Saturday, October 17, 2026

 

O MISTERIOSO PODER DO ALIMENTO SUPERIOR

Dr. Martín Macedo – IN: “O Regresso do Homem de Sal”

O alimento produz a vitalidade. A vitalidade só pode surgir do alimento. Procurá-la noutros lugares é perder tempo.

Mas o importante é procurar com seriedade a fonte da vitalidade. Quem a procura ardentemente acaba por encontrá-la. Quem encontra a fonte da vitalidade encontra o maior dos tesouros, pois encontra a origem da vida. Quem encontra a vida encontra o próprio Deus, e quem encontra Deus já tem tudo.

Quando encontramos a fonte da vida, alcançamos a maior felicidade. Contudo, muita gente procura as coisas erradas. E assim deve ser, porque é errando angustiosamente mil vezes que acabaremos por encontrar a verdade.

A origem da vitalidade é o alimento. É tão simples!

O alimento do homem é o cereal: arroz, milho ou trigo. Escolha o que preferir.

O cereal é o alimento mais importante, o mais vital. Deve ocupar um lugar privilegiado à nossa mesa. Os outros alimentos são de menor importância; por isso, chamamos-lhes alimentos secundários — vegetais, carnes, frutas, leguminosas, entre outros.

O cereal é o ALIMENTO SUPREMO e, segundo lendas antigas, os cereais foram trazidos por seres mais evoluídos de outros mundos. Todas as grandes civilizações divinizaram os cereais. Todos os grandes homens e mulheres da História os consumiram.

Onde não se consomem cereais, não há ordem nem sensatez.

A nossa potência imunológica só pode desenvolver-se se dermos ao arroz ou ao pão a importância que merecem. Quando reconhecemos o valor dos cereais na vida humana, a nossa força vital desenvolve-se indefinidamente.

Não se trata de comer arroz integral mecanicamente, nem de mastigar rotineiramente como um boi. Trata-se de compreender claramente que o cereal foi criado para o homem e que o homem só é verdadeiramente homem quando se nutre sabiamente com cereais.

Ao compreender o seu valor e ao consumir respeitosamente o alimento supremo, o homem eleva-se à altura de Deus.

A força curativa desperta de um longo sono e começa uma nova vida… feliz, apaixonada, fantástica. É preciso experimentar para compreender plenamente.

Os nossos cereais foram pulverizados com insecticidas e os solos foram fertilizados com produtos químicos. Ao serem refinados, os cereais são mutilados e perdem toda a sua potência. Mas podemos neutralizar estas influências negativas através de uma boa cozedura e de uma mastigação completa.

Quando se mastiga profundamente o arroz ou o pão — quanto mais, melhor —, multiplica-se a potência curativa.

Por favor, não acreditem em mim. Experimentem vocês mesmos e verão que não exagero nem um pouco…

O imenso poder dos cereais pode transformar o homem e o mundo inteiro!

Façamos do arroz o centro da nossa alimentação e as nossas doenças desaparecerão rapidamente.

Se praticarmos macrobiótica e nos sentirmos fracos ou cansados, é porque o nosso interesse principal está nos pratos secundários ou porque consumimos quantidades exageradas de alimentos.

É essencial mastigar muito bem e evitar os excessos alimentares.

Quanto mais intensamente estudarmos a arte da nutrição, mais rapidamente alcançaremos a saúde suprema.

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O texto apresenta uma visão filosófica da macrobiótica tradicional, muito próxima dos ensinamentos de Georges Ohsawa, particularmente no que respeita: à centralidade dos cereais integrais na alimentação humana; à importância da mastigação consciente; à relação entre alimentação, vitalidade e desenvolvimento espiritual; à valorização da simplicidade alimentar e da moderação nas quantidades consumidas.

A linguagem é marcadamente espiritual, atribuindo aos cereais um significado que ultrapassa o seu valor nutricional.

Na filosofia macrobiótica tradicional, os cereais integrais são considerados a base da alimentação humana e uma importante fonte de vitalidade, equilíbrio e saúde. Georges Ohsawa e os seus seguidores atribuíram-lhes um valor que ultrapassa a dimensão nutricional, associando-os ao desenvolvimento físico, mental e espiritual do ser humano.

O arroz integral, o milho, o trigo e outros cereais são valorizados pela sua capacidade de fornecer energia e nutrientes essenciais.

A macrobiótica tradicional destaca igualmente a importância da mastigação cuidadosa, da moderação alimentar e da preparação consciente dos alimentos.

A verdadeira riqueza deste ensinamento reside, sobretudo, na relação consciente que estabelecemos com aquilo que comemos. Escolher alimentos de qualidade, prepará-los com cuidado, mastigá-los tranquilamente e evitar os excessos são práticas que contribuem para a saúde e o bem-estar.

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ALGUMAS VERDADES SOBRE A SAÚDE E A CURA

Dr. Martín Macedo  - IN: “O Regresso do Homem de Sal”

Atualmente, está na moda o termo «tratar». Tenho notado que algumas disciplinas terapêuticas o empregam amiúde, inclusivamente mais vezes do que o termo «curar».

