Monday, March 16, 2026

 


MEDITAÇÃO

Dr. Martín Macedo (IN: “Bono Meditación”)

IVª PARTE

SERVIÇO À COMUNIDADE

AUTO REALIZAÇÃO E PRÁTICA MEDITATIVA

 

SERVIÇO À COMUNIDADE

Somos chamados a dar o melhor fruto que formos capazes de produzir. Isso, na minha opinião, é o sentido da existência. Dar a melhor versão possível de nós próprios. Ser o máximo que possamos chegar a ser, é o maior desafio e a maior fonte de satisfação que um ser humano pode experimentar nesta vida fugaz. O destino de um pequeno rebento é tornar-se numa grande árvore. O destino de uma cria de leão é ser um dia um temível predador. Tudo segue a lei natural do crescimento. Tudo está destinado a crescer e a tornar-se o máximo que possa chegar a ser. E todos nós temos uma vocação, um chamamento para desenvolver certas actividades para as quais temos talentos naturais. E quando temos estes dotes é natural e lógico gostarmos de fazer aquilo para o qual fomos "feitos". Assim quem tem vocação para o desporto, encontrará a sua maior satisfação na vida, tornando-se um grande desportista, não para competir (luta de egos), mas pela imensa alegria de seguir o impulso da lei do crescimento que nos leva a ser o melhor que possamos ser. Quem tiver vocação para o direito, que se dedique a ser um grande magistrado.

Quando se sente esse apelo da alma que clama valorosamente, experimenta-se a felicidade em se sacrificar para se tornar o melhor que se deseja e que se acredita poder ser. Que o médico seja um grande médico e que o engenheiro seja um grande engenheiro. Que o cozinheiro seja um verdadeiro mestre e que o construtor faça construções maravilhosas. Ao darmos sempre o nosso melhor, estamos a oferecer um grande presente à comunidade. Porque a maior prenda que podemos dar a nós próprios e à nossa família e amigos; a maior prenda que podemos dar à comunidade é sermos o melhor que possamos chegar a ser. E assim o nosso serviço será grande e generoso. E seremos recordados como seres que brilharam com a sua luz e iluminaram a sua comunidade e o seu tempo com a sua força e vocação para fazer o máximo pela felicidade colectiva. Por isso defendemos e acreditamos que a saúde não é apenas um direito. É também uma "obrigação". Para sermos tudo o que podermos ser, precisamos de um corpo forte, resiliente e cheio de paixão e entusiasmo. Precisamos de uma saúde de ferro. Se estivermos fracos e doentes, deprimidos e intoxicados, que tipo de serviço poderemos oferecer à comunidade? Há muita gente que acredita que servir a comunidade é trabalhar arduamente e sacrificar-se pelo bem comum. E crê que isso é suficiente. Portanto, o que se come e o que se bebe, o que se fuma ou deixa de se fumar é da sua vida privada. O que é importante é o serviço e se ele trabalhou duramente, pode ser considerado um cidadão exemplar e será recordado e amado por séculos. No entanto, danificar o próprio corpo, o próprio templo biológico, diminui as possibilidades de servir de uma forma verdadeiramente grandiosa. A saúde é a base da felicidade individual e colectiva. A prática da meditação prepara-nos para nos conectarmos às nossas potencialidades ilimitadas, que se encontram na exploração do nosso mundo interior. A disciplina da meditação permite-nos encontrar a nossa dimensão divina, a nossa presença de vida que tem a mais alta ambição de amar e servir. Aí compreenderemos a nossa grandeza, a nossa verdadeira identidade e a nossa missão de serviço. E quereremos oferecer um serviço incomparavelmente sublime. E se para isso tivermos de cultivar a saúde como um capital precioso, fá-lo-emos custe o que custar. O nosso amor e a nossa paixão por servir de forma grandiosa varrerão todas as desculpas e desejos mesquinhos. Varrerá todos os vícios que são comportamentos auto-destrutivos e debilitantes. Um amor poderoso pelo bem coletivo é incompatível com práticas tóxicas.

Quem sofre a escravidão das adicções ainda não desenvolveu uma verdadeira paixão para se tornar um grande servidor. E o amor fará o milagre. A meditação assídua faz-nos compreender que todo o poder disponível no Universo está vivo em todas as formas de vida. Quando encontrarmos uma forma de nos identificarmos com esse poder, experimentaremos o verdadeiro amor, pois teremos descoberto que os outros são parte de nós. E vamos querer a felicidade colectiva como queremos a nossa própria felicidade. E a saúde colectiva como queremos a nossa própria saúde. Porque toda a vida está conectada, e quando fazemos coisas positivas para os outros, estamos a fazê-las a nós próprios. Porque não há separação, mesmo que o ego insista que somos especiais e "melhores" por causa dos grandes esforços e sacrifícios que fizemos e continuaremos a fazer pela comunidade.

