COMO
PLANEAR UM MENU EQUILIBRADO
Dra. Elena
Corrales
resumo -
Princípios de
uma alimentação equilibrada
Uma alimentação saudável não deve basear-se apenas nas
preferências do paladar, na rapidez de preparação ou nas modas alimentares.
Um menu equilibrado deve respeitar as necessidades
individuais, o estado de saúde, a atividade física, o clima e a estação do ano.
São fundamentais seis elementos:
- Escolha dos alimentos: privilegiar cereais
integrais, leguminosas e produtos hortícolas, preferencialmente
biológicos.
- Sabores: combinar harmoniosamente os cinco
sabores — salgado, ácido, amargo, doce e picante.
- Métodos de confeção: variar as técnicas
culinárias.
- Texturas: combinar alimentos de diferentes
consistências.
- Cores: criar pratos visualmente harmoniosos
e apetitosos.
- Água,
fogo e sal: utilizar estes elementos para transformar os alimentos,
melhorando o sabor e a digestibilidade.
Os nutrientes
essenciais
A autora defende uma alimentação predominantemente
vegetal, com os cereais integrais como principal fonte energética.
- Hidratos de carbono: devem constituir a base
da alimentação, preferencialmente provenientes de cereais integrais e
pseudocereais.
- Proteínas: devem provir sobretudo das
leguminosas, complementadas ocasionalmente por peixe e outros alimentos de
origem animal.
- Gorduras: privilegiar sementes, frutos
oleaginosos e óleos de primeira pressão a frio.
- Vitaminas: obtidas através dos cereais
integrais, leguminosas, hortícolas e fruta.
- Minerais: fornecidos pelos alimentos
integrais, sementes e pequenas quantidades de algas marinhas.
- Água:
obtida através dos alimentos e das bebidas, com especial valorização das
sopas e dos alimentos cozinhados.
Os cinco
sabores e os órgãos internos
Na perspetiva energética da Medicina Tradicional
Chinesa, cada sabor está associado a determinados órgãos e funções.
|
Sabor |
Órgãos associados |
Principais alimentos |
|
Salgado |
Rins, bexiga e aparelho
reprodutor |
Sal marinho, miso, tamari,
algas |
|
Ácido |
Fígado e vesícula biliar |
Chucrute, picles, limão,
umeboshi |
|
Amargo |
Coração e intestino delgado |
Agriões, chicória, endívias,
cereais torrados |
|
Doce neutro |
Estômago, baço e pâncreas |
Cereais integrais, abóbora,
cenoura, cebola |
|
Picante |
Pulmões e intestino grosso |
Gengibre, rabanetes,
nabo-daikon |
Os cinco sabores devem estar presentes nas refeições,
embora em proporções diferentes.
O predomínio
do sabor doce neutro
Devemos atribuir especial importância ao doce neutro,
presente nos cereais integrais e em muitos produtos hortícolas cozinhados.
Distinguem-se três tipos de doce:
- Doce neutro: considerado equilibrador e
benéfico para a saúde.
- Doce açucarado: presente no açúcar, mel,
fruta e outros alimentos doces, cujo consumo é recomendado limitar.
- Doce químico: associado aos edulcorantes
artificiais, que se aconselha evitar.
Os cereais integrais devem constituir a principal
fonte de energia da alimentação quotidiana.
A importância
da preparação culinária
A alimentação equilibrada não depende apenas da
escolha dos ingredientes.
A forma de os preparar, combinar e apresentar também
influencia a digestibilidade, a satisfação e o equilíbrio energético das
refeições.
Por isso, recomenda-se variar os métodos de confeção,
combinar diferentes texturas e incluir os cinco sabores e as cinco cores:
preto, verde, vermelho, amarelo e branco.
Conclusão
Um menu equilibrado é aquele que harmoniza os
nutrientes, os sabores, as cores, as texturas e os métodos de confeção,
respeitando simultaneamente as necessidades individuais e as condições
ambientais.
A alimentação deve ser predominantemente vegetal,
baseada em cereais integrais, leguminosas e produtos hortícolas, utilizando os
restantes alimentos como complementos.
