Monday, March 16, 2026

 


MEDITAÇÃO

Dr. Martín Macedo (IN: “Bono Meditación”)

IVª PARTE

SERVIÇO À COMUNIDADE

AUTO REALIZAÇÃO E PRÁTICA MEDITATIVA

 

SERVIÇO À COMUNIDADE

Somos chamados a dar o melhor fruto que formos capazes de produzir. Isso, na minha opinião, é o sentido da existência. Dar a melhor versão possível de nós próprios. Ser o máximo que possamos chegar a ser, é o maior desafio e a maior fonte de satisfação que um ser humano pode experimentar nesta vida fugaz. O destino de um pequeno rebento é tornar-se numa grande árvore. O destino de uma cria de leão é ser um dia um temível predador. Tudo segue a lei natural do crescimento. Tudo está destinado a crescer e a tornar-se o máximo que possa chegar a ser. E todos nós temos uma vocação, um chamamento para desenvolver certas actividades para as quais temos talentos naturais. E quando temos estes dotes é natural e lógico gostarmos de fazer aquilo para o qual fomos "feitos". Assim quem tem vocação para o desporto, encontrará a sua maior satisfação na vida, tornando-se um grande desportista, não para competir (luta de egos), mas pela imensa alegria de seguir o impulso da lei do crescimento que nos leva a ser o melhor que possamos ser. Quem tiver vocação para o direito, que se dedique a ser um grande magistrado.

Quando se sente esse apelo da alma que clama valorosamente, experimenta-se a felicidade em se sacrificar para se tornar o melhor que se deseja e que se acredita poder ser. Que o médico seja um grande médico e que o engenheiro seja um grande engenheiro. Que o cozinheiro seja um verdadeiro mestre e que o construtor faça construções maravilhosas. Ao darmos sempre o nosso melhor, estamos a oferecer um grande presente à comunidade. Porque a maior prenda que podemos dar a nós próprios e à nossa família e amigos; a maior prenda que podemos dar à comunidade é sermos o melhor que possamos chegar a ser. E assim o nosso serviço será grande e generoso. E seremos recordados como seres que brilharam com a sua luz e iluminaram a sua comunidade e o seu tempo com a sua força e vocação para fazer o máximo pela felicidade colectiva. Por isso defendemos e acreditamos que a saúde não é apenas um direito. É também uma "obrigação". Para sermos tudo o que podermos ser, precisamos de um corpo forte, resiliente e cheio de paixão e entusiasmo. Precisamos de uma saúde de ferro. Se estivermos fracos e doentes, deprimidos e intoxicados, que tipo de serviço poderemos oferecer à comunidade? Há muita gente que acredita que servir a comunidade é trabalhar arduamente e sacrificar-se pelo bem comum. E crê que isso é suficiente. Portanto, o que se come e o que se bebe, o que se fuma ou deixa de se fumar é da sua vida privada. O que é importante é o serviço e se ele trabalhou duramente, pode ser considerado um cidadão exemplar e será recordado e amado por séculos. No entanto, danificar o próprio corpo, o próprio templo biológico, diminui as possibilidades de servir de uma forma verdadeiramente grandiosa. A saúde é a base da felicidade individual e colectiva. A prática da meditação prepara-nos para nos conectarmos às nossas potencialidades ilimitadas, que se encontram na exploração do nosso mundo interior. A disciplina da meditação permite-nos encontrar a nossa dimensão divina, a nossa presença de vida que tem a mais alta ambição de amar e servir. Aí compreenderemos a nossa grandeza, a nossa verdadeira identidade e a nossa missão de serviço. E quereremos oferecer um serviço incomparavelmente sublime. E se para isso tivermos de cultivar a saúde como um capital precioso, fá-lo-emos custe o que custar. O nosso amor e a nossa paixão por servir de forma grandiosa varrerão todas as desculpas e desejos mesquinhos. Varrerá todos os vícios que são comportamentos auto-destrutivos e debilitantes. Um amor poderoso pelo bem coletivo é incompatível com práticas tóxicas.

