Saturday, September 19, 2026

 

COMPOTA DE MAÇÃ COM GENGIBRE, SEM AÇÚCAR

Isabel

Compota de maçã com gengibre, sem açúcar — Macrosano

É tempo de colher maçãs e também de começarmos a aquecer o organismo, preparando-o para o frio dos meses de outono.

A compota é uma das formas mais simples de saborear maçãs cozinhadas. A combinação desta fruta com o gengibre e a canela ajuda a criar uma sobremesa que nos aquece e nutre em profundidade. É também ideal para o lanche ou como pequeno petisco entre as refeições.

Além disso, lembre-se de que, se cozinhar as maçãs com a casca e o centro, poderá beneficiar melhor das pectinas que contêm, as quais atuarão como prebióticos, alimentando a microbiota intestinal.

Ingredientes

  • 6 a 8 maçãs;
  • ½ a 1 copo de alperces secos e/ou passas;
  • 1 pau de canela;
  • 3 rodelas de gengibre.

Preparação

  • Corte as maçãs em pedaços grandes, sem as descascar.
  • Coloque-as num tacho, juntamente com as passas ou com os alperces secos cortados em pedaços pequenos.
  • Adicione uma pitada de sal e misture bem. Junte o pau de canela, as rodelas de gengibre e água até atingir cerca de 1 cm de altura no fundo do tacho.
  • Coloque os centros das maçãs numa pequena gaze ou num saco próprio para cozinhar e introduza-os também no tacho.
  • Deixe levantar fervura, reduza o lume para o mínimo, tape e cozinhe durante aproximadamente 15 minutos, ou até a fruta ficar macia.
  • Retire o pequeno saco com os centros das maçãs e deixe a compota arrefecer ligeiramente antes de servir.
  • Cozinhe com amor… e bom apetite!

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PARA ALÉM DA BIOQUÍMICA ESTÁ A NUTRIÇÃO ENERGÉTICA

«A VIAGEM DE REGRESSO À ESSÊNCIA DOS ALIMENTOS, RECUPERAR O SEU ESPÍRITO»

Patrícia Restrepo

É evidente que a brusca desconexão que o ser humano moderno sofreu relativamente à ordem da natureza, com a ideia de «PROGRESSO» e, mais especificamente, com o advento da Revolução Industrial e, posteriormente, da informática, o deixou a oscilar num mundo onde todas as respostas para essa desconexão foram procuradas no intelecto, na razão e na ciência. A mensagem parecia ser: «O mais importante é aquilo que pensas, não aquilo que sentes.»

E assim, pouco a pouco, o ser humano foi construindo um mundo de betão, metal e coltan, naturalmente com ganhos no que diz respeito à «civilização industrial e científica», mas deixando um desequilíbrio descomunal na condição humana, não apenas devido às guerras que ainda hoje se travam em países com grandes recursos naturais, onde as populações nativas são desenraizadas para benefício do lóbi da informática, mas também mergulhando a raça humana numa amnésia coletiva, num sonambulismo social que depende dos ecrãs e da engenhosidade do marketing para reconhecer quais são as suas necessidades essenciais.

Concordo que esta é a realidade que nos coube viver e que a história se repete: o fulgor das grandes civilizações, quando atingem o seu máximo esplendor e o homem se julga dono de tudo o que existe, conduz à decadência, não como castigo, mas como oportunidade para aprender e recomeçar com respeito e humildade.

Mas também sinto a certeza de que podemos dar uma volta a esta realidade que nos coube viver; não uma viragem política ou de massas, porque a verdadeira mudança és tu, tu e tu que a fazes. E a soma de cada «TU» conseguirá produzir essa mudança em direção à nossa própria natureza, que nos interliga com tudo o que sente. Há um só pulsar, um só corpo. Quando nos reconhecermos como parte integrante da natureza, não através do conceito, mas através do sentir, mudaremos, porque será apenas uma minoria que quererá continuar a autocastigar-se.

