Sunday, August 23, 2026

 

ALIMENTAÇÃO, NUTRIÇÃO, ENERGIA E COMO APROVEITAR AS CIRCUNSTÂNCIAS QUE A VIDA NOS TRAZ SEGUNDO A VISÃO DO PRINCÍPIO ÚNICO

Agnès Pérez

Há mais de 2000 anos, Hipócrates escreveu: «Cada uma das substâncias da dieta de uma pessoa atua sobre o seu organismo, modificando-o de algum modo, e é dessas mudanças que depende toda a sua vida, quer esteja saudável, doente ou convalescente.»

Destas palavras deduz-se facilmente que não nos afetará da mesma forma comer uma taça de arroz integral ou beber um copo de vinho. Ambas as substâncias terão um efeito físico e bioquímico no nosso organismo e também um efeito energético diferente, variando estes efeitos consoante a pessoa que ingere a substância na mesma quantidade.

O alimento físico é uma necessidade básica. Sem ele, o nosso organismo começaria a depurar-se de tal forma que, ao fim de alguns meses sem comer, poderíamos mesmo ver-nos privados/as da maravilhosa vida. E, de facto, comer é um tema que temos sempre presente, talvez por instinto de sobrevivência. Existem também outros tipos de alimento, como o oxigénio e a energia. Podemos contar com seres vivos que se nutrem apenas de energia, prana ou ki, embora, subtilmente, todas as pessoas, juntamente com a alimentação diária, também nos nutramos de energia vital ou cósmica, do nosso ambiente social e familiar, dos nossos próprios pensamentos conscientes e inconscientes, dos pensamentos dos outros…

As projeções mentais ou crenças têm uma grande influência no nosso bem-estar, pois, por muito limpa e ecológica que seja a nossa alimentação ou por muito que sigamos a dieta macrobiótica padrão, se alimentarmos pensamentos ou crenças limitantes, se uma pessoa não se responsabilizar pelas situações difíceis que vive, reconhecendo-se como causadora dessas situações, ficará estagnada no arquétipo da vítima ou nos seus limites autoimpostos. No entanto, quando se observa aquilo que a vida nos reserva e se adota uma postura responsável perante a própria vida e os próprios atos, observando os conflitos que vão surgindo e comprometendo-nos com a vontade de autossuperação, alimenta-se uma espiral de movimento em direção à atração de circunstâncias cada vez mais favoráveis.

O ambiente e o lugar onde trabalhamos, bem como o nosso círculo de amizades, também influenciam o nosso nível de energia, a saúde e a nossa maneira de ser. Muitas vezes vêm à consulta pessoas que há algum tempo «comem bem», mas que não chegam a sentir-se bem devido a influências energéticas externas. Somos influenciados pelo estado energético daqueles que vivem connosco (pais, filhos…), pelo nosso parceiro ou parceira, sobretudo se dormimos diariamente com ele ou ela. Se essa pessoa não cuida de si ou tem problemas e se não soubermos estabelecer limites saudáveis, o estado debilitado ou insalubre do parceiro pode arrastar-nos energeticamente. Lido com muitas pessoas que estão a viver estas circunstâncias sem terem consciência disso. O lugar onde vivemos também influencia. O impacto que a energia de uma grande cidade tem sobre nós é muito diferente do impacto da energia de uma aldeia no campo.

Por isso, deveríamos refletir sobre aquilo que nos convém e escolher os alimentos que compõem o nosso «menu» físico ou energético e, ao escolhê-los verdadeiramente, abrimos as portas a todo um processo de tomada e aumento de consciência.

A respiração consciente, a alimentação consciente e os padrões de pensamento e de comportamento conscientes e inconscientes são os alimentos que constituem os pilares da nossa evolução: física, mental, emocional e espiritual. Consoante a forma como os selecionamos, com base nas nossas necessidades, ou perpetuamos o seu consumo, podem fazer-nos evoluir ou conduzir-nos a uma degradação mais rápida.

Os nossos alimentos e o ar que respiramos constroem-nos, chegam às nossas células e ao nosso sangue, potenciam a nossa saúde individual e a do nosso meio mais próximo, afetam a constituição dos nossos tecidos, órgãos e sistemas corporais. Quando estamos a criar uma maior consciência e uma melhoria pessoal, estamos também a contribuir para uma maior consciência e melhoria planetária e universal.

Não é a mesma coisa alimentar-se e nutrir-se.

·       A alimentação é o processo através do qual retiramos substâncias do meio externo e as incorporamos como substâncias próprias, para assim podermos satisfazer as necessidades energéticas e materiais do nosso organismo.

·       A nutrição compreende o conjunto de processos através dos quais diversas substâncias químicas contidas nos alimentos são incorporadas nos tecidos do nosso organismo.

