Monday, July 20, 2026

 

A SANTA TRÍADE DA LONGEVIDADE JAPONESA

Rui Rato

Se queres elevar a tua energia, digestão e clareza mental a outro nível, prepara-te!  Estes três pilares não são apenas uma "dieta" — são uma FILOSOFIA DE VIDA INTEGRAL !

1. SHO-SHOKU (少食) — A ARTE DE NUTRIR SEM OPRIMIR

COMER DEMAIS = ROUBAR A TUA PRÓPRIA ENERGIA VITAL

O CONCEITO PROFUNDO

No Ocidente, a obsessão é: "Quantas calorias entram?"  No Sho-shoku, a pergunta-chave é: "QUANTA ENERGIA O TEU CORPO GASTA SÓ PARA DIGERIR?"

A digestão de refeições pesadas consome até 60% da tua energia diária! Quando praticas o Sho-shoku, estás a libertar uma quantidade brutal de energia metabólica para o teu cérebro , sistema imunitário  e reparação celular .

O MECANISMO BIOLÓGICO & ESPIRITUAL

 AUTOFAGIA ATIVADA: Ao comeres menos (e respeitares o Hara Hachi Bu — ficar 80% satisfeito), as tuas células limpam o "lixo" acumulado!

• PRESERVAÇÃO DO KI (ENERGIA VITAL): Estômago pesado = mente pesada . Estômago leve = espírito desperto !

 FIM DA INFLAMAÇÃO SUBCLÍNICA: Menos excesso metabólico significa menos stresse oxidativo no teu sangue .

2.  SO-SHYAKU (咀嚼) — A TRANSMUTAÇÃO PELA SALIVA

CADA GARFADA É UMA MEDITAÇÃO. A TUA BOCA É O TEU PRIMEIRÍSSIMO ESTÔMAGO!

O CONCEITO PROFUNDO

O So-shyaku exige mastigar cada garfada DE 30 A 100 VEZES !! Parece exagero? Não é! É a transformação química do alimento sólido em líquido puro antes de engolir!

O MECANISMO BIOLÓGICO & ESPIRITUAL

• BANHO ENZIMÁTICO: A saliva não serve só para molhar! Ela é rica em amilase (ptialina) e lipase lingual. Quando mastigas profundamente, o teu estômago quase não tem trabalho a decompor hidratos de carbono e gorduras!

 SINALIZAÇÃO DA HORMONA DA SACIEDADE: O teu cérebro demora ~20 minutos a libertar a leptina. Mastigar devagar é o "truque supremo" para nunca comeres em excesso sem passar fome!

• ALQUIMIA ENERGÉTICA: Na visão oriental, mastigar absorve o Prana/Ki do alimento diretamente pelos recetores da boca .

3. SHIZEN-SHOKU (自然食) — A CONEXÃO SAGRADA COM A TERRA

"SHINDO FUJI" (身土不二): O TEU CORPO E A TERRA SÃO A MESMA COISA!

O CONCEITO PROFUNDO

Não adianta mastigar muito nem comer pouco se estás a colocar LIXO QUÍMICO para dentro!  O Shizen-shoku prega a ingestão de alimentos no seu estado puro, vivo, sazonal e local!

O MECANISMO BIOLÓGICO & ESPIRITUAL

• ALIMENTOS INTEGRAIS (HOLISTIC FOODS): Comer a maçã com casca, o arroz integral completo, as raízes inteiras! A natureza criou o alimento com o equilíbrio perfeito de fibras, vitaminas e minerais .

• SAZONALIDADE PERFEITA: Alimentos de Verão arrefecem o corp; alimentos de Inverno aquecem a tua fogueira interna !

• MICROBIOMA EM FESTA: Sem pesticidas, conservantes ou ultraprocessados, a tua flora intestinal flora como um jardim celestial  microbiano!

 A ENGRENAGEM PERFEITA DA VIDA

HIZEN-SHOKU (Comida Inteira/Rica em Fibras)

A BOCA COMO O "PRIMEIRO ESTÔMAGO" NA MEDICINA ORIENTAL

 A VERDADEIRA DIGESTÃO NÃO COMEÇA NO ESTÔMAGO — COMEÇA NA BOCA!

