Friday, October 23, 2026

 

NEUROCIENTISTAS MOSTRAM O QUE O JEJUM FAZ AO CÉREBRO E POR QUE RAZÃO AS INDÚSTRIAS FARMACÊUTICAS NÃO VÃO ESTUDAR ESTE FENÓMENO (*)

 

resumo -

O texto apresenta o jejum intermitente como uma prática capaz de beneficiar o cérebro e a saúde em geral, apoiando-se numa palestra do neurocientista Mark Mattson e em vários estudos.

Segundo o artigo, o jejum desencadeia respostas de adaptação que aumentam a resistência dos neurónios, favorecem a produção de fatores neurotróficos e fortalecem as ligações entre as células nervosas. Estes processos poderão melhorar a aprendizagem e a memória, reduzir a inflamação e diminuir o risco de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.

O texto refere também que a restrição calórica prolonga a vida em diversas espécies e que ciclos de jejum prolongado poderão estimular a regeneração do sistema imunitário através da ativação de células estaminais. Aponta ainda possíveis benefícios na prevenção de doenças cardiovasculares, do cancro e da diabetes.

O autor questiona o padrão de três refeições diárias acompanhadas de refeições intermédias e defende que os interesses económicos das indústrias alimentar e farmacêutica contribuem para a sua manutenção.

Por fim, descreve duas modalidades: a dieta 5:2, que reduz acentuadamente a ingestão calórica em dois dias da semana, e a alimentação limitada a um intervalo diário, como entre as 11h00 e as 19h00. Conclui destacando a importância das escolhas alimentares para a saúde.

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texto -

Mark Mattson, apresentado no texto como chefe do Laboratório de Neurociência do Instituto Nacional do Envelhecimento e professor de Neurociência na Universidade Johns Hopkins, é um dos mais respeitados investigadores na área dos mecanismos moleculares e celulares das doenças neurodegenerativas. Proferiu uma palestra TEDx, em inglês, que merece ser vista.

Existem inúmeros exemplos de manipulação de estudos publicados pela indústria farmacêutica nos últimos anos. Foi por isso que Arnold Seymour Relman, professor de Medicina em Harvard, afirmou que a profissão médica tinha sido comprada pela indústria farmacêutica.

O Dr. Richard Horton, diretor da revista The Lancet, afirmou que grande parte da literatura científica atualmente publicada não corresponde à verdade. Por sua vez, a Dra. Marcia Angell, antiga diretora do The New England Journal of Medicine, declarou: «A indústria farmacêutica gosta de se apresentar como uma indústria baseada na investigação, como a fonte de medicamentos inovadores. Nada poderia estar mais longe da verdade.»

Foi também neste contexto que John Ioannidis, epidemiologista da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, publicou um artigo intitulado «Porque é que a maioria dos resultados de investigação publicados são falsos», que viria a tornar-se o artigo mais consultado da história da PLoS.

No final do vídeo, o Dr. Mattson comenta: «Porque é que o padrão alimentar habitual consiste em três refeições diárias, acrescidas de refeições ligeiras? Não é por ser a forma mais saudável de comer. Esta é a minha opinião, mas penso que existem muitas provas que a sustentam. Há uma grande pressão para manter este padrão alimentar, porque envolve muito dinheiro.

A indústria alimentar vai ganhar dinheiro com pessoas que não tomam o pequeno-almoço, como eu fiz hoje? Não, vai perder dinheiro. Se as pessoas jejuarem, a indústria alimentar perde dinheiro. E a indústria farmacêutica?

Se as pessoas fizerem jejuns curtos, praticarem exercício regularmente e forem muito saudáveis, a indústria farmacêutica vai ganhar dinheiro com pessoas saudáveis?»

PRINCIPAIS PONTOS DA PALESTRA E RESPETIVA FUNDAMENTAÇÃO CIENTÍFICA

Mark Mattson e a sua equipa já publicaram vários artigos que discutem de que forma jejuar duas vezes por semana poderá diminuir o risco de desenvolver doenças como Parkinson e Alzheimer.