Podemos dizer que a nutrição começa onde termina a alimentação, embora vá muito para além do alimento físico. As pessoas não são apenas um corpo físico. Isto tem vindo a ser demonstrado por todas as medicinas milenares, que descrevem tanto sistemas orgânicos como sistemas energéticos (ou diferentes corpos-envoltórios, ou koshas, como na medicina ayurvédica) e, atualmente, em resultado do aumento da sensibilidade decorrente da mudança da consciência coletiva, são cada vez mais numerosas as pessoas que percecionam as vibrações subtis, seja através do sentido da visão (veem a aura ou campo etérico, que também pode ser observado com a ajuda de uma câmara Kirlian), captam as vibrações mentais (telepatia) ou são capazes de sentir, com maior ou menor intensidade, a energia vibracional de outras pessoas, de casas, de lugares naturais, etc. Daqui se depreende claramente que a energia subtil coexiste com níveis mais tangíveis ou físicos.

A nutrição consiste no maior aproveitamento dos nutrientes. Assim, os nutrientes que o arroz branco nos fornece são diferentes dos que nos fornece o arroz integral. E também a energia é diferente. Uma prova de que o arroz integral é um alimento vivo é o facto de germinar quando é plantado, enquanto isso não acontece quando se planta um grão de arroz branco.

Do mesmo modo, um grão de arroz branco tem uma energia vibracional muito mais baixa do que um grão de arroz integral, porque foi seccionado, partido e refinado. Portanto, o efeito de um ou de outro tipo de arroz sobre o nosso campo etérico é diferente. Cuidado com os cereais integrais de procedência duvidosa ou pré-cozinhados e embalados a vácuo, que carecem desta elevada energia vibracional, pois passam dias embalados e em frigoríficos. Estes alimentos pré-cozinhados não nos proporcionam vitalidade e é fácil que as pessoas que os consomem se sintam cansadas e com pouco ânimo perante a vida.

Se queres aumentar a tua luz, come alimentos com luz própria! Põe luz no teu prato!

Mas porque é que uma mesma substância, na mesma quantidade, afeta cada pessoa de maneira diferente? A resposta é evidente: porque cada pessoa tem uma constituição e uma condição diferentes. Assim como certas pessoas toleram bem uma quantidade moderada de álcool, noutras, beber a mesma quantidade de álcool provoca perturbações da personalidade (ou problemas mentais).

Estudar o Princípio Único, que se refere à interação das duas energias opostas e complementares yin/yang, ajuda a compreender claramente como nos afeta ou nos pode influenciar a ingestão de determinados alimentos, os diferentes estilos de confeção e também as suas combinações.

Se conseguirmos observar todas as manifestações do Universo em termos de yin e yang, além de sabermos o que podemos comer e como podemos cozinhar para contribuir para um maior equilíbrio pessoal ou da nossa família, também seremos melhores psicólogos, uma vez que a compreensão do Princípio Único ajuda a discernir por que razão atraímos (ou repelimos) determinadas circunstâncias (por exemplo: porque é que atraímos um acidente ou uma doença? Em que energia estávamos a vibrar quando os atraímos?), ou porque nos sentimos atraídas por determinadas pessoas? (relação de compatibilidade e complementaridade, ou yin atrai yang [e vice-versa] / grande yin atrai pequeno yin / grande yang atrai pequeno yang), ou porque ocorrem choques de caráter entre duas pessoas (yin repele yin / yang repele yang / grande yin repele grande yang), ou porque, de repente, deixamos de sentir atração pelo nosso parceiro ou parceira (estivemos demasiado tempo juntos e já não existe polaridade energética? Mudámos a nossa vibração pessoal e isso afastou-nos?).

George Ohsawa afirmava que a compreensão do Princípio Único nos pode aproximar do Juízo Supremo e da Liberdade Infinita, uma vez que, através da sua perspetiva energética, deixamos de interpretar os fenómenos e as circunstâncias da vida a partir do ego e podemos colocar-nos como observadores desses fenómenos, a partir de uma consciência mais elevada, sem julgamentos e com equanimidade.

Para chegar a esta compreensão, os primeiros passos devem centrar-se na mudança da qualidade dos nossos alimentos, cozinhando-os de forma a melhorar a nossa condição; em mudanças no estilo de vida, afastando dele tudo aquilo que nos estagna ou impede a nossa evolução; no estudo de diferentes fontes filosóficas e científicas, sem esquecer o estudo de si mesmo; e na entrega da nossa vontade dual a uma vontade superior, com a qual iremos fluir em direção à realização dos nossos objetivos de vida e que talvez um dia nos proporcione essa Liberdade Infinita, Kaivalya em sânscrito, cujo significado é «unidade» ou consciência absoluta e libertação do karma ou das reações das ações.

© Artigo escrito por Agnès Pérez.

 

 

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