Na Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e na filosofia alimentar japonesa, a boca não é vista apenas como uma "porta de entrada" para a comida. Ela é literalmente o PRIMEIRO ESTÔMAGO (e, sob vários aspetos energéticos, o mais importante de todos)!

A BOCA NO SISTEMA DOS CINCO ELEMENTOS (MTC)

Na MTC, a boca e os lábios são a abertura externa do Elemento Terra , associado ao par de órgãos Baço-Pâncreas e Estômago:

BOCA: O "ESPELHO" DO PÂNCREAS E ESTÔMAGO

• Lábios e paladar: a saúde, a cor e a humidade dos teus lábios refletem diretamente o estado da tua energia digestiva (Pi Qi).

• A saliva como Líquido Precioso (Jin Ye): na visão oriental, a saliva não é apenas água com enzimas; é um fluido vital alquímico impregnado com a tua energia ancestral.

O QUE ACONTECE NO "PRIMEIRO ESTÔMAGO"? (A PROFUNDIDADE DO PROCESSO)

Quando compreendes a boca como o primeiro estômago, percebes que engolir comida sem mastigar é o equivalente a atirar pedras para dentro de um liquidificador desligado !

1. A ALQUIMIA ENZIMÁTICA (O PRÉ-COZINHADO QUÍMICO)

• O estômago não tem dentes!  O seu trabalho é essencialmente ácido e mecânico (mistura).

• A degradação dos hidratos de carbono complexos (como o arroz integral do Shizen-shoku) começa exclusivamente na boca através da ptialina (amilase salivar).

• Se engolires à pressa, esses hidratos de carbono chegam ao estômago sem estarem devidamente quebrados, gerando fermentação, gases e estagnação de Ki .

2. A PRESERVAÇÃO DO FOGO DIGESTIVO (Fogo do Triplo Aquecedor)

• Para a medicina oriental, o estômago precisa de calor para "cozinhar" os alimentos .

• Quando mastigas prolongadamente (So-shyaku), o alimento é aquecido até atingir a temperatura exata do corpo antes de descer.

• Ao engolires comida mal mastigada ou fria, atiras "água gelada" para cima do teu Fogo Digestivo — forçando o corpo a gastar a sua preciosa energia renal (Jing) só para aquecer o estômago!

3. A EXTRAÇÃO DO PRANA/KI SUTIL

• Os alimentos contêm dois tipos de nutrição:

1.      Nutrição Física: proteínas, gorduras, hidratos de carbono, minerais.

2.      Nutrição Energética (Ki ou Prana): a força vital do alimento.

• Os recetores gustativos na língua e no céu da boca são antenas de absorção! Quando mastigas até o alimento se tornar líquido, extrais a energia sutil do alimento diretamente para os meridianos do corpo, antes sequer de ocorrer a absorção intestinal !

·       EM RESUMO: Comes comida real (Shizen-shoku), transformá-la em líquido na boca (So-shyaku) e, como consequência natural, precisas de muito menos quantidade para ficar transbordando de energia (Sho-shoku ) !


 

À DESCOBERTA DOS LEGUMES

Drª Helena Corrales

Embora os legumes e as frutas sejam sempre alimentos de acompanhamento, não é de mais conhecer alguns aspetos desconhecidos da maioria das pessoas, tais como o seu efeito desintegrador e a sua influência no nosso equilíbrio, tanto físico como mental.

Os legumes são definidos como todas as partes da planta que consumimos, exceto as que contêm as sementes: referimo-nos às raízes, aos caules, às folhas, etc.

No entanto, o termo «legume» não é utilizado na botânica, tal como o termo «hortaliça». Neste sentido, «hortaliça» inclui qualquer planta cultivada numa horta de regadio, com exceção das árvores de fruto e dos cereais. A hortaliça é a planta completa, enquanto o legume se refere apenas a uma parte da planta.

De acordo com a parte da hortaliça que consumimos, podemos classificar os legumes em vários grupos:

·       Legumes de raiz: cenouras, nabos, rábanos, pastinacas, gengibre, raiz de lótus, kuzu, etc.

