MEDITAÇÃO
Dr.
Martín Macedo (IN: “Bono Meditación”)
IVª PARTE
SERVIÇO À COMUNIDADE
AUTO REALIZAÇÃO E PRÁTICA MEDITATIVA
SERVIÇO À COMUNIDADE
Somos chamados a dar o melhor
fruto que formos capazes de produzir. Isso, na minha opinião, é o sentido da
existência. Dar a melhor versão possível de nós próprios. Ser o máximo que possamos
chegar a ser, é o maior desafio e a maior fonte de satisfação que um ser humano
pode experimentar nesta vida fugaz. O destino de um pequeno rebento é tornar-se
numa grande árvore. O destino de uma cria de leão é ser um dia um temível
predador. Tudo segue a lei natural do crescimento. Tudo está destinado a
crescer e a tornar-se o máximo que possa chegar a ser. E todos nós temos uma
vocação, um chamamento para desenvolver certas actividades para as quais temos
talentos naturais. E quando temos estes dotes é natural e lógico gostarmos de
fazer aquilo para o qual fomos "feitos". Assim quem tem vocação para
o desporto, encontrará a sua maior satisfação na vida, tornando-se um grande
desportista, não para competir (luta de egos), mas pela imensa alegria de
seguir o impulso da lei do crescimento que nos leva a ser o melhor que possamos
ser. Quem tiver vocação para o direito, que se dedique a ser um grande
magistrado.
Quando se sente esse apelo da
alma que clama valorosamente, experimenta-se a felicidade em se sacrificar para
se tornar o melhor que se deseja e que se acredita poder ser. Que o médico seja
um grande médico e que o engenheiro seja um grande engenheiro. Que o cozinheiro
seja um verdadeiro mestre e que o construtor faça construções maravilhosas. Ao
darmos sempre o nosso melhor, estamos a oferecer um grande presente à
comunidade. Porque a maior prenda que podemos dar a nós próprios e à nossa
família e amigos; a maior prenda que podemos dar à comunidade é sermos o melhor
que possamos chegar a ser. E assim o nosso serviço será grande e generoso. E
seremos recordados como seres que brilharam com a sua luz e iluminaram a sua
comunidade e o seu tempo com a sua força e vocação para fazer o máximo pela
felicidade colectiva. Por isso defendemos e acreditamos que a saúde não é
apenas um direito. É também uma "obrigação". Para sermos tudo o que
podermos ser, precisamos de um corpo forte, resiliente e cheio de paixão e
entusiasmo. Precisamos de uma saúde de ferro. Se estivermos fracos e doentes,
deprimidos e intoxicados, que tipo de serviço poderemos oferecer à comunidade?
Há muita gente que acredita que servir a comunidade é trabalhar arduamente e
sacrificar-se pelo bem comum. E crê que isso é suficiente. Portanto, o que se come
e o que se bebe, o que se fuma ou deixa de se fumar é da sua vida privada. O
que é importante é o serviço e se ele trabalhou duramente, pode ser considerado
um cidadão exemplar e será recordado e amado por séculos. No entanto, danificar
o próprio corpo, o próprio templo biológico, diminui as possibilidades de
servir de uma forma verdadeiramente grandiosa. A saúde é a base da felicidade individual
e colectiva. A prática da meditação prepara-nos para nos conectarmos às nossas
potencialidades ilimitadas, que se encontram na exploração do nosso mundo
interior. A disciplina da meditação permite-nos encontrar a nossa dimensão
divina, a nossa presença de vida que tem a mais alta ambição de amar e servir.
Aí compreenderemos a nossa grandeza, a nossa verdadeira identidade e a nossa
missão de serviço. E quereremos oferecer um serviço incomparavelmente sublime. E
se para isso tivermos de cultivar a saúde como um capital precioso, fá-lo-emos custe
o que custar. O nosso amor e a nossa paixão por servir de forma grandiosa
varrerão todas as desculpas e desejos mesquinhos. Varrerá todos os vícios que
são comportamentos auto-destrutivos e debilitantes. Um amor poderoso pelo bem
coletivo é incompatível com práticas tóxicas.
