Saturday, September 19, 2026

 

COMPOTA DE MAÇÃ COM GENGIBRE, SEM AÇÚCAR

Isabel

Compota de maçã com gengibre, sem açúcar — Macrosano

É tempo de colher maçãs e também de começarmos a aquecer o organismo, preparando-o para o frio dos meses de outono.

A compota é uma das formas mais simples de saborear maçãs cozinhadas. A combinação desta fruta com o gengibre e a canela ajuda a criar uma sobremesa que nos aquece e nutre em profundidade. É também ideal para o lanche ou como pequeno petisco entre as refeições.

Além disso, lembre-se de que, se cozinhar as maçãs com a casca e o centro, poderá beneficiar melhor das pectinas que contêm, as quais atuarão como prebióticos, alimentando a microbiota intestinal.

Ingredientes

  • 6 a 8 maçãs;
  • ½ a 1 copo de alperces secos e/ou passas;
  • 1 pau de canela;
  • 3 rodelas de gengibre.

Preparação

  • Corte as maçãs em pedaços grandes, sem as descascar.
  • Coloque-as num tacho, juntamente com as passas ou com os alperces secos cortados em pedaços pequenos.
  • Adicione uma pitada de sal e misture bem. Junte o pau de canela, as rodelas de gengibre e água até atingir cerca de 1 cm de altura no fundo do tacho.
  • Coloque os centros das maçãs numa pequena gaze ou num saco próprio para cozinhar e introduza-os também no tacho.
  • Deixe levantar fervura, reduza o lume para o mínimo, tape e cozinhe durante aproximadamente 15 minutos, ou até a fruta ficar macia.
  • Retire o pequeno saco com os centros das maçãs e deixe a compota arrefecer ligeiramente antes de servir.
  • Cozinhe com amor… e bom apetite!

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PARA ALÉM DA BIOQUÍMICA ESTÁ A NUTRIÇÃO ENERGÉTICA

«A VIAGEM DE REGRESSO À ESSÊNCIA DOS ALIMENTOS, RECUPERAR O SEU ESPÍRITO»

Patrícia Restrepo

É evidente que a brusca desconexão que o ser humano moderno sofreu relativamente à ordem da natureza, com a ideia de «PROGRESSO» e, mais especificamente, com o advento da Revolução Industrial e, posteriormente, da informática, o deixou a oscilar num mundo onde todas as respostas para essa desconexão foram procuradas no intelecto, na razão e na ciência. A mensagem parecia ser: «O mais importante é aquilo que pensas, não aquilo que sentes.»

E assim, pouco a pouco, o ser humano foi construindo um mundo de betão, metal e coltan, naturalmente com ganhos no que diz respeito à «civilização industrial e científica», mas deixando um desequilíbrio descomunal na condição humana, não apenas devido às guerras que ainda hoje se travam em países com grandes recursos naturais, onde as populações nativas são desenraizadas para benefício do lóbi da informática, mas também mergulhando a raça humana numa amnésia coletiva, num sonambulismo social que depende dos ecrãs e da engenhosidade do marketing para reconhecer quais são as suas necessidades essenciais.

Concordo que esta é a realidade que nos coube viver e que a história se repete: o fulgor das grandes civilizações, quando atingem o seu máximo esplendor e o homem se julga dono de tudo o que existe, conduz à decadência, não como castigo, mas como oportunidade para aprender e recomeçar com respeito e humildade.

Mas também sinto a certeza de que podemos dar uma volta a esta realidade que nos coube viver; não uma viragem política ou de massas, porque a verdadeira mudança és tu, tu e tu que a fazes. E a soma de cada «TU» conseguirá produzir essa mudança em direção à nossa própria natureza, que nos interliga com tudo o que sente. Há um só pulsar, um só corpo. Quando nos reconhecermos como parte integrante da natureza, não através do conceito, mas através do sentir, mudaremos, porque será apenas uma minoria que quererá continuar a autocastigar-se.

