Thursday, April 23, 2026

 

AS ETAPAS DE MUDANÇA EM MACROBIÓTICA

Artigo de Agnès Pérez ©

resumo

A macrobiótica é um processo de mudança que envolve o corpo, as emoções e a consciência. Essa mudança exige disciplina, paciência e fé, especialmente no início.

O processo acontece em 3 etapas principais:

  • 1ª etapa (10 dias): fase mais difícil, exige rigor na alimentação.
  • 2ª etapa (até 40 dias): surgem sintomas de adaptação (cansaço, irritação, dores), pois o corpo está a desintoxicar.
  • 3ª etapa (até 8 meses): o corpo estabiliza e adapta-se, mas ainda é preciso cuidado com a alimentação.

Ao longo do tempo, o sangue e o corpo renovam-se, o que melhora:

  • a saúde física
  • o equilíbrio emocional
  • a clareza mental

No final, a macrobiótica não é só dieta — é uma forma de aumentar a consciência e melhorar a forma como vivemos.

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texto

As etapas de mudança ou evolução pessoal precisam de fé e força de vontade.

A mudança de consciência é um processo que se vai fazendo durante a passagem por todas as nossas vidas, que envolve momentos de sucesso social e outros momentos difíceis que também fazem parte do sucesso, pois de cada conflito surgem aprendizagens valiosas. As dificuldades aumentam a nossa maturidade e estas etapas da mudança em que surgem os conflitos no fundo são as que contêm mais poder criativo.

As nossas mudanças podem vir condicionadas pelo exterior através de circunstâncias que não pedimos ou procurámos conscientemente, mas que fazem parte da história planetária. Ou podem surgir como resultado de circunstâncias de vários tipos que a vida nos traz.

ALGUMAS REFLEXÕES PESSOAIS:

Penso e acredito que encarnamos a fim de superar os limites que se interpõem no nosso caminho para a libertação. Há em mim um sentido de dever cármico que me dá confiança suficiente para sentir que tudo é superável. Que tudo, tanto o que vem de condicionamentos de outras pessoas como o referente ao que é atraído pela minha aprendizagem "álmica", faz parte de uma bela evolução, seja qual for o seu resultado nesta vida.

Quando comecei a praticar macrobiótica, começaram a dar-se mudanças internas a uma velocidade vertiginosa. Senti-me a mudar a cada minuto. Não só a nível físico, mas também havia uma grande comoção emocional. Olhava-me ao espelho e de uma semana para a outra, a minha expressão e o meu corpo tinham mudado. Isto assustava-me, por um lado. Eram tantos os apegos e tão grandes as resistência que inclusive por vezes lutava contra algo inerente à própria vida, que é a mudança.

Que ingenuidade lutar contra o que a vida nos traz! A vida traz-nos sempre, sempre o que necessitamos para nos curar profundamente e elevar-nos. Com o passar do tempo aprendi a abraçar o que vem como parte de uma aprendizagem de vida muito valiosa, a deixar ir o que estagna a minha evolução ou vai pelo seu próprio pé, e a fluir com os acontecimentos, a largar a necessidade contínua de controlo. As mudanças continuam e continuarão como a própria vida e nunca irão parar. Há tanta coisa que nem se deve nem se pode ter sob controlo …

Mesmo sabendo que uma parte das nossas mudanças pode ser imprevisível, há processos que foram estudados observando o processo de milhares de pessoas e que são reconfortantes de ler. Quando se começa a praticar a macrobiótica, é conveniente que se conheçam as etapas de mudança pelas quais vamos passar. E saber que é realmente benéfico passar os primeiros estádios de desengajamento de certos hábitos e alimentos.

AS ETAPAS DE MUDANÇA NA MACROBIÓTICA

De um ponto de vista puramente biológico, as células do nosso corpo encontram-se num estado de constante renovação. Quando se começa a alimentar com alimentos de mais qualidade, a regeneração produz-se de maneira natural. E qualquer mudança, seja social, emocional ou biológica, produzirá, sem dúvida, alguma agitação neste processo. Quer se pratique ou não macrobiótica, o conhecimento destas três etapas ou estádios pelas quais o sangue passa ajuda a explicar porque se precisa de ser mais preciso e disciplinado quando se inicia a prática, e poderá permitir-se ser mais flexível e tolerante no futuro.

