DIGESTÃO SAUDÁVEL
(1) A Mastigação
Por: Isabel Moreno (Macrosano)
Quando ouve falar da importância de mastigar bem
os alimentos, provavelmente vêm-lhe à memória as mensagens da infância, quando
a sua mãe lhe dizia para mastigar bem e comer devagar. Bem... desde que não
estivesse atrasado para ir para a escola!
É também muito provável que já tenha ouvido inúmeras vezes o seu consultor
de macrobiótica, nutricionista ou professor de cozinha dizer que é fundamental
mastigar bem.
Talvez até lhe tenham recomendado mastigar cada garfada 30, 50 ou mesmo 100
vezes.
E certamente conhece a célebre frase de Gandhi:
«Bebe os teus
alimentos e come as tuas bebidas.»
Ou seja: mastigue! Mastigue os alimentos até que fiquem praticamente
líquidos e possam ser "bebidos", e ensalive as bebidas como se fossem
alimentos sólidos.
Uma boa mastigação é, de facto, uma das chaves para uma boa saúde.
O processo digestivo começa precisamente na boca. E a mastigação é, muito
provavelmente, a etapa mais importante para uma digestão saudável.
Graças a uma mastigação correta:
- Produz-se saliva, uma substância de
natureza alcalina indispensável para um bom processo digestivo. Quanto
mais mastigamos, mais saliva produzimos; e quanto maior for a produção de
saliva, melhor será a digestão e a absorção dos nutrientes.
- Uma boa salivação protege a saúde da boca. Quando existe pouca saliva, aumenta a probabilidade de surgirem
cáries e infeções orais. Ensalivar bem os alimentos ajuda, por isso, a
preservar a saúde dos dentes.
- A mastigação estimula o sistema nervoso
parassimpático, responsável pelo funcionamento da digestão
e pelo relaxamento do organismo. É este sistema que desencadeia a secreção
dos sucos gástricos necessários a uma digestão eficiente. Além disso,
favorece um estado de tranquilidade. Certamente já reparou que comer pode
ser um momento relaxante; esta é uma das razões.
- Os movimentos da boca estimulam os
meridianos energéticos dos órgãos digestivos. Ao mastigar e movimentar a mandíbula superior, estimula-se o
meridiano do estômago. Ao movimentar a mandíbula inferior, estimula-se o
meridiano dos intestinos, preparando-os para todo o processo digestivo.
- Ao misturarmos bem os alimentos com a
saliva, ajustamos o seu teor de humidade. Alimentos secos, como pão torrado, bolachas de arroz ou de milho e
frutos secos, necessitam de uma mastigação mais prolongada para serem
devidamente hidratados. Se mastigarmos corretamente, produziremos saliva
suficiente para humedecer estes alimentos. Caso contrário, é frequente
surgir desconforto e uma necessidade imediata de beber água após a
refeição.
- Mastigar bem também pode ajudar a regular o
peso corporal. Diversos estudos demonstram que mastigar
cerca de 40 vezes cada garfada pode reduzir a quantidade de
alimentos ingeridos em aproximadamente 12%. Este efeito parece
dever-se à ação da mastigação sobre determinadas hormonas relacionadas com
o apetite. Por um lado, diminui a produção de grelina (ghrelin), a
hormona responsável por estimular a fome; por outro, aumenta a produção da
hormona CCK (colecistoquinina), que promove a sensação de saciedade
e reduz a vontade de continuar a comer.
Consideração final
(Por: Inteligência
Artificial)
Este é um daqueles textos simples que transmitem um dos princípios mais
importantes da alimentação macrobiótica: a digestão não começa no estômago,
começa na boca.
Curiosamente, esta ideia é hoje apoiada por áreas tão diversas como a
fisiologia digestiva, a neurociência e a endocrinologia. A mastigação
influencia a produção de saliva, a ativação do nervo vago, a libertação de
enzimas digestivas, a secreção hormonal relacionada com a saciedade e até o
estado emocional durante a refeição.
É também um dos ensinamentos mais antigos de George Ohsawa e Michio Kushi,
que insistiam em que uma boa mastigação podia valer mais do que muitas
restrições alimentares, porque permite ao organismo utilizar plenamente
aquilo que come.
Na prática,
talvez não seja necessário contar obsessivamente 50 ou 100 mastigações por cada
garfada. O mais importante é desenvolver o hábito de comer devagar, mastigar
até que o alimento esteja completamente desfeito e saborear verdadeiramente
cada refeição. Muitas vezes, este simples gesto produz benefícios
surpreendentes na digestão, na energia e até no equilíbrio emocional.
DIGESTÃO
SAUDÁVEL
(2) Chaves para
uma Boa Digestão
Por: Isabel Moreno (Macrosano)
A digestão é um processo complexo através do qual
transformamos os alimentos que ingerimos em substâncias que podem ser
aproveitadas pelas nossas células. Para que este processo decorra corretamente
e nos sintamos bem, é importante ter em conta um conjunto de hábitos simples e
fáceis de integrar no dia a dia.
Num artigo anterior falámos da importância de uma mastigação adequada para
garantir uma boa digestão. Hoje apresentamos alguns conselhos práticos que
farão com que praticamente nem se aperceba do enorme trabalho realizado pelo
seu sistema digestivo!