Quando me refiro à natureza, não estou apenas a evocar a paisagem verde, exuberante e selvagem, os rios cristalinos, os mares azuis, os polos árticos guardiões do equilíbrio, o mundo plural dos insetos, as comunidades de mamíferos herbívoros como exemplo de força, respeito e comunidade, e uma infinidade de imagens da fauna, da flora e da paisagem. Refiro-me à natureza intrínseca do ser humano.

O curso do «progresso», com a sua inventividade fantasiosa e toda a sua fábrica de elementos de distração, afastou-nos da observação direta da natureza e da «auto-observação», qualidade única que nos diferencia das restantes espécies da Terra.

Com o Renascimento e a Idade da Razão chegou também a visão mecanicista da natureza. O homem tinha um novo deus, uma espécie de grande artefacto cósmico, dirigido por mecânicos e articulado por uma lógica infalível.

Caímos na nossa própria armadilha, conspirando contra uma visão integral; agora, privados de parte do nosso senso comum, deixámos de nos orientar por uma visão inspirada na ordem do universo e na consciência espiritual e energética, dando lugar aos novos métodos de «conhecimento», que se tornaram «razoáveis» e se baseiam na dissecação e na análise.

O maior dano que causámos a nós próprios ocorreu quando o alimento, ponte de ligação com o meio que nos rodeia, foi submetido ao uso exclusivo da ciência. O estudo da nutrição baseou-se amplamente na «dissecação» dos «corpos dos alimentos» — a análise das cinzas deixadas depois de um alimento ser incinerado num laboratório. Uma abordagem abstrata, divorciada da realidade viva, que nada tem em comum com a sabedoria energética. A passagem de um mundo orientado pelo energético para um mundo governado pela mecânica provocou uma mudança profunda na nossa forma de encarar a vida.

Numa carta memorável de um chefe indígena ao Presidente dos Estados Unidos, em 1854, dizia-se: «Sabemos isto… todas as coisas estão ligadas, como o sangue que nos une a todos. O homem não tece a teia da vida; é apenas um fio dessa teia. Tudo o que fizer à teia, fá-lo a si próprio.»

Ele sabia que a natureza era simplesmente a humanidade voltada para fora e que a humanidade era a natureza voltada para dentro.

Antes das eras industrial e informática, os seres humanos possuíam uma perspetiva unificada da vida, sustentada pelo contacto regular e constante com a natureza. Cada experiência na natureza era observada com o máximo cuidado, porque sabíamos que ela era a nossa fonte, a nossa companheira de vida e a força permanente capaz de dar resposta às nossas necessidades e assegurar o futuro das novas gerações.

Comer à mesa da natureza, tão diretamente quanto possível e sem os modernos intermediários do agronegócio, é a maneira mais direta de nos reconectarmos connosco próprios e com a terra, pois constitui o vínculo mais direto com uma vida boa. A terra é a referência última para a qualidade dos alimentos; afinal, é dela que eles provêm. Como pudemos esquecer uma verdade com tanto sentido?

O verdadeiro conhecimento dos alimentos, conhecer a sua dimensão energética, tem a ver com a familiarização com a qualidade dos alimentos e com a sua relação com a quantidade.

A qualidade é algo que não podemos ver, mas que pode ser conhecido; está relacionada com várias etapas do processo que acaba por se traduzir na quantidade. A qualidade pode ser avaliada através dos sentidos ou dos instrumentos físicos da ciência.

A dimensão energética dos alimentos não exclui a informação técnica, nutricional ou química, mas esta não constitui o eixo central daquilo que é importante para nos nutrirmos. Existe o «facto pelo facto» de o alimento ser aquilo que é. A qualidade de um alimento é a sua essência, o seu carácter, espírito ou personalidade, até mesmo a alma do alimento. A única forma de avaliar a qualidade do alimento é através dos sentidos. Ou seja, existe uma grande diferença entre informação sobre um alimento e conhecimento.

