Tuesday, April 14, 2026

 

UMA ARTE DE VIVER DE SAÚDE E LONGEVIDADE

Gérard Wenker

Das Américas à Europa, de África à Ásia, do Ocidente ao Extremo Oriente, por todo o planeta Terra, apesar dos extraordinários avanços da ciência, os excessos da sociedade liberal capitalista — onde tudo assenta prioritariamente no lucro — causam grandes danos. Isto verifica-se a todos os níveis: ecológico, climático, social, biológico, médico e humanitário.

Mas é na saúde humana que este sistema perverso provoca mais estragos, com o apoio das multinacionais da indústria agroalimentar. Embora o discurso habitual destas empresas seja o de que são indispensáveis para alimentar as populações, a verdade é que isso não impede que um terço da humanidade esteja subalimentado e que, em certas regiões, as pessoas continuem a morrer de fome.

Apesar dos enormes progressos da medicina, cada vez mais pessoas sofrem de doenças crónicas e degenerativas. Quer nos países ditos modernos, quer no chamado terceiro mundo, a constatação é a mesma: por todo o lado se sofre e se morre não de desnutrição, mas de má alimentação.

A alimentação tradicional, por vezes ancestral, que durante séculos permitiu o desenvolvimento de comunidades humanas saudáveis, foi abandonada em favor de alimentos industriais, desprovidos de valor nutritivo e adulterados com aditivos químicos nocivos para a saúde. Sob pressão dos consumidores, na maioria dos países europeus foram implementados controlos cada vez mais rigorosos, que conseguiram limitar e estabelecer normas máximas para os aditivos mais perigosos (hormonas de crescimento, antibióticos, conservantes, corantes, etc.). Contudo, o efeito perverso dessas restrições não travou estas práticas, tendo apenas desviado a sua aplicação para países mais pobres e menos exigentes quanto à qualidade dos produtos.

Nesses países, localizados maioritariamente em África e na Ásia, a passagem de uma alimentação tradicional regional para uma alimentação industrial de massa tem sido catastrófica, provocando uma forte diminuição da resistência às doenças e o aparecimento frequente de numerosas patologias anteriormente desconhecidas.

Todos os benefícios alcançados na melhoria da saúde — graças à medicina, à higiene e à vigilância sanitária implementada pelos Estados — perdem-se por uma única razão: uma produção alimentar excessiva e de má qualidade, orientada exclusivamente para o lucro, que levou ao abandono das tradições culinárias familiares e do respeito em torno da refeição.

Há 50 anos, um homem já se preocupava, antes de todos os outros, com os perigos da agroquímica e lançou em França o primeiro movimento a favor de uma agricultura biológica que respeitasse as leis da natureza. Esse homem, de origem japonesa, chamava-se Georges Ohsawa. Paralelamente, em 1956, começou a ensinar um método revolucionário de saúde e longevidade: «A MACROBIÓTICA».

Desde então, embora combatido, desacreditado, ridicularizado ou ignorado pelos governos e até pela comunidade médica, este método — que é, na verdade, uma arte de viver — demonstrou a sua eficácia extraordinária e difundiu-se, apesar de inúmeras dificuldades, na maioria dos países do mundo.

Hoje, perante as ameaças climáticas e ecológicas extremas provocadas pela poluição industrial, está em causa a própria sobrevivência da humanidade. Nenhum político, dirigente ou multinacional tem interesse em que esta situação mude, pois a sua única preocupação é manter o sistema económico capitalista que os sustenta e enriquece. Nunca irão cortar o ramo em que estão confortavelmente sentados, até ao colapso final.

Será que os homens do século XXI ainda conseguirão compreender o ensinamento macrobiótico, baseado nas leis ancestrais da ordem do universo? Terá a filosofia dialéctica macrobiótica o poder de salvar a humanidade da catástrofe anunciada? Essa é a nossa aposta. Pela força do espírito macrobiótico, transmitido através de uma nova forma de alimentação, o mundo começa, pouco a pouco, a mudar. A corrida desenfreada pela riqueza é substituída pelo “vivere povero”, o saque dos recursos naturais pelo amor à natureza e pelo respeito pelo planeta, a guerra pela paz e a doença pela saúde.

Não, isto não é uma utopia. Já milhares de pioneiros se dedicam a este trabalho de reconstrução e regeneração pessoal. Comunidades importantes, espalhadas pelos quatro cantos do mundo, aplicam e experimentam esta arte de viver.

 

 

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