Tuesday, April 7, 2026

 


RECEITAS DE URTIGAS

PARA VOLTAR À TERRA NUA

Texto de: Patrícia Restrepo

https://patriciarestrepo.org/blog/

Publicado el 11 marzo 2026

https://patriciarestrepo.org/recetas/recetas-de-ortigas-para-volver-a-la-tierra-desnuda/

CONTEÚDO

·       Porquê comer plantas selvagens

·       Plantas silvestres da primavera para combater o stress

·       A urtiga: a rainha da Primavera

·       Dente de Leão: o grande depurativo

·       Rúcula selvagem: energia e sabor

·       Beldroega: uma jóia nutricional

·       Uma tradição que regressa

·       Receitas com urtigas

RESUMO

O texto explica que as plantas silvestres, como a urtiga e o dente-de-leão, são muito nutritivas e ajudam a manter o corpo saudável, segundo a visão da macrobiótica e do equilíbrio natural (“ki”).

Com a agricultura intensiva, os solos foram perdendo minerais, tornando os alimentos cultivados menos ricos. Em contraste, as plantas silvestres crescem de forma natural, absorvendo nutrientes profundos da terra, o que as torna mais completas.

A Primavera é a melhor altura para as colher, pois estão ricas em vitaminas e minerais que ajudam a combater o cansaço, o stress e a fortalecer o sistema imunitário.

O texto destaca quatro plantas principais:

  • Urtiga: muito nutritiva, desintoxicante e anti-inflamatória
  • Dente-de-leão: ajuda o fígado e elimina líquidos
  • Rúcula selvagem: digestiva e rica em antioxidantes
  • Beldroega: rica em ómega-3 e boa para o coração

Também reforça que colher plantas silvestres é uma prática ancestral, devendo ser feita com segurança (identificação correta e locais limpos).

Por fim, apresenta várias receitas simples com urtigas, como infusões, pesto, sopa, tortilha e batidos, que ajudam a revitalizar o organismo.

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TEXTO

Através destas receitas de urtigas, podes observar que, a partir da compreensão ampla da macrobiótica, o «ki» ou força primordial que anima tudo o que existe e que mantém em equilíbrio a força magnética e elétrica das plantas silvestres, é essencial para nos mantermos vitais e ligados. Não se trata apenas de contar calorias ou nutrientes.

Houve um tempo em que a terra respirava. Os campos não eram fábricas, mas paisagens vivas onde o solo estava repleto de vida invisível: fungos, bactérias, minhocas e minerais que viajavam lentamente da rocha até às raízes. As plantas cresciam ao ritmo das estações, alimentadas por uma terra rica e profunda.

Mas com a chegada da agricultura intensiva e a pressa de produzir cada vez mais, muitos solos começaram a empobrecer. Cultiva-se repetidamente a mesma coisa, lavra-se a terra, adicionam-se fertilizantes que alimentam a planta, mas não o solo. Assim, pouco a pouco, os minerais que levaram séculos a formar-se vão-se esgotando. A terra continua a produzir, sim, mas cada vez mais pobre — como se tivesse perdido o «ki», como se algo essencial se tivesse dissipado.

PORQUÊ COMER PLANTAS SILVESTRES

No entanto, nas margens dos caminhos, nas clareiras dos bosques e nas encostas das montanhas, a natureza continua o seu trabalho silencioso. Aí crescem plantas silvestres: urtigas, dentes-de-leão, beldroegas, malvas. Plantas humildes que ninguém cultiva e que, ainda assim, brotam com uma força extraordinária. As suas raízes procuram minerais profundos, adaptam-se ao terreno, interagem com o solo e concentram nas suas folhas uma riqueza que muitas vezes esquecemos.

Comer plantas silvestres é, de certa forma, voltar a ouvir a terra. É recordar que a natureza não precisa de ser dominada para ser generosa. Em cada folha de urtiga, em cada broto de dente-de-leão, existe uma memória antiga: a dos solos vivos, dos nutrientes verdadeiros e da sabedoria dos ecossistemas.