A combinação equilibrada dos cinco sabores contribui para harmonizar o funcionamento dos órgãos internos e promover a saúde física e emocional.
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texto -
INTRODUÇÃO
Muitas vezes, decidimos o que vamos preparar para o
almoço ou para o jantar sem qualquer outro critério para além do paladar, ou
seja, daquilo de que mais gostamos. Outras vezes, escolhemos os alimentos pela
rapidez da sua preparação ou pela «moda» de consumir determinados alimentos
considerados milagrosos.
Descubra os requisitos que um menu
saudável deve cumprir.
Os menus convencionais são compostos por primeiro
prato, segundo prato e sobremesa e, em muitos casos, apresentam desequilíbrios
nas quantidades de proteínas, gorduras e açúcar.
Para que um menu seja uma fonte de saúde, deve
respeitar alguns critérios fundamentais, nomeadamente a escolha dos alimentos,
a proporção entre os diferentes grupos de nutrientes, os métodos de preparação
e outros aspetos.
As investigações médicas demonstraram a influência da
alimentação moderna no desenvolvimento de numerosas doenças: a carne e a
ausência de fibras estão implicadas no cancro do cólon; os alimentos ricos em
gorduras saturadas são responsáveis pelas doenças cardiovasculares; o açúcar e
os alimentos doces desencadeiam a diabetes; e os produtos lácteos provocam
alergias.
Por outro lado, a nossa experiência clínica
permitiu-nos comprovar que milhares de pessoas que seguiram os princípios
apresentados neste texto melhoraram significativamente a sua saúde. Por isso,
propomos esta nova visão alternativa.
1. PLANEAR UM MENU EQUILIBRADO
Além de considerarmos que a nossa alimentação deve
estar adaptada ao clima, à condição individual, ao sexo, ao tipo de atividade e
ao estado de saúde, devemos ter em conta os seguintes aspetos:
1.1. A escolha
dos alimentos
Devemos dar preferência aos alimentos de produção
biológica, sendo os cereais integrais, as leguminosas e os produtos hortícolas
os alimentos de consumo regular.
Os frutos oleaginosos, a fruta e o peixe serão sempre
alimentos complementares.
1.2. Os
sabores
Os cinco sabores — ácido, amargo, doce, salgado e
picante — devem estar presentes, de uma forma ou de outra, em todos os menus.
1.3. Os
métodos de confeção
Devemos utilizar diferentes métodos de preparação e
confeção, ultrapassando os extremos da salada crua e da carne grelhada.
1.4. As
texturas
A variedade e a complementaridade das formas e das
texturas dos alimentos são muito importantes para que a refeição seja
satisfatória, tanto visualmente como ao paladar.
1.5. As cores
A natureza colocou à nossa disposição uma grande
variedade de cores nos alimentos.
Devemos utilizá-las como um pintor utiliza a sua
paleta, criando composições harmoniosas e atraentes, de modo que a comida nos
agrade à vista e estimule os nossos órgãos digestivos.
1.6. A água, o
fogo e o sal
A utilização destes três elementos permite transformar
os alimentos originais noutros mais digestíveis e saborosos, facilitando um
melhor aproveitamento dos nutrientes.
Em próximas publicações, desenvolveremos cada um
destes pontos, apresentando exemplos concretos que permitam pôr em prática
estes conselhos.
2. OS NUTRIENTES
Dispomos de uma grande variedade de alimentos para
obter os nutrientes de que necessitamos. No entanto, dependendo das nossas
escolhas, a alimentação poderá ser uma fonte de saúde ou, pelo contrário,
contribuir para o aparecimento de doenças, uma vez que nem todos os alimentos
se comportam da mesma maneira no metabolismo.
Um menu equilibrado deve conter, nas devidas
proporções, os seguintes nutrientes:
- Hidratos de carbono;
- Proteínas;
- Gorduras;
- Vitaminas;
- Sais minerais;
- Água.
2.1. Os
hidratos de carbono
São o principal nutriente e desempenham uma função
energética.
Devem representar entre 50% e 75% do volume total de
alimentos ingeridos e ser, praticamente na sua totalidade, de absorção lenta.
