Wednesday, September 9, 2026

 

MELHORAR O ESTADO NUTRICIONAL

Dr. Martín Macedo

Tal como Hipócrates ensinou há mais de 2.500 anos, o pai da medicina moderna, a nutrição é crucial enquanto procedimento médico. Sem nutrição não há medicina. São inseparáveis. Se a medicina não tiver em consideração a nutrição, não é uma verdadeira medicina. Não é aquilo que Hipócrates sonhou e vislumbrou como um futuro glorioso para a medicina.

As considerações higiénico-dietéticas que figuram na história clínica são «encaminhadas» para o nutricionista. E este, por sua vez, recebe uma educação tendenciosa, financiada pelas multinacionais dos lacticínios, das bebidas de cola e pela indústria frigorífica. Assim, ensinam aos estudantes de nutrição que a carne vermelha é a que fornece a melhor proteína e que o cálcio do leite apresenta uma excelente biodisponibilidade.

E os estudantes acreditam, porque é isso que lhes é ensinado. E, quando se formam, tornam-se «crentes». E os médicos encaminham os seus pacientes para os nutricionistas «crentes», que não leem outra coisa senão a abundante informação científica que lhes é fornecida nos cursos universitários.

Dão-lhes quantidades extenuantes de informação para aprender e memorizar, avaliações e exames. Não lhes dão tempo para pensar noutras opiniões ou noutras abordagens. De manhã à noite: aulas, oficinas, aulas práticas, até os deixarem extenuados. Se tiverem tempo livre, talvez se «contaminem» com outras opiniões, ou talvez caiam em posições extremas, como o vegetarianismo.

Quase não há nutricionistas vegetarianos. Ensinasse-lhes que as pessoas vegetarianas têm deficiência de vitamina B12 e também anemia por falta de ferro. E que a proteína vegetal é mal assimilada e não forma massa muscular. E repete-se a mesma ladainha, como o Pai-Nosso ou a Avé-Maria. Centenas de vezes, até que as jovens mentes acabam por aceitá-la. E assim se tornam «fiéis crentes».

Investigadores de grande calibre, como o Dr. Colin Campbell, mostram nos seus trabalhos científicos e vídeos que a proteína animal e, em particular, a proteína dos lacticínios está implicada na maior parte das doenças degenerativas típicas dos ocidentais, como o cancro da mama, o cancro da próstata, o cancro colorretal, a hipertensão, as cardiopatias, a diabetes e a osteoporose.

Na China, onde Campbell realizou um trabalho de investigação heroico, um marco na investigação nutricional, que durou 40 anos e que foi apoiado e financiado por quatro grandes universidades (Cornell, dos EUA, Oxford, de Inglaterra, e duas universidades chinesas), confirmou-se que, quanto mais proteína animal era consumida, maior era a incidência das doenças «ocidentais». E quanto menor era o consumo de proteína animal e maior o consumo de proteína vegetal, menores eram as taxas destas doenças degenerativas.

Campbell, juntamente com o seu filho, que também é médico, percorreu toda a zona rural da China entre 1970 e 2010, tomando notas sobre aquilo que as pessoas comiam, o tipo de proteína, a qualidade biológica das mesmas, as quantidades e o baixo ou elevado consumo de lacticínios.

Em determinados distritos das zonas rurais chinesas, Campbell sugeriu a alguns voluntários que incorporassem um pouco de leite de vaca, como parte da sua investigação. Tradicionalmente, os chineses evitam o leite de vaca. Acreditam que «somos aquilo que comemos»; têm isso muito mais claro do que nós, ocidentais.

Assim, durante milhares de anos, os chineses acreditaram que, se alguém beber leite de vaca, terá uma atitude de bebé crescido, que segue a multidão e entra em pânico perante a possibilidade de ficar isolado do rebanho. Não terá capacidade crítica e será grande de corpo e de mente inocente, como um bezerro.

Os japoneses gostam muito de peixe e de produtos do mar. Consomem muitas algas e peixe. Mas não qualquer peixe. Preferem o tubarão e o peixe-balão. Evitam a sardinha e outros peixes «tolos», fáceis de apanhar. Também têm muito presente o adágio «somos aquilo que comemos». Se comer peixes tolos, como a sardinha, absorverei a «alma» do animal e tenderei a ser atordoado e presa fácil dos astutos «tubarões».

