AS SETE CONDIÇÕES DA SAÚDE
IIª PARTE
2.ª condição:
Ter bom Apetite
A 2ª condição é ter bom apetite.
No sentido literal e figurado. Pela comida, pelo conhecimento, pela
atividade, pelas experiências, pelo sexo. O apetite é saúde. Uma necessidade
insaciável de saúde, liberdade, felicidade e amor por si e pelos outros são
sinais de uma saúde irrepreensível. A adaptação e a flexibilidade são os sinais
mais reveladores.
No entanto,
para conservar este apetite ao longo da vida, devemos ficar aquém da satisfação
total. Os excessos repetidos diminuem progressivamente a nossa vitalidade e a
nossa sede de viver. Para não transbordarmos nem sufocarmos, devemos distribuir
continuamente aquilo que recebemos, de forma a conservar um ligeiro vazio
dentro de nós.
Ter bom apetite e satisfazer-nos com comida simples e equilibrada. Actualmente
nos países ocidentais, o estômago não descansa, não se fazem comidas completas,
está-se a petiscar todo o dia. Não se chega a sentir fome real para se
desfrutar de um verdadeiro apetite. Este apetite traduz-se num apetite pela
vida.
Para criar
saúde, é bom deixar-se um pequeno espaço vazio no estômago e assim diferenciar
apetite de vício. Gozaremos de mais vitalidade quando a quantidade de comida
for moderada.
A ideia incutida pelos nossos pais e avós de que ter bom apetite é sinal de
saúde parece ser verdade. Quando vivemos na direcção da saúde é normal sentir
um grande apetite, não apenas por comida, mas por toda a vida em geral. Podemos
ter apetite por um lauto banquete cozinhado por um chefe de cozinha consagrado,
mas também por uma refeição tão simples quanto uma sopa com uma fatia de pão.
Ter apetite
traduz-se também por ter curiosidade ilimitada, desejo sexual, vontade de
desbravar o mundo desconhecido ou explorar os recônditos mais profundos do
nosso ser.
Falta de apetite
Pela comida, pelo sexo, pela beleza, pelo conhecimento. Não ser curioso
acerca de tudo, estar insatisfeito e duvidar de tudo. Desperdiçar e deitar
comida fora, não ter qualquer reconhecimento pela comida nem por quem a
prepara.
Ter
constipações, sinusite, enxaquecas, corrimentos, ficar careca, ter maus odores
corporais. Ganhar peso, ter borbulhas ou verrugas. Primeiras rigidezes
articulares.
3.ª condição:
Sono profundo e reparador
A 3ª condição tem a ver com o sono, com ter um sono profundo e reparador.
Curto e profundo, sem memória dos sonhos, caso contrário é um sono
superficial. Adormecer instantaneamente, em qualquer lugar, em 3 ou 4 minutos,
e acordar da mesma forma, sem meios artificiais químicos ou mecânicos
(soníferos, tisanas, despertador).
Acordar
fresco, disposto e bem-humorado. Lançar-se imediatamente nas suas ocupações.
A insónia e o
sono ligeiro e interrompido estão conectados com a dieta e os excessos. Jantar
uma grande quantidade de comida, jantar tarde, beber água em grandes
quantidades, fritos e vegetais crus, são factores que intervêm com o descanso
nocturno. Um grande número de pessoas depende dos comprimidos para dormir, seguido
do respectivo café para começar o dia. A forma como acordamos de manhã indica-nos
com clareza como está a nossa saúde. Se pela manhã tivermos problemas para nos
levantar, especialmente na Primavera, está-nos indicando que há um bloqueio no
fígado. A falta de sono, em si mesma, é uma possível causa de susceptibilidade a
resfriados, obesidade, perda de memória, doenças cardiovasculares e acidentes
cerebrais. Os transtornos do sono estão relacionados com o funcionamento renal.
Segundo Ohsawa, um sono saudável implica adormecer mal cheguemos à cama,
dormir toda a noite sem sobressaltos ou pesadelos nem necessidade de ir ao WC
e, após dormir entre 6 (Ohsawa dizia 5) e um máximo de 8 horas, acordar
completamente revigorados e com vontade de enfrentar um novo dia.
Considerando
que a maioria das pessoas na nossa sociedade parece ter problemas mais ou menos
sérios de sono, dormir segundo a descrição do parágrafo anterior, parece só ser
possível para bebés, crianças e adolescentes. No entanto, quando se começa a
ter um estilo de vida mais saudável, a qualidade do sono tende a melhorar
bastante num espaço de tempo relativamente curto.
Ter um mau sono
Deitar-se
tarde, levantar-se tarde, dormir mais de 8 horas. Acordar frequentemente, comer
durante a noite, ter pesadelos, insónias. Provocar artificialmente o sono.
