Primeiros passos
na
macrobiótica
Agnès Pérez
https://agnesperezmacrobiotica.com/primeros-pasos-en-la-macrobiotica/
resumo
A macrobiótica propõe uma mudança gradual no estilo de vida e na
alimentação, procurando maior equilíbrio físico, mental e energético. A
transição pode ser feita lentamente ou de forma mais radical, mas o texto
recomenda uma adaptação progressiva para facilitar a continuidade.
Principais mudanças alimentares
- Reduzir o consumo de carne, sobretudo carne vermelha.
- Diminuir alimentos refinados e açúcar.
- Preferir cereais integrais e produtos biológicos de qualidade.
- Substituir lacticínios por alternativas vegetais.
- Consumir mais leguminosas, vegetais, fruta, sementes e frutos secos.
- Evitar refrigerantes e alimentos processados.
Base da alimentação macrobiótica
Uma alimentação equilibrada deve incluir:
- Cereais integrais como principal fonte de hidratos de carbono.
- Leguminosas e derivados (tofu, tempeh,
seitan) como proteínas.
- Gorduras saudáveis, como azeite e sementes.
- Fruta e legumes frescos.
- Pequenas quantidades de algas e sementes para minerais.
Mudanças práticas na cozinha
- Cozinhar em casa diariamente.
- Fazer refeições simples e naturais.
- Preparar snacks e sobremesas sem açúcar refinado.
- Aprender a apreciar sabores naturais e alimentos integrais.
Ideia central do texto
A macrobiótica não é apenas uma dieta, mas uma forma de viver com mais
consciência, presença e ligação à natureza. O processo exige paciência, prática
e perseverança. Com o tempo, o corpo adapta-se, diminui o desejo por comida
processada e desenvolve-se uma relação mais equilibrada e livre com a
alimentação.
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texto
Quer já tenhas ouvido falar de macrobiótica, quer
já tenhas decidido experimentá-la através de mudanças nos teus hábitos de vida
e alimentação, é interessante refletires sobre a forma como queres e podes
fazer as alterações necessárias para reajustar a tua dieta e deixar para trás
hábitos que sentes que te estão a limitar ou até a prejudicar.
Existem duas opções possíveis para dar os primeiros passos:
- Mudar de forma gradual e pouco a pouco.
- Dizer: “Basta!” e mudar de forma drástica.
Em qualquer dos casos, é importante dedicar algum tempo ao estudo das bases
filosóficas (a Ordem do Universo, o Princípio Único, as 5
transformações, alguma nutrição do ponto de vista bioquímico, etc.) e
também à prática na cozinha, transformando-a no templo da casa, onde se investe
uma energia que, a curto prazo, se refletirá em mudanças fisiológicas e mentais
que, intencionalmente ou não, se estenderão ao ambiente à tua volta.
Algumas pessoas que tentam mudar radicalmente a sua alimentação para a
macrobiótica podem sentir que esta não é adequada para elas e acabam por
desistir após algum tempo de prática rígida do padrão recomendado. As
orientações seguintes podem ajudar numa transição mais gradual, que em muitos
casos será mais duradoura.
1. Reduz o
consumo de carne e produtos de carne. Começa por eliminar a carne vermelha e
reduz a frequência semanal ou mensal do consumo de carne. Desta forma, os
sistemas corporais e energéticos adaptar-se-ão mais suavemente à mudança.
Substitui frango, peru e outras carnes brancas por peixe. Consome mais
leguminosas.
2. Reduz o
consumo de hidratos de carbono refinados e de produtos feitos com farinha
branca (pão, pastelaria, bolachas…) e, sobretudo, substitui o açúcar por
adoçantes naturais, como malte de cereais, sumo concentrado de maçã, frutas
secas, etc.
3. Escolhe
produtos de padaria integrais de qualidade (feitos com farinhas biológicas de
boa qualidade, não congeladas, com massa-mãe e não com misturas de farinhas
reforçadas como as vendidas nos supermercados).
4. Reduz o
consumo de lacticínios, substituindo-os por bebidas vegetais (arroz, aveia,
kamut, amêndoa, etc.), maionese de tofu ou soja, cremes para barrar feitos com
manteigas de frutos secos e aprende a preparar pratos que, emocionalmente,
proporcionem a mesma sensação de conforto dos lacticínios, como pudins veganos,
quiche de tofu, queijo vegetal ou iogurtes de frutos secos.
5. Troca os
cereais açucarados do pequeno-almoço por um bom muesli sem açúcar, naturalmente
doce graças à fruta seca como passas, alperces secos ou ameixas secas.
6. Substitui as
sandes por snacks caseiros que forneçam energia estável (por exemplo, trocar
pão branco por panquecas de aveia ou bolas de arroz).
7. Substitui
refrigerantes açucarados e gaseificados por chás naturais ou sumos frescos de
vegetais.
8. Se já deste
estes primeiros passos e te sentes bem, podes continuar a evoluir a tua
alimentação com esta proposta baseada numa dieta 100% vegetal. Faz refeições
completas regularmente, assegurando todos os nutrientes:
Hidratos de
carbono: cereais integrais (arroz, trigo, cevada, millet,
aveia, centeio, milho…) e derivados (pão integral, massas integrais, sêmolas,
cuscuz, bulgur, flocos, etc.).