 

AUTO-REALIZAÇÃO E PRÁTICA MEDITATIVA

O poder encontra-se no presente. A vida é sempre algo que está a acontecer

agora. A nossa vida pode estar diminuída quando estamos perturbados por altos e baixos emocionais. Meditar treina-nos para acalmar as turbulências do ego. E para compreender as armadilhas do ego. O ego torna-nos pequenos. E nós não somos pequenos. Somos gigantes. Somos divinos. Somos génios e viemos para cumprir uma missão única para a qual temos todo o equipamento necessário. A nossa verdadeira essência, isto é, o que realmente somos, só é acessível através do silêncio da prática meditativa. Por isso acredito firmemente, como mencionei no início deste artigo, que todos nós deveríamos meditar, independentemente do nosso local de nascimento, ou da nossa cultura ou tradição religiosa. Nunca encontraremos a nossa grandeza no meio da turbulência da mente egoísta que se debate entre a culpa e a auto compaixão, entre o desejo de vingança e a especulação sobre os perigos do futuro. O ego, como mencionámos anteriormente, procura avidamente segurança e proteção, abrigo e sustento. E esses anseios são tão persistentes e eloquentes, que muitas pessoas vivem toda a sua vida tratando de assegurar bens de consumo e outros itens que lhes deem alguma sensação de segurança e proteção. E trabalham e esforçam-se por os conseguir. E quando o conseguem, comparam o seu nível de segurança e bem-estar material com o de outras pessoas. E se atingiram um nível elevado, consideram-se como pertencendo a uma classe superior, com um nível "socioeconómico" mais elevado. E vão viver para um bairro chique, onde vivem os ricos, aqueles que conseguiram subir alto na escala social. No entanto, não vivem de acordo com a sua grandeza, mas sim em função da necessidade de "segurança" que vem dos anseios do ego. Para conseguir encontrar a nossa verdadeira grandeza, a nossa verdadeira altura, temos de praticar a disciplina do silêncio e da contemplação interior. Aí podemos contemplar a verdadeira vida, a verdadeira grandeza e o verdadeiro amor. Aí, fora dos domínios do ego, tornamo-nos observadores da realidade da vida e das suas infinitas manifestações. E aí encontraremos a paz, a certeza de que somos a totalidade. A totalidade está em nós e nós somos uma parte da totalidade. Então experimentaremos o impulso de desempenhar um papel, um papel que a totalidade atribuiu a uma parte de si mesma. E a totalidade não tem carências, nem fraquezas, nem doenças. Nem pode morrer ou acabar. A totalidade é todo o poder, toda a beleza e a pura eternidade. E nós, a partir da quietude do silêncio meditativo, compreenderemos que somos todo o poder, toda a beleza e toda a eternidade. E a partir dessa grandiosa visão, descemos à Terra para levar a cabo uma missão para a qual fomos divinamente concebidos. E seremos imensamente felizes. E seremos a grandeza. E seremos a paz eterna.

 


 


ADOÇANTES – AÇÚCAR

RESUMO

SABES O QUE O AÇÚCAR FAZ À TUA SAÚDE?

COMO SUBSTITUIR O AÇÚCAR?

ADOÇANTES

NEM AÇÚCAR, NEM SUBSTITUTOS

O QUE SIGNIFICA “TER O SANGUE DOCE”?

 

 

RESUMO

O consumo de açúcar aumentou muito nas últimas décadas e é prejudicial para a saúde, podendo causar dependência e estar associado a várias doenças físicas e mentais: diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares; problemas digestivos e metabólicos; hiperatividade nas crianças, irritabilidade e alterações do humor; enxaquecas, cáries, osteoporose e enfraquecimento do sistema imunitário; possível relação com doenças crónicas e degenerativas; efeitos no comportamento e no cérebro: pode afetar a concentração e aumentar a sensação de fome;  a hipoglicemia pode causar ansiedade, fadiga e depressão; problemas cardíacos, depressão, hiperatividade e até cancro.

O açúcar refinado não tem valor nutricional, aumenta rapidamente a glicose no sangue e obriga o pâncreas a produzir mais insulina, o que pode levar a desequilíbrios metabólicos.

Os hidratos de carbono simples (como pão branco, massa branca e doces) contribuem para esses problemas e recomenda-se reduzir ou evitar o seu consumo.

Substitutos do açúcar - adoçantes naturais e artificiais (como xaropes, açúcar de coco, xilitol e stevia). Muitos deles não são verdadeiramente saudáveis ou são apenas modas promovidas pela indústria alimentar. Alguns podem aumentar o apetite ou ter efeitos secundários digestivos ou hormonais, pelo que a melhor opção para a saúde é reduzir ou eliminar o consumo de açúcar sem recorrer a substitutos, pois muitos adoçantes apresentados como saudáveis são, na prática, apenas alternativas igualmente problemáticas. Mesmo produtos considerados “naturais” — como açúcar de coco, mel, stévia ou xilitol etc. — continuam a ser formas de adoçar que podem ter efeitos negativos no organismo, sobretudo quando consumidos diariamente. Alguns podem provocar alterações metabólicas, digestivas ou hormonais, apesar de terem menos calorias ou índice glicémico diferente.

A principal recomendação é educar o paladar para apreciar o sabor natural dos alimentos e consumir doces apenas em ocasiões especiais em vez de procurar constantemente substitutos do açúcar.. Os maltes de cereais integrais são uma opção mais equilibrada por serem integrais e fermentadas.

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SABES O QUE O AÇÚCAR FAZ À TUA SAÚDE?

