Friday, November 6, 2026

 

COMO PLANEAR UM MENU EQUILIBRADO

Dra. Elena Corrales

resumo -

Princípios de uma alimentação equilibrada

Uma alimentação saudável não deve basear-se apenas nas preferências do paladar, na rapidez de preparação ou nas modas alimentares.

Um menu equilibrado deve respeitar as necessidades individuais, o estado de saúde, a atividade física, o clima e a estação do ano.

São fundamentais seis elementos:

  1. Escolha dos alimentos: privilegiar cereais integrais, leguminosas e produtos hortícolas, preferencialmente biológicos.
  2. Sabores: combinar harmoniosamente os cinco sabores — salgado, ácido, amargo, doce e picante.
  3. Métodos de confeção: variar as técnicas culinárias.
  4. Texturas: combinar alimentos de diferentes consistências.
  5. Cores: criar pratos visualmente harmoniosos e apetitosos.
  6. Água, fogo e sal: utilizar estes elementos para transformar os alimentos, melhorando o sabor e a digestibilidade.

Os nutrientes essenciais

A autora defende uma alimentação predominantemente vegetal, com os cereais integrais como principal fonte energética.

  • Hidratos de carbono: devem constituir a base da alimentação, preferencialmente provenientes de cereais integrais e pseudocereais.
  • Proteínas: devem provir sobretudo das leguminosas, complementadas ocasionalmente por peixe e outros alimentos de origem animal.
  • Gorduras: privilegiar sementes, frutos oleaginosos e óleos de primeira pressão a frio.
  • Vitaminas: obtidas através dos cereais integrais, leguminosas, hortícolas e fruta.
  • Minerais: fornecidos pelos alimentos integrais, sementes e pequenas quantidades de algas marinhas.
  • Água: obtida através dos alimentos e das bebidas, com especial valorização das sopas e dos alimentos cozinhados.

Os cinco sabores e os órgãos internos

Na perspetiva energética da Medicina Tradicional Chinesa, cada sabor está associado a determinados órgãos e funções.

Sabor

Órgãos associados

Principais alimentos

Salgado

Rins, bexiga e aparelho reprodutor

Sal marinho, miso, tamari, algas

Ácido

Fígado e vesícula biliar

Chucrute, picles, limão, umeboshi

Amargo

Coração e intestino delgado

Agriões, chicória, endívias, cereais torrados

Doce neutro

Estômago, baço e pâncreas

Cereais integrais, abóbora, cenoura, cebola

Picante

Pulmões e intestino grosso

Gengibre, rabanetes, nabo-daikon

Os cinco sabores devem estar presentes nas refeições, embora em proporções diferentes.

O predomínio do sabor doce neutro

Devemos atribuir especial importância ao doce neutro, presente nos cereais integrais e em muitos produtos hortícolas cozinhados.

Distinguem-se três tipos de doce:

  • Doce neutro: considerado equilibrador e benéfico para a saúde.
  • Doce açucarado: presente no açúcar, mel, fruta e outros alimentos doces, cujo consumo é recomendado limitar.
  • Doce químico: associado aos edulcorantes artificiais, que se aconselha evitar.

Os cereais integrais devem constituir a principal fonte de energia da alimentação quotidiana.

A importância da preparação culinária

A alimentação equilibrada não depende apenas da escolha dos ingredientes.

A forma de os preparar, combinar e apresentar também influencia a digestibilidade, a satisfação e o equilíbrio energético das refeições.

Por isso, recomenda-se variar os métodos de confeção, combinar diferentes texturas e incluir os cinco sabores e as cinco cores: preto, verde, vermelho, amarelo e branco.

Conclusão

Um menu equilibrado é aquele que harmoniza os nutrientes, os sabores, as cores, as texturas e os métodos de confeção, respeitando simultaneamente as necessidades individuais e as condições ambientais.

A alimentação deve ser predominantemente vegetal, baseada em cereais integrais, leguminosas e produtos hortícolas, utilizando os restantes alimentos como complementos.