Quando me refiro à natureza, não estou apenas a evocar a paisagem verde, exuberante e selvagem, os rios cristalinos, os mares azuis, os polos árticos guardiões do equilíbrio, o mundo plural dos insetos, as comunidades de mamíferos herbívoros como exemplo de força, respeito e comunidade, e uma infinidade de imagens da fauna, da flora e da paisagem. Refiro-me à natureza intrínseca do ser humano.

O curso do «progresso», com a sua inventividade fantasiosa e toda a sua fábrica de elementos de distração, afastou-nos da observação direta da natureza e da «auto-observação», qualidade única que nos diferencia das restantes espécies da Terra.

Com o Renascimento e a Idade da Razão chegou também a visão mecanicista da natureza. O homem tinha um novo deus, uma espécie de grande artefacto cósmico, dirigido por mecânicos e articulado por uma lógica infalível.

Caímos na nossa própria armadilha, conspirando contra uma visão integral; agora, privados de parte do nosso senso comum, deixámos de nos orientar por uma visão inspirada na ordem do universo e na consciência espiritual e energética, dando lugar aos novos métodos de «conhecimento», que se tornaram «razoáveis» e se baseiam na dissecação e na análise.

O maior dano que causámos a nós próprios ocorreu quando o alimento, ponte de ligação com o meio que nos rodeia, foi submetido ao uso exclusivo da ciência. O estudo da nutrição baseou-se amplamente na «dissecação» dos «corpos dos alimentos» — a análise das cinzas deixadas depois de um alimento ser incinerado num laboratório. Uma abordagem abstrata, divorciada da realidade viva, que nada tem em comum com a sabedoria energética. A passagem de um mundo orientado pelo energético para um mundo governado pela mecânica provocou uma mudança profunda na nossa forma de encarar a vida.

Numa carta memorável de um chefe indígena ao Presidente dos Estados Unidos, em 1854, dizia-se: «Sabemos isto… todas as coisas estão ligadas, como o sangue que nos une a todos. O homem não tece a teia da vida; é apenas um fio dessa teia. Tudo o que fizer à teia, fá-lo a si próprio.»

Ele sabia que a natureza era simplesmente a humanidade voltada para fora e que a humanidade era a natureza voltada para dentro.

Antes das eras industrial e informática, os seres humanos possuíam uma perspetiva unificada da vida, sustentada pelo contacto regular e constante com a natureza. Cada experiência na natureza era observada com o máximo cuidado, porque sabíamos que ela era a nossa fonte, a nossa companheira de vida e a força permanente capaz de dar resposta às nossas necessidades e assegurar o futuro das novas gerações.

Comer à mesa da natureza, tão diretamente quanto possível e sem os modernos intermediários do agronegócio, é a maneira mais direta de nos reconectarmos connosco próprios e com a terra, pois constitui o vínculo mais direto com uma vida boa. A terra é a referência última para a qualidade dos alimentos; afinal, é dela que eles provêm. Como pudemos esquecer uma verdade com tanto sentido?

O verdadeiro conhecimento dos alimentos, conhecer a sua dimensão energética, tem a ver com a familiarização com a qualidade dos alimentos e com a sua relação com a quantidade.

A qualidade é algo que não podemos ver, mas que pode ser conhecido; está relacionada com várias etapas do processo que acaba por se traduzir na quantidade. A qualidade pode ser avaliada através dos sentidos ou dos instrumentos físicos da ciência.

A dimensão energética dos alimentos não exclui a informação técnica, nutricional ou química, mas esta não constitui o eixo central daquilo que é importante para nos nutrirmos. Existe o «facto pelo facto» de o alimento ser aquilo que é. A qualidade de um alimento é a sua essência, o seu carácter, espírito ou personalidade, até mesmo a alma do alimento. A única forma de avaliar a qualidade do alimento é através dos sentidos. Ou seja, existe uma grande diferença entre informação sobre um alimento e conhecimento.

O verdadeiro conhecimento é uma qualidade humana que se encontra algures entre o instinto que diz a um pato recém-nascido como nadar, a uma ave como voar, e a visão inspirada que indicava a Paganini onde colocar a nota seguinte. O meu verdadeiro trabalho consiste em fazer com que alcances o conhecimento pessoal da «qualidade dos alimentos».