O açúcar é uma droga? Sim, o açúcar cria dependência. É um psico-aditivo legal e é um aditivo tóxico.

Atualmente, o consumo de açúcar triplicou e a sua dependência é semelhante à do álcool e do tabaco. Em suma, é um anti-alimento e a droga mais dura que existe; produz em nós uma energia expansiva (yin) que nos desequilibra e deteriora o fígado, o baço-pâncreas, o estômago e o rim. Além disso, afeta o sistema nervoso, o que se evidencia na hiperatividade das crianças quando o consomem.

O consumo de açúcares refinados e gorduras saturadas-trans faz aumentar a irritabilidade.

Não é digerido, vai diretamente para o sangue, causando uma série de alterações físicas e mentais no consumidor. Faz subir o nível de glicose no sangue, obrigando o pâncreas a produzir uma quantidade extra de insulina, que é enviada para a corrente sanguínea, provocando depois uma descida do nível de glicose. Isto, por sua vez, gera no corpo a necessidade de ingerir mais açúcar, e o pâncreas entra em confusão. Hoje existem milhões de diabéticos no mundo e só nos Estados Unidos morrem mais de trezentos mil por ano. A diabetes é consequência da sobredosagem de açúcar e hidratos de carbono refinados.

O açúcar branco refinado é sacarose sintetizada artificialmente sem qualquer componente nutricional. Não nos aporta nada e, além disso, rouba-nos minerais e vitaminas, sobretudo do grupo B. É responsável pela acidez, provoca hipertensão, gera desequilíbrio, muco — humidade — fungos como as cândidas. É responsável pela hiperatividade. Está relacionado com a depressão, a delinquência e o suicídio. Provoca problemas digestivos e metabólicos, rouba vitaminas e minerais alcalinos, altera as funções psicológicas, diminui as defesas, acidifica o sangue e todo o organismo; provoca enxaquecas, osteoporose, cáries, obesidade, etc.

Provoca irritação, aumenta o nível de glicose no sangue, faz trabalhar o pâncreas, gera hipoglicemia reativa e reduz os oligoelementos (a vitamina B1 e o zinco ajudam a compensar). O açúcar gera problemas cardíacos e circulatórios, hepáticos, renais, entre muitos outros.

Aos 45 minutos após o consumo de açúcar, divagamos e não prestamos atenção.

Mas os efeitos do açúcar sobre a nossa saúde vão muito além disso, podendo ser mais graves do que imaginamos. Os tumores desenvolvem-se através do aporte de açúcar na circulação sanguínea. Se comermos muitos “snacks” açucarados, carregados de hidratos de carbono simples, alimentamos o desenvolvimento do cancro. Por isso, uma das estratégias para seguir uma dieta anticancro é adotar uma alimentação sem açúcar, sem hidratos de carbono simples, como pão branco, massa branca, arroz branco e outros produtos “brancos”, também sem adoçantes e sem refrigerantes industriais. Além de evitar o cancro, também nos livraremos da obesidade e da diabetes tipo II.

O alimento do cancro é o açúcar, como se refere no artigo publicado no El País: «O açúcar alimenta o cancro».

Diabetes e hipoglicemia

O açúcar está diretamente relacionado com duas doenças muito conhecidas: a diabetes e a hipoglicemia.

As pessoas hipoglicémicas sofrem um choque de insulina crónico e são rotuladas como nervosas, hipocondríacas, psicóticas, excêntricas, preguiçosas… Os sintomas físicos são: anomalias do ritmo cardíaco, fadiga, insónias, dores de cabeça, alergias, dor no peito, problemas digestivos, cãibras nas extremidades… Muitas vezes surge uma sensação de fome extrema. Os sintomas mentais são depressão, ansiedade, fobias, irritabilidade…

A descida da glicose no sangue afeta rapidamente o cérebro porque é uma importante fonte de energia e nutriente para ele.

Açúcar e cancro

O cancro sobrevive com glicose, e a glicose vive num ambiente ácido. Vemos que o consumo de açúcar leva o ser humano a sofrer desordens do metabolismo, stress nutricional e uma série de doenças espalhadas por todo o mundo. Entre elas destacam-se: cáries dentárias, obesidade, agressividade, delinquência juvenil, hiperatividade nas crianças, deterioração dos neurónios na hipoglicemia, alcoolismo, úlceras gástricas, défices vitamínicos e minerais e cancro, entre outras. São todas doenças que afligem a humanidade tanto física como mentalmente, mas que podem ser evitadas ou tratadas com uma alimentação e um estilo de vida adequados.

No pequeno-almoço das crianças deve evitar-se o açúcar ou o doce, porque faz subir a insulina e, consequentemente, a glicemia, num momento em que precisam de estar concentradas na escola.

A carência de vitamina C e zinco é causa de depressão, e o açúcar também contribui para a depressão.

O cancro alimenta-se de açúcar. Quando consumimos açúcar, o sistema imunitário enfraquece durante 6 horas, tornando-nos mais vulneráveis aos agentes patogénicos.

O elevado consumo de açúcar é a principal causa da maioria das doenças crónicas e degenerativas, como diabetes, Alzheimer, candidíase, eczema, cancro, etc.

COMO SUBSTITUIR O AÇÚCAR?

