Saturday, July 4, 2026

 

A doença tem sempre origem no sangue;

Dr. Martín Macedo

 

resumo

O sangue é a base da vida e da saúde. A sua qualidade determina o funcionamento de todos os órgãos, a clareza mental, a estabilidade emocional e a capacidade do organismo para resistir à doença. A qualidade do sangue depende diretamente da alimentação e da forma como os alimentos são preparados e consumidos.

Os hábitos alimentares modernos são caracterizados por refeições rápidas, alimentos industrializados e pela perda do valor espiritual e cultural associado ao ato de comer. Devemos respeitar as práticas tradicionais de preparar os alimentos em casa, mastigar cuidadosamente e encarar a alimentação como um momento de respeito e gratidão.

A alimentação não influencia apenas a saúde individual, mas também o desenvolvimento moral, intelectual e espiritual da humanidade. Cada refeição contribui para moldar a sociedade, tornando a escolha dos alimentos uma responsabilidade pessoal com impacto coletivo.

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texto

A doença tem sempre origem no sangue; o sangue é yang porque possui características yang, como a cor vermelha, o movimento constante e o calor. Comparados com o sangue, os outros líquidos ou humores do corpo são yin, como a linfa, a urina, a saliva, as lágrimas e o líquido cefalorraquidiano.

Na verdade, estes são derivados do sangue, porque é o sangue que tudo cria.

O sangue transporta os materiais de construção para as células e para os tecidos; é o grande fornecedor que leva a saúde, a energia, o oxigénio e a própria vida aos 50 biliões de células do organismo. Governa também o pensamento e a atividade mental, uma vez que cerca de 100 mil milhões de neurónios aguardam avidamente a chegada do sangue, que lhes fornece vida e nutrição indispensáveis ao funcionamento do cérebro.

A qualidade dos ossos, dos músculos, da pele e das hormonas, tudo é determinado pela qualidade do sangue.

O sangue é yang, é a vida, é a essência da nossa vida biológica e, por isso, é sagrado. Antigamente, algumas pessoas faziam um pacto de sangue quando tomavam uma decisão importante.

O sangue é o oceano do corpo; a sua composição plasmática é semelhante à da água do mar, embora seja um pouco menos salgada.

Um sangue forte gera um pensamento claro e firme, emoções estáveis e respostas biológicas vigorosas, aumentando as probabilidades de alcançar os objetivos e os sonhos da vida.

Um sangue de má qualidade gera instabilidade mental e emocional e um funcionamento deficiente de todos os órgãos e sistemas, porque todos recebem a influência medíocre de um sangue pobre e degradado.

O brilho dos olhos, a beleza do cabelo, a capacidade do sistema imunitário para responder aos milhões de vírus e bactérias e a serenidade do caráter são produtos diretos do tipo de sangue que circula incessantemente, como um mar que leva a vida ao nosso maravilhoso templo biológico.

Contudo, a ciência médica moderna vê o sangue como um líquido complexo e não encontra inconveniente em realizar transfusões de sangue provenientes de qualquer dador, sem considerar o seu caráter, personalidade, visão da vida, diligência ou passividade. A ciência vê apenas moléculas e substâncias, porque é tudo aquilo que o equipamento tecnológico, ainda limitado e rudimentar, consegue mostrar.

A alma do sangue não pode ser vista, mas pode ser intuída.

Se o sangue for forte, a saúde será forte.

Se o sangue for tóxico, pobre ou tiver um elevado teor de acidez, o indivíduo sofrerá de uma doença após outra ao longo de toda a vida, mesmo que tome milhares de medicamentos e suplementos alimentares ou farmacêuticos, com todas as vitaminas produzidas pela indústria alimentar, muitas vezes obtidas a partir de subprodutos de origem animal ou vegetal.

O sangue é criado pelos alimentos. Tomio Kikuchi dizia que «uma dentada de alimento, cuidadosamente mastigada, cria uma gota de sangue».

Muitas dentadas criarão litros de sangue.

A qualidade do sangue depende da qualidade da alimentação e do respeito que se deve ter pelo momento das refeições.

No entanto, as pessoas escolhem os alimentos apenas pelo sabor, pelo aspeto ou pelo preço conveniente e consomem-nos preparados através das técnicas mais rápidas e cómodas. Pior ainda, compram refeições confeccionadas por cozinheiros desconhecidos que as preparam em troca de um salário.

Antigamente, a comida era preparada em casa, no seio da família. A sua preparação era considerada algo de extrema importância e os alimentos eram abençoados antes de serem consumidos.

Mas as mudanças levaram à perda destes valores. A organização do trabalho faz com que as pessoas comam à pressa, em vinte minutos, qualquer alimento saboroso e macio que possa ser engolido rapidamente, nos breves intervalos concedidos pelos locais de trabalho. No final, acaba por se aceitar que comer representa uma perda de produtividade, porque é tempo retirado ao trabalho.

Mas comer também é trabalho, e é o trabalho mais importante, porque cria a saúde, a lucidez, o brilho intelectual e permite o pleno desenvolvimento do talento e da genialidade de cada indivíduo. É através dos alimentos que recebemos a vida infinita, para depois criar, trabalhar, produzir e gerar bens e serviços que tornam este mundo um lugar maravilhoso.

Quando a alimentação se transforma em algo sem alma, sem valor espiritual, puramente técnico, químico, comercial e baseado apenas no sabor, como se este fosse o valor supremo, teremos uma humanidade decadente, confusa, sem visão espiritual, sem amor, sem sensibilidade e sem sabedoria.

Porque somos aquilo que comemos e somos o resultado do sangue que transporta a vida ou a doença, a sabedoria ou uma visão limitada da realidade, a paz ou a violência. Tudo se decide na próxima dentada, que criará uma única gota de sangue. E, quando esse processo se repetir vezes suficientes, durante tempo suficiente, criará o tipo de humanidade que habitará este mundo e construirá um futuro feliz para todos os seres humanos.

