Friday, March 20, 2026

 

A MEDICINA MACROBIÓTICA

A medicina macrobiótica representa apenas uma pequena parte da arte de viver macrobiótica. No entanto, é a mais conhecida e a mais mediática, porque os resultados — bem-estar, melhoria ou cura — são frequentemente espectaculares. Em que é que ela difere das outras medicinas: alopáticas, alternativas, homeopáticas ou da medicina tradicional chinesa? O que é fundamentalmente diferente é que se trata, antes de mais, de uma abordagem em conformidade com as leis dialécticas da ordem do Universo.

É uma medicina preventiva que não considera a doença como um inimigo a combater, mas como uma ruptura, em primeiro lugar, de um equilíbrio (Sódio-Potássio, Yin-Yang, Positivo-Negativo, etc.). No âmbito da medicina macrobiótica, cada pessoa assume a responsabilidade por si própria, em vez de se entregar a outra pessoa. É uma medicina do corpo como um todo.

A doença é considerada como um aviso, como um sinal amistoso. A medicina macrobiótica incentiva a auto-reflexão. Estimula a consciência de si próprio e o autocontrolo. É uma medicina de liberdade. Todas as outras medicinas são medicinas de dependência. É o próprio doente que deve tratar-se e curar-se, sendo totalmente responsável por si, sem depender de qualquer médico nem ter de pedir conselhos a quem quer que seja.

A cura macrobiótica começa, portanto, pela auto-reflexão. Mas esta não deve dizer respeito apenas à doença. É necessário também questionar todas as atitudes, a forma de pensar, de comer, de viver. É preciso pôr tudo em causa. A auto-reflexão é, assim, o princípio base da medicina macrobiótica. O auto-diagnóstico é a sua ferramenta prática. O doente deve descobrir por si próprio a causa da sua doença.

— Onde se encontra essa causa?
— Será um problema de alimentação?
— De comportamento, de atitude perante os outros?
— Quem é o responsável?

Rapidamente irá descobrir que ele próprio é responsável pela sua doença. Depois de descoberta a causa, é necessário proceder a uma verdadeira revolução, a uma mudança total da sua vida, dos seus comportamentos, das suas relações humanas, etc. Mas a primeira mudança deve ser de ordem alimentar.

A medicina natural macrobiótica é, antes de mais, uma medicina alimentar regeneradora que recorre ao bom senso e à lógica. Está em concordância com os princípios que regem as forças vitais da Natureza e tende para a unificação, em vez da separação.

Como tudo, a cura através da medicina macrobiótica tem um preço. Não um preço em dinheiro, mas um custo em termos de compromisso pessoal. Quanto mais forte e total for esse compromisso, maiores são as probabilidades de cura. Depois de se convencer, através de uma intensa introspecção, de que é o único responsável pelas suas doenças e pelos seus infortúnios, resta definir as diferentes fases das mudanças a introduzir na sua vida.

A primeira é, naturalmente, estudar todos os ramos que compõem esta arte de viver. É a única forma de se libertar de todas as influências exteriores, sejam elas políticas, religiosas ou médicas, e assim dirigir a sua vida com total independência.

Simultaneamente, pode começar a sua revolução biológica, isto é, modificar a sua alimentação e a relação que mantém com a comida. Pouco a pouco, esta nova alimentação influenciará os seus comportamentos e uma visão de um mundo unificado e universal impor-se-á naturalmente.

Uma saúde recuperada, uma vida plena e longa, uma confiança inabalável resultante do desaparecimento de medos ancestrais profundos são o resultado desta revolução interior.

Gérard le Wenk, conselheiro em macrobiótica.

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