COMO NUTRIR-SE?
Dr. Martín Macedo
Trata-se de
uma questão de extrema importância. Há uma grande variedade de opiniões
divergentes e contraditórias no que diz respeito ao que é «uma alimentação
adequada». Na minha opinião, nunca descobriremos esta forma ideal de
alimentação, saudável, alcalina, que assegure um funcionamento ótimo, através
do caminho do intelecto. Através do caminho da teorização.
O ser humano
tem dois hemisférios cerebrais. Como tudo o que existe, um é complementar do
outro. O dia e a noite. O norte e o sul. O jovem e o idoso. Yin e yang. Os dois
hemisférios são «masculino e feminino». Um é intuitivo, sensível, conciliador,
integrador e unificador. O outro é analítico, classificador, separador,
categórico e orgulhoso da sua força lógica.
O direito é o
hemisfério feminino e o esquerdo é o hemisfério masculino. Ao nível da higiene
e da medicina, o predomínio do hemisfério esquerdo é absoluto. Classificam-se
os alimentos, estudam-se analiticamente, quantificam-se os seus níveis de
vitaminas, enzimas e proteínas. Estas são subdivididas em essenciais e não
essenciais, em termolábeis e termorresistentes. E assim ad infinitum.
Milhares de páginas escritas sobre as vitaminas e as proteínas. Teses de
doutoramento sobre a «indispensabilidade» da proteína animal.
No entanto,
esse é o caminho que os seres humanos têm seguido nos últimos 100 anos. E as
doenças degenerativas e a infelicidade humana não diminuem, antes aumentam.
Este não é o caminho para descobrir a «forma correta». Temos de recorrer ao
outro hemisfério. Ao hemisfério direito. Ao hemisfério feminino.
Agora é
necessário dar o comando ao polo feminino. Elas foram dotadas para isso. São
especialistas em nutrição. Já nascem equipadas com duas mamas nutridoras.
Nascem com um equipamento que nós, homens, nunca poderemos igualar. Trata-se
das Deusas. A característica de Deus é a criação. A Deusa é criadora. Cria um
ser humano. Os homens apenas contribuímos com uma sementinha.
Elas são as
mestras da nutrição. Utilizam mais o hemisfério direito. E este é o aspeto
intuitivo que a ciência despreza. Do qual desconfia. Intuição? Isso não é rigor
científico. Baseamo-nos em evidências.
O aspeto
racional e lógico é muito importante. Não se pode negar nenhum dos dois aspetos
da realidade paradoxal e contraditória. Mas, se durante 100 anos temos tentado
nutrir-nos segundo o hemisfério lógico e erudito e nos temos afastado cada vez
mais da felicidade, somos obrigados a dar a primazia, a oportunidade, ao
hemisfério direito. À intuição.
As mães dizem
geralmente aos filhos: «Eu tenho intuição de mãe, escuta-me». Quase todos os
homens respeitamos a «intuição» feminina. Mas as mulheres modernas voltaram-se
para o mundo masculino e desejam competir e destacar-se nele. No campo do
hemisfério esquerdo. E a espécie humana está a enfraquecer. Porque o lado
intuitivo é vital.
Os animais
nutrem-se segundo a sua intuição. Devemos imitá-los. Aprender com o passarinho
e com o bisonte, com a águia e com o veado. A sabedoria é intuitiva,
espiritual. A sabedoria não é lógica nem enciclopédica. O conhecimento é o
conhecimento. E a sabedoria é a sabedoria.
Os animais
possuem a sabedoria necessária para se nutrirem. Por isso escolhem bem e
desfrutam de um funcionamento perfeito. A sua «inteligência» é essencialmente
intuitiva. Cem por cento de sabedoria intuitiva. Também aprendem por imitação e
repetição, como os macacos e outros mamíferos evolutivamente mais avançados.
Mas a base é a intuição.
O bebé humano
é intuitivo. Deseja apenas a nutrição da sua mãe. A mama. Nutrição ótima.
Funcionamento ótimo. Saúde perfeita. Beleza sublime e felicidade no instante
presente. O único lugar onde podemos encontrá-la.
O bebé é sábio
porque é cem por cento intuitivo. Se lhe dermos leite de vaca ou um pedaço de
carne, cospe-o. A menos que esteja com muita fome e não lhe reste outra opção.