Provocar artificialmente o despertar. Transpirar, ouvir o coração bater, ter
cãibras nas pernas ou nos pés. Levantar-se de manhã cansado e mal-humorado,
arrastar-se na ociosidade. Eczema, furúnculos, olhos lacrimejantes e vermelhos,
secreção de muco, corrimentos, caspa, constipações, tosse com expetoração,
calosidades plantares.
4.ª condição:
Ter boa memória
A 4ª condição é ter boa memória.
A memória mais
importante é a que nos recorda para que estámos aqui, qual é o nosso propósito
vital. A outra memória, a relativa, pode ser destruída por comer em excesso,
por comer açúcar, por ingerir substâncias tóxicas e aditivas, por falta de
treinar e desenvolver as nossas habilidades cognitivas.
Ela é infalível e desenvolve-se com a idade. A memória permite avaliar o
nosso julgamento e os nossos pensamentos. Distinguimos várias memórias:
- Memória mecânica: números, nomes, textos, poemas, números de telefone.
- Memória visual: rostos, paisagens, acontecimentos, objetos.
- Memória pré-histórica: instinto-intuição, comer, dormir,
reproduzir-se.
- Memória
do nosso destino espiritual, através da qual podemos compreender o
significado da nossa vida, da Vida e do nosso lugar no universo.
Uma boa memória é fundamental para o exercício de um discernimento
apropriado, - podemos discernir e evitar erros futuros quando nos lembramos dos
bons ou maus resultados de uma experiência passada.
Ter boa memória não significa apenas lembrar-nos de números de telefone,
datas de nascimento ou dados históricos. Existe um outro tipo de memória, mais
subtil e de natureza espiritual, que está ligada à nossa capacidade de não
perdermos de vista os nossos objectivos, a nossa missão na vida e, mais
importante ainda, a nossa ligação intrínseca à natureza e a todos os fenómenos.
Uma boa
memória reflecte a ligação com a origem espiritual comum a toda a humanidade,
remete-nos para uma ligação com o infinito que transcende o mundo das palavras
e da matéria.
Perder a memória
Esquecer as
experiências passadas e repetir os mesmos erros. Esquecer os amigos, esquecer
de agradecer, esquecer os antepassados, os pais, os descendentes. Ter esquecido
a razão da nossa vinda a este mundo. Esquecer-se de si próprio. Esquecer-se de
dar. Perder os seus pertences antes de perder tudo. Egocentrismo, orgulho,
paranoia, avareza, frustração. Prisão de ventre ou diarreia, falta de ar, perda
de voz, nuca e ombros rígidos, barriga mole e dilatada, hipotensão,
hipertensão.
5.ª condição:
Bom humor
A 5ª condição de saúde é não se zangar com ninguém, ter bom sentido de
humor.
Não significa não ter emoção de aborrecimento, significa que não devemos
alimentar o ressentimento/zanga. Comer de forma extrema, especialmente
alimentos yang (carnes, ovos, sal, queijos), provoca uma estagnação do Ki no
fígado, e, portanto, surge a raiva.
Quando
desenvolvemos uma maior compreensão sobre nós próprios, descobrimos que estamos
cheios de luzes e sombras, que não podemos pedir a perfeição que não possuímos.
Então a zanga transforma-se em compaixão, quer dizer, não julgamos.
Quando
mantemos o ressentimento, a zanga enquista-se no nosso interior tendo como
resultado o rancor, a amargura que nos afecta e infecta, criando doença.
Estar sempre alegre e bem-disposto, enfrentar e resolver todos os problemas
uns após os outros, colocando em prática uma das regras do taoísmo: “Vencer sem
combater”. Uma vida feliz e muitos amigos, quaisquer que sejam as
circunstâncias, são o resultado natural da saúde.
Nesta condição
de saúde, Ohsawa referiu frequentemente que nunca nos devíamos zangar e que
quando nos zangamos somos escravos da nossa consciência mais baixa. Mais do que
nunca nos zangarmos, provavelmente o que Ohsawa queria dizer é que, se nos
zangarmos, o devemos fazer de uma forma consciente e sem que nos manifestemos
arrependidos após o facto.
Ter bom humor é fundamental para apreciarmos correctamente a vida. O humor
é o tempero ideal para as agruras, vicissitudes e situações paradoxais com as
quais deparamos no dia a dia.
Podemos
diagnosticar o nosso bom humor pela quantidade de vezes que conseguimos sorrir
ou rir durante o dia. Sorrir frequentemente é um sinal de paz interior e
transmite aos outros uma sensação agradável de bem estar.
A cólera
A cólera
revela os nossos limites, a nossa incapacidade de compreender e apreender
corretamente as circunstâncias da nossa vida. Julgar-se superior quando se é
inferior, aterrorizar os medrosos, ter um espírito agressivo, matar por medo de
ser morto. Não se amar nem ser amado. Perder o controlo de si mesmo. Nariz
vermelho ou arroxeado. Rosácea. Varizes. Papos sob os olhos. Unhas encravadas.
