Monday, June 8, 2026

 

Alimentação, nutrição, energia e

como aproveitar as circunstâncias que a vida nos traz

segundo a visão do Princípio Único

Agnès Pérez

resumo

O texto defende que a alimentação não influencia apenas o corpo físico, mas também o equilíbrio energético, emocional, mental e espiritºual da pessoa. Inspirando-se nos ensinamentos de Hipócrates e na filosofia macrobiótica, afirma que cada alimento produz efeitos diferentes no organismo, dependendo da constituição e da condição individual de cada pessoa.

A autora argumenta que a nutrição vai além da simples ingestão de alimentos, incluindo também a energia que recebemos do ambiente, das relações pessoais, dos pensamentos e das circunstâncias da vida. Segundo esta visão, crenças limitadoras, atitudes de vitimização e ambientes desfavoráveis podem afectar negativamente o bem-estar, mesmo quando a alimentação é saudável.

O texto destaca a importância da respiração consciente, da alimentação consciente e dos padrões de pensamento como pilares da evolução física, mental, emocional e espiritual. Defende ainda que alimentos mais naturais e menos processados, como o arroz integral, possuem maior vitalidade e energia do que alimentos refinados.

A compreensão do Princípio Único — baseado na complementaridade das energias yin e yang — é apresentada como uma ferramenta para compreender não só os efeitos dos alimentos, mas também as relações humanas, os acontecimentos da vida e os processos de crescimento pessoal. Segundo esta perspectiva, assumir a responsabilidade pela própria vida e procurar o equilíbrio conduz a uma maior consciência, bem-estar e evolução espiritual.

Em síntese, o texto propõe uma visão holística da saúde, onde alimentação, energia, ambiente, pensamentos e atitudes estão interligados e influenciam o desenvolvimento integral do ser humano.

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texto

Há mais de 2000 anos, Hipócrates escreveu: «Cada uma das substâncias da dieta de uma pessoa actua sobre o seu organismo e altera-o de alguma forma, e de todas essas alterações depende toda a sua vida, quer esteja saudável, doente ou em recuperação.»

Destas palavras deduz-se facilmente que não nos afecta da mesma forma comer uma taça de arroz integral ou beber um copo de vinho. Ambas as substâncias terão um efeito físico e bioquímico no nosso organismo, bem como um efeito energético diferente, variando estes efeitos consoante a pessoa que as consome, mesmo que seja na mesma quantidade.

O alimento físico é uma necessidade básica. Sem ele, o nosso organismo começaria um processo de depuração tão intenso que, após alguns meses sem comer, poderíamos até ser privados da maravilhosa experiência da vida. De facto, a alimentação é um tema que está sempre presente na nossa mente, talvez por instinto de sobrevivência. Existem também outros tipos de alimento, como o oxigénio e a energia. Podemos encontrar seres vivos que se alimentam apenas de energia, prana ou ki, embora, de forma subtil, todas as pessoas se nutram diariamente não só dos alimentos, mas também da energia vital ou cósmica, do ambiente social e familiar, dos próprios pensamentos conscientes e inconscientes, bem como dos pensamentos dos outros.

As projecções mentais ou crenças exercem uma grande influência sobre o nosso bem-estar. Por muito saudável e ecológica que seja a nossa alimentação, ou por mais rigorosamente que sigamos uma dieta macrobiótica padrão, se alimentarmos pensamentos ou crenças limitadoras, ou se não assumirmos a responsabilidade pelas situações difíceis que vivemos, reconhecendo-nos como participantes na sua origem, permaneceremos presos ao arquétipo da vítima ou aos nossos próprios limites auto-impostos. Pelo contrário, quando observamos aquilo que a vida nos apresenta e adoptamos uma postura responsável perante a nossa vida e os nossos actos, analisando os conflitos que surgem e comprometendo-nos com a vontade de superação, alimentamos uma espiral de movimento que atrai circunstâncias cada vez mais favoráveis.

O ambiente em que vivemos e trabalhamos, assim como o nosso círculo de amizades, também influencia o nosso nível de energia, a nossa saúde e a nossa forma de ser. Frequentemente chegam à consulta pessoas que há muito tempo «comem bem», mas que continuam sem se sentir verdadeiramente bem devido a influências energéticas externas. O estado energético das pessoas com quem convivemos — pais, filhos, companheiro ou companheira — influencia-nos. Esta influência é particularmente forte quando partilhamos diariamente o mesmo espaço e o mesmo descanso. Se a outra pessoa não cuida de si própria ou enfrenta dificuldades, e se não sabemos estabelecer limites saudáveis, o seu estado fragilizado pode afectar-nos energeticamente. Tenho contacto com muitas pessoas que vivem estas circunstâncias sem terem consciência disso. O local onde vivemos também desempenha um papel importante. O impacto energético de uma grande cidade é muito diferente daquele que sentimos numa aldeia ou numa zona rural.

Por isso, devemos reflectir sobre aquilo que realmente nos convém e escolher conscientemente os alimentos que compõem o nosso «menu» físico e energético. Ao fazê-lo, abrimos as portas a um profundo processo de tomada de consciência e de expansão dessa mesma consciência.

A respiração consciente, a alimentação consciente e os padrões de pensamento e comportamento — conscientes e inconscientes — constituem os pilares da nossa evolução física, mental, emocional e espiritual. Dependendo da forma como os escolhemos de acordo com as nossas necessidades, ou da forma como perpetuamos o seu consumo, podem conduzir-nos à evolução ou acelerar um processo de degradação.

