Sunday, June 14, 2026

 

QUEM FALOU EM ALERGIAS?

Patricia Restrepo

resumo

O texto apresenta uma visão alternativa sobre as alergias, defendendo que estas resultam sobretudo do enfraquecimento do sistema imunitário e de hábitos de vida modernos, como a alimentação industrializada, o uso de produtos químicos, medicamentos e a exposição a tecnologias e campos eletromagnéticos.

A autora considera que as alergias são uma tentativa do organismo para eliminar excessos e toxinas acumulados, manifestando-se através de sintomas respiratórios, cutâneos e digestivos. Defende que o tratamento deve centrar-se no fortalecimento do sistema imunitário através de uma alimentação tradicional, baseada em produtos locais, biológicos e da época, com predominância de cereais integrais, leguminosas e vegetais.

O texto recomenda evitar açúcares refinados, lacticínios, alguns alimentos tropicais e a automedicação com anti-histamínicos e outros fármacos. Sugere ainda práticas naturais como exercício físico, pequenos jejuns e a fricção corporal para estimular a circulação sanguínea e linfática.

A autora também refere uma possível relação entre alergias e determinados traços emocionais ou psicológicos, como a hipersensibilidade e a dificuldade em aceitar críticas.

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texto

As alergias, de um modo geral, podem ser definidas como reações exageradas e anormais a diferentes substâncias, que podem incluir alimentos, medicamentos, produtos químicos, substâncias voláteis, pó, pólen, pelo de animais e até picadas de insetos.

Os sintomas manifestam-se habitualmente ao nível respiratório (asma, espirros), cutâneo (urticária, erupções cutâneas, vermelhidão da pele ou dos olhos) e interno (dor de estômago, azia, comichão na boca ou garganta, cólicas, diarreia, náuseas, rigidez, inflamação ou dor nas articulações e ossos e, em alguns casos extremos, taquicardia, hemorragias intensas e choque).

É curioso — mais do que curioso, é relevante — observar que as alergias são um dos desequilíbrios de saúde que mais aumentaram desde o século XIX, estando associadas ao uso e abuso de pesticidas, à alimentação moderna, aos medicamentos, produtos químicos, aditivos, conservantes e à crescente exposição a campos eletromagnéticos (ar condicionado, telefones sem fios, telemóveis, computadores, fotocopiadoras, micro-ondas, cobertores elétricos, panelas e escovas elétricas), bem como ao sedentarismo.

A principal causa das alergias modernas é o enfraquecimento do sistema imunitário, que, ao perder força, se torna vulnerável e incapaz de se adaptar a um ambiente em constante mudança. O tratamento principal deveria, assim, orientar-se para o fortalecimento do sistema linfático e para a melhoria da qualidade do sangue.

Se utilizarmos a lógica e a analogia, podemos considerar que uma alergia não é mais do que uma tentativa desesperada do organismo para eliminar os excessos gerados por uma alimentação pouco saudável (quase sempre de caráter yin). Talvez seja na primavera, quando tudo floresce na natureza, que o corpo, no seu processo natural de desintoxicação, intensifica os sintomas.

Também não devemos esquecer a nossa natureza holística e a inter-relação entre corpo e mente, bem como as suas expressões inerentes (emoções e pensamentos).

O livro A Doença como Caminho, de Thorwald Dethlefsen e Rüdiger Dahlke, estabelece uma relação entre as alergias e pessoas com dificuldade em aceitar críticas, hipersensíveis ou pouco abertas a outros pontos de vista e formas diferentes de compreender a vida.

Partindo da premissa de que, para curar as alergias, seria necessário fortalecer primeiro o sistema imunitário, recomenda-se evitar o consumo de açúcares simples e refinados, lacticínios, solanáceas, produtos de origem tropical e a ingestão excessiva de água. Privilegiar o consumo diário de cereais integrais em grão, leguminosas, legumes, fruta da época, frutos secos, algas marinhas, cozinhar de forma tradicional e recuperar o hábito das sopas e dos cozidos.

Também deveríamos evitar a automedicação com anti-histamínicos, analgésicos, antibióticos e o uso crónico excessivo de corticoides e outros medicamentos, reservando-lhes o seu devido lugar. E adoptar práticas mais naturais para ajudar o organismo a utilizar a sua capacidade autorreguladora, como pequenos jejuns, exercício físico e a fricção corporal* (desenvolvida por Michio Kushi). A atividade física está envolvida na melhoria de praticamente todas as disfunções do organismo.

A medicina atual trata as alergias recorrendo a anti-histamínicos e evitando a ingestão ou exposição à substância considerada responsável pela reação alérgica. Esta medida, quando utilizada isoladamente, apenas contribui para enfraquecer ainda mais o paciente, tornando-o mais vulnerável e limitado.

Naturalmente, enquanto o organismo recupera força, deve evitar-se a exposição a situações que possam provocar um choque alérgico. Paralelamente, vamos introduzindo na dieta alimentos revitalizadores, que pouco a pouco alcalinizem a condição e a estabilizem.  

Se tivesse de destacar três ou quatro elementos particularmente acidificantes e enfraquecedores, capazes de desencadear alergias, apontaria para o açúcar branco ou mascavado, a frutose em pó, os lacticínios e todos os seus derivados e os frutos tropicais consumidos em latitudes não tropicais.

Vivemos na era da tecnologia e não podemos escapar a essa realidade. No entanto, podemos fazer um uso mais consciente dos equipamentos tecnológicos (computadores, telemóveis) e evitar os que consideramos desnecessários (micro-ondas, escovas elétricas, cobertores elétricos, fogões elétricos, entre outros).

Perante o desconhecimento sobre as alergias e a sua origem, não falta oportunismo tecnológico, acolhido pela ciência médica para justificar a sua ignorância. É o caso dos testes de intolerância alimentar, que por vezes apresentam resultados considerados alarmantes e incoerentes (como intolerância ao arroz integral ou aos cereais integrais, enquanto indicam tolerância ao açúcar ou a bebidas tipo cola). Estes testes, atualmente muito populares e dispendiosos, carecem de fiabilidade.

O tratamento principal das alergias deveria consistir numa alimentação sábia, tradicional, com ingredientes biológicos, locais e da época (sopa de miso com legumes doces, caldo de legumes doces, uma boa porção diária de legumes ligeiramente cozidos, utilizar roupa de algodão em contacto com a pele e a prática da fricção corporal *).

(*) Fricção corporal

Mergulhe uma pequena toalha de algodão em água quente ou coloque-a sob água corrente quente. Escorra-a até ficar húmida e quente.

Esfregue todo o corpo com movimentos circulares, começando pelos dedos dos pés e subindo progressivamente até às orelhas e ao rosto. Dê especial atenção aos dedos das mãos e dos pés, axilas, virilhas, pescoço e parte posterior dos joelhos. A pele deverá adquirir uma tonalidade rosada.

Esta prática deve ser realizada com o corpo seco, e não durante o banho, durante 10 a 15 minutos todos os dias, de manhã cedo ou antes de deitar.

A fricção corporal promove uma boa circulação sanguínea e linfática, contribuindo para o fortalecimento do sistema imunitário, para a abertura dos poros da pele e para a eliminação de toxinas. Além disso, estimula os meridianos energéticos utilizados no shiatsu e na acupunctura.


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