Os alimentos ideais como fonte deste precioso
nutriente são os cereais integrais e os pseudocereais, em todas as suas formas:
grãos, flocos, sêmolas e farinhas.
Quando o nosso estado de saúde não é o melhor, devemos
dar preferência aos cereais em grão.
2.2. As
proteínas
São materiais de construção do organismo e intervêm
tanto na formação da massa muscular como na síntese de hormonas.
É importante que a sua proporção seja entre cinco e
sete vezes inferior à dos hidratos de carbono.
Os alimentos que nos fornecem as proteínas mais
saudáveis são as leguminosas, seguidas do peixe e dos produtos do mar e, a
maior distância, da carne de aves e dos ovos.
As carnes vermelhas deverão estar presentes na
alimentação apenas ocasionalmente.
2.3. As
gorduras
Os alimentos de eleição como fontes de gordura são as
sementes oleaginosas, seguidas dos frutos oleaginosos e dos óleos de primeira
pressão a frio.
A grande diferença entre os óleos e as sementes é que
estas últimas são alimentos integrais e, por isso, mais completos do que os
óleos, que são apenas o sumo extraído da respetiva semente.
A proporção de gorduras deverá ser entre cinco e sete
vezes superior à das proteínas.
2.4. As
vitaminas
Pertencem ao grupo dos micronutrientes e encontram-se
presentes nos cereais, nas leguminosas e nas sementes, sobretudo quando os
consumimos na sua forma integral.
No entanto, aumentamos ainda mais o seu aporte através
da inclusão de produtos hortícolas e fruta.
Estes dois grupos de alimentos deverão fazer sempre
parte do acompanhamento, não constituindo, em caso algum, o prato principal.
Devemos consumir dois terços cozinhados e um terço
crus, tendo em consideração a estação do ano e a condição individual de cada
pessoa.
2.5. Os
minerais
Também pertencem ao grupo dos micronutrientes e
encontram-se igualmente presentes nos cereais, nas leguminosas e nas sementes.
Podemos aumentar o seu aporte através da inclusão de
algas marinhas na alimentação.
Estes alimentos deverão ser sempre utilizados como
guarnição, podendo ser incluídos três ou quatro vezes por semana.
2.6. A água
A água é um nutriente essencial que está presente nos
alimentos em quantidades importantes.
A título informativo, se considerarmos que o nosso
corpo é constituído por cerca de 70% de água, podemos referir que:
- O arroz integral cozido contém
aproximadamente a mesma proporção de água;
- As lentilhas cozidas, sem caldo, contêm
cerca de 90% de água;
- O teor de água dos produtos hortícolas e da
fruta varia entre 90% e 98%.
Assim, compreendemos que uma parte muito importante da
água de que necessitamos nos é fornecida pelos próprios alimentos.
Se começarmos a refeição com uma sopa e a terminarmos
com uma bebida quente, não necessitamos de beber durante a refeição para
satisfazer as nossas necessidades de água.
Todos os alimentos devem ser integrais e provenientes
de agricultura biológica, uma vez que são mais ricos em nutrientes do que os de
agricultura convencional e estão livres de produtos químicos.
A água deverá ser de nascente. Quando tal não for
possível, utilizaremos um filtro de osmose inversa, que permite eliminar não só
os contaminantes em suspensão, mas também os que se encontram dissolvidos.
3. OS CINCO SABORES
A escolha dos alimentos não deve basear-se apenas no
seu conteúdo nutricional. Devemos considerar também a cor, o sabor e a textura.
Estes aspetos vão para além da estética, pois
determinam efeitos harmonizadores sobre os nossos órgãos internos, como
explicaremos em seguida.
A visão energética da alimentação abrange muito mais
do que a composição química dos alimentos e mostra-nos a importância da
utilização de diferentes formas, cores e texturas, bem como da combinação dos
diversos sabores.
3.1. Os cinco
sabores universais
As nossas papilas gustativas reconhecem cinco sabores
básicos:
- Salgado;
- Ácido;
- Amargo;
- Doce;
- Picante.
Desde tempos remotos, a Medicina Tradicional Chinesa
associa os diferentes sabores dos alimentos ao bom funcionamento de
determinados órgãos.