Os alimentos que ingerimos e o ar que respiramos constroem-nos. Tornam-se parte das nossas células e do nosso sangue, fortalecem a nossa saúde individual e a do nosso ambiente mais próximo, influenciam a constituição dos nossos tecidos, órgãos e sistemas corporais. Quando desenvolvemos uma maior consciência e promovemos a nossa melhoria pessoal, estamos também a contribuir para uma maior consciência e melhoria a nível planetário e universal.

Não é a mesma coisa alimentar-se e nutrir-se

A alimentação é o processo através do qual ingerimos substâncias do meio externo e as incorporamos como substâncias próprias, satisfazendo assim as necessidades energéticas e materiais do nosso organismo.

A nutrição compreende o conjunto de processos através dos quais as diversas substâncias químicas contidas nos alimentos são incorporadas nos tecidos do organismo.

Podemos dizer que a nutrição começa onde termina a alimentação, embora vá muito além do alimento físico. O ser humano não é apenas um corpo físico. Isto é demonstrado pelas medicinas ancestrais, que descrevem tanto sistemas orgânicos como sistemas energéticos (ou diferentes corpos, envolturas ou koshas, como na medicina ayurvédica). Actualmente, como resultado do aumento da sensibilidade associado à mudança da consciência colectiva, são cada vez mais numerosas as pessoas que percebem vibrações subtis, quer através da visão (vendo a aura ou campo etérico, que também pode ser observado com a ajuda de uma câmara Kirlian), quer captando vibrações mentais (telepatia), ou sentindo, em maior ou menor grau, a energia vibracional de outras pessoas, de casas, de lugares naturais, entre outros.

Tudo isto sugere que a energia subtil coexiste com níveis mais tangíveis ou físicos da realidade.

A nutrição consiste no melhor aproveitamento possível dos nutrientes. Assim, os nutrientes fornecidos pelo arroz branco são diferentes dos fornecidos pelo arroz integral. O mesmo acontece com a energia. Uma prova de que o arroz integral é um alimento vivo é o facto de germinar quando é semeado, ao contrário do arroz branco.

Da mesma forma, um grão de arroz branco possui uma energia vibracional muito mais baixa do que um grão de arroz integral, pois foi descascado, fragmentado e refinado. Consequentemente, o efeito de cada tipo de arroz sobre o nosso campo etérico é diferente. É igualmente importante ter cuidado com cereais integrais de origem duvidosa ou pré-cozinhados e embalados a vácuo, que, segundo esta perspectiva, podem ter perdido parte da sua energia vibracional por permanecerem vários dias embalados e refrigerados. Estes alimentos pré-cozinhados não proporcionariam a mesma vitalidade, podendo contribuir para sensações de cansaço e falta de dinamismo.

Se queres aumentar a tua luz, come alimentos com luz própria! Coloca luz no teu prato!

Mas porque é que uma mesma substância, na mesma quantidade, afecta pessoas diferentes de forma distinta? A resposta é simples: porque cada pessoa possui uma constituição e uma condição diferentes. Tal como algumas pessoas toleram bem uma quantidade moderada de álcool, outras podem desenvolver alterações de comportamento ou problemas mentais ao consumir exactamente a mesma quantidade.

O estudo do Princípio Único, que se refere à interacção entre as duas energias opostas e complementares — yin e yang — ajuda a compreender de forma clara como somos afectados pelos alimentos que ingerimos, pelos diferentes métodos de confecção e pelas suas combinações.

Se conseguirmos observar todas as manifestações do Universo em termos de yin e yang, além de sabermos o que podemos comer e como cozinhar para contribuir para um maior equilíbrio pessoal ou familiar, tornamo-nos também melhores observadores da natureza humana. A compreensão do Princípio Único ajuda-nos a discernir porque atraímos ou repelimos determinadas circunstâncias. Por exemplo: porque atraímos um acidente ou uma doença? Em que tipo de energia vibrávamos quando isso aconteceu? Porque nos sentimos atraídos por determinadas pessoas? Será devido à compatibilidade e complementaridade energética, ao princípio segundo o qual o yin atrai o yang (e vice-versa), ou porque um grande yin atrai um pequeno yin e um grande yang atrai um pequeno yang? Porque surgem conflitos de personalidade entre duas pessoas? Será porque o yin repele o yin, o yang repele o yang ou um grande yin repele um grande yang? E porque deixamos, por vezes, de sentir atracção pela nossa parceira ou pelo nosso parceiro? Será porque estivemos demasiado tempo juntos e a polaridade energética desapareceu? Ou porque mudámos a nossa vibração pessoal e isso nos afastou?

George Ohsawa afirmava que a compreensão do Princípio Único nos pode aproximar do Juízo Supremo e da Liberdade Infinita, pois esta perspectiva energética permite-nos deixar de interpretar os fenómenos e as circunstâncias da vida a partir do ego, passando a observá-los a partir de uma consciência mais elevada, livre de julgamentos e marcada pela equanimidade.

Para alcançar essa compreensão, os primeiros passos devem centrar-se na melhoria da qualidade da nossa alimentação, ajustando a forma de cozinhar para melhorar a nossa condição, promovendo mudanças no estilo de vida que eliminem tudo aquilo que nos bloqueia ou impede a nossa evolução, estudando diversas fontes filosóficas e científicas e, sem esquecer o estudo de si próprio, entregando a vontade dual a uma vontade superior. Dessa forma, poderemos fluir mais harmoniosamente rumo à concretização dos nossos objectivos de vida e, talvez um dia, alcançar essa Liberdade Infinita — Kaivalya, em sânscrito — cujo significado é «unidade», consciência absoluta e libertação do karma ou das consequências das acções.

© Artigo escrito por Agnès Pérez.



 

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