O sabor doce é um dos mais apetecíveis e não é necessário renunciar a ele. Existem opções saudáveis como a geleia (malte) de arroz, o amazake (arroz fermentado) e, em especial, a stevia.

A stevia é alcalina, contém proteínas, fibra, ferro, fósforo, cálcio, potássio e zinco, rutina, vitaminas A e C. Estimula o pâncreas, é cardiotónica, regula a hipertensão, é diurética e ajuda a controlar a ansiedade alimentar em pessoas obesas. Evita as cáries e a obstipação.

Agora que se aproximam as festas natalícias, é importante ter em conta o impacto que o consumo deste anti-alimento pode ter. Por isso, incentivo-te a conhecer a alimentação que te ajudará a recuperar a saúde — e nem sempre um doce é feito com açúcar.

ADOÇANTES - Xaropes: de ácer, de agave, de beterraba…

Hoje fazemos uma breve análise de três adoçantes populares que muitas pessoas consomem como alternativa ao açúcar, quando na realidade não representam uma alternativa saudável, mas antes uma moda.

O xarope de ácer é a seiva libertada pelos áceres das florestas boreais norte-americanas, que depois é fervida até adquirir a consistência de mel. Cerca de 10 litros de seiva produzem aproximadamente um copo de mel. Pode comparar-se a um sumo fervido.

Tem metade das calorias do açúcar branco, já que o seu teor em sacarose é de 66%. Este facto, juntamente com a publicidade, tornou-o um produto muito popular.

O xarope de agave é, no entanto, um potente adoçante com luzes e sombras; extrai-se das folhas de uma planta semelhante ao aloé. Trata-se também do sumo de uma parte da planta. Alguns chamam-lhe o substituto vegano do mel.

Adoça duas vezes mais do que o açúcar e contém 70% de frutose e 25% de glicose. O elevado teor de frutose não representa qualquer vantagem face à sacarose, pois trata-se igualmente de um açúcar rápido e está fortemente associado ao aumento dos triglicéridos no sangue.

Por outro lado, muitos dos xaropes existentes no mercado são obtidos através de processos químicos pouco saudáveis.

O xarope de beterraba é a melaça resultante da redução do sumo natural concentrado da beterraba-açucareira recém-colhida, após a remoção da fibra. Em muitos casos, é um produto residual da indústria açucareira.

Sem entrar em outras considerações, qualquer sumo está muito longe de ser um alimento integral. Ao eliminar a polpa do alimento de origem desaparecem a fibra e muitos nutrientes indispensáveis ao metabolismo dos açúcares presentes.

Por isso, se procuramos uma alternativa saudável ao açúcar, devemos descobrir os maltes de cereais.

Os maltes de cereais têm aspeto e consistência semelhantes ao mel, mas provêm dos grãos integrais e obtêm-se através de um processo de fermentação natural que converte os amidos em maltoses.

Além de serem alimentos probióticos, são ricos em nutrientes como fibra, vitaminas e minerais. Como a fermentação é feita com o grão integral, não há perda de nutrientes.

Estamos perante um adoçante que, além de ser integral e ecológico, tem efeito probiótico e antioxidante.

Xilitol — adoçante de produção industrial

O xilitol é um dos adoçantes “da moda”, vendido como alternativa saudável ao açúcar. Os argumentos a favor do seu consumo são: é tolerado pelos diabéticos, tem menos calorias do que o açúcar e previne a formação de placa dentária.

Na realidade, trata-se de um álcool de baixo teor obtido através de um complexo processo termoquímico industrial. Provém da casca da bétula, que é triturada até formar uma pasta. Depois é misturada com uma solução ácida e submetida a pressão e calor, permitindo a obtenção da xilose — o açúcar a partir do qual será produzido o xilitol.

Este açúcar é posteriormente fermentado para obter o xilitol. A mistura resultante é centrifugada e purificada com carvão ativado, originando um líquido incolor que, por fim, é cristalizado. O resultado é um produto granulado puro semelhante ao açúcar refinado.

A indústria alimentar utiliza-o como aditivo alimentar, o edulcorante E967, e fala de valores seguros de ingestão diária, como faz com outros aditivos, conservantes, espessantes, etc.

Se o açúcar refinado é um granulado cristalino pertencente à categoria dos “comestíveis”, o xilitol é mais do mesmo. Além disso, não é inócuo.

Entre os seus efeitos nocivos destacam-se alterações digestivas como diarreia, gases e desconforto digestivo, sobretudo em pessoas com síndrome do intestino irritável ou com digestão fraca.

Convido-vos a refletir sobre os artigos que surgem em revistas de grande circulação — alguns assinados por especialistas — que fazem publicidade enganosa disfarçada de informação.

Se um alimento é muito amargo e não gostas do seu sabor, não o consumas. Ao mesmo tempo, educa o teu paladar e aprende a reconhecer o sabor natural dos alimentos — a tua saúde agradecerá.

Os adoçantes artificiais aumentam o apetite

Muitas pessoas recorrem a adoçantes artificiais porque têm menos calorias do que o açúcar, acreditando que ajudarão a emagrecer. No entanto, o consumo habitual desperta o apetite e aumenta a sensação de fome. Assim, paradoxalmente, muitas pessoas que os consomem acabam por engordar.