·       Legumes redondos: couve, couve-flor, couves-de-bruxelas, brócolos, abóbora Hokkaido, etc.

·       Legumes de talo: cebolas, aipo, alho-francês, espargos, etc.

·       Legumes de folha: chicória, couve-chinesa, acelga, espinafres, borragem, alface, etc.

·       Legumes de flor: alcachofras.

·       Legumes de fruto: tomates, pepinos, pimentos, beringelas, etc.

A sabedoria popular afirma que os legumes de raiz fortalecem e ajudam a manter os pés assentes na terra. Do mesmo modo, os legumes redondos centram, ao contribuírem para a regulação dos níveis de glicose no sangue, enquanto os legumes de folha relaxam ou soltam. Este comportamento é facilmente observável tanto no plano físico como no comportamental.

Todos distinguem o efeito da cenoura e do tomate no trânsito intestinal. A primeira tem um efeito adstringente, pelo que ajuda a travar a diarreia, enquanto o segundo produz o efeito oposto, graças ao seu forte efeito laxante. Por outro lado, o efeito das especiarias na dispersão mental é facilmente observável. Muitas especiarias são frutos da planta, como os pimentos e as malaguetas, entre outros.

Os tubérculos e os cogumelos merecem uma menção à parte, pois deveriam ser alimentos de consumo ocasional devido ao grande desequilíbrio na relação sódio-potássio.

Os tubérculos são caules engrossados da planta que armazenam substâncias de reserva sob a forma de amido. Os mais conhecidos são os inhames, as chufas (tigernuts), a batata-doce e as batatas comuns.

Os cogumelos são a parte reprodutora dos fungos. Ao contrário das plantas, os fungos são heterotróficos, ou seja, alimentam-se de matéria vegetal em decomposição, já que, por não terem clorofila, não realizam a fotossíntese. Reproduzem-se por esporos. Os mais conhecidos são os cogumelos comuns, os boletos, os míscaros, os shiitake, etc.

O papel dos legumes no metabolismo e na drenagem

Vamos falar do papel dos legumes no metabolismo e na drenagem. Deste modo, aprenderemos a escolher tanto a quantidade que consumimos como a sua proporção relativamente aos restantes alimentos da ementa.

Alimentos construtores e desintegradores

Definimos metabolismo como o conjunto de reações químicas que têm lugar no nosso organismo e que sustentam a vida.

Falamos de anabolismo para nos referirmos às reações através das quais, a partir dos alimentos que consumimos, construímos novas células, hormonas, neurotransmissores, etc.

Em contrapartida, o catabolismo agrupa as reações de desintegração que favorecem a excreção e a eliminação dos resíduos produzidos no nosso organismo.

Para gozarmos de boa saúde, deve existir um equilíbrio entre o anabolismo e o catabolismo, sendo a proporção dos alimentos que ingerimos determinante em todos os casos.

Os alimentos que favorecem o anabolismo e, consequentemente, a construção de tecidos, a síntese de hormonas, etc., são ricos em proteínas: carne, peixe, ovos e produtos lácteos.

Os que favorecem o catabolismo, ou seja, a drenagem e a desintoxicação, são desintegradores e têm um elevado teor de água: frutas e legumes.

Os cereais, as leguminosas e a água seriam, neste caso, alimentos neutros.

Os meios de comunicação social recomendam-nos que reduzamos o consumo de alimentos altamente proteicos e incitam-nos a comer frutas, saladas, legumes e sumos sem limite. De tal modo que existe a ideia generalizada de que, quanto mais fruta e legumes as nossas crianças comerem, melhor saúde terão.

Contudo, comer demasiados legumes e frutas pode dar origem a carências e até a desnutrição, em casos graves. Pelo contrário, dar ênfase aos alimentos construtores pode provocar problemas de acumulação, tanto de proteínas e gorduras como de resíduos metabólicos.

É por isso que os legumes e as frutas devem ser sempre alimentos de acompanhamento, nunca o prato principal.

Para compreendermos, de forma simples, em que proporção devemos comer, pensemos numa paelha, em que há muito arroz (alimento neutro), alguns legumes (alimento desintegrador) e algum conduto (proteína, alimento construtor).