Todos temos a responsabilidade de acrescentar ou retirar beleza a este mundo ao criar, com as nossas bocas, o sangue do planeta.

— Martín Macedo

 

 

 

Thursday, July 2, 2026

 


A REDENÇÃO PELA ARTE CULINÁRIA

Alan Watts

Resumo

Neste texto, Alan Watts reflete sobre a relação entre a vida, a morte e a alimentação. O autor explica que todos os seres vivos dependem da morte de outros para sobreviver, o que faz da existência um ciclo inevitável de sacrifício e transformação.

Watts questiona se este sistema é justo e se existe uma forma de escapar ao sofrimento que ele provoca. Considera que o vegetarianismo não resolve completamente o problema, pois também as plantas são seres vivos. Assim, conclui que viver implica sempre causar a morte de outros seres.

Perante esta realidade, o autor apresenta três princípios: aceitar a responsabilidade de matar para viver e fazê-lo com o mínimo de sofrimento possível; tratar os animais e as plantas destinados à alimentação com respeito e amor; e honrar os seres que morreram para nos alimentar, preparando e apreciando a comida da melhor forma possível.

Por fim, critica a agroindústria moderna por tratar os animais sem dignidade e defende que a verdadeira demonstração de respeito pela vida se manifesta na arte culinária. Para Watts, cozinhar bem e valorizar os alimentos é uma forma de homenagear os seres que tornaram possível a nossa sobrevivência.

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texto

 

Só a arte culinária nos redime do fardo de vivermos à custa de outras vidas.

O corpo biológico não é uma coisa fixa, mas um processo em permanente curso, como uma chama ou um redemoinho: apenas a forma é estável, porque a substância é um fluxo de energia que entra por uma extremidade e sai pela outra. Somos oscilações temporariamente identificáveis no seio de uma corrente de energia que entra em nós sob a forma de luz, calor, ar, água, leite, pão, fruta, cerveja, strogonoff, caviar ou foie gras. E sai de nós sob a forma de gases e excrementos, mas também de sémen, bebés, conversas, política, comércio, guerra, poesia, música... ou filosofia.

Um filósofo — título que suponho merecer — é uma espécie de intelectual ingénuo que se espanta com aquilo que as pessoas mais sensatas consideram normal; é alguém incapaz de deixar de se maravilhar com os factos mais banais da vida quotidiana. Como afirmava Aristóteles, o espanto é o princípio da filosofia. A mim fascina-me saber que vivo sobre uma enorme esfera rochosa que gira em torno de uma gigantesca bola de fogo. Fascina-me ainda mais o facto de eu próprio ser um labirinto, um intricado arabesco de tubos, filamentos, células, fibras e membranas que constituem diferentes espécies de pulsações imersas na pulsação maior: essa corrente incessante de energia.

Contudo, o que verdadeiramente me inquieta é que quase todas as substâncias que compõem esse labirinto, à excepção da água, foram outrora corpos vivos — corpos de animais e de plantas. E que, por falta de alternativa, tive de me apropriar deles através da morte. Não somos mais do que o rearranjo de outras criaturas, pois a existência biológica apenas se perpetua graças ao sacrifício mútuo e à digestão mútua entre as diversas espécies. Só existo enquanto membro desta comunidade de seres que florescem devorando-se uns aos outros.

É evidente que ser devorado é algo extremamente doloroso, e não desejo semelhante destino para mim. Só de o imaginar fico horrorizado. Se os responsáveis por um crematório não me apanharem primeiro, o facto de um dia vir a servir de alimento a micróbios e vermes compensará, de algum modo, as vacas, os cordeiros, as aves e os peixes de que me alimentei ao longo da vida? Pergunto-me então: não será este gigantesco sistema biológico de mutilação recíproca uma máquina insana e diabólica que caminha rapidamente para um beco sem saída?

Já vi plantas infestadas por pulgões: num dia encontram-se cobertas de pequenos corpos rechonchudos e viçosos; no dia seguinte, não passam de um pó acinzentado preso a caules secos. A vida parece um sistema que se devora até à morte, onde a vitória acaba por equivaler à derrota.

O ser humano pode facilmente seguir o exemplo do pulgão. Quando se torna especialista em tecnologia, revela-se mais predador do que a piranha ou o gafanhoto. Devasta, destrói e contamina toda a superfície do planeta: minerais, florestas, aves, peixes, insectos, água doce — tudo é transformado em subúrbios, esgotos, ferrugem e poluição. O domínio quase absoluto sobre os seus inimigos naturais, desde o tigre até às bactérias, permitiu-lhe multiplicar-se sem controlo sobre a Terra; e, receando a própria ganância, desperdiça fortunas na produção de armas cada vez mais destrutivas.

Muitos animais pré-históricos extinguiram-se devido ao desenvolvimento excessivo das suas defesas naturais. Desapareceram, por exemplo, o tigre-dentes-de-sabre e o titanotério: o primeiro porque as suas enormes presas se tornaram um obstáculo, o segundo devido ao peso insustentável dos seus chifres.

Pode alguém aceitar a morte da espécie da mesma forma que aceita a morte do indivíduo. A energia do universo adoptará novos padrões e novas formas, e o universo continuará a dançar ritmos até então desconhecidos. O espectáculo, naturalmente, prosseguirá. Mas por que razão há-de envolver tamanha agonia? Nervos e carne sensível a contorcerem-se sob o ataque implacável de dentes afiados — será esta a condição indispensável para a continuidade da vida? Se assim for, então o único problema filosoficamente sério, como dizia Camus, é saber se devemos ou não suicidar-nos.