Apresentamos, em seguida, alguns exemplos.
4. O SABOR SALGADO
O salgado é um sabor universal que não deve faltar nos
nossos pratos, sobretudo se tivermos em conta que o sal está na origem da vida
e que o nosso plasma sanguíneo é alcalino, ou seja, salgado.
O sal é tão importante que, antigamente, o trabalho
das pessoas era remunerado com sal, estando aí a origem da palavra «salário».
O sal que utilizamos deve ser sempre marinho e não
refinado. Não é relevante que seja fino ou grosso, mas deverá ser acrescentado
aos alimentos durante a confeção e não no final, já à mesa.
Além do sal marinho, dispomos de quatro condimentos da
cozinha oriental que nos fornecem pequenas quantidades de sal vegetalizado e,
por isso, facilmente assimilável:
- Miso;
- Tamari;
- Gomásio;
- Ameixa umeboshi.
Podemos igualmente incluir algas marinhas que, embora
não sejam ricas em sódio, contêm outros minerais, como cálcio, ferro e
magnésio.
O sabor salgado deve estar presente nos nossos pratos
para tonificar os rins, órgãos que regem os ossos e o equilíbrio dos sais
minerais no organismo.
Quando falamos do sabor salgado na Medicina Oriental,
referimo-nos não apenas ao sódio, mas aos sais minerais na sua totalidade.
Deste modo, compreendemos a relação entre o bom
funcionamento dos rins e o equilíbrio mineral do organismo, quer estejamos a
falar de cálcio, ferro, sódio ou potássio.
A recomendação generalizada, na sociedade atual, de
seguir dietas pobres em sódio pode ser perigosa, uma vez que tanto o excesso
como a deficiência de sal são prejudiciais à saúde.
Conclusão
Ao planearmos um menu, devemos pensar nos condimentos
salgados e/ou nas algas que iremos incluir para que os nossos rins funcionem
corretamente.
Tudo isto sem esquecer que os alimentos integrais são
mais ricos em sais minerais do que os refinados e que estes últimos têm um
efeito desmineralizante.
5. O SABOR ÁCIDO
Continuamos a explicar o comportamento dos diferentes
sabores em relação ao funcionamento dos órgãos internos e a forma como tanto o
desejo exagerado de um determinado sabor como a sua rejeição podem ser
indicadores de desequilíbrios internos.
Há muitas pessoas que sentem grande apetência por
pepinos em conserva e vinagretes em geral.
Outras chegam a beber o líquido que fica no fundo da
saladeira depois de terem comido a alface.
Pelo contrário, há pessoas que detestam tudo o que é
ácido e não conseguem tolerar esse sabor.
5.1. Fontes
alimentares do sabor ácido
O sabor ácido encontra-se naturalmente presente em
alguns alimentos, como:
- Tomates;
- Laranjas;
- Limões;
- Toranjas.
Também são ácidos os alimentos submetidos a
fermentação láctica, como:
- Quefir;
- Iogurte;
- Chucrute;
- Miso;
- Tamari;
- Ameixa umeboshi.
A fermentação alcoólica também proporciona o sabor
ácido, que pode ser mais ou menos pronunciado consoante o tipo de vinho.
Por último, temos os alimentos obtidos por fermentação
acética, nomeadamente os vinagres.
O sabor ácido deve estar presente nos nossos pratos
para harmonizar o funcionamento do fígado e da vesícula biliar, órgãos
responsáveis pelo metabolismo das gorduras.
Daí a expressão segundo a qual um copo de vinho «ajuda
a fazer a digestão», algo que é verdadeiro quando o menu é rico em gorduras.
5.2. Nem tudo
o que é ácido é saudável
Devemos saber que a fermentação láctica é a mais suave
e respeitadora da saúde, enquanto a fermentação alcoólica é tóxica e a
fermentação acética é ainda mais prejudicial.
Por isso, devemos prescindir do vinho nas refeições
quotidianas e dos vinagres, reservando estes ingredientes para um consumo
ocasional.
Numa cozinha equilibrada, obtemos o sabor ácido
através de:
- Picles em geral;
- Chucrute;
- Um pouco de vinagre de baixa acidez;
- Limão.