Crucíferas e solanáceas

Duas famílias de plantas comestíveis muito diferentes entre si: umas, muito populares, de consumo diário e menos saudáveis; outras, muito mais interessantes do ponto de vista da saúde e pouco consumidas pela maioria das pessoas.

As crucíferas: os superalimentos

São um conjunto de legumes pouco frequentes à nossa mesa, em alguns casos por serem considerados alimentos de pobres e, noutros, devido ao cheiro característico que libertam durante a cozedura. No entanto, são muito interessantes do ponto de vista da saúde.

Os legumes da família das crucíferas (couve, couve-flor, nabo, rábano, couves-de-bruxelas, brócolos, etc.) são ricos em sulforafanos — compostos existentes nas crucíferas que estimulam a produção de enzimas —, o que lhes confere propriedades anticancerígenas. Estes compostos são responsáveis pelo forte cheiro a enxofre libertado durante a cozedura.

Do mesmo modo, são muito ricos em vitaminas A, E e C, todas elas poderosos antioxidantes.

Uma opção saudável consiste em incluí-los nas nossas ementas em substituição das solanáceas (batatas, tomates, beringelas e pimentos), muito menos saudáveis.

O nabo merece uma menção especial, pois, além de ser um poderoso antioxidante, é um grande depurativo e um diurético suave que estimula o sistema imunitário, prevenindo, assim, as doenças degenerativas e o cancro.

É também indicado em casos de obesidade e diabetes, colesterol e ácido úrico elevados, bem como de distúrbios digestivos, já que favorece a secreção da bílis.

É igualmente recomendado nas constipações, para descongestionar o peito e baixar a febre. Nas doenças cardiovasculares, regula os níveis de homocisteína — um aminoácido presente no plasma sanguíneo e relacionado com o aparecimento de doenças cardiovasculares, como o acidente vascular cerebral (AVC), a doença coronária ou o enfarte do miocárdio, uma vez que níveis elevados podem provocar alterações nos vasos sanguíneos. Vale a pena conhecer este poderoso legume.

As solanáceas e as suas desvantagens

As solanáceas são uma família botânica à qual pertencem os tomates, as batatas, as beringelas e os pimentos.

Os dois primeiros são os legumes mais consumidos atualmente, em comparação com a couve, o nabo ou a cebola, entre outros. Os nutricionistas que veem os alimentos apenas como uma soma de nutrientes consideram-nos saudáveis e ricos em hidratos de carbono, vitaminas e antioxidantes. Além disso, são alimentos baratos e fáceis de cultivar.

Contudo, quando abordamos a nutrição segundo uma perspetiva mais ampla, verificamos que estes quatro legumes pertencem à mesma família botânica do tabaco, do meimendro e da mandrágora, sendo os dois últimos classificados como alucinogénios.

Todas estas plantas contêm alcaloides tóxicos chamados solaninas, como a nicotina do tabaco.

Historicamente, os tomates e as batatas não existiam na Europa antes da descoberta da América. Colombo introduziu-os no Velho Continente como plantas ornamentais e, curiosamente, na atualidade, as batatas substituíram os cereais como fonte de hidratos de carbono na alimentação humana, com as repercussões na saúde que o seu consumo implica.

Porque é desaconselhável o consumo de tomates, batatas, pimentos e beringelas? Para além das solaninas que contêm, são demasiado ricos em potássio relativamente ao sódio. Isto significa que debilitam os rins, favorecem a perda de álcalis (alcalinidade) através da urina ou, por outras palavras, descalcificam e, portanto, danificam o sistema osteoarticular. Se quisermos preservar a nossa saúde, é aconselhável que o consumo de solanáceas seja ocasional.

CONCLUSÃO

Podemos consumir todos os tipos de legumes como alimentos de acompanhamento, mas daremos preferência aos de raiz e aos redondos, como foi explicado no início do artigo, e deixaremos os legumes de fruto e os tubérculos para consumo ocasional, sobretudo se a nossa saúde não for boa.

 

  A SANTA TRÍADE DA LONGEVIDADE JAPONESA Rui Rato Se queres elevar a tua energia, digestão e clareza mental a outro nível, prepara-te!  ...