Assim, o filósofo pergunta: para além do suicídio, haverá outra forma de escapar a este círculo vicioso de matança recíproca, que não deixa de ser uma espécie de suicídio cósmico? Existirá algum modo de evitar, atenuar ou suavizar este sistema de morte e sofrimento implícito até mesmo na existência do mais espiritual dos seres humanos?

O vegetarianismo não constitui uma solução. Há muito tempo, o botânico indiano Jagadish Chandra Bose conseguiu medir as reacções das plantas quando eram arrancadas ou cortadas. Pode argumentar-se que as plantas não têm consciência do seu sofrimento; mas será mais sensato reconhecer que simplesmente não conseguem expressar, de forma perceptível para nós, a dor que sentem.

Quando mencionei as investigações de Bose ao budista rigorosamente vegetariano Reginald H. Blyth, autor do clássico Zen in English Literature, respondeu-me: «Sim, eu sei. Mas os vegetais, quando os matamos, gritam muito baixinho.»

Por outras palavras, Blyth mostrava indulgência para com os seus próprios sentimentos. Monges hindus e budistas levam ao extremo o princípio da ahimsa, ou da não-violência, chegando ao ponto de caminhar sempre de olhos postos no chão — não, como poderíamos imaginar, para evitar a tentação provocada por uma bela mulher que passe; mas para não esmagarem inadvertidamente besouros, caracóis ou minhocas. Ainda assim, essa atitude não deixa de ser um subterfúgio, um gesto ritual de respeito pela vida que em nada altera o facto de vivermos graças à morte de outros seres.

Ao recorrer à minha própria consciência em busca de alguma luz sobre esta questão tão espinhosa, encontrei três respostas.

A primeira consiste em admitir que decidir viver implica decidir matar. E, se estou verdadeiramente disposto a matar, devo fazê-lo da forma mais eficiente possível. Pense-se na agonia de ser decapitado por um carrasco incompetente. A morte deve ser tão rápida quanto possível, e a mão que segura a espingarda ou maneja a faca deve manter-se firme.

A segunda consiste em reconhecer que toda a forma de vida destinada a servir de alimento deve ser tratada segundo o princípio: «Amo tanto esta manifestação da vida que a vou comer», o que também significa: «Como tanto esta manifestação da vida que a vou amar.»

Este princípio tem sido impiedosamente ignorado pela agro-indústria e pela indústria piscatória modernas. Basta pensar em dois exemplos: as actuais técnicas de caça à baleia ameaçam a espécie de extinção, e a criação intensiva de aves inunda o mercado com falsos frangos e falsos ovos. Confinados em gaiolas metálicas e alimentados com rações artificiais, esses infelizes animais nunca esgravatam a terra nem sentem o calor do Sol; por isso, a sua carne é insípida. Tudo aquilo que não proporciona prazer à mesa é sinal de que também não foi tratado com respeito nem na exploração agrícola nem na cozinha.

A terceira resposta foi formulada de forma brilhante por Lin Yutang:

«A galinha sacrificada e mal cozinhada morreu em vão.»

O mínimo que posso fazer por uma criatura que morreu para meu benefício é honrá-la — não através de um ritual vazio de significado, mas cozinhando-a na perfeição e saboreando-a plenamente.

O amor pelas plantas e pelos animais que tornam possível a nossa vida deve manifestar-se, acima de tudo, na cozinha.

 

Wednesday, July 1, 2026

 

O que NÃO sabe sobre a diabetes

Dra. Elena Corrales
https://www.elenacorrales.com/blogelenacorrales/lo-que-no-sabes-sobre-la-diabetes/

resumo

O texto explica a diabetes, as suas consequências e apresenta uma perspetiva da Medicina Tradicional Chinesa sobre a prevenção e o tratamento da doença.

A diabetes é descrita como uma doença que pode permanecer sem diagnóstico durante muitos anos, sendo frequente que as pessoas não saibam que a têm. Antes do seu aparecimento podem surgir sinais como sede excessiva, fome constante e perda de peso inexplicável, pelo que é importante vigiar os níveis de glicose no sangue.

O texto explica que a glicose é a principal fonte de energia das células e que necessita da insulina, produzida pelo pâncreas, para entrar nas células. Quando a produção de insulina é insuficiente, a glicose acumula-se no sangue, aumentando o risco de várias complicações.

Entre as principais consequências da diabetes destacam-se os danos nos rins, a arteriosclerose, problemas de circulação, alterações da visão que podem levar à cegueira, neuropatia diabética (com formigueiro, dormência e perda de sensibilidade), diminuição da memória e do desempenho intelectual, maior risco de infeções, incluindo periodontite, e dificuldade na cicatrização de feridas.

Relativamente às causas e à alimentação, a autora apresenta uma interpretação baseada na Medicina Tradicional Chinesa. Defende que alguns alimentos considerados de natureza yin, como o leite, os produtos lácteos e a fruta, enfraquecem o pâncreas e dificultam a sua recuperação, enquanto o consumo regular de cereais integrais poderá favorecer a sua regeneração e reduzir a necessidade de insulina. O texto conclui que a prevenção e o tratamento da diabetes devem passar por uma alimentação orientada segundo esta perspetiva energética.

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texto

Um dia, um médico amigo meu dizia-me que a diabetes é uma doença que, muitas vezes, quando é diagnosticada, o doente já é diabético há mais de dez anos. De facto, quase metade das pessoas que têm diabetes não sabe que a tem.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu a diabetes entre as dez doenças responsáveis pelas principais causas de morte, pelo que vale a pena prestar atenção ao que explicamos de seguida.

O meu objetivo vai para além de fazer um diagnóstico precoce da doença; a intenção é preveni-la, uma vez que, antes de se desenvolver, já existem sinais que nos alertam para níveis elevados de glicose.

