Saturday, September 12, 2026

 

COMO EFETUAR MUDANÇAS NA ALIMENTAÇÃO

COMECE POR:

  • Comer apenas quando tiver fome e beber apenas quando tiver sede.
  • Deliciar-se, mastigando cada garfada e desfrutando do sabor dos alimentos.
  • Eliminar o consumo de carnes vermelhas (porco, vaca, vitela, borrego, enchidos, etc.).
  • Reduzir o consumo de ovos.
  • Consumir peixe entre zero e três vezes por semana.
  • Reduzir ou eliminar o consumo de produtos lácteos e de gorduras saturadas.
  • Incluir, em cada refeição, uma salada verde e um prato de legumes.
  • Reduzir ou eliminar o consumo de produtos comerciais (congelados, enlatados, produtos de pastelaria, etc.) e de refeições preparadas.
  • Utilizar mais alimentos frescos e da época.
  • Cozinhar pelo menos uma vez por dia.
  • Substituir alguns ingredientes, nomeadamente:
    • O sal refinado por sal marinho.
    • As gorduras animais e saturadas por óleos vegetais não refinados e prensados a frio.
    • Os hidratos de carbono refinados (massa, pão e arroz) por cereais integrais, massa integral e pão integral.

SEGUNDO PASSO:

  • Eliminar o consumo de açúcar (açúcar branco ou de cana, adoçantes químicos, mel, frutose, chocolate, produtos de pastelaria, rebuçados, compotas com açúcar, etc.) e substituí-lo por adoçantes naturais.
  • Optar por fruta fresca ou seca em vez de bolos e doces.
  • Reduzir ou eliminar o consumo de álcool e de estimulantes (bebidas alcoólicas, refrigerantes artificiais, café, chá, ginseng, etc.).
  • Aumentar o consumo de bebidas naturais, como sumos de fruta e de legumes frescos, infusões, café de cereais, chás sem estimulantes, cerveja natural, água mineral, etc.
  • Aumentar o consumo de legumes e saladas (até representarem entre 30% e 40% do volume da refeição), utilizando variedades locais e, sempre que possível, provenientes de agricultura biológica.
  • Descobrir a variedade de proteínas vegetais (leguminosas, seitan, tofu e tempeh).

«Uma mudança progressiva e perseverante é a base de um estilo de vida sólido, saudável e duradouro.»

                                                Agnés Pérez

 

MEDICINA MONISTA E MEDICINA DUALISTA

Dr. Martín Macedo

A verdadeira cura não se obtém com um remédio mágico; vem do nosso interior. Vem da compreensão. Sem compreensão, não há cura. Para muitas pessoas, existe a crença de que, para cada doença, há um remédio. Seria demasiado fácil: toma-se o remédio e o problema acaba. A doença seria o mal, aquilo que é preciso destruir, e o remédio seria o bem — a boa medicina que faz desaparecer o sofrimento. Seria uma luta entre as forças do bem e as forças do mal.

Este é um raciocínio muito típico do Ocidente, que separa as coisas em positivas e negativas, boas e más. Esta forma de ver as coisas chama-se dualismo. O dualista vê bons e maus, amigos e inimigos, por todo o lado. Aprecia os amigos e luta pelo bem; por outro lado, combate os seus inimigos e luta contra o mal.

A medicina oriental é monista, baseada num princípio único. Este princípio unifica o dualismo e compreende que as duas faces da moeda são inseparáveis e que uma não pode existir sem a outra.

O médico ocidental é geralmente dualista: vê a saúde e a doença como duas situações irreconciliáveis. Protege a saúde e combate a doença — por exemplo, através da «guerra contra o cancro». Ou seja, declara-lhe guerra. E, para guerrear, são necessárias armas, chamadas fármacos. Com o passar das décadas e o progresso da tecnologia médica, criam-se medicamentos cada vez mais poderosos, com a intenção de derrotar tão formidável inimigo.

Os medicamentos naturais de origem ocidental caem, por vezes, no dualismo e procuram um remédio natural para vencer a doença. Muda o tipo de medicamento, mas permanece-se no dualismo. Teme-se a doença, tenta-se mantê-la o mais longe possível e não se quer ter nada a ver com ela. A única coisa que muda é a natureza do remédio: em vez de ter uma origem farmacêutica, tem uma origem natural, encontrando-se em extratos de plantas, flores, sumos de vegetais ou preparações minerais.

A medicina monista do Oriente, no entanto, compreende que a saúde e a doença são inseparáveis. Mais ainda: uma não pode existir sem a outra; uma sustenta e cria a outra. Tal como a noite profunda impulsiona o aparecimento de um novo dia, também a doença, ao chegar à sua fase mais crítica, faz emergir a saúde, porque é só então que o doente compreende, abre a sua mente e começa a mudar o seu comportamento indisciplinado, compulsivo e autodestrutivo.

A visão monista não teme a doença nem tenta afastá-la. Aprecia tanto uma como a outra, da mesma forma que qualquer pessoa aprecia tanto a palma como as costas das suas mãos, ou os dois lados de uma valiosa moeda de ouro.

A saúde e a doença são a cara e a coroa de uma mesma moeda chamada vida. Essa moeda está em movimento, gira: umas vezes manifesta-se a doença e outras vezes manifesta-se a saúde. O curandeiro oriental avançado compreende esta identidade e aceita ambas. Depois, a moeda gira e ele concentra-se no lado que deseja manifestar.