Os japoneses também não bebem leite de vaca. E muito menos estragariam o seu sagrado chá medicinal acrescentando-lhe leite e açúcar. O chá com leite, tão consumido no Ocidente, é, para um japonês, uma aberração. Uma adulteração imperdoável. Uma degradação da bebida tradicional que «eleva o pensamento e a sensibilidade espiritual».

Eles sempre se consideraram uma nação «elevada» espiritualmente e, por isso, o samurai não é considerado apenas um guerreiro ou um habilidíssimo espadachim.

O valor do samurai está no seu espírito. O espírito samurai está em cada japonês. Em cada idoso, em cada criança, em cada menina, em cada mulher, em cada homem, independentemente da sua profissão ou nível social. A grandeza do Japão é espiritual. O seu espírito torna-os invencíveis.

E acreditam que o espírito é alimentado com «alimentos» como o chá tradicional, o chá da cerimónia do chá. E existem casas de chá para cultivar o espírito de sensibilidade e grandeza do povo japonês. E os seus alimentos tradicionais nutrem o «espírito samurai», a «alma do Japão».

Quando um japonês começa a comer como os ocidentais — carne, café com leite e pão branco com açúcar e compota —, os outros consideram-no uma espécie de irmão «desgarrado», que perdeu o contacto com a sua força espiritual tradicional. Um corpo japonês com uma alma ocidental. Um japonês de segunda categoria. A sua alma está degradada por se alimentar da comida dos «bárbaros ocidentais».

É muito interessante este tipo de considerações asiáticas, que poderão chocar-nos, a nós, ocidentais, mas que são muito respeitáveis, porque têm alguma lógica e uma permanência no tempo de milhares de anos.

Os hindus também mantiveram a sua clara convicção da relação entre alimentação superior e pensamento superior. O hinduísmo classifica os alimentos em sátvicos, tamásicos e rajásicos. Ayurveda.

O alimento SÁTVICO estimula o desenvolvimento de uma mente elevada, de um pensamento elevado, de sentimentos e propósitos nobres. O alimento sátvico é utilizado, fundamentalmente, pelos indivíduos espiritualmente avançados. E a carne e o leite não são sátvicos, com exceção de um pouco de leite de iaque, um bovino de raça asiática muito diferente da vaca holandesa da indústria e do negócio da Europa e da América.

Na Ásia e na América indígena, assim como no Egito espiritual e noutras tradições, como a Cabala, a compreensão da relação entre alimento e espírito é absolutamente clara. O espírito é o espírito do alimento. O alimento tem alma.

Os xamãs dos grupos nativos da América acreditam que tudo tem espírito. A aranha tem espírito e a montanha tem espírito. O veado tem espírito e a águia tem espírito. E, ao ingerir um alimento, absorve-se a «alma» do animal ou do vegetal.

E o alimento de origem vegetal é aquele que mais eleva espiritualmente. São os cereais. Por isso, Jesus partiu o pão e ensinou: «Este é o meu corpo».

E os budistas zen tomam a sua sopa de genmai, a sua comida tradicional para os retiros espirituais com muitas horas de prática de meditação. O genmai é uma sopa de arroz com vegetais que encarna o espírito de Buda. O arroz é o espírito de Buda, acreditam muitos budistas.

Se um budista for obrigado a comer carne de vaca, recusará, porque acredita que esse tipo de comida o rebaixará espiritualmente.

Creio que é bom considerar as coisas a partir da perspetiva destas culturas antigas, tanto do Oriente como do Ocidente, tanto da América como da Ásia, porque nos podem ajudar a ver as coisas sob outra perspetiva.

A América nativa adora, endeusa, diviniza o milho. Falam do espírito do milho como falam do espírito dos deuses. Sem milho, nenhuma grandeza espiritual.

O homem branco, que mata e destrói, alimenta-se de corpos de animais sacrificados com violência. Por isso é violento e destruidor. Por isso sempre foi um predador-conquistador-açambarcador.

E despojou as culturas nativas do seu ouro, prata e diamantes, para construir luxuosas catedrais e palácios na Europa. Espanha, Portugal, França, Inglaterra, Alemanha, Itália e Holanda, entre outras antigas potências militares, tiveram, em tempos, este espírito «felino» de glorificar a carne e o leite como os alimentos destinados a produzir nações fortes e poderosas.