Má visão, dores crónicas, além das descritas nos 4 níveis anteriores.
6.ª condição:
Clareza e rapidez de pensamento e acção,
ser organizado
A 6ª condição tem que ver com a capacidade de discernimento.
Estar alerta e ser intuitivo. Temos de ter a intuição clara, a conexão com aquilo que dá sentido à
vida, viver a terra organicamente, para que os conceitos não nos toldem os
sentidos, especialmente o senso comum.
“A boa saúde e
a capacidade de julgar com sabedoria são bênçãos preciosas da vida” (Publio
Siro).
E é raro encontrar boa saúde
em pessoas com pouco discernimento.
Devemos ser capazes de responder aos estímulos e desafios da vida de uma
forma clara, rápida, alegre e ordenada.
Tudo o que fazemos, dizemos e pensamos deve ser a manifestação de um
elevado sentido de espiritualidade, proactividade, responsabilidade e empenho.
A vida vale a pena ser vivida quando o fazemos com uma consciência plena e
totalmente desperta, com o coração disponível para abraçar todo o mundo em seu
redor. A maioria das pessoas não está totalmente desperta, vive uma vida meio
adormecida, em alguns casos quase que vegetativa, regida por um piloto
automático virado para a sobrevivência, mas pouco criativo e sem liberdade
real.
Esta condição
de saúde é o reflexo de ordem e alegria interiores.
Levar uma vida
ativa e fértil. Aceitar os desafios da existência sem os provocar. Vivacidade e
espontaneidade são a expressão da liberdade. Precisão nos movimentos, rapidez e
organização no comportamento.
Estar triste e inativo
Nunca estar
bem onde se está. Conservar e cuidar respeitosamente de todos os problemas e
desventuras passadas. Estar satisfeito por não ter feito algo ou arrepender-se
de o ter feito. Não ter sonhos para realizar, estar cansado de tudo. Cólera e
apatia, impaciência, introversão ou excessiva demonstração emocional.
Melancolia, emotividade. Delírio, depressão. Desordem e desperdício.
7.ª condição:
Sentido de justiça, honestidade,
integridade
A 7ª condição
é a gratidão e apreciação infinita pela vida. Gratidão à natureza, à comida,
aos pais, aos desafios, aos professores, aos problemas.
Que é apenas
outro nome para a Ordem do Universo. Confiar nessa justiça absoluta. Nunca ter
dúvidas. Realizar todos os seus sonhos divertindo-se. Comer e beber o que se
quiser segundo a dialética universal. Nunca mentir para se proteger. Amar toda
a gente — quem possui tal saúde é são e santo.
Durante muitos anos, Georges Ohsawa mencionou apenas as 6 primeiras
condições de saúde nos seus escritos. A partir de uma certa altura, já mais
perto do final da vida, e após grande desilusão com um discípulo próximo,
acrescentou esta última, que considerou como absoluta e fundamental, muito mais
importante do que todas as outras.
A 7ª condição
eleva o conceito de saúde, fazendo-o englobar, apropriadamente, questões
éticas, morais e espirituais, essenciais à evolução da humanidade e â relação
da mesma com o planeta e os outros seres vivos.
Viver no sentido da justiça, honestidade e integridade significa falar
sempre verdade, recusando a mentira como defesa ou protecção. Significa
manifestar profunda gratidão para com tudo e todos dando de forma generosa e
não calculista. Implica que os nossos actos sejam a manifestação da justiça
natural e tenhamos a capacidade de considerar o resultado das nossas acções no
futuro, porque vivemos com o princípio de causa e efeito, acreditando que
existe uma ordem natural num universo que não é aleatório.
A este nível
integramos o corpo, a mente e o espírito – o que pensamos, o que dizemos e o
que fazemos são indivisíveis. As nossas acções são o reflexo do nosso
discernimento mais elevado e, como tal, podemos viver com verdadeira justiça e
liberdade.
A arrogância
Último estádio da doença, cujos sintomas são o exclusivismo, o
egocentrismo, o medo, o espírito de contradição e de vingança. O ego ocupou
todo o espaço; o homem, neste estádio, está isolado, cortado do mundo que o
rodeia. Este autoisolamento caracteriza-se por uma resistência inflexível à
mudança.
“Eu nunca mudarei, porque não preciso de mudar.”
Rigidez corporal e mental, solidão.
O desfecho final
Suicídio e
loucura — que, afinal, são a mesma coisa.
FONTES CONSULTADAS
· “Macrobiótica. O livro da
grande vida” – Patrícia
Restrepo.
· “Mente sã. Corpo são” – Francisco Varatojo
·
https://macrobiotiquemonde.blogspot.com/2017/09/rebus-dialectique.html
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