Os nossos neurónios associam o sabor doce a um elevado aporte energético e, como os adoçantes quase não têm calorias, detetam rapidamente o “engano” e desencadeiam a fome.

O cérebro, como sistema de compensação, aumenta a necessidade de açúcar e gera a sensação de precisar de comida, levando-nos a comer mais.

Se um alimento é tão amargo como o café e não gostas, simplesmente… não o bebas! Não enganes o teu paladar com adoçantes artificiais.

NEM AÇÚCAR, NEM SUBSTITUTOS

Muitas pessoas, depois de terem lido sobre os efeitos prejudiciais do açúcar, querem deixá-lo e procuram substitutos. Mas, tal como quando deixamos de beber leite de vaca não o substituímos por outro, com o açúcar deveríamos fazer o mesmo.

A decisão muitas vezes não é fácil, pois a indústria alimentar oferece-nos alternativas supostamente saudáveis como:

  • edulcorantes químicos que não engordam
  • açúcares exóticos aos quais se atribuem múltiplas virtudes
  • açúcares integrais que não têm grandes diferenças em relação ao branco
  • stévia, que tem efeitos adversos que não são referidos
  • álcoois extraídos da madeira de bétula tolerados pelos diabéticos
  • mel de abelha, que pode produzir reações alérgicas, etc.

Embora alguns dos produtos citados tenham mais vitaminas e minerais do que o açúcar branco, ou os seus açúcares sigam uma via metabólica que não requer insulina, não são alternativas para usar diariamente em caso algum.

Devemos reconhecer o sabor natural dos alimentos sem necessidade de os “maquilhar”. A pastelaria caseira, mesmo que seja feita com farinha integral e gorduras saudáveis, continua a ser pastelaria, ou seja, um alimento que está muito longe das frutas e legumes de sabor naturalmente doce.

Tal como a cafeína e o álcool, os doces deveriam ser deixados para ocasiões especiais, em vez de nos enganarmos procurando substitutos.

A melhor estratégia para deixar o açúcar é ensinar o paladar a reconhecer o sabor real dos alimentos.

A moda do açúcar de coco

O açúcar de coco é um adoçante natural extraído da seiva da palmeira. Ao fazer um corte na flor da palmeira do coco, a seiva que brota é recolhida em recipientes preparados para o efeito. Esta substância contém aproximadamente 80% de água, 15% de açúcar e 5% de sais minerais. Posteriormente é submetida a altas temperaturas para evaporar a água, resultando num produto muito semelhante ao açúcar integral.

Embora existam muitos artigos que elogiam as suas virtudes, trata-se apenas de publicidade encapotada. Por exemplo, quando se diz que tem um índice glicémico baixo e se “vende” como tolerado pelos diabéticos, isso não significa que melhore a diabetes, pois continua a ser açúcar. A frutose, da qual é muito rica, é um açúcar simples implicado em doenças como fígado gordo não alcoólico, obesidade, hipertensão, etc.

É o adoçante com maior quantidade de potássio, o que lhe confere uma qualidade fortemente yin. Recordemos que o equilíbrio sódio/potássio é um requisito essencial para a saúde.

Apesar de ser mais natural do que o açúcar branco por não ser refinado, o açúcar de coco não traz qualquer benefício para a saúde. Os seus efeitos no organismo são, no final, quase os mesmos que os do açúcar de cana. Por isso, devemos distinguir entre informação verdadeira e as modas criadas pela publicidade disfarçada.

A stévia

Um adoçante que muitos recomendam como substituto do açúcar. Descobre se as vantagens que lhe são atribuídas são reais ou se, mais uma vez, se trata de publicidade encapotada.

É um arbusto originário do Paraguai utilizado como adoçante natural há séculos. Os indígenas usavam as folhas inteiras. Desde 2009, a FDA (Food and Drug Administration – Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA) aprovou o uso da stévia como produto refinado substituto do açúcar. Trata-se de um adoçante sem calorias, ou seja, não fornece energia, e tem um poder adoçante 200 a 300 vezes superior ao do açúcar. Visto assim, parece fantástico, pois permite “adoçar a vida” sem engordar. No entanto, devemos lembrar uma lei da natureza que todos conhecemos: tudo o que tem um lado positivo tem também o seu reverso — e quanto maior o lado positivo, maior o reverso.

Neste caso, o lado positivo seria o elevado poder adoçante e a tolerância pelos diabéticos em pequenas quantidades; e o reverso, possíveis complicações para a saúde, desde náuseas, dores musculares, rigidez e fadiga, até problemas de fertilidade e outras alterações hormonais. A stévia não tem a categoria de alimento natural, integral e biológico, mas sim de produto refinado.

O QUE SIGNIFICA “TER O SANGUE DOCE”?

Existe uma expressão popular que diz: se os mosquitos te picam, é porque tens o sangue doce. Mas o que há de verdade neste ditado?

As fêmeas dos mosquitos são as únicas que picam e fazem-no porque detetam a quantidade de CO que emitimos ao respirar. O tipo de alimentação e a atividade metabólica de cada pessoa determinam a quantidade de dióxido de carbono produzida. Este facto não está relacionado com a raça, o sexo ou, por exemplo, a gravidez.