E consideravam as nações «indígenas», como a Índia e os povos nativos da América do Sul e da América Central, fracas e facilmente subjugáveis devido à natureza da sua alimentação, baseada em sementes.

Como a nossa ciência tem uma forte influência do Ocidente científico e académico, os nossos médicos e nutricionistas, os nossos profissionais da área da saúde, têm uma convicção profunda, quase visceral, da superioridade da proteína animal.

É algo invariável. Todos sentem nas suas entranhas que, quando faltam a carne e o leite, se corre o risco de desnutrição. E essa forma de alimentação é aquela que pratica a maior parte dos ocidentais. E fazem-no há centenas de anos. Já faz parte do inconsciente coletivo.

Apesar de as taxas de doenças degenerativas no Ocidente serem muito mais elevadas. Apesar de existirem «evidências científicas» de que as dietas japonesas e indianas tradicionais são muito mais convenientes, continuam a arrastar esses hábitos dos «assados» e do pequeno-almoço com leite, manteiga e queijo.

«Não somos chineses», não vamos tomar sopa ao pequeno-almoço. E os próprios especialistas recomendam aos seus pacientes uma dieta baseada em lacticínios e proteínas animais.

E esse tipo de alimentação é precisamente aquele que acidifica o sangue e convida à proliferação de todo o tipo de vírus, porque toda a componente hídrica do corpo se acidifica devido à decomposição da proteína animal, numa fisiologia basicamente herbívora.

Assim, não podemos ter um bom estado nutricional com esse tipo de crenças e convicções. Com essa obstinação em alimentarmo-nos com elevados níveis de proteína, é muito difícil criar sistemas imunitários poderosos.

As leis fisiológicas dão razão aos «nativos». Os povos nativos procuraram sempre os alimentos que engrandecem o espírito e, consequentemente, o corpo, que é o templo onde habita um deus.

E a história dá-lhes razão. E continua a dar-lhes razão.

Aprenderemos, então, com eles e criaremos um templo transbordante de saúde e beleza.


                                                           COMO NUTRIR-SE?

Dr. Martín Macedo

Trata-se de uma questão de extrema importância. Há uma grande variedade de opiniões divergentes e contraditórias no que diz respeito ao que é «uma alimentação adequada». Na minha opinião, nunca descobriremos esta forma ideal de alimentação, saudável, alcalina, que assegure um funcionamento ótimo, através do caminho do intelecto. Através do caminho da teorização.

O ser humano tem dois hemisférios cerebrais. Como tudo o que existe, um é complementar do outro. O dia e a noite. O norte e o sul. O jovem e o idoso. Yin e yang. Os dois hemisférios são «masculino e feminino». Um é intuitivo, sensível, conciliador, integrador e unificador. O outro é analítico, classificador, separador, categórico e orgulhoso da sua força lógica.

O direito é o hemisfério feminino e o esquerdo é o hemisfério masculino. Ao nível da higiene e da medicina, o predomínio do hemisfério esquerdo é absoluto. Classificam-se os alimentos, estudam-se analiticamente, quantificam-se os seus níveis de vitaminas, enzimas e proteínas. Estas são subdivididas em essenciais e não essenciais, em termolábeis e termorresistentes. E assim ad infinitum. Milhares de páginas escritas sobre as vitaminas e as proteínas. Teses de doutoramento sobre a «indispensabilidade» da proteína animal.

No entanto, esse é o caminho que os seres humanos têm seguido nos últimos 100 anos. E as doenças degenerativas e a infelicidade humana não diminuem, antes aumentam. Este não é o caminho para descobrir a «forma correta». Temos de recorrer ao outro hemisfério. Ao hemisfério direito. Ao hemisfério feminino.

Agora é necessário dar o comando ao polo feminino. Elas foram dotadas para isso. São especialistas em nutrição. Já nascem equipadas com duas mamas nutridoras. Nascem com um equipamento que nós, homens, nunca poderemos igualar. Trata-se das Deusas. A característica de Deus é a criação. A Deusa é criadora. Cria um ser humano. Os homens apenas contribuímos com uma sementinha.

Elas são as mestras da nutrição. Utilizam mais o hemisfério direito. E este é o aspeto intuitivo que a ciência despreza. Do qual desconfia. Intuição? Isso não é rigor científico. Baseamo-nos em evidências.

