O CEREAL DA PRIMAVERA E DO FÍGADO:
A CEVADA
Clara Castellotti
resumo:
A cevada é um cereal antigo,
leve e desintoxicante, especialmente associado à primavera e à saúde do fígado.
Ajuda a reduzir o colesterol, regula o açúcar no sangue, promove a saciedade
(sendo útil em dietas de emagrecimento) e pode contribuir para a prevenção de
doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de cancro.
É rica em fibras, vitaminas
do grupo B e minerais essenciais, tendo também propriedades anti-inflamatórias,
digestivas e remineralizantes. Pode beneficiar problemas como gastrite,
obstipação, afeções respiratórias e fraqueza geral.
Apesar dos seus benefícios, contém glúten (em menor
quantidade), sendo inadequada para celíacos. Deve ser demolhada antes de
cozinhar e tem um tempo de cozedura relativamente longo.
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texto
Depura o fígado e favorece a
drenagem hepática: é o cereal mais refrescante e desintoxicante; a sua energia
é leve e ascendente, por isso na Medicina Tradicional Chinesa (MTC) está
associada ao sistema fígado/vesícula biliar e à primavera.
A cevada é um dos cereais mais
antigos; segundo os historiadores, é o antepassado de muitos cereais modernos.
Os dados disponíveis indicam que no Oriente já se consumia cevada selvagem há
cerca de 60.000 anos. Recentemente foi descoberta na cevada uma substância, o
“tocotrienol”, capaz de inibir a formação de colesterol mau no fígado.
Estimula a produção de leite
materno e contém fitoestrogénios (lignanos) com propriedades preventivas face a
certos tumores, como o da mama.
Segundo a FDA, as fibras
solúveis presentes na cevada, os beta-glucanos, reduzem o risco de doenças
coronárias, o colesterol e o risco de diabetes tipo 2, enquanto as fibras
insolúveis ajudam a prevenir o cancro do cólon.
Mantém a sensação de saciedade
durante muito tempo, sendo indicada em dietas de emagrecimento.
No Ayurveda, está indicada para
equilibrar os doshas Pitta e Kapha, cujo excesso provoca, respetivamente,
perturbações do fígado e acumulação de muco no sistema respiratório.
Originária da Ásia e de África,
foi utilizada pelos egípcios, gregos e romanos, mas por ser pobre em glúten e,
portanto, pouco adequada à panificação, perdeu importância com a chegada do
trigo à alimentação humana.
Muito energética e nutritiva,
era o alimento base dos gladiadores, a quem se chamava “Hordearii”, ou seja,
“comedores de cevada”.
Mantém a sensação de saciedade
durante muito tempo, sendo indicada em dietas de emagrecimento.
Destaca-se pelo seu conteúdo em
fibra e minerais como cálcio, fósforo, ferro, potássio e magnésio, bem como
vitaminas do grupo B (B1, B2, B3, B5, B6) e vitamina PP. Uma chávena de cevada
cozida fornece cerca de 37% das necessidades diárias de ferro, mais de 100% da
fibra recomendada, 61% de magnésio, 24% de zinco, 46% de cobre, 90% de manganês
e até 70% de selénio, sendo um cereal muito indicado para retardar os sinais de
envelhecimento e prevenir tumores.
É rica em propriedades
curativas: remineraliza os ossos, previne afeções pulmonares e cardiovasculares
e, devido à sua ação anti-inflamatória (contém mucilagem que suaviza as
mucosas), é particularmente indicada em casos de gastrite, colite e cistite.
Emoliente e refrescante, a
cevada é útil em casos de obstipação, regula as funções respiratórias e melhora
afeções bronquiais e estados febris.
É um tónico geral e nervoso,
reconstituinte e muito energético. Por conter muito amido, é absorvida
lentamente, permitindo ao organismo aproveitar a sua energia de forma gradual;
assim, ajuda a estabilizar os níveis de açúcar no sangue, sendo útil em casos
de diabetes, hipoglicemia, tonturas por falta de açúcar, fraqueza, etc. O seu
índice glicémico é 35, sendo considerado baixo.
Devido à sua forte ação
anti-inflamatória, a água de cozedura da cevada pode ser usada externamente na
pele irritada, nos olhos inflamados ou em gargarejos em caso de dor de
garganta, entre outros.
Remédio já utilizado por
Hipócrates, sendo ainda hoje conhecida a decocção de cevada como “tisana de
Hipócrates”.
Na primavera, pode ser benéfico
fazer cerca de dez dias de dieta n.º 7 à base de cevada.
Contém glúten, ainda que em
pequena quantidade (5–8%), sendo por isso proibida para celíacos.
COMO SE COZINHA
A cevada é um cereal duro, mais do que o arroz.
Deve ser
demolhada durante a noite e, de preferência, cozinhada na panela de pressão
durante cerca de 1 hora. Em alternativa, pode cozinhar-se meia hora na panela
de pressão e depois terminar a cozedura num tacho durante cerca de mais 1 hora.
Caso não tenha panela de pressão, pode ser cozinhada num tacho durante mais de
1 hora.
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