A GOTA
HÁ GOTA… E GOTA.
Gota: não
espere pela primeira crise para agir.
Dr.
Jean-Pierre Willem, médico de saúde
https://alertevotrecorpsvousparle.blogspot.com/search/label/MALADIES
Gérard Wenker
resumo
A gota é uma doença metabólica
causada pelo excesso de ácido úrico no sangue. Esse excesso leva à formação de
cristais nas articulações, sobretudo no dedo grande do pé, provocando crises
muito dolorosas.
Principais
sintomas
- Dor súbita, intensa e pulsátil, geralmente
durante a noite;
- Articulação inchada, vermelha e quente;
- Sensibilidade extrema ao toque;
- As crises podem durar vários dias e
repetir-se;
- Outras articulações também podem ser
afetadas (tornozelos, joelhos, punhos, cotovelos).
Causas
principais
- Predisposição hereditária;
- Excesso de peso;
- Alimentação rica em carnes gordas, vísceras,
marisco e álcool;
- Má eliminação do ácido úrico pelos rins;
- Sedentarismo.
O que ajuda a
prevenir crises
- Beber muita água (1,5 a 2 litros por dia);
- Fazer exercício físico regularmente;
- Perder peso de forma equilibrada;
- Evitar álcool, especialmente vinho branco e
bebidas fortes;
- Reduzir:
- vísceras e enchidos;
- carnes gordas;
- sardinhas e anchovas;
- leguminosas em excesso;
- espargos e espinafres.
Alimentos e
hábitos recomendados
- Muitos legumes e fruta;
- Cerejas e morangos podem ajudar;
- Café poderá favorecer a eliminação do ácido
úrico;
- Preferir pão integral;
- Consumir peixe como atum e salmão.
Tratamentos
naturais mencionados
- Vitamina C;
- Ómega-3;
- Bicarbonato de sódio em pequenas
quantidades;
- Gemoterapia e aromaterapia;
- Homeopatia (segundo o autor).
Tratamentos
médicos convencionais
- Colchicina: usada durante as crises;
- Anti-inflamatórios;
- Alopurinol: reduz o ácido úrico no sangue.
Atenção
- A aspirina não é recomendada durante crises
de gota porque pode agravar os depósitos de cristais;
- O consumo excessivo de álcool pode
desencadear crises.
Ideia
principal do texto
A gota pode ser muito dolorosa, mas
muitas crises podem ser evitadas através de hidratação adequada, alimentação
equilibrada, exercício físico e controlo do ácido úrico.
------------------------------------------------
texto
A “gota” que aquece o coração dos habitantes de certas aldeias é
simplesmente a aguardente, destilada todos os anos pelos produtores
tradicionais. Essa “zurrapa” não tem (quase) nada a ver com a gota de que vos
vou falar, que é uma doença metabólica.
Pode sofrer de
gota sem o saber… até ao dia em que, após um período de stress, grande fadiga,
excessos alimentares (sobretudo álcool), exposição ao frio e à humidade ou um
traumatismo numa articulação, surge a famosa crise de “gota”. Esta
manifesta-se, ao nível do dedo grande do pé, por uma dor súbita, intolerável,
contínua e pulsátil, que começa frequentemente durante a noite. A articulação
fica inchada, vermelha, quente e não suporta qualquer contacto, nem sequer o de
um lençol. Na ausência de tratamento, a crise dura entre 5 e 10 dias antes de a
dor desaparecer. Pode repetir-se e, embora o dedo grande do pé seja o mais
frequentemente afetado, outras articulações também podem ser atingidas (pé,
tornozelo, joelho, mão, punho ou cotovelo).
A propósito,
aconteceu-me tratar uma freira que sofria desta perturbação metabólica. Não
tive coragem de lhe perguntar se apreciava particularmente um aperitivo…!
As verdadeiras
causas da gota
Frequentemente hereditária, dez
vezes mais comum nos homens do que nas mulheres, a gota está ligada a um
excesso de ácido úrico no sangue. Este ácido provém em parte da alimentação,
mas é sobretudo produzido pelo fígado e depois eliminado pela urina através dos
rins. Este excesso de ácido úrico tem duas causas principais:
·
um excesso de
produção devido à hereditariedade, ao excesso de peso ou à alimentação. A gota
tem, aliás, fama de ser a doença do bon vivant, apreciador de boa comida
e a imagem tradicional do “gotoso” é a do homem corpulento e algo
congestionado;
·
uma eliminação
insuficiente pela urina, devido a fragilidade renal ou a tratamentos
prolongados com corticoides.