Se sente muita fome, uma sede excessiva que não resulta do consumo exagerado de sal, ou se perde peso sem causa aparente, deve verificar os seus níveis de glicose.

A glicose

A glicose é a moeda energética da célula; é o combustível a partir do qual obtemos a energia necessária para todas as funções vitais. É, por isso, indispensável. Provém dos alimentos que contêm hidratos de carbono e é obtida através da digestão. Depois de a glicose entrar na corrente sanguínea, necessita da insulina produzida pelo pâncreas para conseguir entrar nas células.

A diabetes

Sem entrar na descrição dos diferentes tipos de diabetes, podemos dizer, de forma genérica, que a diabetes é uma doença de deficiência, ou seja, o pâncreas deixa de produzir insulina. Nesse caso, os níveis de glicose no sangue aumentam, o que representa um perigo para a saúde.

As causas

Há quem pense que, se não comer doces, não corre risco de desenvolver diabetes. No entanto, veremos que não é o açúcar de mesa a principal causa de o pâncreas deixar de produzir insulina.

Como explicamos frequentemente, os alimentos não são apenas matéria, ou seja, uma soma de nutrientes; são também energia. Assim, alguns alimentos aquecem e outros arrefecem; uns dilatam e outros contraem; uns tonificam e outros inibem. Estas características correspondem ao que a Medicina Tradicional Chinesa define como yang e yin.

Devemos saber que o leite e os seus derivados, bem como a fruta, são atualmente dos alimentos mais consumidos nos lares. O leite e a fruta são alimentos perecíveis que necessitam de refrigeração e, quando estudamos a antropologia da alimentação, verificamos que eram alimentos de consumo ocasional. Este facto deve levar-nos a refletir sobre a adequação destes alimentos ao consumo diário, pois, se fossem tão indispensáveis como a publicidade nos faz acreditar, as gerações que nasceram antes da existência do frigorífico apresentariam alguma sequela dessa ausência.

Trata-se de dois grupos de alimentos yin, ou seja, alimentos doces (devido à lactose e à frutose) e com efeito refrescante, sendo, por isso, considerados inibidores e promotores das chamadas doenças de deficiência.

Embora o leite, os produtos lácteos e a maioria das frutas não aumentem os níveis de glicose no sangue, por possuírem uma energia fortemente yin (refrescante), enfraquecem todos os órgãos, como já explicámos noutras ocasiões. Se uma pessoa tiver o pâncreas como o seu órgão mais vulnerável, este poderá simplesmente deixar de funcionar. Por isso, quando os doentes diabéticos apenas evitam alimentos doces com índice glicémico elevado, mas continuam a consumir regularmente leite e derivados, bem como fruta, considera-se que o pâncreas não consegue regenerar-se.

Os cereais integrais são alimentos ricos em hidratos de carbono de absorção lenta, ou seja, com baixo índice glicémico, e o seu consumo regular permite, em muitos casos, a regeneração do pâncreas e a redução progressiva da necessidade de insulina.

O que comemos, depois de digerido (aminoácidos, glicose e ácidos gordos), passa para a corrente sanguínea e daí é distribuído por todas as células do organismo. No caso da glicose, se não produzirmos insulina suficiente, esta não consegue entrar nas células, permanecendo no sangue e prejudicando vários órgãos do corpo, como veremos de seguida.

Os rins

A glicose acumulada no sangue atua sobre os tecidos como uma substância tóxica, provocando uma acidose metabólica que conduz a alterações da função renal, fazendo com que os rins filtrem cada vez menos e com menor eficácia.

A arteriosclerose

Outro aspeto pouco conhecido por muitas pessoas é o papel da glicose no sangue na arteriosclerose. A glicose comporta-se de forma semelhante ao colesterol, dificultando a irrigação do coração, provocando problemas na retina dos olhos que podem levar à cegueira e originando problemas circulatórios generalizados.

A neuropatia diabética

Quando a diabetes afeta os nervos, pode provocar aquilo a que se chama neuropatia diabética, caracterizada por uma deficiente transmissão dos impulsos nervosos, causando formigueiros, dormência, perda de sensibilidade, entre outros sintomas.

A memória

A diabetes pode igualmente provocar perda de memória e diminuição do desempenho intelectual. O cérebro é o órgão que mais glicose e oxigénio consome em proporção ao seu peso. Quando as células não recebem um fornecimento suficiente de glicose, a função cerebral fica comprometida e, consequentemente, a memória pode ser afetada.

A periodontite

Foi demonstrado que a periodontite (infeção das gengivas) é três vezes mais frequente em pessoas com diabetes do que no restante da população. Isto acontece porque, quando os níveis de glicose estão elevados, aumenta o risco de infeções. Por outras palavras, o excesso de açúcar enfraquece o sistema imunitário.

A lista de possíveis complicações é muito mais extensa: má cicatrização das feridas, maior predisposição para infeções de todo o tipo, entre outras.

Com tudo isto, convidamo-lo a refletir sobre este tema. O problema não é tão simples como pensar que, se tenho diabetes, basta administrar insulina e nada mais acontece. Dentro do possível, devemos procurar prevenir a doença e, se esta já se tiver desenvolvido, tentar evitar que o pâncreas continue a enfraquecer progressivamente, como, segundo o autor, acontece na maioria dos diabéticos insulinodependentes, que, apesar de seguirem as indicações do seu médico, acabam por necessitar de doses cada vez maiores de insulina. Para isso, o autor defende que a alimentação deve ser abordada segundo uma perspetiva energética.

 

 

 

 


Batch cooking/ meal prep:

é saudável?

Agnès Pérez

Resumo

O texto aborda o método batch cooking, que consiste em preparar as refeições da semana num único dia ou em poucas sessões de cozinha, apresentando diferentes perspetivas sobre as suas vantagens e limitações.

