Mudar a nossa alimentação
segundo o Yin e o Yang
Agnès Pérez
resumo
O texto defende que a alimentação deve adaptar-se
às necessidades de cada pessoa e às diferentes fases da vida, seguindo o
princípio do equilíbrio entre yin e yang. Como tudo está em constante
mudança, não existe uma dieta universalmente melhor do que as outras; a escolha
alimentar deve depender da condição física, energética e pessoal de cada
indivíduo.
A autora considera que diferentes correntes
alimentares (mediterrânica, vegetariana, macrobiótica, crudívora, paleo, entre
outras) podem ser adequadas em momentos distintos. Por isso, alerta contra
posturas rígidas ou dogmáticas em relação à alimentação.
Segundo a perspetiva apresentada, cada alimento
possui características energéticas próprias e pode produzir efeitos diferentes
consoante a pessoa e o seu estado de saúde. O objetivo é procurar um
equilíbrio:
- Se houver excesso de yin (por
exemplo, devido a muitos alimentos crus, açúcar, álcool ou uma dieta
demasiado restritiva), recomenda-se consumir alimentos mais quentes,
cozinhados e nutritivos.
- Se houver excesso de yang (por
exemplo, devido ao consumo excessivo de carne, enchidos, sal ou uma
alimentação muito contraída), aconselha-se uma alimentação mais leve, com
mais vegetais crus, fruta e alimentos refrescantes.
O texto também enfatiza a importância de
desenvolver a consciência corporal e a intuição através da observação dos
efeitos dos alimentos no organismo. Defende que uma alimentação saudável não
depende apenas da escolha dos alimentos, mas também de fatores como o estilo de
vida, as emoções, as crenças e a atitude perante a comida.
Ideia central: a alimentação
deve ser flexível, consciente e adaptada às necessidades individuais,
procurando sempre o equilíbrio entre as tendências yin e yang para promover
saúde e bem-estar.
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texto
“TUDO MUDA”
Todas as manifestações do Universo estão em
constante mudança, e resistir às mudanças que a vida naturalmente nos traz
conduz à estagnação e, por vezes, à doença.
Porque a mudança é natural e cada pessoa se
encontra num determinado ponto da espiral do seu processo pessoal, a nutrição
apresenta um vasto leque de correntes alimentares, como a dieta mediterrânica,
o vegetarianismo, a macrobiótica, o crudivorismo, o higienismo, a dieta paleo,
entre muitas outras, adequadas a cada condição e momento da vida durante um
determinado período de tempo.
Esta é uma das razões pelas quais é positivo não
idolatrar uma dieta específica nem adoptar uma postura rígida acerca do que é
melhor, pois o melhor é aquilo que nos convém em cada momento para evoluir e
caminhar em direcção ao pleno desenvolvimento do nosso potencial humano.
É possível que as pessoas que seguem processos
mais puristas, sejam eles veganos, crudívoros ou macrobióticos, se sintam
incomodadas pela presença de certos alimentos proibidos pela sua dieta,
ideologia, crenças ou contrários às suas necessidades pessoais em determinados
sítios ou blogues. A este respeito, considero que aquilo que faz bem a uma
pessoa numa determinada fase da sua vida pode não fazer tão bem a outra. Na
verdade, não acredito que exista uma corrente alimentar que seja “a melhor”,
nem nas dietas milagrosas nem nas que prometem a cura, pois na recuperação da
saúde intervêm numerosos factores para além da alimentação (que é muito
importante, sim, mas insuficiente na maioria dos casos). Isto não significa que
os alimentos não possuam propriedades benéficas ou “medicinais”. Também não
significa que não seja necessário ser rigoroso em determinados momentos para
alcançar um objectivo específico de saúde ou de desenvolvimento pessoal.
Não existem alimentos naturais e biológicos
nocivos, mas cada alimento produz efeitos diferentes em cada pessoa, dependendo
do seu estado de saúde e da forma como é combinado com outros alimentos.
Assim, os tomates, na dieta mediterrânica,
fornecem vitamina C, refrescam (acalmando e limpando o excesso de calor no
fígado), são saborosos e podem ser um ingrediente adequado para reduzir
acumulações de gordura corporal em pessoas que não tenham problemas ósseos
(sabe-se que as suas folhas são tóxicas e podem provocar artrite, e que os
frutos podem contribuir para a rigidez das articulações e músculos), doenças
degenerativas, tendência para formar calcificações (depósitos de cálcio em
órgãos, artérias, etc.) ou problemas de acidez. Tal como acontece com os
tomates, os restantes alimentos não processados possuem características
próprias, recomendáveis ou não, consoante a pessoa e o momento.