«É bem conhecido que as alterações que fazemos na alimentação afetam o cérebro. As crianças com epilepsia têm menos crises quando seguem dietas de restrição calórica ou fazem jejum.

Acredita-se que o jejum ajuda a desencadear mecanismos de proteção que contrabalançam os sinais de excitação excessiva frequentemente observados nos cérebros de pessoas com epilepsia. Algumas crianças também beneficiaram de uma dieta muito específica, rica em gordura e pobre em hidratos de carbono.

Quando sujeitos a uma alimentação excessiva, os cérebros sem esta doença podem apresentar outro tipo de excitação descontrolada, que prejudica o funcionamento cerebral.»

De um modo geral, muitos estudos sobre restrição calórica mostram um aumento da longevidade, assim como uma maior capacidade de combater doenças crónicas.

«A restrição calórica aumenta a longevidade e atrasa o aparecimento de doenças crónicas associadas à idade em muitas espécies, como ratos, ratinhos, peixes, moscas, vermes e leveduras. O mecanismo ou os mecanismos pelos quais isto acontece são desconhecidos.»

A citação anterior provém de uma revisão da literatura que, à data do texto original, tinha mais de dez anos. O trabalho aqui apresentado descreve alguns dos mecanismos anteriormente desconhecidos.

O jejum beneficia o cérebro, como evidenciam as alterações neuroquímicas favoráveis que ocorrem durante esse período. Também melhora a função cognitiva, aumenta os níveis de fatores neurotróficos e a resistência a lesões, e reduz a inflamação.

O jejum constitui um desafio para o cérebro, que responde adaptando as suas vias de resposta ao stresse celular. Estas adaptações ajudam-no a lidar com as agressões e com o risco de doença. As alterações cerebrais que ocorrem durante o jejum assemelham-se às provocadas pela prática regular de exercício físico. Ambas aumentam a produção de fatores neurotróficos, que promovem o crescimento dos neurónios, as ligações entre eles e o fortalecimento das sinapses.

«Os desafios para o cérebro, quer através do jejum intermitente, quer através de exercício físico vigoroso… constituem um desafio cognitivo. Quando isso acontece, os circuitos neuronais são ativados e os níveis de fatores neurotróficos aumentam, promovendo o crescimento dos neurónios e a formação e o fortalecimento das sinapses…»

O jejum também pode estimular a produção de novas células nervosas a partir de células estaminais no hipocampo. Mattson menciona ainda a produção de corpos cetónicos e a possibilidade de estes contribuírem para aumentar o número de mitocôndrias nos neurónios.

O aumento do número de mitocôndrias nas células nervosas resulta da adaptação dos neurónios ao stresse provocado pelo jejum.

Com mais mitocôndrias, aumenta também a capacidade dos neurónios para formar e manter ligações entre si, melhorando a aprendizagem e a memória.

«O jejum intermitente aumenta a capacidade das células nervosas para reparar o ADN.»

Mattson aborda ainda a perspetiva evolutiva desta teoria: a forma como os nossos antepassados se adaptaram e foram sujeitos à seleção natural para conseguirem passar longos períodos sem comer.

Um estudo publicado na revista Cell Stem Cell, realizado por investigadores da Universidade do Sul da Califórnia, mostrou que ciclos de jejum prolongado protegem contra danos no sistema imunitário e, além disso, induzem a sua regeneração.

Os investigadores concluíram que o jejum faz com que as células estaminais passem de um estado de dormência para um estado de autorrenovação, ativando a regeneração de um órgão ou sistema a partir destas células.

Foram realizados estudos clínicos com pessoas submetidas a quimioterapia. Durante períodos prolongados, os participantes não comiam, o que reduziu o número de células de defesa. Nos ratinhos, os ciclos de jejum «ativaram a regeneração, alterando as vias de sinalização das células estaminais hematopoiéticas, responsáveis pela formação dos sistemas sanguíneo e imunitário».

