Tuesday, May 26, 2026

AS SETE CONDIÇÕES DA SAÚDE

IIª PARTE

2.ª condição:

Ter bom Apetite

A 2ª condição é ter bom apetite.

No sentido literal e figurado. Pela comida, pelo conhecimento, pela atividade, pelas experiências, pelo sexo. O apetite é saúde. Uma necessidade insaciável de saúde, liberdade, felicidade e amor por si e pelos outros são sinais de uma saúde irrepreensível. A adaptação e a flexibilidade são os sinais mais reveladores.

No entanto, para conservar este apetite ao longo da vida, devemos ficar aquém da satisfação total. Os excessos repetidos diminuem progressivamente a nossa vitalidade e a nossa sede de viver. Para não transbordarmos nem sufocarmos, devemos distribuir continuamente aquilo que recebemos, de forma a conservar um ligeiro vazio dentro de nós.

Ter bom apetite e satisfazer-nos com comida simples e equilibrada. Actualmente nos países ocidentais, o estômago não descansa, não se fazem comidas completas, está-se a petiscar todo o dia. Não se chega a sentir fome real para se desfrutar de um verdadeiro apetite. Este apetite traduz-se num apetite pela vida.

Para criar saúde, é bom deixar-se um pequeno espaço vazio no estômago e assim diferenciar apetite de vício. Gozaremos de mais vitalidade quando a quantidade de comida for moderada.

A ideia incutida pelos nossos pais e avós de que ter bom apetite é sinal de saúde parece ser verdade. Quando vivemos na direcção da saúde é normal sentir um grande apetite, não apenas por comida, mas por toda a vida em geral. Podemos ter apetite por um lauto banquete cozinhado por um chefe de cozinha consagrado, mas também por uma refeição tão simples quanto uma sopa com uma fatia de pão.

Ter apetite traduz-se também por ter curiosidade ilimitada, desejo sexual, vontade de desbravar o mundo desconhecido ou explorar os recônditos mais profundos do nosso ser.

Falta de apetite

Pela comida, pelo sexo, pela beleza, pelo conhecimento. Não ser curioso acerca de tudo, estar insatisfeito e duvidar de tudo. Desperdiçar e deitar comida fora, não ter qualquer reconhecimento pela comida nem por quem a prepara.

Ter constipações, sinusite, enxaquecas, corrimentos, ficar careca, ter maus odores corporais. Ganhar peso, ter borbulhas ou verrugas. Primeiras rigidezes articulares.

3.ª condição:

Sono profundo e reparador

A 3ª condição tem a ver com o sono, com ter um sono profundo e reparador.

Curto e profundo, sem memória dos sonhos, caso contrário é um sono superficial. Adormecer instantaneamente, em qualquer lugar, em 3 ou 4 minutos, e acordar da mesma forma, sem meios artificiais químicos ou mecânicos (soníferos, tisanas, despertador).

Acordar fresco, disposto e bem-humorado. Lançar-se imediatamente nas suas ocupações.

A insónia e o sono ligeiro e interrompido estão conectados com a dieta e os excessos. Jantar uma grande quantidade de comida, jantar tarde, beber água em grandes quantidades, fritos e vegetais crus, são factores que intervêm com o descanso nocturno. Um grande número de pessoas depende dos comprimidos para dormir, seguido do respectivo café para começar o dia. A forma como acordamos de manhã indica-nos com clareza como está a nossa saúde. Se pela manhã tivermos problemas para nos levantar, especialmente na Primavera, está-nos indicando que há um bloqueio no fígado. A falta de sono, em si mesma, é uma possível causa de susceptibilidade a resfriados, obesidade, perda de memória, doenças cardiovasculares e acidentes cerebrais. Os transtornos do sono estão relacionados com o funcionamento renal.

Segundo Ohsawa, um sono saudável implica adormecer mal cheguemos à cama, dormir toda a noite sem sobressaltos ou pesadelos nem necessidade de ir ao WC e, após dormir entre 6 (Ohsawa dizia 5) e um máximo de 8 horas, acordar completamente revigorados e com vontade de enfrentar um novo dia.

Considerando que a maioria das pessoas na nossa sociedade parece ter problemas mais ou menos sérios de sono, dormir segundo a descrição do parágrafo anterior, parece só ser possível para bebés, crianças e adolescentes. No entanto, quando se começa a ter um estilo de vida mais saudável, a qualidade do sono tende a melhorar bastante num espaço de tempo relativamente curto.

