Friday, July 10, 2026

                                                    

SÓDIO E POTÁSSIO NA ALIMENTAÇÃO

Na sequência das suas investigações, Sagen Ishizuka (médico que curou Georges Ohsawa na sua adolescência) chegou à conclusão de que o equilíbrio entre os sais de sódio (Na) e de potássio (K) no organismo desempenha um papel determinante na saúde, sendo a alimentação o principal factor para manter esse equilíbrio.

Quais são os benefícios?

Uma alimentação com um bom equilíbrio entre sódio e potássio contribui para o correcto funcionamento dos músculos, embora a prática de exercício físico intenso possa exigir uma maior ingestão de alimentos ricos em potássio.

Além disso, este equilíbrio facilita a manutenção do equilíbrio ácido-base e do equilíbrio electrolítico do organismo.

Os electrólitos

O potássio, o sódio e o cloreto pertencem à família dos electrólitos. Recebem esta designação porque conduzem a electricidade quando dissolvidos na água.

Estes sais minerais actuam em estreita colaboração no organismo. O potássio é particularmente importante na regulação da actividade muscular e nervosa. A frequência e a intensidade da contracção muscular, assim como o nível de excitabilidade do sistema nervoso, dependem de uma quantidade adequada de potássio no organismo.

Sintomas de deficiência de potássio

  • Debilidade muscular
  • Confusão
  • Irritabilidade
  • Fadiga
  • Problemas cardíacos
  • Diarreia crónica

As principais fontes de sódio numa alimentação macrobiótica são o sal marinho, o miso, o shoyu, os pickles, a tekka, a ameixa umeboshi e as algas.

Boas fontes de potássio

As frutas e os legumes são excelentes fontes de potássio. Contudo, como este mineral é solúvel em água, o ideal é consumi-los crus ou apenas ligeiramente cozinhados: escaldados durante menos de um minuto, cozidos brevemente a vapor ou salteados.

No caso dos espinafres, verificou-se que o teor de potássio pode diminuir cerca de 56% após vários minutos de cozedura em água.

Os legumes também podem ser consumidos sob a forma de sopas ou bebidas quentes. A infusão de salsa, por exemplo, conserva grande parte do seu conteúdo de potássio na água.

O equilíbrio do sal

Se houver excesso de sal na alimentação, é natural sentir uma necessidade acrescida de beber líquidos e de consumir frutas ou alimentos doces, numa tentativa do organismo para restabelecer o equilíbrio adequado.

Assim, se o objectivo for perder peso, manter níveis estáveis de açúcar no sangue ou reduzir o consumo de alimentos açucarados, é importante moderar a ingestão de alimentos muito ricos em sódio.

No entanto, também não é aconselhável cair no extremo oposto. O ideal é consumir regularmente pequenas quantidades de alimentos naturalmente ricos em sódio.

Por exemplo, pode adicionar meia colher de café de miso à sopa ou uma pequena pitada de sal marinho à água de cozedura dos cereais integrais.

Outra possibilidade consiste em ingerir uma pequena porção de pickles, incluir uma tira de cerca de 5 cm de alga no prato principal ou adicionar uma colher de café de shoyu às refeições.

Uma vez por semana, poderá ainda polvilhar uma pequena quantidade de tekka ou de shiso em pó sobre os cereais, ou utilizar algumas azeitonas e uma pequena porção de ameixa umeboshi como condimento.

Estas recomendações são apenas orientações gerais.

Em determinadas situações, poderá ser conveniente reduzir a ingestão de sal, nomeadamente quando nos sentimos tensos, stressados ou agressivos. O mesmo poderá aplicar-se se existir um desejo intenso de consumir doces ou em caso de hipertensão arterial.

O sal marinho

É importante certificar-nos de que o sal que utilizamos é de boa qualidade.

Sempre que possível, devemos optar por sal marinho natural de uma marca de confiança, uma vez que os diferentes tipos de sal apresentam composições e características distintas.

Segundo a perspectiva macrobiótica, o ser humano é fruto de uma evolução cujas origens remontam ao mar. Assim, os alimentos ricos em sódio estariam associados aos nossos instintos mais primários, despertando uma memória biológica profunda e reforçando a ligação às necessidades fundamentais de sobrevivência e de reprodução.

Os alimentos fermentados, ricos em sódio, expressariam esta energia de forma particularmente intensa. Entre eles destacam-se o miso, o shoyu e os pickles, frequentemente utilizados na alimentação macrobiótica.