Conhecer a qualidade dos alimentos é semelhante a saber como a música nos faz vibrar e sentir de determinada maneira, ou a sentir que estamos apaixonados.

Um dos fundamentos para conhecer a qualidade dos alimentos deveria partir daquilo que é tão biológico quanto possível, isto é, cultivado sem produtos químicos nem inseticidas, sem interromper a relação com o «bioma» inerente à espécie, que sabe por si própria em que tipo de terra, em que época do ano e em que lugar do planeta deve crescer. É a «inteligência somática da flora e das plantas». Ou seja, se cultivarmos através da «agricultura», ou cultura agrária, que é a mesma coisa, devemos fazê-lo, no mínimo, de forma consciente e através de processos naturais.

Não estou a desprezar a análise química, que podemos considerar um «conhecimento-sombra», o eco da experiência quando esta é separada, isolada e dissecada pelas ferramentas do homem. A energia dos alimentos diz respeito ao verdadeiro conhecimento que os alimentos nos transmitem quando os comemos e que depois se manifesta no nosso corpo, física, mental e emocionalmente. Este conhecimento é tão antigo como as histórias vivas do reino vegetal. É o mesmo conhecimento que informou e inspirou a sabedoria dos grandes sistemas filosóficos alimentares da Antiguidade, embora, para muitos, possa parecer um sistema novo e radical.

Por exemplo, comparemos um pequeno brócolo cultivado biologicamente por um agricultor local, com cuidado, tendo em consideração as luas e a época em que naturalmente se manifesta na natureza — isto é, respeitando a linguagem da terra — com um brócolo cultivado com produtos químicos e inseticidas, fora da sua época natural, numa estufa, produzido para uma cadeia comercial, cujo crescimento é ainda acelerado artificialmente; ou com um brócolo colhido industrialmente para depois ser congelado e transportado num camião frigorífico; ou, no pior dos casos, condenado a permanecer dentro de um recipiente metálico como conserva, acompanhado por inúmeros aditivos.

Esse brócolo, aparentemente verde e reluzente, é servido num restaurante e, segundo a análise bioquímica, conserva todas as suas substâncias — ácido fólico, fibra, magnésio, vitaminas A e C — e tem poucas calorias. É provável que não consigamos ver a diferença entre o biológico e os restantes. A diferença está na qualidade.

A qualidade de algo representa aquilo que está no coração, ou nos bastidores, de uma determinada quantidade. Qualidade não significa apenas quão bom ou saudável é um alimento. Refere-se ao carácter essencial e particular desse alimento.

«A jovem indígena, depois de um dia a recolher sementes, folhas e raízes, ajoelhou-se junto ao fogo, no centro da sua gruta, e rezou em silêncio, manifestando gratidão ao Grande Espírito enquanto preparava a sua refeição. Os seus pensamentos recordavam as caminhadas pelas pradarias. Sabia que, das raízes que tinha encontrado — bardanas e algumas cenouras silvestres —, absorveria o espírito que lhe daria acesso ao vasto silêncio da sabedoria da terra e lhe proporcionaria enraizamento e tenacidade; das folhas silvestres de sabor amargo, receberia flexibilidade; e das sementes, uma atenção plena e penetrante.»

RECEITAS ENERGÉTICAS

SOPA DE LENTILHAS

Informação bioquímica: ferro, proteínas, hidratos de carbono, cálcio, magnésio, fósforo, sódio, zinco e selénio.

Conhecimento energético: um prato de lentilhas aquece, gera vitalidade e nutre as funções hepáticas.

Ingredientes

  • 250 g de lentilhas castelhanas
  • 100 g de abóbora cortada em cubos
  • 100 g de cenoura cortada em cubos
  • 1 alho-francês cortado em meias-luas
  • 2 folhas de louro
  • Azeite
  • Sal marinho não refinado
  • 1 pedaço de alga kombu previamente demolhada
  • ½ litro de água

Preparação

Colocar todos os ingredientes na panela de pressão.

