A CARÊNCIA
DE VITAMINA D
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Elena Corrales
Atualmente, a
carência de vitamina D é reconhecida como uma pandemia. Em Espanha, 45% da
população apresenta défice desta vitamina.
A luz solar é
a principal fonte de obtenção, uma vez que os raios UV favorecem a síntese de
vitamina D na pele. Isto significa que o organismo produz vitamina D quando a
pele é exposta diretamente ao sol. A maioria das pessoas satisfaz desta forma
as suas necessidades de vitamina D.
No entanto, o
estilo de vida moderno permite-nos passar menos tempo ao ar livre do que em
épocas passadas e, quando saímos, utilizamos frequentemente protetores solares.
Esta situação, associada aos hábitos alimentares atuais, é responsável pela
carência que hoje se verifica na população.
A vitamina D
também é denominada calciferol e é lipossolúvel, o que significa que se
dissolve nas gorduras, permitindo que seja armazenada nos tecidos adiposos do
organismo. Esta propriedade da vitamina D faz com que não seja necessária uma
ingestão diária.
Muitos
alimentos contêm precursores desta vitamina. Trata-se de substâncias que se
transformam em vitamina D ao serem metabolizadas ou processadas pelo organismo.
Referimo-nos ao 7-desidrocolesterol, presente nos alimentos de origem animal, e
ao ergosterol, presente nos vegetais. Ambos necessitam da radiação solar para
se transformarem em vitaminas.
É importante
saber que os alimentos que constituem fontes de vitamina D são escassos e que,
por si só, não são suficientes para satisfazer as necessidades do organismo.
Esta situação agrava-se sobretudo durante o inverno, período em que diminuem as
horas de exposição solar.
FUNÇÕES DA VITAMINA D
Os estudos
mais recentes revelam o seu papel em numerosos processos fisiológicos
fundamentais para a nossa saúde, para além da sua já conhecida participação no
metabolismo do cálcio.
Até há
relativamente pouco tempo, sabia-se apenas que era essencial para o
desenvolvimento normal do esqueleto, tanto no feto, durante a gestação, como
nas crianças, assim como para a manutenção da saúde óssea dos adultos.
Nas crianças,
a sua carência causa atraso no crescimento e sintomas de raquitismo, enquanto
nos adultos favorece a osteopenia e a osteoporose, aumentando o risco de
fraturas.
Além disso, a
vitamina D é um imunorregulador. Modula a resposta imunitária excessiva em
numerosas doenças autoimunes e estimula as defesas contra diferentes infeções.
Concentrações
reduzidas desta vitamina estão associadas ao aumento da prevalência da diabetes
tipo 2, da hipertensão, dos acidentes cardiovasculares e da hiperlipidemia.
Foi observada
uma relação entre níveis reduzidos de vitamina D no sangue e estados
depressivos, uma vez que, aparentemente, esta vitamina desempenha um papel
fundamental na transmissão neuronal.
Níveis
adequados favorecem o aumento do rendimento físico no desporto. Por outro lado,
a sua carência aumenta o risco de diabetes gestacional e de pré-eclâmpsia
durante a gravidez.
FONTES ALIMENTARES DE VITAMINA D
- Peixes
gordos ricos em ácidos gordos ómega-3, como a cavala, a sardinha e o
bonito;
- Ostras e
marisco;
- Ovos;
- Leite e
produtos lácteos;
- Leite
materno;
- Cogumelos
shiitake e outros cogumelos;
- Cereais integrais e leguminosas — a vitamina
D está presente no gérmen.
TEOR DE
VITAMINA D DOS ALIMENTOS, EXPRESSO EM UI
·
1 Unidade Internacional de vitamina D = 0,025 µg.
No que diz
respeito à sua conservação, é uma vitamina estável, ou seja, não é destruída
durante a confeção, ao contrário do que acontece com outras vitaminas
termossensíveis.
·
Recomendações diárias
As
necessidades diárias de vitamina D são de 400 UI por dia.