Isto significa que o jejum elimina células imunitárias envelhecidas e danificadas e que, quando a alimentação é retomada, o organismo utiliza as células estaminais para produzir novas células saudáveis.

«Não podíamos prever que o jejum prolongado pudesse ter um efeito tão impressionante na promoção da regeneração do sistema hematopoiético a partir de células estaminais…

Quando se passa fome, o organismo tenta poupar energia. Uma das formas de o fazer é reciclar muitas células imunitárias que não são necessárias, sobretudo as que estão danificadas.

Começámos a observar, em seres humanos e em animais, que o número de células de defesa diminui durante o jejum prolongado. Quando a alimentação é retomada, essas células voltam a aumentar.» — Valter Longo

Uma revisão de vários estudos sobre o jejum foi publicada no The American Journal of Clinical Nutrition, em 2007. A revisão analisou estudos realizados em seres humanos e animais e concluiu que o jejum é uma forma eficaz de reduzir o risco de doenças cardiovasculares e de cancro. Identificou também potencial para o tratamento da diabetes.

ANTES DE JEJUAR

Antes de começar a jejuar, certifique-se de que se informou devidamente. Pessoalmente, faço jejum há vários anos e considero-o fácil de praticar.

Uma das formas recomendadas — experimentada por Michael Mosley, da BBC, para reverter a sua diabetes, o colesterol elevado e outros problemas associados à obesidade — é a chamada «dieta 5:2».

Neste plano, reduz-se a ingestão alimentar para um quarto das calorias habituais nos dias de jejum: cerca de 600 quilocalorias para os homens e 500 para as mulheres, por exemplo, às terças e quintas-feiras, mantendo uma ingestão abundante de água.

Nos restantes cinco dias da semana, segue-se uma alimentação habitual: no mesmo exemplo, 2400 quilocalorias diárias para os homens e 2000 para as mulheres.

Outra possibilidade consiste em limitar a alimentação a um intervalo horário específico, por exemplo, comer apenas entre as 11h00 e as 19h00, sem ingerir alimentos fora desse período.

Na minha opinião, a forma como encaramos a alimentação é uma das componentes mais importantes — se não a mais importante — da manutenção da saúde. Refletir sobre aquilo que introduzimos no organismo é fundamental. Acredito que esta ideia acabará por ficar solidamente estabelecida numa literatura médica independente de influências externas.

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(*) O autor original é Arjun Walia - artigo publicado no site Collective Evolution, em 11 de dezembro de 2015, com o título: “Neuroscientist Shows What Fasting Does to Your Brain & Why Big Pharma Won’t Study It”. Várias reproduções identificam expressamente o autor e a publicação original. callingummah.blogspot.com

Pode ser consultado no endereço original do artigo, embora atualmente devolva um erro de página não encontrada.

Quanto à versão em português, o mesmo texto é reproduzido no blogue Yoga Vivência, em 20 de maio de 2017, que indica como fonte O Espaço do Conhecimento. Não consegui confirmar quem fez a tradução.

Assim, para acompanhar o texto, usar esta referência prudente:
Versão portuguesa: divulgada por O Espaço do Conhecimento; tradução de autoria não confirmada.

Mark Mattson é o neurocientista cuja palestra é comentada no artigo; não é o autor do texto. callingummah.blogspot.com

 

 

CONSUMO DE DROGAS E ALIMENTAÇÃO MACROBIÓTICA

OU VEGANA

Artigo de Agnès Pérez

Por ser a marijuana um produto «natural», ultimamente enaltecido pelos seus supostos benefícios quando consumido em pequenas quantidades, em conjunto com tratamentos médicos químicos, os seus efeitos energéticos em pessoas vegetarianas, veganas ou macrobióticas acabam por não ser avaliados objetivamente. Pode ser perigoso consumir drogas juntamente com uma alimentação de origem vegetal.