O verdadeiro conhecimento é uma qualidade humana que se encontra algures entre o instinto que diz a um pato recém-nascido como nadar, a uma ave como voar, e a visão inspirada que indicava a Paganini onde colocar a nota seguinte. O meu verdadeiro trabalho consiste em fazer com que alcances o conhecimento pessoal da «qualidade dos alimentos».

Conhecer a qualidade dos alimentos é semelhante a saber como a música nos faz vibrar e sentir de determinada maneira, ou a sentir que estamos apaixonados.

Um dos fundamentos para conhecer a qualidade dos alimentos deveria partir daquilo que é tão biológico quanto possível, isto é, cultivado sem produtos químicos nem inseticidas, sem interromper a relação com o «bioma» inerente à espécie, que sabe por si própria em que tipo de terra, em que época do ano e em que lugar do planeta deve crescer. É a «inteligência somática da flora e das plantas». Ou seja, se cultivarmos através da «agricultura», ou cultura agrária, que é a mesma coisa, devemos fazê-lo, no mínimo, de forma consciente e através de processos naturais.

Não estou a desprezar a análise química, que podemos considerar um «conhecimento-sombra», o eco da experiência quando esta é separada, isolada e dissecada pelas ferramentas do homem. A energia dos alimentos diz respeito ao verdadeiro conhecimento que os alimentos nos transmitem quando os comemos e que depois se manifesta no nosso corpo, física, mental e emocionalmente. Este conhecimento é tão antigo como as histórias vivas do reino vegetal. É o mesmo conhecimento que informou e inspirou a sabedoria dos grandes sistemas filosóficos alimentares da Antiguidade, embora, para muitos, possa parecer um sistema novo e radical.

Por exemplo, comparemos um pequeno brócolo cultivado biologicamente por um agricultor local, com cuidado, tendo em consideração as luas e a época em que naturalmente se manifesta na natureza — isto é, respeitando a linguagem da terra — com um brócolo cultivado com produtos químicos e inseticidas, fora da sua época natural, numa estufa, produzido para uma cadeia comercial, cujo crescimento é ainda acelerado artificialmente; ou com um brócolo colhido industrialmente para depois ser congelado e transportado num camião frigorífico; ou, no pior dos casos, condenado a permanecer dentro de um recipiente metálico como conserva, acompanhado por inúmeros aditivos.

Esse brócolo, aparentemente verde e reluzente, é servido num restaurante e, segundo a análise bioquímica, conserva todas as suas substâncias — ácido fólico, fibra, magnésio, vitaminas A e C — e tem poucas calorias. É provável que não consigamos ver a diferença entre o biológico e os restantes. A diferença está na qualidade.

A qualidade de algo representa aquilo que está no coração, ou nos bastidores, de uma determinada quantidade. Qualidade não significa apenas quão bom ou saudável é um alimento. Refere-se ao carácter essencial e particular desse alimento.

«A jovem indígena, depois de um dia a recolher sementes, folhas e raízes, ajoelhou-se junto ao fogo, no centro da sua gruta, e rezou em silêncio, manifestando gratidão ao Grande Espírito enquanto preparava a sua refeição. Os seus pensamentos recordavam as caminhadas pelas pradarias. Sabia que, das raízes que tinha encontrado — bardanas e algumas cenouras silvestres —, absorveria o espírito que lhe daria acesso ao vasto silêncio da sabedoria da terra e lhe proporcionaria enraizamento e tenacidade; das folhas silvestres de sabor amargo, receberia flexibilidade; e das sementes, uma atenção plena e penetrante.»

RECEITAS ENERGÉTICAS

SOPA DE LENTILHAS

Informação bioquímica: ferro, proteínas, hidratos de carbono, cálcio, magnésio, fósforo, sódio, zinco e selénio.

Conhecimento energético: um prato de lentilhas aquece, gera vitalidade e nutre as funções hepáticas.

