Thursday, July 30, 2026

 A DOENÇA VEM DA ALIMENTAÇÃO

Georges Ohsawa

A doença vem da alimentação, e a escolha da nossa alimentação depende da nossa compreensão.

Estou convencido de que um homem doente é um criminoso e que a doença constitui o seu castigo. As crianças pequenas, que ainda não podem julgar por si próprias, constituem uma exceção a esta regra. Nesses casos, o castigo recai sobre os pais: quando o filho adoece, são eles que sofrem. Na sua essência, quem adoece ou faz adoecer uma criança desconhece a Ordem do Universo.

Necessariamente, o nosso corpo pertence ao mundo relativo, material; mas o nosso espírito (ou capacidade de julgamento) é absolutamente livre. Todos possuímos um espírito capaz de ir a qualquer lugar, em qualquer momento, no mundo absoluto, infinito. Utilizando essa faculdade, podemos contemplar o passado e o futuro num único instante. Este mundo do espírito (da compreensão) é, na realidade, o mundo de Deus — o Infinito ou o Uno.

Como todos habitamos esse mundo absoluto do espírito, não podemos dizer que o desconhecemos. Além disso, todos possuímos um espírito; por isso, aquele que afirma: «Não conheço Deus», ou vive como se não O conhecesse, é o maior dos criminosos. Comparados com este, todos os outros crimes são insignificantes.

Quem não consegue viver no mundo infinito (o mundo do espírito ou da compreensão) jamais será verdadeiramente feliz, nem realizará algo de valor duradouro. Uma pessoa assim acaba inevitavelmente na doença e na tristeza.

Epicteto dizia:

«De todas as coisas que podemos conhecer, apenas uma deve ser considerada sob o ponto de vista do bem e do mal: conhecer ou reconhecer Deus, ou o Infinito, é o bem. Não O conhecer nem O reconhecer é o mal. Julgar todas as outras coisas como bem ou mal é, comparativamente, insignificante. Tal atitude revela apenas uma conceção errada do mundo.»

Sendo a compreensão e Deus uma só e a mesma realidade, podemos afirmar literalmente que é a compreensão que cura a doença. Quem não consegue entrar nesse mundo do espírito (da compreensão) não poderá curar-se nem ser feliz. (No Oriente, «espírito» significa o Absoluto, o Tao ou a Ordem.) À luz desta perspetiva, compreende-se que para Deus não seja difícil curar a doença e o sofrimento.

Na Macrobiótica dizemos que a doença provém da alimentação. Isto é verdadeiro. Contudo, a escolha da nossa alimentação depende da nossa compreensão. Se conhecermos Deus, ou a verdadeira compreensão, não poderemos escolher uma alimentação errada. Quem não consegue ver a Ordem do Universo em toda a parte não encontrará a alimentação correta e, por consequência, adoecerá.

Na Macrobiótica compreendemos que a doença psicológica, ou doença do espírito, é provocada pela alimentação. Consequentemente, também a cura depende da alimentação. Só assim poderemos avançar no caminho da cura física.

A doença física revela a existência de uma doença do espírito ou de uma forma errada de pensar. Quem imagina que a Macrobiótica é apenas um método destinado a curar doenças físicas jamais encontrará verdadeira ajuda, porque a Macrobiótica não é uma medicina destinada a eliminar a dor ou o sofrimento; é antes um ensinamento que procura curar o sofrimento na sua origem.

Quem verdadeiramente se cura uma vez nunca mais voltará a adoecer.

Por isso, a consulta macrobiótica só deveria ocorrer uma única vez na vida. Damos uma consulta ao doente apenas uma vez; aqueles que regressam uma segunda vez demonstram, por esse simples facto, que nunca procuraram a verdadeira causa da sua dificuldade.

Alguns pensam que a Macrobiótica é apenas um regime alimentar composto por gomasio (sementes de sésamo misturadas com sal marinho), cenouras e arroz integral. Outros resumem-na ao preceito: «Não comer bolos nem açúcar.»

Como estão longe da verdade!

A Macrobiótica é um processo de transformação interior, graças ao qual podemos não apenas comer aquilo de que gostamos sem receio de adoecer, mas também viver uma vida feliz, realizando tudo aquilo que livremente escolhemos.

O que significa ser macrobiótico?

Ser macrobiótico, numa palavra, significa conhecer o Infinito, viver no Infinito, agradecer ao Infinito e conservar sempre um sentimento de admiração e de profunda gratidão perante o Infinito.

Sem isso, nunca poderemos estar verdadeiramente saudáveis.

As nossas vidas esgotam-se na contemplação do sofrimento e da infelicidade.