A combinação equilibrada dos cinco sabores contribui para harmonizar o funcionamento dos órgãos internos e promover a saúde física e emocional.

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texto -

INTRODUÇÃO

Muitas vezes, decidimos o que vamos preparar para o almoço ou para o jantar sem qualquer outro critério para além do paladar, ou seja, daquilo de que mais gostamos. Outras vezes, escolhemos os alimentos pela rapidez da sua preparação ou pela «moda» de consumir determinados alimentos considerados milagrosos.

Descubra os requisitos que um menu saudável deve cumprir.

Os menus convencionais são compostos por primeiro prato, segundo prato e sobremesa e, em muitos casos, apresentam desequilíbrios nas quantidades de proteínas, gorduras e açúcar.

Para que um menu seja uma fonte de saúde, deve respeitar alguns critérios fundamentais, nomeadamente a escolha dos alimentos, a proporção entre os diferentes grupos de nutrientes, os métodos de preparação e outros aspetos.

As investigações médicas demonstraram a influência da alimentação moderna no desenvolvimento de numerosas doenças: a carne e a ausência de fibras estão implicadas no cancro do cólon; os alimentos ricos em gorduras saturadas são responsáveis pelas doenças cardiovasculares; o açúcar e os alimentos doces desencadeiam a diabetes; e os produtos lácteos provocam alergias.

Por outro lado, a nossa experiência clínica permitiu-nos comprovar que milhares de pessoas que seguiram os princípios apresentados neste texto melhoraram significativamente a sua saúde. Por isso, propomos esta nova visão alternativa.


1. PLANEAR UM MENU EQUILIBRADO

Além de considerarmos que a nossa alimentação deve estar adaptada ao clima, à condição individual, ao sexo, ao tipo de atividade e ao estado de saúde, devemos ter em conta os seguintes aspetos:

1.1. A escolha dos alimentos

Devemos dar preferência aos alimentos de produção biológica, sendo os cereais integrais, as leguminosas e os produtos hortícolas os alimentos de consumo regular.

Os frutos oleaginosos, a fruta e o peixe serão sempre alimentos complementares.

1.2. Os sabores

Os cinco sabores — ácido, amargo, doce, salgado e picante — devem estar presentes, de uma forma ou de outra, em todos os menus.

1.3. Os métodos de confeção

Devemos utilizar diferentes métodos de preparação e confeção, ultrapassando os extremos da salada crua e da carne grelhada.

1.4. As texturas

A variedade e a complementaridade das formas e das texturas dos alimentos são muito importantes para que a refeição seja satisfatória, tanto visualmente como ao paladar.

1.5. As cores

A natureza colocou à nossa disposição uma grande variedade de cores nos alimentos.

Devemos utilizá-las como um pintor utiliza a sua paleta, criando composições harmoniosas e atraentes, de modo que a comida nos agrade à vista e estimule os nossos órgãos digestivos.

1.6. A água, o fogo e o sal

A utilização destes três elementos permite transformar os alimentos originais noutros mais digestíveis e saborosos, facilitando um melhor aproveitamento dos nutrientes.

Em próximas publicações, desenvolveremos cada um destes pontos, apresentando exemplos concretos que permitam pôr em prática estes conselhos.


2. OS NUTRIENTES

Dispomos de uma grande variedade de alimentos para obter os nutrientes de que necessitamos. No entanto, dependendo das nossas escolhas, a alimentação poderá ser uma fonte de saúde ou, pelo contrário, contribuir para o aparecimento de doenças, uma vez que nem todos os alimentos se comportam da mesma maneira no metabolismo.

Um menu equilibrado deve conter, nas devidas proporções, os seguintes nutrientes:

  • Hidratos de carbono;
  • Proteínas;
  • Gorduras;
  • Vitaminas;
  • Sais minerais;
  • Água.

2.1. Os hidratos de carbono

São o principal nutriente e desempenham uma função energética.

Devem representar entre 50% e 75% do volume total de alimentos ingeridos e ser, praticamente na sua totalidade, de absorção lenta.

Os alimentos ideais como fonte deste precioso nutriente são os cereais integrais e os pseudocereais, em todas as suas formas: grãos, flocos, sêmolas e farinhas.

