LOURO (Laurus nobilis)
As especiarias
têm sido amplamente utilizadas pela cozinha e medicina tradicionais de vários
povos: hindus, italianos, chineses, franceses, alemães, japoneses … para
aromatizar, conservar, equilibrar receitas e preparar produtos medicinais.
Além do sabor
e alegria, outros efeitos dão aos nossos pratos: umas activam a circulação
sanguínea ou acendem o fogo digestivo, tornando os alimentos mais digestíveis;
algumas esfriam e outros aquecem; outras dispersam a energia; outras secam ou
hidratam; outras são adstringentes; muitas são picantes, boas para lutar contra
o frio e a apatia. São raízes, sementes, cascas, ervas, frutos, folhas verdes,
etc. Muitas delas beneficiam enormemente a saúde, têm actividade antioxidante,
estimulam a digestão ou actuam como poderosos antissépticos, antimicrobianos,
antimutagénicos e anticancerígenos.
Muitas são
ideais para dispersar a qualidade pesada e os excessos de uma alimentação rica
em proteína animal, mas contraproducentes num regime vegetariano ou vegano.
Como a
quantidade afecta a qualidade – quanto maior a quantidade, menor a qualidade –
também temos de ter o cuidado de não abusar delas, pois o seu uso constante
pode debilitar e desequilibrar o organismo. Umas são boas no Verão, outras nas
estações frias …
O Louro faz parte das
especiarias autóctones muito saudáveis e suaves (louro, tomilho, alecrim,
açafrão, orégãos, …), que, sendo usadas com moderação, têm um efeito
potenciador da digestão.
CURIOSIDADES
§ O Laurus nobilis é um
arbusto ou ávore da família das Laureáceas típicas da região mediterrânica,
tendo chegado a povoar densas florestas em todo o continente europeu, antes do
arrefecimento global que se verificou há alguns milhares de anos – os loureiros
de crescimento espontâneo que ainda hoje crescem na cordilheira da Arrábida,
constituem uma relíquia desses tempos primitivos.
§ Os famosos grelhados
madeirenses em pau de louro, dão um sabor especial à carne – provenientes de
uma variedade afim de loureiro, o Laurus azorica, endémico da região macaronésia
(Açores, Madeira e Canárias).
§ Além do laurus nobilis,
existem outras espécies abundantes em Portugal: o Loureiro-rosa e o Loureiro-cerejo,
altamente venenoso (é preciso não os confundir com o laurus nobilis, já que
as suas folhas são parecidas … mas o odor que emana é bem diferente … muito
cuidado!).
§ Considerado capaz de
aumentar e manter a saúde e a felicidade, está envolvido em mistérios,
superstições e premonições desde tempos muito antigos: na mitologia
grego-romana da Grécia e Roma antigas, era consagrado a Apolo (deus olímpico) e
Esculápio (deus da medicina e da cura). Também nestes tempos, a “coroa de
louros” indicava um grande mérito, simbolizando a glória de quem a usava – era
oferecida aos generais que voltavam vitoriosos das batalhas e era o prémio dado
aos atletas vencedores das Olimpíadas.
§ Plínio, o Velho, naturalista
da Roma antiga, indicava o louro para: paralisia, espasmos, ciática, dores de
cabeça, catarro, infecções do aparelho auditivo e reumatismo.
§ Os beduínos do Norte de África utilizam as folhas de louro para reforçar o paladar do café.
PROPRIEDADES
§ O Louro é uma planta dióica
– as flores masculinas e feminas estão em pés separados – e propaga-se
facilmente quer por sementes quer por estacaria, não gostando de geadas.
§ As suas folhas contêm
pró-vitamina A, vitaminas C, D e do complexo B, ferro, cálcio, potássio,
magnésio, fósforo, tanino, óleo essencial, alguns alcalóides (que, em excesso,
podem ser tóxicos). Os frutos possuem até 30% de ácidos gordos.
§ Tem propriedades
antissépticas, anti-inflamatórias, estimulantes, antibacterianas, sedativas e
sudoríficas.
§ Investigações modernas
referem os seus efeitos benéficos na diabetes tipo 2 e colesterol – reduz os
níveis de glicose e diminui os triglicéridos do sangue – e ainda em artrites,
problemas respiratórios, doenças cardiovasculares, envelhecimento precoce e cancro
(restringe o crescimento das células cancerígenas).
NA COZINHA
§ Na cozinha mediterrânica as
folhas de louro são omnipresentes para aromatizar guisados, refogados e sopas.
§ Uma ou duas folhas
adicionadas às batatas cozidas, às sopas, além de aumentar o sabor - muitas
sopas podem ser “salvas” adicionando nos minutos finais uma folha de louro -,
ajudam a prevenir gases e indigestões.
§ As folhas do louro devem ser
usadas com moderação – a sua ingestão em quantidade é tóxica e podem causar
dermatites de contacto em pessoas mais sensíveis.
§ Há quem recomende que não
devemos utilizar a nervura central das folhas nos preparados culinários.
OUTRAS
UTILIZAÇÕES
§ A cataplasma de folhas sobre
o peito melhora a bronquite e a tosse.
§ “Manteiga de loureiro” –
pasta feita do óleo extraído das bagas negras. Utilizado em fricções em pessoas
e animais, abrandam as dores musculares. Entra também em fórmulas
dermatológicas para a micose, psoríase e pediculose.
§ “Sabão de Alepo” – famoso
sabão da cidade Alepo do Norte da Síria, destroçada pela guerra, era
tradicionalmente fabricado com óleo das “azeitonas” do loureiro.
§ Na topiária – arte de fazer
esculturas e formas artísticas com plantas na terra.
§ Ideal para fazer sebes,
utilizadas na divisão de propriedades ou espaços, com a vantagem do seu odor
repelir os insectos predadores.
§ A madeira do loureiro é
duríssima e pode ser utilizada nos trabalhos de entalhar em marcenaria.
RECEITA –
Chá de louro (da
“Science Alert”)
§ Deitar 1 chávena de água
fervente sobre 3g de folhas de louro
§ Deixar em infusão 10 a 15
minutos
§ Beber em jejum diariamente –
interromper por 1 semana ao fim de 20 dias
BIBLIOGRAFIA
§ “As plantas nossas irmãs”,
Volume 2 – Miguel Boieiro
§ “Ecodieta” – Drª Clara
Castellotti
§ “Revitaliza-te!” – Dr. Jorge Pérez Calvo


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