Sunday, September 13, 2026

 

FORTALECENDO AS NOSSAS DEFESAS

Martín Macedo

A nossa capacidade de sobrevivência depende fundamentalmente da nossa capacidade imunitária.

Com a chegada do outono e dos primeiros frios, fica em evidência a fragilidade imunológica de muitas pessoas, já que surgem muitos quadros infeciosos, fundamentalmente da esfera respiratória.

Esta debilidade é maior nos idosos com mais de 60 anos, o que motivou a recomendação de vacinação contra a gripe para as pessoas deste grupo etário, assim como para outros grupos de «risco».

Quando aparece uma infeção, a medicina convencional opta por controlá-la com a ajuda de antibióticos. Os antibióticos são maravilhosos e têm salvado muitas vidas, mas o seu defeito é que não fortalecem a capacidade imunológica do doente; pelo contrário, debilitam-na. Este efeito produz-se por duas razões: a primeira é que afetam diretamente a capacidade da medula óssea de produzir glóbulos brancos suficientes, necessários para uma resposta imunitária eficaz. A segunda razão é que impedem o sistema imunitário de ter a oportunidade de cuidar de si próprio e vencer a infeção. Se, cada vez que o nosso sistema imunitário está em dificuldade, o ajudarmos destruindo o inimigo, ele perde a oportunidade de se «exercitar» e fortalecer.

Insisto na necessidade de consultar o médico em caso de infeção, mas não partilho a opção de administrar antibióticos perante a mínima ameaça. O nosso sistema defensivo necessita de ser estimulado constantemente para desenvolver progressivamente a sua capacidade.

O nosso objetivo é produzir sistemas imunitários fortes, para que não tenhamos de depender sempre de ajuda química externa. Se essa ajuda for vital, então deverá ser administrada. Mas devemos atuar segundo um critério preventivo, fortalecendo diariamente a nossa potência defensiva para que, quando chegar a ameaça real, a resposta do organismo seja demolidora e controle rapidamente o invasor.

A macrobiótica não pretende difundir uma dieta exótica, mas ensinar ao paciente a forma de produzir um organismo poderoso e cheio de força. Dessa forma, viver-se-á livre de doenças, sem medo e por muito tempo, desfrutando de uma vida cheia de alegria e realizações. As potencialidades do ser humano são absolutamente fantásticas. Mas muitas pessoas padecem de uma fragilidade alarmante. Muitas arruinaram, sem saber, a sua maravilhosa força vital e a sua saúde por seguirem um estilo de vida ditado pela publicidade e pelo consumismo.

Não nos devemos esquecer de que somos descendentes de campeões da sobrevivência. Os nossos antepassados sobreviveram, no passado, a duas guerras mundiais, cataclismos naturais, epidemias, períodos de grandes fomes generalizadas e outros tipos de catástrofes. Descendemos diretamente deles. Somos incrivelmente fortes. Deveríamos sentir orgulho da nossa linhagem. No entanto, sucumbimos a minúsculos micróbios. Não suportamos o stress e, a partir dos 55 anos, somos afetados por doenças crónicas que nos impedem de desfrutar da vida.

A macrobiótica é uma prática simples que pretende devolver ao ser humano a sua fantástica potência e permitir-lhe desfrutar de uma nova superforça que lhe possibilite manifestar as suas enormes capacidades. Mas, para o fazer, é necessário recorrer a um recurso ancestral que, lamentavelmente, tem sido descurado: os alimentos. Consumimos alimentos sem vida, produzidos por uma indústria que pensa apenas em estimular o nosso superconsumo através da publicidade.

Os animais selvagens desfrutam de uma capacidade vital e imunológica quase mágica. Eles, sim, sabem o que devem escolher como alimento e fazem-no com precisão, seguindo fielmente o seu instinto.

Se o ser humano descobrisse instintivamente os alimentos corretos, alcançaria automaticamente o estado vital que lhe permitiria desfrutar de uma grande saúde e resistência, muito maior do que a dos macacos ou dos leões das savanas africanas. Em 300 anos, as modas alimentares humanas mudaram tremendamente. Pensemos por um momento: o que comia Artigas (político e militar uruguaio, herói nacional — NDT) em 1800? Seguramente, uma alimentação muito mais simples e rural do que a atual. A robustez do nosso herói é inquestionável. Era um homem que vivia perto da natureza e dela recebia diretamente a força infinita que o impulsionou para os grandes feitos de que todos nos orgulhamos.