Quando o nosso estado de saúde não é o melhor, devemos dar preferência aos cereais em grão.

2.2. As proteínas

São materiais de construção do organismo e intervêm tanto na formação da massa muscular como na síntese de hormonas.

É importante que a sua proporção seja entre cinco e sete vezes inferior à dos hidratos de carbono.

Os alimentos que nos fornecem as proteínas mais saudáveis são as leguminosas, seguidas do peixe e dos produtos do mar e, a maior distância, da carne de aves e dos ovos.

As carnes vermelhas deverão estar presentes na alimentação apenas ocasionalmente.

2.3. As gorduras

Os alimentos de eleição como fontes de gordura são as sementes oleaginosas, seguidas dos frutos oleaginosos e dos óleos de primeira pressão a frio.

A grande diferença entre os óleos e as sementes é que estas últimas são alimentos integrais e, por isso, mais completos do que os óleos, que são apenas o sumo extraído da respetiva semente.

A proporção de gorduras deverá ser entre cinco e sete vezes superior à das proteínas.

2.4. As vitaminas

Pertencem ao grupo dos micronutrientes e encontram-se presentes nos cereais, nas leguminosas e nas sementes, sobretudo quando os consumimos na sua forma integral.

No entanto, aumentamos ainda mais o seu aporte através da inclusão de produtos hortícolas e fruta.

Estes dois grupos de alimentos deverão fazer sempre parte do acompanhamento, não constituindo, em caso algum, o prato principal.

Devemos consumir dois terços cozinhados e um terço crus, tendo em consideração a estação do ano e a condição individual de cada pessoa.

2.5. Os minerais

Também pertencem ao grupo dos micronutrientes e encontram-se igualmente presentes nos cereais, nas leguminosas e nas sementes.

Podemos aumentar o seu aporte através da inclusão de algas marinhas na alimentação.

Estes alimentos deverão ser sempre utilizados como guarnição, podendo ser incluídos três ou quatro vezes por semana.

2.6. A água

A água é um nutriente essencial que está presente nos alimentos em quantidades importantes.

A título informativo, se considerarmos que o nosso corpo é constituído por cerca de 70% de água, podemos referir que:

  • O arroz integral cozido contém aproximadamente a mesma proporção de água;
  • As lentilhas cozidas, sem caldo, contêm cerca de 90% de água;
  • O teor de água dos produtos hortícolas e da fruta varia entre 90% e 98%.

Assim, compreendemos que uma parte muito importante da água de que necessitamos nos é fornecida pelos próprios alimentos.

Se começarmos a refeição com uma sopa e a terminarmos com uma bebida quente, não necessitamos de beber durante a refeição para satisfazer as nossas necessidades de água.

Todos os alimentos devem ser integrais e provenientes de agricultura biológica, uma vez que são mais ricos em nutrientes do que os de agricultura convencional e estão livres de produtos químicos.

A água deverá ser de nascente. Quando tal não for possível, utilizaremos um filtro de osmose inversa, que permite eliminar não só os contaminantes em suspensão, mas também os que se encontram dissolvidos.


3. OS CINCO SABORES

A escolha dos alimentos não deve basear-se apenas no seu conteúdo nutricional. Devemos considerar também a cor, o sabor e a textura.

Estes aspetos vão para além da estética, pois determinam efeitos harmonizadores sobre os nossos órgãos internos, como explicaremos em seguida.

A visão energética da alimentação abrange muito mais do que a composição química dos alimentos e mostra-nos a importância da utilização de diferentes formas, cores e texturas, bem como da combinação dos diversos sabores.

3.1. Os cinco sabores universais

As nossas papilas gustativas reconhecem cinco sabores básicos:

  1. Salgado;
  2. Ácido;
  3. Amargo;
  4. Doce;
  5. Picante.

Desde tempos remotos, a Medicina Tradicional Chinesa associa os diferentes sabores dos alimentos ao bom funcionamento de determinados órgãos.

Apresentamos, em seguida, alguns exemplos.