Para que o
nosso organismo produza esta quantidade, são necessários entre dez e quinze
minutos de exposição solar, três vezes por semana. É necessário que o sol
incida na pele do rosto, dos braços, das costas ou das pernas, evidentemente
sem protetor solar.
Com este
período de exposição, não existe risco de cancro da pele. Não é necessário que
o sol aqueça, porque os raios UV atravessam as nuvens; por isso, basta passar
algum tempo ao ar livre.
Depois de
produzida, a vitamina D que não é utilizada deposita-se no fígado, no cérebro,
na pele e, sobretudo, nos ossos. Por esse motivo, os nossos níveis sanguíneos
variam ao longo do ano.
Assim, ao
interpretar as análises clínicas, é importante ter em consideração que, no
final do inverno, os níveis serão, com toda a certeza, mais baixos do que
depois do verão, a época de maior exposição ao sol.
EFEITOS SECUNDÁRIOS DO EXCESSO DE VITAMINA D
Como
atualmente existe a tendência para tomar suplementos de vitamina D, é
importante advertir que uma ingestão excessiva pode provocar toxicidade, uma
vez que esta vitamina não é eliminada por via renal como acontece com as
vitaminas hidrossolúveis.
O excesso de
vitamina D pode aumentar a absorção intestinal de cálcio, elevando os níveis
deste mineral no sangue.
Níveis
elevados de cálcio no sangue podem provocar:
- Calcificação
dos tecidos moles, como o coração, os rins e os pulmões;
- Confusão
e desorientação;
- Cálculos
renais;
- Náuseas,
vómitos, obstipação, falta de apetite, fraqueza e perda de peso.
Tenhamos em
consideração que, atualmente, a indústria alimentar aproveita esta situação
para enriquecer os alimentos com esta vitamina, publicitando-os como mais
saudáveis, e que aos bebés é prescrita vitamina D sintética desde o nascimento,
com o argumento de que o leite materno não contém uma quantidade suficiente.
Em todos os
casos, antes de tomar suplementos, o mais sensato seria fazer uma exposição
moderada ao sol e manter uma alimentação saudável.
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Comentários (IA)
O texto
original, publicado em 2020, contém afirmações que exigem atualização ou
prudência:
- As
necessidades de vitamina D não são iguais para todas as pessoas. Dependem
da idade, do estado de saúde e das orientações clínicas; em adultos com
mais de 70 anos, muitas recomendações apontam para valores superiores a
400 UI.
- Não é
possível garantir que dez a quinze minutos de exposição solar sejam
suficientes ou isentos de risco para todas as pessoas. O resultado depende
da estação do ano, hora, latitude, pigmentação da pele, idade, área
exposta e risco individual de cancro cutâneo.
- As nuvens
reduzem, em graus variáveis, a radiação ultravioleta que chega à pele; não
se deve afirmar simplesmente que os raios UV as atravessam sem explicar
esta variação.
- Os
cereais integrais e as leguminosas comuns não são considerados fontes
relevantes de vitamina D. Entre os alimentos vegetais, alguns cogumelos
expostos à radiação UV podem fornecer vitamina D₂.
- O
7-desidrocolesterol relevante para a síntese de vitamina D encontra-se na
pele; o ergosterol está sobretudo presente nos fungos, incluindo
cogumelos, e não genericamente nos vegetais.
- A
vitamina D é armazenada principalmente no tecido adiposo e no fígado; a
afirmação de que se deposita sobretudo nos ossos não é rigorosa.
- A toma de
suplementos deve ser decidida com base nas circunstâncias individuais e,
quando indicado, em análises e aconselhamento médico. A exposição solar e
a alimentação nem sempre são suficientes para corrigir um défice.
- A
suplementação dos bebés não deve ser desvalorizada: é recomendada em
muitos países porque o leite materno contém geralmente pouca vitamina D,
sobretudo quando a mãe apresenta níveis insuficientes.