Ingredientes

  • 250 g de lentilhas castelhanas
  • 100 g de abóbora cortada em cubos
  • 100 g de cenoura cortada em cubos
  • 1 alho-francês cortado em meias-luas
  • 2 folhas de louro
  • Azeite
  • Sal marinho não refinado
  • 1 pedaço de alga kombu previamente demolhada
  • ½ litro de água

Preparação

Colocar todos os ingredientes na panela de pressão.

Adicionar um fio de azeite.

Cozinhar em lume forte durante 10 minutos.

Baixar o lume e cozinhar durante 20 minutos em lume brando.

Retificar o sal e deixar cozinhar mais 5 minutos em lume mínimo.

SALADA DE FRUTOS VERMELHOS COM IOGURTE DE SOJA

Informação bioquímica: antioxidantes, diuréticos, ricos em provitamina A, vitamina C, flavonoides e isoflavonas.

Conhecimento energético: as saladas de fruta arrefecem; o iogurte de soja arrefece em profundidade, relaxa pessoas com condições tensas e ajuda a atenuar os afrontamentos nas mulheres na «idade da sabedoria».

Os frutos do bosque, especialmente os mirtilos, podem estimular a produção de urina.

Ingredientes

  • 100 g de arandos vermelhos
  • 100 g de morangos
  • 100 g de framboesas
  • 1 iogurte de soja
  • Uma pitada de sal
  • 1 colher de sopa de crunch de frutos do bosque sem açúcar
  • 1 colher de sopa de concentrado de maçã

Preparação

Cortar os morangos, adicionar uma pitada de sal e deixar macerar durante 10 minutos.

Misturar os restantes frutos.

Colocar numa taça.

Adicionar o iogurte natural de soja.

Verter o concentrado de maçã sobre o iogurte.

Cobrir com o crunch de frutos do bosque.

TIMBAL DE ARROZ INTEGRAL NO FORNO (*)

Informação nutricional: ao contrário do arroz refinado, o arroz integral contém hidratos de carbono complexos, polissacáridos, proteínas, magnésio, potássio, fósforo, niacina, ácido fólico, sódio e vitaminas do complexo B.

Conhecimento energético: o arroz integral gera centramento, concentração e integridade. Cozinhado no forno, transforma-se num alimento muito concentrado, que gera um calor profundo e duradouro e uma energia consolidada.

Ingredientes

  • 1 chávena de arroz integral cozido
  • 1 cenoura cortada em cubos pequenos
  • 100 g de ervilhas
  • 1 alho-francês cortado em cubos pequenos
  • 100 g de tempeh
  • 2 colheres de sopa de farinha de trigo-sarraceno
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • Sal

Preparação

Aquecer uma frigideira e adicionar o azeite.

Saltear o alho-francês juntamente com os restantes legumes e uma pitada de sal.

Juntar o arroz e continuar a saltear.

No final, adicionar o tempeh cortado em pedaços muito pequenos.

Misturar a farinha de trigo-sarraceno com um pouco de água até obter uma textura cremosa e espessa.

Incorporar esta mistura no arroz salteado.

Colocar tudo numa forma e levar ao forno durante 15 minutos, a 180 °C.

 

(*)IA Um timbal de arroz é uma preparação de arroz — normalmente misturado com legumes, leguminosas, cogumelos, tofu ou tempeh — que é colocada e comprimida numa forma ou molde, para adquirir uma forma definida. Pode ser servido diretamente depois de desenformado ou levado ao forno para ficar mais firme.

No caso desta receita, trata-se de um timbal de arroz integral no forno: mistura-se arroz integral cozido com cenoura, ervilhas, alho-francês e tempeh; a farinha de trigo-sarraceno diluída em água funciona como elemento de ligação; depois coloca-se tudo numa forma e leva-se ao forno durante 15 minutos a 180 °C.

A palavra «timbal» refere-se sobretudo à forma de apresentação, e não a um tipo específico de arroz. Tradicionalmente, o preparado é moldado e depois desenformado, ficando semelhante a um pequeno bolo ou pudim salgado.


 

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