Ter um mau sono

Deitar-se tarde, levantar-se tarde, dormir mais de 8 horas. Acordar frequentemente, comer durante a noite, ter pesadelos, insónias. Provocar artificialmente o sono. Provocar artificialmente o despertar. Transpirar, ouvir o coração bater, ter cãibras nas pernas ou nos pés. Levantar-se de manhã cansado e mal-humorado, arrastar-se na ociosidade. Eczema, furúnculos, olhos lacrimejantes e vermelhos, secreção de muco, corrimentos, caspa, constipações, tosse com expetoração, calosidades plantares.

4.ª condição:

Ter boa memória

A 4ª condição é ter boa memória.

A memória mais importante é a que nos recorda para que estámos aqui, qual é o nosso propósito vital. A outra memória, a relativa, pode ser destruída por comer em excesso, por comer açúcar, por ingerir substâncias tóxicas e aditivas, por falta de treinar e desenvolver as nossas habilidades cognitivas.

Ela é infalível e desenvolve-se com a idade. A memória permite avaliar o nosso julgamento e os nossos pensamentos. Distinguimos várias memórias:

  • Memória mecânica: números, nomes, textos, poemas, números de telefone.
  • Memória visual: rostos, paisagens, acontecimentos, objetos.
  • Memória pré-histórica: instinto-intuição, comer, dormir, reproduzir-se.
  • Memória do nosso destino espiritual, através da qual podemos compreender o significado da nossa vida, da Vida e do nosso lugar no universo.

Uma boa memória é fundamental para o exercício de um discernimento apropriado, - podemos discernir e evitar erros futuros quando nos lembramos dos bons ou maus resultados de uma experiência passada.

Ter boa memória não significa apenas lembrar-nos de números de telefone, datas de nascimento ou dados históricos. Existe um outro tipo de memória, mais subtil e de natureza espiritual, que está ligada à nossa capacidade de não perdermos de vista os nossos objectivos, a nossa missão na vida e, mais importante ainda, a nossa ligação intrínseca à natureza e a todos os fenómenos.

Uma boa memória reflecte a ligação com a origem espiritual comum a toda a humanidade, remete-nos para uma ligação com o infinito que transcende o mundo das palavras e da matéria.

Perder a memória

Esquecer as experiências passadas e repetir os mesmos erros. Esquecer os amigos, esquecer de agradecer, esquecer os antepassados, os pais, os descendentes. Ter esquecido a razão da nossa vinda a este mundo. Esquecer-se de si próprio. Esquecer-se de dar. Perder os seus pertences antes de perder tudo. Egocentrismo, orgulho, paranoia, avareza, frustração. Prisão de ventre ou diarreia, falta de ar, perda de voz, nuca e ombros rígidos, barriga mole e dilatada, hipotensão, hipertensão.

5.ª condição:

Bom humor

A 5ª condição de saúde é não se zangar com ninguém, ter bom sentido de humor.

Não significa não ter emoção de aborrecimento, significa que não devemos alimentar o ressentimento/zanga. Comer de forma extrema, especialmente alimentos yang (carnes, ovos, sal, queijos), provoca uma estagnação do Ki no fígado, e, portanto, surge a raiva.

Quando desenvolvemos uma maior compreensão sobre nós próprios, descobrimos que estamos cheios de luzes e sombras, que não podemos pedir a perfeição que não possuímos. Então a zanga transforma-se em compaixão, quer dizer, não julgamos.

Quando mantemos o ressentimento, a zanga enquista-se no nosso interior tendo como resultado o rancor, a amargura que nos afecta e infecta, criando doença.

Estar sempre alegre e bem-disposto, enfrentar e resolver todos os problemas uns após os outros, colocando em prática uma das regras do taoísmo: “Vencer sem combater”. Uma vida feliz e muitos amigos, quaisquer que sejam as circunstâncias, são o resultado natural da saúde.

Nesta condição de saúde, Ohsawa referiu frequentemente que nunca nos devíamos zangar e que quando nos zangamos somos escravos da nossa consciência mais baixa. Mais do que nunca nos zangarmos, provavelmente o que Ohsawa queria dizer é que, se nos zangarmos, o devemos fazer de uma forma consciente e sem que nos manifestemos arrependidos após o facto.

Ter bom humor é fundamental para apreciarmos correctamente a vida. O humor é o tempero ideal para as agruras, vicissitudes e situações paradoxais com as quais deparamos no dia a dia.

Podemos diagnosticar o nosso bom humor pela quantidade de vezes que conseguimos sorrir ou rir durante o dia. Sorrir frequentemente é um sinal de paz interior e transmite aos outros uma sensação agradável de bem estar.

A cólera

A cólera revela os nossos limites, a nossa incapacidade de compreender e apreender corretamente as circunstâncias da nossa vida. Julgar-se superior quando se é inferior, aterrorizar os medrosos, ter um espírito agressivo, matar por medo de ser morto. Não se amar nem ser amado. Perder o controlo de si mesmo. Nariz vermelho ou arroxeado. Rosácea. Varizes. Papos sob os olhos. Unhas encravadas. Má visão, dores crónicas, além das descritas nos 4 níveis anteriores.