Talvez por isso, ao provar uma planta que cresce livremente, sentimos algo mais do que sabor. Sentimos a força da terra, a mineralidade, a chuva e o sol. É a natureza a falar connosco.

PLANTAS SILVESTRES DA PRIMAVERA PARA COMBATER O STRESS

Urtiga, dente-de-leão, rúcula selvagem e beldroega.

A Primavera é uma das melhores épocas para colher plantas silvestres comestíveis. Depois do inverno, surgem rebentos ricos em vitaminas e minerais que ajudam o organismo a recuperar energia, reduzir o stress e fortalecer o sistema imunitário.

Estas plantas, muitas vezes consideradas “ervas daninhas”, são na verdade alimentos com elevado valor medicinal.

A URTIGA: A RAINHA DA PRIMAVERA

A urtiga é muito comum em zonas húmidas e solos ricos.

Como identificá-la:

  • Folhas verdes, ovais e dentadas
  • Caule direito, e5tre 30 cm e 1 metro
  • Pelos urticantes que causam ardor
  • Cresce em grupos densos

Deve ser colhida com luvas. Depois de cozinhada, perde o efeito urticante.

Benefícios:

  • Combate o cansaço (rica em ferro e magnésio)
  • Desintoxicante natural
  • Reforça o sistema imunitário
  • Anti-inflamatória
  • Muito nutritiva

Usos na cozinha:

  • Sopas
  • Tortilhas
  • Pesto
  • Infusões
  • Cremes
  • Batidos
  • Salteados

DENTE-DE-LEÃO: O GRANDE DEPURATIVO

Benefícios:

  • Estimula o fígado
  • Ajuda a eliminar líquidos
  • Rico em vitaminas A, C e K
  • Ideal em saladas

As raízes também podem ser usadas como substituto do café.

RÚCULA SELVAGEM: ENERGIA E SABOR

Características:

  • Folhas estreitas
  • Sabor picante
  • Flores amarelas

Propriedades:

  • Facilita a digestão
  • Rica em antioxidantes
  • Contém vitamina C

BELDROEGA: UMA JOIA NUTRICIONAL

Planta rasteira com folhas carnudas.

Benefícios:

  • Rica em ómega-3
  • Anti-inflamatória
  • Boa para o coração
  • Fonte de magnésio e vitamina E

UMA TRADIÇÃO QUE REGRESSA

Colher plantas silvestres é uma prática antiga que está a voltar.

Regras básicas:

  • Identificar bem a planta
  • Colher apenas em locais limpos

RECEITAS COM URTIGAS

INFUSÃO REVITALIZANTE DE URTIGA E DENTE-DE-LEÃO

Ingredientes:

  • 1 colher de sopa de urtiga seca
  • 1 colher de sopa de dente-de-leão
  • 250 ml de água

Preparação:

  • Ferver a água
  • Adicionar as plantas
  • Deixar repousar 8–10 minutos
  • Coar

Benefícios:

  • Rica em minerais
  • Reduz o cansaço
  • Ajuda a desintoxicar

INFUSÃO PARA RETENÇÃO DE LÍQUIDOS

Ingredientes:

  • 1 colher de sopa de dente-de-leão
  • 250 ml de água

Preparar da mesma forma.

PESTO DE URTIGA

Ingredientes:

  • 2 chávenas de urtigas
  • 1 dente de alho
  • Pinhões
  • Azeite
  • Sal e pimenta

Preparação:

  • Saltear as urtigas
  • Triturar tudo

TORTILHA VEGANA DE URTIGA

Ingredientes:

  • Farinha de grão-de-bico
  • Água
  • Urtigas
  • Cebola
  • Azeite

Preparação:

  • Misturar os ingredientes
  • Cozinhar numa frigideira

SOPA DEPURATIVA

Com urtiga, dente-de-leão, alho-francês, algas e miso.

BATIDO VERDE ANTI-STRESS

Com urtiga, maçã, beterraba e limão.