4. O SABOR SALGADO

O salgado é um sabor universal que não deve faltar nos nossos pratos, sobretudo se tivermos em conta que o sal está na origem da vida e que o nosso plasma sanguíneo é alcalino, ou seja, salgado.

O sal é tão importante que, antigamente, o trabalho das pessoas era remunerado com sal, estando aí a origem da palavra «salário».

O sal que utilizamos deve ser sempre marinho e não refinado. Não é relevante que seja fino ou grosso, mas deverá ser acrescentado aos alimentos durante a confeção e não no final, já à mesa.

Além do sal marinho, dispomos de quatro condimentos da cozinha oriental que nos fornecem pequenas quantidades de sal vegetalizado e, por isso, facilmente assimilável:

  • Miso;
  • Tamari;
  • Gomásio;
  • Ameixa umeboshi.

Podemos igualmente incluir algas marinhas que, embora não sejam ricas em sódio, contêm outros minerais, como cálcio, ferro e magnésio.

O sabor salgado deve estar presente nos nossos pratos para tonificar os rins, órgãos que regem os ossos e o equilíbrio dos sais minerais no organismo.

Quando falamos do sabor salgado na Medicina Oriental, referimo-nos não apenas ao sódio, mas aos sais minerais na sua totalidade.

Deste modo, compreendemos a relação entre o bom funcionamento dos rins e o equilíbrio mineral do organismo, quer estejamos a falar de cálcio, ferro, sódio ou potássio.

A recomendação generalizada, na sociedade atual, de seguir dietas pobres em sódio pode ser perigosa, uma vez que tanto o excesso como a deficiência de sal são prejudiciais à saúde.

Conclusão

Ao planearmos um menu, devemos pensar nos condimentos salgados e/ou nas algas que iremos incluir para que os nossos rins funcionem corretamente.

Tudo isto sem esquecer que os alimentos integrais são mais ricos em sais minerais do que os refinados e que estes últimos têm um efeito desmineralizante.


5. O SABOR ÁCIDO

Continuamos a explicar o comportamento dos diferentes sabores em relação ao funcionamento dos órgãos internos e a forma como tanto o desejo exagerado de um determinado sabor como a sua rejeição podem ser indicadores de desequilíbrios internos.

Há muitas pessoas que sentem grande apetência por pepinos em conserva e vinagretes em geral.

Outras chegam a beber o líquido que fica no fundo da saladeira depois de terem comido a alface.

Pelo contrário, há pessoas que detestam tudo o que é ácido e não conseguem tolerar esse sabor.

5.1. Fontes alimentares do sabor ácido

O sabor ácido encontra-se naturalmente presente em alguns alimentos, como:

  • Tomates;
  • Laranjas;
  • Limões;
  • Toranjas.

Também são ácidos os alimentos submetidos a fermentação láctica, como:

  • Quefir;
  • Iogurte;
  • Chucrute;
  • Miso;
  • Tamari;
  • Ameixa umeboshi.

A fermentação alcoólica também proporciona o sabor ácido, que pode ser mais ou menos pronunciado consoante o tipo de vinho.

Por último, temos os alimentos obtidos por fermentação acética, nomeadamente os vinagres.

O sabor ácido deve estar presente nos nossos pratos para harmonizar o funcionamento do fígado e da vesícula biliar, órgãos responsáveis pelo metabolismo das gorduras.

Daí a expressão segundo a qual um copo de vinho «ajuda a fazer a digestão», algo que é verdadeiro quando o menu é rico em gorduras.

5.2. Nem tudo o que é ácido é saudável

Devemos saber que a fermentação láctica é a mais suave e respeitadora da saúde, enquanto a fermentação alcoólica é tóxica e a fermentação acética é ainda mais prejudicial.

Por isso, devemos prescindir do vinho nas refeições quotidianas e dos vinagres, reservando estes ingredientes para um consumo ocasional.

Numa cozinha equilibrada, obtemos o sabor ácido através de:

  • Picles em geral;
  • Chucrute;
  • Um pouco de vinagre de baixa acidez;
  • Limão.

