DIETA VEGETARIANA
E SAÚDE
Drª Elena
Corrales
resumo
O
texto discute se a dieta vegetariana é saudável e conclui que pode ser
equilibrada, mas depende de vários fatores.
Em teoria, é possível obter todos os nutrientes a partir
de alimentos vegetais, desde que haja conhecimento adequado sobre combinações
alimentares, especialmente para garantir proteínas suficientes.
No entanto, tanto dietas vegetarianas quanto omnivoras podem causar
desequilíbrios se não forem bem planeadas.
A autora destaca que a alimentação deve ser individualizada,
considerando fatores como genética, estado de saúde, sexo e nível de atividade.
Além disso, diferencia os alimentos: os de origem animal são vistos como mais
“construtores e aquecedores”, enquanto os vegetais seriam mais “refrescantes”.
Conclui-se
que o ser humano é omnivoro, podendo ter uma alimentação
predominantemente vegetariana, mas não necessariamente exclusiva. O mais
importante não é eliminar ou incluir carne, mas sim alimentar-se de forma adequada
às necessidades e com foco na saúde, evitando hábitos pouco
saudáveis independentemente do tipo de dieta.
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texto
Para
além das correntes que defendem não comer carne por respeito aos animais, hoje aprofundamos
um tema que suscita muito interesse: se a dieta vegetariana é saudável.
Cada
vez mais pessoas que vêm às minhas consultas, alunos, seguidores das redes ...
perguntam-me sobre a dieta vegetariana: se é saudável, se tem carências ou se,
pelo contrário, tem vantagens.
Os dietistas convencionais alertam para possíveis carências
nutricionais e, por outro lado, muitas correntes filosófico-espirituais afirmam
que uma dieta isenta de alimentos animais favorece a evolução espiritual e ao ter
o corpo "limpo", sem entrar noutras considerações, tais como não
sacrificar animais para nos alimentarmos.
De
acordo com a composição química dos alimentos, podemos afirmar que no reino
vegetal existem os mesmos nutrientes que no reino animal, pelo que seria
possível alimentar-se exclusivamente com alimentos de qualidade vegetal, sem
ter problemas de saúde.
Então,
em termos teóricos, afirmaríamos que consumindo apenas alimentos vegetais
podemos obter os nutrientes necessários para estarmos saudáveis, ainda que para
isso devêssemos «ter uma informação precisa sobre como combinar os diferentes
alimentos, para que não ocorram carências, sobretudo no que diz respeito às
proteínas.
Da
mesma forma, aqueles que "comem tudo" também deveriam saber o que é
necessário ingerir regularmente para estar saudável, já que tanto um excesso de
proteínas animais como um excesso de frutas podem alterar esse delicado
equilíbrio a que chamamos saúde.
Quando
pomos em prática conselhos nutricionais e queremos orientar uma pessoa concreta,
devemos considerar alguns aspectos muito importantes, tais como a sua
constituição (herança genética), a condição que têm nesse momento (deficiência
ou excesso), o seu sexo e a actividade que realiza (física ou intelectual).
Todos estes aspectos permitir-nos-ão saber se é apropriado ou não incluir
alimentos de qualidade animal na sua dieta e durante quanto tempo.
Da
mesma forma, devemos ter em conta que os alimentos, para além de terem
nutrientes, têm energia, e que os de qualidade animal são construtores e
aquecedores em oposição aos vegetais que são desintegradores e refrigeradores.
Tendo
em conta todas estas considerações, para não pôr em perigo a saúde, a inclusão
ou não de alimentos animais na dieta depende também: da herança genética que é
determinada pelas últimas sete gerações de antepassados, da alimentação na vida
intra-uterina, na primeira infância e na situação actual.
Os
estudos de anatomia comparada do aparelho digestivo no reino animal
permitem-nos afirmar que o ser humano é omnívoro, e embora a sua dieta deva ser
basicamente vegetariana, não tem de o ser exclusivamente, como é o caso dos
animais herbívoros.
Actualmente
há muitas pessoas que se gabam de não comer carne como algo saudável e, no
entanto, fumam, bem como comem enormes quantidades de pastelaria, doces e
refrigerantes. É por isso que a questão não é a de comer carne ou não, mas de
comer de acordo com as necessidades e dar sempre prioridade à saúde.