CREME DE URTIGAS

Com alho-francês, cebola, cogumelos e azeite.

Desfruta destas receitas com urtigas — e depois conta-me como correu!

 

 

 

 

Monday, April 6, 2026

 

O FÍGADO E A DEPRESSÃO

https://agnesperezmacrobiotica.com/el-higado-y-la-depresion/

Resumo (IA: https://chatgpt.com/)

O texto explica que o fígado tem um papel essencial no equilíbrio do organismo, ao processar nutrientes, filtrar toxinas e ajudar a manter estável o funcionamento do sistema nervoso. Quando funciona bem, contribui para a calma, equilíbrio emocional e clareza mental.

No entanto, se o fígado estiver sobrecarregado — devido a má alimentação, excesso de comida, alimentos refinados ou contaminados — pode deixar de cumprir corretamente as suas funções. Isso leva à acumulação de toxinas e a um desequilíbrio no fornecimento de nutrientes, afec«tando o sistema nervoso e podendo provocar sintomas como apatia, cansaço e depressão.

O texto sugere que uma alimentação equilibrada e a redução do stress sobre o fígado podem ajudar a melhorar estes sintomas. Além disso, destaca a ligação entre mente e digestão: preocupações excessivas e stress mental também prejudicam o fígado e o sistema digestivo, criando um ciclo de desequilíbrio físico e emocional.

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Texto

O fígado desempenha um papel importante como intermediário na manutenção da homeostase e do equilíbrio interno. Todos os nutrientes provenientes do trato intestinal (com exceção de uma grande proporção de gorduras) passam pelo fígado, onde são processados antes de serem libertados na corrente sanguínea. Se estiver a funcionar corretamente, consegue suavizar as variações da absorção e assegurar que o sangue é abastecido com um fluxo adequado de nutrientes. Isto, por sua vez, garante que as glândulas suprarrenais e o sistema nervoso não tenham de lidar com emergências internas criadas por excesso ou falta de determinados elementos. Assim, o fígado proporciona um meio interno estável no qual o sistema nervoso pode funcionar e, se cumprir bem a sua função, contribui significativamente para a capacidade de manter a equanimidade, a calma e a tranquilidade mental.

Naturalmente, tal como vimos anteriormente, o fígado faz mais do que isto. É também responsável por filtrar o sangue e eliminar resíduos, contaminantes ou toxinas que poderiam prejudicar as células do corpo ou interferir com as suas funções. Por exemplo, elimina pesticidas, inseticidas e outras substâncias tóxicas que podem ser absorvidas com os alimentos, bem como muitos metabolitos produzidos pelo próprio organismo.

Se o fígado não estiver a funcionar corretamente e falhar no desempenho das suas funções, muitos destes materiais tóxicos passam para o sangue e circulam pelo corpo. Isto pode causar sensação de peso, mal-estar e dor, bem como um fornecimento desregulado de nutrientes. Isto é particularmente relevante devido aos efeitos que pode ter sobre o sistema nervoso, podendo gerar sentimentos de apatia, letargia e, frequentemente, depressão.

De facto, alguns autores sugerem que uma das principais causas da depressão pode ser o mau funcionamento do fígado. Se se prestar a devida atenção à redução do stress hepático e se evitar sobrecarregá-lo, permitindo-lhe recuperar a sua capacidade natural, os sintomas depressivos podem diminuir.

O primeiro e mais importante passo é regular a alimentação para não obrigar o fígado a lidar com tudo o que o trato intestinal absorve e transporta através da veia porta. Quando existem grandes quantidades de nutrientes, como acontece com a sobrealimentação ou com o consumo de alimentos muito refinados que são absorvidos demasiado rapidamente — muitos deles inúteis e necessitando de eliminação — ou quando há grandes quantidades de químicos resultantes do consumo de alimentos contaminados com inseticidas, herbicidas ou outras substâncias, o trabalho do fígado pode duplicar, triplicar ou até quadruplicar. Nestas condições, não consegue regenerar-se e acaba inevitavelmente por se esgotar.