Adicionar um fio de azeite.

Cozinhar em lume forte durante 10 minutos.

Baixar o lume e cozinhar durante 20 minutos em lume brando.

Retificar o sal e deixar cozinhar mais 5 minutos em lume mínimo.

SALADA DE FRUTOS VERMELHOS COM IOGURTE DE SOJA

Informação bioquímica: antioxidantes, diuréticos, ricos em provitamina A, vitamina C, flavonoides e isoflavonas.

Conhecimento energético: as saladas de fruta arrefecem; o iogurte de soja arrefece em profundidade, relaxa pessoas com condições tensas e ajuda a atenuar os afrontamentos nas mulheres na «idade da sabedoria».

Os frutos do bosque, especialmente os mirtilos, podem estimular a produção de urina.

Ingredientes

  • 100 g de arandos vermelhos
  • 100 g de morangos
  • 100 g de framboesas
  • 1 iogurte de soja
  • Uma pitada de sal
  • 1 colher de sopa de crunch de frutos do bosque sem açúcar
  • 1 colher de sopa de concentrado de maçã

Preparação

Cortar os morangos, adicionar uma pitada de sal e deixar macerar durante 10 minutos.

Misturar os restantes frutos.

Colocar numa taça.

Adicionar o iogurte natural de soja.

Verter o concentrado de maçã sobre o iogurte.

Cobrir com o crunch de frutos do bosque.

TIMBAL DE ARROZ INTEGRAL NO FORNO (*)

Informação nutricional: ao contrário do arroz refinado, o arroz integral contém hidratos de carbono complexos, polissacáridos, proteínas, magnésio, potássio, fósforo, niacina, ácido fólico, sódio e vitaminas do complexo B.

Conhecimento energético: o arroz integral gera centramento, concentração e integridade. Cozinhado no forno, transforma-se num alimento muito concentrado, que gera um calor profundo e duradouro e uma energia consolidada.

Ingredientes

  • 1 chávena de arroz integral cozido
  • 1 cenoura cortada em cubos pequenos
  • 100 g de ervilhas
  • 1 alho-francês cortado em cubos pequenos
  • 100 g de tempeh
  • 2 colheres de sopa de farinha de trigo-sarraceno
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • Sal

Preparação

Aquecer uma frigideira e adicionar o azeite.

Saltear o alho-francês juntamente com os restantes legumes e uma pitada de sal.

Juntar o arroz e continuar a saltear.

No final, adicionar o tempeh cortado em pedaços muito pequenos.

Misturar a farinha de trigo-sarraceno com um pouco de água até obter uma textura cremosa e espessa.

Incorporar esta mistura no arroz salteado.

Colocar tudo numa forma e levar ao forno durante 15 minutos, a 180 °C.

 

(*)IA Um timbal de arroz é uma preparação de arroz — normalmente misturado com legumes, leguminosas, cogumelos, tofu ou tempeh — que é colocada e comprimida numa forma ou molde, para adquirir uma forma definida. Pode ser servido diretamente depois de desenformado ou levado ao forno para ficar mais firme.

No caso desta receita, trata-se de um timbal de arroz integral no forno: mistura-se arroz integral cozido com cenoura, ervilhas, alho-francês e tempeh; a farinha de trigo-sarraceno diluída em água funciona como elemento de ligação; depois coloca-se tudo numa forma e leva-se ao forno durante 15 minutos a 180 °C.

A palavra «timbal» refere-se sobretudo à forma de apresentação, e não a um tipo específico de arroz. Tradicionalmente, o preparado é moldado e depois desenformado, ficando semelhante a um pequeno bolo ou pudim salgado.


 

Friday, September 18, 2026

 

MACROBIÓTICA PARA A TRANSIÇÃO DO TEMPO DE VERÃO PARA O TEMPO DE OUTONO

Patrícia Restrepo

Setembro representa, na natureza, o momento do fim e do começo: as folhas caem, a natureza concentra-se, o vento muda e começa a refrescar; tudo parece tomar o caminho de regresso ao interior.

