A CURA ESTÁ NA ALMA
Por George Ohsawa
https://macrobiotica-george-ohsawa.blogspot.com/2023/10/a-cura-esta-na-alma.html
resumo
O texto defende que a verdadeira origem da saúde e da doença está na “alma”
— entendida como ligação ao infinito, à natureza, ao universo ou a Deus. Para o
autor, a doença não é apenas um problema físico, mas um sinal de desequilíbrio
espiritual e moral. Quem adoece estaria afastado da “ordem universal” e vivendo
de forma ignorante ou egoísta.
Segundo Ohsawa:
- A alma é livre e pertence ao “mundo do infinito”. Quando ela está
saudável, a pessoa naturalmente escolhe os alimentos corretos e vive em
harmonia.
- A alimentação influencia diretamente a saúde, mas os erros alimentares
seriam consequência de um estado interior desordenado.
- A macrobiótica não é apenas uma dieta nem um conjunto de regras
alimentares. Seu objetivo seria transformar a consciência humana, levando
a uma vida mais simples, grata, livre e alinhada com a natureza.
- Doença, sofrimento e dificuldades seriam oportunidades de despertar
espiritual e de superação do egoísmo, da arrogância e do apego material.
- Saúde verdadeira não significa apenas ausência de doença, mas viver
com alegria, gratidão, generosidade e disposição para servir os outros.
- O autor critica a busca por riqueza, status e orgulho pessoal, vendo
nisso a raiz do sofrimento humano.
- Para ele, a prática macrobiótica deveria conduzir a um estado de
liberdade interior, confiança e união com o “infinito”.
O texto mistura filosofia oriental, espiritualidade, ética e ideias da
macrobiótica tradicional, apresentando a doença como um processo de aprendizado
espiritual e não apenas biológico.
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texto
Depois de tratar muitos doentes, estou profundamente convencido de que
aqueles que adoecem são as pessoas que têm um crime grave no seu carma, e que a
doença é um castigo de Deus, pelo qual devemos ser muito gratos.
É óbvio que as crianças e as pessoas que se encontram numa situação que não
lhes permite uma escolha são exceções. No caso das crianças, são os pais que
serão punidos. Não há sofrimento tão doloroso e tão triste quanto o dos pais
que cuidam dos seus filhos doentes. Aqueles que não têm escolha na vida são
muito raros.
Em outras palavras, na minha opinião, quem adoece e quem adoece seus filhos
são pessoas que não conhecem Deus, a Grande Natureza, o Grande Universo, o
Infinito Absoluto, a Alma. É por isso que aquele que adoece, é um preguiçoso,
estúpido, triste e lamentável, que não reconhece, que negligencia o infinito,
Deus, a Grande Natureza. Ninguém tem o direito de dizer que não conhece o mundo
do infinito absoluto, Deus, a Grande Natureza. Enquanto tivermos a nossa alma,
não podemos dizer tal coisa, porque nossa alma sempre pode ir e se divertir na
terra de Deus, no mundo de Buda, no infinito absoluto, e de fato nossa alma
está se divertindo lá.
Este mundo de Deus, o mundo da "alma", sendo infinito e absoluto,
não há limite de tempo e espaço. Podemos viajar 10.000 anos atrás,
assim como no mundo futuro daqui a 10.000 anos.
Este é o mundo da Liberdade Infinita. Embora nosso corpo permaneça neste
mundo limitado, nossa "alma" nasce e é criada em num mundo
inteiramente livre. Podemos fazer (pensar) o que quisermos com a alma.
Este mundo de perfeita Liberdade é precisamente o país de Deus. Já que é lá
que vivemos, que a nossa alma vive, não se aceita dizer que não conhecemos este
mundo do infinito. Se não o sabemos, essa "ignorância" já é um crime.
Mesmo a lei que o homem fez, não perdoa quem a violou por causa de sua
ignorância.
Por isso nós não podemos dizer que desconhecemos o mundo criado por Deus,
já que é lá que moramos.