Estes ingredientes deverão ser utilizados sempre em quantidades moderadas, como uma pequena pincelada no sabor geral do prato.

Excluiremos os produtos de fermentação láctica derivados do leite, como o iogurte e o quefir, sempre que o nosso estado de saúde não seja o melhor, uma vez que o leite de vaca não é uma fonte de saúde.

Pelo contrário, em muitas cozinhas tradicionais e/ou de vanguarda, o álcool é incluído em quantidades importantes, como acontece quando se faz uma harmonização entre cada prato e um determinado tipo de vinho.

Quanto mais o nosso fígado tiver sido sobrecarregado no passado por um excesso de gorduras, sobretudo provenientes de alimentos de origem animal, como enchidos e queijos, maior será a nossa apetência pelo sabor ácido.

Por isso, as pessoas com dependência do álcool devem reduzir drasticamente o consumo de gorduras e de alimentos pesados.

Num prato equilibrado, o sabor ácido pode ser representado por uma pequena quantidade de chucrute ou de rabanetes fermentados, em contraposição ao sal, que estaria presente em todos os ingredientes do menu.


6. O SABOR AMARGO

Os diferentes sabores não representam apenas um prazer sensorial durante a refeição. Também harmonizam o funcionamento dos diversos órgãos internos.

Vamos agora abordar o sabor amargo e os alimentos que o fornecem.

Em muitas culturas, este sabor é considerado desagradável. Trata-se de um mecanismo de defesa, uma vez que a maioria dos venenos tem sabor amargo.

Na nossa sociedade, o sabor amargo não é muito popular quando comparado com o doce.

No entanto, deve estar presente nos nossos pratos para tonificar o intestino delgado e o órgão que lhe está associado: o coração.

6.1. Alimentos de sabor amargo

Existe uma grande variedade de produtos hortícolas amargos:

  • Espargos;
  • Agriões;
  • Chicórias;
  • Escarolas;
  • Endívias;
  • Aipo;
  • Salsa;
  • Alcachofras;
  • Beringelas;
  • Azeitonas;
  • Pepinos;
  • Curgetes.

Também são amargos alguns frutos, como a toranja.

Outros alimentos de sabor amargo incluem o café, o chá, o cacau e a cerveja.

O sabor amargo também aparece quando os alimentos são torrados.

Podemos encontrá-lo em:

  • Pão torrado;
  • Sementes de sésamo, girassol, abóbora e linhaça;
  • Amêndoas, avelãs e amendoins;
  • Cevada torrada (malte);
  • Chicória torrada;
  • Café torrado.

6.2. Efeitos do sabor amargo

Os princípios amargos dos alimentos estimulam o apetite e favorecem a digestão, porque promovem a produção de gastrina e aumentam o peristaltismo intestinal.

Também favorecem a produção de bílis.

Os alimentos amargos tonificam o organismo tanto no plano físico como no mental.

As pessoas que consomem mais princípios amargos são psicologicamente mais fortes, mais felizes e têm maior vontade de desfrutar da vida e de conquistar o mundo.

6.3. Nem tudo o que é amargo é saudável

Tal como acontece com o sabor ácido, existem muitas substâncias amargas tóxicas que não são saudáveis, como os alcaloides presentes no café, no chá e no cacau.

Os princípios amargos que devem estar presentes nos nossos menus são, em primeiro lugar, os provenientes de sementes e cereais torrados.

Podemos também incluir:

  • Um pouco de pão torrado;
  • Salsa como condimento;
  • Pequenas quantidades de agriões;
  • Endívias;
  • Algumas azeitonas.

Não estamos a falar de comer um grande prato de acelgas, que pode provocar diarreia e cólicas intestinais por estimular excessivamente o peristaltismo.

As pessoas que toleram melhor os produtos hortícolas amargos são aquelas cujo aparelho digestivo é mais yang, ou seja, mais resistente.

Todas as pessoas com pouca força digestiva toleram mal este tipo de hortícolas, tal como acontece com o café.

