Saturday, July 4, 2026

 

A doença tem sempre origem no sangue;

Dr. Martín Macedo

 

resumo

O sangue é a base da vida e da saúde. A sua qualidade determina o funcionamento de todos os órgãos, a clareza mental, a estabilidade emocional e a capacidade do organismo para resistir à doença. A qualidade do sangue depende diretamente da alimentação e da forma como os alimentos são preparados e consumidos.

Os hábitos alimentares modernos são caracterizados por refeições rápidas, alimentos industrializados e pela perda do valor espiritual e cultural associado ao ato de comer. Devemos respeitar as práticas tradicionais de preparar os alimentos em casa, mastigar cuidadosamente e encarar a alimentação como um momento de respeito e gratidão.

A alimentação não influencia apenas a saúde individual, mas também o desenvolvimento moral, intelectual e espiritual da humanidade. Cada refeição contribui para moldar a sociedade, tornando a escolha dos alimentos uma responsabilidade pessoal com impacto coletivo.

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texto

A doença tem sempre origem no sangue; o sangue é yang porque possui características yang, como a cor vermelha, o movimento constante e o calor. Comparados com o sangue, os outros líquidos ou humores do corpo são yin, como a linfa, a urina, a saliva, as lágrimas e o líquido cefalorraquidiano.

Na verdade, estes são derivados do sangue, porque é o sangue que tudo cria.

O sangue transporta os materiais de construção para as células e para os tecidos; é o grande fornecedor que leva a saúde, a energia, o oxigénio e a própria vida aos 50 biliões de células do organismo. Governa também o pensamento e a atividade mental, uma vez que cerca de 100 mil milhões de neurónios aguardam avidamente a chegada do sangue, que lhes fornece vida e nutrição indispensáveis ao funcionamento do cérebro.

A qualidade dos ossos, dos músculos, da pele e das hormonas, tudo é determinado pela qualidade do sangue.

O sangue é yang, é a vida, é a essência da nossa vida biológica e, por isso, é sagrado. Antigamente, algumas pessoas faziam um pacto de sangue quando tomavam uma decisão importante.

O sangue é o oceano do corpo; a sua composição plasmática é semelhante à da água do mar, embora seja um pouco menos salgada.

Um sangue forte gera um pensamento claro e firme, emoções estáveis e respostas biológicas vigorosas, aumentando as probabilidades de alcançar os objetivos e os sonhos da vida.

Um sangue de má qualidade gera instabilidade mental e emocional e um funcionamento deficiente de todos os órgãos e sistemas, porque todos recebem a influência medíocre de um sangue pobre e degradado.

O brilho dos olhos, a beleza do cabelo, a capacidade do sistema imunitário para responder aos milhões de vírus e bactérias e a serenidade do caráter são produtos diretos do tipo de sangue que circula incessantemente, como um mar que leva a vida ao nosso maravilhoso templo biológico.

Contudo, a ciência médica moderna vê o sangue como um líquido complexo e não encontra inconveniente em realizar transfusões de sangue provenientes de qualquer dador, sem considerar o seu caráter, personalidade, visão da vida, diligência ou passividade. A ciência vê apenas moléculas e substâncias, porque é tudo aquilo que o equipamento tecnológico, ainda limitado e rudimentar, consegue mostrar.

A alma do sangue não pode ser vista, mas pode ser intuída.

Se o sangue for forte, a saúde será forte.

Se o sangue for tóxico, pobre ou tiver um elevado teor de acidez, o indivíduo sofrerá de uma doença após outra ao longo de toda a vida, mesmo que tome milhares de medicamentos e suplementos alimentares ou farmacêuticos, com todas as vitaminas produzidas pela indústria alimentar, muitas vezes obtidas a partir de subprodutos de origem animal ou vegetal.

O sangue é criado pelos alimentos. Tomio Kikuchi dizia que «uma dentada de alimento, cuidadosamente mastigada, cria uma gota de sangue».

Muitas dentadas criarão litros de sangue.

A qualidade do sangue depende da qualidade da alimentação e do respeito que se deve ter pelo momento das refeições.

No entanto, as pessoas escolhem os alimentos apenas pelo sabor, pelo aspeto ou pelo preço conveniente e consomem-nos preparados através das técnicas mais rápidas e cómodas. Pior ainda, compram refeições confeccionadas por cozinheiros desconhecidos que as preparam em troca de um salário.

Antigamente, a comida era preparada em casa, no seio da família. A sua preparação era considerada algo de extrema importância e os alimentos eram abençoados antes de serem consumidos.

Mas as mudanças levaram à perda destes valores. A organização do trabalho faz com que as pessoas comam à pressa, em vinte minutos, qualquer alimento saboroso e macio que possa ser engolido rapidamente, nos breves intervalos concedidos pelos locais de trabalho. No final, acaba por se aceitar que comer representa uma perda de produtividade, porque é tempo retirado ao trabalho.

Mas comer também é trabalho, e é o trabalho mais importante, porque cria a saúde, a lucidez, o brilho intelectual e permite o pleno desenvolvimento do talento e da genialidade de cada indivíduo. É através dos alimentos que recebemos a vida infinita, para depois criar, trabalhar, produzir e gerar bens e serviços que tornam este mundo um lugar maravilhoso.

Quando a alimentação se transforma em algo sem alma, sem valor espiritual, puramente técnico, químico, comercial e baseado apenas no sabor, como se este fosse o valor supremo, teremos uma humanidade decadente, confusa, sem visão espiritual, sem amor, sem sensibilidade e sem sabedoria.

Porque somos aquilo que comemos e somos o resultado do sangue que transporta a vida ou a doença, a sabedoria ou uma visão limitada da realidade, a paz ou a violência. Tudo se decide na próxima dentada, que criará uma única gota de sangue. E, quando esse processo se repetir vezes suficientes, durante tempo suficiente, criará o tipo de humanidade que habitará este mundo e construirá um futuro feliz para todos os seres humanos.

Todos temos a responsabilidade de acrescentar ou retirar beleza a este mundo ao criar, com as nossas bocas, o sangue do planeta.

— Martín Macedo

 

 

 

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