Alimentação, nutrição, energia e
como aproveitar as circunstâncias
que a vida nos traz
segundo a visão do Princípio Único
Agnès Pérez
resumo
O texto defende que a alimentação não
influencia apenas o corpo físico, mas também o equilíbrio energético,
emocional, mental e espiritºual da pessoa. Inspirando-se nos ensinamentos de
Hipócrates e na filosofia macrobiótica, afirma que cada alimento produz efeitos
diferentes no organismo, dependendo da constituição e da condição individual de
cada pessoa.
A autora argumenta que a nutrição vai além da
simples ingestão de alimentos, incluindo também a energia que recebemos do
ambiente, das relações pessoais, dos pensamentos e das circunstâncias da vida.
Segundo esta visão, crenças limitadoras, atitudes de vitimização e ambientes
desfavoráveis podem afectar negativamente o bem-estar, mesmo quando a
alimentação é saudável.
O texto destaca a importância da respiração
consciente, da alimentação consciente e dos padrões de pensamento como pilares
da evolução física, mental, emocional e espiritual. Defende ainda que alimentos
mais naturais e menos processados, como o arroz integral, possuem maior
vitalidade e energia do que alimentos refinados.
A compreensão do Princípio Único —
baseado na complementaridade das energias yin e yang — é apresentada como uma
ferramenta para compreender não só os efeitos dos alimentos, mas também as
relações humanas, os acontecimentos da vida e os processos de crescimento
pessoal. Segundo esta perspectiva, assumir a responsabilidade pela própria vida
e procurar o equilíbrio conduz a uma maior consciência, bem-estar e evolução
espiritual.
Em síntese, o texto propõe uma visão holística
da saúde, onde alimentação, energia, ambiente, pensamentos e atitudes estão
interligados e influenciam o desenvolvimento integral do ser humano.
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texto
Há mais de
2000 anos, Hipócrates escreveu: «Cada uma das substâncias da dieta de uma
pessoa actua sobre o seu organismo e altera-o de alguma forma, e de todas essas
alterações depende toda a sua vida, quer esteja saudável, doente ou em
recuperação.»
Destas palavras deduz-se facilmente
que não nos afecta da mesma forma comer uma taça de arroz integral ou beber um
copo de vinho. Ambas as substâncias terão um efeito físico e bioquímico no
nosso organismo, bem como um efeito energético diferente, variando estes
efeitos consoante a pessoa que as consome, mesmo que seja na mesma quantidade.
O alimento
físico é uma necessidade básica. Sem ele, o nosso organismo começaria um
processo de depuração tão intenso que, após alguns meses sem comer, poderíamos
até ser privados da maravilhosa experiência da vida. De facto, a alimentação é
um tema que está sempre presente na nossa mente, talvez por instinto de
sobrevivência. Existem também outros tipos de alimento, como o oxigénio e a
energia. Podemos encontrar seres vivos que se alimentam apenas de energia,
prana ou ki, embora, de forma subtil, todas as pessoas se nutram diariamente
não só dos alimentos, mas também da energia vital ou cósmica, do ambiente
social e familiar, dos próprios pensamentos conscientes e inconscientes, bem
como dos pensamentos dos outros.
As projecções mentais ou crenças
exercem uma grande influência sobre o nosso bem-estar. Por muito saudável e
ecológica que seja a nossa alimentação, ou por mais rigorosamente que sigamos
uma dieta macrobiótica padrão, se alimentarmos pensamentos ou crenças
limitadoras, ou se não assumirmos a responsabilidade pelas situações difíceis
que vivemos, reconhecendo-nos como participantes na sua origem, permaneceremos
presos ao arquétipo da vítima ou aos nossos próprios limites auto-impostos.
Pelo contrário, quando observamos aquilo que a vida nos apresenta e adoptamos
uma postura responsável perante a nossa vida e os nossos actos, analisando os
conflitos que surgem e comprometendo-nos com a vontade de superação,
alimentamos uma espiral de movimento que atrai circunstâncias cada vez mais
favoráveis.