Não estou a julgar as drogas. Cada pessoa pode fazer da sua vida o que quiser e experimentar livremente. As drogas têm sido utilizadas desde os tempos mais remotos com o objetivo de expandir a consciência, mas isso foi sempre feito de forma ritual e dentro de um determinado contexto, e não como um hábito de consumo mecânico.

Ao longo dos anos em que tenho trabalhado como nutricionista, e depois de observar as mudanças que ocorreram em mim e em muitas outras pessoas, a todos os níveis, ao adotarmos uma alimentação vegana-macrobiótica, posso afirmar que todos nos tornamos muito mais sensíveis ao efeito de qualquer substância ou vibração externa que incorporamos, seja através dos alimentos, das bebidas, do ar que respiramos, dos sons ou dos ambientes sociais…

O efeito das drogas sobre o cérebro é praticamente o mesmo em todas as pessoas, mas as suas repercussões a nível mental e emocional variam em função da constituição e da condição de cada indivíduo. Uma pessoa muito yang, com uma mente forte, tolerará melhor estas substâncias do que outra pessoa yin.

As dietas baseadas maioritariamente em produtos vegetais praticamente não contêm energia yang extrema, exceto a proveniente do miso, shoyu, umeboshi… ou de determinados métodos de confeção yang, como a cozedura sob pressão, no forno ou os fritos.

O yang extremo provém do sal e das proteínas animais. Os cereais também nos fornecem esta energia yang, mas de uma forma muito mais centrada e suave, uma vez que são vegetais.

Por isso, é importante não consumir drogas nem açúcar quando seguimos uma alimentação vegetal, pois isso pode levar-nos a cair em emoções yin: dispersão, esquecimento, confusão, vitimização, infantilidade, viver num estado permanente de devaneio ou com a cabeça nas nuvens, preocupação, desânimo, ansiedade, tristeza, falta de força de vontade, entorpecimento, incapacidade de nos ajudarmos a nós próprios, lentidão, dependência… ou, em última instância, desenvolver alguma doença mental.

Se, ao longo da vida, consumimos alimentos extremamente yang, ou se fomos submetidos a circunstâncias de pressão, rigidez e exigência, numa tentativa de contrariar o efeito de tensão que estas situações provocaram no nosso organismo, procuraremos incorporar alimentos ou substâncias extremamente yin (drogas, açúcar, chocolate, gelados, etc.) para relaxar, atenuar o fogo interior e fugir das emoções yang (possivelmente raiva, frustração, ressentimento…) que essas circunstâncias produziram.

Porque é a solução mais rápida, aquela que a sociedade de consumo nos coloca à frente e que nos mantém ligados a pessoas que vibram na mesma energia inconsciente. É sempre mais fácil chorar e lamentarmo-nos em companhia do que trabalhar, na solidão, sobre o nosso lado obscuro.

Tal como afirma George Ohsawa: «Como produto de uma cultura carnívora, submetida a grandes pressões para alcançar o sucesso num mundo cada vez mais competitivo, a pessoa atraída pelas drogas costuma ser excessivamente yang.

A educação que recebeu é tão rígida ou analítica que, inevitavelmente, se sentirá atraída pelo extremo oposto — por tudo o que é yin —, por tudo o que é expansivo e promete a liberdade e o fim de todas as restrições.

A sua alimentação, a sua educação e as pressões sociais a que está submetida são tão yang que apenas deseja abandonar tudo e submeter o corpo, a mente e o espírito a determinadas condições.» (...) «Ao estarem submetidos a um sistema educativo tão intensamente intelectual, a única coisa que desejam é chegar ao extremo oposto e aniquilar o intelecto. E o intelecto desaparece com a deterioração do tecido cerebral através do consumo de drogas.»

É igualmente importante saber que, perante a compulsão de consumir alimentos ou substâncias extremamente yin, existem muitos substitutos saudáveis e que essa compulsão nasce de uma tensão interior muito intensa.

Vejamos agora como Herman Aihara, um dos mestres pioneiros da macrobiótica, explica esta questão num livro que já não é editado e que constitui uma grande ajuda para a compreensão deste fenómeno.