Estes ingredientes deverão ser utilizados sempre em
quantidades moderadas, como uma pequena pincelada no sabor geral do prato.
Excluiremos os produtos de fermentação láctica
derivados do leite, como o iogurte e o quefir, sempre que o nosso estado de
saúde não seja o melhor, uma vez que o leite de vaca não é uma fonte de saúde.
Pelo contrário, em muitas cozinhas tradicionais e/ou
de vanguarda, o álcool é incluído em quantidades importantes, como acontece
quando se faz uma harmonização entre cada prato e um determinado tipo de vinho.
Quanto mais o nosso fígado tiver sido sobrecarregado
no passado por um excesso de gorduras, sobretudo provenientes de alimentos de
origem animal, como enchidos e queijos, maior será a nossa apetência pelo sabor
ácido.
Por isso, as pessoas com dependência do álcool devem
reduzir drasticamente o consumo de gorduras e de alimentos pesados.
Num prato equilibrado, o sabor ácido pode ser
representado por uma pequena quantidade de chucrute ou de rabanetes
fermentados, em contraposição ao sal, que estaria presente em todos os
ingredientes do menu.
6. O SABOR AMARGO
Os diferentes sabores não representam apenas um prazer
sensorial durante a refeição. Também harmonizam o funcionamento dos diversos
órgãos internos.
Vamos agora abordar o sabor amargo e os alimentos que
o fornecem.
Em muitas culturas, este sabor é considerado
desagradável. Trata-se de um mecanismo de defesa, uma vez que a maioria dos
venenos tem sabor amargo.
Na nossa sociedade, o sabor amargo não é muito popular
quando comparado com o doce.
No entanto, deve estar presente nos nossos pratos para
tonificar o intestino delgado e o órgão que lhe está associado: o coração.
6.1. Alimentos
de sabor amargo
Existe uma grande variedade de produtos hortícolas
amargos:
- Espargos;
- Agriões;
- Chicórias;
- Escarolas;
- Endívias;
- Aipo;
- Salsa;
- Alcachofras;
- Beringelas;
- Azeitonas;
- Pepinos;
- Curgetes.
Também são amargos alguns frutos, como a toranja.
Outros alimentos de sabor amargo incluem o café, o
chá, o cacau e a cerveja.
O sabor amargo também aparece quando os alimentos são
torrados.
Podemos encontrá-lo em:
- Pão torrado;
- Sementes de sésamo, girassol, abóbora e
linhaça;
- Amêndoas, avelãs e amendoins;
- Cevada torrada (malte);
- Chicória torrada;
- Café torrado.
6.2. Efeitos
do sabor amargo
Os princípios amargos dos alimentos estimulam o
apetite e favorecem a digestão, porque promovem a produção de gastrina e
aumentam o peristaltismo intestinal.
Também favorecem a produção de bílis.
Os alimentos amargos tonificam o organismo tanto no
plano físico como no mental.
As pessoas que consomem mais princípios amargos são
psicologicamente mais fortes, mais felizes e têm maior vontade de desfrutar da
vida e de conquistar o mundo.
6.3. Nem tudo
o que é amargo é saudável
Tal como acontece com o sabor ácido, existem muitas
substâncias amargas tóxicas que não são saudáveis, como os alcaloides presentes
no café, no chá e no cacau.
Os princípios amargos que devem estar presentes nos
nossos menus são, em primeiro lugar, os provenientes de sementes e cereais
torrados.
Podemos também incluir:
- Um pouco de pão torrado;
- Salsa como condimento;
- Pequenas quantidades de agriões;
- Endívias;
- Algumas azeitonas.
Não estamos a falar de comer um grande prato de
acelgas, que pode provocar diarreia e cólicas intestinais por estimular
excessivamente o peristaltismo.
As pessoas que toleram melhor os produtos hortícolas
amargos são aquelas cujo aparelho digestivo é mais yang, ou seja, mais
resistente.
Todas as pessoas com pouca força digestiva toleram mal
este tipo de hortícolas, tal como acontece com o café.