Quem sofre a escravidão das adicções ainda não desenvolveu uma verdadeira paixão para se tornar um grande servidor. E o amor fará o milagre. A meditação assídua faz-nos compreender que todo o poder disponível no Universo está vivo em todas as formas de vida. Quando encontrarmos uma forma de nos identificarmos com esse poder, experimentaremos o verdadeiro amor, pois teremos descoberto que os outros são parte de nós. E vamos querer a felicidade colectiva como queremos a nossa própria felicidade. E a saúde colectiva como queremos a nossa própria saúde. Porque toda a vida está conectada, e quando fazemos coisas positivas para os outros, estamos a fazê-las a nós próprios. Porque não há separação, mesmo que o ego insista que somos especiais e "melhores" por causa dos grandes esforços e sacrifícios que fizemos e continuaremos a fazer pela comunidade.

 

AUTO-REALIZAÇÃO E PRÁTICA MEDITATIVA

O poder encontra-se no presente. A vida é sempre algo que está a acontecer

agora. A nossa vida pode estar diminuída quando estamos perturbados por altos e baixos emocionais. Meditar treina-nos para acalmar as turbulências do ego. E para compreender as armadilhas do ego. O ego torna-nos pequenos. E nós não somos pequenos. Somos gigantes. Somos divinos. Somos génios e viemos para cumprir uma missão única para a qual temos todo o equipamento necessário. A nossa verdadeira essência, isto é, o que realmente somos, só é acessível através do silêncio da prática meditativa. Por isso acredito firmemente, como mencionei no início deste artigo, que todos nós deveríamos meditar, independentemente do nosso local de nascimento, ou da nossa cultura ou tradição religiosa. Nunca encontraremos a nossa grandeza no meio da turbulência da mente egoísta que se debate entre a culpa e a auto compaixão, entre o desejo de vingança e a especulação sobre os perigos do futuro. O ego, como mencionámos anteriormente, procura avidamente segurança e proteção, abrigo e sustento. E esses anseios são tão persistentes e eloquentes, que muitas pessoas vivem toda a sua vida tratando de assegurar bens de consumo e outros itens que lhes deem alguma sensação de segurança e proteção. E trabalham e esforçam-se por os conseguir. E quando o conseguem, comparam o seu nível de segurança e bem-estar material com o de outras pessoas. E se atingiram um nível elevado, consideram-se como pertencendo a uma classe superior, com um nível "socioeconómico" mais elevado. E vão viver para um bairro chique, onde vivem os ricos, aqueles que conseguiram subir alto na escala social. No entanto, não vivem de acordo com a sua grandeza, mas sim em função da necessidade de "segurança" que vem dos anseios do ego. Para conseguir encontrar a nossa verdadeira grandeza, a nossa verdadeira altura, temos de praticar a disciplina do silêncio e da contemplação interior. Aí podemos contemplar a verdadeira vida, a verdadeira grandeza e o verdadeiro amor. Aí, fora dos domínios do ego, tornamo-nos observadores da realidade da vida e das suas infinitas manifestações. E aí encontraremos a paz, a certeza de que somos a totalidade. A totalidade está em nós e nós somos uma parte da totalidade. Então experimentaremos o impulso de desempenhar um papel, um papel que a totalidade atribuiu a uma parte de si mesma. E a totalidade não tem carências, nem fraquezas, nem doenças. Nem pode morrer ou acabar. A totalidade é todo o poder, toda a beleza e a pura eternidade. E nós, a partir da quietude do silêncio meditativo, compreenderemos que somos todo o poder, toda a beleza e toda a eternidade. E a partir dessa grandiosa visão, descemos à Terra para levar a cabo uma missão para a qual fomos divinamente concebidos. E seremos imensamente felizes. E seremos a grandeza. E seremos a paz eterna.

 


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