O batch cooking é uma solução prática para quem tem pouco tempo para cozinhar diariamente. Destaca a importância da organização, da elaboração de uma lista de compras e do planeamento de um menu semanal equilibrado, rico em legumes, fruta, cereais integrais e fontes de proteína. Salienta ainda que cozinhar em grandes quantidades e congelar refeições permite poupar tempo, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e manter uma alimentação mais saudável.

A autora defende que a verdadeira alimentação saudável passa pela confeção diária de refeições com alimentos frescos, valorizando não só os nutrientes, mas também a chamada "energia vital" dos alimentos. Na sua perspetiva, cozinhar todos os dias contribui para preservar a qualidade nutricional e energética das refeições, enquanto os alimentos congelados, pré-cozinhados ou reaquecidos perdem parte dessas propriedades.

Alternativas ao batch cooking tradicional: Em vez de cozinhar toda a semana de uma só vez, propõe organizar a despensa, planear as refeições e cozinhar pequenas quantidades de dois em dois dias. Sugere preparar previamente alguns alimentos, como leguminosas, caldos, cereais, molhos e patés para barrar, recorrendo apenas ocasionalmente à congelação. A autora considera que esta estratégia permite manter a frescura dos alimentos, promover uma alimentação mais consciente e transformar a cozinha numa atividade benéfica para a saúde e para o bem-estar.

Assim: planeamento das refeições é essencial para uma alimentação equilibrada - a confeção semanal ou a congelação como forma de ganhar tempo, privilegiando a confeção mais frequente de alimentos frescos, é a mais vantajosa para a saúde e para a vitalidade.

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texto

O batch cooking está na moda, mas será saudável? Neste artigo, partilho a minha opinião, baseada em vários anos de observação.

O poder e a energia da comida caseira preparada diariamente

As pessoas da minha geração ainda se lembram do aroma dos pratos preparados pela nossa mãe e pelas nossas avós, todos os dias, com um amor imenso. O meu pai incutiu-nos a ideia de que a refeição em família era sagrada, porque era o momento em que todos podíamos estar juntos e partilhar o nosso dia.

Quando chegávamos a casa depois da escola, corríamos para a cozinha para ver o que havia para o almoço e, claro, também para descobrir se era um prato de que gostávamos ou se, pelo contrário, nos tinha calhado aquele que nem conseguíamos comer. A minha mãe preparava todos os dias refeições diferentes, feitas com alimentos frescos, que eram consumidas logo após serem confecionadas.

Nada de refeições prontas compradas no supermercado. Nada de comida feita há vários dias e reaquecida. Nada de televisão ou computador à mesa. Comíamos um pouco de tudo, com muitos legumes e hortícolas, sem produtos desnecessários. Em casa não havia refrigerantes, guloseimas nem bolos industriais, exceto em ocasiões muito especiais. A minha mãe fazia um bolo caseiro uma vez por semana e levávamos para a escola fruta ou uma pequena sandes para o intervalo.

E isto apesar de eu pertencer a uma geração de transição. Digo de transição porque já consumíamos pão branco, massa e arroz refinados, demasiado açúcar e muitos produtos lácteos. Ainda assim, transbordávamos de energia. Parecia que conseguíamos conquistar o mundo e a maioria dos meus amigos e eu estávamos sempre em movimento: conciliávamos os estudos com o desporto e ainda tínhamos energia para festas onde dançávamos durante horas. Que vitalidade! Tenho a certeza de que os guisados e os pratos de arroz da minha mãe contribuíam muito para essa energia, alimentando-nos com refeições acabadas de fazer, fumegantes e cheias de sabor.

As dinâmicas familiares mudaram muito ao longo do último meio século. Atualmente, muitas mães trabalham fora de casa e, a menos que exista uma verdadeira partilha de tarefas entre os membros do casal — assumindo que não se trata de uma família monoparental —, conciliar uma jornada de trabalho de 40 horas semanais com as tarefas domésticas e a educação dos filhos pode ser extremamente desgastante.

A indústria da comida rápida e dos alimentos ultraprocessados sabe disso e aproveita-se da situação, oferecendo uma enorme variedade de refeições prontas, enlatadas, congeladas ou embaladas a vácuo. Quem chega a casa cansado recorre frequentemente a estas soluções, porque não tem vontade de cozinhar depois de um dia de trabalho ou simplesmente porque não dispõe de tempo suficiente, uma vez que existem muitas outras prioridades. Então, para quê… …ao máximo as jornadas de trabalho?

Para quê cozinhar?

Existe uma grande diferença entre nutrirmo-nos e alimentarmo-nos.

Se encararmos a nutrição apenas em termos de calorias ou de nutrientes essenciais, desde que a alimentação siga os princípios da alimentação saudável, quase tudo parece servir. No entanto, isso deixa de ser verdade quando entendemos a nutrição como uma fonte de energia, para além dos nutrientes e das calorias.

A energia vital primária de um alimento está mais presente quanto mais fresco, integral e recentemente confecionado ele for. Além disso, consoante a técnica de confeção utilizada, os alimentos fornecem diferentes tipos de energia.

Os alimentos frescos, acabados de colher e, de preferência, provenientes de agricultura biológica, apresentam um valor nutricional superior. Contêm maiores quantidades de matéria seca, proteínas, minerais, vitaminas e outros componentes benéficos quando comparados com os alimentos produzidos por métodos convencionais.

Todos estes aspetos foram analisados, documentados e avaliados com rigor pela Dra. Dolores Raigón num estudo publicado pela Junta da Andaluzia.

Se quisermos utilizar a alimentação diária como uma ferramenta para manter a saúde, prevenir doenças e potenciar a nossa energia vital, devemos ter em conta outros aspetos para além do simples consumo de legumes, frutas e alimentos biológicos, embora estes já contribuam para um maior aporte de nutrientes e uma menor ingestão de substâncias tóxicas.