Em ambos os casos, o resultado é o mesmo: o excesso de ácido úrico
deposita-se nos tecidos sob a forma de cristais microscópicos, alongados e
pontiagudos, de urato de sódio. As articulações, especialmente a do dedo grande
do pé, são o local preferido destes depósitos, que também podem surgir sob a
pele sob a forma de tofos gotosos (protuberâncias indolores cheias de um
líquido esbranquiçado) e nos rins (formação de cálculos de ácido úrico,
responsáveis por cólicas renais).
Beba muito...
mas água, e mexa-se!
Para evitar crises de gota, é
essencial beber bastante (1,5 a 2 litros de água por dia) e fazer
ocasionalmente curas de águas bicarbonatadas (a água “Pedras Salgadas”, é o
ranking das águas portuguesas mais indicadas para a gota. Outras águas
indicadas: Frize, Vidago, Castello, Vimeiro, Luso, Alardo): estas águas limitam
a formação de cálculos urinários devido ao seu carácter alcalino.
Para beber regularmente em
quantidade suficiente, é preciso alguma disciplina:
·
mantenha a
garrafa de água sempre por perto e vá bebendo regularmente: beber 10 vezes por
dia é melhor do que beber meio litro de uma só vez;
·
aproveite as
refeições para beber mais um ou dois copos;
·
beba
sistematicamente um copo de água depois de urinar.
·
Pode ser
necessário perder peso, mas cuidado com restrições exageradas e dietas
fantasiosas: as células adiposas destruídas libertam proteínas que o fígado
transforma… em ácido úrico.
Outra recomendação fundamental é
praticar exercício físico: o sedentarismo favorece as crises de gota.
Faça uma
limpeza ao frigorífico!
Para evitar crises, tente limitar
os seguintes alimentos:
·
vísceras
(fígado, rins, moelas, língua, tripas, coração, pés de porco e cabeça de
vitela), enchidos e carnes gordas;
·
marisco,
sardinhas e anchovas;
·
bebidas
alcoólicas, sobretudo vinho branco, mas também sumos industriais;
·
leguminosas
(feijão, favas, lentilhas, soja, ervilhas, grão-de-bico), espargos e
espinafres.
O café poderá ser benéfico, pois
ajudaria a eliminar o ácido úrico. Deve consumir muitos legumes e fruta,
especialmente cerejas e morangos, substituir parte da carne por atum e salmão e
optar por pão integral.
Os tratamentos
naturais mais eficazes
Além de um estilo de vida adequado,
recomendo alguns tratamentos naturais que deram provas na prevenção das crises
de gota:
·
antes de mais
não hesite em tomar vitamina C, que facilita a eliminação do ácido úrico;
·
aposte nos ómega-3
(e ómega-6), presentes nos peixes gordos, frutos secos, óleo de colza e
sementes de linhaça;
·
o bicarbonato
de sódio para aliviar durante as crises (1/2 colher de café duas vezes por dia
num copo de água).
A gemoterapia (prática de fitoterapia que
utiliza tecidos embrionários de plantas) e o concentrado de princípios ativos presentes nos
rebentos também podem ser muito úteis. Eis o que recomendo:
·
de manhã: 50
gotas + água de Ribes nigrum (groselheira-negra) Bg. Mac. Glyc. 1D
·
ao almoço: 50
gotas + água de Betula pubescens (vidoeiro) Bg. Mac. Glyc. 1D
·
à noite: 50
gotas + água de Fraxinus excelsior (freixo) Bg. Mac. Glyc. 1D
A aromaterapia (prática que utiliza óleos
essenciais extraídos de plantas aromáticas) também pode ajudar. Eis os óleos essenciais mais importantes, na minha
opinião, para combater a gota:
·
Por via oral (2
gotas da seguinte mistura, 3 vezes por dia, sobre mel ou xarope de ácer): HE
Juniperus communis montana 2 ml; HE Gaultheria procumbens 1 ml; Ess. Citrus
limonum 2 ml
·
Por via
cutânea: (4 gotas da seguinte mistura em massagem suave sobre as articulações):
HE Ocimum basilicum 5 ml; HE Juniperus communis 3 ml; HE Helichrysum italicum 2
ml; HE Gaultheria procumbens 3 ml
Óleo vegetal de hipericão 30 ml
Os tratamentos
convencionais
A crise de gota é tratada
eficazmente com colchicina, derivada das plantas da família dos cólquicos. Em
geral, utiliza-se também um tratamento contínuo com medicamentos
hipouricemiantes (que reduzem o nível de ácido úrico no sangue ao limitar a sua
produção), como o alopurinol (Zyloric), por exemplo.