Proteínas: leguminosas
(grão-de-bico, lentilhas, feijão, favas, ervilhas, soja branca, verde ou
preta…) e derivados como seitan, tofu e tempeh. Frutos secos.
Lípidos: azeite, óleo
de sésamo, óleo de milho e manteigas de frutos secos.
Vitaminas: fruta e
legumes, incluindo sempre uma porção de vegetais verdes pouco cozinhados ou
crus.
Minerais: utiliza
pequenas quantidades de algas em cada refeição, sementes (sésamo, abóbora,
girassol) e legumes.
Uma
alimentação equilibrada e natural é o maior investimento que podemos fazer na
nossa vida. Tal como a saúde individual se constrói através de uma forma
harmoniosa de viver e comer, também se constrói uma maior harmonia social.
Como aplicar estas mudanças na cozinha?
1. Cozinha em
casa pelo menos uma vez por dia. Prepara uma panela de sopa de miso, arroz
integral, legumes salteados, salada, peixe (se o quiseres consumir) e um bule
de chá verde ou chá de três anos.
2. Faz sobremesas
sem açúcar com fruta local e da época.
3. Podes preparar
deliciosas bolachas com farinhas integrais ou flocos de aveia/arroz, frutos
secos e passas adoçadas com malte de cereais para o lanche ou snacks.
4. Actualmente é
possível encontrar uma grande variedade de cereais integrais em lojas
biológicas especializadas ou cooperativas de consumo responsável. Ao
pequeno-almoço, podes fazer papas (cremes de cereais) e acrescentar bebida
vegetal, passas, frutos vermelhos, casca de limão e sementes ou nozes/amêndoas
tostadas.
5. As sugestões
anteriores oferecem ideias simples que qualquer pessoa pode adaptar ao seu
estilo de vida para fazer a transição para a macrobiótica de forma flexível e
prática. Comer de forma macrobiótica não significa deixar de desfrutar do
prazer da comida; pelo contrário, os pratos naturais e saudáveis proporcionam o
prazer de saborear alimentos autênticos provenientes de produtos integrais
cultivados biologicamente, geralmente mais saborosos do que os cultivados com
pesticidas.
6. Gradualmente,
à medida que o organismo se limpa de toxinas e das memórias dos alimentos
processados e quimicamente alterados, aumenta o prazer de comer alimentos tal
como a terra os oferece: integrais e vivos. As papilas gustativas recuperam
sensibilidade e sentimos o efeito físico e energético dos alimentos com maior
intensidade.
7. Faz das
mudanças incorporadas uma prioridade, evitando que os antigos hábitos voltem a
ganhar espaço na tua vida. Se isso acontecer, lembra-te de que também faz parte
do processo de transição para uma vida mais saudável e não significa que
estejas a falhar. Tanto os desejos por alimentos menos saudáveis como o seu
consumo ocasional podem ajudar na tomada de consciência sobre como o corpo
reage e sobre o bem-estar que se sente ao regressar a uma alimentação
equilibrada.
Depois de algum tempo sem alimentos processados, refinados e
artificializados, o organismo aprende a associar sensações agradáveis à
alimentação macrobiótica. Os desejos por “comida de plástico” diminuem até
desaparecerem. Isto acontece não só devido à alteração das memórias celulares,
mas também porque uma alimentação integral equilibrada estabiliza os níveis de
açúcar no sangue. Quando a mente deixa de “vibrar” com comida processada,
começamos finalmente a comer com liberdade em vez de compulsão.
Lembra-te de
que qualquer transformação baseada na experiência pessoal é um processo que
exige tempo. A adoção meramente intelectual de teorias e práticas, sem tempo
para que se integrem verdadeiramente no nosso ser, não produz mudanças sólidas,
duradouras nem honestas. A passagem de uma alimentação convencional moderna
para a macrobiótica exige perseverança. Haverá fases maravilhosas e outras mais
difíceis, em que a mente pode querer voltar atrás e procurar desculpas para
retomar hábitos alimentares prejudiciais.
George Ohsawa ensinava que: “Quanto maior a dificuldade, maior a
satisfação.” Isto pode aplicar-se a qualquer área da vida que tentamos dominar.
Um antigo provérbio chinês afirma também: “Paciência! Uma viagem de 100.000
km começa sempre com o primeiro passo.”
Numa época em que tudo acontece a um ritmo frenético, estas palavras sábias
podem parecer irrelevantes. A macrobiótica integra-se dia após dia, refeição
após refeição, ano após ano. Haverá dias em que o arroz se queimará ou os
legumes ficarão demasiado cozidos; outros em que o arroz ficará demasiado mole
e as leguminosas demasiado duras… Qual é a alternativa? Voltar aos antigos
hábitos ou perseverar até dominar os novos?
Uma das maiores lições que a macrobiótica me deu — e continua a dar após
tantos anos — é a necessidade de abrandar o ritmo da vida quotidiana. Readaptar
os ritmos da vida moderna aos da natureza para recuperar a paz e o sentido de
pertença a um processo intemporal e eterno.
Preparar um menu macrobiótico vai muito além da simples cozinha. Implica
presença e prática do “aqui e agora”; é pura alquimia que ultrapassa o alimento
em si. É uma forma de meditação ativa incorporada no ritual diário que nos
nutre e sustenta a vida. Algo que não se pode comprar nem obter com dinheiro,
mas apenas através da constância e dedicação.