Mesmo que alguém possuísse apenas saúde física, se não estivesse intimamente ligado ao Infinito nunca conheceria a verdadeira felicidade nem a verdadeira segurança.

Mas quem vive segundo a Macrobiótica adquire naturalmente a mentalidade que permite viver feliz e em paz para sempre.

Quem nunca esteve doente não está verdadeiramente seguro, porque a sua saúde é apenas uma herança recebida dos pais.

A verdadeira saúde é aquela que cada um construiu por si próprio a partir da doença.

Só quando criamos nós mesmos a nossa saúde compreendemos plenamente o valor extraordinário desse estado.

É por isso que tantas pessoas saudáveis desperdiçam a sua saúde: violam-na por ignorância, sem conhecerem o seu verdadeiro valor.

Quem conhece o valor da saúde transmite alegremente esse conhecimento aos outros.

Se goza de boa saúde mas não procura partilhar a sua alegria com os outros, então ainda não compreendeu quanto essa alegria vale realmente.

O objetivo da Macrobiótica consiste em proporcionar os meios para alcançar esse estado de alegria absoluta.

Quando esse estado de espírito é atingido, desaparecem todas as queixas, inseguranças, tristezas, medos, sofrimentos e arrogâncias.

O que permanece é alegria, amor, liberdade, fé.

Nesse estado existe apenas gratidão.

Agradecemos tudo e por tudo.

Quem alcança esse nível não consegue permanecer em silêncio sem irradiar gratidão, porque o mundo inteiro lhe parece repleto de alegria.

Mesmo quando adoece ou enfrenta enormes dificuldades, consegue transformar imediatamente o sofrimento em alegria.

Se alguém lhe atira uma pedra, essa pedra transforma-se numa flor.

Se a arma for uma espada, a espada transforma-se num espelho.

Se lhe oferecem veneno, o veneno torna-se medicamento.

Por outras palavras, a Macrobiótica ensina-nos a transformar este universo relativo, efémero, limitado, triste e estreito num céu infinito e cheio de alegria.

Se não tem intenção de compreender nem deseja entrar no Reino dos Céus, é preferível que não se torne macrobiótico.

Quem não deseja entrar nesse Reino (tal como aqueles que procuram apenas riqueza, fama ou posição social) sofre da mais grave de todas as doenças: o egoísmo.

Esse é o maior de todos os crimes e a raiz de toda a infelicidade.

Não existe infelicidade maior do que pensar:

— «Sou rico.»

ou

— «Tenho saúde.»

Porque tanto a riqueza como a saúde podem transformar-se, de um dia para o outro, em pobreza ou doença.

A Macrobiótica é tão necessária aos saudáveis como aos doentes.

Na verdade, são os saudáveis que deveriam ser curados primeiro.

Os doentes procuram naturalmente recuperar a saúde e, por isso, são mais fáceis de ajudar.

Já aqueles que desfrutam de boa saúde física contentam-se frequentemente com essa pequena vantagem e deixam de procurar algo mais profundo. Por isso, é mais difícil ajudá-los.

Quem está doente mas compreende o Infinito é mais feliz do que quem possui saúde física mas não consegue entrar no Reino dos Céus do Universo Infinito.

Por isso, sou grato à doença.

A medicina ocidental trata os sintomas da doença, não através da compreensão, mas recorrendo a meios artificiais, como as injeções.

Consequentemente, aqueles que são curados dessa forma perdem a oportunidade de entrar no Reino dos Céus.

Creio que, nesse aspeto, a medicina ocidental comete um grave erro.

O verdadeiro poder de cura encontra-se na nossa compreensão.

Mas o meio prático para desenvolver essa compreensão e curar a doença está na alimentação, cujas qualidades distinguimos através do nosso julgamento (ou compreensão).

Se não desenvolvermos o nosso julgamento, não conseguiremos reconhecer a alimentação correta.

O poder de cura reside na nossa compreensão.

A doença é-nos dada para que possamos descobrir essa compreensão.

Se ainda não a encontrámos, talvez o melhor seja permanecer doentes até conseguirmos alcançá-la.

Só assim poderemos conquistar a melhor saúde e a maior alegria.


Comentário

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Trata-se de um texto claramente inspirado na visão filosófica de George Ohsawa, escrito num estilo deliberadamente provocador, quase profético, muito característico dos seus primeiros escritos. Vou traduzi-lo procurando manter integralmente o pensamento do autor, sem o suavizar nem o adaptar às sensibilidades atuais. No comentário final distinguirei cuidadosamente aquilo que pertence à filosofia de Ohsawa daquilo que hoje pode ser visto de forma diferente.