O consumo de açúcar, doces, bolachas, gelados, etc., ou seja, alimentos ricos em hidratos de carbono de absorção rápida, aumenta a atividade metabólica em todos os casos, gerando mais dióxido de carbono.

Os mosquitos também detetam o ácido láctico que produzimos em maior quantidade quando ingerimos açúcares refinados, pois nesse caso o equilíbrio metabólico da nossa alimentação é acidificante.

Devemos saber que, por cada molécula de glicose metabolizada, são geradas seis moléculas de dióxido de carbono e seis moléculas de água, segundo a seguinte reação química que alguns recordam da escola:

CH₁₂O + 6O → 6CO + 6HO + energia

Falando com rigor, as pessoas que são picadas por mosquitos têm o sangue ácido — o que, numa linguagem coloquial, equivale a dizer que têm o sangue doce.

 

REFERÊNCIAS

·       https://www.mangelsmestre.com/main/wp-content/uploads/sites/4/2019/12/Sugar-blues_WilliamDufty.pdf

·       https://www.elenacorrales.com/blogelenacorrales/lunes-160614-los-efectos-del-azucar-iii/

·       https://www.elenacorrales.com/blogelenacorrales/11-06719-azucar-y-delincuencia-falta-foto/~

·       https://www.elenacorrales.com/blogelenacorrales/08-03-19-ni-azucar-ni-sustitutos/

·       https://www.elenacorrales.com/blogelenacorrales/azucar-dulce-veneno/

·       https://www.elenacorrales.com/blogelenacorrales/sustituir-el-azucar/

 


 

MEDITAÇÃO

Dr. Martín Macedo (IN: “Bono Meditación”)

IIIª PARTE

A TÉCNICA PARA MEDITAR

COMPROMISSO COM A PRÁTICA

 

A TÉCNICA PARA MEDITAR

Muito mais importante do que a técnica de meditação ou a postura ou o estilo ou a escola é a vontade de meditar. A compreensão da sua importância uma vez que tomamos consciência dela, a determinação de a fazer todos os dias da nossa vida sem falhar um único dia. É claro que, por vezes, não conseguiremos cumprir o tempo estipulado, porque a vida quotidiana tem os seus imprevistos, os seus altos e baixos. Mas se estivermos verdadeiramente determinados a meditar para o resto da nossa vida, aconteça o que acontecer, mesmo com esses imprevistos, criaremos o forte hábito de meditar todos os dias ou 99% dos dias.

O importante é compreender a sua vital importância e a magnitude dos benefícios que trará para a nossa vida pessoal e para a nossa saúde. Quando o compreendermos verdadeiramente, quando compreendermos que é uma ferramenta muito poderosa para ultrapassar todos os medos que nos destroem emocionalmente, surge a VONTADE DE MEDITAR O RESTO DOS NOSSOS DIAS. E assim faremos o juramento de nos convertermos em meditadores vitalícios. Neste estado de determinação, não há lugar para desculpas. Agora somos meditadores e vamos fazê-lo para o resto das nossas vidas e, aconteça o que acontecer, continuaremos esta prática até ao fim dos nossos dias. Tendo essa vontade, podemos experimentar diferentes técnicas meditativas. Existem tantas quantos os mestres e as escolas de meditação. É conveniente experimentar várias e a seguir decidir qual delas se adapta melhor à nossa personalidade e carácter. Comecei em 1991, praticando com um grupo numeroso que seguia a escola zen, e dentro do zen, a escola do mestre Taisen Deshimaru, que pratica o estilo Soto Zen. A outra escola importante é a Rinzai Zen. Existem algumas diferenças. Mas em 1991, o Soto Zen teve uma explosão de seguidores em todo o mundo ocidental, devido ao carisma e à atracção mágica do mestre Taisen Deshimaru (ver vídeos no Youtube- https://www.youtube.com/playlist?list=PLCPdskGOz7KzWHszWTYiZTz1w5KsuHd-h. O mestre foi enviado a Paris pelos superiores da escola Soto. Aí, Taisen concentrou-se no seu propósito de difundir o zazen (a prática da meditação) e pôs-se a praticar, a estudar e a viver de acordo com os ensinamentos tradicionais. E funcionou. Em pouco tempo, tinha dezenas de estudantes franceses entusiastas e, pouco a pouco, começou a ganhar simpatizantes em toda a Europa. E como tudo é quântico, o Universo conspirou e ajudou poderosamente o mestre Deshimaru, gerando uma "explosão zen" na década dos anos 1990. Foi um "boom Soto Zen". Esta poderosa explosão também chegou à América Latina e começaram pequenos grupos, porém muito empenhados, a praticar no Brasil, na Argentina, no Chile, no Uruguai e outros países. Em 1991 a escola Soto estava no seu melhor momento. E em Montevideu, funcionava um grupo dirigido por um mestre de aikido e psicólogo, que tinha feito votos como monge zen. Tinha rapado a cabeça e usava um "kesha", um hábito negro, típico dos monges que faziam os dois votos do Zen Soto. O voto de meditar todos os dias da sua vida e o voto de contribuir para a difusão da prática do zazen (a meditação propriamente dita). Aos domingos, às 19 horas, começava a prática e durante a hora seguinte, toda a atenção dos participantes se concentrava na meditação, no zazen. Soava um sino de madeira, tal como o fazem no Japão, e todos entrávamos para meditar. Havia uma média de 50 praticantes todos os domingos, o que era um grande êxito para um grupo de meditação. Mais do que um grupo de karaté ou de aikido, mais do que uma classe de ginástica localizada. Um verdadeiro êxito "zen".