Substituir um alimento pré-cozinhado ou refinado por outro semelhante, mas de origem biológica, não faz grande sentido quando o estado de saúde e a vitalidade são reduzidos. Da mesma forma, trocar uma refeição pronta de um supermercado convencional por outra preparada e embalada numa loja de produtos biológicos continua a significar consumir alimentos pobres em energia vital. Recuperar, manter e reforçar a vitalidade exige dedicação diária à cozinha, porque cozinhar todos os dias proporciona energia real, frescura e uma verdadeira sensação de nutrição. Cozinhar é assumir o controlo da nossa saúde e recuperar o poder de decidir aquilo de que realmente necessitamos, através da escolha dos alimentos que compõem o nosso menu, da forma como os cortamos, combinamos e confecionamos, para aproveitarmos os seus nutrientes e a energia que queremos e precisamos de criar, contribuindo assim para o nosso bem-estar.

O que é o batch cooking?

Atualmente, tornou-se muito popular o conceito de batch cooking: cozinhar, em apenas duas horas, as refeições para toda a semana. Era precisamente aquilo que muitas pessoas trabalhadoras, ou menos dadas à cozinha, desejavam para se organizarem melhor, passarem menos tempo a cozinhar e continuarem a preparar refeições económicas. À primeira vista, a ideia parece prática e apelativa: cozinhar grandes quantidades, congelá-las em recipientes individuais e ir descongelando as doses ao longo da semana, utilizando o micro-ondas ou aquecendo-as antes de servir. Estas refeições podem ser levadas para o trabalho ou ficar prontas para quando se chega a casa cheio de fome. É evidente que esta solução é preferível à compra de refeições industriais ultraprocessadas, pois é muito mais económica e permite escolher ingredientes de qualidade, como cereais integrais, leguminosas, legumes e hortícolas.

Atualmente, praticamente todos os sites e revistas dedicados à alimentação saudável têm artigos sobre o batch cooking, também conhecido por meal prep, explicando como o praticar corretamente e incentivando à congelação de porções de cereais integrais, hambúrgueres de leguminosas, guisados, sopas, cremes e até legumes, como forma de facilitar uma alimentação considerada equilibrada e saudável.

Para a autora, porém, isto representa um atentado às qualidades dos alimentos frescos.

O batch cooking é, sem dúvida, mais saudável do que encomendar comida rápida ou pedir uma pizza. É também um primeiro passo para reduzir o consumo de alimentos processados e de fraca qualidade.

No entanto…

·       Sabia que os alimentos congelados e posteriormente aquecidos no micro-ondas podem enfraquecer o sistema digestivo? É importante compreender que a energia transmitida aos alimentos durante a confeção é a mesma que, simbolicamente, irá transformar a nossa condição física e mental.

·       O que lhe transmite um alimento congelado quando o observa?

O que sente ao tocar no gelo?

·       Que sensações — visuais, olfativas e gustativas — lhe desperta um alimento acabado de cozinhar?

·       E que sensações lhe provoca esse mesmo alimento depois de ter sido descongelado?

·       É certo que, depois de aquecido, a perceção muda. Contudo, a energia resultante do processo de cozinhar, congelar, descongelar e voltar a aquecer é aquela que o organismo absorve. E essa energia é fria. Muito fria.

·       Conhecer a energia dos alimentos e dos diferentes métodos de confeção é considerado essencial para regular o organismo.

·       Conhecer a nossa condição física, compreender a nossa natureza e respeitar as necessidades do corpo e da mente é igualmente fundamental para praticarmos uma alimentação consciente. Alimentar-se conscientemente significa compreender o impacto que a alimentação, o estilo de vida e os pensamentos têm sobre o nosso organismo e decidir, de forma livre, se queremos ou não esses efeitos.

·       Tem tendência para sentir frio? Sente-se frequentemente cansado ou com pouca energia? Tem a sensação de estar bloqueado nos seus projetos pessoais ou na sua vida? Se respondeu afirmativamente, a autora aconselha a evitar alimentos congelados até recuperar a vitalidade, sentir-se confortável mesmo durante o inverno e estabilizar o chamado «fogo digestivo».

·       Os alimentos considerados frios também podem enfraquecer os rins e o sistema reprodutor. Por isso, é importante manter a zona lombar e o baixo ventre quentes, favorecendo uma energia ativa, fluida e uma maior vitalidade sexual e criativa.

·       Congelar legumes — considerados alimentos de natureza muito «yin», ou seja, refrescantes — e seguir simultaneamente uma alimentação vegetariana ou vegana baseada no batch cooking, embora os efeitos possam não ser percetíveis a curto prazo, deixa-se aqui este alerta, mesmo reconhecendo que possa contrariar a ideia atrativa de preparar todas as refeições da semana em apenas duas horas.

Então, como me posso organizar para continuar a alimentar-me de forma saudável sem arrefecer nem enfraquecer o meu organismo?

O primeiro passo é organizar os seus menus e as compras, de modo a que a despensa tenha sempre vários cereais integrais, leguminosas, diferentes legumes da época — como cebolas, alhos-franceses, cenouras, nabos, couves, abóbora, legumes de folha verde e saladas —, fruta fresca, frutos secos, sementes de sésamo e outras sementes, pastas de sementes, como o tahini, algas, um bom azeite virgem extra obtido por prensagem a frio, bolachas de arroz, pão integral de fermentação natural produzido de forma artesanal, alguns condimentos, como ervas aromáticas e miso, um adoçante natural, como o melaço ou geleia/malte de arroz/cevada/…, amasake, bebidas vegetais, chás, infusões naturais e tudo aquilo de que gostar.

