Sunday, April 26, 2026

 


As algas marinhas comestíveis
Dra. Elena Corrales
https://www.elenacorrales.com/blogelenacorrales/tag/algas/

resumo

As algas marinhas comestíveis, conhecidas como “legumes do mar”, são alimentos antigos e muito nutritivos, consumidos por várias culturas ao longo da história. Destacam-se pela sua elevada densidade nutricional, sendo ricas em minerais, vitaminas, proteínas, fibra e gorduras saudáveis.

Têm diversos benefícios para a saúde: ajudam a equilibrar o pH, estimulam o metabolismo, contribuem para a desintoxicação do organismo, possuem propriedades antioxidantes e podem ajudar a regular o colesterol e a glicemia. Apesar do seu teor de iodo, o consumo moderado é considerado seguro e pode até ajudar a equilibrar a função da tiroide.

Quanto à possível contaminação, as algas apresentam riscos semelhantes aos do peixe e marisco, sendo geralmente seguras quando provenientes de fontes certificadas.

Existem vários tipos de algas (como arame, hiziki, nori, kombu, wakame, entre outras), todas com propriedades específicas, mas em geral úteis para remineralizar o organismo e promover o bem-estar.

Conclusão:
As algas são um superalimento versátil e saudável que pode ser facilmente integrado na alimentação diária.

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texto

As algas marinhas, conhecidas como os «legumes do mar», têm sido uma parte fundamental da alimentação das comunidades costeiras em todo o mundo. Embora a sua popularidade tenha crescido no Ocidente graças à culinária japonesa, culturas dos cinco continentes incorporam estes vegetais marinhos na sua dieta desde tempos remotos.

Aspetos evolutivos

As algas são organismos primitivos e dos vegetais mais antigos na escala evolutiva. Ao contrário das plantas terrestres, não possuem estruturas diferenciadas como raiz, caule ou folhas, o que as torna únicas. Este carácter primitivo também as torna alimentos excecionalmente saudáveis, já que os vegetais mais afastados dos humanos em termos evolutivos tendem a ser mais adequados e benéficos para a nossa alimentação.

Aspetos nutricionais

As algas destacam-se pela sua elevada densidade nutricional e pela capacidade de fornecer elementos essenciais:

  • Minerais: Crescem na água do mar, que contém todos os minerais da tabela periódica. São ideais para remineralizar o organismo em casos como queda de cabelo, osteoporose, gravidez ou crescimento infantil.
  • Proteínas: Contêm proteínas de alta qualidade e de fácil assimilação.
  • Hidratos de carbono: Baixos em calorias e ricos em fibra.
  • Gorduras saudáveis: Principalmente ácidos gordos polinsaturados, benéficos para o coração.
  • Vitaminas e oligoelementos: Ricas em vitaminas A, B, C, D e E, além de iodo, ferro e cálcio.

Aspetos medicinais

As algas não são apenas um alimento nutritivo, mas também possuem propriedades medicinais:

1. Alcalinizantes: Ajudam a equilibrar o pH corporal.

2. Estimulantes metabólicos: Promovem o metabolismo, melhoram a circulação e ajudam a eliminar líquidos e purinas.

3. Desintoxicantes: Graças ao ácido algínico, eliminam metais pesados (arsénio, mercúrio, chumbo) e elementos radioativos do organismo, formando alginatos insolúveis que são excretados naturalmente.

4. Propriedades antioxidantes e antitumorais: Contêm fucanos e ácido fucínico, que atuam como antioxidantes, anticoagulantes e agentes antitumorais.

5. Redução do colesterol e da glicose: Favorecem a saúde cardiovascular e o controlo da glicemia.

O iodo nas algas

O consumo de algas gera debate em relação ao iodo, mas a preocupação é, em grande parte, infundada. Embora sejam ricas neste mineral, parte do iodo encontra-se em formas não biodisponíveis. Além disso, os desequilíbrios da tiroide dependem de múltiplos factores para além do consumo de iodo.