O ambiente em
que vivemos e trabalhamos, assim como o nosso círculo de amizades, também
influencia o nosso nível de energia, a nossa saúde e a nossa forma de ser.
Frequentemente chegam à consulta pessoas que há muito tempo «comem bem», mas
que continuam sem se sentir verdadeiramente bem devido a influências
energéticas externas. O estado energético das pessoas com quem convivemos —
pais, filhos, companheiro ou companheira — influencia-nos. Esta influência é
particularmente forte quando partilhamos diariamente o mesmo espaço e o mesmo
descanso. Se a outra pessoa não cuida de si própria ou enfrenta dificuldades, e
se não sabemos estabelecer limites saudáveis, o seu estado fragilizado pode
afectar-nos energeticamente. Tenho contacto com muitas pessoas que vivem estas
circunstâncias sem terem consciência disso. O local onde vivemos também
desempenha um papel importante. O impacto energético de uma grande cidade é
muito diferente daquele que sentimos numa aldeia ou numa zona rural.
Por isso, devemos reflectir sobre
aquilo que realmente nos convém e escolher conscientemente os alimentos que
compõem o nosso «menu» físico e energético. Ao fazê-lo, abrimos as portas a um
profundo processo de tomada de consciência e de expansão dessa mesma
consciência.
A respiração
consciente, a alimentação consciente e os padrões de pensamento e comportamento
— conscientes e inconscientes — constituem os pilares da nossa evolução física,
mental, emocional e espiritual. Dependendo da forma como os escolhemos de
acordo com as nossas necessidades, ou da forma como perpetuamos o seu consumo,
podem conduzir-nos à evolução ou acelerar um processo de degradação.
Os alimentos que ingerimos e o ar
que respiramos constroem-nos. Tornam-se parte das nossas células e do nosso
sangue, fortalecem a nossa saúde individual e a do nosso ambiente mais próximo,
influenciam a constituição dos nossos tecidos, órgãos e sistemas corporais.
Quando desenvolvemos uma maior consciência e promovemos a nossa melhoria
pessoal, estamos também a contribuir para uma maior consciência e melhoria a
nível planetário e universal.
Não é a mesma
coisa alimentar-se e nutrir-se
A alimentação
é o processo através do qual ingerimos substâncias do meio externo e as
incorporamos como substâncias próprias, satisfazendo assim as necessidades
energéticas e materiais do nosso organismo.
A nutrição
compreende o conjunto de processos através dos quais as diversas substâncias
químicas contidas nos alimentos são incorporadas nos tecidos do organismo.
Podemos dizer
que a nutrição começa onde termina a alimentação, embora vá muito além do
alimento físico. O ser humano não é apenas um corpo físico. Isto é demonstrado
pelas medicinas ancestrais, que descrevem tanto sistemas orgânicos como
sistemas energéticos (ou diferentes corpos, envolturas ou koshas, como na
medicina ayurvédica). Actualmente, como resultado do aumento da sensibilidade
associado à mudança da consciência colectiva, são cada vez mais numerosas as
pessoas que percebem vibrações subtis, quer através da visão (vendo a aura ou
campo etérico, que também pode ser observado com a ajuda de uma câmara
Kirlian), quer captando vibrações mentais (telepatia), ou sentindo, em maior ou
menor grau, a energia vibracional de outras pessoas, de casas, de lugares
naturais, entre outros.
Tudo isto
sugere que a energia subtil coexiste com níveis mais tangíveis ou físicos da
realidade.
A nutrição
consiste no melhor aproveitamento possível dos nutrientes. Assim, os nutrientes
fornecidos pelo arroz branco são diferentes dos fornecidos pelo arroz integral.