A meditação Zen dá uma importância crucial à postura. Para aprender corretamente a postura, sugiro ao leitor que experimente durante um mês ou dois a prática do zen, seja num grupo na sua própria cidade, seja participando num retiro que é realizado regularmente em várias cidades das Américas. Em Córdoba e em São Paulo existem templos zen, o que significa que aí a atividade é particularmente intensa e que há regularmente retiros e jornadas de treino. A postura no Soto Zen é sentado numa almofada com as pernas cruzadas em posição de lótus ou meio-lótus. Os que não suportam a posição de meio-lótus, simplesmente sentam-se no "zafu" (almofada) e cruzam as pernas da forma que lhes for mais confortável. As costas direitas com uma ligeira inclinação da bacia para a frente (ligeira lordose). O queixo ligeiramente inclinado para a frente e a ponta da língua apoiada no céu da boca, atrás dos dentes incisivos superiores. As mãos apoiam-se no colo, com a palma direita por baixo e a mão esquerda por cima. Os polegares tocam-se levemente pelas pontas, sem forçar. A sensação que se tem quando se atinge a postura é a de ser um arco que está ligeiramente tenso para lançar uma flecha. Quando se treina, sente-se uma agradável sensação de conseguir essa postura zazen, tão elegante e poderosa. Soa um sino de bronze um par de vezes e reina o mais absoluto silêncio. Ouve-se o som de crianças a brincar, pássaros a cantar, carros a passar. Esses ruídos fazem parte da realidade do agora e não devem ser considerados como obstáculos ou distracções. Aceitam-se simplesmente. Durante o zazen aceita-se tudo. Não há luta. Aceitam-se os pensamentos que surgem, as dores que aparecem, as emoções que surgem, e a temperatura da sala de meditação. E os cheiros. Tudo é aceite. Aceitação é pacificação. Não há conflito. O que é simplesmente É. Não posso lutar ou revoltar-me contra o que É, porque continuará a SER apesar da minha irritação. Então levo a minha atenção

para a respiração. Abdominal, profunda, expirando lentamente, muito lentamente. Inspira-se quando sentimos que precisamos, brevemente e a seguir expiramos muito lentamente. E é assim que se treina. Levando a atenção para a bonita e elegante postura e, por outro lado, para a respiração. Postura e respiração. Não se luta contra os pensamentos que surgem. Deixamo-los passar como as nuvens passam no céu. Um pormenor importante. O praticante senta-se de frente para a parede e os olhos não estão fechados, mas entreabertos. É um caminho de treino e experiência. Com o tempo, acaba-se por amar apaixonadamente esta prática. As sensações que se experimentam ao fim de 20 ou 30 minutos, ou mesmo ao fim de uma hora, são indescritíveis e a única maneira de as sentir é fazendo a experiência. Ao fim de 30 minutos, tocava um pequeno sino e quebrávamos a sólida postura e levantávamo-nos. A meditação não acabou, é apenas um descanso para as pernas. É o que se chama "kin in". Continuamos em silêncio, meditando, mas de pé, caminhando muito lentamente até dar uma volta completa à sala de meditação. Logo toca o sino novamente e voltamos ao nosso lugar frente à parede e na posição. Ao zazen. Ao belo zazen. Ao glorioso zazen.

Durante a segunda meia hora de prática, o instrutor lê em voz muito calma algumas passagens de histórias de monges e mestres com um ensinamento subtil, que chega à mente durante a calma da meditação. Assim, se entra num estado de presença. Aqui e agora eu estou aqui, nesta postura, com esta respiração abdominal profunda. Sentindo e aceitando o que estou a sentir. Tentando manter-me atento apenas à postura e à respiração PRESENTE. Toda a atenção no presente. E uso o meu corpo, a minha respiração, a minha postura física para contemplar o AGORA, o lugar onde estão todos os potenciais. Todos, os actuais, os passados e os futuros. O agora contém tudo, toda a dimensão da vida infinita, que está a pulsar agora.

Não tem outro momento para o fazer. No agora tornamo-nos infinitos. Sem carências, sem medos, sem cálculos. Só a vida, a beleza, só o SER. É difícil explicar isto em palavras. Zazen é uma experiência. As palavras só nos aproximam de vislumbrar a majestosidade da prática do zazen. Mas a seguir vamos para casa e meditamos sem companheiros, sem rituais, sem instrutor. Fazemos o nosso próprio zazen. Personalizamo-lo. E está bem, porque, mais cedo ou mais tarde, teremos de dar o salto para a mestria. E um mestre não precisa de imitar outros praticantes. Confia na sua grande experiência e partilha-a.

Há muitas outras formas de meditação. E todas são válidas. Desde que a nossa intuição nos guie. Mas a meditação sempre tem algumas características. A primeira é o silêncio. Não pode ser guiada, nem por música, nem por cassetes, nem pela voz de um facilitador. Os exercícios que são muito bons pelos seus efeitos salutares não podem chamar-se meditação. São exercícios de visualização ou, quando muito, meditação guiada. Mas não meditação.