Em culturas onde as algas fazem parte da alimentação diária, não se observam taxas mais elevadas de hipertiroidismo do que noutros locais. Pelo contrário, a experiência clínica sugere que as algas, enquanto alimento equilibrador, podem ajudar a normalizar a função tiroideia em casos de hiper ou hipofunção. O importante é saber em que quantidade e com que frequência devem ser consumidas.
Não devemos ter receio de as incluir nos nossos menus, pois são alimentos tradicionais, e esse aspeto é determinante na introdução de novos alimentos na dieta.

A contaminação das algas marinhas

Uma questão frequente é se as algas estão contaminadas pelos tóxicos presentes na água do mar. Convém clarificar: no mar, na terra e no ar existem zonas mais poluídas onde evitaríamos cultivar ou recolher alimentos. Não colheríamos, por exemplo, uma planta medicinal à beira de uma autoestrada.

Os mares são, em geral, pouco ou nada poluídos, com exceção de áreas específicas bem conhecidas. Quando conhecemos a origem das algas que consumimos, contamos com certificações e garantias das empresas que as cultivam e comercializam.

Existem estudos que mostram a presença de tóxicos nas algas, mas não em maior quantidade do que nos peixes gordos. Em termos de contaminação, os vegetais apresentam níveis inferiores aos dos animais, pois estes acumulam substâncias ao longo da cadeia alimentar. Assim, consumir algas implica riscos semelhantes aos do consumo de peixe ou marisco.

Breve percurso pelas algas comestíveis tradicionais

ARAME (Eisenia arborea)

Vivem em mares temperados com temperaturas inferiores a 20 °C e são semelhantes às hiziki, mas mais tenras. Podem atingir até dois metros e meio de comprimento. Podem ser consumidas cozidas, simples ou com cogumelos shiitake e/ou cebola. Combinam bem com cereais.
São ricas em ferro e cálcio, com baixo teor de sódio. Têm efeitos benéficos no coração, na circulação e em alterações hormonais femininas.

HIZIKI (Cystophyllum fusiforme)

São das algas mais “yang”, formando talos até 30 cm e encontradas a mais de 40 metros de profundidade.

Contêm cerca de 34% de minerais e até 14 vezes mais cálcio do que o leite de vaca, sendo altamente assimilável. Ajudam a reduzir o colesterol, são ricas em ferro e indicadas em osteoporose, gravidez e queda de cabelo. Previnem cáries e o aparecimento de cabelos brancos.

NORI (Porphyra tenera)

São as folhas usadas em sushi e bolas de arroz, também utilizadas como condimento.

Ricas em vitamina A, proteínas e vitamina B12, são excelentes para a pele e mucosas.

KOMBU (Laminaria japonica)

Muito conhecidas, podem atingir até 10 metros. São ricas em minerais e ideais para caldos.

Destacam-se pelo teor de iodo e são úteis para fortalecer a mucosa intestinal, regular a tensão arterial e apoiar a função tiroideia.

WAKAME (Undaria pinnatifida)

Vivem em mares temperados, crescendo no outono e sendo colhidas na primavera.
Ricas em cálcio e vitaminas do grupo B, ativam a circulação e ajudam a equilibrar o sistema nervoso.

DULSE (Palmaria palmata)

Alga vermelha com talos até 30 cm. Rica em ferro e proteínas.
Indicada para problemas gástricos, intestinais e anemias.

AGAR-AGAR (Gelidium ou Gracilaria)

Obtido de várias algas vermelhas. Rico em fibra, aumenta o volume das fezes e facilita a evacuação, sendo útil em casos de hemorroidas.

COCHAYUYO (Durvillaea antarctica)

Alga dos mares subantárticos, podendo atingir 15 metros. Tradicional no Chile.

Rica em minerais, iodo e magnésio. Ajuda a combater a obstipação, reduzir o colesterol e revitalizar o organismo.

Conclusão

As algas marinhas comestíveis são um superalimento versátil e rico em benefícios, tanto nutricionais como medicinais. A sua inclusão na dieta pode ajudar a remineralizar o organismo, equilibrar funções metabólicas e promover o bem-estar geral. Podem ser usadas em caldos, saladas, guisados ou até sobremesas.

Atreve-te a experimentar estas joias do mar e aproveita os seus benefícios únicos!

Nota: Em botânica, “talo” refere-se ao conjunto equivalente a raiz, caule e folhas nas plantas mais primitivas — é a estrutura característica das algas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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