Saturday, September 12, 2026

 

MEDICINA MONISTA E MEDICINA DUALISTA

Dr. Martín Macedo

A verdadeira cura não se obtém com um remédio mágico; vem do nosso interior. Vem da compreensão. Sem compreensão, não há cura. Para muitas pessoas, existe a crença de que, para cada doença, há um remédio. Seria demasiado fácil: toma-se o remédio e o problema acaba. A doença seria o mal, aquilo que é preciso destruir, e o remédio seria o bem — a boa medicina que faz desaparecer o sofrimento. Seria uma luta entre as forças do bem e as forças do mal.

Este é um raciocínio muito típico do Ocidente, que separa as coisas em positivas e negativas, boas e más. Esta forma de ver as coisas chama-se dualismo. O dualista vê bons e maus, amigos e inimigos, por todo o lado. Aprecia os amigos e luta pelo bem; por outro lado, combate os seus inimigos e luta contra o mal.

A medicina oriental é monista, baseada num princípio único. Este princípio unifica o dualismo e compreende que as duas faces da moeda são inseparáveis e que uma não pode existir sem a outra.

O médico ocidental é geralmente dualista: vê a saúde e a doença como duas situações irreconciliáveis. Protege a saúde e combate a doença — por exemplo, através da «guerra contra o cancro». Ou seja, declara-lhe guerra. E, para guerrear, são necessárias armas, chamadas fármacos. Com o passar das décadas e o progresso da tecnologia médica, criam-se medicamentos cada vez mais poderosos, com a intenção de derrotar tão formidável inimigo.

Os medicamentos naturais de origem ocidental caem, por vezes, no dualismo e procuram um remédio natural para vencer a doença. Muda o tipo de medicamento, mas permanece-se no dualismo. Teme-se a doença, tenta-se mantê-la o mais longe possível e não se quer ter nada a ver com ela. A única coisa que muda é a natureza do remédio: em vez de ter uma origem farmacêutica, tem uma origem natural, encontrando-se em extratos de plantas, flores, sumos de vegetais ou preparações minerais.

A medicina monista do Oriente, no entanto, compreende que a saúde e a doença são inseparáveis. Mais ainda: uma não pode existir sem a outra; uma sustenta e cria a outra. Tal como a noite profunda impulsiona o aparecimento de um novo dia, também a doença, ao chegar à sua fase mais crítica, faz emergir a saúde, porque é só então que o doente compreende, abre a sua mente e começa a mudar o seu comportamento indisciplinado, compulsivo e autodestrutivo.

A visão monista não teme a doença nem tenta afastá-la. Aprecia tanto uma como a outra, da mesma forma que qualquer pessoa aprecia tanto a palma como as costas das suas mãos, ou os dois lados de uma valiosa moeda de ouro.

A saúde e a doença são a cara e a coroa de uma mesma moeda chamada vida. Essa moeda está em movimento, gira: umas vezes manifesta-se a doença e outras vezes manifesta-se a saúde. O curandeiro oriental avançado compreende esta identidade e aceita ambas. Depois, a moeda gira e ele concentra-se no lado que deseja manifestar.

Se fosse dualista, tentaria afastar o lado negativo, atacando a doença com todas as suas forças. Se atacar a doença, atacará necessariamente o conjunto, pelo que a saúde — que está escondida no verso — também se ressentirá. Por isso, todo o ataque químico aos sintomas tem efeitos secundários sobre a saúde.

O sábio oriental aceita a situação, acalma a mente e interroga-se acerca das falhas que cometeu. Está determinado a realizar mudanças corretivas para criar uma nova realidade na qual se manifestem o equilíbrio, a saúde e a felicidade. Mas não festejará, à maneira ocidental, por ter vencido o inimigo. Sabe que, do outro lado da realidade chamada vida, se oculta a manifestação antagónica. Sabe que, se ficar desatento e perder o controlo, a moeda poderá girar.

Aceita ambas desapaixonadamente e manifesta aquilo que deseja manifestar. Tal é a liberdade do sábio: cria tudo o que deseja sem atacar nem diminuir ninguém, aumentando, pelo contrário, a vida de todos os seres.

 

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