O que é a cozinha energética ou macrobiótica?
Agnès Pérez
resumo
A cozinha energética ou macrobiótica baseia-se na
criação de um equilíbrio harmonioso entre as diferentes energias dos alimentos,
considerando sabores, cores, formas e as necessidades de cada pessoa. O seu
princípio fundamental é o equilíbrio entre as forças yin (expansivas, refrescantes e relaxantes) e yang (contraentes, estimulantes e
aquecedoras).
Um alimento ou prato não é considerado macrobiótico
apenas pelas suas propriedades nutricionais, mas pela forma como os seus
ingredientes se complementam energeticamente. Por exemplo, alimentos mais yang,
como o shoyu, devem ser equilibrados com ingredientes mais yin, como ervas
aromáticas ou gengibre. Da mesma forma, preparações gordurosas podem ser
acompanhadas por ingredientes que ajudem a compensar esse excesso.
Um exemplo clássico de equilíbrio macrobiótico é o musubi (bolo de arroz com umeboshi envolto
em alga nori), que combina diferentes energias e sabores, resultando num
alimento completo e harmonioso.
Segundo
os ensinamentos de Michio Kushi,
para além de calorias, vitaminas e proteínas, é essencial considerar sempre o
equilíbrio energético yin/yang dos alimentos para promover a saúde e o
bem-estar.
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texto
O aspeto mais
importante da cozinha energética, ao compor uma refeição, é criar um equilíbrio
harmonioso entre todas as energias utilizadas. Isto inclui harmonizar os
sabores, as cores, as formas e adequar cada refeição à condição de quem a vai
consumir. Se compreendermos a cozinha desta forma, podemos concluir que é a
arte mais importante e refinada, mais desafiante do que a música, a pintura ou
a poesia.
As massas de trigo-sarraceno (soba), servidas sem
acompanhamento, não constituem um prato macrobiótico. Pelas suas propriedades,
estas massas podem trazer benefícios ao organismo, mas, por si só, não
representam uma refeição macrobiótica. Se forem servidas com caldo de shoyu
(molho de soja), continuam a não constituir um prato macrobiótico, porque não
existe polaridade suficiente nesta combinação. As massas de trigo-sarraceno com
shoyu fortalecem os rins, os órgãos sexuais e a bexiga, mas podem dificultar
outras funções, especialmente as do coração e do intestino delgado.
As massas de
trigo-sarraceno com shoyu necessitam de equilíbrio, porque ambos são yang e
possuem sabor salgado (contraem e ativam o organismo). A polaridade yin
(refrescante, expansiva e relaxante) pode ser introduzida através de um pouco
de cebolinho ou salsa picada por cima, ou, por vezes, com algumas gotas de
gengibre no caldo. Estes ingredientes são yin e conferem um sabor picante.
Assim, este prato de massas servido com uma guarnição picante torna-se uma
preparação macrobiótica.
Ao preparar ou
servir tofu, que é yin, utiliza-se shoyu, que é yang. Contudo, também se
acrescenta um pouco de gengibre, cujo sabor picante ajuda a equilibrar a forte
salinidade do shoyu.
Ao comer
tempura, uma preparação muito gordurosa (yin e ligeiramente amarga), esta é
servida com rabanete ralado (yin, picante e com capacidade para dissolver a
gordura).
Um exemplo simples, mas notável, de uma
preparação macrobiótica equilibrada é a bola de arroz, ou musubi (onigiri), que
contém um pedaço de umeboshi no centro. A sua forma é triangular e encontra-se
envolvida por alga nori tostada. O arroz fornece uma energia do tipo metal
(outono) e um sabor doce. A umeboshi apresenta um sabor ácido
(madeira/primavera), a energia estival das folhas de shiso com que fermenta e o
sabor salgado adquirido durante o processo de conservação. A alga nori fornece
uma energia mais leve e flutuante, bem como um ligeiro sabor amargo.
Esta
combinação prática resulta num alimento particularmente equilibrado.
Consequentemente, é possível alimentar-se apenas de bolas de arroz durante
vários dias sem sentir cansaço nem apresentar problemas; pelo contrário, pode
ajudar a restabelecer o equilíbrio do organismo.
Para além das
propriedades nutricionais dos alimentos, como calorias, vitaminas, proteínas,
entre outras, é sempre necessário considerar o equilíbrio yin/yang.
Ensinamentos
de Michio Kushi.
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