Se fosse dualista, tentaria afastar o lado negativo, atacando a doença com todas as suas forças. Se atacar a doença, atacará necessariamente o conjunto, pelo que a saúde — que está escondida no verso — também se ressentirá. Por isso, todo o ataque químico aos sintomas tem efeitos secundários sobre a saúde.

O sábio oriental aceita a situação, acalma a mente e interroga-se acerca das falhas que cometeu. Está determinado a realizar mudanças corretivas para criar uma nova realidade na qual se manifestem o equilíbrio, a saúde e a felicidade. Mas não festejará, à maneira ocidental, por ter vencido o inimigo. Sabe que, do outro lado da realidade chamada vida, se oculta a manifestação antagónica. Sabe que, se ficar desatento e perder o controlo, a moeda poderá girar.

Aceita ambas desapaixonadamente e manifesta aquilo que deseja manifestar. Tal é a liberdade do sábio: cria tudo o que deseja sem atacar nem diminuir ninguém, aumentando, pelo contrário, a vida de todos os seres.

 

 

VOCÊ É COMO COME

«Ninguém pode mastigar por nós:

nisso consiste toda a nossa liberdade.»
Michio Kushi

«O alimento pode ser tanto o céu como o inferno.»
Swami Muktananda

Comer é o nosso impulso mais básico, a maior expressão do nosso instinto de sobrevivência. Talvez por ser tão simples, o ato de comer seja completamente menosprezado enquanto um dos alicerces da nossa saúde. Sim, há outros alicerces; mas, se questiona a importância dos alimentos, experimente jejuar durante alguns dias ou observe a reação de uma criança com fome. Tal como acontece com todas as funções humanas básicas, comer pode manifestar-se tanto como um prazer descontrolado como enquanto experiência espiritual. A forma como comemos pode resultar simplesmente em indigestão e doença, mas também pode conduzir à cura e à transformação.

Em muitas tradições e culturas, comer é considerado um ato extremamente importante e até sagrado. Um amigo meu, do Líbano, garantiu-me que, naquelas terras, até um simples camponês tem o direito de não interromper uma refeição, mesmo que um rei entre em sua casa. A antiga lei judaica estabelecia que, se alguém tencionasse ingerir um pedaço de alimento maior do que um ovo, deveria primeiro sentar-se e dar graças ao Senhor. Comer com reverência constitui uma recomendação de várias práticas espirituais.

Hoje, porém, abandonamos negligentemente as nossas refeições para falar ao telefone ou atender alguém, tornando-nos vulneráveis aos milhões de influências caóticas da vida moderna. Enquanto comemos, agitamo-nos, falamos, lemos, vemos televisão… e depois tomamos um digestivo. De acordo com o Consumer Spending Report, os norte-americanos gastam, todos os anos, enormes quantias em digestivos.

Michael Rossoff, acupuntor e orientador macrobiótico, afirma no seu artigo intitulado Finding Peace of Mind in Troubled Times (Encontrar a Paz de Espírito em Tempos Conturbados): A experiência de comer — na qual aromas, cores, texturas e sabores se reúnem para satisfazer os nossos sentidos e o nosso estômago — deixou de fazer parte da vida de muitas pessoas. Se vê televisão, lê uma revista ou conduz um veículo enquanto come, inevitavelmente não consegue assimilar a refeição na sua totalidade. Não me surpreende que as pessoas comam em excesso e estejam sempre com fome.

Movemo-nos, em detrimento da nossa saúde, como ratos num labirinto. Se os alimentos são um dos pilares do nosso bem-estar, os hábitos causadores de stresse que acompanham as nossas refeições estão a levar o nosso organismo à ruína. A maioria de nós come em demasia, mas encontra-se subnutrida. Para muitas pessoas, os alimentos são vistos como entretenimento, e não como fonte de vida e de saúde. Palhaços sorridentes vendem caixas coloridas e brilhantes de produtos alimentares com elevados teores de açúcar e gordura. Personagens de desenhos animados, estrelas de cinema e atletas tentam convencer a população a consumir comida pouco saudável.

Entretanto, um número crescente de pessoas está a mudar os seus hábitos alimentares. Infelizmente, nem todas alcançam os resultados esperados — e não sabem porquê. Na maioria dos casos, o motivo reside no facto de se preocuparem apenas com o que comer, esquecendo-se — ou sem nunca terem aprendido — de como comer. A minha experiência diz-me que são muito poucas as pessoas que sabem extrair todos os poderes dos alimentos. Os efeitos da refeição mais saudável podem ser minimizados ou até anulados por um comportamento inadequado no momento de a saborear.

É necessário aprender a pôr a nossa energia em circulação, para que possamos receber do universo as forças benéficas, restauradoras e curativas, e expulsar ou afastar as que são prejudiciais, tóxicas e funestas. Se nada pode prejudicar-nos mais do que os alimentos, também é verdade que nada pode curar-nos mais do que eles. Comer é um ato tão simples que dificilmente o encaramos como uma ferramenta incomparável de transformação e de cura.

Cada pessoa escolhe o que deseja para a sua vida. Podemos obter o máximo benefício dos alimentos que escolhemos comer. A atitude respeitosa à mesa, a respiração, o relaxamento, a contemplação e os exercícios de orientação da energia proporcionar-nos-ão um melhor aproveitamento das virtudes transformadoras que os alimentos contêm. Deste modo, os nossos objetivos serão alcançados mais rapidamente.

Lino Stanchich

 

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