As pessoas que sentem necessidade de consumir café e
bebidas amargas, como o Campari, devem reduzir drasticamente o consumo de
alimentos pesados: carnes, queijos e enchidos.
Deste modo, para restabelecer o equilíbrio, serão
suficientes o malte em substituição do café e a cerveja em vez do Campari.
7. O SABOR DOCE
Na continuidade das publicações anteriores, vamos
explicar tudo o que é necessário saber sobre o sabor doce, que não é o mesmo
que o sabor açucarado, e a sua relação com o funcionamento dos nossos órgãos
internos.
O sabor doce deve ser predominante no nosso menu.
Não nos referimos ao sabor doce que sentimos
imediatamente na boca ao consumir mel, açúcar, leite ou fruta, mas ao sabor
doce neutro que surge depois de mastigarmos os cereais e que também está
presente em muitos produtos hortícolas cozinhados, como as cenouras e as
cebolas.
7.1. Os três
tipos de sabor doce
Podemos distinguir três tipos de sabor doce, com
efeitos muito diferentes sobre o nosso equilíbrio interno.
A. O doce neutro
É uma fonte de saúde e encontra-se presente em todos
os cereais integrais, depois de cozinhados e mastigados.
Tanto o calor da confeção como a mastigação desdobram
as cadeias dos hidratos de carbono complexos, dando origem a maltoses, que são
açúcares de absorção rápida e, por isso, de sabor intensamente doce.
Também apresentam um sabor doce neutro os seguintes
produtos hortícolas:
- Couves;
- Couve-flor;
- Feijão-verde;
- Cenouras;
- Abóboras;
- Cebolas;
- Alho-francês.
Estes alimentos tonificam o estômago, o baço e o
pâncreas, sendo, por isso, indispensáveis na nossa alimentação.
É importante saber que este sabor provém de alimentos
que contêm hidratos de carbono complexos.
B. O doce açucarado
É o sabor predominante em:
- Fruta;
- Mel;
- Panela (açúcar de cana não refinado);
- Maltes;
- Açúcar branco ou integral;
- Leite.
Estes alimentos são ricos em glicose, frutose e
galactose, que, por serem hidratos de carbono de absorção rápida, são
responsáveis por desequilíbrios do pâncreas e por numerosas perturbações
digestivas.
C. O doce químico
É o sabor presente nos edulcorantes, como:
- Sacarina;
- Aspartame;
- Sorbitol.
Estes produtos devem ser excluídos da alimentação
devido aos perigos que representam.
Os alimentos do primeiro grupo devem estar presentes
diariamente na alimentação.
Os do segundo grupo deverão ser consumidos
ocasionalmente ou com pouca frequência.
Os do terceiro grupo deverão ser evitados em todos os
casos.
7.2. O sabor
doce provoca dependência
Quando as pessoas consomem muitos doces, obrigam o
pâncreas a produzir grandes quantidades de insulina para regular os níveis de
glicose no sangue.
Como consequência, pode surgir uma hipoglicemia
reativa.
Esta descida do açúcar no sangue leva o organismo a
pedir mais doces, iniciando-se um círculo vicioso que muitas pessoas definem
como dependência.
Os alimentos ricos em hidratos de carbono de absorção
rápida são responsáveis por diversas alterações digestivas ao nível do
estômago, enfraquecem o sangue, tanto os glóbulos vermelhos como os brancos, e
provocam alterações hormonais.
No plano emocional, são responsáveis por
desequilíbrios do estado de espírito, fazendo-nos passar da euforia à
depressão, como se estivéssemos numa montanha-russa, favorecendo a falta de
autoestima e o sentimento de vitimização.
Os cereais integrais são a opção saudável em todos os
casos.
8. O SABOR PICANTE
Vamos agora abordar o quinto sabor universal: o
picante.
Descubra quando é necessário consumir alimentos
picantes e quais as suas fontes alimentares, de modo a preservar a saúde, uma
vez que alguns picantes arrefecem e outros aquecem o organismo.
Este sabor está associado a muitas especiarias
exóticas, às malaguetas e aos pimentos de Padrón.
O picante é aquilo que provoca uma sensação intensa de
ardor na língua e no palato.
