Monday, April 6, 2026

 

O FÍGADO E A DEPRESSÃO

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Resumo (IA: https://chatgpt.com/)

O texto explica que o fígado tem um papel essencial no equilíbrio do organismo, ao processar nutrientes, filtrar toxinas e ajudar a manter estável o funcionamento do sistema nervoso. Quando funciona bem, contribui para a calma, equilíbrio emocional e clareza mental.

No entanto, se o fígado estiver sobrecarregado — devido a má alimentação, excesso de comida, alimentos refinados ou contaminados — pode deixar de cumprir corretamente as suas funções. Isso leva à acumulação de toxinas e a um desequilíbrio no fornecimento de nutrientes, afec«tando o sistema nervoso e podendo provocar sintomas como apatia, cansaço e depressão.

O texto sugere que uma alimentação equilibrada e a redução do stress sobre o fígado podem ajudar a melhorar estes sintomas. Além disso, destaca a ligação entre mente e digestão: preocupações excessivas e stress mental também prejudicam o fígado e o sistema digestivo, criando um ciclo de desequilíbrio físico e emocional.

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Texto

O fígado desempenha um papel importante como intermediário na manutenção da homeostase e do equilíbrio interno. Todos os nutrientes provenientes do trato intestinal (com exceção de uma grande proporção de gorduras) passam pelo fígado, onde são processados antes de serem libertados na corrente sanguínea. Se estiver a funcionar corretamente, consegue suavizar as variações da absorção e assegurar que o sangue é abastecido com um fluxo adequado de nutrientes. Isto, por sua vez, garante que as glândulas suprarrenais e o sistema nervoso não tenham de lidar com emergências internas criadas por excesso ou falta de determinados elementos. Assim, o fígado proporciona um meio interno estável no qual o sistema nervoso pode funcionar e, se cumprir bem a sua função, contribui significativamente para a capacidade de manter a equanimidade, a calma e a tranquilidade mental.

Naturalmente, tal como vimos anteriormente, o fígado faz mais do que isto. É também responsável por filtrar o sangue e eliminar resíduos, contaminantes ou toxinas que poderiam prejudicar as células do corpo ou interferir com as suas funções. Por exemplo, elimina pesticidas, inseticidas e outras substâncias tóxicas que podem ser absorvidas com os alimentos, bem como muitos metabolitos produzidos pelo próprio organismo.

Se o fígado não estiver a funcionar corretamente e falhar no desempenho das suas funções, muitos destes materiais tóxicos passam para o sangue e circulam pelo corpo. Isto pode causar sensação de peso, mal-estar e dor, bem como um fornecimento desregulado de nutrientes. Isto é particularmente relevante devido aos efeitos que pode ter sobre o sistema nervoso, podendo gerar sentimentos de apatia, letargia e, frequentemente, depressão.

De facto, alguns autores sugerem que uma das principais causas da depressão pode ser o mau funcionamento do fígado. Se se prestar a devida atenção à redução do stress hepático e se evitar sobrecarregá-lo, permitindo-lhe recuperar a sua capacidade natural, os sintomas depressivos podem diminuir.

O primeiro e mais importante passo é regular a alimentação para não obrigar o fígado a lidar com tudo o que o trato intestinal absorve e transporta através da veia porta. Quando existem grandes quantidades de nutrientes, como acontece com a sobrealimentação ou com o consumo de alimentos muito refinados que são absorvidos demasiado rapidamente — muitos deles inúteis e necessitando de eliminação — ou quando há grandes quantidades de químicos resultantes do consumo de alimentos contaminados com inseticidas, herbicidas ou outras substâncias, o trabalho do fígado pode duplicar, triplicar ou até quadruplicar. Nestas condições, não consegue regenerar-se e acaba inevitavelmente por se esgotar.

Comer em excesso faz com que o fígado trabalhe em demasia. Ao ficar sobrecarregado, começa a funcionar de forma deficiente e perde a sua capacidade de regular a nutrição. Consequentemente, a nossa capacidade de obter um fluxo constante de energia proveniente dos alimentos fica comprometida. Pode ocorrer, por vezes, um excesso de nutrientes com os quais o fígado não consegue lidar, entrando diretamente na corrente sanguínea; noutras alturas, entre refeições, há escassez, quando as reservas hepáticas não são suficientes para colmatar esse intervalo. O organismo passa então por fases de excesso e de carência. Além disso, permanece constantemente intoxicado por contaminantes internos que o fígado não elimina. Surge um sentimento de incerteza, como se não fosse possível “confiar no próprio fígado”. Emoções como irritabilidade e desconfiança podem manifestar-se no dia a dia e tornar-se traços da personalidade.

Uma pessoa com problemas hepáticos pode emagrecer devido à má absorção de proteínas, ou tornar-se obesa devido à absorção excessiva de açúcares, ou ainda apresentar uma combinação de ambas as situações, com músculos fracos e órgãos debilitados acompanhados por excesso de tecido adiposo. Pode comer em excesso ou comer demasiado pouco, alternando frequentemente entre estes extremos. Em ambos os casos, perde-se a ligação aos sinais internos que indicam quando é necessário comer e quando já é suficiente. A relação equilibrada entre mente e corpo, entre sinais fisiológicos e respostas do organismo, entre o trato intestinal e o fígado — responsáveis pelo fornecimento de energia e pelo equilíbrio mental — fica comprometida.

Fica assim claro que o fígado é um elo muito importante entre a alimentação e a mente, actuando como intermediário na interação entre ambas. De acordo com a medicina tradicional oriental, o fígado também é afectado pelas preocupações e pela “ruminação” mental. Nos termos da teoria ayurvédica, uma concentração excessiva de energia no campo intelectual leva ao abandono e à deficiência do plexo solar e do sistema digestivo. Uma pessoa saudável é capaz tanto de estar alerta e activa mentalmente como de relaxar e permitir que o corpo digira os alimentos e realize os processos de eliminação. Quando há rigidez e preocupação excessivas, a ativação das enzimas digestivas e o funcionamento harmonioso do eixo duodenal, juntamente com órgãos como o fígado e o pâncreas, diminuem e tornam-se desequilibrados. O fígado, sendo um dos principais elementos deste sistema, acaba por enfraquecer gradualmente.

Quando o “fogo digestivo” ou pitta está equilibrado, diz-se que a energia flui de forma constante a partir do plexo solar, proporcionando uma sensação de vitalidade e bem-estar. Quando este equilíbrio falha, os órgãos reguladores acessórios — que normalmente só actuariam em situações pontuais — passam a trabalhar em regime de emergência. As glândulas suprarrenais podem ser activadas, contribuindo frequentemente para estados de tensão e ansiedade crónica. A tiroide também pode ser envolvida, e quando se torna hiperactiva, surgem outras formas de nervosismo e exaustão.

© Artigo traduzido por Agnès Pérez de

«Diet and Nutrition» (Rudolph Ballentine).

 

 

 

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