As pessoas que sentem necessidade de consumir café e bebidas amargas, como o Campari, devem reduzir drasticamente o consumo de alimentos pesados: carnes, queijos e enchidos.

Deste modo, para restabelecer o equilíbrio, serão suficientes o malte em substituição do café e a cerveja em vez do Campari.


7. O SABOR DOCE

Na continuidade das publicações anteriores, vamos explicar tudo o que é necessário saber sobre o sabor doce, que não é o mesmo que o sabor açucarado, e a sua relação com o funcionamento dos nossos órgãos internos.

O sabor doce deve ser predominante no nosso menu.

Não nos referimos ao sabor doce que sentimos imediatamente na boca ao consumir mel, açúcar, leite ou fruta, mas ao sabor doce neutro que surge depois de mastigarmos os cereais e que também está presente em muitos produtos hortícolas cozinhados, como as cenouras e as cebolas.

7.1. Os três tipos de sabor doce

Podemos distinguir três tipos de sabor doce, com efeitos muito diferentes sobre o nosso equilíbrio interno.

A. O doce neutro

É uma fonte de saúde e encontra-se presente em todos os cereais integrais, depois de cozinhados e mastigados.

Tanto o calor da confeção como a mastigação desdobram as cadeias dos hidratos de carbono complexos, dando origem a maltoses, que são açúcares de absorção rápida e, por isso, de sabor intensamente doce.

Também apresentam um sabor doce neutro os seguintes produtos hortícolas:

  • Couves;
  • Couve-flor;
  • Feijão-verde;
  • Cenouras;
  • Abóboras;
  • Cebolas;
  • Alho-francês.

Estes alimentos tonificam o estômago, o baço e o pâncreas, sendo, por isso, indispensáveis na nossa alimentação.

É importante saber que este sabor provém de alimentos que contêm hidratos de carbono complexos.

B. O doce açucarado

É o sabor predominante em:

  • Fruta;
  • Mel;
  • Panela (açúcar de cana não refinado);
  • Maltes;
  • Açúcar branco ou integral;
  • Leite.

Estes alimentos são ricos em glicose, frutose e galactose, que, por serem hidratos de carbono de absorção rápida, são responsáveis por desequilíbrios do pâncreas e por numerosas perturbações digestivas.

C. O doce químico

É o sabor presente nos edulcorantes, como:

  • Sacarina;
  • Aspartame;
  • Sorbitol.

Estes produtos devem ser excluídos da alimentação devido aos perigos que representam.

Os alimentos do primeiro grupo devem estar presentes diariamente na alimentação.

Os do segundo grupo deverão ser consumidos ocasionalmente ou com pouca frequência.

Os do terceiro grupo deverão ser evitados em todos os casos.

7.2. O sabor doce provoca dependência

Quando as pessoas consomem muitos doces, obrigam o pâncreas a produzir grandes quantidades de insulina para regular os níveis de glicose no sangue.

Como consequência, pode surgir uma hipoglicemia reativa.

Esta descida do açúcar no sangue leva o organismo a pedir mais doces, iniciando-se um círculo vicioso que muitas pessoas definem como dependência.

Os alimentos ricos em hidratos de carbono de absorção rápida são responsáveis por diversas alterações digestivas ao nível do estômago, enfraquecem o sangue, tanto os glóbulos vermelhos como os brancos, e provocam alterações hormonais.

No plano emocional, são responsáveis por desequilíbrios do estado de espírito, fazendo-nos passar da euforia à depressão, como se estivéssemos numa montanha-russa, favorecendo a falta de autoestima e o sentimento de vitimização.

Os cereais integrais são a opção saudável em todos os casos.


8. O SABOR PICANTE

Vamos agora abordar o quinto sabor universal: o picante.

Descubra quando é necessário consumir alimentos picantes e quais as suas fontes alimentares, de modo a preservar a saúde, uma vez que alguns picantes arrefecem e outros aquecem o organismo.

Este sabor está associado a muitas especiarias exóticas, às malaguetas e aos pimentos de Padrón.

O picante é aquilo que provoca uma sensação intensa de ardor na língua e no palato.

