MEDICINA
MONISTA E MEDICINA DUALISTA
Dr. Martín Macedo
A verdadeira
cura não se obtém com um remédio mágico; vem do nosso interior. Vem da
compreensão. Sem compreensão, não há cura. Para muitas pessoas, existe a crença
de que, para cada doença, há um remédio. Seria demasiado fácil: toma-se o
remédio e o problema acaba. A doença seria o mal, aquilo que é preciso
destruir, e o remédio seria o bem — a boa medicina que faz desaparecer o
sofrimento. Seria uma luta entre as forças do bem e as forças do mal.
Este é um
raciocínio muito típico do Ocidente, que separa as coisas em positivas e
negativas, boas e más. Esta forma de ver as coisas chama-se dualismo. O
dualista vê bons e maus, amigos e inimigos, por todo o lado. Aprecia os amigos
e luta pelo bem; por outro lado, combate os seus inimigos e luta contra o mal.
A medicina
oriental é monista, baseada num princípio único. Este princípio unifica o
dualismo e compreende que as duas faces da moeda são inseparáveis e que uma não
pode existir sem a outra.
O médico
ocidental é geralmente dualista: vê a saúde e a doença como duas situações
irreconciliáveis. Protege a saúde e combate a doença — por exemplo, através da
«guerra contra o cancro». Ou seja, declara-lhe guerra. E, para guerrear, são
necessárias armas, chamadas fármacos. Com o passar das décadas e o progresso da
tecnologia médica, criam-se medicamentos cada vez mais poderosos, com a
intenção de derrotar tão formidável inimigo.
Os
medicamentos naturais de origem ocidental caem, por vezes, no dualismo e
procuram um remédio natural para vencer a doença. Muda o tipo de medicamento,
mas permanece-se no dualismo. Teme-se a doença, tenta-se mantê-la o mais longe
possível e não se quer ter nada a ver com ela. A única coisa que muda é a
natureza do remédio: em vez de ter uma origem farmacêutica, tem uma origem
natural, encontrando-se em extratos de plantas, flores, sumos de vegetais ou
preparações minerais.
A medicina
monista do Oriente, no entanto, compreende que a saúde e a doença são
inseparáveis. Mais ainda: uma não pode existir sem a outra; uma sustenta e cria
a outra. Tal como a noite profunda impulsiona o aparecimento de um novo dia,
também a doença, ao chegar à sua fase mais crítica, faz emergir a saúde, porque
é só então que o doente compreende, abre a sua mente e começa a mudar o seu
comportamento indisciplinado, compulsivo e autodestrutivo.
A visão
monista não teme a doença nem tenta afastá-la. Aprecia tanto uma como a outra,
da mesma forma que qualquer pessoa aprecia tanto a palma como as costas das
suas mãos, ou os dois lados de uma valiosa moeda de ouro.
A saúde e a
doença são a cara e a coroa de uma mesma moeda chamada vida. Essa moeda está em
movimento, gira: umas vezes manifesta-se a doença e outras vezes manifesta-se a
saúde. O curandeiro oriental avançado compreende esta identidade e aceita
ambas. Depois, a moeda gira e ele concentra-se no lado que deseja manifestar.
Se fosse
dualista, tentaria afastar o lado negativo, atacando a doença com todas as suas
forças. Se atacar a doença, atacará necessariamente o conjunto, pelo que a
saúde — que está escondida no verso — também se ressentirá. Por isso, todo o
ataque químico aos sintomas tem efeitos secundários sobre a saúde.
O sábio
oriental aceita a situação, acalma a mente e interroga-se acerca das falhas que
cometeu. Está determinado a realizar mudanças corretivas para criar uma nova
realidade na qual se manifestem o equilíbrio, a saúde e a felicidade. Mas não
festejará, à maneira ocidental, por ter vencido o inimigo. Sabe que, do outro
lado da realidade chamada vida, se oculta a manifestação antagónica. Sabe que,
se ficar desatento e perder o controlo, a moeda poderá girar.
Aceita ambas
desapaixonadamente e manifesta aquilo que deseja manifestar. Tal é a liberdade
do sábio: cria tudo o que deseja sem atacar nem diminuir ninguém, aumentando,
pelo contrário, a vida de todos os seres.
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