O aspeto racional e lógico é muito importante. Não se pode negar nenhum dos dois aspetos da realidade paradoxal e contraditória. Mas, se durante 100 anos temos tentado nutrir-nos segundo o hemisfério lógico e erudito e nos temos afastado cada vez mais da felicidade, somos obrigados a dar a primazia, a oportunidade, ao hemisfério direito. À intuição.

As mães dizem geralmente aos filhos: «Eu tenho intuição de mãe, escuta-me». Quase todos os homens respeitamos a «intuição» feminina. Mas as mulheres modernas voltaram-se para o mundo masculino e desejam competir e destacar-se nele. No campo do hemisfério esquerdo. E a espécie humana está a enfraquecer. Porque o lado intuitivo é vital.

Os animais nutrem-se segundo a sua intuição. Devemos imitá-los. Aprender com o passarinho e com o bisonte, com a águia e com o veado. A sabedoria é intuitiva, espiritual. A sabedoria não é lógica nem enciclopédica. O conhecimento é o conhecimento. E a sabedoria é a sabedoria.

Os animais possuem a sabedoria necessária para se nutrirem. Por isso escolhem bem e desfrutam de um funcionamento perfeito. A sua «inteligência» é essencialmente intuitiva. Cem por cento de sabedoria intuitiva. Também aprendem por imitação e repetição, como os macacos e outros mamíferos evolutivamente mais avançados. Mas a base é a intuição.

O bebé humano é intuitivo. Deseja apenas a nutrição da sua mãe. A mama. Nutrição ótima. Funcionamento ótimo. Saúde perfeita. Beleza sublime e felicidade no instante presente. O único lugar onde podemos encontrá-la.

O bebé é sábio porque é cem por cento intuitivo. Se lhe dermos leite de vaca ou um pedaço de carne, cospe-o. A menos que esteja com muita fome e não lhe reste outra opção. «Ou como esta abominação ou morro de inanição.» E, novamente, a intuição salva a vida do bebé. E este opta pelo leite de vaca. Apesar das reações alérgicas e das diarreias. Apesar das infeções respiratórias que resultam desta alimentação anormal, proveniente de outra espécie muito diferente.

E, se o leite provier de uma lata de preparado comercial para bebés, afastamo-nos cada vez mais da intuição e da felicidade do bebé. Um leite fabricado por hemisférios esquerdos. Com «validação científica».

Para descobrir a alimentação perfeita, que produz um funcionamento perfeito e uma alegria perfeita, é necessário regressar à intuição. A intuição está relacionada com o coração. Ter um «coração intuitivo». O coração da mãe. O amor da mãe.

Segundo a medicina oriental, o coração rege a intuição e está ligado ao pensamento do hemisfério esquerdo. A nutrição ótima é o leite humano até ao primeiro ano de idade. E, posteriormente, a introdução dos alimentos biologicamente ótimos.

Para podermos explicar esta alimentação biologicamente perfeita, que produz um funcionamento perfeito e uma saúde perfeita, é necessário utilizar um pouco — apenas um pouco — o hemisfério esquerdo. Utilizando os dois, como para caminhar ou voar. Para voar são necessárias duas asas. A direita e a esquerda. Para governar um país com êxito também. Para avançar pela vida a bom ritmo, são necessários os dois pés.

No entanto, há sempre um que pisa com mais força. O lado principal. O lado dominante. Mas o facto de ser dominante ou predominante não significa que o outro não seja imprescindível e vital. Os dois são vitais, embora um seja sempre mais ativo e predominante.

Para conseguirmos descobrir a nutrição perfeita, é necessário fazê-lo a partir da intuição — hemisfério direito — como força dominante e da razão — hemisfério esquerdo — como força complementar.

O ser humano é um mamífero. Durante o primeiro ano deve beber leite materno. Enquanto dura este primeiro ano, a nutrição é simples. Tudo num único produto. Um produto completo. Simples. Fácil. Perfeito. Delicioso. E inclui afetividade. Tudo no mesmo ato. Proteínas, vitaminas, anticorpos, enzimas, gorduras e quantidades abundantes de amor.