A mudança fundamental ocorre no próprio sangue. Falando em geral, o sangue pode ser subdividido em três componentes.

Em primeiro lugar, o nosso sangue é constituído por plasma, que constitui 50% do seu volume; o plasma é renovado de dez em dez dias.

Em segundo lugar, aproximadamente 25% do volume do nosso sangue é constituído por glóbulos vermelhos que, em média, são renovados a cada trinta ou quarenta dias.

Em terceiro lugar, os restantes 25% do nosso sangue são constituídos por diversos tipos de glóbulos brancos que podem levar entre dois a quatro meses a renovar-se, chegando por vezes até aos oito meses. Portanto, em média, levamos oito meses a renovar completamente o nosso sangue. Chegados a este ponto, será útil para se reflicta sobre o que se comeu entre os últimos dez e quarenta dias, e mesmo durante os últimos oito meses, pois este é o alimento a partir do qual o nosso sangue está actualmente a ser produzido.

1ª ETAPA: Renovação do Plasma

Como em qualquer novo projecto que se escolha realizar, os primeiros minutos, horas e dias são sempre os mais complicados. Nos primeiros dez dias está-se a renovar 50% do sangue, por isso é importante começar com uma base firme. Nesta altura do processo, é preciso ser-se muito preciso e disciplinado.

Por outro lado, é preciso lembrar que nesta fase da prática macrobiótica é quando se sabe menos e se tem mais a aprender. Isto é um paradoxo frustrante. Por isso, durante os primeiros dez dias deve-se praticar com precisão e não se permitir comer os alimentos que se estava a comer antes e que se pretende eliminar da dieta. Comer 90% dos alimentos recomendados, mas continuar a tomar leite com o chá e uma barra de chocolate por dia é distração suficiente para que o "velho" sangue (plasma) continue sendo muito parecido.

Apesar do desafio que supõe, vale a pena que durante esses primeiros dez dias se mantenha a força de vontade, tendo claro o propósito e seguindo quaisquer conselhos ou receitas com a maior precisão possível. Procurar evitar a tentação de sair da linha traçada durante esta fase inicial.

2ª ETAPA: os glóbulos vermelhos (eritrócitos)

Os primeiros dez dias exigirão, sem dúvida, que se faça algum reajustamento, já que o corpo anseia voltar a tomar o antigo combustível e provavelmente sentir-se-á a falta dos alimentos que têm um sabor e uma textura familiares. Depois disso, o ritmo de mudança começará a abrandar. Durante esta segunda etapa, que dura cerca de trinta dias, todos os glóbulos vermelhos do sangue serão renovados em função dos alimentos que se está actualmente a ingerir.

Os dois primeiros estádios requerem um período de aproximadamente quarenta dias.

É interessante notar que muitas das religiões tradicionais prescrevem quarenta dias de jejum, oração, meditação e reflexão. No final do período de quarenta dias, 75 por cento do sangue terá sido renovado, proporcionando à nossa saúde uma firme base biológica e, ao mesmo tempo, permitindo que se produza uma limpeza que vai mais além do sangue.

Durante os trinta dias da segunda etapa é mais provável haver alterações e que se sintam os efeitos de uma descarga anormal ou violenta. É bastante habitual sofrer-se de dores de cabeça, febre, distúrbios digestivos, desejos, suores nocturnos, momentos de depressão e desânimo, irritabilidade e possivelmente sensações de letargia (já que o corpo precisa de dormir mais ao empreender uma mudança interna profunda).

Muitas pessoas abandonam a prática macrobiótica durante estes primeiros trinta a quarenta dias. Se tivessem um pouco mais de fé no processo e permitissem que a descarga ocorresse, poderiam beneficiar enormemente com o trabalho profundo que se está fazendo. Durante esta fase é fundamental ter fé no objectivo que se tenta alcançar e ter paciência para ir superando os altos e baixos físicos e emocionais que todos experimentamos.