Em setembro, as horas de sol diminuem, as temperaturas baixam, embora ainda não esteja frio, e os dias quentes de verão vão-se despedindo serenamente, deixando-nos na memória a recordação mais frugal dos sabores. Assim, o outono começa a ganhar o seu espaço, dando lugar ao recolhimento e à concentração.

No entanto, para que esta transição do verão extrovertido, expansivo, frugal, colorido, de noites tardias, banhos e vida noturna para dias mais recolhidos, com horários escolares e agendas programadas, se faça de forma eficaz e harmoniosa, devemos considerar algumas orientações vitais que, na realidade, são aquelas que a natureza nos dita através da sua sabedoria inerente e biológica.

ORIENTAÇÕES DA MACROBIÓTICA PARA A TRANSIÇÃO DO TEMPO DE VERÃO PARA O TEMPO DE OUTONO

·       O verão foi um período quente em que a sábia natureza nos proporcionou muita fruta sumarenta, com elevado teor de água, para nos refrescar.

·       Reduza o consumo de fruta e coma apenas a própria do outono: romãs, uvas, dióspiros, marmelos e algumas maçãs que começam a ser colhidas. Como poderá verificar, todas estas frutas apresentam uma característica semelhante: «menor teor de água».

·       Os legumes de verão poderiam ser classificados mais como frutos do que como legumes: tomate, pimento, beringela e pepino, com a mesma característica da fruta — maior teor de água e potássio — para refrescar e equilibrar o Yang do verão.

·       Os legumes próprios do outono emergem com a sabedoria da terra. As folhas chegam ao seu ocaso, os legumes contêm menos água, são mais densos e necessitam do fogo para nos proporcionarem o sabor doce próprio desta estação. É o momento de começar a consumir abóboras, couves, cebolas, alguns legumes de raiz doces, castanhas, couve-flor, entre outros.

·       Durante o verão, os gaspachos, sumos, saladas russas e outras saladas, combinadas com ervas frescas, hortelã, coentros, manjericão, vinagres e limão, conferiam frescura e expansão aos nossos pratos.

·       No outono, é o momento de preparar estufados, confeções mais prolongadas, como o nishime, pratos de leguminosas, cozinhados a vapor e outras confeções que permitam estabilizar o sabor doce e conduzir progressivamente o calor para o interior.

·       O objetivo é também voltar a assentar os pés na terra e recuperar a concentração depois do verão, período em que a energia estava totalmente projetada para o exterior, para o prazer e para a expansão. Se continuarmos a comer da mesma forma que durante o verão, sobretudo as crianças poderão ter dificuldade em adaptar-se à escola, com a mente dispersa e menor capacidade de concentração.

·       Para compreender este fenómeno, proponho a analogia da esponja. No verão, somos como uma esponja embebida em água. Quando chega o outono, o frio contrai essa esponja e todo o líquido nela contido sai para o exterior. Segundo esta perspetiva, é por essa razão que esta é uma época em que surgem mais constipações e problemas relacionados com os aparelhos respiratório e intestinal.

·       Se abusámos dos líquidos, das bebidas frias e da fruta, em proporção desequilibrada relativamente a outros alimentos, como leguminosas, cereais, legumes, algas, sementes e frutos secos, então o nosso organismo terá um excesso de líquido frio que, posteriormente, no outono-inverno, se transforma em acumulações e muco.

·       Recorde: não adoecemos por aquilo que comemos; adoecemos por aquilo que não conseguimos eliminar.

·       Segundo o Clássico do Imperador Amarelo, durante os três meses do outono todos os seres da natureza chegam à maturidade; o clima e a energia do céu arrefecem e o vento começa a agitar-se. É o ponto de mudança em que o YANG, ou ativo (verão), se transforma no seu oposto, o YIN, ou passivo.

«Recomenda-se ir para a cama com o pôr do sol e levantar-se depois de o sol nascer. É muito importante manter a calma e a paz, evitar a depressão, para que a transição para o inverno se faça suavemente. O espírito e a energia devem manter-se focados e concentrados. A energia do pulmão, plena, limpa e calma.»
Neijing

·       De acordo com a tradição oriental, o movimento constante do universo obedece a um padrão cíclico repetitivo, facilmente observável na sucessão das fases de um dia e das estações do ano.

