As algas marinhas comestíveis
Dra. Elena Corrales
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resumo
As algas marinhas comestíveis, conhecidas como
“legumes do mar”, são alimentos antigos e muito nutritivos, consumidos por
várias culturas ao longo da história. Destacam-se pela sua elevada densidade
nutricional, sendo ricas em minerais, vitaminas, proteínas, fibra e gorduras
saudáveis.
Têm diversos benefícios para
a saúde: ajudam a equilibrar o pH, estimulam o metabolismo, contribuem para a
desintoxicação do organismo, possuem propriedades antioxidantes e podem ajudar
a regular o colesterol e a glicemia. Apesar do seu teor de iodo, o consumo
moderado é considerado seguro e pode até ajudar a equilibrar a função da
tiroide.
Quanto à possível
contaminação, as algas apresentam riscos semelhantes aos do peixe e marisco,
sendo geralmente seguras quando provenientes de fontes certificadas.
Existem vários tipos de
algas (como arame, hiziki, nori, kombu, wakame, entre outras), todas com
propriedades específicas, mas em geral úteis para remineralizar o organismo e
promover o bem-estar.
Conclusão:
As algas são um superalimento versátil e saudável que pode ser facilmente
integrado na alimentação diária.
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texto
As algas
marinhas, conhecidas como os «legumes do mar», têm sido uma parte fundamental
da alimentação das comunidades costeiras em todo o mundo. Embora a sua
popularidade tenha crescido no Ocidente graças à culinária japonesa, culturas
dos cinco continentes incorporam estes vegetais marinhos na sua dieta desde
tempos remotos.
Aspetos evolutivos
As algas são
organismos primitivos e dos vegetais mais antigos na escala evolutiva. Ao
contrário das plantas terrestres, não possuem estruturas diferenciadas como
raiz, caule ou folhas, o que as torna únicas. Este carácter primitivo também as
torna alimentos excecionalmente saudáveis, já que os vegetais mais afastados
dos humanos em termos evolutivos tendem a ser mais adequados e benéficos para a
nossa alimentação.
Aspetos nutricionais
As algas destacam-se pela sua elevada densidade nutricional e pela
capacidade de fornecer elementos essenciais:
- Minerais: Crescem na água do mar, que contém todos
os minerais da tabela periódica. São ideais para remineralizar o organismo
em casos como queda de cabelo, osteoporose, gravidez ou crescimento
infantil.
- Proteínas: Contêm proteínas de alta qualidade e de
fácil assimilação.
- Hidratos de carbono: Baixos
em calorias e ricos em fibra.
- Gorduras saudáveis: Principalmente ácidos
gordos polinsaturados, benéficos para o coração.
- Vitaminas
e oligoelementos: Ricas em vitaminas A, B, C, D e E, além de
iodo, ferro e cálcio.
Aspetos medicinais
As algas não são apenas um alimento nutritivo, mas também possuem
propriedades medicinais:
1. Alcalinizantes: Ajudam a
equilibrar o pH corporal.
2. Estimulantes
metabólicos: Promovem o metabolismo, melhoram a circulação e
ajudam a eliminar líquidos e purinas.
3. Desintoxicantes: Graças ao
ácido algínico, eliminam metais pesados (arsénio, mercúrio, chumbo) e elementos
radioativos do organismo, formando alginatos insolúveis que são excretados
naturalmente.
4. Propriedades
antioxidantes e antitumorais: Contêm fucanos e ácido
fucínico, que atuam como antioxidantes, anticoagulantes e agentes antitumorais.
5. Redução do
colesterol e da glicose: Favorecem a saúde cardiovascular
e o controlo da glicemia.
O iodo nas algas
O consumo de algas gera debate em relação ao iodo, mas a preocupação é, em
grande parte, infundada. Embora sejam ricas neste mineral, parte do iodo
encontra-se em formas não biodisponíveis. Além disso, os desequilíbrios da
tiroide dependem de múltiplos factores para além do consumo de iodo.
Em culturas
onde as algas fazem parte da alimentação diária, não se observam taxas mais
elevadas de hipertiroidismo do que noutros locais. Pelo contrário, a
experiência clínica sugere que as algas, enquanto alimento equilibrador, podem
ajudar a normalizar a função tiroideia em casos de hiper ou hipofunção. O
importante é saber em que quantidade e com que frequência devem ser consumidas.
