Saturday, March 21, 2026

O MITO DO CÁLCIO

DRª Elena Corrales
https://www.elenacorrales.com/blogelenacorrales/el-mito-del-calcio/

RESUMO

A ideia de que precisamos de consumir muito cálcio para ter ossos fortes pode não ser totalmente verdadeira. Estudos indicam que não existe uma relação direta entre a quantidade de cálcio ingerida e a densidade dos ossos.

Como é o exemplo de povos que consomem muito cálcio e têm muita osteoporose, enquanto outros consomem pouc e não têm esse problema.

Não importa só a quantidade de cálcio nos alimentos, mas sim quanto o corpo consegue absorver. Para o cálcio ser bem assimilado, deve existir uma proporção adequada com o fósforo (o ideal é haver o dobro de cálcio em relação ao fósforo). Se houver fósforo a mais, a absorção do cálcio pode ser prejudicada e parte dele é eliminada pelo intestino.

Ou seja, o mais importante não é só consumir cálcio, mas conseguir absorvê-lo corretamente.

A melhor forma real de fortalecer os ossos é:

·       Fazer exercício físico (é provavelmente o mais importante) - os ossos ficam mais fortes quando são “estimulados” pelo peso e impacto. O exercício aumenta a formação óssea e reduz a perda de massa óssea, mesmo em adultos e idosos.

·       Ter níveis adequados de vitamina D - a vitamina D ajuda o corpo a absorver o cálcio.

·       Consumir cálcio suficiente (mas não exagerar)

·       Comer proteína suficiente

·       Manter peso saudável e massa muscular

Isto é= mexer o corpo + sol/vitamina D + cálcio suficiente + proteína + estilo de vida saudável. Isto tem muito mais impacto do que nos focarmos apenas num alimento ou suplemento.

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A crença de que consumimos pouco cálcio está tão difundida que se tende a enriquecer numerosos alimentos com este mineral.

Mas o que há de verdade neste assunto? Segundo as investigações mais recentes, não existe relação entre o aporte de cálcio na dieta e a densidade óssea. Os povos esquimós têm os maiores índices de osteoporose do mundo e consomem cerca de 2.500 miligramas de cálcio por dia; no entanto, os povos bantus da África do Sul não conhecem a osteoporose e consomem entre 200 e 350 miligramas de cálcio por dia.

Para ter uma referência dos dados apresentados, estima-se que, nos adultos, para ter ossos saudáveis o aporte diário deve situar-se entre 800 e 1.000 miligramas.

Como, em alguns casos, a deficiência de cálcio pode dever-se a uma ingestão insuficiente, é interessante conhecer o conteúdo deste mineral nos alimentos. Existem numerosas tabelas de composição dos alimentos nas quais se observa que o leite de vaca não é propriamente o mais rico em cálcio.

Mas há uma questão importante que confirma o ditado: “não somos o que comemos, mas sim o que assimilamos”. Para que o cálcio de um alimento seja assimilado, deve estar numa proporção com o fósforo de dois para um. Ou seja, o alimento que favorece a calcificação deve ter o dobro de cálcio em relação ao fósforo: Ca/P = 2/1

Se o fósforo for demasiado abundante num alimento, interfere na absorção do cálcio porque favorece a formação de fosfatos de cálcio insolúveis, que muitas vezes acabam por ser eliminados por via intestinal sob a forma de fecalitos.

Tablas febrero-2

Relação Cálcio/Fósforo nos los alimentos

Podemos observar as diferentes relações cálcio/fósforo na tabela precedente para compreender a biodisponibilidade, ou seja, a eficiência na absorção.

Observamos que os produtos lácteos não são uma boa fonte de cálcio devido ao seu conteúdo excessivo em fósforo e, assim, compreender a origem dos fecalitos que observamos com frequência nas radiografias abdominais.

A ineficácia do leite (e derivados) como aporte de cálcio explica por que, apesar de ser o alimento mais consumido em casa, a osteoporose aumenta todos os dias e em pessoas cada vez mais jovens.

Por outro lado, se na fase da vida em que somos amamentados o nosso crescimento é máximo e nesse período o leite materno é o alimento ideal e exclusivo, devemos perguntar quanto cálcio contém o leite das mães. Surpreendentemente, o leite humano contém apenas 33 mg de Ca /100 ml, face ao leite de vaca que atinge 118 mg de Ca /100 ml.

Este dado leva-nos a refletir sobre por que razão oficialmente se toma como referência de alimento rico em cálcio na nossa dieta o leite de vaca, quando, em todo o caso, se deveria tomar como referência o leite humano.

Causas da deficiência de cálcio

  • carência no aporte
  • má absorção intestinal
  • eliminação renal excessiva
  • utilização do cálcio para neutralizar os ácidos do metabolismo

São alimentos descalcificantes:

  • o açúcar, álcool, café, cacau
  • alimentos refinados e desnaturalizados
  • alimentos desequilibrados na relação Na/K, como citrinos, tomate, etc.
  • excesso de proteínas na dieta, sobretudo de origem animal
  • tabaco
  • leite e derivados lácteos
  • aditivos alimentares como os fosfatos e bebidas gaseificadas, refrigerantes, etc.

O que fazer para evitar a deficiência de cálcio:

  • Manter bons hábitos alimentares desde a infância para atingir um bom “pico de massa óssea”, evitando principalmente os alimentos descalcificantes
  • Praticar exercício físico para manter um bom equilíbrio entre os osteoblastos, responsáveis pela formação óssea, e os osteoclastos, responsáveis pela reabsorção
  • Apanhar sol com bom senso para ter bons níveis de vitamina D
  • Manter em bom estado as vias de eliminação, principalmente os rins

Conclusão

O problema do cálcio não é, portanto, consequência de uma falta de aporte na dieta, como muitas vezes se faz crer, mas sim de perdas resultantes de uma ingestão excessiva de alimentos descalcificantes.



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