Não há crime tão terrível como o de ignorar este “País de Deus”, “O Mundo
do infinito”, “A terra natal da alma”. Em comparação com este crime, todos os
outros são pequenos e mínimos e fora de questão. Se não formos capazes de viver
no “País de Deus·, conhecer” O país natal da alma”, o homem não pode levar uma
vida feliz neste mundo. Também é óbvio que ele não pode fazer um trabalho que
valha a pena. Tudo o que ele precisa fazer é adoecer ou ficar infeliz. Todas as
doenças e todos os infortúnios ocorrem como resultado da falta de um Princípio
Universal correto ou como resultado da posse de um falso princípio instrutivo.
Epicteto disse: "O único Bem é conhecer o caminho do Infinito e
ignorar este caminho é o único Mal neste mundo".
É esta famosa "Alma" que cura os doentes. Sem entrar neste
"Mundo da alma” você nunca pode curar as doenças nem levar uma vida feliz
e saudável. Uma vez que esta alma é perfeitamente livre (o próprio Deus, ou o
Absoluto Infinito) a recuperação da doença é muito fácil para ela. Esta
"alma" pode traduzida também por "MAKOTO·, "TAO" ou
"GYO”.
De acordo com a Macrobiótica, todas as doenças são produzidas através da
dieta.
Isso é de fato correto. No entanto, é depois do trabalho da "Alma” que
nós podemos ingerir os alimentos de que necessitamos.
Quando temos uma "alma” sã, nós apenas comemos os alimentos coretos
sem fazer nenhum esforço. Na verdade, são os alimentos que produzem as doenças,
o corpo e a personalidade, etc... Isso é verdade, porque ninguém pode viver sem
comer.
Agora, quem não tem essa "Alma", quem não ouve a ordem da
"alma", que não pode ver a "Ordem do Universo", não conhece
e não pode conhecer o alimento correto.
Um princípio que demonstra o que é essa "ALMA", "MAKOTO”,
"GYO”, "O BEM", "A VERDADE”, “A BELEZA”, etc. ... de forma
concreta, e que nos faz conhecê-lo e assimilá-lo por nós mesmos, é o famoso
"PRINCÍPIO ÚNICO” da Filosofia do Extremo Oriente.
O objetivo da cura da dieta macrobiótica é curar as doenças da
"alma" corrigindo os alimentos.
Sem ela as doenças do corpo não curam; além disso, como a doença do corpo é
um sinal de angústia da doença da alma, é um absurdo e é até duplicar o crime
apenas apagar o sinal ou o sofrimento. As pessoas que imaginam que o método
macrobiótico se destina a curar doenças físicas, melhoram com grande
dificuldade. A macrobiótica não é um remédio ou uma operação que interrompe a
dor ou o sofrimento, mas é aquela que apaga a causa original desse sofrimento e
ensina o método para levar uma vida feliz, brilhante e saudável sem nunca
encontrar duas vezes tais infortúnios. É por isso que a instrução macrobiótica
é dada em princípio a cada pessoa apenas uma vez na vida. Se alguém adoece de
novo várias vezes, é porque a "alma" dessa pessoa ainda não está
melhorada e ela só tem de fazer esforços, ela mesma, porque a culpa é sua.
Há quem acredite que o Macrobiótica é uma coisa que dá regras dietéticas.
Que grande erro. Há quem acredite que a Macrobiótica consiste em comer arroz
integral, bardana, cenoura e kombu. Não é inteligente. Há também quem acredite que
macrobiótica significa não comer açúcar, bolos ou frutas. É estupido. A
macrobiótica é o processo de mudança de nós mesmos para que possamos comer o
que quisermos sem medo de adoecer, e é o que nos faz alcançar
nosso maior sonho de vida, levando ao mesmo tempo uma vida feliz e muito
divertida. A Macrobiótica é conhecer o Infinito, viver o Infinito, viver com o
Infinito, retornar ao Infinito, admirar a Grande Natureza, o Infinito-Absoluto,
como as crianças que suspiram pela sua terna Mãe.
Quem não consegue ter tal alma, não pode recuperar a saúde. Ele
nunca se divorcia da sua doença. A sua vida nada mais é do que
uma série contínua de sofrimentos e preocupações. Supondo que ele
esteja bem de saúde, ele nunca conhece a vida ardente, ele nunca estará seguro
o suficiente de si mesmo para viver sem medo.
No entanto, quando praticamos a Macrobiótica, esse estado de espírito nasce
sozinho e silenciosamente.
É o despertar do discernimento.