Não devemos ter receio de as incluir nos nossos menus, pois são alimentos
tradicionais, e esse aspeto é determinante na introdução de novos alimentos na
dieta.
A contaminação das algas marinhas
Uma questão frequente é se as algas estão contaminadas pelos tóxicos
presentes na água do mar. Convém clarificar: no mar, na terra e no ar existem
zonas mais poluídas onde evitaríamos cultivar ou recolher alimentos. Não
colheríamos, por exemplo, uma planta medicinal à beira de uma autoestrada.
Os mares são, em geral, pouco ou nada poluídos, com exceção de áreas
específicas bem conhecidas. Quando conhecemos a origem das algas que
consumimos, contamos com certificações e garantias das empresas que as cultivam
e comercializam.
Existem
estudos que mostram a presença de tóxicos nas algas, mas não em maior
quantidade do que nos peixes gordos. Em termos de contaminação, os vegetais
apresentam níveis inferiores aos dos animais, pois estes acumulam substâncias
ao longo da cadeia alimentar. Assim, consumir algas implica riscos semelhantes
aos do consumo de peixe ou marisco.
Breve percurso pelas algas comestíveis
tradicionais
ARAME (Eisenia arborea)
Vivem em mares
temperados com temperaturas inferiores a 20 °C e são semelhantes às hiziki, mas
mais tenras. Podem atingir até dois metros e meio de comprimento. Podem ser
consumidas cozidas, simples ou com cogumelos shiitake e/ou cebola. Combinam bem
com cereais.
São ricas em ferro e cálcio, com baixo teor de sódio. Têm efeitos benéficos no
coração, na circulação e em alterações hormonais femininas.
HIZIKI (Cystophyllum fusiforme)
São das algas mais “yang”, formando talos até 30 cm e encontradas a mais de
40 metros de profundidade.
Contêm cerca
de 34% de minerais e até 14 vezes mais cálcio do que o leite de vaca, sendo
altamente assimilável. Ajudam a reduzir o colesterol, são ricas em ferro e
indicadas em osteoporose, gravidez e queda de cabelo. Previnem cáries e o
aparecimento de cabelos brancos.
NORI (Porphyra tenera)
São as folhas usadas em sushi e bolas de arroz, também utilizadas como
condimento.
Ricas em
vitamina A, proteínas e vitamina B12, são excelentes para a pele e mucosas.
KOMBU (Laminaria japonica)
Muito conhecidas, podem atingir até 10 metros. São ricas em minerais e
ideais para caldos.
Destacam-se
pelo teor de iodo e são úteis para fortalecer a mucosa intestinal, regular a
tensão arterial e apoiar a função tiroideia.
WAKAME (Undaria pinnatifida)
Vivem em mares
temperados, crescendo no outono e sendo colhidas na primavera.
Ricas em cálcio e vitaminas do grupo B, ativam a circulação e ajudam a
equilibrar o sistema nervoso.
DULSE (Palmaria palmata)
Alga vermelha
com talos até 30 cm. Rica em ferro e proteínas.
Indicada para problemas gástricos, intestinais e anemias.
AGAR-AGAR (Gelidium ou Gracilaria)
Obtido de
várias algas vermelhas. Rico em fibra, aumenta o volume das fezes e facilita a
evacuação, sendo útil em casos de hemorroidas.
COCHAYUYO (Durvillaea antarctica)
Alga dos mares subantárticos, podendo atingir 15 metros. Tradicional no
Chile.
Rica em
minerais, iodo e magnésio. Ajuda a combater a obstipação, reduzir o colesterol
e revitalizar o organismo.
Conclusão
As algas
marinhas comestíveis são um superalimento versátil e rico em benefícios, tanto
nutricionais como medicinais. A sua inclusão na dieta pode ajudar a
remineralizar o organismo, equilibrar funções metabólicas e promover o
bem-estar geral. Podem ser usadas em caldos, saladas, guisados ou até
sobremesas.
Atreve-te a
experimentar estas joias do mar e aproveita os seus benefícios únicos!
Nota: Em botânica, “talo” refere-se ao conjunto
equivalente a raiz, caule e folhas nas plantas mais primitivas — é a estrutura
característica das algas.