Eu prefiro a expressão «curar». Entendo que curar tem uma vibração mais firme do que tratar. Se não fosse médico, talvez empregasse uma linguagem mais moderada, mais suave.

Mas lutei com os meus livros de medicina durante 10 anos para não ter de me limitar, na hora de expor as minhas verdades sobre a saúde, a medicina e o poder curativo dos alimentos.

Definitivamente, a macrobiótica cura as doenças quando o paciente tem a férrea determinação de se curar.

Eu apenas mostro ao doente como o fazer. É o meu trabalho e uma enorme responsabilidade que assumo há 20 anos.

Segundo o conceito do Tao, yin e yang, as duas forças primordiais, estão em perpétua transformação uma na outra. Aplicando estas forças ao campo da medicina, a saúde e a doença encontram-se num equilíbrio dinâmico, sendo muito subtil a fronteira que as separa.

Aquele que está saudável pode adoecer a qualquer momento. Quando estamos doentes, há sempre a possibilidade de nos curarmos.

Esta é a primeira verdade que desejo formular:

O que é yang pode converter-se em yin; o que é yin pode tornar-se yang. Como temos livre-arbítrio, podemos escolher a direção desta mudança.

Podemos tornar-nos muito saudáveis ou muito doentes, se soubermos como o fazer. Isso poderá levar mais ou menos tempo, mas não importa. O fundamental é que as realidades vitais estejam sempre em movimento.

Não há forma de escapar: ou a nossa saúde se torna cada vez mais forte, ou, dia após dia, nos vamos desmoronando até arruinarmos a nossa força vital.

E é aqui que desejo formular a segunda verdade:

Quer gostemos ou não, somos os principais responsáveis por este processo e os únicos que podem fazer alguma coisa a esse respeito.

Quando adoecemos, é porque seguimos na direção errada. Basta mudar de estratégia, atuando em conformidade com a lei da mudança perpétua.

Esta dinâmica vital inclui ambas as possibilidades: o yang (a solidez, a vitalidade, a firmeza), coexistindo com o yin (a tranquilidade, a doçura, a paciência, a espiritualidade).

Se a combinação destas qualidades for exata, a saúde torna-se sólida como o ferro. Possuiremos uma energia formidável e um ânimo inabalável para enfrentar qualquer adversidade.

É o estado supremo do ser humano. Quem não possui este estado positivo não goza de verdadeira saúde e desconhece a verdadeira felicidade.

Qualquer pessoa pode alcançar esta saúde poderosa se praticar a macrobiótica com seriedade durante alguns meses.

Decidi consagrar a minha vida a mostrar ao maior número possível de pessoas como alcançar este estado extraordinário de vitalidade, tal como tem vindo a ser ensinado desde as origens da medicina oriental.

Essa é a razão de ser dos orientadores macrobióticos. Não estamos aqui para lhe retirar a sua sobremesa favorita, mas para o ajudar a viver de acordo com o seu verdadeiro potencial.

Além disso, os pratos macrobióticos são deliciosos. Eu próprio sou um cozinheiro exigente e preparo, todos os dias, os pratos adequados para que a minha vitalidade se mantenha ao mais alto nível.

Algumas pessoas nasceram com uma constituição física muito robusta e gozam de uma saúde excelente sem terem de fazer qualquer tipo de esforço nesse sentido.

Isso não tem qualquer mérito, porque a herdaram dos seus pais e avós.

Mas quem nasceu com uma constituição física frágil e se transforma num ser humano notável e excecional conhece a glória de se ter feito a si próprio.

Assim são os grandes homens e mulheres da história.

Não é grande aquele que nasce rico, mas sim aquele que sai da miséria pelo seu próprio esforço e alcança o auge da riqueza.

Há muitos exemplos; eles deveriam inspirar-nos.

A nossa macrobiótica não cura nada, mas fortalece a saúde até a fazer brilhar como o Sol.

Aquele que considera esta prática «muito dura» não tem verdadeira ambição; não está disposto a pagar o preço necessário para alcançar a verdadeira saúde.

Os animais selvagens possuem uma vitalidade maravilhosa. Penso que podemos esperar um pouco mais do ser humano, o «ser» mais favorecido da natureza...

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O texto transmite uma mensagem de confiança na capacidade humana de melhorar a saúde através de mudanças conscientes no modo de vida.

O seu maior valor está na defesa de uma participação ativa da pessoa na construção da própria saúde.

O texto apresenta uma visão da macrobiótica fortemente influenciada pela filosofia oriental, particularmente pelo princípio da transformação permanente entre yin e yang.

A ideia central é que a saúde não constitui um estado fixo, mas um processo dinâmico que pode ser influenciado pela alimentação, pelos hábitos de vida e pelas escolhas individuais.

Esta perspetiva valoriza a responsabilidade pessoal, a disciplina e a capacidade de transformação.

Uma aparente contradição

O autor começa por afirmar que a macrobiótica cura as doenças, mas termina dizendo: “A nossa macrobiótica não cura nada, mas fortalece a saúde até a fazer brilhar como o Sol”. Esta aparente contradição pode ser interpretada como uma distinção entre combater diretamente uma doença e fortalecer globalmente o organismo.

 

 

 

 

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