Autor consultado:

  • Simon G. Brown

                                             

O ÍNDICE GLICÉMICO

O tempo que os alimentos demoram a alterar os níveis de açúcar no sangue exerce uma enorme influência na manutenção da nossa saúde. Foi o Dr. David Jenkins, do Hospital St. Michael, em Toronto, quem iniciou a investigação sobre a classificação dos alimentos de acordo com a rapidez com que provocam alterações nos níveis de açúcar no sangue — o seu Índice Glicémico (IG).

O Índice Glicémico e a Carga Glicémica

O Índice Glicémico (IG) é um sistema que mede o efeito dos alimentos ricos em hidratos de carbono sobre os níveis de açúcar no sangue. Quanto mais elevado for o IG de um alimento, mais rapidamente aumenta a glicemia. Assim, um alimento com IG baixo provoca uma subida lenta e gradual do açúcar no sangue, enquanto um alimento com IG elevado origina uma subida rápida, seguida de uma descida igualmente acentuada.

Um IG de 55 ou menos é considerado baixo; entre 56 e 69, médio; e 70 ou mais, elevado.

A Carga Glicémica (CG) é outra forma de avaliar o impacto dos hidratos de carbono, pois tem em consideração não só o IG, mas também a quantidade de hidratos de carbono presente numa porção habitual do alimento, proporcionando uma avaliação mais completa.

O IG indica apenas a rapidez com que os hidratos de carbono de um determinado alimento se transformam em açúcar no sangue, mas não informa sobre a quantidade de hidratos de carbono existente numa porção desse alimento. Para compreender correctamente o efeito de um alimento na glicemia, é necessário considerar ambos os factores.

Por exemplo, a melancia possui um IG elevado; contudo, como contém relativamente poucos hidratos de carbono por porção, a sua carga glicémica é relativamente baixa.

Uma CG de 10 ou menos é considerada baixa; entre 11 e 19, média; e 20 ou mais, elevada.

IG e saúde

As variações rápidas e frequentes dos níveis de açúcar no sangue aumentam o risco de desenvolver diabetes tipo 2 e podem favorecer o aparecimento de acidentes vasculares cerebrais (AVC) e de doenças cardiovasculares.

Para as pessoas que pretendem controlar a diabetes através da alimentação, é fundamental saber quais os alimentos que ajudam a manter níveis estáveis de açúcar no sangue.

Além disso, uma subida brusca da glicemia é frequentemente seguida de uma descida igualmente rápida, uma vez que o pâncreas segrega insulina para reduzir o açúcar no sangue e armazenar o excesso de glicose. Consequentemente, este processo pode provocar um desejo intenso de consumir alimentos doces e favorecer oscilações acentuadas da glicemia ao longo do dia, contribuindo para o aumento de peso.

É mais fácil perder peso consumindo alimentos que promovam uma elevação lenta e gradual dos níveis de açúcar no sangue. Resultados semelhantes podem ser obtidos através de uma alimentação baseada em alimentos de baixo ou moderado índice glicémico.

Os efeitos dos alimentos com IG elevado

Segundo uma abordagem macrobiótica, importa ainda considerar dois aspectos fundamentais: os efeitos energéticos dos alimentos ricos em açúcar no organismo e a influência das oscilações da glicemia no equilíbrio emocional.

Quando os níveis de açúcar no sangue atingem valores elevados, é frequente sentirmo-nos hiperactivos, dispersos e ligeiramente descontrolados. Pelo contrário, quando ocorre uma descida acentuada da glicemia, podemos sentir-nos deprimidos, pessimistas ou sem energia.

Estas oscilações parecem afectar particularmente as crianças, provocando episódios de choro, birras e irritabilidade, seguidos de apatia ou retraimento.

Dados de interesse sobre o Índice Glicémico

1. Os cereais integrais apresentam um IG inferior ao dos cereais refinados. Por exemplo, o arroz branco tem um IG de cerca de 64, enquanto o arroz integral apresenta um IG de aproximadamente 55.

2. O IG do arroz integral pode diminuir significativamente quando é cozinhado em conjunto com cevada integral.

3. Os cereais expandidos, como as galetes de arroz ou os cereais de pequeno-almoço à base de arroz expandido, apresentam um IG muito superior ao do cereal integral de origem.

