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O poder
físico acaba depressa
· Martín
Macedo
Vemos as
grandes referências do futebol retirarem-se aos 35 ou 37 anos, com grande
emoção, mas também com uma enorme tristeza por não poderem continuar mais 10 ou
15 anos, oferecendo-nos a sua magia.
Apesar de ser
tão efémero, muitos apegam-se a este tipo de poder e tentam perpetuá-lo com
grandes esforços e sacrifícios, porque não conhecem outro, uma vez que ninguém
lhes fez compreender que existem níveis superiores de energia.
A maior parte
das pessoas apega-se ao poder físico e, por essa razão, a especialidade médica
mais rentável é a cirurgia plástica.
Na Coreia do
Sul, uma em cada três mulheres submete-se a uma operação para se manter bela,
uma vez que quase tudo o que é importante depende dessa aparência, incluindo
encontrar um parceiro.
Quem não
possui atratividade física está estrategicamente perdido na mentalidade
coreana.
A beleza
feminina é outra forma de poder físico.
Também acaba
depressa.
Com a sua
beleza física, as mulheres manipularam o sexo masculino e puseram-no de joelhos
durante séculos.
Mas, ao
chegarem aos 39 ou 40 anos, tudo acaba.
E chega o
desespero pela juventude perdida… ginásio, vitaminas, dietas, cirurgia
plástica.
Mas tudo é
inútil.
No entanto,
todos tentam, com a esperança de que resulte com eles, porque há algumas
pessoas que o conseguem.
Conseguem
prolongar a sua força, a sua beleza e a sua energia para além dos 60 anos, ou
até mais.
São uma
minoria: os mais sábios, os mais inteligentes.
Aqueles que se
agarram ao poder físico têm uma felicidade que dura pouco.
Porque, para
eles, a felicidade está ligada ao corpo e aos seus encantos.
Não vale a
pena.
Na realidade,
existe outro tipo de poder que nunca acaba.
Não depende do
corpo, nem da sua força, nem da sua beleza.
Porque este
cria aquele.
O poder
espiritual é ilimitado e aumenta com a idade, se for desenvolvido.
O poder
espiritual penetra tudo e expressa-se no corpo físico.
O poder
espiritual é o nosso tesouro, porque está ligado ao infinito.
É o próprio
infinito.
Um poder
infinito, uma fonte infinita, uma beleza infinita.
Porquê
agarrarmo-nos aos ossos, à carne, aos ligamentos, como os estudantes de
Anatomia que vão aos cemitérios procurar ossos para estudar na faculdade de
Medicina?
Se
desenvolvermos o poder invisível, espiritual, poderemos imaginar qualquer corpo
e criá-lo, porque tudo o que se vê surgiu primeiro no nível que não vemos.
Tudo nasce na
imaginação e depois se expressa no mundo.
Mas
agarramo-nos à forma e esquecemos a origem.
Agarramo-nos
ao fruto e esquecemo-nos da árvore, que continuará a produzir milhares de
frutos.
Choramos pelo
fruto perdido ou roubado, como crianças que perderam o seu brinquedo porque
outra criança lho tirou.
O corpo é
belo.
Celebremos o
corpo, celebremos a sua beleza, celebremos a sua saúde vigorosa.
Mas sem
deixarmos de compreender que não existe corpo sem alma.
E que é a alma
que o torna belo, forte, saudável e poderoso.
Sem alma, o
corpo é apenas matéria biológica que rapidamente se decompõe, porque as
bactérias não demoram a fazer o seu trabalho.
Apostemos
todos os nossos esforços no desenvolvimento espiritual, no desenvolvimento da
mente e no desenvolvimento da energia.
E o corpo
acompanhará esse processo, porque é simplesmente o último elo da cadeia.
Mas, como é o
único elo visível, a maioria das pessoas vê-o como algo isolado e teme que
alguma coisa aconteça ao corpo, que este adoeça ou morra.
Existem outros
elos, e são muito mais importantes.
Porque o corpo
é apenas um reflexo da mente, das crenças da mente, das convicções da mente e
das ideias da mente.
O poder mental
cria o poder físico.
Aqueles que
apostam a sua vida no poder visível, sem o relacionarem com o poder mental ou
espiritual, vivem com a angustiante sensação de que aquilo que é bom acaba
depressa.
E desesperam.
E o seu
desespero encurta ainda mais a breve existência do corpo físico.
Enquanto a
compreensão da natureza espiritual prolonga a vida do corpo, embeleza-o,
melhora a sua saúde e torna-o capaz de proezas inimagináveis.
As mentes
estreitas não penetram na natureza espiritual.
Nem sequer o
tentam, porque, para elas, existe um portão intransponível.
Mas, se nos
nutrirmos de cereais e de outros alimentos que tornam o corpo físico mais
subtil, veremos tudo com muito mais clareza e poderemos criar muitas formas de
grande beleza e de grande poder.
Ohsawa
chamava-lhes os óculos mágicos.
Os óculos do
yin e do yang, que permitiam ver a formação de todos os fenómenos do Universo:
aqueles que se veem e também aqueles que não se veem.
Por essa
razão, aqueles que rejeitam os cereais, sejam quais forem os motivos, vivem num
inferno sem porta de entrada nem porta de saída.
Não conseguem
ver a saída nem conseguem ver a entrada.
Porque
demonizaram os cereais, e estes são a única chave para escapar do inferno.
MM, 9/7/23