3ª ETAPA: glóbulos brancos

Durante a terceira fase de mudança, pode-se relaxar um pouco e navegar em “piloto automático”. Por esta altura já se dominará as bases da macrobiótica e ter-se-á deixado para trás os estádios mais intensos de descarga de toxinas. Quanto mais actividade física se fizer durante a segunda etapa, mais rapidamente ocorrerá a eliminação e mais rapidamente se resolverá.

Na terceira etapa, as mudanças ocorrem mais lentamente. Agora, 75% do sangue foi fabricado com base nos novos alimentos e menus macrobióticos e pode-se permitir-se um pouco mais de relaxamento; pode-se começar a incorporar mais variedade nas receitas. Neste estádio continua a ser vital lembrar que o sangue ainda não está totalmente renovado. Portanto, não se deve comer alimentos extremamente Yin ou Yang, tais como açúcar, produtos lácteos ou carnes. É muito melhor esperar oito meses, até que 100% do sangue esteja elaborado a partir de alimentos adequados antes de provar os alimentos que se estava habituado a comer. Então poderá realmente sentir qual é o seu efeito e, ao mesmo tempo, ser-se-á capaz de eliminá-los e descarregá-los rapidamente.

A MELHORIA DA CONSCIÊNCIA.

Para mim, praticar macrobiótica é algo mais do que ser-se selectivo com o que se come para se alimentar. Também nos devemos preocupar onde e como se produzem os alimentos que comemos, como se preparam e que qualidade se quer que o sangue tenha. Além do vigor físico e da estabilidade e flexibilidade física e emocional, a macrobiótica oferece outros benefícios como a clareza mental, a visão e a fé no que se diz e se faz. Sem dúvida, existe uma ligação entre o que comemos e o nível de consciência que demonstramos.

É fácil comprovar que todos nós temos uma conexão muito real com o mundo que nos rodeia e com a nossa forma de o experimentamos. Extraímos o alimento do nosso meio ambiente; o alimento, por sua vez, transforma-se em sangue que nutre e fortalece os nossos órgãos internos. Uma vez que o nosso sangue foi transformado (durante os três estádios antes mencionados que ocorrem ao longo de um período de oito meses), pode empreender a tarefa de regeneração os nossos órgãos internos. As mudanças profundas desta natureza podem requerer um período entre oito meses a dois anos.

Entre estas mudanças incluem-se um melhor funcionamento do coração, dos pulmões, dos rins, do fígado e do aparelho digestivo, e o fortalecimento dos sistemas límbico, reprodutor e imunitário. Todas estas mudanças também se vão filtrando gradualmente até ao nosso sistema nervoso. A nível prático, o sistema nervoso é o que nos permite reagir às mudanças que se produzem no nosso envolvimento; a sua função é responder rápida e eficazmente às novas exigências e tarefas, mas também olhar mais além das pressões imediatas até às novas possibilidades que se abrem diante de nós.

O VÍNCULO ENTRE O ALIMENTO E A CONSCIÊNCIA.

Nesta etapa, um novo aspecto do nosso ser é activado. Este nível tem muitos nomes; podemos falar da nossa consciência, da nossa vontade ou (como Ohsawa lhe chamou) do nosso julgamento. Nos seus primeiros trabalhos, George Ohsawa estava muito preocupado com o que ele chamava de: desenvolvimento do nosso julgamento. Raramente escrevia sobre temas de saúde, cozinha, ou alimentação; estes temas aparecem com muito mais frequência nas suas obras posteriores.

Em última análise, o verdadeiro propósito da macrobiótica é elevar a consciência de nós próprios, começando pelas nossas células individuais e continuando pelo nosso sangue para culminar na compreensão e valorização do mundo que nos rodeia. Por esta razão, muitos dos primeiros autores e praticantes da macrobiótica olhavam para além da saúde individual e concentravam-se nas múltiplas implicações e consequências da saúde mundial, que consideravam o fundamento da verdadeira paz mundial.

BIBLIOGRAFIA DA AUTORA DO ARTIGO:

·      Antonio Areal, Curso de Formação.

·      Jon Sandifer, Macrobiótica.

·      Michio Kushi, A saúde através da Macrobiótica.

·      Francisco Varatojo. Curso de formação.


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