4. Quanto mais tempo um alimento é cozinhado, maior tende a ser o seu IG. Por exemplo, se o esparguete for cozido durante 11 minutos, o seu IG é cerca de 59; se for cozido durante 16,5 minutos, sobe para aproximadamente 65.

5. A maior parte dos vegetais possui um IG tão baixo que o seu efeito sobre a glicemia é pouco significativo.

6. O método de confecção influencia o IG. As batatas apresentam um IG de cerca de 85 quando assadas no forno, de 75 quando fritas e de aproximadamente 50 quando cozidas em água.

O nível ideal

Manter níveis estáveis de açúcar no sangue constitui, desde há muito, um dos principais objectivos da alimentação macrobiótica.

Os alimentos com um IG de 55 ou menos são considerados os mais adequados, o que acontece com a maioria dos alimentos integrais e pouco processados (ver tabelas abaixo).

Entre as excepções encontram-se o milho-miúdo (millet), os damascos, as uvas-passas, a melancia, algumas leguminosas, a abóbora, a beterraba, as batatas, as batatas-doces e a couve-rábano.

No entanto, é igualmente importante considerar a Carga Glicémica (CG), isto é, a quantidade efectiva de hidratos de carbono que um alimento fornece e que será convertida em açúcar no sangue. Quando a CG é 10 ou inferior, considera-se baixa.

Assim, apesar de alguns alimentos, como os damascos, a melancia, as leguminosas, a abóbora, a beterraba ou a couve-rábano, apresentarem um IG relativamente elevado, a sua carga glicémica é baixa, pelo que o seu impacto real na glicemia é geralmente reduzido.

A resposta do organismo

A questão do Índice Glicémico é complexa e não pode ser generalizada, uma vez que cada pessoa reage de forma diferente aos alimentos.

A resposta do organismo pode variar em função de diversos factores, entre os quais a idade, o nível de actividade física, a sensibilidade à insulina, a hora do dia, o teor de fibra e de gordura da refeição, o grau de processamento dos alimentos, a proporção entre hidratos de carbono, proteínas e gorduras, o método de confecção e o metabolismo individual.



Autor consultado:

  • Simon G. Brown


 


AS SEMENTES

As sementes são altamente nutritivas e, quando acompanham outros alimentos, fornecem-lhes vitaminas, ácidos gordos essenciais e sais minerais.

As mais comuns são as de sésamo, girassol e abóbora.

Vendem-se cruas, com ou sem casca, e podem (e devem) ser tostadas suave e ligeiramente numa sertã, sem óleo. Conservam-se durante alguns dias num frasco hermeticamente fechado.

SEMENTES DE SÉSAMO

As sementes de sésamo são um alimento de base nas cozinhas mediterrânica, oriental e do Médio Oriente há milhares de anos. São uma excelente fonte de lípidos (gorduras saudáveis), cálcio e outros nutrientes.

Existem duas variedades principais: brancas (castanho-claro) e negras. Constituem a base do gomásio (sementes tostadas com sal marinho), um «sal vegetalizado» muito utilizado na cozinha vegetariana e macrobiótica.

O óleo de sésamo negro não refinado, obtido por prensagem a frio, com um agradável sabor e aroma a noz, é o óleo preferido da cozinha macrobiótica.

É aconselhável tostá-las ligeira e suavemente, pois o seu óleo cru é mais difícil de digerir. As sementes de sésamo levemente tostadas utilizam-se como condimento ou guarnição em sopas, saladas e pratos ou cremes de cereais e legumes.

Também podem ser reduzidas a farinha (de preferência moídas no momento, para evitar a oxidação e a perda de nutrientes), sendo utilizada em preparações para o forno ou combinada com outros ingredientes para confeccionar pratos como o húmus — um creme para barrar ou acompanhar cereais e legumes, preparado com tahin, grão-de-bico e diversos condimentos (sal, alho, orégãos, azeite, vinagre de arroz, miso branco, entre outros) — e na pastelaria tradicional grega.

As sementes de forma convexa são consideradas de melhor qualidade do que as de forma côncava. As sementes descorticadas são normalmente sujeitas a processos industriais que reduzem parte do seu valor nutritivo, pelo que é preferível optar pelas sementes integrais.

