“A MACROBIÓTICA ou
A ARTE DE PROLONGAR A VIDA”
HUFELAND CHRISTOPH WILHELM
Gérard Wenker
https://macrobiotiquepourtous.blogspot.com/2007/04/hufeland-christophe-wilhem.html
resumo
Christoph
Wilhelm Hufeland (1762–1836) foi um médico alemão e uma figura central da
macrobiótica, entendida como a arte de conservar a saúde e prolongar a vida.
Amigo de Hahnemann, médico de Goethe e Schiller, professor em Iena e Berlim,
destacou-se como pioneiro da cronobiopatologia, da meteoropatologia e da
medicina preventiva.
Na sua
obra A Macrobiótica ou a Arte de Prolongar a Vida (1796), Hufeland
reuniu os conhecimentos médicos e filosóficos da época, afastando-se do
esoterismo, da alquimia e do magnetismo associados à macrobiótica medieval.
Defendia uma abordagem baseada na experiência, na observação e na análise
científica, valorizando simultaneamente a alimentação, o comportamento, o
ambiente e a energia vital como factores essenciais da saúde.
Para
Hufeland, a macrobiótica distinguia-se da medicina tradicional: enquanto a
medicina procurava curar doenças, a macrobiótica tinha como objectivo prolongar
a vida de forma equilibrada. Considerava que o excesso de vigor físico podia
acelerar o desgaste do organismo e defendia um modo de vida moderado e
harmonioso.
O livro
teve enorme impacto internacional, foi traduzido em várias línguas e contribuiu
para o reconhecimento da macrobiótica como disciplina médica até ao século XX.
Hufeland é ainda hoje considerado um dos principais precursores da medicina
preventiva e dos movimentos anti-envelhecimento.
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texto
Abordamos agora um dos grandes marcos da macrobiótica, que defendia uma
verdadeira arte de viver destinada a conservar a saúde e a prolongar a vida.
Nascido em 1762 em Langensalza e falecido em
Berlim em 1836.
·
Amigo de Hahnemann e considerado o pai da
cronobiopatologia.
·
Médico de Goethe e Schiller.
- 1793 – Professor em Iena.
- Médico do rei da Prússia Frederico III e da rainha Luísa da Prússia.
- 1809 – Titular da cadeira de Patologia na Universidade de Berlim.
- Redactor-chefe do “Jornal de Medicina Prática”.
- Professor
de patologia médica, é considerado o pai da meteoropatologia.
“A MACROBIÓTICA ou A ARTE DE
PROLONGAR A VIDA”
Escrito em 1796 pelo Dr. Christoph Wilhelm
Hufeland (1762-1836). O livro de C. W. Hufeland reúne os conhecimentos sobre
“macrobiótica” da sua época, apresentados por um humanista erudito. Para além
da sua vasta experiência prática como médico, o Dr. Hufeland reuniu nesta obra
o saber antigo acumulado por Marcello Ficino em De Triplici Vita, não
deixando, contudo, de o criticar sempre que o considerava necessário.
Podemos considerar Hufeland como o coveiro das
ideias de:
“Vita sana – Vita longa” à maneira ficiniana ou, pior ainda segundo ele, das correntes de Paracelso
e Mesmer.
Hufeland põe fim ao esoterismo, à alquimia e ao magnetismo associados à
macrobiótica medieval, dando prioridade à experiência, à análise e à
estatística nascente. Nos seus livros podem entrever-se os primórdios da
medicina do século XX: rigorosa, analítica, mas ainda humana e ainda não sintomática.
Hufeland atribuía ainda grande importância à procura das causas da doença,
através do comportamento e da alimentação dos indivíduos. O meio, o ambiente, a
natureza e a energia vital eram tidos em conta sendo seu objectivo libertar a “macrobiótica”
de qualquer resquício de “feitiçaria”, como a quiromancia, a cabala, a
astrologia ou o magnetismo, aos quais não atribuía qualquer poder de cura,
considerando os praticantes dessas disciplinas vulgares charlatães.
