Wednesday, September 16, 2026

 

A CARÊNCIA DE VITAMINA D

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Elena Corrales

Atualmente, a carência de vitamina D é reconhecida como uma pandemia. Em Espanha, 45% da população apresenta défice desta vitamina.

A luz solar é a principal fonte de obtenção, uma vez que os raios UV favorecem a síntese de vitamina D na pele. Isto significa que o organismo produz vitamina D quando a pele é exposta diretamente ao sol. A maioria das pessoas satisfaz desta forma as suas necessidades de vitamina D.

No entanto, o estilo de vida moderno permite-nos passar menos tempo ao ar livre do que em épocas passadas e, quando saímos, utilizamos frequentemente protetores solares. Esta situação, associada aos hábitos alimentares atuais, é responsável pela carência que hoje se verifica na população.

A vitamina D também é denominada calciferol e é lipossolúvel, o que significa que se dissolve nas gorduras, permitindo que seja armazenada nos tecidos adiposos do organismo. Esta propriedade da vitamina D faz com que não seja necessária uma ingestão diária.

Muitos alimentos contêm precursores desta vitamina. Trata-se de substâncias que se transformam em vitamina D ao serem metabolizadas ou processadas pelo organismo. Referimo-nos ao 7-desidrocolesterol, presente nos alimentos de origem animal, e ao ergosterol, presente nos vegetais. Ambos necessitam da radiação solar para se transformarem em vitaminas.

É importante saber que os alimentos que constituem fontes de vitamina D são escassos e que, por si só, não são suficientes para satisfazer as necessidades do organismo. Esta situação agrava-se sobretudo durante o inverno, período em que diminuem as horas de exposição solar.

FUNÇÕES DA VITAMINA D

Os estudos mais recentes revelam o seu papel em numerosos processos fisiológicos fundamentais para a nossa saúde, para além da sua já conhecida participação no metabolismo do cálcio.

Até há relativamente pouco tempo, sabia-se apenas que era essencial para o desenvolvimento normal do esqueleto, tanto no feto, durante a gestação, como nas crianças, assim como para a manutenção da saúde óssea dos adultos.

Nas crianças, a sua carência causa atraso no crescimento e sintomas de raquitismo, enquanto nos adultos favorece a osteopenia e a osteoporose, aumentando o risco de fraturas.

Além disso, a vitamina D é um imunorregulador. Modula a resposta imunitária excessiva em numerosas doenças autoimunes e estimula as defesas contra diferentes infeções.

Concentrações reduzidas desta vitamina estão associadas ao aumento da prevalência da diabetes tipo 2, da hipertensão, dos acidentes cardiovasculares e da hiperlipidemia.

Foi observada uma relação entre níveis reduzidos de vitamina D no sangue e estados depressivos, uma vez que, aparentemente, esta vitamina desempenha um papel fundamental na transmissão neuronal.

Níveis adequados favorecem o aumento do rendimento físico no desporto. Por outro lado, a sua carência aumenta o risco de diabetes gestacional e de pré-eclâmpsia durante a gravidez.

FONTES ALIMENTARES DE VITAMINA D

  • Peixes gordos ricos em ácidos gordos ómega-3, como a cavala, a sardinha e o bonito;
  • Ostras e marisco;
  • Ovos;
  • Leite e produtos lácteos;
  • Leite materno;
  • Cogumelos shiitake e outros cogumelos;
  • Cereais integrais e leguminosas — a vitamina D está presente no gérmen.

TEOR DE VITAMINA D DOS ALIMENTOS, EXPRESSO EM UI

·       1 Unidade Internacional de vitamina D = 0,025 µg.

No que diz respeito à sua conservação, é uma vitamina estável, ou seja, não é destruída durante a confeção, ao contrário do que acontece com outras vitaminas termossensíveis.

·       Recomendações diárias

As necessidades diárias de vitamina D são de 400 UI por dia.

Para que o nosso organismo produza esta quantidade, são necessários entre dez e quinze minutos de exposição solar, três vezes por semana. É necessário que o sol incida na pele do rosto, dos braços, das costas ou das pernas, evidentemente sem protetor solar.

Com este período de exposição, não existe risco de cancro da pele. Não é necessário que o sol aqueça, porque os raios UV atravessam as nuvens; por isso, basta passar algum tempo ao ar livre.

Depois de produzida, a vitamina D que não é utilizada deposita-se no fígado, no cérebro, na pele e, sobretudo, nos ossos. Por esse motivo, os nossos níveis sanguíneos variam ao longo do ano.

Assim, ao interpretar as análises clínicas, é importante ter em consideração que, no final do inverno, os níveis serão, com toda a certeza, mais baixos do que depois do verão, a época de maior exposição ao sol.

EFEITOS SECUNDÁRIOS DO EXCESSO DE VITAMINA D

Como atualmente existe a tendência para tomar suplementos de vitamina D, é importante advertir que uma ingestão excessiva pode provocar toxicidade, uma vez que esta vitamina não é eliminada por via renal como acontece com as vitaminas hidrossolúveis.

O excesso de vitamina D pode aumentar a absorção intestinal de cálcio, elevando os níveis deste mineral no sangue.

Níveis elevados de cálcio no sangue podem provocar:

  • Calcificação dos tecidos moles, como o coração, os rins e os pulmões;
  • Confusão e desorientação;
  • Cálculos renais;
  • Náuseas, vómitos, obstipação, falta de apetite, fraqueza e perda de peso.

Tenhamos em consideração que, atualmente, a indústria alimentar aproveita esta situação para enriquecer os alimentos com esta vitamina, publicitando-os como mais saudáveis, e que aos bebés é prescrita vitamina D sintética desde o nascimento, com o argumento de que o leite materno não contém uma quantidade suficiente.

Em todos os casos, antes de tomar suplementos, o mais sensato seria fazer uma exposição moderada ao sol e manter uma alimentação saudável.

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Comentários (IA)

O texto original, publicado em 2020, contém afirmações que exigem atualização ou prudência:

  • As necessidades de vitamina D não são iguais para todas as pessoas. Dependem da idade, do estado de saúde e das orientações clínicas; em adultos com mais de 70 anos, muitas recomendações apontam para valores superiores a 400 UI.
  • Não é possível garantir que dez a quinze minutos de exposição solar sejam suficientes ou isentos de risco para todas as pessoas. O resultado depende da estação do ano, hora, latitude, pigmentação da pele, idade, área exposta e risco individual de cancro cutâneo.
  • As nuvens reduzem, em graus variáveis, a radiação ultravioleta que chega à pele; não se deve afirmar simplesmente que os raios UV as atravessam sem explicar esta variação.
  • Os cereais integrais e as leguminosas comuns não são considerados fontes relevantes de vitamina D. Entre os alimentos vegetais, alguns cogumelos expostos à radiação UV podem fornecer vitamina D.
  • O 7-desidrocolesterol relevante para a síntese de vitamina D encontra-se na pele; o ergosterol está sobretudo presente nos fungos, incluindo cogumelos, e não genericamente nos vegetais.
  • A vitamina D é armazenada principalmente no tecido adiposo e no fígado; a afirmação de que se deposita sobretudo nos ossos não é rigorosa.
  • A toma de suplementos deve ser decidida com base nas circunstâncias individuais e, quando indicado, em análises e aconselhamento médico. A exposição solar e a alimentação nem sempre são suficientes para corrigir um défice.
  • A suplementação dos bebés não deve ser desvalorizada: é recomendada em muitos países porque o leite materno contém geralmente pouca vitamina D, sobretudo quando a mãe apresenta níveis insuficientes.

 

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