O tahin preparado com sementes descorticadas apresenta uma textura mais macia e um sabor mais doce. Já o tahin elaborado com sementes integrais (não descorticadas) possui um sabor mais intenso e um teor nutricional superior. O tahin é uma pasta de sésamo utilizada em molhos, patês e para barrar.

SEMENTES DE GIRASSOL

Com um teor proteico superior ao da maioria das outras sementes, são ricas em ferro, cálcio, fósforo, potássio, magnésio e vitaminas A, E e do complexo B. O seu conteúdo em magnésio e ferro é dos mais elevados entre os alimentos de origem vegetal.

Contribuem para a saúde da visão, da pele e das unhas e podem ajudar na manutenção da pressão arterial normal e no equilíbrio do sistema nervoso.

São constituídas por cerca de 51% de óleo, rico em ácidos gordos insaturados, importantes para o bom funcionamento dos órgãos internos e do cérebro, para a saúde da pele e para ajudar a prevenir a formação de depósitos de colesterol. Actuam também beneficamente sobre os dentes, ajudam a prevenir as cáries e fortalecem as gengivas.

Exigem uma boa mastigação, mas são muito saborosas. Podem ser adicionadas aos cereais do pequeno-almoço, aos pratos principais de cereais e legumes, às sopas, às saladas e a muitas outras preparações. Também podem ser utilizadas no fabrico de pão, bolos e outros produtos de pastelaria confeccionados no forno.

A manteiga de sementes de girassol origina uma pasta espessa e saborosa, enquanto o óleo de girassol não refinado, obtido por prensagem a frio, pode ser utilizado na cozinha.

SEMENTES DE ABÓBORA

Contêm cerca de 50% de ácidos gordos polinsaturados, fitoesteróis (hormonas vegetais), vitaminas A, E e F, aminoácidos essenciais, fósforo em abundância, magnésio, ferro e zinco.

Estimulam o sistema imunitário, são adequadas para algumas alterações hormonais da adolescência, contribuem para a saúde da visão e são tradicionalmente utilizadas como auxiliar no combate aos parasitas intestinais, incluindo a ténia.

São muito saborosas e crocantes quando levemente tostadas e temperadas com uma pequena quantidade de sal ou com molho de soja japonês (shoyu ou tamari).

SEMENTES DE LINHO

Entre os óleos vegetais, o óleo de linhaça é um dos mais ricos em ácido alfa-linolénico (cerca de 57%), um precursor dos ácidos gordos ómega-3. Destaca-se pelo seu potencial papel protector na saúde cardiovascular, ajudando a reduzir os níveis de colesterol e a agregação plaquetária. A sua fibra poderá também contribuir para a prevenção de algumas patologias, nomeadamente do cancro da mama, do pulmão e do cólon.

As sementes de linho são eficazes no alívio da prisão de ventre, sem efeitos secundários significativos. Tradicionalmente, os emplastros mornos de linhaça têm sido utilizados como auxiliar no alívio das mastites, ajudando a reduzir a inflamação, a dor e o endurecimento das mamas.

AUTORES DE REFERÊNCIA

• Aveline Kushi
• Clara Castellotti


Thursday, July 9, 2026

                                                     

A ESTRATÉGIA DOS PEQUENOS PASSOS

É melhor dar pequenos passos todos os dias do que enfrentar grandes desafios apenas de vez em quando.

David Laroche

O que é?

A estratégia dos pequenos passos consiste em avançar serenamente, um passo de cada vez, em direção ao que é verdadeiramente importante para si.

Em vez de procurar mudanças radicais, privilegia pequenas ações diárias que, somadas ao longo do tempo, produzem transformações profundas e duradouras.

Porque é importante dar pequenos passos?

As grandes mudanças raramente acontecem de um momento para o outro. São o resultado de pequenas decisões tomadas diariamente.

Quando damos um pequeno passo de cada vez, reduzimos a resistência à mudança, mantemos a motivação e aumentamos significativamente as probabilidades de sucesso.

A longo prazo, esta abordagem revela-se muito mais eficaz do que tentar mudar tudo de uma só vez.

Se um medo lhe parece intransponível, divida-o em desafios mais pequenos e enfrente-os progressivamente.

Se tem um projeto importante, não espere que esteja perfeito para começar. Dê hoje o primeiro passo. Amanhã dará o seguinte. E continue a melhorar ao longo do caminho.

Este princípio aplica-se a praticamente todas as áreas da vida.

Porque funciona?