Este é, provavelmente, um dos textos mais radicais de George Ohsawa. É também um dos mais frequentemente mal interpretados.

A primeira dificuldade reside na linguagem. Quando Ohsawa fala em "crime", "castigo", "Deus" ou "Reino dos Céus", não está normalmente a utilizar estes termos no sentido moral ou religioso tradicional. Está a recorrer a uma linguagem simbólica para expressar uma ideia central da filosofia oriental: quando vivemos em desacordo com a Ordem Natural (o Tao, a Ordem do Universo), sofremos inevitavelmente as consequências desse afastamento.

A segunda dificuldade é histórica. O texto foi escrito numa época em que Ohsawa procurava despertar consciências através de afirmações muito fortes. Hoje, expressões como «um homem doente é um criminoso» seriam facilmente entendidas como culpabilização da pessoa doente. No entanto, dentro do pensamento de Ohsawa, o alvo da crítica não é a pessoa, mas a ignorância (mumyō, no Budismo), entendida como a verdadeira origem do sofrimento.

Outro aspeto importante é que Ohsawa nunca reduziu a Macrobiótica à alimentação. Pelo contrário, neste texto afirma claramente que a alimentação depende da compreensão, e não o inverso. A dieta é apresentada como um instrumento para desenvolver um julgamento mais claro e uma consciência mais ampla. A cura física surge como consequência de uma transformação interior.

Também merece destaque a ideia de que a verdadeira saúde é conquistada, não simplesmente herdada. Esta visão aproxima-se de muitas tradições filosóficas e espirituais, segundo as quais a adversidade pode tornar-se uma oportunidade de crescimento e de maturação.

Há, contudo, afirmações que devem ser lidas com prudência à luz do conhecimento atual. A ideia de que a medicina ocidental «comete um grande crime» por tratar sintomas ou de que o doente deveria «permanecer doente até compreender» não corresponde à prática clínica contemporânea nem ao consenso científico. Hoje reconhece-se que muitas doenças resultam de uma interação complexa entre fatores genéticos, infeções, ambiente, alimentação, estilo de vida e acaso biológico. A compreensão e a atitude mental podem influenciar profundamente o processo de recuperação, mas não substituem, quando necessário, os cuidados médicos.

Ainda assim, permanece extraordinariamente atual a mensagem mais profunda do texto: a saúde não é apenas ausência de doença; é uma forma de viver em harmonia consigo próprio, com os outros e com a natureza. Para Ohsawa, a alimentação é apenas uma das portas de entrada para essa transformação, cujo verdadeiro objetivo é desenvolver um julgamento livre, uma consciência desperta e uma gratidão permanente perante a vida.

 


 

OS PERIGOS DA MACROBIÓTICA

Daniel Mayor – ESMACA (2018)

É natural que este título o surpreenda num blogue de uma escola macrobiótica: "Os perigos da Macrobiótica". Pois é, eles existem.

Deixe-me contar-lhe um pouco da história da Macrobiótica e, em seguida, responder a algumas das perguntas que mais frequentemente me colocam sobre os seus alegados perigos.

Há muitos, muitos anos, Georges Ohsawa tornou-se conhecido por divulgar uma filosofia a que deu o nome de Macrobiótica. O seu objetivo era encontrar uma forma de ajudar o ser humano a ser mais feliz e, simultaneamente, contribuir para o restabelecimento da paz no mundo — numa época marcada por numerosos conflitos bélicos.

Esta filosofia defendia que a forma como nos alimentamos desempenha um papel fundamental na nossa saúde e que, para alcançarmos uma vida mais feliz, é necessário recuperar o equilíbrio perdido através da doença.

Muitas pessoas começaram a seguir os seus ensinamentos e algumas delas verificaram, quase "milagrosamente", que muitas das suas doenças desapareciam ou melhoravam significativamente. Isso fez com que a Macrobiótica passasse a ser conhecida como "a dieta que cura doenças".

Com o passar do tempo, esta ideia foi-se consolidando e atingiu o seu auge durante a década de 1980, quando a Macrobiótica passou a ser popularmente identificada como "a dieta anticancro".

Naturalmente, muitas pessoas sentiram-se atraídas por esta promessa. Infelizmente, alguns dos que ensinavam Macrobiótica acabaram por a apresentar como uma verdadeira "dieta milagrosa".

É evidente que, tal como houve muitas pessoas que melhoraram a sua saúde, também houve outras que não obtiveram qualquer benefício ou até agravaram o seu estado de saúde. Tudo isto contribuiu para que a Macrobiótica adquirisse uma imagem simultaneamente milagrosa e perigosa.