Comer em excesso faz com que o fígado trabalhe em demasia. Ao ficar sobrecarregado, começa a funcionar de forma deficiente e perde a sua capacidade de regular a nutrição. Consequentemente, a nossa capacidade de obter um fluxo constante de energia proveniente dos alimentos fica comprometida. Pode ocorrer, por vezes, um excesso de nutrientes com os quais o fígado não consegue lidar, entrando diretamente na corrente sanguínea; noutras alturas, entre refeições, há escassez, quando as reservas hepáticas não são suficientes para colmatar esse intervalo. O organismo passa então por fases de excesso e de carência. Além disso, permanece constantemente intoxicado por contaminantes internos que o fígado não elimina. Surge um sentimento de incerteza, como se não fosse possível “confiar no próprio fígado”. Emoções como irritabilidade e desconfiança podem manifestar-se no dia a dia e tornar-se traços da personalidade.

Uma pessoa com problemas hepáticos pode emagrecer devido à má absorção de proteínas, ou tornar-se obesa devido à absorção excessiva de açúcares, ou ainda apresentar uma combinação de ambas as situações, com músculos fracos e órgãos debilitados acompanhados por excesso de tecido adiposo. Pode comer em excesso ou comer demasiado pouco, alternando frequentemente entre estes extremos. Em ambos os casos, perde-se a ligação aos sinais internos que indicam quando é necessário comer e quando já é suficiente. A relação equilibrada entre mente e corpo, entre sinais fisiológicos e respostas do organismo, entre o trato intestinal e o fígado — responsáveis pelo fornecimento de energia e pelo equilíbrio mental — fica comprometida.

Fica assim claro que o fígado é um elo muito importante entre a alimentação e a mente, actuando como intermediário na interação entre ambas. De acordo com a medicina tradicional oriental, o fígado também é afectado pelas preocupações e pela “ruminação” mental. Nos termos da teoria ayurvédica, uma concentração excessiva de energia no campo intelectual leva ao abandono e à deficiência do plexo solar e do sistema digestivo. Uma pessoa saudável é capaz tanto de estar alerta e activa mentalmente como de relaxar e permitir que o corpo digira os alimentos e realize os processos de eliminação. Quando há rigidez e preocupação excessivas, a ativação das enzimas digestivas e o funcionamento harmonioso do eixo duodenal, juntamente com órgãos como o fígado e o pâncreas, diminuem e tornam-se desequilibrados. O fígado, sendo um dos principais elementos deste sistema, acaba por enfraquecer gradualmente.

Quando o “fogo digestivo” ou pitta está equilibrado, diz-se que a energia flui de forma constante a partir do plexo solar, proporcionando uma sensação de vitalidade e bem-estar. Quando este equilíbrio falha, os órgãos reguladores acessórios — que normalmente só actuariam em situações pontuais — passam a trabalhar em regime de emergência. As glândulas suprarrenais podem ser activadas, contribuindo frequentemente para estados de tensão e ansiedade crónica. A tiroide também pode ser envolvida, e quando se torna hiperactiva, surgem outras formas de nervosismo e exaustão.

© Artigo traduzido por Agnès Pérez de

«Diet and Nutrition» (Rudolph Ballentine).

 

 

 

Saturday, April 4, 2026

 Reflexão: Afinal, o que é saudável?

https://ilovebio.pt/reflexao-afinal-o-que-e-saudavel/

Está definitivamente – e cada vez mais – na moda uma alimentação e estilo de vida saudáveis. O que é bom, em teoria, mas que é mau, na prática. Isto porque é uma moda e quase tudo o que não passa de uma moda, não tem profundidade, nem é analisado por cada indivíduo, segundo a sua experiência e discernimento. Tudo o que é moda é, normalmente, seguido. Apenas seguido. Sem existir uma real compreensão, observação, análise, formação de juízo e tomada de consciência. E sem ser questionado.

