Friday, June 5, 2026

 

Mudar a nossa alimentação

segundo o Yin e o Yang

Agnès Pérez

resumo

O texto defende que a alimentação deve adaptar-se às necessidades de cada pessoa e às diferentes fases da vida, seguindo o princípio do equilíbrio entre yin e yang. Como tudo está em constante mudança, não existe uma dieta universalmente melhor do que as outras; a escolha alimentar deve depender da condição física, energética e pessoal de cada indivíduo.

A autora considera que diferentes correntes alimentares (mediterrânica, vegetariana, macrobiótica, crudívora, paleo, entre outras) podem ser adequadas em momentos distintos. Por isso, alerta contra posturas rígidas ou dogmáticas em relação à alimentação.

Segundo a perspetiva apresentada, cada alimento possui características energéticas próprias e pode produzir efeitos diferentes consoante a pessoa e o seu estado de saúde. O objetivo é procurar um equilíbrio:

  • Se houver excesso de yin (por exemplo, devido a muitos alimentos crus, açúcar, álcool ou uma dieta demasiado restritiva), recomenda-se consumir alimentos mais quentes, cozinhados e nutritivos.
  • Se houver excesso de yang (por exemplo, devido ao consumo excessivo de carne, enchidos, sal ou uma alimentação muito contraída), aconselha-se uma alimentação mais leve, com mais vegetais crus, fruta e alimentos refrescantes.

O texto também enfatiza a importância de desenvolver a consciência corporal e a intuição através da observação dos efeitos dos alimentos no organismo. Defende que uma alimentação saudável não depende apenas da escolha dos alimentos, mas também de fatores como o estilo de vida, as emoções, as crenças e a atitude perante a comida.

Ideia central: a alimentação deve ser flexível, consciente e adaptada às necessidades individuais, procurando sempre o equilíbrio entre as tendências yin e yang para promover saúde e bem-estar.

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texto

“TUDO MUDA”

Todas as manifestações do Universo estão em constante mudança, e resistir às mudanças que a vida naturalmente nos traz conduz à estagnação e, por vezes, à doença.

Porque a mudança é natural e cada pessoa se encontra num determinado ponto da espiral do seu processo pessoal, a nutrição apresenta um vasto leque de correntes alimentares, como a dieta mediterrânica, o vegetarianismo, a macrobiótica, o crudivorismo, o higienismo, a dieta paleo, entre muitas outras, adequadas a cada condição e momento da vida durante um determinado período de tempo.

Esta é uma das razões pelas quais é positivo não idolatrar uma dieta específica nem adoptar uma postura rígida acerca do que é melhor, pois o melhor é aquilo que nos convém em cada momento para evoluir e caminhar em direcção ao pleno desenvolvimento do nosso potencial humano.

É possível que as pessoas que seguem processos mais puristas, sejam eles veganos, crudívoros ou macrobióticos, se sintam incomodadas pela presença de certos alimentos proibidos pela sua dieta, ideologia, crenças ou contrários às suas necessidades pessoais em determinados sítios ou blogues. A este respeito, considero que aquilo que faz bem a uma pessoa numa determinada fase da sua vida pode não fazer tão bem a outra. Na verdade, não acredito que exista uma corrente alimentar que seja “a melhor”, nem nas dietas milagrosas nem nas que prometem a cura, pois na recuperação da saúde intervêm numerosos factores para além da alimentação (que é muito importante, sim, mas insuficiente na maioria dos casos). Isto não significa que os alimentos não possuam propriedades benéficas ou “medicinais”. Também não significa que não seja necessário ser rigoroso em determinados momentos para alcançar um objectivo específico de saúde ou de desenvolvimento pessoal.

Não existem alimentos naturais e biológicos nocivos, mas cada alimento produz efeitos diferentes em cada pessoa, dependendo do seu estado de saúde e da forma como é combinado com outros alimentos.

Assim, os tomates, na dieta mediterrânica, fornecem vitamina C, refrescam (acalmando e limpando o excesso de calor no fígado), são saborosos e podem ser um ingrediente adequado para reduzir acumulações de gordura corporal em pessoas que não tenham problemas ósseos (sabe-se que as suas folhas são tóxicas e podem provocar artrite, e que os frutos podem contribuir para a rigidez das articulações e músculos), doenças degenerativas, tendência para formar calcificações (depósitos de cálcio em órgãos, artérias, etc.) ou problemas de acidez. Tal como acontece com os tomates, os restantes alimentos não processados possuem características próprias, recomendáveis ou não, consoante a pessoa e o momento.