Na minha
opinião, nada é imutável nem igual para toda a vida. O que leva uma pessoa a
optar por uma determinada dieta num certo momento depende da sua condição ou
estado energético. Assim, as pessoas muito yin procurarão tornar-se mais yang,
enquanto as pessoas muito yang sentirão necessidade de se tornar mais yin.
“O tipo
correcto de alimentação é aquele que nos permite alcançar o nosso máximo
potencial de saúde, sendo tão saudáveis quanto os nossos genes e constituição o
permitem. Ajudar-nos-á a ser o melhor que podemos ser; não impedirá o nosso
desenvolvimento, mas também não nos transformará em algo além do que podemos
ser. O tipo errado de alimentação actuará como uma barreira, desviando o
crescimento e frustrando o desenvolvimento. Por outras palavras, contribuirá
activamente para criar problemas e tornar-nos mais vulneráveis à doença.”
Ao efectuar
mudanças na alimentação, devemos ter consciência de que, dentro de qualquer
corrente alimentar, também existirão mudanças e reajustes periódicos na forma
de comer, à medida que as nossas circunstâncias pessoais e a nossa condição se
transformam. Perante qualquer mal-estar ou doença, é positivo questionar quais
os reajustes e mudanças a efectuar no estilo de vida, nos pensamentos, crenças,
atitudes e, naturalmente, na alimentação e nas práticas físicas.
Para que dieta
mudar?
1. Se estiver
demasiado yin
1.1 – Devido ao excesso de alimentos crus ou
sumos:
Yangize-se com cereais integrais, leguminosas e
vegetais. Tome sopa de miso.
1.2 – Devido ao consumo de açúcar refinado,
álcool ou drogas:
Yangize-se consumindo muitos vegetais, alguns cereais, leguminosas e
proteínas. Evite o excesso de sal. Tome um pouco de umeboshi.
1.3 – Se segue uma dieta vegana estrita há muito tempo e se sente
cansado(a) ou com pouca vitalidade:
Introduza algum peixe na alimentação e consuma
mais alimentos salteados.
1.4 – Se segue uma dieta crudívora e sente frio e fraqueza:
Faça amizade
com o fogão e comece a consumir guisados com leguminosas ou seitan, comida
“como a da mãe” (substancial e nutritiva).
2. Se estiver demasiado yang
2.1 – Devido ao consumo excessivo de carne, ovos ou enchidos:
Adopte uma alimentação vegetariana ou vegana.
2.2 – Devido a uma dieta macrobiótica muito estrita (contractiva), com
excesso de sal ou gordura:
Yinize-se com saladas, alguns sumos, mais fruta crua e promova a
flexibilidade através de exercício físico suave e recreativo.
Como
desenvolver a intuição que nos orienta nas mudanças
Informar-se sobre nutrição, compreendendo a
energética dos alimentos, e observar os seus efeitos no próprio organismo é um
primeiro passo. Qualquer pessoa consegue perceber se algo lhe faz bem ou mal.
Quanto mais natural e integral for aquilo que
comemos, menor será a necessidade de recorrer a produtos artificiais. Quando o
organismo está limpo, basta provar algo com químicos, corantes ou outros
aditivos para o notarmos imediatamente e o rejeitarmos sem esforço. A nossa
vida tenderá então a orientar-se para ambientes livres de substâncias tóxicas.
Acima de tudo, é importante aprender a distinguir
aquilo de que realmente necessitamos dos simples desejos ou impulsos.
Observando os extremos para os quais nos sentimos atraídos, podemos compreender
melhor a nossa condição interna (contraída, tensa, rígida ou, pelo contrário,
dispersa, permissiva, com pouca força de vontade) e recorrer tanto à
alimentação como a outras ferramentas para restabelecer o equilíbrio.
Praticar a observação não é difícil. Basta
reservar um momento por dia (ou vários pequenos momentos ao longo do dia) para
nos sentarmos e sentirmos o nosso estado. Podemos então perguntar-nos: “Será
isto adequado para mim neste momento?” A resposta surge, clara e directa.
Assumir a responsabilidade pela própria
alimentação, cozinhar pelo menos uma vez por dia e, acima de tudo, comer com
prazer, satisfação e sem sentimentos de culpa é fundamental. Se não existir
liberdade de escolha, flexibilidade mental e serenidade emocional à hora das
refeições, pouco adianta consumir alimentos puros e biológicos, pois a rigidez,
o medo e a culpa são altamente tóxicos.
Bom apetite!
© Artigo
escrito por Agnès Pérez.
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