Um dos grandes problemas, é que o que é hoje apontado como saudável, amanhã já não é bem assim. São publicados todos os dias estudos e artigos contraditórios entre si. Mais do que isso: o que é saudável para uns, não é para outros. É só ir ao  feed de notícias do Facebook e começam aparecer milhares e milhares de publicações com estudos disto e estudos daquilo, notícias contraditórias, pessoas a afirmar que este ou aquele alimento faz bem a isto e àquilo, etc etc. Acho até que um Ser Vivo com algum grau de consciência, que não da nossa espécie, tivesse acesso a isto, pensava que somos todos uma espécie de doidos (estou a imaginar um E.T a aterrar no nosso planeta e a pensar “mas que gente é esta que se contradiz minuto a minuto?!”)

Isto, aliado ao facto das marcas publicitarem produtos que não são saudáveis como o sendo – de forma mais ou menos explicita -, apenas com fins comerciais e aproveitando-se de tendências e estudos faccioso, é grave. Sempre foi assim nesta sociedade, mas não deixa de ser grave. Muita gente não tem acesso a mais, e se os meios de comunicação dizem, não questionam.

Já para não falar nas inúmeras dietas que surgem todos os dias. É a dieta paleolítica, a raw food, a dieta dos 22 dias de não sei o quê, a dieta do DNA, low-carb, dieta macrobiótica, dieta vegetariana, dieta das sopas, dieta disto e daquilo. Qual escolher? É um bicho de sete cabeças.

A somar, há empresas que comercializam dietas e suplementos com produtos adulterados e cheios de químicos e coisas esquisitas, ditas saudáveis. É só ler os rótulos para perceber que é impossível ser saudável.

Há ainda nutricionistas com opiniões completamente dispares entre si. A Drª X diz isto, mas o Dr. Y diz precisamente o oposto.

Para além disso, ainda há milhares e milhares de gente a mostrar o que come nas redes sociais e ainda por cima ondas conjuntas – são as papas de aveia com milhares de coisas que qualquer pessoa, aprofundando a questão, percebe que não pode ser saudável; é o óleo de coco (que falei ontem aqui, mas APENAS para uso cosmético, não para alimentação); são as panquecas e as tapiocas todos os dias; são os ovos cheios de hormonas diariamente, ao pequeno-almoço; são as proteínas extra; são os frutos secos em grandes quantidades; é o salmão e outros peixes de aquacultura; as carnes brancas de animais que foram criados à base de hormonas, antibióticos etc; são as frutas fora de época e não biológicas cheias de pesticidas e não adequados para o nosso clima; é o abacate que também não é adequado para o nosso clima e que está a provocar um grande impacto ambiental com a excessiva procura; é o queijo quark; são tantas, tantas coisas que era impossível mencionar todas. É até a hashtag #eucorroeuposso revela que não há uma real busca de informação, tem piada, claro, em ambiente digital, mas mostra uma sociedade bastante superficial.

Não posso também deixar de colocar aqui esta pergunta: as pessoas querem realmente ser saudáveis, ter uma vida plena de saúde, ou é a estética que fala mais alto? Não sei, mas parece-me que a moda da alimentação saudável está mais ligada com aparência do que com saúde, o que na verdade também justifica todas estas questões antagónicas.

Antes que seja crucificada virtualmente pela maioria das pessoas, esta é apenas uma reflexão pessoal, ok? Vale o que vale. Não estou a criticar ninguém porque sei que a maioria das pessoas tenta fazer o melhor que sabe. Existindo um culpado é sem dúvida para dúvidas o conjunto de interesses económicos que infelizmente estão por trás de tudo. Não passa disso. O que estou a tentar dizer é que o Ser Humano está cada vez mais superficial, mas que está sempre a tempo de uma busca mais profunda.

Mas chegando ao cerne da questão, há então afinal alguma forma de saber o que é ou não é saudável? Como é possível sobreviver a toda esta informação contraditória?