Na minha opinião, nada é imutável nem igual para toda a vida. O que leva uma pessoa a optar por uma determinada dieta num certo momento depende da sua condição ou estado energético. Assim, as pessoas muito yin procurarão tornar-se mais yang, enquanto as pessoas muito yang sentirão necessidade de se tornar mais yin.

“O tipo correcto de alimentação é aquele que nos permite alcançar o nosso máximo potencial de saúde, sendo tão saudáveis quanto os nossos genes e constituição o permitem. Ajudar-nos-á a ser o melhor que podemos ser; não impedirá o nosso desenvolvimento, mas também não nos transformará em algo além do que podemos ser. O tipo errado de alimentação actuará como uma barreira, desviando o crescimento e frustrando o desenvolvimento. Por outras palavras, contribuirá activamente para criar problemas e tornar-nos mais vulneráveis à doença.”

Ao efectuar mudanças na alimentação, devemos ter consciência de que, dentro de qualquer corrente alimentar, também existirão mudanças e reajustes periódicos na forma de comer, à medida que as nossas circunstâncias pessoais e a nossa condição se transformam. Perante qualquer mal-estar ou doença, é positivo questionar quais os reajustes e mudanças a efectuar no estilo de vida, nos pensamentos, crenças, atitudes e, naturalmente, na alimentação e nas práticas físicas.

Para que dieta mudar?

1. Se estiver demasiado yin

1.1 – Devido ao excesso de alimentos crus ou sumos:

Yangize-se com cereais integrais, leguminosas e vegetais. Tome sopa de miso.

1.2 – Devido ao consumo de açúcar refinado, álcool ou drogas:

Yangize-se consumindo muitos vegetais, alguns cereais, leguminosas e proteínas. Evite o excesso de sal. Tome um pouco de umeboshi.

1.3 – Se segue uma dieta vegana estrita há muito tempo e se sente cansado(a) ou com pouca vitalidade:

Introduza algum peixe na alimentação e consuma mais alimentos salteados.

1.4 – Se segue uma dieta crudívora e sente frio e fraqueza:

Faça amizade com o fogão e comece a consumir guisados com leguminosas ou seitan, comida “como a da mãe” (substancial e nutritiva).

2. Se estiver demasiado yang

2.1 – Devido ao consumo excessivo de carne, ovos ou enchidos:

Adopte uma alimentação vegetariana ou vegana.

2.2 – Devido a uma dieta macrobiótica muito estrita (contractiva), com excesso de sal ou gordura:

Yinize-se com saladas, alguns sumos, mais fruta crua e promova a flexibilidade através de exercício físico suave e recreativo.

Como desenvolver a intuição que nos orienta nas mudanças

Informar-se sobre nutrição, compreendendo a energética dos alimentos, e observar os seus efeitos no próprio organismo é um primeiro passo. Qualquer pessoa consegue perceber se algo lhe faz bem ou mal.

Quanto mais natural e integral for aquilo que comemos, menor será a necessidade de recorrer a produtos artificiais. Quando o organismo está limpo, basta provar algo com químicos, corantes ou outros aditivos para o notarmos imediatamente e o rejeitarmos sem esforço. A nossa vida tenderá então a orientar-se para ambientes livres de substâncias tóxicas.

Acima de tudo, é importante aprender a distinguir aquilo de que realmente necessitamos dos simples desejos ou impulsos. Observando os extremos para os quais nos sentimos atraídos, podemos compreender melhor a nossa condição interna (contraída, tensa, rígida ou, pelo contrário, dispersa, permissiva, com pouca força de vontade) e recorrer tanto à alimentação como a outras ferramentas para restabelecer o equilíbrio.

Praticar a observação não é difícil. Basta reservar um momento por dia (ou vários pequenos momentos ao longo do dia) para nos sentarmos e sentirmos o nosso estado. Podemos então perguntar-nos: “Será isto adequado para mim neste momento?” A resposta surge, clara e directa.

Assumir a responsabilidade pela própria alimentação, cozinhar pelo menos uma vez por dia e, acima de tudo, comer com prazer, satisfação e sem sentimentos de culpa é fundamental. Se não existir liberdade de escolha, flexibilidade mental e serenidade emocional à hora das refeições, pouco adianta consumir alimentos puros e biológicos, pois a rigidez, o medo e a culpa são altamente tóxicos.

Bom apetite!

© Artigo escrito por Agnès Pérez.

 

 

 

 

 

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