Com este artigo gostaria de esclarecer algumas dúvidas sobre a Macrobiótica, segundo a perspetiva da ESMACA, para que fique claro que a nossa abordagem é plenamente saudável e, de modo algum, perigosa.

Em que consiste a alimentação macrobiótica? É nutricionalmente equilibrada?

A Macrobiótica promove o consumo de cereais integrais, legumes, verduras, sementes, frutos secos, algas e alimentos fermentados como base da alimentação, em proporções equilibradas do ponto de vista nutricional e que, segundo os ensinamentos orientais, favorecem a manutenção da saúde.

Em determinadas situações, pode igualmente ser recomendado o consumo de alimentos de origem animal como complemento da alimentação.

Na Macrobiótica não recomendamos o consumo excessivo de açúcar, álcool, leite, produtos lácteos nem alimentos ultraprocessados.

Cada pessoa é livre de escolher a quantidade e a frequência com que os consome, desde que se encontre em boas condições de saúde.

A alimentação é organizada de forma a fornecer todos os nutrientes necessários.

Se uma pessoa apresentar alguma deficiência nutricional que não possa ser corrigida através da alimentação, recomendamos sempre que consulte um médico ou nutricionista.

Para nós, a informação que transmitimos sobre Macrobiótica constitui um complemento a uma alimentação saudável e não contradiz, de forma alguma, os princípios científicos atualmente aceites relativamente à nutrição.

A Macrobiótica consiste apenas em comer arroz integral?

Grande parte da informação que se encontra sobre Macrobiótica e que afirma tratar-se de uma alimentação desequilibrada resulta de uma má interpretação.

Essa ideia nasceu porque algumas pessoas praticavam aquilo que se designava por Dieta Número 7, uma forma de alimentação semelhante a um jejum, realizada apenas durante poucos dias, sempre sob supervisão, e baseada exclusivamente no consumo de arroz integral.

Essa prática nunca foi pensada para ser seguida diariamente.

Na ESMACA, não recomendamos este tipo de dieta a nenhum dos nossos alunos.

A Macrobiótica é recomendável para crianças e mulheres grávidas?

Naturalmente.

É necessário ter em consideração que as suas necessidades nutricionais são diferentes, pelo que as proporções dos alimentos devem ser adaptadas a cada caso.

Mais uma vez, quando se afirma que a Macrobiótica não é adequada para estas pessoas, geralmente está a fazer-se referência à antiga Dieta Número 7 e não à alimentação macrobiótica equilibrada.

A Macrobiótica baseia-se em conceitos pouco científicos, como o Yin e Yang ou a energia dos alimentos?

Sim.

Se tiver uma mentalidade exclusivamente científica, estes conceitos poderão parecer-lhe estranhos.

No entanto, convém lembrar que, durante milhares de anos, tanto no Oriente como no Ocidente, as pessoas alimentavam-se sem conhecer os hidratos de carbono, as proteínas ou as gorduras.

É evidente que hoje sabemos muito mais graças ao conhecimento científico, o que representa um enorme progresso.

Contudo, consideramos que este conhecimento ancestral também não deve ser descartado, porque ajuda a compreender diversos fenómenos, como, por exemplo, os desejos alimentares ou o facto de determinados alimentos, aparentemente muito nutritivos, deixarem de nos fazer sentir bem.

Outras disciplinas, como a acupunctura, o shiatsu e diversas terapias complementares, assentam nestes mesmos princípios e têm ajudado muitas pessoas a melhorar a sua saúde e qualidade de vida.

A Macrobiótica é uma seita?

A Macrobiótica é uma filosofia baseada em conceitos orientais, existindo diferentes interpretações da mesma.

Se alguém utilizar a Macrobiótica para criar uma seita ou formar seguidores fanáticos, isso nada tem a ver com os seus verdadeiros ensinamentos.

Na realidade, a Macrobiótica promove a liberdade e o princípio do NON CREDO, isto é, a necessidade de experimentar continuamente, observar por si próprio e não aceitar dogmas impostos do exterior.

Assim, qualquer utilização sectária representa apenas um mau uso da filosofia, tal como poderia acontecer com a Bíblia ou com os ensinamentos de Buda.

A Macrobiótica pode provocar desidratação?

Na Macrobiótica recomenda-se beber água quando existe sede, preferencialmente fora das refeições, para permitir que os sucos digestivos desempenhem adequadamente a sua função.

A Macrobiótica pode provocar carências de vitamina B12, cálcio ou proteínas?

Se a pessoa já apresentar alguma deficiência, deve consultar um médico para identificar a sua origem.

