FORTALECENDO
AS NOSSAS DEFESAS
Martín Macedo
A nossa
capacidade de sobrevivência depende fundamentalmente da nossa capacidade
imunitária.
Com a chegada
do outono e dos primeiros frios, fica em evidência a fragilidade imunológica de
muitas pessoas, já que surgem muitos quadros infeciosos, fundamentalmente da
esfera respiratória.
Esta
debilidade é maior nos idosos com mais de 60 anos, o que motivou a recomendação
de vacinação contra a gripe para as pessoas deste grupo etário, assim como para
outros grupos de «risco».
Quando aparece
uma infeção, a medicina convencional opta por controlá-la com a ajuda de
antibióticos. Os antibióticos são maravilhosos e têm salvado muitas vidas, mas
o seu defeito é que não fortalecem a capacidade imunológica do doente; pelo
contrário, debilitam-na. Este efeito produz-se por duas razões: a primeira é
que afetam diretamente a capacidade da medula óssea de produzir glóbulos
brancos suficientes, necessários para uma resposta imunitária eficaz. A segunda
razão é que impedem o sistema imunitário de ter a oportunidade de cuidar de si
próprio e vencer a infeção. Se, cada vez que o nosso sistema imunitário está em
dificuldade, o ajudarmos destruindo o inimigo, ele perde a oportunidade de se
«exercitar» e fortalecer.
Insisto na
necessidade de consultar o médico em caso de infeção, mas não partilho a opção
de administrar antibióticos perante a mínima ameaça. O nosso sistema defensivo
necessita de ser estimulado constantemente para desenvolver progressivamente a
sua capacidade.
O nosso
objetivo é produzir sistemas imunitários fortes, para que não tenhamos de
depender sempre de ajuda química externa. Se essa ajuda for vital, então deverá
ser administrada. Mas devemos atuar segundo um critério preventivo,
fortalecendo diariamente a nossa potência defensiva para que, quando chegar a
ameaça real, a resposta do organismo seja demolidora e controle rapidamente o
invasor.
A macrobiótica
não pretende difundir uma dieta exótica, mas ensinar ao paciente a forma de
produzir um organismo poderoso e cheio de força. Dessa forma, viver-se-á livre
de doenças, sem medo e por muito tempo, desfrutando de uma vida cheia de
alegria e realizações. As potencialidades do ser humano são absolutamente
fantásticas. Mas muitas pessoas padecem de uma fragilidade alarmante. Muitas
arruinaram, sem saber, a sua maravilhosa força vital e a sua saúde por seguirem
um estilo de vida ditado pela publicidade e pelo consumismo.
Não nos
devemos esquecer de que somos descendentes de campeões da sobrevivência. Os
nossos antepassados sobreviveram, no passado, a duas guerras mundiais,
cataclismos naturais, epidemias, períodos de grandes fomes generalizadas e
outros tipos de catástrofes. Descendemos diretamente deles. Somos incrivelmente
fortes. Deveríamos sentir orgulho da nossa linhagem. No entanto, sucumbimos a
minúsculos micróbios. Não suportamos o stress e, a partir dos 55 anos, somos
afetados por doenças crónicas que nos impedem de desfrutar da vida.
A macrobiótica
é uma prática simples que pretende devolver ao ser humano a sua fantástica
potência e permitir-lhe desfrutar de uma nova superforça que lhe possibilite
manifestar as suas enormes capacidades. Mas, para o fazer, é necessário
recorrer a um recurso ancestral que, lamentavelmente, tem sido descurado: os
alimentos. Consumimos alimentos sem vida, produzidos por uma indústria que
pensa apenas em estimular o nosso superconsumo através da publicidade.
Os animais
selvagens desfrutam de uma capacidade vital e imunológica quase mágica. Eles,
sim, sabem o que devem escolher como alimento e fazem-no com precisão, seguindo
fielmente o seu instinto.
Se o ser
humano descobrisse instintivamente os alimentos corretos, alcançaria
automaticamente o estado vital que lhe permitiria desfrutar de uma grande saúde
e resistência, muito maior do que a dos macacos ou dos leões das savanas
africanas. Em 300 anos, as modas alimentares humanas mudaram tremendamente.
Pensemos por um momento: o que comia Artigas (político e militar uruguaio,
herói nacional — NDT) em 1800? Seguramente, uma alimentação muito mais simples
e rural do que a atual. A robustez do nosso herói é inquestionável. Era um
homem que vivia perto da natureza e dela recebia diretamente a força infinita
que o impulsionou para os grandes feitos de que todos nos orgulhamos.
Os alimentos
são cristalizações diretas da força viva que move todo o mundo natural e o
universo. Apenas teremos de utilizar essa potência viva e deixar que nos encha
de energia. Ao abandonar os alimentos tradicionais, o ser humano começou a
cansar-se facilmente e a precisar da ajuda de diferentes «remédios» para poder
funcionar. Não resiste ao frio nem ao trabalho duro. Não dorme bem de noite e
deprime-se com relativa facilidade. A impotência é algo corrente. A obesidade,
a hipertensão, a diabetes e as doenças cardíacas estão na moda. Estamos
debilitados.
A verdadeira
medicina deve ser educativa — deve educar o doente para que este consiga, por
si próprio, desenvolver a sua enorme capacidade vital e imunológica. E isso é a
macrobiótica — a via que leva o ser humano ao encontro da ilimitada força vital
que faz mover o universo.
Uma vez
estabelecida essa conexão, a doença é completamente desalojada, sem
violência... Não nos esqueçamos de que somos descendentes de campeões...
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