A palavra também está relacionada com a sexualidade e
com o obsceno, como acontece nas anedotas picantes.
Assim, podemos compreender que o sabor picante ativa a
circulação e tonifica, fundamentalmente, os pulmões.
8.1.
Diferentes tipos de alimentos picantes
O sabor picante comporta-se de maneiras diferentes
consoante a planta de que provém.
A. Raízes e rizomas picantes
Alguns produtos hortícolas de raiz e rizomas
apresentam sabor picante:
- Nabos;
- Rabanetes;
- Raiz de lótus;
- Gengibre;
- Curcuma.
Este grupo de alimentos tem um efeito aquecedor e
tonificante sobre os pulmões e o intestino grosso.
Por isso, são indicados sempre que exista debilidade
digestiva ou tendência para constipações.
B. Hortícolas de fruto picantes
Outro grupo é constituído por hortícolas de fruto:
- Malaguetas;
- Pimentos;
- Chilis;
- Pimenta-de-caiena;
- Tabasco.
Estes alimentos pertencem à família das solanáceas.
Têm um efeito refrescante e estimulante da circulação,
sendo frequentemente consumidos como acompanhamento de carnes de diversos tipos
e de pratos substanciais, como feijão com toucinho e morcela, servido com
malaguetas.
C. Especiarias picantes
No mundo das especiarias, encontramos as pimentas, das
quais se utiliza o fruto das respetivas plantas, que não estão botanicamente
relacionadas com as anteriores.
Todas crescem em climas tropicais húmidos.
Devemos conhecer o efeito dispersante da energia e o
efeito refrescante destes condimentos.
Não é por acaso que se desenvolvem em climas
tropicais.
Devemos ser muito moderados na sua utilização em
climas temperados e frios, como o nosso, pois podem enfraquecer-nos, sobretudo
quando seguimos uma alimentação essencialmente vegetariana.
8.2. O sabor
picante no nosso menu
Quando a nossa alimentação se baseia nos cereais
integrais e é essencialmente vegetariana, podemos incluir na preparação dos
pratos:
- Um pouco de sumo de gengibre;
- Alguns rabanetes ralados e macerados em
vinagre de umeboshi;
- Um pouco de nabo-daikon ralado.
9. OS CINCO SABORES NO PRATO
Chegados a este ponto, devemos recapitular e
compreender a importância de cada um dos cinco sabores para harmonizar o bom
funcionamento dos nossos órgãos internos: salgado, ácido, amargo, doce e
picante.
9.1. O sabor
salgado — rins e bexiga
Se pretendemos fortalecer os rins, a bexiga e o
aparelho reprodutor, devemos ter em consideração o sabor salgado, representado
pelo sal, por condimentos como o miso e o tamari e pelas algas marinhas.
9.2. O sabor
ácido — fígado e vesícula biliar
Se é o fígado que necessita da nossa atenção, devemos
oferecer-lhe algum alimento submetido a fermentação láctica, como os picles, ou
um pouco de vinagre.
9.3. O sabor
amargo — coração e intestino delgado
Se é o coração que precisa de ser ativado, podemos
reconfortá-lo comendo alguns produtos hortícolas amargos ou bebendo café de
cereais, utilizando um pouco de tekka, entre outras possibilidades.
9.4. O sabor
doce neutro — estômago, baço e pâncreas
O sabor doce neutro não pode faltar, pois harmoniza o
funcionamento do estômago, do baço e do pâncreas.
É fornecido pelos cereais integrais, em todas as suas
formas.
9.5. O sabor
picante — pulmões e intestino grosso
Por último, para tonificar os pulmões, os alimentos
picantes de eleição são o gengibre, os rabanetes, entre outros.
9.6. A
harmonia global do prato
Tal como fizemos uma análise dos cinco sabores, também
deveríamos procurar incluir no nosso prato:
- As cinco cores: preto, verde, vermelho, amarelo e branco;
- Os cinco métodos básicos de confeção;
- As cinco texturas principais.
A combinação destes elementos permite-nos criar
refeições variadas, harmoniosas e equilibradas, de acordo com os princípios da
alimentação energética oriental.
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