Só através da compreensão poderemos realizar as mudanças de que necessitamos, sem acreditar cegamente no que nos dizem e, sobretudo, de forma voluntária e livre, a única que realmente funciona.

MARIJUANA

Fonte: «Tabaco, Marijuana e Drogas Duras», de George Ohsawa, Herman Aihara e Fred Pulver.

Será a marijuana capaz de provocar danos físicos? E danos mentais?

Poderá ter efeitos benéficos?

Há muito tempo que a lei deixou de proibir o consumo de álcool. Seria conveniente suavizar ou eliminar as atuais proibições relativas ao consumo de marijuana?

Estas são as perguntas que mais frequentemente surgem quando se fala de marijuana. Quando os jornais e as revistas abordam este tema, reina uma grande confusão e costuma haver muita discussão.

Por outro lado, muitas pessoas têm-nos perguntado a nossa opinião sobre estas questões, acrescentando outras perguntas, como:

  • Quais são os efeitos específicos da marijuana sobre a mente e o organismo humanos?
  • Será possível que a marijuana seja um bom complemento da alimentação macrobiótica?
  • A marijuana é yin ou yang?

DIFERENTES FORMAS DE CONSUMO E EFEITOS FISIOLÓGICOS

Quando é fumada, a marijuana entra rapidamente na corrente sanguínea através dos pulmões, o que impede a sua transmutação pelas secreções digestivas da boca, do estômago e dos intestinos.

Atua, então, sobre o cérebro (extremamente yang, sobretudo o mesencéfalo — as células do nosso cérebro consomem aproximadamente 50% do oxigénio (yin) que respiramos) e sobre o sistema nervoso.

A parte parassimpática (yang) do sistema nervoso é a mais afetada.

O facto de a marijuana atuar especialmente nestas áreas demonstra que se trata de um produto extremamente yin e explica por que razão a mente de uma pessoa que consome marijuana fica «alargada», expandida — yin.

William H. McGlothlin, médico e psicólogo da Universidade da Califórnia, declara: «Os efeitos fisiológicos imediatos do consumo de marijuana são o aumento da frequência cardíaca (yin), a diminuição da temperatura corporal (yin), a dilatação das pupilas (yin), a micção frequente (yin) e o aumento do açúcar no sangue (yin).»

Embora seja verdade que os efeitos do consumo desta droga são yin, os consumidores também experimentam efeitos yang, como o aumento do apetite (muito especialmente por doces) e uma certa desidratação.

Será que estes efeitos yang contradizem as nossas afirmações anteriores sobre o caráter extremamente yin da marijuana?

Seguidamente, explicaremos como estes efeitos yang constituem fases intermédias de um longo processo yin de enfraquecimento.

EXPLICAÇÃO YIN-YANG DOS EFEITOS FISIOLÓGICOS

O mecanismo de equilíbrio do nível de açúcar no sangue

Quando comemos, o processo digestivo transforma os alimentos em glicose (yin — um açúcar simples), que é transportada para o sangue pelo pâncreas.

Neste órgão, o aumento do nível de açúcar no sangue estimula a produção de insulina (extremamente yang), que é transportada pelo sangue até ao fígado, onde transforma o excesso de glicose sanguínea em glicogénio (yang, um açúcar complexo), que fica armazenado no próprio fígado.

Uma diminuição do nível de açúcar no sangue estimula a secreção de glucocorticoides pelas glândulas suprarrenais e de corticotropina pela hipófise (ambas as secreções são yin), que fazem aumentar o nível de açúcar no sangue através da conversão do glicogénio armazenado no fígado em glicose.

Por outras palavras, num organismo saudável, o nível de açúcar no sangue depende de:

  • Insulina (yang);
  • Glucocorticoides e corticotropina (yin).

Ora, num organismo que funciona mal, as oscilações do nível de açúcar no sangue são muito mais bruscas.

