Sunday, April 12, 2026

 


A TRIOLOGIA DA

TERCEIRA IDADE

PENSAR E CRIAR

Conservar a capacidade de pensar, aliada a uma profunda capacidade de reflexão, até ao fim do caminho, parece em geral ser um milagre ou uma questão de sorte, mas na realidade faz parte da normalidade.

Segundo uma conceção oriental, todas as nossas faculdades intelectuais deveriam desenvolver-se cada vez mais com a idade.

O segredo deste prodígio, para além da arte culinária, resume-se a uma única expressão: “criatividade permanente”.

Desde a infância, a educação e a instrução confinam-nos ao papel estático de estudante ou aprendiz, repetindo diligentemente as suas lições. A imaginação criativa, que sai dos caminhos já traçados, é uma forma de liberdade pouco valorizada na nossa sociedade, a menos que se enquadre dentro de convenções bem definidas.

A arte de viver, onde tudo é adaptação constante, desenvolve a criatividade; ainda assim, é necessário querer questionar-se a cada instante e não se tornar dogmático ao estabelecer novas regras rígidas. Toda a gente pode desenvolver a sua criatividade nos domínios artísticos ou literários clássicos, mas nada se compara à criatividade dialética, que permite reinventar a Vida elevando o nível de consciência.

Um dos domínios onde podemos exercer a nossa criatividade é na adaptação das receitas tradicionais da sua cozinha regional, rica e saborosa, em receitas dietéticas mais adequadas à sua condição atual. Mas criar poemas, manter um diário, escrever um livro ou um blogue são também excelentes formas de manter uma atividade cerebral eficaz.

Num nível mais elevado, estudar os fenómenos universais e as ciências humanas sem a pressão da rentabilidade, simplesmente pelo prazer — física, química, biologia ou história — é verdadeiramente fascinante e permite esclarecer e, por vezes, compreender os segredos da natureza e os mistérios do universo.

A criatividade é a vida em movimento; não deixemos passar um dia sem criar algo novo. Para preservar o fluxo contínuo de pensamentos criativos e favorecer o surgimento de novas ideias, é indispensável pacificar regularmente a mente. O melhor meio para o conseguir é, naturalmente, a meditação. Uma hora de meditação por dia é um verdadeiro banho de rejuvenescimento cerebral e espiritual. Cada um escolherá a forma de meditação e a posição que melhor lhe convier: transcendental, visualização passiva ou aCtiva, zazen, sentado, deitado, em posição de lótus ou meio-lótus, ou numa cadeira reclinável — desde que não adormeça…!

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COMER

É o domínio mais familiar e, no entanto, o mais ignorado. Embora a cozinha não devesse ter já qualquer segredo para nós, a entrada nesta terceira fase exige uma readaptação fundamental na forma de nos alimentarmos. A idade e a ruptura com as atividades profissionais anteriores implicam obrigatoriamente profundas mudanças no nosso modo de vida habitual, mudanças que se irão repercutir pouco a pouco no nosso metabolismo. As necessidades nutricionais devem ser adaptadas a estas novas condições e, a partir de agora, passa a ser prioritária uma alimentação de manutenção em vez de uma alimentação energética.

Mas, acima de tudo, o elemento vital indispensável é preparar sempre as próprias refeições. Seja qual for a situação, nunca deixe outra pessoa preparar a sua comida; só você conhece as suas necessidades, e os erros neste nível podem ser fatais. Num casal, é aconselhável alternar a preparação das refeições; a harmonia será ainda maior.

Recomendações para viver bem até uma idade avançada:

  • Fazer a própria cozinha. Se estiver num casal, alternar de vez em quando.
  • Cozinhar numa chama viva (gás, lenha, carvão).
  • Utilizar água de uma fonte potável para cozinhar e para beber.
  • Fazer três pequenas refeições em vez de duas grandes.
  • Preparar uma alimentação simples, vegetariana ou vegan, variada e leve.
  • Cozinhar com mais água, mais azeite/óleo, mais legumes de folha e fruta.
  • Evitar a cozedura no forno e os grelhados.
  • Evitar a todo o custo os extremos energéticos (sal, açúcar, álcool, carne) e os grandes excessos.
  • Todas as semanas, eliminar os sólidos durante um dia (apenas caldo).
  • Consumir 80 a 100 g de proteínas variadas por dia, 6 dias por semana: peixe, carne, ovo, tofu, seitan, queijo de cabra, proteínas de soja.
  • Escutar o seu corpo. Reagir imediatamente em caso de problema, não deixar a doença instalar-se.

Reagir imediatamente, se possível com métodos naturais (homeopatia, argila, banhos derivativos, macrobiótica, jejum, etc.).

MEXER-SE

A terceira liberdade, depois da de pensar e de comer, é naturalmente a de se deslocar, de preferência sozinho e de pé, sobre as próprias pernas. Mover-se sem limitações e sem dor é um privilégio raro nas nossas sociedades modernas.

Vigiar o corpo, estar atento às pequenas dores que surgem ocasionalmente, corrigir ou eventualmente adaptar a alimentação em função de um desequilíbrio passageiro, é um passo essencial que todos deveriam praticar de forma constante.

Para o ajudar neste processo, deveria já ter integrado, há muito tempo, algumas técnicas corporais complementares, como o Do-in, o Tai Chi ou o Yoga. Praticar diariamente — durante meia hora — um destes exercícios, complementado com uma caminhada de uma a duas horas, manterá a flexibilidade e o vigor do corpo até ao grande descanso. A melhor solução, se gosta de animais, é ainda ter um cão: passeios regulares, faça o tempo que fizer, far-lhe-ão muito bem, e o seu companheiro ficará grato.

Mais algumas recomendações: técnicas criativas, meditação, alimentação adaptada e exercício energético não se aprendem num só dia. Para que estas atividades sejam bem integradas no seu quotidiano, é necessário um esforço prolongado; quanto mais cedo começar, maior será a eficácia.

No entanto, para testar da forma mais eficaz a vitalidade dessas capacidades intelectuais quando chegar o momento da reforma, lance-se um último desafio: salte para o desconhecido e faça algo totalmente novo, fora de qualquer lógica, com paixão, de forma irracional e até um pouco louca. Aprender uma língua estrangeira, estudar informática ou astronomia, escrever um livro, fazer pintura ou escultura.

 

 

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