Este é o objetivo da Macrobiótica. A macrobiótica é limpar a Grande
Natureza, o país de Deus, o mundo da "alma". Com uma profunda
gratidão, nós a provamos, meditamos ali nas graças do Grande Natureza que dá
vida a este corpo humano.
Qualquer um que esteja contente, que se gabe de que nunca esteve doente nos
últimos 20 anos desde que nasceu, é um pouco estúpido. Nunca podemos ter a
certeza da nossa saúde mesmo quando nunca tenhamos ficado doentes há 30 ou 40
anos. É perigoso ficar satisfeito com isso. É um grande crime se vangloriar da
sua saúde, mesmo quando já dura há 50 ou 70 anos. É comparável a quem se orgulha
da fortuna herdada de seus pais, o que é
desagradável de se ver. Essa pessoa não é feliz.
A certeza, a felicidade, a gratidão de ser rico, esse
estado de espírito de pensar como usar essa fortuna da maneira mais útil,
pertence apenas a quem construiu essa fortuna fazendo bolhas nas mãos, suor na
testa. Se tivéssemos tal estado de espírito, ficaríamos muito ricos mesmo com
apenas 100 francos. Por outro lado, se alguém não tem consciência de tal estado
de espírito, é um humano estúpido que vive nas profundezas do inferno mesmo com
100.000 Francos. Ainda mais se esse dinheiro foi dado por outras pessoas ou foi
roubado de outros, isso é pior do que qualquer coisa. A
posse em si já é um sofrimento, uma preocupação. É
um castigo. É o mesmo com a saúde. Muito raramente há alguém que possa ser
grato do fundo de seus corações pela saúde e fortuna que lhes foi dada por seus
pais.
Embora seja saudável, ele é um infeliz e um inútil se ele não tem um estado
de espírito feliz, tão satisfeito que ele procura fazer bom uso dele por todos
meios.
Embora os cães ou gatos possam ficar num estado tão patético, não é
permitido aos seres humanos. Sem ter esta alegria, esta gratidão, o homem não
tem valor nem qualidade para viver. Teria sido melhor se não tivesse nascido
para levar uma tal vida. Mesmo a saúde que se constrói por si próprio, se for
só usada para si próprio, então
não será esta uma vida inútil e miserável?
Sem valor?
Apenas aqueles que podem dar dinheiro a outros alegremente, tem o estado de
alma verdadeiramente ricos. Aquele que não tem a alegria para distribuir o seu
dinheiro, mesmo com 100.000 francos é uma pessoa muito pobre. Ele é um escravo
do dinheiro. Apenas aqueles que desfrutam de usar a sua saúde sem
arrependimento para o mundo, para os outros, são verdadeiramente pessoas
saudáveis, como homens.
Aquele que pode dar a sua vida a outros até ao fim com alegria é um homem
que homem que possui a verdadeira saúde.
Ter um tal estado de espírito é o objectivo da Macrobiótica e tal
estado de espírito é precisamente o ideal de vida. Em tal mundo, não há
queixas, não há incerteza, não há tristeza, medo, sofrimento e preocupação. E
só há Felicidade, Amor eterno, infinito Liberdade infinita, confiança
inabalável, e satisfação total.
Quando se tem este estado de alegria, desta gratidão, ele pergunta-se a si
mesmo como distribuí-lo aos outros, e em tal mundo tudo brilhará com a alegria.
Aquele que vive num mundo assim transmutará espontaneamente
a doença, o sofrimento em felicidade, mesmo quando ele mesmo é
acidentalmente perturbado por estes infortúnios.
Se alguém lhe atirar uma pedra, ela cairá como flores de lótus de ouro ou
prata sobre ele. Se alguém brandir uma espada contra ele, ela brilhará como a
honra que ilumina todo o universo. Se alguém lhe der veneno, ele se irá
transformar num remédio que dá a vida eterna.
A Macrobiótica é um método que liberta o homem do mundo miserável, efémero,
escravizado, pequeno, mundo estreito, e que permite ao homem ir e renascer no
mundo da “alma”, o paraíso, a terra do infinito, da alegria infinita, antes da
sua morte. Se ele não quer ir para este mundo é melhor abandonar a prática, se
ele não entrar neste mundo de plena alegria, o mundo da Grande Vida, da Grande
Natureza, o mundo do infinito. O que perturba e impede que se entre num mundo
assim é a doença infernal, a arrogância, a avareza (egoísmo). É o pequeno “EU”.