Isto em condições ideais. Se a mãe estiver debilitada, não produzirá um bom leite e não terá energia suficiente para cuidar amorosamente do bebé, porque estará exausta. Mas, em geral, as mães são jovens, belas e vigorosas. E produzem um leite excelente.

Depois chega o primeiro ano de idade. E é aí que começam as dúvidas. Carne? Leite de vaca? Qualquer fruta? E as mães recorrem ao pediatra — hemisfério esquerdo — para que as aconselhe acerca da nutrição. Por vezes, as avós contribuem com a sua experiência e sabedoria — hemisfério direito.

Assim, entre a avó e o pediatra, a jovem mãe começa, através de tentativas e erros, a percorrer a sua experiência de alimentar e cuidar com êxito do jovem rebento humano.

Na natureza não há pediatra. Nem avó. O passarinho sabe o que deve dar às suas crias. E, em geral, acerta cem por cento. O animal é simples. Não tem ego. Não possui uma forte consciência da sua individualidade. E nutre-se de acordo com a sua especialização fisiológica.

Assim, o búfalo alimenta-se apenas de erva e o falcão persegue pequenos coelhos ou ratos nas florestas. O animal sabe qual é o alimento perfeito para o seu género particular. E não falha. Acerta sempre. A sua mãe ensinou-lhe. O ensinamento mais importante: o que comer e como obtê-lo.

Se for caçador, ensinar-lhe-á a caçar. Se for recoletor, ensinar-lhe-á a recolher os frutos saudáveis e a evitar os venenosos. Se for pescador, ensinar-lhe-á a pescar.

No início, o ser humano era tudo isso. Era recoletor, caçador e pescador. Depois, tudo se tornou mais complexo quando quis acumular alimentos e criou a troca e o comércio. Começou também a criar animais, a semear e a colher, para acumular os seus meios de sobrevivência.

Por isso, é um pouco difícil saber, com uma clareza meridiana, quais são os alimentos que proporcionam uma nutrição ótima aos seres humanos. Nutrição ótima e funcionamento ótimo. Mas podemos perguntar às culturas mais antigas. Àquelas que possuem muita experiência e que alcançaram o êxito. Mesmo nos nossos dias.


 

FINAL DO VERÃO ELEMENTO TERRA:

ORIENTAÇÕES ALIMENTARES

ECODIETA

Clara Castellotti

Orientações alimentares:

Esta estação pede-nos que mantenhamos os pés assentes na terra. Por conseguinte, a nossa alimentação deve tornar-se um pouco mais yang: um pouco mais de sal, confeções um pouco mais prolongadas e uma maior quantidade de legumes cozidos ou preparados a vapor, estufados, sopas e cremes de cereais.

As cores do final do verão refletem-se nos cereais maduros, em vegetais como os cogumelos e a abóbora, e em frutos como as peras e as maçãs. Os cogumelos silvestres, em particular, harmonizam-nos com o elemento Terra.

Entre os alimentos que mais enfraquecem os órgãos relacionados com esta estação, encontra-se, em primeiro lugar, o açúcar refinado. Todas as sobremesas muito doces, sobretudo aquelas que combinam açúcar refinado, leite e natas ou outros adoçantes refinados — agave, frutose, etc. —, bem como os cereais refinados, comprometem o sistema digestivo.

Assim como o sabor doce artificial o prejudica, o sabor doce natural cura-o. Entre os cereais, o millet, assim como os legumes de forma redonda ou de sabor doce, que crescem ao nível do solo — como a abóbora, as couves, as curgetes, as cebolas e a batata-doce —, constituem um medicamento para o sistema digestivo, sendo aconselhável consumi-los abundantemente no outono, para o fortalecer.

Além do millet, que podemos utilizar em cremes, sopas, croquetes e sobremesas, outro cereal adequado ao final do verão é o mochi, ou arroz glutinoso.

As algas arame, de sabor doce e delicado, são indicadas para perturbações digestivas e ginecológicas — o baço, órgão do final do verão, controla o sistema reprodutor feminino.

Uma cura com argila, realizada durante o mês de setembro, fortalece os órgãos do sistema digestivo, desintoxica e regenera a flora intestinal, além de nos fornecer oligoelementos e de nos ligar ao elemento Terra.



  A NUTRIÇÃO NAS CULTURAS TRADICIONAIS Dr. Martín Macedo Os maiores mestres da nutrição não se encontram nas grandes universidades nem n...