Por exemplo, se o pâncreas segregar uma quantidade excessiva de insulina, uma quantidade demasiado elevada de glicose será automaticamente convertida em glicogénio. O nível de açúcar no sangue diminuirá, então, e manter-se-á baixo.

Este fenómeno, aliás muito frequente, chama-se hipoglicemia.

Resulta das seguintes causas: a estimulação excessiva do pâncreas por grandes quantidades de açúcares simples provenientes do açúcar, do mel e das frutas e, indiretamente, por drogas como, por exemplo, a marijuana.

Esta última causa será explicada em pormenor na secção seguinte.

Se, por outro lado, o pâncreas não segregar insulina suficiente, o fígado não poderá converter o excesso de glicose em glicogénio.

É assim que surge a diabetes: quando o pâncreas se cansa de produzir insulina para neutralizar os alimentos ou drogas fortemente yin anteriormente mencionados ou quando, eventualmente, fica completamente esgotado por esse esforço, o excesso de glicose começa a acumular-se no sangue e mantém-se elevado.

Por outras palavras, a estimulação excessiva por produtos yin conduzirá primeiro à hipoglicemia (diminuição do açúcar no sangue) e, mais tarde, à diabetes (nível elevado de glicose no sangue).

EFEITOS ESPECÍFICOS DA MARIJUANA SOBRE O EQUILÍBRIO DO NÍVEL DE GLICOSE NO SANGUE

Como já observámos anteriormente, a marijuana passa diretamente para o sangue, sem ser previamente transformada pelos órgãos do sistema digestivo.

Quando chega ao fígado, atua como catalisador do processo de conversão do glicogénio em glicose (na realidade, atua como substituto artificial dos glucocorticoides e da corticotropina).

Consequentemente, o nível de açúcar no sangue aumenta.

A primeira consequência desta elevação do nível de glicose no sangue (yin) é o aumento da combustão (yang) da glicose, processo que produz resíduos (yin) sob a forma de água e dióxido de carbono:

C₆H₁₂O₆ + 6 O₂ → 6 CO₂ + 6 H₂O

Esta é a causa do aumento da micção (yin), que provoca uma desidratação (yang) e conduz ao consumo de líquidos (yin).

A segunda consequência consiste na secreção de insulina (yang), que provoca a reconversão do excesso de glicose em glicogénio e a diminuição do nível de açúcar no sangue (yang).

Se a pessoa continuar a fumar, uma maior quantidade de glicogénio será convertida em glicose, com as seguintes consequências: mais combustão, mais micções, maior produção de insulina, etc.

Durante este processo, tanto as reservas de glicogénio do fígado como o nível de glicose no sangue diminuirão consideravelmente.

Isto explica a vontade de comer doces.

Se, nessa altura, forem consumidos doces, a produção de insulina aumentará bruscamente, a micção intensificar-se-á, etc.

Mas este círculo vicioso não dura eternamente. Tudo o que tem um princípio tem um fim.

Após alguns dias ou semanas de consumo de marijuana, a produção excessiva de insulina provocará uma hipoglicemia.

Depois, chegará inevitavelmente o momento em que o pâncreas se cansará de produzir insulina, devido ao estado de esgotamento em que se encontra, o que terá como consequência o desenvolvimento de diabetes.

EFEITOS MENTAIS

Embora os cientistas e os médicos não tenham respostas claras a oferecer relativamente a estes efeitos, a maioria dos psicólogos alerta para o perigo das alterações de personalidade provocadas pela marijuana.

Chamam a atenção para o facto de os consumidores de marijuana apresentarem uma diminuição da capacidade de trabalho (yin) e uma tendência para o ócio e a passividade (yin).

Costumam ser indivíduos excessivamente introvertidos (yin) e habituados a pensar de forma infantil, com base em fantasias (yin).

Perdem a capacidade de pensar objetivamente e de tomar decisões que exigem uma mente clara e prática (estas também são características yin).

São igualmente pessoas que, num grau superior ao normal, tendem a deixar-se influenciar pelas sugestões dos outros (ser facilmente impressionável é também uma característica yin).