A palavra também está relacionada com a sexualidade e com o obsceno, como acontece nas anedotas picantes.

Assim, podemos compreender que o sabor picante ativa a circulação e tonifica, fundamentalmente, os pulmões.

8.1. Diferentes tipos de alimentos picantes

O sabor picante comporta-se de maneiras diferentes consoante a planta de que provém.

A. Raízes e rizomas picantes

Alguns produtos hortícolas de raiz e rizomas apresentam sabor picante:

  • Nabos;
  • Rabanetes;
  • Raiz de lótus;
  • Gengibre;
  • Curcuma.

Este grupo de alimentos tem um efeito aquecedor e tonificante sobre os pulmões e o intestino grosso.

Por isso, são indicados sempre que exista debilidade digestiva ou tendência para constipações.

B. Hortícolas de fruto picantes

Outro grupo é constituído por hortícolas de fruto:

  • Malaguetas;
  • Pimentos;
  • Chilis;
  • Pimenta-de-caiena;
  • Tabasco.

Estes alimentos pertencem à família das solanáceas.

Têm um efeito refrescante e estimulante da circulação, sendo frequentemente consumidos como acompanhamento de carnes de diversos tipos e de pratos substanciais, como feijão com toucinho e morcela, servido com malaguetas.

C. Especiarias picantes

No mundo das especiarias, encontramos as pimentas, das quais se utiliza o fruto das respetivas plantas, que não estão botanicamente relacionadas com as anteriores.

Todas crescem em climas tropicais húmidos.

Devemos conhecer o efeito dispersante da energia e o efeito refrescante destes condimentos.

Não é por acaso que se desenvolvem em climas tropicais.

Devemos ser muito moderados na sua utilização em climas temperados e frios, como o nosso, pois podem enfraquecer-nos, sobretudo quando seguimos uma alimentação essencialmente vegetariana.

8.2. O sabor picante no nosso menu

Quando a nossa alimentação se baseia nos cereais integrais e é essencialmente vegetariana, podemos incluir na preparação dos pratos:

  • Um pouco de sumo de gengibre;
  • Alguns rabanetes ralados e macerados em vinagre de umeboshi;
  • Um pouco de nabo-daikon ralado.

9. OS CINCO SABORES NO PRATO

Chegados a este ponto, devemos recapitular e compreender a importância de cada um dos cinco sabores para harmonizar o bom funcionamento dos nossos órgãos internos: salgado, ácido, amargo, doce e picante.

9.1. O sabor salgado — rins e bexiga

Se pretendemos fortalecer os rins, a bexiga e o aparelho reprodutor, devemos ter em consideração o sabor salgado, representado pelo sal, por condimentos como o miso e o tamari e pelas algas marinhas.

9.2. O sabor ácido — fígado e vesícula biliar

Se é o fígado que necessita da nossa atenção, devemos oferecer-lhe algum alimento submetido a fermentação láctica, como os picles, ou um pouco de vinagre.

9.3. O sabor amargo — coração e intestino delgado

Se é o coração que precisa de ser ativado, podemos reconfortá-lo comendo alguns produtos hortícolas amargos ou bebendo café de cereais, utilizando um pouco de tekka, entre outras possibilidades.

9.4. O sabor doce neutro — estômago, baço e pâncreas

O sabor doce neutro não pode faltar, pois harmoniza o funcionamento do estômago, do baço e do pâncreas.

É fornecido pelos cereais integrais, em todas as suas formas.

9.5. O sabor picante — pulmões e intestino grosso

Por último, para tonificar os pulmões, os alimentos picantes de eleição são o gengibre, os rabanetes, entre outros.

9.6. A harmonia global do prato

Tal como fizemos uma análise dos cinco sabores, também deveríamos procurar incluir no nosso prato:

  • As cinco cores: preto, verde, vermelho, amarelo e branco;
  • Os cinco métodos básicos de confeção;
  • As cinco texturas principais.

A combinação destes elementos permite-nos criar refeições variadas, harmoniosas e equilibradas, de acordo com os princípios da alimentação energética oriental.

 

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