Cozinha para alcalinizar
Agnès Pérez
resumo
A alimentação alcalinizante,
segundo a abordagem macrobiótica, procura equilibrar o pH do organismo através
de alimentos integrais, vegetais, algas, métodos de confeção adequados e
hábitos de vida saudáveis. O objetivo é reduzir a acidificação excessiva associada
a uma alimentação desequilibrada e a estilos de vida pouco saudáveis.
O organismo mantém o equilíbrio
ácido-base através de quatro mecanismos principais: sistemas tampão do sangue,
pulmões, rins e pele. Quando a carga ácida é excessiva e persistente, estes
mecanismos são sobrecarregados.
Possíveis consequências da
acidificação:
- Desmineralização do organismo, especialmente
perda de cálcio;
- Fraqueza e fadiga;
- Diminuição das defesas imunitárias;
- Dores articulares e cãibras musculares;
- Queda de cabelo, unhas frágeis e pele seca;
- Maior risco de problemas ósseos, musculares
e cardiovasculares.
Fatores que favorecem a
acidificação:
- Consumo excessivo de café, álcool, açúcar,
refrigerantes, carne, enchidos, lacticínios e alimentos processados;
- Stress crónico;
- Poluição;
- Exercício físico excessivo;
- Alterações da flora intestinal.
Para promover uma condição mais
alcalina recomenda-se:
- Consumir regularmente vegetais, sobretudo os
de folha verde, e algas;
- Incluir leguminosas, cereais integrais,
sementes e frutos secos;
- Utilizar alimentos como miso, feijão-azuki e
millet;
- Cuidar da saúde dos rins, pulmões e
intestinos;
- Mastigar bem os alimentos, praticar
exercício ao ar livre e manter hábitos de vida equilibrados.
Em síntese, o texto defende que uma
alimentação rica em alimentos naturais e vegetais, associada a um estilo de
vida saudável, ajuda a reduzir a sobrecarga ácida do organismo e a favorecer o
bem-estar geral.
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texto
A cozinha para
alcalinizar não se baseia apenas em sumos verdes ou vegetais. A macrobiótica
procura, através da sugestão de alimentos integrais, combinados com métodos de
confeção adequados e também com alimentos crus, bem como através de diferentes
remédios alimentares introduzidos na alimentação diária e de recomendações para
um estilo de vida mais saudável, criar um equilíbrio ácido-base e eliminar o
possível excesso de acidificação resultante de uma alimentação tradicional e de
hábitos pouco saudáveis. Esta é uma das condições mais prejudiciais para o
organismo e pode constituir o início de uma rápida deterioração da saúde,
culminando em doenças graves.
Pelo contrário, uma condição
alcalina favorece as funções metabólicas que tornam a vida possível. Os
processos vitais nos líquidos intracelulares do nosso meio interno aquoso só
são possíveis num intervalo de pH sanguíneo entre 7,35 e 7,45. A acidificação
ocorre quando o pH desce abaixo de 7,35.
O equilíbrio
ácido-base é tão importante que o organismo se esforça constantemente por
mantê-lo através de vários mecanismos reguladores. Fundamentalmente, utiliza
quatro:
1. Sistemas tampão (ou amortecedores de pH), que estabilizam o pH dos líquidos corporais e do
interior das células, como a hemoglobina, uma proteína presente no sangue.
2. Os pulmões, através da eliminação de dióxido de carbono durante a respiração. A
prática de exercícios respiratórios (como o pranayama no yoga e na meditação),
desde que não seja forçada, tem um efeito alcalinizante.
3. Os rins, através da eliminação de metabolitos pela urina. Quando os mecanismos
renais falham ou quando o esforço exigido é excessivo, ocorre uma perda da
reserva alcalina, favorecendo a acidificação. Por isso, é tão importante cuidar
da saúde renal.
4. A pele, que também contribui para a eliminação de substâncias através da
transpiração.
Como se manifesta a acidificação? Quais são os sinais?
Talvez a primeira consequência da
acidificação seja a desmineralização do organismo, especialmente a perda de
cálcio.
Contribuem
para esta desmineralização o consumo excessivo de alimentos e bebidas que podem
gerar dependência, tais como:
- Café;
- Álcool;
- Açúcar;
- Sumos;
- Excesso
de alimentos crus;
- Refrigerantes
e bebidas açucaradas;
- Enchidos
e carne;
- Farináceos;
- Lacticínios;
- Solanáceas
(como tomate, batata, pimento e beringela);
- Vinagre;
- Citrinos;
- Cacau.