Caso contrário, estes nutrientes encontram-se presentes nos alimentos anteriormente referidos, pelo que não existe motivo para que ocorram carências quando a alimentação é corretamente planeada.

O consumo de algas pode provocar problemas da tiroide ou intoxicação por arsénio?

Na Macrobiótica, as algas são consumidas em quantidades muito reduzidas e devidamente cozinhadas, pelo que o risco de intoxicação por arsénio é considerado inexistente.

Se uma pessoa tiver problemas de tiroide ou apresentar risco de os desenvolver, pode simplesmente evitar o consumo de algas caso verifique que estas lhe provocam algum problema.

A Macrobiótica é contra a Medicina e a Ciência?

A Macrobiótica não deve ser encarada como uma alternativa à medicina convencional.

Pelo contrário, deve ser vista como um complemento que pode contribuir para melhorar a saúde e a vitalidade, tendo em conta os resultados observados em muitos alunos.

Sempre que exista um problema de saúde, a primeira atitude deve ser consultar o médico.

A Medicina e a Ciência da Nutrição realizaram enormes progressos e continuam a evoluir, não existindo qualquer incompatibilidade entre esses conhecimentos e uma alimentação macrobiótica.

Afinal, a Macrobiótica é uma alimentação perigosa?

Pode sê-lo, se for interpretada e aplicada de forma incorreta, conduzindo a desequilíbrios nutricionais.

É precisamente por isso que existem escolas dedicadas ao seu ensino.

Circula muita informação na Internet que poderá não corresponder às necessidades específicas de cada pessoa.

Por esse motivo, antes de iniciar qualquer dieta apenas porque leu um livro ou encontrou testemunhos sobre os benefícios da Macrobiótica, aconselho-o a procurar o acompanhamento de um profissional experiente, sobretudo se tiver algum problema de saúde.

Se necessitar de mais informações, poderá contactar-nos através do correio eletrónico da ESMACA.

Se tiver outras dúvidas sobre este tema, deixe um comentário no blogue. Terei todo o gosto em responder.

Daniel Mayor

Comentário

(Inteligência Artificial)

Considero este um dos textos mais sensatos publicados por uma escola de Macrobiótica nos últimos anos. Daniel Mayor procura afastar-se tanto do entusiasmo excessivo como do alarmismo, defendendo uma visão da Macrobiótica como um sistema alimentar e uma filosofia de vida, e não como uma terapia milagrosa.

Merecem destaque vários aspetos positivos:

  • Recupera o verdadeiro objetivo de Georges Ohsawa, que nunca foi apenas ensinar uma dieta, mas promover uma filosofia de vida orientada para a liberdade, a felicidade e a paz.
  • Desmistifica a antiga Dieta n.º 7, frequentemente confundida com a alimentação macrobiótica quotidiana e responsável por muitas críticas feitas à Macrobiótica.
  • Afirma claramente que a Macrobiótica não substitui a Medicina nem o acompanhamento médico, posição hoje partilhada pela maioria das escolas macrobióticas sérias.
  • Reforça um dos princípios fundamentais de Ohsawa: o NON CREDO, ou seja, não acreditar cegamente em dogmas, mas experimentar, observar e tirar conclusões pela própria experiência.

Existem, contudo, alguns pontos que podem ser enriquecidos à luz do conhecimento atual.

Por exemplo, afirmar que uma alimentação macrobiótica equilibrada "não provoca carências de vitamina B12" é uma simplificação excessiva. Atualmente sabe-se que a vitamina B12 deve ser monitorizada em pessoas que seguem padrões alimentares predominantemente vegetais e, quando necessário, suplementada. Essa recomendação não contradiz a filosofia macrobiótica; pelo contrário, traduz a atitude de observação e adaptação defendida pelo próprio Ohsawa.

Também a questão das algas merece hoje uma abordagem mais prudente. Consumidas em pequenas quantidades e escolhidas com critério, continuam a ser alimentos muito interessantes. Contudo, algumas espécies podem apresentar teores elevados de iodo ou acumular metais pesados, razão pela qual importa conhecer a sua origem e variar o seu consumo.

Em síntese, este artigo representa aquilo que muitos praticantes defendem atualmente: uma Macrobiótica moderna, aberta ao diálogo com a ciência, respeitadora da liberdade individual e centrada na educação alimentar, e não no fanatismo ou em promessas de cura universal. É precisamente esta visão equilibrada que poderá contribuir para uma melhor compreensão pública da Macrobiótica, preservando o seu legado filosófico sem ignorar os conhecimentos científicos contemporâneos.

 

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