Para cada ciclo foram definidas cinco fases, correspondentes a cinco transformações energéticas ou tipos de energia, que tornam mais percetível a forma como a mudança se manifesta ao longo de um ciclo completo.

·       Estas fases foram designadas como energia flutuante, ascendente, ativa, descendente e de reunião ou fusão. A cada uma corresponde uma estação do ano — inverno, primavera, verão, verão tardio e outono, respetivamente —, uma fase do dia e outros aspetos existentes na natureza, como as cores, os sabores e os sons.

·       Simbolicamente, são designadas, pela mesma ordem, como Água, Árvore, Fogo, Terra/Solo e Metal.

·       Em alguns escritos, encontramos estas fases designadas como «elementos», o que, segundo esta interpretação, é incorreto, pois é precisamente o dinamismo que caracteriza estes ciclos em permanente mudança. Por isso, na macrobiótica, são denominadas «as cinco transformações da energia», sendo cada ciclo chamado transformação.

·       Segundo esta teoria das cinco transformações, a transformação Terra/Solo corresponde ao verão tardio, ao final do verão ou ao chamado «verão de São Martinho».

·       A transformação Terra/Solo está associada aos órgãos estômago, baço e pâncreas, nutridos pelo sabor doce, e relaciona-se com a capacidade de nos nutrirmos e de nutrirmos os outros.

Quando estamos bem nutridos, temos certezas e acreditamos naquilo que fazemos; ocupamo-nos dos nossos projetos e criações. Quando os órgãos da Terra estão em desequilíbrio, preocupamo-nos excessivamente em vez de nos ocuparmos, observamos os projetos dos outros com inveja e insegurança e desligamo-nos dos ciclos naturais da vida.

O estômago, o baço e o pâncreas são órgãos com funções claramente administrativas, digestivas, imunitárias, de assimilação e discernimento. Estes órgãos são nutridos pelos legumes doces e, de um modo geral, pelo sabor naturalmente doce dos legumes redondos, como abóboras, cebolas, couves, couves-de-bruxelas, couve-flor, castanhas, ervilhas secas, entre outros.

Também entram em jogo os cereais, como o millet, considerado um cereal que ajuda a melhorar as perturbações do estômago e do baço, favorece a concentração e facilita o regresso à escola, sendo tradicionalmente associado às atividades intelectuais.

Outros alimentos que, segundo esta abordagem, tonificam e nutrem estes órgãos são, por exemplo, a alga arame, o grão-de-bico, o feijão azuki cozinhado com abóbora e as castanhas piladas — castanhas secas que se conservam de um ano para o outro.

O sabor doce natural nutre estes órgãos. É o sabor dos frutos secos, da abóbora cozinhada, dos legumes redondos reduzidos ou estufados e dos cereais integrais em grão.

No entanto, o sabor doce proveniente do açúcar simples, sob qualquer das suas formas, dos líquidos açucarados e dos cereais refinados prejudica, as funções digestivas, o sistema imunitário e desestabiliza o equilíbrio dos açúcares no sangue.

A nível emocional e mental, estes alimentos estão associados ao aumento do sentimento de vitimização, inveja, relações de dependência, insegurança, dúvidas, falta de empatia, dificuldade de concentração, dispersão mental, angústia, ataques de pânico e crises de ansiedade.

Na cozinha, são privilegiadas as confeções que permitem recuperar e concentrar o sabor doce, que levam o calor para o interior e que possuem uma energia descendente: compota de maçã ou marmelo; abóbora estufada ou assada; cenouras ao vapor; estufados de leguminosas preparados na panela de pressão e combinados com legumes colhidos nesta época; couves-de-bruxelas; cremes de abóbora, couve-flor ou cebola; e estufados de legumes com alga arame.