Cada pequeno passo envia ao cérebro uma mensagem simples, mas extremamente poderosa:

«Eu consigo.»

Sempre que cumprimos um pequeno objetivo, fortalecemos a confiança em nós próprios e desenvolvemos a convicção de que somos capazes de continuar.

Pouco a pouco, aumenta a nossa autoestima, cresce a coragem para enfrentar novos desafios e aquilo que antes parecia impossível transforma-se numa tarefa perfeitamente realizável.

O sucesso alimenta o sucesso.

Porque evitamos os passos demasiado grandes?

O cérebro humano está programado para garantir a nossa sobrevivência e, por isso, tende a evitar tudo o que interpreta como uma ameaça.

Qualquer mudança importante, um novo projeto ou a necessidade de enfrentar um medo representa, para o cérebro, uma entrada no desconhecido. E o desconhecido desperta mecanismos de defesa.

É por isso que tantas vezes adiamos, desistimos ou sentimos bloqueios.

A estratégia dos pequenos passos contorna esta resistência. Como cada mudança é reduzida e aparentemente pouco exigente, o cérebro aceita-a com muito maior facilidade.

E é precisamente essa simplicidade que lhe confere toda a sua força.

Porque, passo após passo, chega-se inevitavelmente ao destino.

Quem sobe uma montanha não o faz com um único salto, mas através de milhares de pequenos passos.

Experimente este exercício

Reserve alguns minutos, todos os dias, para perguntar a si próprio:

  • O que é realmente importante para mim?
  • Qual é o menor passo que posso dar hoje para me aproximar desse objetivo?
  • Que pequena ação posso realizar ainda hoje?

Alguns exemplos:

  • Se pretende emagrecer, substitua um bolo por uma peça de fruta.
  • Se deseja tornar-se mais sociável, cumprimente as pessoas com um sorriso sempre que entrar num local.
  • Se procura maior serenidade, comece por meditar apenas dois minutos por dia.

Não subestime a força destes pequenos gestos.

São eles que, repetidos diariamente, transformam hábitos, constroem novas capacidades e mudam vidas.

Uma regra simples

O passo deve ser suficientemente desafiante para representar uma pequena evolução, mas suficientemente fácil para que tenha cerca de 90% de probabilidade de o concretizar.

A consistência vale muito mais do que a intensidade.

Ideias a reter

  • As grandes mudanças começam sempre com um pequeno passo.
  • A regularidade vence a intensidade.
  • Pequenas ações, repetidas diariamente, produzem resultados extraordinários.
  • O progresso contínuo é mais importante do que a perfeição.
  • Quem avança um passo de cada vez acaba sempre por chegar mais longe.




 

                           

SEGREDOS PARA UMA BOA DIGESTÃO - Jorge Pérez Calvo

Uma boa digestão começa na boca. A forma como mastigamos os alimentos é determinante para todo o processo digestivo. Como ensina a sabedoria tradicional: «Beber os sólidos e comer os líquidos.»

Ou seja, os alimentos sólidos devem ser mastigados até adquirirem uma consistência quase líquida, enquanto os líquidos devem permanecer algum tempo na boca antes de serem engolidos, permitindo que se misturem com a saliva.

A importância da mastigação

Mastigar e ensalivar correctamente os alimentos é fundamental porque:

  • A mastigação reduz os alimentos a partículas muito pequenas, facilitando o trabalho do estômago, cuja função não é triturar os alimentos — o estômago não tem dentes.
  • A saliva inicia a digestão dos hidratos de carbono através da acção das enzimas salivares e contribui para alcalinizar o bolo alimentar.
  • Segundo a visão energética da macrobiótica, os dentes actuam como condensadores de energia, transferindo carga eléctrica para os alimentos através da passagem de electrões. Quanto melhor se mastiga, maior é a vitalidade transmitida aos alimentos.
  • Mastigar lentamente favorece o relaxamento, acalma a mente e melhora a digestão.