Esta arrogância é a famosa mentalidade que visa a riqueza, que persegue a
glória, que se prende às situações, que procura o mundo material. É a famosa
origem do sofrimento na vida. É o maior crime.
Não existe maior infortúnio do que ter ideias tais como: “Eu sou rico”, “Eu
sou saudável”.
O dinheiro tem sempre a possibilidade de tornar-se pó de papel da noite
para o dia, sem valor, e é capaz de produzir crime e sofrimento. A saúde é tão
efémera que pode sempre desaparecer pela única razão de falta de ar e só
podemos sobreviver no máximo apenas cerca de 25,000 a 30,000 dias.
Embora muitas vezes nos orgulhemos do nosso estatuto, fama e força física,
é o estatuto e a fama que convidam ao sofrimento do sonho de uma bela flor que
já está a desbotar à tarde e é esta força física que traz a miséria do
enfraquecimento sem demora.
Para esmagar em mil pedaços o egoísmo, a ganância de um falso espírito de
superioridade, arrogância, e para dar a verdadeira felicidade, piedosa e
modesta, essa é a missão da Via Macrobiótica.
É por este motivo que este caminho é necessário para aqueles que são
saudáveis.
Uma vez que mesmo pessoas com boa saúde, pessoas saudáveis são salvas por
este meio, os doentes mais facilmente podem ser salvos.
Quem quer que tenha experimentado este caminho por causa de uma pequena
doença é incomparavelmente mais feliz do que aqueles que não podem entrar neste
caminho por causa da sua boa saúde. Deve-se admirar a doença. É precisamente
doença que é sagrada e inviolável. Se um dia a medicina curativa ocidental
puder curar qualquer doença espontaneamente, com uma única injecção, como
seremos infelizes!
Não poderemos mais conhecer ou mesmo imaginar a alegria da boa saúde.
Aqueles que não são pobres, são pobres em espírito! É mais difícil para eles
entrar na via Macrobiótica. É mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma
agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus, da Alma, no infinito.
Aqueles que são orgulhosos de espírito! (Aqueles que afirmam ser bonitos e
inteligentes, bons, honestos, etc. ... ). Para eles, a Macrobiótica é muito
mais difícil de compreender do que para uma pessoa que admite ver o grande
universo. É uma mentira pretender ser um bom homem ou afirmar não cometer
nenhum crime. Que tipo de bem você fez?
O que é o bem?
É falso se acreditar ser um bom homem porque não cometeu nenhum crime, pois
esta pretensão em si é um crime.
“Eu não sei o que é o bem e o mal” disse Shinran. Viver num tal estado de
espírito para além bem ou do mal, em transcendência, desligado do bem e do mal,
não é isto o verdadeiro bem?
O ato de descobrir um tal estado de espírito é a Macrobiótica, e este
ato é "O poder de cura”. Embora sejam os alimentos que curam as doenças, é
a “alma” que escolhe os alimentos. Portanto, não há necessidade de curar
doenças com alimentos se não se pode ao mesmo tempo dar esta força da alma.
Uma vez que a doença é uma bênção de Deus para dar a conhecer este estado
de alma, a origem da Felicidade, não é de todo necessário curar doenças se não
formos uma tal pessoa. Seria melhor dar mais doenças. Seria mesmo melhor rezar
para que a sua doença fique cada vez mais grave. Não importa, mesmo que ela
morra, porque é a vontade de Deus.
Neste sentido, devemos ser gratos à medicina moderna, que complica as
doenças, que as torna cada vez piores, e obriga os doentes a pagar enormes
somas de dinheiro.
Como Deus é admirável! Este mundo é no seu verdadeiro sentido, o país de
Deus. Enquanto o homem insensatamente suja e destrói os solos e destrói
este paraíso, Deus repara-o, purifica-o, solidifica-o e torna-o limpo em cada
momento e a cada segundo. Para curar esta ARROGÂNCIA, só é preciso se apressar,
e recuperar a saúde através de Macrobiótica, para recuperar tanto a liberdade
física como a liberdade psicológica, e para meditar sobre o infinito, para
viajar para a terra da "ALMA".
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