Pare por um momento e relaxe
O relaxamento é o primeiro passo para uma boa digestão.
O processo digestivo é controlado pelo sistema nervoso parassimpático,
que dá às glândulas a ordem para segregarem os sucos digestivos. Este sistema
regula também os movimentos dos órgãos e das vísceras envolvidos na digestão.
Quando estamos nervosos, ansiosos ou excessivamente ativos, entra em ação o
sistema nervoso simpático, que dificulta a secreção dos sucos
digestivos, tornando a digestão menos eficiente.
Parar durante alguns segundos antes de começar a refeição e agradecer pelos
alimentos que vamos comer — ou a quem os preparou — é uma forma simples de
favorecer o relaxamento e criar um estado de paz interior.
Comece com uma sopa ou um creme
de legumes
Consumir um caldo ou uma sopa como primeiro prato ajuda a colocar o sistema
digestivo em funcionamento, estimulando a secreção dos sucos gástricos
necessários para uma digestão eficaz dos alimentos sólidos que serão ingeridos
de seguida.
Ao almoço, dê preferência a sopas ligeiramente salgadas, como a sopa de
miso ou uma sopa de legumes.
Ao jantar, são mais indicados os cremes de legumes, naturalmente
mais doces, que favorecem o relaxamento do organismo.
O que não deve faltar
Alimentos fermentados
A inclusão de alimentos fermentados nas refeições facilita a digestão, uma
vez que fornecem enzimas que ajudam na digestão e na assimilação dos
nutrientes, contribuindo igualmente para manter o intestino saudável.
Pode incluir nas refeições:
- uma colher de sopa de chucrute;
- dois ou três pequenos pedaços de legumes fermentados, como couve-flor
ou cenoura.
Outra excelente opção consiste em iniciar a refeição mastigando lentamente meia
ameixa umeboshi. Este hábito estimula a produção de saliva e favorece a
secreção dos sucos gástricos.
Experimente! Vale realmente a pena.
Chá digestivo e alcalinizante
A maioria dos alimentos que consumimos tende a ter um efeito acidificante
no organismo.
Terminar a refeição com um chá de natureza alcalinizante é uma excelente
opção.
O chá Bancha ou o chá Kukicha são particularmente indicados
após as refeições.
Se sofre de problemas digestivos, a bebida Ume-Sho-Kuzu poderá
proporcionar um grande alívio e melhorar significativamente a digestão.
O que devemos evitar
Fruta durante as refeições
Não é aconselhável consumir fruta juntamente com a refeição principal.
A fruta é digerida muito mais rapidamente do que os restantes alimentos e,
quando ingerida em conjunto com eles, pode favorecer processos de fermentação,
dificultando a digestão.
O ideal é consumi-la entre as refeições ou algum tempo antes de comer.
Beber durante a refeição
O consumo excessivo de líquidos durante as refeições dilui os sucos
gástricos, dificultando o processo digestivo.
Sempre que possível, é preferível beber antes de iniciar a refeição.
Caso necessite de beber enquanto come, procure evitar bebidas muito frias,
uma vez que estas podem prejudicar o funcionamento do sistema digestivo.
Se lhe for possível...
Após a refeição é benéfico fazer um breve período de repouso.
Permanecer sentado durante cerca de 15 minutos favorece o processo
digestivo, permitindo que o organismo direcione a sua energia para o sistema
que mais dela necessita nesse momento.
Se, além disso, conseguir manter a zona do abdómen inferior aquecida —
colocando as mãos sobre essa região ou utilizando uma pequena manta — tanto
melhor.
O processo digestivo necessita de calor para funcionar de forma eficiente.
Depois deste curto período de repouso, é aconselhável movimentar-se
suavemente.
Um pequeno
passeio ou alguns minutos de dança tranquila ajudam a melhorar a assimilação e
a distribuição dos nutrientes pelo organismo.
Consideração final
(Por: Inteligência
Artificial)
Este segundo artigo complementa muito bem o anterior sobre a mastigação e
resume vários princípios que são comuns à Macrobiótica Tradicional, à Medicina
Tradicional Chinesa e, cada vez mais, à própria fisiologia digestiva
moderna.
Curiosamente, muitas destas recomendações encontram hoje suporte
científico: comer num ambiente calmo ativa o sistema nervoso parassimpático ("rest
and digest"), iniciar a refeição com alimentos quentes favorece a
resposta digestiva, os alimentos fermentados podem contribuir para a saúde da
microbiota intestinal e um breve passeio após as refeições ajuda a regular a
glicemia e melhora o metabolismo.
Como em quase todas as recomendações da Macrobiótica, o mais importante não
é seguir cada regra de forma rígida, mas compreender o seu propósito. Comer
devagar, em serenidade, privilegiar alimentos simples, bem cozinhados e
mastigados, evitar excessos de líquidos durante a refeição e respeitar o ritmo
natural da digestão são hábitos acessíveis à maioria das pessoas e que,
praticados diariamente, podem produzir benefícios muito superiores aos de
muitas intervenções mais complexas.