Os alimentos mais perecíveis deverão ser comprados semanalmente. Já sabe que os legumes colhidos recentemente conservam-se durante muito mais tempo do que aqueles que viajaram longas distâncias e permaneceram armazenados em câmaras frigoríficas.

Pode, por exemplo, organizar-se ao domingo à tarde.

·       Comece por preparar uma base de caldo de legumes e um cereal, renovando-a, no máximo, de dois em dois dias. Se cozinhar ao domingo e voltar a fazê-lo na terça ou quarta-feira, não precisará de dedicar tanto tempo e poderá aproveitar esse momento para preparar cereais de confeção rápida, como millet, trigo-sarraceno, massa ou cuscuz, garantindo refeições até quinta-feira. Depois, terá novamente o fim de semana pela frente.

Será assim tão exigente dedicar quatro momentos por semana, de cerca de hora e meia cada um, à cozinha? Na opinião da autora, trata-se de um investimento necessário para nos concentrarmos naquilo que realmente importa: a nossa saúde e a das pessoas com quem partilhamos a vida. É uma forma de nos reconectarmos com o essencial.

·       No primeiro dia, reserve uma porção de cereal integral para preparar papas (porridge) ao pequeno-almoço. Ao almoço, acompanhe-o com legumes salteados e, com o que sobrar, pode preparar sushi ou croquetes.

·       Se tiver muito pouco tempo, pode recorrer ao chamado método de «cozedura angélica» para os cereais. Esta técnica permite conservá-los durante várias semanas à temperatura ambiente, evitando que absorvam frio.

·       Prepare também uma boa quantidade de leguminosas e faça conservas.

·       Confecione dois patês, uma pasta para barrar que possa durar toda a semana (com alho, alcaparras ou azeitonas, ingredientes que ajudam à conservação), dois molhos para saladas (com mostarda ou tamari, que também possuem propriedades conservantes), pão Ohsawa para os lanches, bolachas ou outros doces de preparação rápida.

·       Congelar refeições apenas ocasionalmente e voltar a cozinhá-las durante, pelo menos, 20 a 30 minutos, ou aquecê-las em confeções de temperatura elevada, como no forno, não constitui um problema grave. Embora seja preferível evitar a congelação, reconhece-se que, para algumas pessoas, esta prática é necessária para melhor gerir o tempo. Também os pratos mais trabalhosos, como a lasanha, podem ser preparados em maior quantidade e congelados em doses individuais para consumo posterior.

A decisão cabe a cada pessoa, tendo em conta aquilo que leu e o que considera mais adequado às suas necessidades.

Quando a mente está lúcida e o corpo cheio de vitalidade, organizar o dia a dia torna-se simples e natural. Nessa altura, cozinhar deixa de ser uma obrigação pesada e pode mesmo transformar-se numa atividade relaxante e fonte de bem-estar.

© Artigo escrito por Agnès Pérez.


Monday, June 29, 2026

 

Misturar proteínas animais e vegetais
Drª Elena Corrales

As proteínas constituem um dos três grandes grupos de nutrientes, juntamente com os hidratos de carbono e as gorduras. São indispensáveis na nossa alimentação, pois é a partir delas que sintetizamos, para além de massa muscular, enzimas, hormonas e neurotransmissores, entre outras substâncias.

No grupo dos alimentos de origem vegetal, todas as sementes fornecem proteínas: leguminosas, cereais, frutos secos, sementes e, adicionalmente, as algas.

Todos os alimentos de origem animal são fontes de proteínas: carne, peixe, ovos e produtos lácteos.

No Ocidente, como predomina uma visão dualista do universo, tudo tende a ser encarado como dividido ou separado: o bem e o mal, a virtude e o pecado, a esquerda e a direita… e, no caso da nutrição, que é o tema que nos ocupa, o animal e o vegetal.

A resposta à controvérsia sobre a alegada superioridade das proteínas animais em relação às proteínas vegetais encontra-se nas tradições milenares da humanidade: em praticamente todos os casos, o principal aporte de proteínas resultou da combinação de um cereal com uma leguminosa ou outra semente, complementada por uma pequena quantidade de alimento de origem animal, quando o clima ou a condição da pessoa assim o exigiam.

Por isso, podemos combinar proteínas animais e vegetais de acordo com as nossas necessidades, tendo em conta a nossa capacidade digestiva e o nosso estado de saúde.

 

 

Formas básicas de cozinhar os legumes https://www.elenacorrales.com/blogelenacorrales/formas-de-cocinar-las-verduras/

Drª Elena Corrales

resumo:

Os legumes são alimentos leves que não necessitam de cozeduras prolongadas para serem bem digeridos. A forma como são cozinhados influencia não só o sabor e a textura, mas também a digestibilidade e o efeito que exercem no organismo. Em geral, os métodos de confeção variam dos mais yin (mais refrescantes e leves) aos mais yang (mais concentrados e tonificantes).

As preparações cruas, como batidos, sumos e saladas, preservam todas as características naturais dos legumes, sendo especialmente adequadas nos meses mais quentes. No entanto, exigem um maior esforço digestivo e devem ser consumidas com moderação, sobretudo por pessoas com digestões sensíveis.

Os legumes prensados ou fermentados constituem uma alternativa sem recurso ao calor que melhora a digestibilidade e favorece a saúde intestinal. Consumidos em pequenas quantidades, também contribuem para o bom funcionamento do fígado.

As confeções suaves, como a cozedura a vapor, os escaldados e os cozidos, permitem conservar grande parte dos nutrientes, tornando os legumes mais fáceis de digerir. Em alguns casos, como nas couves ou noutros legumes que provocam gases, recomenda-se uma primeira fervura seguida da substituição da água para reduzir esse efeito.