Se pretendermos conferir-lhes uma intenção mais profunda e medicinal, temos a confeção nishime ou a sopa de legumes doces com millet, um clássico que revitaliza e equilibra em diversos aspetos.

RECEITAS

SOPA DE MILLET E LEGUMES DOCES

Esta sopa é deliciosa, mas é apresentada sobretudo como uma preparação medicinal. Nutre os órgãos Solo, fortalece o sistema imunitário, proporciona estabilidade emocional e ajuda a equilibrar o açúcar no sangue.

Ingredientes

  • 250 g de millet;
  • 100 g de abóbora cortada em cubos pequenos;
  • 100 g de cenoura cortada em cubos pequenos;
  • 100 g de couve cortada em cubos pequenos;
  • 1 cebola cortada em cubos pequenos;
  • 2,5 cm de alga wakame cortada em pedaços pequenos;
  • 1 cogumelo shiitake pequeno;
  • 2 colheres de sopa de mugi miso;
  • 1 molho de rebentos de alfafa ou outros rebentos.

Preparação

Ø  Lavar muito bem o millet várias vezes em água corrente, até que a água saia límpida.

Ø  Colocar todos os ingredientes numa panela grande com 2 litros de água e deixar levantar fervura.

Ø  Reduzir o lume e cozinhar em lume brando durante 50 minutos.

Ø  Retirar um pouco do caldo, dissolver nele o miso e voltar a incorporá-lo na sopa.

Ø  Deixar cozinhar durante mais 3 minutos em lume brando.

Ø  Servir com os rebentos ou com salsa crua.

LEGUMES PREPARADOS À MANEIRA NISHIME

·       A tradução de Nishime é, literalmente, «cozinhar sem água ou com muito pouca água».

·       Trata-se de uma confeção doce e apresentada como muito medicinal, útil em estados de convalescença, para pessoas que sentem muito frio no corpo, após uma cirurgia, quando existe necessidade de enraizamento, durante o abandono de dependências e nos casos em que se considera indispensável uma cozinha de energia descendente.

Ø  Para preparar um bom nishime, devemos cortar os legumes em pedaços grandes. A confeção deve ser lenta, em lume brando. O vapor gerado no interior da panela permite que os ingredientes cozinhem no seu próprio suco; desta forma, chegamos ao interior dos legumes e extraímos o seu sabor doce e o seu líquido.

Ø  O líquido resultante constitui, por si só, uma iguaria. Deve utilizar-se uma panela pesada, com tampa hermética.

Ø  Os legumes podem ser dispostos em camadas para obter um determinado efeito ou podem ser distribuídos por setores.

NISHIME DE RAÍZES DOCES

Ingredientes

  • 2 cenouras;
  • 2 cebolas;
  • 2 pastinacas;
  • 1 pedaço de alga kombu do tamanho de um selo postal;
  • água até à altura de cerca de dois dedos.

Preparação

Ø  Cortar os legumes em pedaços grandes.

Ø  Colocar a alga kombu no fundo da panela com cerca de dois dedos de água.

Ø  Dispor os legumes separadamente por setores: as cenouras de um lado, as cebolas ao lado e as pastinacas no outro setor.

Ø  Deixar levantar fervura durante 3 minutos.

Ø  Reduzir depois o lume e cozinhar durante 20 minutos, se possível sobre uma placa difusora.

COUVES-DE-BRUXELAS NO FORNO

Ingredientes

  • 250 g de couves-de-bruxelas;
  • azeite;
  • noz-moscada;
  • shoyu;
  • alho;
  • alecrim;
  • água;
  • uma pitada de sal.

Preparação

Ø  Levar um litro de água ao lume até ferver.

Ø  Adicionar uma pitada de sal.

Ø  Escaldar as couves-de-bruxelas durante cerca de 5 minutos, até ficarem al dente.

Ø  Colocá-las num tabuleiro de forno.

Ø  Esfregar as couves com um dente de alho.

Ø  Pincelar com azeite.

Ø  Ralar um pouco de noz-moscada por cima.

Ø  Levar ao forno, com um ramo de alecrim, a 200 °C durante 15 minutos.

 

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