VIVERE PAVRO
Gérard Wenker
resumo
O texto defende o princípio de “vivere pavro”, que significa viver de
forma simples, apenas com o essencial e sem excessos, como base para a saúde e
o equilíbrio.
Apresenta a macrobiótica como mais do que um estilo
de vida individual: uma escolha global e até política, que implica
responsabilidade pessoal, sobretudo em relação à saúde, e uma rutura com os
valores da sociedade moderna (consumismo, excesso, rapidez, materialismo).
Sublinha que não se pode adotar apenas parte dessa
filosofia — é preciso compromisso total. Defende valores como simplicidade,
ausência de desperdício, produção local e artesanal, respeito pela natureza,
responsabilidade individual e uma forma de viver mais consciente e equilibrada.
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texto
Algumas
precisões sobre o «VIVERE PAVRO» e os Princípios.
“Se
não tiveres a vontade de viver de forma simples e com pouco, segundo o adágio
«vivere parvo», que é a chave da saúde, não podes nem deves curar-te.”
“Vivere
pavro” significa estar desapegado de tudo o que não é absolutamente e
imediatamente necessário.
“Vivere
pavro” não significa privar-se, mas viver apenas com o necessário. Cada um
segundo as suas próprias necessidades, sem desperdício.
Os princípios antes das personalidades são a única
forma de fazer avançar as ideias sem polémicas, e os princípios recomendados
pela macrobiótica são claros — basta aplicá-los.
Mas se aceitamos a face, temos também de aceitar o
reverso; é perigoso adotar apenas a face da macrobiótica enquanto se pretende
conservar as numerosas vantagens da sociedade.
Um pé de cada lado de uma falha que se alarga cada
vez mais: um dia, a escolha torna-se cada vez mais dramática; é preciso
decidir, caso contrário cai-se no abismo.
É
impossível enganar a macrobiótica; um dia é preciso pagar a conta. Toda a gente
passa pela caixa, sem excepção. Por isso, observemos com algum distanciamento
os acontecimentos a desenrolarem-se, sem criticar as pessoas, e concentremo-nos
exclusivamente no desenvolvimento da arte de viver macrobiótica e na criação de
uma nova sociedade.
A macrobiótica não é apenas uma escolha de vida
pessoal, mas também uma escolha política de sociedade. Deve ser uma verdadeira
revolução em todas as frentes, distinguindo-se claramente, e não procurando
integrar-se, pois nesse caso perde a sua essência.
Todos os princípios em que a macrobiótica assenta
são totalmente antagónicos às práticas impostas pela sociedade moderna:
antibiótica, materialista, dualista, separatista, de desresponsabilização,
globalizada, do “sempre mais, mais rápido, mais longe, mais caro”, etc.
O primeiro desses princípios é a responsabilidade
total dos indivíduos perante a doença, a infelicidade, etc.
Tomar consciência de que é a alimentação que
influencia os nossos julgamentos.
Economia em vez de desperdício
Regionalização
Produção artesanal
Agricultura biológica
Proteger a Vida de todos os seres vivos sem excepção
Respeitar as leis da Ordem do Universo antes das leis dos homens
Dar em vez de tomar
Vencer sem combater
Procurar primeiro as dificuldades
“Quanto
maior a face, maior o reverso.”
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