Por outras palavras, a sua capacidade de pensamento (capacidade de julgamento) torna-se infantil. São pessoas que vivem num mundo de fantasias psicadélicas.

Embora seja possível que estes efeitos não sejam considerados fundamentais por um adepto da medicina alopática, do ponto de vista da macrobiótica são extremamente importantes.

Só através do desenvolvimento da nossa capacidade de pensar objetivamente poderemos tornar-nos pessoas livres e, consequentemente, felizes.

Há cerca de dois meses, um jovem de quase 30 anos veio consultar-me, depois de ter viajado pela Índia, Turquia, Norte de África e México.

Embora se considere um seguidor e defensor do modo de vida macrobiótico, é simultaneamente um defensor fanático e inflexível da marijuana.

No seu mundo confuso e distorcido, a marijuana é uma deusa.

Embora tenha uma forma descontraída e elegante de falar, revela um pensamento subjetivo e ilógico.

Não é uma pessoa responsável.

Mais cedo ou mais tarde, esta fachada de autossatisfação desmoronar-se-á e revelar-se-ão os seus profundos receios perante a vida: a VIDA REAL.

O que fará então?

Do nosso ponto de vista, a necessidade de consumir drogas que alteram a mente só desaparecerá quando as pessoas compreenderem a importância de basear a sua civilização no mundo vegetal — consumindo cereais como alimento principal e vegetais como alimento secundário.

Só assim poderemos viver felizes e alegres, sem sermos perseguidos por motivos que nos levem a entregar-nos aos «prazeres» autodestrutivos do mundo das drogas.

ASPETOS SOCIOLÓGICOS DAS DROGAS

Qual é o verdadeiro mal?

Para compreender a resposta, é necessário colocarmo-nos primeiro no lugar dos jovens.

Se tivesses 20 anos, quais seriam os objetivos entusiasmantes ou os valores positivos que poderiam servir de base para o resto da tua vida?

A família? A família é uma instituição que, geralmente, carece da felicidade necessária e que, muitas vezes, está prestes a desintegrar-se.

A religião? Encontra-se num caminho difícil e não sabe o que nos dizer.

A defesa de ideais políticos? Tal como as coisas estão, deixámos de confiar na validade do sistema atual.

As cidades estão cada vez mais poluídas e afastadas da natureza.

Parece que já não sabemos valorizar as árvores, a erva, a água pura, o nascer e o pôr do sol.

As notícias mundiais estão repletas de violência, opressão, acontecimentos sem um propósito definido, morte e ameaça de guerra nuclear.

Entretanto, as nações industrializadas possuem automóveis, máquinas de lavar roupa, alcatifas de parede a parede e semanas de trabalho de 48 a 60 horas, mas carecem de objetivos a longo prazo que permitam às pessoas desfrutar verdadeiramente da vida.

Na realidade, não parece existir qualquer objetivo, nenhum catalisador capaz de transformar a vida em algo que valha a pena viver.

Dizer que o futuro da humanidade não parece nada brilhante é dizer muito pouco.

O verdadeiro mal consiste em não sabermos onde tudo isto vai parar.

O mal reside na ausência de conhecimentos espirituais concretos ou de um objetivo para a vida.

Efetivamente, a marijuana é perigosa, não tanto pelo que pode fazer, mas sobretudo pelo que nos impede de fazer.

Não pode resolver os problemas que tão desesperadamente necessitam de solução.

Não pode dar um objetivo a uma vida que não o tem.

Não pode trazer felicidade a um mundo que dela carece.

A solução consiste em criar uma alternativa melhor.

E essa alternativa implica reconhecer o verdadeiro significado e o verdadeiro objetivo da vida: O NOSSO PROPÓSITO.

Bibliografia:

·       “Tabaco, Marijuana e Outras Drogas”, de George Ohsawa e Fred Pulver.

 

© Artigo escrito por Agnès Pérez.

 

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