Conseguiu ultrapassar todas as expectativas. O seu livro teve um sucesso
extraordinário para a época: foi traduzido em numerosas línguas, reeditado
várias vezes e vendeu milhares de exemplares em todo o mundo. A macrobiótica
adquiriu reconhecimento oficial, ao ponto de se tornar uma disciplina autónoma
nos estudos médicos até aos anos 1930.
O Dr. Hufeland, que foi o primeiro médico do rei da Prússia, é reconhecido
como o mais célebre precursor da medicina preventiva anti-envelhecimento (ANTI-AGING).
Através do seu livro A Arte de Prolongar a Vida pela Macrobiótica,
publicado em 1797, Hufeland tornou-se conhecido mundialmente, e o seu
ensinamento continua ainda hoje a constituir a base de uma ética global dos
movimentos anti-aging.
Prefácio do livro de Hufeland
A vida humana, considerada do ponto de vista
físico, é uma operação particular da química animal, um fenómeno resultante da
conjugação das forças da natureza e de elementos materiais em constante
mudança. Esta operação, como todas as de origem física, deve possuir regras,
limites e uma duração precisa, uma vez que depende da quantidade de forças e de
matérias utilizadas, do modo como essas forças são aplicadas e de diversas
circunstâncias internas e externas. Contudo, tal como sucede com todas as
operações da mesma natureza, também esta pode ser favorecida ou contrariada,
acelerada ou retardada.
Determinando com precisão o seu princípio e as
suas necessidades, e apoiando-se na experiência, é possível identificar as
condições que provocam a sua aceleração e abreviação, ou o seu abrandamento e,
consequentemente, o seu prolongamento. É, portanto, possível estabelecer regras
de regime e de tratamento médico destinadas a prolongar a vida; é daí que nasce
uma ciência particular: a macrobiótica, ou a arte de prolongar a vida. É essa
ciência que nos propomos expor nesta obra.
Não se deve confundir esta arte nem com a
medicina comum nem com a higiene médica, pois possui um objectivo, meios e
limites diferentes. O objectivo da medicina é a saúde; o da macrobiótica é uma
vida longa. Os meios utilizados pela medicina dirigem-se apenas ao estado
actual para o modificar; os da macrobiótica visam o conjunto da existência.
Para a medicina basta restabelecer a saúde
perdida; porém, depois da cura, não se preocupa em saber se a vida será
prolongada ou abreviada — e esse é frequentemente o resultado de muitos
tratamentos médicos. A medicina vê toda a doença como um mal que deve ser
eliminado a qualquer preço; a macrobiótica considera que certas afecções podem
contribuir para prolongar a existência.
A primeira destas ciências, através de tónicos e
outros remédios, procura conduzir o homem ao mais elevado grau de energia
física e vigor; enquanto a segunda ensina que essa perfeição deve ter um limite
máximo, e que o excesso de forças pode acelerar o curso da vida e, por
conseguinte, abreviar a sua duração.
A medicina deve, portanto, ser considerada apenas
como auxiliar da macrobiótica: servir-lhe-á para reconhecer as doenças,
inimigas da nossa existência, proteger-nos delas e fazê-las desaparecer; mas
ocupará sempre um lugar secundário em relação à macrobiótica.
Pareceu-me, por isso, útil e até necessário
corrigir as ideias geralmente formadas sobre este importante assunto e
reconduzi-las a princípios simples e sólidos; numa palavra, dar à arte de que
nos ocupamos uma sequência e uma ordem sistemática de que até agora carecia.
O principal objectivo dos meus esforços foi,
antes de tudo, fundar sistematicamente a doutrina da macrobiótica e revelar os
meios de que dispõe. Porém, gradualmente, fui levado a tratar alguns temas
acessórios que devo aqui mencionar para facilitar a compreensão do conjunto.
Este método pareceu-me adequado para conferir a
vários princípios dietéticos um interesse mais vasto e um alcance mais geral,
porque me pareceu que se produz menos efeito no espírito ao afirmar
simplesmente: “Tal coisa ou tal regime é saudável ou prejudicial”, pois isso
constitui apenas uma afirmação relativa, dependente da força ou fraqueza da
constituição e de outras circunstâncias secundárias, do que ao afirmar que
essas coisas e esse regime prolongam ou abreviam a vida.
