O QUE É A
MACROBIÓTICA?
Agnès Pérez
A palavra
«macrobiótica» refere-se a um modo de vida que não se baseia apenas numa
determinada alimentação ou na distinção entre alimentos bons e maus, pois não
existe o bom nem o mau. Cada alimento possui uma determinada energia e
determinados nutrientes e, conhecendo-os, podemos utilizá-los a nosso favor e
em benefício da humanidade, evitando aqueles que nos prejudicam.
A compreensão
do que nos convém ou não, ao nível da alimentação, nasce do estudo, mas,
sobretudo, da observação e da experiência. Tanto uma coisa como a outra exigem
tempo e o seu próprio processo.
As mudanças
que experimentamos após poucos meses de uma alimentação macrobiótica rigorosa
são drásticas. Contudo, mesmo seguindo uma alimentação ortodoxa, o organismo
demora aproximadamente sete anos a mudar por completo, no caso das mulheres, e
oito anos, no caso dos homens. Durante este período de mudanças físicas,
mentais e energéticas, ocorrem reajustamentos e descargas, nos quais os
remédios caseiros poderão ser úteis.
O alimento
físico é uma necessidade básica e, de facto, é um tema que está sempre presente
na nossa mente. Existem também outros tipos de alimento, como, por exemplo, o
oxigénio e a energia, também chamada Ki ou Prana. De forma subtil, todas as
pessoas, juntamente com a alimentação diária, também se nutrem de energia —
vital ou cósmica, proveniente do ambiente social e familiar, dos nossos
próprios pensamentos conscientes e inconscientes, dos outros, etc.
Este conjunto
de elementos constitui a nossa condição, isto é, a forma como estamos e nos
sentimos neste momento. A sua observação é fundamental para aplicar a
macrobiótica, uma vez que cada substância que absorvemos provoca alterações
fisiológicas e energéticas no nosso organismo.
O alimento é
importante, pois é aquilo que nos constrói física e mentalmente. Além disso, os
remédios naturais devem ser utilizados no contexto de uma alimentação saudável.
No entanto,
também devem ser considerados outros aspetos inseparáveis da macrobiótica:
- Ecologia:
contribuir, com tudo o que estiver ao nosso alcance, para a preservação do
ambiente; consumir alimentos locais, da época e sem pesticidas; adotar um
estilo de vida sustentável e praticar o vivere parvo — viver de
forma simples.
- Economia
de vida: viver em harmonia com a natureza, seguindo os princípios do Universo:
nada de supérfluo, consumir alimentos integrais e evitar produtos
processados e industrializados.
- Estudar e
aplicar o princípio do yin-yang e as Cinco Transformações: tanto na
vida quotidiana como na cozinha.
- Responsabilidade: segundo
Annemarie Colbin, devemos assumir a «responsabilidade pela nossa própria
vida e saúde, que estão sempre em mudança, pelo que devemos estar
dispostos a adaptar-nos».
«Não existem
regras absolutas que possam ser seguidas eternamente.» — Herman Aihara
- Consciência:
auto-observação mental e corporal; autoconhecimento; prática de técnicas
que os promovam, como, por exemplo, o ioga e/ou o exercício ao ar livre;
aprendizagem do diagnóstico oriental; mudança de padrões educativos
limitadores e de crenças conscientes e inconscientes, tanto individuais
como coletivas.
- Gratidão: para com
a vida, para com os nossos mestres e professores e por podermos escolher o
nosso modo de vida.
- Tolerância: «Não
há nada de intolerável neste mundo; tudo é tolerável. Um homem livre
aceita tudo: tanto o mau tempo como o bom, a dificuldade como a
facilidade, a morte como a vida. Tudo com alegria. Na natureza não há
protestos nem objeções. Tudo está perfeitamente equilibrado. Se
encontrardes algo intolerável neste mundo, é porque vós próprios sois
intolerantes e exclusivistas; e, se não conseguirdes eliminar aquilo que
vos parece intolerável, é porque viveis num inferno.» Georges Ohsawa, Macrobiótica Zen
Veja este
vídeo para obter mais informações: https://youtu.be/CeERhVnSquo
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