Pois… Eu não sei a fórmula mágica, nem a resposta sobre o que é saudável ou não é saudável. Tenho, sim, as minhas convicções, mas cada um deve encontrar as suas, questionando. Andarmos todos ao sabor da corrente é que não é de todo positivo. Eu tive a sorte de crescer numa família que tinha mudado de alimentação há algum tempo, seguindo a filosofia macrobiótica (não é uma dieta, é uma filosofia, para quem quiser aprofundar, que abrange todo o estilo de vida e que teve origem nos mosteiros budistas Zen, no Japão há muito, muito tempo, sem interesses económicos à mistura – não é uma moda, embora esteja na moda hoje em dia).

Independentemente de tudo, deixo aqui algumas dicas que penso que podem ajudar quem está em busca de uma vida mais equilibrada, a nível de alimentação:

  • Basear a sua alimentação diária em produtos integrais (ou seja, no seu estado natural, antes de serem processados), tais como: cereais integrais, leguminosas, algas, legumes e frutas;
  • Não consumir de forma regular produtos em embalagens com rótulos com mais do que o ingrediente principal;
  • Consumir exclusivamente produtos biológicos (incluindo carne e peixe, se for o caso) e da época e local onde nos encontramos;
  • Ler os rótulos e analisar cada componente;
  • Não julgar a componente saudável de um prato, só pelos ingredientes ou aspecto (é saudável se os ingredientes forem de boa qualidade e origem);
  • Cozinhar os alimentos com tampa fechada para não perderem nutrientes;
  • Não utilizar micro-ondas, cozinhar em lume;
  • Não usar muitos electrodomésticos eléctricos;
  • Privilegiar materiais nos utensílios de cozinha que não libertem substancias nocivas (usar vidro, inox, ferro fundido);
  • Aprofundar o estudo do tubo digestivo, estômago, intestinos e dentição das diferentes espécies para compreender quais as proporções mais adequadas de cada grupo de alimentos;
  • Adaptar a alimentação ao verão e inverno, assim como às diferentes condições de saúde, idade, estilo de vida e sexo;
  • Perceber o que os mais antigos comiam no clima onde moramos e o que usavam quando estavam doentes;
  • Tentar saber mais sobre o impacto ambiental e humano das escolhas que fazemos em termos de produtos alimentares;
  • Comer menos em vez de a mais;
  • Estudar os alimentos, a nível de equilíbrio Yin / Yang;
  • Observar os efeitos físicos e mentais dos alimentos. Ir experimentando e adequando.

Sobre a parte de comer menos em vez de a mais, ouvi uma explicação que adorei do Francisco Varatojo, numa palestra. Foi mais ou menos assim (com algumas partes, no final, acrescentadas por mim): Atualmente o Homem toma o pequeno-almoço como se fosse para a guerra ou para o campo (por exemplo ovos, sumos, panquecas, leite, fruta). A seguir levanta-se, toca no botão do elevador e desce para a garagem. Entra no carro, senta-se e conduz. A seguir, chega ao escritório, estaciona na garagem, carrega no botão do elevador e senta-se na secretária a teclar. Ao fim do dia, volta a fazer o processo inverso, vai para o ginásio, sobe de elevador, vai correr num tapete, fazer máquinas para definir os abdominais, pernas, glúteos, etc. No final, desce de elevador, entra no carro, estaciona na garagem de casa, sobe de elevador e senta-se a vegetar no sofá, cansado, agarrado ao comando da televisão. Posto isto: precisamos realmente de tanta quantidade de comida diariamente? E faz algum sentido, a título de exemplo, pagar para nos fazerem as tarefas domésticas, quando depois voltamos a pagar num ginásio para exercitarmos o corpo?

E é isto.

Depois deste texto enorme, se ainda estiverem por aí, concordem ou não com o que escrevi, acho que vale a pena nem que seja alguns minutos de reflexão. 🙂



  RECEITAS DE URTIGAS PARA VOLTAR À TERRA NUA Texto de: Patrícia Restrepo https://patriciarestrepo.org/blog/ Publicado el  11 marzo 20...