É igualmente importante evitar
alimentos processados e refinados.
A acidificação
pode também estar associada a:
- Desequilíbrios nervosos ou emocionais;
- Fraqueza
e cansaço generalizado;
- Enfraquecimento
do sistema imunitário;
- Queda de
cabelo e perda de brilho e vitalidade capilar;
- Dores
articulares;
- Irritação
dos tecidos;
- Cãibras
musculares;
- Alterações
hepáticas;
- Disfunções
dos pulmões e rins;
- Sensação
frequente de frio;
- Sabor
ácido na boca ao acordar;
- Pele
seca;
- Unhas
frágeis.
Fatores que favorecem a acidificação
Segundo o Dr. Rafael Cepa:
Existem vários mecanismos que
compensam imediatamente qualquer possível alteração do pH sanguíneo,
independentemente daquilo que comemos, pois não poderíamos sobreviver com um pH
sanguíneo excessivamente ácido ou excessivamente alcalino. O organismo ativa
continuamente mecanismos compensatórios para manter o pH dentro de limites
muito estreitos, devido às cargas ácidas ou alcalinas que recebe, especialmente
através da alimentação.
Se a
alimentação apresentar um balanço predominantemente ácido e essa situação se
mantiver ao longo do tempo — algo muito comum nos padrões alimentares atuais —
o organismo fica sujeito a uma sobrecarga contínua. Como consequência:
- Os rins são obrigados a eliminar eletrólitos
como o cálcio para excretar o excesso de ácidos, aumentando o risco de
osteoporose;
- Pode ser
utilizada glutamina proveniente dos músculos para neutralizar os ácidos,
provocando desgaste e fraqueza muscular;
- Os
pulmões são forçados a aumentar a frequência respiratória para eliminar
dióxido de carbono, o que pode favorecer a ansiedade e dificultar o
relaxamento;
- Podem
ocorrer perdas de potássio e magnésio, favorecendo a hipertensão arterial;
- Aumenta a
produção de radicais livres, promovendo a oxidação celular e o
envelhecimento precoce.
Por isso, recomenda-se privilegiar
alimentos que não imponham uma carga ácida excessiva ao organismo e procurar
que a alimentação seja equilibrada ou predominantemente alcalinizante.
Deve
evitar-se:
- O consumo predominante de alimentos com
efeito acidificante;
- Dietas
excessivamente ricas em ácidos não metabolizáveis;
- Situações
frequentes de tensão e stress;
- A
exposição regular a ar poluído;
- Exercício
físico excessivo e trabalhos fisicamente muito exigentes;
- Exposição
solar excessiva;
- Jejuns
prolongados ou abusivos;
- Alterações
da flora intestinal.
Como promover uma condição alcalina de forma mais natural?
O consumo regular de vegetais,
sobretudo os de folha verde, e de algas favorece uma boa condição alcalina,
devido ao seu teor em minerais e vitaminas lipossolúveis.
É muito importante saber cozinhar e
combinar os vegetais dentro de um menu equilibrado e adequado à constituição,
condição, circunstâncias e necessidades de cada pessoa.
Recomenda-se:
- Adotar uma alimentação orientada para o bom
funcionamento dos rins;
- Favorecer
a eliminação e depuração de mucosidades dos pulmões;
- Manter
uma boa saúde intestinal;
- Utilizar
técnicas de confeção que promovam a alcalinização de vegetais, leguminosas
e cereais integrais, que constituem a base de uma alimentação energética;
- Consumir
regularmente miso, millet, feijão-azuki, sopas, caldos de legumes e
vegetais de folha verde;
- Consumir
ocasionalmente alimentos fermentados, germinados, fruta e frutos secos;
- Garantir
uma ingestão adequada de fibra proveniente de leguminosas, algas,
sementes, frutos secos, cereais integrais, vegetais verdes e fruta.
Como sempre,
recomenda-se:
- Mastigar bem os alimentos;
- Praticar
exercício físico ao ar livre;
- Manter
uma vida organizada e equilibrada;
- Evitar
jantar muito tarde;
- Evitar
excessos de qualquer natureza.
Artigo original de Agnès Pérez.
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