Wednesday, July 29, 2026

 

COMO ABSORVER MELHOR O CÁLCIO

Álvaro Vargas

O cálcio é um dos minerais mais importantes para a nossa saúde. Não é por acaso que necessitamos de uma maior quantidade deste mineral do que de qualquer outro. Entre as suas principais funções encontram-se a formação e a manutenção da densidade dos ossos, bem como dos dentes, função que desempenha em conjunto com o fósforo.

O cálcio também é indispensável para o bom funcionamento do coração, tarefa que partilha com o magnésio, para a contração harmoniosa dos músculos e para a libertação de diversas hormonas e enzimas fundamentais ao funcionamento do organismo.

Para que exista uma boa absorção do cálcio é importante que o alimento apresente uma relação equilibrada entre cálcio e fósforo. Idealmente, a quantidade de cálcio deverá ser cerca do dobro da de fósforo. O leite de origem animal e os produtos lácteos, em geral, apresentam níveis relativamente elevados de fósforo, o que pode dificultar uma correta absorção do cálcio.

Os alimentos com uma das melhores relações cálcio-fósforo são os vegetais da família das crucíferas, como os brócolos, a couve-flor, o repolho, a couve-galega, a couve-lombarda e as couves-de-Bruxelas. Por esse motivo, é aconselhável incluir diariamente uma porção destes alimentos na alimentação.

Manter níveis adequados de vitamina D é outro fator essencial para uma boa assimilação do cálcio. Na Europa, estima-se que até cerca de 40% da população apresente défice desta vitamina e, em alguns países, é obrigatória a fortificação de determinados alimentos, sobretudo os destinados às crianças.

Como obter vitamina D? De forma muito simples: expondo diariamente a pele ao sol durante cerca de 10 a 15 minutos, deixando que a luz solar atinja o rosto e os braços, seja num parque, na varanda de casa ou na praia, quando possível. Se viver numa região com poucas horas de luz solar, poderá ser aconselhável recorrer a um suplemento, depois de confirmar os níveis de vitamina D através de uma análise sanguínea.

É igualmente importante consumir alimentos ricos em magnésio, como os vegetais de folha verde, frutos oleaginosos, cacau puro e leguminosas. O magnésio atua em estreita colaboração com o cálcio, contribuindo para a saúde cardiovascular e para o normal funcionamento dos músculos e do sistema nervoso.

O açúcar branco refinado é um dos maiores inimigos da boa utilização do cálcio pelo organismo. Também devem ser evitadas as bebidas gaseificadas, sobretudo os refrigerantes, não só pelo seu elevado teor de açúcar, mas também pela presença de fosfatos. Da mesma forma, enchidos, batatas fritas industriais, molhos à base de natas e alguns queijos processados podem diminuir a absorção do cálcio devido ao seu elevado conteúdo em fosfatos.

As refeições excessivamente salgadas aumentam a perda de cálcio pela urina. O consumo exagerado de proteínas poderá igualmente favorecer essa perda.


Comentário

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

O artigo apresenta uma boa síntese de vários fatores que influenciam o metabolismo do cálcio, mas algumas afirmações merecem ser enquadradas.

Pontos fortes

  • Salienta corretamente que o cálcio não trabalha isoladamente, dependendo da vitamina D, do magnésio e de um adequado equilíbrio alimentar.
  • Dá destaque às crucíferas, excelentes fontes vegetais de cálcio de elevada biodisponibilidade.
  • Chama a atenção para os efeitos negativos do excesso de sal, dos refrigerantes e dos alimentos ultraprocessados, aspetos bem documentados.

Aspetos que convém relativizar

1. "O cálcio dos lacticínios é mal absorvido."

A afirmação é demasiado categórica.

Os lacticínios possuem muito fósforo, mas também apresentam uma boa biodisponibilidade de cálcio (cerca de 30%). O fósforo, por si só, não impede necessariamente a absorção do cálcio quando a alimentação é equilibrada.

O problema surge sobretudo quando existe uma alimentação rica em alimentos ultraprocessados e fosfatos adicionados.

2. A vitamina D não depende apenas do sol.

Os 10–15 minutos referidos são apenas uma orientação geral.

A produção de vitamina D depende de muitos fatores:

  • latitude;
  • estação do ano;
  • idade;
  • pigmentação da pele;
  • quantidade de pele exposta;
  • utilização de protetor solar;
  • hora do dia.

Em muitos idosos, a síntese cutânea encontra-se diminuída, sendo por vezes necessário recorrer à suplementação após avaliação médica.

3. O açúcar não "impede" diretamente a absorção do cálcio.

É mais rigoroso afirmar que uma alimentação rica em açúcares refinados:

  • favorece processos inflamatórios;
  • aumenta a ingestão de alimentos pobres em minerais;
  • está frequentemente associada a outros hábitos alimentares desfavoráveis.

O efeito é mais indireto do que propriamente um bloqueio da absorção intestinal.

4. Excesso de proteínas

Hoje sabe-se que:

  • um consumo adequado de proteínas ajuda igualmente à saúde óssea;
  • o problema está sobretudo no excesso, particularmente quando associado a uma ingestão insuficiente de vegetais e de minerais alcalinizantes.

Perspetiva macrobiótica

Este artigo está bastante próximo da visão da macrobiótica moderna.

Destacaria ainda alguns aspetos que autores como Michio Kushi, Francisco Varatojo, René Lévy, Isabel Moreno (Macrosano) ou Patrícia Restrepo costumam sublinhar:

  • privilegiar o cálcio proveniente de alimentos integrais e não de suplementos, salvo necessidade clínica;
  • consumir regularmente vegetais verdes, algas (com moderação), sementes de sésamo e tahini;
  • reduzir o consumo de açúcar refinado e de alimentos ultraprocessados;
  • manter uma flora intestinal saudável, pois uma boa digestão favorece também uma melhor assimilação dos minerais;
  • praticar atividade física regular, especialmente exercícios com carga moderada (caminhada, subir escadas, exercícios de resistência), fundamentais para fixar o cálcio nos ossos.

Um aspeto interessante é que a macrobiótica tradicional sempre valorizou alimentos como a couve, o sésamo, o gomásio, as algas e as leguminosas, muito antes de a ciência moderna estudar detalhadamente a sua riqueza mineral e a sua elevada biodisponibilidade.

Consideração final

É um bom artigo de divulgação, acessível e globalmente correto, que incentiva uma visão mais abrangente da saúde óssea. O seu maior mérito é recordar que não basta ingerir cálcio: é indispensável criar as condições para que ele seja efetivamente absorvido, utilizado e fixado no organismo.

Se tivesse de acrescentar uma única ideia, seria esta: a saúde dos ossos depende menos da quantidade de cálcio ingerida e mais do equilíbrio entre alimentação, vitamina D, magnésio, atividade física, saúde intestinal e estilo de vida. É precisamente essa visão integrada que a investigação científica atual e a macrobiótica mais séria tendem, cada vez mais, a partilhar.

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