«Ou como esta abominação ou morro de inanição.» E, novamente, a intuição salva
a vida do bebé. E este opta pelo leite de vaca. Apesar das reações alérgicas e
das diarreias. Apesar das infeções respiratórias que resultam desta alimentação
anormal, proveniente de outra espécie muito diferente.
E, se o leite
provier de uma lata de preparado comercial para bebés, afastamo-nos cada vez
mais da intuição e da felicidade do bebé. Um leite fabricado por hemisférios
esquerdos. Com «validação científica».
Para descobrir
a alimentação perfeita, que produz um funcionamento perfeito e uma alegria
perfeita, é necessário regressar à intuição. A intuição está relacionada com o
coração. Ter um «coração intuitivo». O coração da mãe. O amor da mãe.
Segundo a
medicina oriental, o coração rege a intuição e está ligado ao pensamento do
hemisfério esquerdo. A nutrição ótima é o leite humano até ao primeiro ano de
idade. E, posteriormente, a introdução dos alimentos biologicamente ótimos.
Para podermos
explicar esta alimentação biologicamente perfeita, que produz um funcionamento
perfeito e uma saúde perfeita, é necessário utilizar um pouco — apenas um pouco
— o hemisfério esquerdo. Utilizando os dois, como para caminhar ou voar. Para
voar são necessárias duas asas. A direita e a esquerda. Para governar um país
com êxito também. Para avançar pela vida a bom ritmo, são necessários os dois
pés.
No entanto, há
sempre um que pisa com mais força. O lado principal. O lado dominante. Mas o
facto de ser dominante ou predominante não significa que o outro não seja
imprescindível e vital. Os dois são vitais, embora um seja sempre mais ativo e
predominante.
Para
conseguirmos descobrir a nutrição perfeita, é necessário fazê-lo a partir da
intuição — hemisfério direito — como força dominante e da razão — hemisfério
esquerdo — como força complementar.
O ser humano é
um mamífero. Durante o primeiro ano deve beber leite materno. Enquanto dura
este primeiro ano, a nutrição é simples. Tudo num único produto. Um produto
completo. Simples. Fácil. Perfeito. Delicioso. E inclui afetividade. Tudo no
mesmo ato. Proteínas, vitaminas, anticorpos, enzimas, gorduras e quantidades
abundantes de amor.
Isto em
condições ideais. Se a mãe estiver debilitada, não produzirá um bom leite e não
terá energia suficiente para cuidar amorosamente do bebé, porque estará
exausta. Mas, em geral, as mães são jovens, belas e vigorosas. E produzem um
leite excelente.
Depois chega o
primeiro ano de idade. E é aí que começam as dúvidas. Carne? Leite de vaca?
Qualquer fruta? E as mães recorrem ao pediatra — hemisfério esquerdo — para que
as aconselhe acerca da nutrição. Por vezes, as avós contribuem com a sua
experiência e sabedoria — hemisfério direito.
Assim, entre a
avó e o pediatra, a jovem mãe começa, através de tentativas e erros, a
percorrer a sua experiência de alimentar e cuidar com êxito do jovem rebento
humano.
Na natureza
não há pediatra. Nem avó. O passarinho sabe o que deve dar às suas crias. E, em
geral, acerta cem por cento. O animal é simples. Não tem ego. Não possui uma
forte consciência da sua individualidade. E nutre-se de acordo com a sua
especialização fisiológica.
Assim, o
búfalo alimenta-se apenas de erva e o falcão persegue pequenos coelhos ou ratos
nas florestas. O animal sabe qual é o alimento perfeito para o seu género
particular. E não falha. Acerta sempre. A sua mãe ensinou-lhe. O ensinamento
mais importante: o que comer e como obtê-lo.
Se for
caçador, ensinar-lhe-á a caçar. Se for recoletor, ensinar-lhe-á a recolher os
frutos saudáveis e a evitar os venenosos. Se for pescador, ensinar-lhe-á a
pescar.
No início, o
ser humano era tudo isso. Era recoletor, caçador e pescador. Depois, tudo se
tornou mais complexo quando quis acumular alimentos e criou a troca e o
comércio. Começou também a criar animais, a semear e a colher, para acumular os
seus meios de sobrevivência.
Por isso, é um
pouco difícil saber, com uma clareza meridiana, quais são os alimentos que
proporcionam uma nutrição ótima aos seres humanos. Nutrição ótima e
funcionamento ótimo. Mas podemos perguntar às culturas mais antigas. Àquelas
que possuem muita experiência e que alcançaram o êxito. Mesmo nos nossos dias.
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