UMA ARTE DE VIVER DE SAÚDE
E LONGEVIDADE
Gérard Wenker
Das
Américas à Europa, de África à Ásia, do Ocidente ao Extremo Oriente, por todo o
planeta Terra, apesar dos extraordinários avanços da ciência, os excessos da
sociedade liberal capitalista — onde tudo assenta prioritariamente no lucro —
causam grandes danos. Isto verifica-se a todos os níveis: ecológico, climático,
social, biológico, médico e humanitário.
Mas
é na saúde humana que este sistema perverso provoca mais estragos, com o apoio
das multinacionais da indústria agroalimentar. Embora o discurso habitual
destas empresas seja o de que são indispensáveis para alimentar as populações,
a verdade é que isso não impede que um terço da humanidade esteja subalimentado
e que, em certas regiões, as pessoas continuem a morrer de fome.
Apesar
dos enormes progressos da medicina, cada vez mais pessoas sofrem de doenças
crónicas e degenerativas. Quer nos países ditos modernos, quer no chamado
terceiro mundo, a constatação é a mesma: por todo o lado se sofre e se morre
não de desnutrição, mas de má alimentação.
A alimentação tradicional, por vezes ancestral, que
durante séculos permitiu o desenvolvimento de comunidades humanas saudáveis,
foi abandonada em favor de alimentos industriais, desprovidos de valor
nutritivo e adulterados com aditivos químicos nocivos para a saúde. Sob pressão
dos consumidores, na maioria dos países europeus foram implementados controlos
cada vez mais rigorosos, que conseguiram limitar e estabelecer normas máximas
para os aditivos mais perigosos (hormonas de crescimento, antibióticos, conservantes,
corantes, etc.). Contudo, o efeito perverso dessas restrições não travou estas
práticas, tendo apenas desviado a sua aplicação para países mais pobres e menos
exigentes quanto à qualidade dos produtos.
Nesses
países, localizados maioritariamente em África e na Ásia, a passagem de uma
alimentação tradicional regional para uma alimentação industrial de massa tem
sido catastrófica, provocando uma forte diminuição da resistência às doenças e
o aparecimento frequente de numerosas patologias anteriormente desconhecidas.
Todos os benefícios alcançados na melhoria da saúde
— graças à medicina, à higiene e à vigilância sanitária implementada pelos
Estados — perdem-se por uma única razão: uma produção alimentar excessiva e de
má qualidade, orientada exclusivamente para o lucro, que levou ao abandono das
tradições culinárias familiares e do respeito em torno da refeição.
Há 50 anos, um homem já se preocupava, antes de
todos os outros, com os perigos da agroquímica e lançou em França o primeiro
movimento a favor de uma agricultura biológica que respeitasse as leis da
natureza. Esse homem, de origem japonesa, chamava-se Georges Ohsawa.
Paralelamente, em 1956, começou a ensinar um método revolucionário de saúde e
longevidade: «A MACROBIÓTICA».
Desde
então, embora combatido, desacreditado, ridicularizado ou ignorado pelos
governos e até pela comunidade médica, este método — que é, na verdade, uma
arte de viver — demonstrou a sua eficácia extraordinária e difundiu-se, apesar
de inúmeras dificuldades, na maioria dos países do mundo.
Hoje,
perante as ameaças climáticas e ecológicas extremas provocadas pela poluição
industrial, está em causa a própria sobrevivência da humanidade. Nenhum
político, dirigente ou multinacional tem interesse em que esta situação mude,
pois a sua única preocupação é manter o sistema económico capitalista que os
sustenta e enriquece. Nunca irão cortar o ramo em que estão confortavelmente
sentados, até ao colapso final.
Será
que os homens do século XXI ainda conseguirão compreender o ensinamento
macrobiótico, baseado nas leis ancestrais da ordem do universo? Terá a
filosofia dialéctica macrobiótica o poder de salvar a humanidade da catástrofe
anunciada? Essa é a nossa aposta. Pela força do espírito macrobiótico,
transmitido através de uma nova forma de alimentação, o mundo começa, pouco a
pouco, a mudar. A corrida desenfreada pela riqueza é substituída pelo “vivere
povero”, o saque dos recursos naturais pelo amor à natureza e pelo respeito
pelo planeta, a guerra pela paz e a doença pela saúde.
Não,
isto não é uma utopia. Já milhares de pioneiros se dedicam a este trabalho de
reconstrução e regeneração pessoal. Comunidades importantes, espalhadas pelos
quatro cantos do mundo, aplicam e experimentam esta arte de viver.