Métodos como a confeção no próprio suco, os salteados, os refogados, os estufados e os assados no forno proporcionam sabores mais intensos e uma maior concentração da energia dos alimentos. À medida que aumenta o tempo de confeção e a utilização de gordura e calor seco, os legumes tornam-se mais reconfortantes e adequados para épocas frias ou para quem necessita de refeições mais nutritivas.

Em suma, não existe uma única forma ideal de cozinhar os legumes. A escolha do método deve ter em conta a estação do ano, as necessidades do organismo e o efeito pretendido. Variar as técnicas de confeção permite tirar maior partido das propriedades nutricionais e gastronómicas dos legumes, tornando a alimentação mais equilibrada e diversificada.

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texto

Os legumes são alimentos leves que, ao contrário dos cereais ou das leguminosas, não necessitam de cozeduras prolongadas para serem corretamente digeridos. Descubra que cozinhá-los é muito mais do que fervê-los ou preparar saladas.

É importante compreender que o calor não se limita a "cozinhar" os alimentos: também os transforma. Por um lado, facilita a digestão (realizando uma espécie de pré-digestão) e, por outro, altera a sua energia natural, modificando o efeito que têm no organismo em comparação com o seu consumo em cru.

De seguida, veremos diferentes formas de preparar os legumes, organizadas das mais yin (mais refrescantes e expansivas) às mais yang (mais concentradas e tonificantes).

Batidos ou sumos de legumes

Em preparações como gaspachos ou sumos de legumes, estes são consumidos crus e submetidos à ação da liquidificadora, que imprime um movimento centrífugo. O resultado é uma preparação muito yin.

Não são a melhor opção para pessoas com digestões sensíveis, uma vez que, ao serem ingeridos sem mastigação, perde-se a ação da saliva, essencial para iniciar o processo digestivo, mesmo no caso dos legumes.

Saladas

Os legumes crus em salada são particularmente indicados no verão, pois ajudam a refrescar o organismo.

No entanto, não devem substituir regularmente os legumes cozinhados, exceto em climas muito quentes. Convém lembrar que os alimentos crus exigem um maior esforço digestivo, sendo aconselhável consumi-los com moderação.

Prensados ou fermentados

São formas de preparação sem recurso ao calor que melhoram a digestibilidade dos legumes. São preparados através de pressão e sal ou por fermentação (como acontece com os picles ou os legumes lactofermentados).

O resultado é menos yin do que o legume cru e muito benéfico para a flora intestinal. Consumidos em pequenas quantidades, ajudam a melhorar a digestão e favorecem o bom funcionamento do fígado.

Cozidos no vapor

Os legumes são colocados num cesto sobre água quente, sem lhe tocar, e cozinham com o vapor durante cerca de 10 a 20 minutos.

É uma confeção suave que preserva bem os nutrientes e o sabor natural dos alimentos. Podem ser temperados com um pouco de tamari. Continua a ser uma forma de confeção relativamente yin.

Escaldados

Consiste em mergulhar os legumes em água a ferver com uma pitada de sal durante um curto período (entre 1 e 8 minutos).

É uma técnica leve que permite amolecer ligeiramente os legumes sem perder demasiado a sua textura.

Escaldados com mudança de água

Este método é utilizado sobretudo com legumes que podem ser mais pesados ou provocar gases, como as couves, ou com legumes de sabor amargo.

Consiste em dar uma primeira fervura e rejeitar essa água. Em seguida, os legumes voltam a ser cozidos em água limpa com sal. Desta forma, suaviza-se o seu efeito e melhora-se a digestibilidade.

Cozidos

Os legumes são cozidos em água com sal durante cerca de 15 minutos. É importante utilizar apenas a quantidade de água necessária, uma vez que muitos nutrientes se dissolvem nela.

Por esse motivo, recomenda-se aproveitar essa água de cozedura em sopas ou estufados.

Cozinhados no próprio suco (cozedura em camadas) - nishime

Numa panela dispõem-se camadas de legumes (por exemplo, cebola na base, seguida de abóbora, cenoura, alho-francês, entre outros), juntamente com um pouco de alga kombu.

Adiciona-se muito pouca água e cozinha-se em lume brando durante 20 a 30 minutos. Os legumes cozinham no seu próprio suco, originando um prato saboroso, naturalmente doce e equilibrado.

Salteados

Os legumes são cozinhados em lume forte com uma pequena quantidade de azeite/óleo durante cerca de 5 minutos.

Aqui começa a confeção mais yang, uma vez que a gordura permite atingir temperaturas mais elevadas do que a água, concentrando mais a energia do alimento.

Refogados

Semelhante ao salteado, mas com um tempo de confeção mais longo (cerca de 10 minutos) e um pouco mais de azeite.

Este tipo de confeção intensifica o sabor e produz um efeito mais tonificante. É aconselhável escorrer o excesso de gordura antes de servir.

Estufados

Primeiro, os legumes são ligeiramente salteados e, depois, cozinham com um pouco de água em lume brando durante, pelo menos, 30 minutos.

O resultado são legumes muito tenros, doces e concentrados, com pouca quantidade de líquido no final. Podem ser temperados com tamari.

Assados no forno

É a forma mais yang de cozinhar legumes. São assados com um pouco de azeite e sal durante cerca de 30 minutos.

São especialmente indicados nas épocas mais frias, pois fornecem calor e energia ao organismo.

Conclusão

O resultado final dos legumes não depende apenas do alimento em si, mas também da forma como é cozinhado: a utilização da água, o tipo de calor, a quantidade de sal e até o modo de corte influenciam o seu efeito no organismo.

Como pode ver, o mundo dos legumes vai muito além de uma simples salada ou de umas batatas fritas. Aprender a cozinhá-los de diferentes formas permite adaptá-los às nossas necessidades, ao clima e ao nosso estado físico.

 

 

 

 

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