Recomendações para fortalecer a digestão

Para quem apresenta dificuldades digestivas, são aconselhadas as seguintes práticas alimentares:

  • Consumir sopas quentes uma ou duas vezes por dia, preparadas com pequenas quantidades de legumes de raiz, como cebola, cenoura, nabo e pastinaca, temperadas com sal marinho integral, shoyu, miso ou ameixa umeboshi.
  • Fazer com que entre 40% e 70% da alimentação diária seja constituída por cereais integrais bem cozinhados, ajustando esta proporção à estação do ano e ao estado de saúde da pessoa. Entre os mais recomendados encontram-se o arroz integral, o millet, a quinoa e o trigo-sarraceno. O millet destaca-se por fortalecer particularmente a energia digestiva.
  • Adicionar kuzu aos pratos de legumes e aos estufados pelo menos duas vezes por semana.
  • Utilizar regularmente especiarias e ervas aromáticas como gengibre, endro, canela, curcuma, tomilho, erva-doce, alecrim, cominhos, cardamomo e coentros. O alho também pode ser utilizado, desde que bem cozinhado.

Alimentos a evitar

Quando a digestão é fraca ou lenta, recomenda-se evitar:

  • açúcar, mel e adoçantes artificiais;
  • todos os produtos lácteos;
  • sumos de fruta;
  • fruta crua e saladas, sobretudo em excesso;
  • alimentos e bebidas frios ou gelados;
  • alimentos muito gordurosos;
  • óleos de má qualidade, excesso de gordura e gorduras trans (como as margarinas);
  • fritos;
  • cebola e alho-francês fritos;
  • alimentos transgénicos e híbridos;
  • tofu, tempeh e seitan pouco cozinhados;
  • alimentos contendo aditivos químicos.

Sobre os condimentos fritos

Segundo a interpretação energética da macrobiótica, os refogados e outros condimentos preparados com óleo originam uma combinação de humidade e calor. O óleo fornece humidade, enquanto a cebola, pelo seu carácter picante, gera calor. Esta união torna-se energeticamente intensa e pode ser difícil de metabolizar por um sistema digestivo enfraquecido.

Nesta perspectiva, quando o organismo não consegue transformar adequadamente esta combinação de calor e humidade, tende a eliminá-la através da produção de gases quentes e de odor intenso. Considera-se ainda que esta situação pode favorecer processos irritativos das mucosas e aumentar determinadas secreções.

Por esse motivo, é preferível cozinhar a cebola sem fritar. A forma mais aconselhada consiste em colocá-la numa frigideira com um pouco de água, sem adicionar óleo, mantendo o recipiente destapado para permitir a evaporação dos gases libertados durante a cozedura.


 


PORQUE AS PESSOAS NÃO SE CURAM?

Um médico intuitivo tinha uma perspetiva única sobre a razão pela qual muitas pessoas não conseguem curar-se. Costumava pensar que toda a gente queria ser curada, mas chegou à conclusão de que «a doença pode tornar-se muito pouco atraente para abandonar».

Os impedimentos à cura incluem deixar de viver no passado, abandonar o papel de vítima e vencer o medo da mudança. Dirigir o pensamento e a energia para o passado desvia a força vital das células e dos órgãos que necessitam dessa energia para funcionar e recuperar.

A cura exige viver no presente, recuperando a energia que permanece ligada aos traumas e às feridas do passado. Segundo ele, a única razão para continuar a alimentar e a manter vivo o passado é a amargura em relação ao que aconteceu. Recusar perdoar um acontecimento ou uma pessoa do passado provoca fugas de energia no corpo. O perdão ajuda a restaurar essa energia. Perdoar não significa absolver os outros da responsabilidade pelas feridas que causaram; significa, acima de tudo, libertar-nos da perceção de que somos vítimas.

Quando conseguimos ver um acontecimento doloroso como parte do processo da vida, como uma mensagem ou um desafio, em vez de uma traição pessoal, a energia vital regressa aos circuitos energéticos do corpo.

As pessoas não se curam porque não conseguem libertar-se da ilusão de serem vítimas. Com demasiada frequência, retiram poder das suas feridas porque descobriram que isso desperta o apoio e a atenção dos outros. As feridas transformam-se, assim, num meio de manipular e controlar os demais.

Na maioria dos casos, a recuperação implica fazer mudanças no estilo de vida, no ambiente em que se vive e nas relações pessoais. No entanto, a mudança pode ser assustadora.

É fácil permanecer num compasso de espera, dizendo que não se sabe o que fazer. Porém, raramente isso corresponde à realidade. Quando permanecemos nesse estado, geralmente sabemos exatamente o que devemos fazer; simplesmente estamos aterrorizados com a ideia de agir em conformidade.