O mesmo acontece com a energia. Uma prova de que o arroz integral é um alimento
vivo é o facto de germinar quando é semeado, ao contrário do arroz branco.
Da mesma forma, um grão de arroz
branco possui uma energia vibracional muito mais baixa do que um grão de arroz
integral, pois foi descascado, fragmentado e refinado. Consequentemente, o
efeito de cada tipo de arroz sobre o nosso campo etérico é diferente. É
igualmente importante ter cuidado com cereais integrais de origem duvidosa ou
pré-cozinhados e embalados a vácuo, que, segundo esta perspectiva, podem ter
perdido parte da sua energia vibracional por permanecerem vários dias embalados
e refrigerados. Estes alimentos pré-cozinhados não proporcionariam a mesma
vitalidade, podendo contribuir para sensações de cansaço e falta de dinamismo.
Se queres
aumentar a tua luz, come alimentos com luz própria! Coloca luz no teu prato!
Mas porque é que uma mesma
substância, na mesma quantidade, afecta pessoas diferentes de forma distinta? A
resposta é simples: porque cada pessoa possui uma constituição e uma condição
diferentes. Tal como algumas pessoas toleram bem uma quantidade moderada de
álcool, outras podem desenvolver alterações de comportamento ou problemas
mentais ao consumir exactamente a mesma quantidade.
O estudo do
Princípio Único, que se refere à interacção entre as duas energias opostas e
complementares — yin e yang — ajuda a compreender de forma clara como somos
afectados pelos alimentos que ingerimos, pelos diferentes métodos de confecção
e pelas suas combinações.
Se conseguirmos observar todas as
manifestações do Universo em termos de yin e yang, além de sabermos o que
podemos comer e como cozinhar para contribuir para um maior equilíbrio pessoal
ou familiar, tornamo-nos também melhores observadores da natureza humana. A
compreensão do Princípio Único ajuda-nos a discernir porque atraímos ou
repelimos determinadas circunstâncias. Por exemplo: porque atraímos um acidente
ou uma doença? Em que tipo de energia vibrávamos quando isso aconteceu? Porque
nos sentimos atraídos por determinadas pessoas? Será devido à compatibilidade e
complementaridade energética, ao princípio segundo o qual o yin atrai o yang (e
vice-versa), ou porque um grande yin atrai um pequeno yin e um grande yang
atrai um pequeno yang? Porque surgem conflitos de personalidade entre duas
pessoas? Será porque o yin repele o yin, o yang repele o yang ou um grande yin
repele um grande yang? E porque deixamos, por vezes, de sentir atracção pela
nossa parceira ou pelo nosso parceiro? Será porque estivemos demasiado tempo
juntos e a polaridade energética desapareceu? Ou porque mudámos a nossa
vibração pessoal e isso nos afastou?
George Ohsawa
afirmava que a compreensão do Princípio Único nos pode aproximar do Juízo
Supremo e da Liberdade Infinita, pois esta perspectiva energética permite-nos
deixar de interpretar os fenómenos e as circunstâncias da vida a partir do ego,
passando a observá-los a partir de uma consciência mais elevada, livre de
julgamentos e marcada pela equanimidade.
Para alcançar essa compreensão, os
primeiros passos devem centrar-se na melhoria da qualidade da nossa
alimentação, ajustando a forma de cozinhar para melhorar a nossa condição,
promovendo mudanças no estilo de vida que eliminem tudo aquilo que nos bloqueia
ou impede a nossa evolução, estudando diversas fontes filosóficas e científicas
e, sem esquecer o estudo de si próprio, entregando a vontade dual a uma vontade
superior. Dessa forma, poderemos fluir mais harmoniosamente rumo à
concretização dos nossos objectivos de vida e, talvez um dia, alcançar essa
Liberdade Infinita — Kaivalya, em sânscrito — cujo significado é «unidade»,
consciência absoluta e libertação do karma ou das consequências das acções.
© Artigo
escrito por Agnès Pérez.
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