A meditação é SILÊNCIO. A postura: as costas direitas. Não se pode meditar deitado. Se estivermos deitados não é meditação. Será relaxamento ou, no máximo, uma pseudo-meditação. Finalmente, a atenção. A atenção centra-se numa só coisa. Ou na respiração ou num mantra ou num som ou num som ou na contemplação de uma imagem religiosa, mas só numa coisa, a atenção foca-se. Meditar é concentrar-se. Concentração é encontro com o poder, com o poder da presença. Há quem medite contemplando uma vela. Isso também é válido. A meditação da vela. Silêncio, sentar-se direito e focar a atenção numa só coisa. E a mente começa a acalmar-se. E surge a paz. Com o tempo, os progressos vão-se acrescentando e passados alguns anos, surge um poder mágico. Mas é algo intransferível. Há que praticar e praticar. E perseverar. E comprometer-se ......

COMPROMISSO COM A PRÁTICA

Trata-se de uma palavra não muito atraente. As pessoas não gostam de se comprometer. Consideram-no como uma perda de liberdade. É compreensível. Mas é importante compreender que se não nos comprometermos com algumas coisas na vida, não podemos avançar e crescer.

Se um estudante não se comprometer com o seu processo de formação académica, nunca se formará. Compromisso significa com uma promessa. A promessa de perseverar até atingir a meta, o objetivo, o propósito. As pessoas jovens e com pouca experiência fogem dos compromissos, são informais. Mas à medida que crescem e amadurecem, percebem que sem compromisso não há forma de crescer e atingir um alto nível de desenvolvimento em nenhuma área. Comprometemo-nos com um trabalho, com uma família, com uma relação, com uma causa. Dessa forma, é possível ganhar estabilidade e firmar-se. Com a prática da meditação acontece o mesmo. Se não nos comprometermos a praticar diligentemente e a perseverar todos os dias durante anos, durante uma vida inteira, nunca chegaremos a ser praticantes avançados ou mestres.

O mestre é um mestre porque se comprometeu e cumpriu a sua promessa (com uma promessa). Apesar dos inconvenientes, dos altos e baixos emocionais, das dificuldades económicas ou familiares, faltas de saúde, o praticante empenhado continua e continua com uma vontade férrea. E continua a sua prática, com toda a sua determinação, com toda a sua paixão, com todo o seu amor pela prática da meditação. Ele compreendeu que a meditação lhe dá a força e a sabedoria para enfrentar melhor esses problemas, essas dificuldades que outros poderão utilizar como desculpas para abandonar a prática. Dizem os praticantes avançados de zazen que são necessários dez anos de prática diligente e assídua para chegar a ser instrutor. É impossível praticar por 10 anos ininterruptos, contra todas as dificuldades, sem um forte compromisso. Esse compromisso é basicamente para consigo próprio. Não tem necessariamente de ser um acto formal, diante de professores ou de outras pessoas com assinaturas de pergaminhos. É simplesmente a decisão de atingir um determinado nível de aprofundamento na prática da meditação. Surge da constatação de que só aprofundando a sua prática se acederá à paz poderosa, à saúde brilhante e à libertação do medo. Uma vez que decidamos aceder a estes poderosos benefícios físicos, mentais e espirituais, surge a vontade de nos comprometermos. Prometermos não desistir até lá chegar. Custe o que custar. Ainda que tenhamos de morrer a tentar. Só os corajosos fazem grandes promessas e têm a força interior para manter a sua palavra. Como um alpinista que contempla o cume de uma grande montanha. Deseja de todo o coração chegar ao topo e anuncia aos seus amigos que está determinado a fazê-lo. Ele sabe que não será fácil, que haverá momentos de cansaço e de medo. Mas está determinado. Está decidido. O seu desejo é mais forte do que os obstáculos. A sua paixão é maior do que qualquer desculpa. Está comprometido com o seu amor próprio, com os seus amigos, com o seu país, com a humanidade. O empenho dar-lhe-á força. Vai levá-lo até lá. Não admite a possibilidade de desistir. O compromisso dar-lhe-á a força necessária. Irá lá chegar. Não admite sequer a possibilidade de se render. O compromisso é para valentes. E os valentes são os que fizeram história. Grandes seres empenhados em realizar grandes sonhos, grandes propósitos. E se quisermos alcançar um grande desenvolvimento espiritual, teremos de escalar o nosso próprio Evereste. E se nos empenharmos verdadeiramente, com todo o nosso ser, com toda a nossa alma, mesmo à custa da própria vida, chegaremos lá. E conheceremos a glória. Aquela que é saboreada por aqueles que são capazes de cumprir as suas promessas. Porque a humanidade está à espera da melhor versão de nós próprios a que sejamos capazes de alcançar. Essa é a nossa maior prenda. Essa é a maior felicidade. A felicidade dos grandes seres. Generosos. E imortais. Como tu e eu.




  MEDITAÇÃO Dr. Martín Macedo ( IN:   “Bono Meditación” ) IVª PARTE SERVIÇO À COMUNIDADE AUTO REALIZAÇÃO E PRÁTICA MEDITATIVA   ...