A doença tem sempre origem no
sangue;
Dr.
Martín Macedo
resumo
O sangue é a base da
vida e da saúde. A sua qualidade determina o funcionamento de todos os órgãos,
a clareza mental, a estabilidade emocional e a capacidade do organismo para
resistir à doença. A qualidade do sangue depende diretamente da alimentação e
da forma como os alimentos são preparados e consumidos.
Os hábitos alimentares
modernos são caracterizados por refeições rápidas, alimentos industrializados e
pela perda do valor espiritual e cultural associado ao ato de comer. Devemos
respeitar as práticas tradicionais de preparar os alimentos em casa, mastigar
cuidadosamente e encarar a alimentação como um momento de respeito e gratidão.
A alimentação não influencia apenas a saúde
individual, mas também o desenvolvimento moral, intelectual e espiritual da
humanidade. Cada refeição contribui para moldar a sociedade, tornando a escolha
dos alimentos uma responsabilidade pessoal com impacto coletivo.
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texto
A doença tem sempre
origem no sangue; o sangue é yang porque possui características yang, como a
cor vermelha, o movimento constante e o calor. Comparados com o sangue, os
outros líquidos ou humores do corpo são yin, como a linfa, a urina, a saliva,
as lágrimas e o líquido cefalorraquidiano.
Na verdade, estes são
derivados do sangue, porque é o sangue que tudo cria.
O sangue transporta os
materiais de construção para as células e para os tecidos; é o grande
fornecedor que leva a saúde, a energia, o oxigénio e a própria vida aos 50
biliões de células do organismo. Governa também o pensamento e a atividade
mental, uma vez que cerca de 100 mil milhões de neurónios aguardam avidamente a
chegada do sangue, que lhes fornece vida e nutrição indispensáveis ao
funcionamento do cérebro.
A qualidade dos ossos,
dos músculos, da pele e das hormonas, tudo é determinado pela qualidade do
sangue.
O sangue é yang, é a
vida, é a essência da nossa vida biológica e, por isso, é sagrado. Antigamente,
algumas pessoas faziam um pacto de sangue quando tomavam uma decisão
importante.
O sangue é o oceano do
corpo; a sua composição plasmática é semelhante à da água do mar, embora seja
um pouco menos salgada.
Um sangue forte gera um
pensamento claro e firme, emoções estáveis e respostas biológicas vigorosas,
aumentando as probabilidades de alcançar os objetivos e os sonhos da vida.
Um sangue de má
qualidade gera instabilidade mental e emocional e um funcionamento deficiente
de todos os órgãos e sistemas, porque todos recebem a influência medíocre de um
sangue pobre e degradado.
O brilho dos olhos, a
beleza do cabelo, a capacidade do sistema imunitário para responder aos milhões
de vírus e bactérias e a serenidade do caráter são produtos diretos do tipo de
sangue que circula incessantemente, como um mar que leva a vida ao nosso maravilhoso
templo biológico.
Contudo, a ciência
médica moderna vê o sangue como um líquido complexo e não encontra
inconveniente em realizar transfusões de sangue provenientes de qualquer dador,
sem considerar o seu caráter, personalidade, visão da vida, diligência ou
passividade. A ciência vê apenas moléculas e substâncias, porque é tudo aquilo
que o equipamento tecnológico, ainda limitado e rudimentar, consegue mostrar.
A alma do sangue não
pode ser vista, mas pode ser intuída.
Se o sangue for forte,
a saúde será forte.
Se o sangue for tóxico,
pobre ou tiver um elevado teor de acidez, o indivíduo sofrerá de uma doença
após outra ao longo de toda a vida, mesmo que tome milhares de medicamentos e
suplementos alimentares ou farmacêuticos, com todas as vitaminas produzidas pela
indústria alimentar, muitas vezes obtidas a partir de subprodutos de origem
animal ou vegetal.
O sangue é criado pelos
alimentos. Tomio Kikuchi dizia que «uma dentada de alimento, cuidadosamente
mastigada, cria uma gota de sangue».
Muitas dentadas criarão
litros de sangue.
A qualidade do sangue
depende da qualidade da alimentação e do respeito que se deve ter pelo momento
das refeições.
No entanto, as pessoas
escolhem os alimentos apenas pelo sabor, pelo aspeto ou pelo preço conveniente
e consomem-nos preparados através das técnicas mais rápidas e cómodas. Pior
ainda, compram refeições confeccionadas por cozinheiros desconhecidos que as
preparam em troca de um salário.
Antigamente, a comida
era preparada em casa, no seio da família. A sua preparação era considerada
algo de extrema importância e os alimentos eram abençoados antes de serem
consumidos.
Mas as mudanças levaram
à perda destes valores. A organização do trabalho faz com que as pessoas comam
à pressa, em vinte minutos, qualquer alimento saboroso e macio que possa ser
engolido rapidamente, nos breves intervalos concedidos pelos locais de trabalho.
No final, acaba por se aceitar que comer representa uma perda de produtividade,
porque é tempo retirado ao trabalho.
Mas comer também é
trabalho, e é o trabalho mais importante, porque cria a saúde, a lucidez, o
brilho intelectual e permite o pleno desenvolvimento do talento e da
genialidade de cada indivíduo. É através dos alimentos que recebemos a vida
infinita, para depois criar, trabalhar, produzir e gerar bens e serviços que
tornam este mundo um lugar maravilhoso.
Quando a alimentação se
transforma em algo sem alma, sem valor espiritual, puramente técnico, químico,
comercial e baseado apenas no sabor, como se este fosse o valor supremo,
teremos uma humanidade decadente, confusa, sem visão espiritual, sem amor, sem
sensibilidade e sem sabedoria.
Porque somos aquilo que
comemos e somos o resultado do sangue que transporta a vida ou a doença, a
sabedoria ou uma visão limitada da realidade, a paz ou a violência. Tudo se
decide na próxima dentada, que criará uma única gota de sangue. E, quando esse processo
se repetir vezes suficientes, durante tempo suficiente, criará o tipo de
humanidade que habitará este mundo e construirá um futuro feliz para todos os
seres humanos.
Todos temos a
responsabilidade de acrescentar ou retirar beleza a este mundo ao criar, com as
nossas bocas, o sangue do planeta.
— Martín Macedo
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