6.ª condição:

Clareza e rapidez de pensamento e acção,

ser organizado

A 6ª condição tem que ver com a capacidade de discernimento.

Estar alerta e ser intuitivo. Temos de ter a intuição clara, a conexão com aquilo que dá sentido à vida, viver a terra organicamente, para que os conceitos não nos toldem os sentidos, especialmente o senso comum.

“A boa saúde e a capacidade de julgar com sabedoria são bênçãos preciosas da vida” (Publio Siro).

E é raro encontrar boa saúde em pessoas com pouco discernimento.

Devemos ser capazes de responder aos estímulos e desafios da vida de uma forma clara, rápida, alegre e ordenada.

Tudo o que fazemos, dizemos e pensamos deve ser a manifestação de um elevado sentido de espiritualidade, proactividade, responsabilidade e empenho.

A vida vale a pena ser vivida quando o fazemos com uma consciência plena e totalmente desperta, com o coração disponível para abraçar todo o mundo em seu redor. A maioria das pessoas não está totalmente desperta, vive uma vida meio adormecida, em alguns casos quase que vegetativa, regida por um piloto automático virado para a sobrevivência, mas pouco criativo e sem liberdade real.

Esta condição de saúde é o reflexo de ordem e alegria interiores.

Levar uma vida ativa e fértil. Aceitar os desafios da existência sem os provocar. Vivacidade e espontaneidade são a expressão da liberdade. Precisão nos movimentos, rapidez e organização no comportamento.

Estar triste e inativo

Nunca estar bem onde se está. Conservar e cuidar respeitosamente de todos os problemas e desventuras passadas. Estar satisfeito por não ter feito algo ou arrepender-se de o ter feito. Não ter sonhos para realizar, estar cansado de tudo. Cólera e apatia, impaciência, introversão ou excessiva demonstração emocional. Melancolia, emotividade. Delírio, depressão. Desordem e desperdício.

7.ª condição:

Sentido de justiça, honestidade, integridade

A 7ª condição é a gratidão e apreciação infinita pela vida. Gratidão à natureza, à comida, aos pais, aos desafios, aos professores, aos problemas.

Que é apenas outro nome para a Ordem do Universo. Confiar nessa justiça absoluta. Nunca ter dúvidas. Realizar todos os seus sonhos divertindo-se. Comer e beber o que se quiser segundo a dialética universal. Nunca mentir para se proteger. Amar toda a gente — quem possui tal saúde é são e santo.

Durante muitos anos, Georges Ohsawa mencionou apenas as 6 primeiras condições de saúde nos seus escritos. A partir de uma certa altura, já mais perto do final da vida, e após grande desilusão com um discípulo próximo, acrescentou esta última, que considerou como absoluta e fundamental, muito mais importante do que todas as outras.

A 7ª condição eleva o conceito de saúde, fazendo-o englobar, apropriadamente, questões éticas, morais e espirituais, essenciais à evolução da humanidade e â relação da mesma com o planeta e os outros seres vivos.

Viver no sentido da justiça, honestidade e integridade significa falar sempre verdade, recusando a mentira como defesa ou protecção. Significa manifestar profunda gratidão para com tudo e todos dando de forma generosa e não calculista. Implica que os nossos actos sejam a manifestação da justiça natural e tenhamos a capacidade de considerar o resultado das nossas acções no futuro, porque vivemos com o princípio de causa e efeito, acreditando que existe uma ordem natural num universo que não é aleatório.

A este nível integramos o corpo, a mente e o espírito – o que pensamos, o que dizemos e o que fazemos são indivisíveis. As nossas acções são o reflexo do nosso discernimento mais elevado e, como tal, podemos viver com verdadeira justiça e liberdade.

A arrogância

Último estádio da doença, cujos sintomas são o exclusivismo, o egocentrismo, o medo, o espírito de contradição e de vingança. O ego ocupou todo o espaço; o homem, neste estádio, está isolado, cortado do mundo que o rodeia. Este autoisolamento caracteriza-se por uma resistência inflexível à mudança.

“Eu nunca mudarei, porque não preciso de mudar.”

Rigidez corporal e mental, solidão.

O desfecho final

Suicídio e loucura — que, afinal, são a mesma coisa.

 

 

FONTES CONSULTADAS

·      “Macrobiótica. O livro da grande vida” – Patrícia Restrepo.

·      “Mente sã. Corpo são” – Francisco Varatojo

·       https://macrobiotiquemonde.blogspot.com/2017/09/rebus-dialectique.html

 

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