A mudança provoca insegurança, mas esperar até nos sentirmos completamente seguros é ilusório. A única forma de conquistar esse sentimento é atravessar o turbilhão da mudança e emergir do outro lado, sentindo-nos novamente vivos.

A cura requer ação. Alimentar-se de forma adequada, praticar exercício físico regularmente e seguir o tratamento apropriado são mudanças que promovem a saúde física.

Libertar-se do passado, abandonar um trabalho excessivamente stressante ou terminar relações prejudiciais são também ações que fortalecem a energia do corpo. O que beneficia o corpo beneficia igualmente a mente e a energia, pois as dimensões física e energética estão intimamente ligadas.

Até mesmo o processo de morrer, com o qual todos nos iremos confrontar, pode transformar-se num processo de cura, permitindo libertar velhas feridas e resolver assuntos pendentes com os entes queridos.

A mudança ensina-nos a amar cada situação em cada momento, a aprender a fluir com a vida e a transformar o amor em ação.

Ver também: Vitimismo Crónico: Pessoas que vivem em «modo queixa».

Por Maria de los Ángeles Rodeiro

In: Paradigma Terrestre – Consejos del Conejo

Saturday, July 4, 2026

 

TRUQUES PARA COZINHAR LEGUMINOSAS E

EVITAR A FLATULÊNCIA

Agnès Pérez

https://www.agnesperezmacrobiotica.com/cocinar-conservas.../

resumo

As leguminosas são uma excelente fonte de proteína vegetal, sobretudo quando combinadas com cereais integrais, mas podem ser difíceis de digerir e provocar flatulência em algumas pessoas.

Para melhorar a digestibilidade, recomenda-se:

  • Consumir porções moderadas.
  • Demolhar as leguminosas durante, pelo menos, 10 horas com um pedaço de alga kombu e rejeitar a água da demolha.
  • Cozinhá-las lentamente durante o tempo adequado, retirando a espuma que se forma no início da fervura.
  • Adicionar sal apenas no final da cozedura.

Existem muitas variedades de leguminosas, como grão-de-bico, lentilhas, feijão, feijão-azuki, soja, ervilhas e favas, bem como outros alimentos ricos em proteína vegetal, como tofu, tempeh, seitan e frutos secos.

Como a preparação das leguminosas exige tempo, uma boa estratégia é cozinhar uma quantidade maior de uma só vez, conservando-as em frascos de vidro esterilizados no frigorífico durante duas a três semanas, ou mais tempo se forem posteriormente esterilizadas em banho-maria.

Depois de cozidas, podem ser utilizadas em diversas preparações, como sopas, estufados, guisados, patês ou saladas, facilitando uma alimentação saudável, prática e rica em proteína vegetal.

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texto

As leguminosas costumam ser um alimento difícil de digerir para muitas pessoas com o sistema digestivo debilitado. O hábito tradicional é servir um prato de sopa bem cheio ou comer uma grande quantidade e, naturalmente, isso pode provocar sensação de peso e flatulência. Se forem combinadas com cereais integrais, conseguem fornecer proteínas de elevado valor biológico, algo que as nossas avós já sabiam muito bem, preparando aqueles deliciosos e nutritivos "pratos de colher", como arroz com lentilhas ou arroz de panela com grão-de-bico.

Costumo consumir pequenas quantidades, porque um prato demasiado abundante pode provocar flatulência. Atualmente, faço sempre a germinação das leguminosas antes de as cozinhar durante bastante tempo. Assim, considero-as muito mais digestivas.

Existem muitos tipos de leguminosas e de proteínas vegetais. Se quiser saber mais sobre todas as leguminosas de que podemos desfrutar, como cozinhá-las e conservá-las de forma simples para poupar tempo e dinheiro, recomendo a leitura deste artigo no meu site: https://www.agnesperezmacrobiotica.com/cocinar-conservas.../

Como, na macrobiótica, consumimos uma maior variedade de cereais integrais, também podemos fazer combinações mais diversificadas, por exemplo:

  • cevada com feijão-azuki;
  • cevada com lentilhas;
  • cevada com soja preta;
  • arroz com feijão-azuki;
  • millet com lentilhas vermelhas;
  • quinoa com ervilhas;
  • trigo-sarraceno com favas (consumidas apenas ocasionalmente, frescas e na época própria).

Tipos de leguminosas e proteínas vegetais

·       Feijão-azuki – Pequena leguminosa de cor vermelha escura e brilhante, com elevado teor de proteína.

