Tuesday, April 14, 2026

 

Jacques Mittler
INTRODUÇÃO À MACROBIÓTICA
Filosofia e princípios, estudo dos alimentos e dos específicos, cozinha, regimes, prática...
Desenhos de Yannick Moure
Edições DANGLES
18, rue Lavoisier
45800 Saint-Jean-de-Braye

...saber deixar de estar doente...

O AUTOR:

Nascido em 1937, em Paris, Jacques Mittler interessou-se muito cedo pela grafologia, pela morfopsicologia e pelo desporto. Após estudos de desenho industrial, tornou-se engenheiro de mecânica aeronáutica em 1964.

Sempre animado por um espírito científico rigoroso, descobriu algumas obras de Georges Ohsawa e decidiu, em 1965, passar à experimentação, mais para “criticar” do que para “adotar”! Esse foi o seu primeiro contacto com a macrobiótica. Contudo, à luz dessa experimentação consigo próprio, a sua transformação física e psíquica foi tal que decidiu aprofundar ainda mais este estudo. O seu gosto pelos estudos transformou-se numa procura da verdade.

No início de 1972, abandonou a sua profissão para abrir, em Annecy, um pequeno atelier de produtos alimentares macrobióticos. Pouco a pouco, reuniu à sua volta um pequeno círculo de amigos convictos, deu cursos de cozinha macrobiótica, dinamizou grupos de estudo na região, proferiu algumas conferências e escreveu um livro: Um grão, dez mil grãos, que editou por conta própria (e do qual a presente obra é extraída).

Os seus encontros com doentes tornaram-se cada vez mais frequentes, e foi assim que se viu totalmente absorvido pelo desejo de transmitir a sua “fé”, bem como os meios para a alcançar através de uma alimentação baseada no princípio universal Yin-Yang.

Trata-se, portanto, de um verdadeiro praticante, que vive a macrobiótica “por dentro”, que procura torná-la acessível ao maior número de pessoas, dotado de um talento pedagógico notável, muito necessário para apresentar aos espíritos ocidentais os elementos fundamentais desta antiga sabedoria oriental.

A saúde é o estado físico, mental e espiritual
daquele que vive a justiça no seu corpo.
Saúde e santidade são idênticas.

J. M.

PREFÁCIO

Já é mais do que tempo...

Já é mais do que tempo de estabelecer no nosso corpo uma saúde indestrutível e de aprender a controlá-la em função das nossas necessidades e dos acontecimentos.

Uma verdadeira revolução biológica é possível através da simples aplicação quotidiana de um princípio de observação: a dialética Yin/Yang, proveniente da antiga sabedoria oriental. Isto chama-se macrobiótica. Não é nem uma dietética, nem um conceito, nem uma terapêutica, e ainda menos uma seita! Cada um pode descobri-la em plena liberdade, por si próprio e, através da sua própria cura, descobrir as leis eternas do universo.

Ide e curai os doentes...” Se esta era realmente a mensagem de Jesus, por que razão nos ocupamos tanto em vacinar, operar, irradiar, cortar, enxertar, administrar inúmeros antibióticos, hormonas e drogas químicas... com enormes custos hospitalares e de investigação médica?

A saúde aparece hoje como um dom do céu, aleatório e frágil. Não se aceita com fatalismo os efeitos da idade ou dos micróbios, dos quais seríamos vítimas inocentes?

Não existirá um meio simples, retirado das próprias fontes da natureza, acessível aos “pobres de espírito”, longe dos caminhos complicados e dispendiosos da ciência moderna? Não se poderá viver feliz sem recear a doença incurável?

Por termos querido ignorar as verdadeiras causas das nossas doenças (e dos nossos infortúnios), temos a medicina que merecemos, incapaz de travar as piores decadências!

Só uma tomada de consciência das leis universais pode evitar isto; em vez de procurar técnicas ou “muletas”, o ser humano deve finalmente dar à luz a si próprio; só há uma verdadeira cura: saber deixar de estar doente...

Os conhecimentos escolares em matéria de alimentação limitam-se a noções sumárias sobre proteínas, hidratos de carbono, lípidos, calorias, vitaminas, sais minerais, etc. Mas, ignorando a arte criativa da vida, a medicina e a dietética consideram apenas a composição dos alimentos e os seus efeitos fisiológicos. Não podem, portanto, pretender ser infalíveis no estabelecimento da saúde, daí as desastrosas consequências atuais, tanto a nível individual como social.

Recomenda-se que sigamos as prescrições do nosso médico, considerado um homem avisado... mas que mais poderá ele fazer sem sair do ensino oficial?

Em última análise, cabe a cada um de nós — e sobretudo a vós, Senhoras — a responsabilidade de manter a saúde física, mental e espiritual do mundo... e de questionar antigas convicções enraizadas por anos de hábitos.

O que é a macrobiótica?

— É uma procura da verdadeira saúde (física, mental e espiritual), baseada numa higiene alimentar. O seu guia é o princípio dialético Yin/Yang, descoberto há milénios pela ciência do Extremo Oriente.

— Consiste em alimentar-se principalmente de cereais integrais, acompanhados de uma pequena quantidade de legumes da época, devidamente preparados (sem fertilizantes e inseticidas químicos), na proporção em que a natureza os oferece, segundo a sua ordem universal. Os outros alimentos são consumidos apenas em pequenas quantidades e conforme os resultados desejados.

— É conformar-se às leis da natureza, evitando particularmente:

a) Os produtos artificiais da civilização moderna: açúcar refinado, corantes e aromatizantes químicos, conservantes, emulsionantes, produtos exóticos, conservas, fermentos químicos, produtos fora de época...

b) Os alimentos de origem animal: carnes, peixes, ovos, lacticínios... enquanto a nossa saúde não estiver equilibrada e não tivermos aprendido a cozinhá-los respeitando a ordem Yin/Yang.

Aqueles que desejarem curar-se de doenças de todos os tipos — mesmo as consideradas incuráveis — sem recorrer aos métodos modernos, violentos e sintomáticos, encontrarão na macrobiótica a base da alimentação tradicional do ser humano, com a vantagem de poderem controlar os seus próprios resultados, dia após dia.

Aos membros do corpo médico

Não levem levianamente as recomendações da macrobiótica; outras terapias já provaram a sua eficácia (homeopatia, acupunctura, plantas, radiestesia, imposição das mãos, etc.) antes de serem mais ou menos oficialmente reconhecidas.

A ciência moderna, por mais precisa que seja, não tem em conta o lugar do ser humano no universo, e a medicina nada faz para procurar as verdadeiras causas da doença. Pior ainda, envenena os organismos com drogas que, a longo prazo, alteram o comportamento psíquico!

É mais fácil para o doente aceitar um medicamento do que questionar a sua alimentação e o seu modo de vida... Mas não será o médico um educador, ligado ao juramento de Hipócrates?

É toda a conceção da doença que precisa de ser revista, bem como a mentalidade na arte de curar.

A saúde é o estado físico, mental e espiritual
daquele que vive a justiça no seu corpo.
Saúde e santidade são idênticas.

J. M.

 

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