Quem sofre a escravidão das adicções ainda
não desenvolveu uma verdadeira paixão para se tornar um grande servidor. E o
amor fará o milagre. A meditação assídua faz-nos compreender que todo o poder
disponível no Universo está vivo em todas as formas de vida. Quando
encontrarmos uma forma de nos identificarmos com esse poder, experimentaremos o
verdadeiro amor, pois teremos descoberto que os outros são parte de nós. E vamos
querer a felicidade colectiva como queremos a nossa própria felicidade. E a
saúde colectiva como queremos a nossa própria saúde. Porque toda a vida está conectada,
e quando fazemos coisas positivas para os outros, estamos a fazê-las a nós
próprios. Porque não há separação, mesmo que o ego insista que somos especiais
e "melhores" por causa dos grandes esforços e sacrifícios que fizemos
e continuaremos a fazer pela comunidade.
AUTO-REALIZAÇÃO E PRÁTICA
MEDITATIVA
O poder encontra-se no
presente. A vida é sempre algo que está a acontecer
agora. A nossa vida pode estar
diminuída quando estamos perturbados por altos e baixos emocionais. Meditar
treina-nos para acalmar as turbulências do ego. E para compreender as
armadilhas do ego. O ego torna-nos pequenos. E nós não somos pequenos. Somos gigantes.
Somos divinos. Somos génios e viemos para cumprir uma missão única para a qual
temos todo o equipamento necessário. A nossa verdadeira essência, isto é, o que
realmente somos, só é acessível através do silêncio da prática meditativa. Por
isso acredito firmemente, como mencionei no início deste artigo, que todos nós
deveríamos meditar, independentemente do nosso local de nascimento, ou da nossa
cultura ou tradição religiosa. Nunca encontraremos a nossa grandeza no meio da
turbulência da mente egoísta que se debate entre a culpa e a auto compaixão,
entre o desejo de vingança e a especulação sobre os perigos do futuro. O ego,
como mencionámos anteriormente, procura avidamente segurança e proteção, abrigo
e sustento. E esses anseios são tão persistentes e eloquentes, que muitas
pessoas vivem toda a sua vida tratando de assegurar bens de consumo e outros
itens que lhes deem alguma sensação de segurança e proteção. E trabalham e
esforçam-se por os conseguir. E quando o conseguem, comparam o seu nível de
segurança e bem-estar material com o de outras pessoas. E se atingiram um nível
elevado, consideram-se como pertencendo a uma classe superior, com um nível
"socioeconómico" mais elevado. E vão viver para um bairro chique,
onde vivem os ricos, aqueles que conseguiram subir alto na escala social. No
entanto, não vivem de acordo com a sua grandeza, mas sim em função da necessidade
de "segurança" que vem dos anseios do ego. Para conseguir encontrar a
nossa verdadeira grandeza, a nossa verdadeira altura, temos de praticar a
disciplina do silêncio e da contemplação interior. Aí podemos contemplar a
verdadeira vida, a verdadeira grandeza e o verdadeiro amor. Aí, fora dos
domínios do ego, tornamo-nos observadores da realidade da vida e das suas
infinitas manifestações. E aí encontraremos a paz, a certeza de que somos a
totalidade. A totalidade está em nós e nós somos uma parte da totalidade. Então
experimentaremos o impulso de desempenhar um papel, um papel que a totalidade
atribuiu a uma parte de si mesma. E a totalidade não tem carências, nem
fraquezas, nem doenças. Nem pode morrer ou acabar. A totalidade é todo o poder,
toda a beleza e a pura eternidade. E nós, a partir da quietude do silêncio
meditativo, compreenderemos que somos todo o poder, toda a beleza e toda a
eternidade. E a partir dessa grandiosa visão, descemos à Terra para levar a
cabo uma missão para a qual fomos divinamente concebidos. E seremos imensamente
felizes. E seremos a grandeza. E seremos a paz eterna.


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