneas que inicialmente pareciam improváveis.

REFLEXÃO FINAL

Talvez o verdadeiro problema não seja unicamente a idade dos casais, mas a deterioração progressiva da nossa saúde biológica.

A fertilidade não depende apenas da função dos ovários ou dos testículos. É o resultado do equilíbrio de todo o organismo. E, nesse equilíbrio, a alimentação ocupa um lugar central.

Se queremos compreender por que razão é cada vez mais difícil conceber, talvez devamos olhar para além da data de nascimento e perguntar-nos o que estamos a colocar todos os dias no nosso prato.

Porque a capacidade de criar vida começa, em grande medida, com a capacidade de nutrir a própria.

 


 

CREME MACROBIÓTICO DE MILLET E SEMENTES PARA O PEQUENO-ALMOÇO

macrobioticamediterranea.es


 
O moinho aproxima a macrobiótica da vida moderna, porque reduz os tempos de cozedura e torna mais prática a preparação de inúmeros pratos.

As receitas macrobióticas não vêm apenas de livros e de autores macrobióticos; qualquer prato que, a longo prazo, nos proporcione equilíbrio é, para nós, uma receita macrobiótica. Tendo isto em conta, qualquer livro de cozinha pode ser uma fonte de pratos saudáveis.

Neste artigo, vamos ver como preparar um creme de millet para o pequeno-almoço, que também podemos consumir ao lanche.

A receita é inspirada num prato que aparece no livro Alimentação Anticancro, da médica Odile Fernández. Ela chama-lhe «Creme Budwig modificado»; aqui chamar-lhe-emos creme de millet e sementes.

Ingredientes

  • 3 colheres de sopa de millet;
  • 2 colheres de sopa de sementes, que podem ser de abóbora, girassol ou sésamo;
  • 2 colheres de sopa de sementes de linhaça;
  • 250 ml de bebida vegetal, que pode ser de amêndoa, arroz ou aveia;
  • 1 colher de sopa de geleia de arroz;
  • 1 colher de chá de canela em pó.

Preparação

1. Triture o millet e as sementes num moinho.

2. Leve ao lume o preparado moído juntamente com a bebida vegetal, a canela e a geleia de arroz. Cozinhe durante 15 minutos, em lume brando, mexendo frequentemente.

Apresento, em seguida, um guia fotográfico da receita macrobiótica de creme de millet.


 [1.ª etapa da preparação]



Para o creme macrobiótico de millet, a primeira coisa a fazer é moer o millet e as sementes de linhaça e de abóbora. Um moinho de café será suficiente.

[2.ª etapa da preparação]


Coloque num tacho a bebida vegetal, a canela, a geleia de arroz e os ingredientes previamente moídos. Coza em lume brando durante 15 minutos, mexendo.


 As receitas mostram-nos métodos ou formas de cozinhar alguma coisa. Recordo um momento do documentário Um Dia no Bulli, de Ferran Adrià, em que ele explica que existem receitas de milhares de pratos, mas que o mais importante é o método.

Conta que o primeiro dia em que se fez uma omeleta foi um dia extraordinário, porque se abriu a possibilidade de criar uma infinidade de receitas através do método «bater um ovo e deixá-lo coagular na frigideira».

Porque não fazer o mesmo na cozinha macrobiótica?

Hoje descobrimos o método «moer o cereal e ferver», abrindo assim a possibilidade a dezenas de preparações diferentes.

 

 


CASTANHAS

Além de ser deliciosa, a castanha tem muitos benefícios e hoje vamos partilhar aqui alguns:

·       As castanhas são uma boa fonte de vitamina C, vitamina B6, ácido fólico, potássio e fibra.

·       As castanhas têm um teor de gordura baixo em comparação com outros frutos secos, tornando-as uma opção adequada para pessoas que desejam reduzir a ingestão de gordura.

·       As castanhas são ricas em hidratos de carbono complexos, que fornecem uma fonte constante de energia.

·       Os níveis altos de fibra nas castanhas podem ajudar a reduzir o colesterol e o risco de doenças cardíacas. Além disso, contêm potássio o que pode contribuir para a manutenção de uma pressão sanguínea saudável.

·       A farinha de castanha pode ser usada como uma alternativa sem glúten, tornando-a adequada para pessoas com intolerância ou alergia ao glúten.

·       As castanhas podem ser usadas de variadas formas culinárias. Elas têm um sabor único, doce e aveludado o que adiciona profundidade aos pratos.

·       Promove a saciedade: Uma combinação de hidratos de carbono, fibra e proteína ajuda a promover a sensação de saciedade, tornando-as uma boa escolha para controlar a fome.

Como podemos ver a castanha é um alimento muito rico para além de saboroso

Já experimentou fazer alguma sobremesa com castanhas? Uma delícia!

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Creme de castanhas e azuki

Ingredientes

  • 250 g de castanhas descascadas (compro-as já assim, a granel ou embaladas)
  • 1 copo de feijão azuki
  • 1 pedacinho de alga kombu do tamanho de um selo de correio
  • 1 pau de canela
  • Um pedaço muito pequeno de casca de limão
  • Opcional: geleia de arroz

Preparação

  1. Depois de deixar o feijão azuki de molho durante toda a noite, coza-o na panela de pressão com a alga e três copos de água.
  2. Passados 20 minutos, desligue o lume, deixe a panela arrefecer e abra-a.
  3. Junte as castanhas, o pau de canela e a casca de limão. Coza na panela de pressão durante mais cerca de 10 minutos.
  4. Retire a canela e a casca de limão e triture.
  5. Se não procura um efeito medicinal, pode juntar um pouco de geleia de arroz para adoçar.




 

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