EQUILÍBRIO
DINÂMICO NA VIDA QUOTIDIANA
Dr. Martín Macedo – IN: “O
Regresso do Homem de Sal”
Procuramos o
equilíbrio a cada momento. Por exemplo, ao caminhar, estamos continuamente
a equilibrar-nos; de outra forma, cairíamos. Devemos pensar sempre em termos de
yin e yang e procurar equilibrar-nos: equilibrar a expansão e a contração, a
força e a delicadeza, a ação e o repouso.
Como aprende
uma criança a caminhar? Levantando-se e caindo. Assim aprende a criança e assim
aprendemos nós.
Todos os dias
preparamos os alimentos, procurando equilibrar os seus sabores, cores e
qualidades energéticas. Devemos adaptar-nos às condições climáticas, às nossas
necessidades pessoais e às nossas preferências de sabores. Se os alimentos
estiverem bem preparados, devem proporcionar-nos força e satisfação; caso
contrário, sentir-nos-emos com falta de energia e insatisfeitos.
Por isso,
devemos desenvolver, de forma subtil, a arte culinária. É a ferramenta
fundamental para nos equilibrarmos e adaptarmos às condições da vida, que estão
em permanente mudança. É necessário que nos tornemos excelentes cozinheiros
e cozinheiras para podermos ter êxito na arte de equilibrar as condições em
constante transformação da vida quotidiana.
Para isso, são
essenciais a prática e a experiência. A experiência é intransmissível e
devemos adquiri-la com paciência. Devemos estudar continuamente esta técnica.
Estudando e praticando, mais cedo ou mais tarde tornar-nos-emos verdadeiros
especialistas e poderemos criar os pratos adequados para alcançar,
quotidianamente, o bem-estar e a felicidade.
Para aprender,
é necessário errar. Acertar e errar são o yin e o yang, as duas faces da mesma
moeda. Não devemos ter medo de errar; só a partir do erro conseguimos chegar ao
acerto.
Não devemos
ficar preocupados com o desequilíbrio; o desequilíbrio não é assim tão mau,
desde que não seja fatal. Se um prato não ficar equilibrado, sentiremos falta
de harmonia, e isso motivar-nos-á a procurar o equilíbrio.
Portanto,
equilíbrio e desequilíbrio são ambos importantes e constituem as duas faces da
mesma moeda.
Desejamos o
equilíbrio, a saúde, a harmonia e a felicidade e, por outro lado, evitamos ou
tememos o desequilíbrio, a doença, o conflito e o sofrimento. Porém, é a partir
das situações de crise que surge a MOTIVAÇÃO, quase angustiante, para
transformar a instabilidade em estabilidade.
Por isso, a
dificuldade e a facilidade devem ter o mesmo peso na balança da vida. São os
dois braços da realidade e precisamos de ambos.
Nunca
encontraremos a saúde evitando a doença e nunca alcançaremos o equilíbrio
fugindo ao desequilíbrio.
Não
progrediremos um milímetro se fugirmos das dificuldades; muito pelo contrário,
é mergulhando corajosamente nas dificuldades, nos problemas e nas crises que
poderemos transformá-los para sempre.
A bela flor de
lótus só surge da lama mais suja. A maior riqueza surge da pobreza mais
profunda. Os maiores mestres da macrobiótica experimentaram profundamente as
doenças mais graves e as dificuldades mais intensas.
Não procuremos
o equilíbrio no próprio equilíbrio, porque nunca o iremos encontrar. Não
procuremos a beleza naquilo que já é belo, porque a beleza é efémera, como uma
formosa flor que vive apenas um dia...
Atravessando o
rio da vida, lutando contra a corrente e os remoinhos, chegaremos às margens da
felicidade e da paz.
É o paradoxo
da vida.
Por agora,
basta-nos saber que o caminho mais curto para chegar é o mais difícil. O
caminho fácil é o mais longo e, a longo prazo, o mais difícil.
É o grande
paradoxo da filosofia oriental. Por isso, é tão enigmática e, por vezes, parece
uma contradição.
Como tudo se
transforma, acabamos sempre de mãos vazias. É o mundo da contradição, mas a
realidade é assim e, se quisermos resultados reais, devemos trabalhar de acordo
com as regras da realidade.
A realidade é
mudança; a realidade é yin e yang, mas a realidade é bela e fascinante.
Para termos as
mãos cheias, só teremos de as esvaziar. Aí está a chave: procurar o lado
contrário àquilo que queremos alcançar.
Encontraremos
satisfação assim que sentirmos a insatisfação. Encontraremos a força assim que
experimentarmos profundamente a fraqueza e encontraremos a maior abundância no
vazio mais profundo.
A vida
quotidiana do macrobiótico é de grande atividade. A atividade permite-nos criar
e alcançar os nossos objetivos.
SÓ QUEM SE
CANSA É QUE ALCANÇA.
A vida
quotidiana apresenta-nos muitas dificuldades, que devem ser enfrentadas com
coragem e gratidão. Ao enfrentarmos essas dificuldades, tornar-nos-emos cada
vez mais fortes e aprenderemos cada vez mais.
Consumindo
bons alimentos, bem preparados e bem mastigados, proporcionaremos ao organismo
a vitalidade infinita necessária para superar todas as dificuldades da vida
quotidiana.
Quando a nossa
força vital é grande, as dificuldades não nos preocupam; muito pelo contrário,
divertimo-nos com elas.
Quando formos
capazes de nos divertir com os problemas que a vida nos apresenta, teremos
alcançado a verdadeira saúde. Esse é um dos sinais de que nos curámos
profundamente.
Se os
problemas nos sobrecarregam e nos parecem penosos, isso significa que a nossa
constituição ainda é yin (profundamente cansada).
Devemos
continuar a aprofundar o nosso estudo e a praticar com maior determinação, até
descobrirmos que estamos no meio do paraíso, no meio da felicidade infinita...