·       Lentilhas – Existem diversas variedades: Dupuy, Amicia, pardina, verde (ou Rubia Castellana), castanha, vermelha, Beluga, entre outras.

·       Soja preta

·       Grão-de-bico – Variedades como Pedrosillano, Branco Leitoso, Castellano, Venenoso Andaluz, Chamad, etc.

·       Feijão – Feijão catarino, feijão-frade, feijão branco, feijão-vermelho, feijão manteiga, entre outros.

·       Favas – Frescas ou secas.

·       Soja verde (feijão mungo)

·       Ervilhas – Frescas ou secas.

·       Tofu – Derivado da soja vendido fresco. É importante temperá-lo e dar-lhe sabor durante a confeção, pois, por si só, é bastante neutro. Com um pouco de criatividade torna-se delicioso, muito saudável e de fácil digestão, além de ser pobre em gordura. É uma boa fonte de cálcio e adequado para pessoas com doença celíaca e diabetes.

·       Tempeh – Produto obtido a partir da fermentação da soja. É muito rico em vitamina B12.

·       Seitan – Obtido a partir do glúten do trigo. Contém cerca de 24,7% de proteína, embora não seja uma leguminosa.

·       Frutos secos – Nozes, amêndoas, avelãs, amendoins, entre outros.

Cozinhar leguminosas

A confeção da maioria das leguminosas (grão-de-bico, feijão, soja preta, etc.) requer pelo menos duas horas de cozedura, sem contar com as oito a dez horas de demolha.

Como normalmente consumimos pequenas quantidades — uma vez que grandes porções tendem a provocar mais flatulência — e, segundo as recomendações padrão da alimentação macrobiótica, as leguminosas representam cerca de 15 a 20% do prato, cozinhá-las diariamente para uma ou duas pessoas torna-se pouco prático, sobretudo para quem trabalha fora de casa.

Por isso, uma solução simples consiste em cozinhar uma quantidade maior de uma só vez, suficiente para encher três ou quatro frascos de vidro, guardando-os no frigorífico para utilizar conforme necessário.

·       Passo 1: demolha - É aconselhável demolhar as leguminosas durante, pelo menos, 10 horas, juntamente com um pequeno pedaço de alga kombu.

A água da demolha deve ser sempre rejeitada.

·       Passo 2: cozedura - Coloque a alga kombu no fundo da panela.

Junte as leguminosas e a água.

Leve ao lume até levantar fervura e deixe ferver durante cerca de cinco minutos com a panela destapada e em lume forte.

Depois, utilize um difusor de calor entre a panela e a fonte de calor.

A espuma que se forma durante a fervura deve ser retirada, pois acredita-se que contribui para a flatulência e contém impurezas.

Tape a panela, reduza o lume para o mínimo e cozinhe:

·       Grão-de-bico, feijão e soja preta: cerca de 2 horas.

·       Feijão-azuki e lentilhas: entre 1h15 e 1h30.

·       Lentilhas vermelhas e ervilhas secas: entre 45 minutos e 1 hora.

Porque cozinhar durante tanto tempo?

Na minha experiência, estes tempos de confeção tornam as leguminosas mais digestivas do que quando são preparadas em panelas de pressão rápidas. No entanto, cada organismo é diferente; observe como reage o seu sistema digestivo.

Se utilizar uma panela de pressão, deixe o vapor sair lentamente antes de a abrir.

Depois de destapar, adicione uma pitada de sal e deixe cozinhar mais alguns minutos.

·       Passo 3: conservação - Enquanto ainda estiverem bem quentes, coloque as leguminosas em frascos de vidro reutilizados (por exemplo, de tahini, ervilhas ou pepinos em conserva).

Encha bem os frascos e cubra as leguminosas com o respetivo caldo de cozedura.

Feche imediatamente e vire os frascos ao contrário.

Depois de arrefecerem, podem ser guardados no frigorífico.

Desta forma conservam-se durante cerca de duas a três semanas.

Se pretender prolongar a conservação, esterilize os frascos em banho-maria durante cerca de 30 minutos.

·       Passo 4: dar nova vida às leguminosas - Depois de cozidas e conservadas, podem ser utilizadas em inúmeras receitas, por exemplo:

·       sopas;

·       patês;

·       guisados;

·       estufados;

·       ou qualquer outro prato que beneficie do seu sabor e valor nutritivo.

 

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