Os alimentos são cristalizações diretas da força viva que move todo o mundo natural e o universo. Apenas teremos de utilizar essa potência viva e deixar que nos encha de energia. Ao abandonar os alimentos tradicionais, o ser humano começou a cansar-se facilmente e a precisar da ajuda de diferentes «remédios» para poder funcionar. Não resiste ao frio nem ao trabalho duro. Não dorme bem de noite e deprime-se com relativa facilidade. A impotência é algo corrente. A obesidade, a hipertensão, a diabetes e as doenças cardíacas estão na moda. Estamos debilitados.

A verdadeira medicina deve ser educativa — deve educar o doente para que este consiga, por si próprio, desenvolver a sua enorme capacidade vital e imunológica. E isso é a macrobiótica — a via que leva o ser humano ao encontro da ilimitada força vital que faz mover o universo.

Uma vez estabelecida essa conexão, a doença é completamente desalojada, sem violência... Não nos esqueçamos de que somos descendentes de campeões...

 


 

O QUE É A MACROBIÓTICA?

Agnès Pérez

A palavra «macrobiótica» refere-se a um modo de vida que não se baseia apenas numa determinada alimentação ou na distinção entre alimentos bons e maus, pois não existe o bom nem o mau. Cada alimento possui uma determinada energia e determinados nutrientes e, conhecendo-os, podemos utilizá-los a nosso favor e em benefício da humanidade, evitando aqueles que nos prejudicam.

A compreensão do que nos convém ou não, ao nível da alimentação, nasce do estudo, mas, sobretudo, da observação e da experiência. Tanto uma coisa como a outra exigem tempo e o seu próprio processo.

As mudanças que experimentamos após poucos meses de uma alimentação macrobiótica rigorosa são drásticas. Contudo, mesmo seguindo uma alimentação ortodoxa, o organismo demora aproximadamente sete anos a mudar por completo, no caso das mulheres, e oito anos, no caso dos homens. Durante este período de mudanças físicas, mentais e energéticas, ocorrem reajustamentos e descargas, nos quais os remédios caseiros poderão ser úteis.

O alimento físico é uma necessidade básica e, de facto, é um tema que está sempre presente na nossa mente. Existem também outros tipos de alimento, como, por exemplo, o oxigénio e a energia, também chamada Ki ou Prana. De forma subtil, todas as pessoas, juntamente com a alimentação diária, também se nutrem de energia — vital ou cósmica, proveniente do ambiente social e familiar, dos nossos próprios pensamentos conscientes e inconscientes, dos outros, etc.

Este conjunto de elementos constitui a nossa condição, isto é, a forma como estamos e nos sentimos neste momento. A sua observação é fundamental para aplicar a macrobiótica, uma vez que cada substância que absorvemos provoca alterações fisiológicas e energéticas no nosso organismo.

O alimento é importante, pois é aquilo que nos constrói física e mentalmente. Além disso, os remédios naturais devem ser utilizados no contexto de uma alimentação saudável.

No entanto, também devem ser considerados outros aspetos inseparáveis da macrobiótica:

  1. Ecologia: contribuir, com tudo o que estiver ao nosso alcance, para a preservação do ambiente; consumir alimentos locais, da época e sem pesticidas; adotar um estilo de vida sustentável e praticar o vivere parvo — viver de forma simples.
  2. Economia de vida: viver em harmonia com a natureza, seguindo os princípios do Universo: nada de supérfluo, consumir alimentos integrais e evitar produtos processados e industrializados.
  3. Estudar e aplicar o princípio do yin-yang e as Cinco Transformações: tanto na vida quotidiana como na cozinha.
  4. Responsabilidade: segundo Annemarie Colbin, devemos assumir a «responsabilidade pela nossa própria vida e saúde, que estão sempre em mudança, pelo que devemos estar dispostos a adaptar-nos».

«Não existem regras absolutas que possam ser seguidas eternamente.» — Herman Aihara

  1. Consciência: auto-observação mental e corporal; autoconhecimento; prática de técnicas que os promovam, como, por exemplo, o ioga e/ou o exercício ao ar livre; aprendizagem do diagnóstico oriental; mudança de padrões educativos limitadores e de crenças conscientes e inconscientes, tanto individuais como coletivas.
  2. Gratidão: para com a vida, para com os nossos mestres e professores e por podermos escolher o nosso modo de vida.
  3. Tolerância: «Não há nada de intolerável neste mundo; tudo é tolerável. Um homem livre aceita tudo: tanto o mau tempo como o bom, a dificuldade como a facilidade, a morte como a vida. Tudo com alegria. Na natureza não há protestos nem objeções. Tudo está perfeitamente equilibrado. Se encontrardes algo intolerável neste mundo, é porque vós próprios sois intolerantes e exclusivistas; e, se não conseguirdes eliminar aquilo que vos parece intolerável, é porque viveis num inferno.» Georges Ohsawa, Macrobiótica Zen

Veja este vídeo para obter mais informações: https://youtu.be/CeERhVnSquo

 

 

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