Durante a crise, a colchicina
impede a deposição de cristais de urato nas articulações (muito eficaz contra a
dor, embora possa provocar diarreia). Muitas vezes, associa-se a
anti-inflamatórios não esteroides. Como tratamento de fundo, recorre-se ao alopurinol,
que deve ser interrompido em caso de alergia (que pode ser grave).
Importante: não tome aspirina para aliviar a dor. Ela
favorece a deposição de cristais de urato nas articulações.
Antes de
terminar, devo admitir que omiti um aspeto: o consumo de aguardente e bebidas
alcoólicas fortes pode efetivamente provocar gota.
À vossa saúde! E transmitam as
minhas desculpas à freira!
Desejo-vos um
excelente dia e, acima de tudo, cuidem bem da vossa saúde.
GOTA: CONCLUSÃO
·
Uma doença
potencialmente grave, mas curável
·
Risco cardiovascular
aumentado
·
A causa de
reumatismo inflamatório mais frequente no homem adulto
·
A incidência
da gota aumenta
· O diagnóstico pode ser difícil nas formas atípicas: valor
da análise do líquido articular
· O tratamento coloca problemas em caso de intolerância
ou de ineficácia do aloporinol: interesse dos novos hipouricemiantes
que reduzem o ácido úrico
· A educação dos doentes é indispensável para o sucesso
do tratamento
**********
PS: Para todos os
que se interessam por homeopatia — e sei que são muitos — aqui ficam também
alguns remédios eficazes.
Durante uma
crise
·
Bryonia alba 7
CH, Colchicum 4 CH, Ledum palustre 7 CH: 5 grânulos de cada, de hora a hora.
·
Bryonia alba:
em caso de articulação inchada, vermelho-escura, quente, pele tensa e
brilhante, dores agudas e lancinantes agravadas pelo menor movimento,
melhoradas pelo repouso, aplicações frias e pressão forte, agravamento às 2h da
manhã, com secura das mucosas (boca seca e sede).
·
Colchicum:
efeitos semelhantes aos da colchicina alopática (sem os inconvenientes). Em
caso de inflamação do dedo grande do pé, dor intensa agravada pelo toque e pelo
movimento.
·
Ledum
palustre: dores agudas nos dedos dos pés, agravadas durante a noite e pelo
calor da cama, melhoradas por aplicações de água fria. Bom remédio para gota
crónica, com reumatismo crónico e tofos.
Tratamento de
fundo, se as crises forem repetidas 5 grânulos de manhã e à noite durante vários meses.
·
Ledum palustre
7 CH, conforme acima.
·
Sulfur 9 CH:
em caso de alternância entre erupções cutâneas e outras doenças (asma,
diarreias, crises de reumatismo ou gota). Perfil habitual: pessoa jovem, ativa,
apreciadora de boa comida e bons vinhos, frequentemente obesa, sensível ao
calor, pele ardente com erupções, orifícios avermelhados, quebra de energia
pelas 11h, sintomas recorrentes periodicamente (de três em três ou de seis em
seis meses), pés quentes à noite (fora da cama), diarreia pelas 5h,
impaciência.
·
Uricum acidum
15 CH: para tentar reduzir a formação de ácido úrico.
·
Lycopodium
clavatum 7 CH: bom remédio para eliminar ácido úrico, insuficiência renal e
hepática. Perfil habitual: digestão lenta com inchaço abdominal, dores de
estômago 2 a 3 horas após as refeições.
·
Natrum
phosphoricum 4 CH: gota do dedo grande do pé (ou punhos ou pequenas
articulações) em tempo quente, com ácido úrico elevado no sangue, língua
coberta por camada amarela espessa, tendência para azia, vómitos e diarreias
ácidas.
Existem também complexos
homeopáticos.
À escolha:
·
Urarthone: 1
colher de sopa de manhã em jejum e 1 colher à noite antes de deitar. Em caso de
crise inflamatória: 1 toma adicional — Laboratório Lehning (frasco de 250 ml)
·
Ou Ledum
Complexe n.º 81: 20 gotas, 3 vezes por dia, fora das refeições.


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